Cerimónia de atribuição do Doutoramento Honoris Causa à Drª Manuela Ramalho Eanes, dia 24 de junho, na Universidade Lusíada, em Lisboa

Junho 28, 2016 às 12:45 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Fotografia de Tânia Araújo, 2016

Fotografia de Tânia Araújo, 2016

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Fotografia de Luís Rocha, 2016 Cortejo da Comitiva Doutoral da Universidade Lusíada.

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Fotografia de Luís Rocha, 2016

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Fotografia de Luís Rocha, 2016 Imposição das insígnias pelo Magnífico Reitor

fotografias retiradas do Facebook da Universidade Lusíada

Portugal é um país amigo das crianças?

Junho 28, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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mariocordeiro

 

Está na altura de denunciar oportunismos, negligências e algumas malfeitorias que ocorrem neste país onde os assuntos das crianças ainda são vistos como “brincadeiras”.

Portugal é ou não um país “amigo das crianças”? Supostamente sim, mas esmiuçando, há indícios que muita coisa poderia ser feita e não está a sê-lo… Não há dúvidas que a situação global de bem-estar das crianças portuguesas melhorou de uma forma quase inacreditável desde há 40 anos. Os indicadores não mentem e nem é preciso recorrer apenas à taxa de mortalidade infantil, mas a múltiplos outros parâmetros que mostram uma qualidade de vida e um nível de bem-estar largamente superiores ao de crianças de outras gerações, a nível físico, psicológico e social.

Todavia, centrando-nos no “agora” e na baixa da natalidade em Portugal, a pergunta subsiste: “É Portugal um país amigo das crianças?”. Sem querer colocar o país no “tribunal”, atrevo-me a dizer (obrigado, democracia!) que os governos e os órgãos de soberania em geral muito pouco têm feito, especialmente nos últimos anos, em termos de políticas globais para a infância e para a família. Um fogacho aqui, uma ilusão ali, criar algumas comissões e anunciar a sua criação com pompa e circunstância, mas debater pouco o que eventualmente estas sugiram… agora, quanto a políticas globais… quase zero. Quando vemos o espetáculo que é a degradação da Justiça (e das CPCJ), o caos escolar com políticas erróneas, lunáticas e desfasadas do que são as crianças e do que se pretende venham a ser futuros adultos, a anarquia nos serviços de saúde, e quando as medidas- -chave para o incremento da natalidade são um aglomerado de anúncios avulsos, demagógicos e eleitoralistas, não é líquido que Portugal seja amigo das crianças. Dou alguns curtos exemplos do que seria possível fazer: uma rede de ensino pré-escolar estatal com apoio de autarquias, associações, privados e mecenas; modificar as regras da habitação e consumos levando em conta a existência de crianças no aglomerado familiar; isentar de IVA os dispositivos de retenção dos automóveis e as fraldas e biberões, incluir todas as vacinas gratuitamente no PNV e ampliar ou pelo menos cumprir a atual legislação sobre apoio à família e aos filhos sem que isso representasse, como representa, penalização laboral… só isto já seria muito.

O nosso país evoluiu, mas a inversão do dinamismo de Leonor Beleza, quando formou a Comissão Nacional de Saúde da Mulher e da Criança, ou o de António Guterres, com a Comissão Nacional dos Direitos da Criança, é preocupante. Tudo caiu por terra! Há dez anos, com a Isabel Stilwell e o Eduardo Sá, fizemos uma “brincadeira a sério”, que foi o Sindicato das Crianças, para fazer uma greve aos TPC. Estará na altura, provavelmente, de redinamizar, com garras mais afiadas, a ideologia deste “sindicato” e denunciar oportunismos, ignorâncias, negligências e algumas malfeitorias que ocorrem neste país “à beira-mar plantado”, onde os assuntos das crianças ainda são vistos como “brincadeiras” ou apenas na perspetiva longínqua de “quem pagará as nossas pensões”. É redutor, indecente e inaceitável!

Abril trouxe-nos a primavera, mas trouxe-nos também a dor da morte de uma Amiga: Ana Vicente. Não cabe neste espaço tudo o que a Ana foi, tudo o que a Ana é. Defensora dos Direitos da Criança, escritora de livros infantis, mãe e avó, lutadora pela igualdade de género e pelo papel da mulher na Igreja e na sociedade, para mim foi uma Amiga e um exemplo. Muito aprendi com ela. Muito trabalhámos. Muito nos rimos. As pessoas continuam vivas enquanto perdurarem na memória de alguém. A Ana está imensamente viva, entre todos os seus amigos e admiradores. Bem haja por tudo o que (nos) fez.

Crónica do pediatra Mário Cordeiro para a revista Pais&filhos em junho 2015

“As pessoas são muito descuidadas nas redes sociais. Quando se apercebem, já pode ser tarde”

Junho 28, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Sabe como detetar se alguém está a fazer mau uso do que coloca no Facebook? E o que fazer se alguém o perseguir na internet? Como pode um pai prevenir a proteção de um filho? O agressor pode estar no meio de nós e nunca estamos preparados para o que aí pode vir.

Luzia Pinheiro, 30 anos, investigadora no CECS (Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade) da Universidade do Minho, estuda há muitos anos os casos de agressão (cyberbullying) e perseguição (cyberstalking) através da internet. Continua a espantar-se com a facilidade com que as pessoas se expõem, “como se estivessem num reality show”, sem terem a mínima noção dos perigos que correm. E, conforme conclui na sua tese de doutoramento, “os efeitos são graves: além de perder a reputação, pode a vítima ser estigmatizada pela sociedade, auto estigmatizar-se, entrar em depressão e suicidar-se”. Como já aconteceu. E isto é algo que atravessa qualquer geração. Falamos com ela e ficamos mais alertados.

Porque é o cyberbullying ainda um tabú social?

As pessoas têm ainda vergonha de assumir que são vítimas. Os outros acham que elas é que não souberam lidar com aquilo. Ainda é muito julgado socialmente.

A tendência é para culpabilizar a vítima?

Sim. Mas há uma questão: a vítima pode ser completamente inocente, mas também pode ter alguma culpa, por ter sido ela a expor o conteúdo usado contra ela. Se tivesse sido mais cuidadosa, aquele conteúdo não existiria. Em ultima instância, a culpa é sempre do agressor, porque foi ele quem usou indevidamente o conteúdo.

Há redes sociais mais favoráveis a esses abusos?

Todas aquelas em que temos tendência a expor-nos, em que temos a ilusão de que é só nosso, mas que, na verdade, qualquer pessoa pode aceder. Sublinharia o facebook e o youtube. No youtube, publicam-se muitos vídeos pessoais. Quem quiser praticar cyberbullying tem ali todas as ferramentas de que precisa.

Quais os sinais de que estamos a ser vítimas de perseguição?

Temos de estar alerta sobre as sucessivas tentativas de entrada no nosso email e na nossa conta de rede social. A partir daí, podem ter inclusivamente o nosso número de telefone. Recebermos mensagens privadas de desconhecidos ou chantagens através de chats ou de alguém que criou um perfil que adicionamos num jogo online, por exemplo. A pressão normalmente é psicológica. Pode só querer chatear, mas também pedir que se dispa para uma câmara web. Recebermos avisos de que fomos identificados numa fotografia, que não foi tirada por nós. Relatos de amigos que nos contam que viram coisas que não fizemos. São sinais de que alguém se está a fazer passar por nós, que está a ter acesso aos nossos dados.Colocaram o meu email num site de conteúdos para adulto. Comecei a receber pedidos de amizade de pessoas que não conhecia no messenger. Estranhei porque era um chat privado fornecido pelo email e aceitei um dos pedidos. Essa pessoa pediu-me que me mostrasse na câmara web e perante a minha indignação explicou-me o que se passava.

Esse é um caso de abuso. Pode ser considerado cyberbullying?

Pode, porque é público. O cyberbullying não precisa de ser praticado sempre pela mesma pessoa. Tem é de ser repetitivo: pode ser alguém a divulgar algo, que será republicado por outros. Ultrapassa o nível do abuso e começa a ser perseguição.

FAZER PRINT SCREEN E QUEIXA NA POLÍCIA
O que se deve fazer quando se deteta uma perseguição?

Mudar as passwords todas imediatamente. E fazer correr um anti-vírus, para o caso de haver um hacker qualquer. Depois, deve-se recolher provas, fazer print screen e guardar. Se o caso for grave, deve-se contactar a polícia e apresentar queixa. De resto, convém fazer um aviso geral aos nossos amigos e familiares, ou meter mesmo um aviso público de que estamos a ser vitimas de perseguição ou de que há alguém a fazer-se passar por nós. Nomeadamente, avisar a empresa ou o nosso patrão.

Avisar a entidade patronal, porquê?

Sim. Se alguém criar um perfil ou email para se fazer passar por nós, pode, a partir daí, aceder a dados da empresa. Imagine que alguém acede ao email do patrão e manda fotos menos corretas ou insultos em nosso nome. Nunca se sabe quem é o agressor. É melhor avisar logo, do que não precaver.

Tem conhecimento de casos desse tipo?

Nos Estados Unidos, uma mulher, à volta dos vinte e tal anos, foi de férias com o namorado. Eram daqueles que filmavam cenas íntimas e trabalhavam no mesmo sítio. Separaram-se, ele criou um perfil falso e mandou as fotos e as filmagens para o patrão, de modo a que parecesse que ela se estava a insinuar. Deu uma grande bronca.

A polícia já está apta a resolver este tipo de casos?

Sim. Tenho algum feed back da Polícia Judiciária. Diz ter pessoas especializadas em cibercrime, preparadas para localizar endereços de IP, encontrar a origem do cyberbullying e identificar os autores. Há quem comece a ser perseguido pelo telemóvel, e só depois nas contas online. A polícia pode pedir o histórico às operadoras. E todos temos um endereço de IP.

Qual a penalização que isso dá?

O cyberbullying ainda não está catalogado na lei portuguesa, só o bullying. Em Espanha já está e nos Estados Unidos dá cadeia. Cá, normalmente, é equiparado ao crime por difamação.

Mas o cyberbullying ou cyberstalking é mais do que difamação, pode ter consequências graves.

Dramáticas. Pode levar ao suicídio. Pode-se perder o emprego, os amigos. Há casos em que a própria família deixa de falar à vitima, por considerá-la culpada. O acompanhamento psicológico para estas vítimas é algo a ter em consideração. Até porque, na altura, pensa-se sempre que se é capaz de lidar bem com isso. Depois, começam a ter comportamentos de muita tristeza e isolamento, levando à depressão.

Qual é a história de Laura Barns, de que fala na sua tese de doutoramento?

Laura Barns era uma adolescente da Califórnia, a miúda mais popular da escola e tinha excelentes notas. Um dia, foi a uma festa típica de adolescentes e bebeu demais, vomitou, adormeceu no chão. Os colegas fotografaram e meteram online. De rapariga mais popular passou a ser a mais gozada. Não conseguiu lidar com isso e, três dias depois, trouxe uma arma de casa, chegou á escola e matou-se. Alguém voltou a filmar, alguns julgando até que ela estaria a brincar. A morte dela ainda está online. Mas há mais casos destes.

NUNCA CEDER Á CHANTAGEM
Teve conhecimento de algum em Portugal?

Por cá, o suicídio tem sido muito mascarado ou não foi ainda documentado. Não encontrei muitos dados sobre isso. Encontrei um que terminou bem, mas poderia ter tido consequências graves. Uma mulher marcou um encontro com um fulano com quem falava online já há algum tempo. Não correu como ela esperava e foi cada um para sua casa. Ele sentiu-se lesado, pelo dinheiro que tinha gasto no encontro. Começou a chateá-la na net. Ela protegeu bem a conta, mas ele pesquisou os amigos e familiares dela. Até que ela recebeu uma mensagem dele a dizer que sabia onde ela morava, com uma foto do local posta por um familiar dela. Fez uma ameaça, queria que ela lhe devolvesse o dinheiro gasto no encontro. Ela transferiu a quantia e a coisa parou ali. Teve sorte. Podia não ter parado ali.

Ceder, nesses casos, é a melhor solução?

Eu teria contactado a polícia. Não teria cedido. A polícia poderia armar uma cilada e caçá-lo. Aquilo foi uma perseguição. Ela tinha dados suficientes para agir. Ceder foi um grande risco. Não há certeza nenhuma de que a perseguição pare ali. Principalmente, porque a vítima cedeu. E cedendo uma vez…

Fica-se refém?

Completamente. Ceder só se a polícia o recomendar e for um esquema montado para apanhar quem está a perseguir.

Do inquérito que fez aos estudantes universitários conclui-se que não estão muito sensibilizados para estes perigos.

De todo, não estão mesmo! Apanhei um choque quando vi os resultados. Sabia que era assim no geral, mas esperava que tal não acontecesse com estudantes universitários, supostamente informados. No entanto, encontrei pessoas desinformadas, algumas sem sequer saber o que era o cyberbullying, ou apenas com uma vaga ideia de ouvir falar na televisão.

Estão desinformados sobre o fenómeno ou nem sequer têm noção de como se devem proteger nas redes sociais?

De um modo geral, sobre tudo. Dos dados recolhidos, poucas eram as que estavam informadas, só quem já tinha passado por isso. A maioria não tinha qualquer noção de como lidar com o caso, se fossem vítimas. Basicamente respondiam que não ligariam e deixariam andar.

Há um certo estado de inconsciência?

Há. E a sensação de que seriam capazes de lidar bem com isso. Mas ninguém está preparado para um caso destes, mesmo quem está dentro do assunto. Há sempre um impacto emocional muito forte.

Ainda não se sabe que uso se deve dar às redes sociais e como se pode controlar a informação lá posta?

Não. Há quem use as redes sociais da forma mais simples. Raramente vão ver quais os procedimentos de segurança têm ao seu dispor. Há coisas que colocam automaticamente no estado público, sem perceberem que se pode restringir o acesso. Como se pode usar a net com segurança ainda é muito pouco falado. As pessoas são naturalmente descuidadas no uso das redes sociais, acham que nunca lhes vai acontecer e deixam-se ir. E quando se apercebem das coisas que publicaram, já pode ser tarde para evitar consequências. Tive o relato de alguém que publicou no facebook uma foto sua em biquíni, na praia. No ano seguinte, viajou até um paraíso asiático e encontrou a imagem dela num out door publicitário.

NÃO AMEAÇAR TIRAR A NET AOS FILHOS
E como é entre adolescentes e pré-adolescentes?

Praticam muito cyberbullying entre eles, usam as redes para gozar com os colegas, sem ter noção das consequências sobre o outro. Para eles, não passam de brincadeiras. Chegam ao ponto de copiar endereços de email das fichas de professores e passam de uns para os outros. Também fazem tudo para descobrir a password dos colegas.

E sabem identificar quando estão a ser vitimas?

Normalmente sabem, por vezes melhor do que os adultos. Talvez porque ainda não têm vergonha.

Queixam-se aos pais?

Mais depressa contam aos professores. Depende muito da relação que têm com os pais. Se forem daqueles que não castigam nem lhes tiram o acesso à internet, até contam. Mas quando há a mínima hipótese de desconfiarem que lhes vão retirar a net, não contam. Têm medo. Para eles, ficarem sem computador e internet é gravíssimo.

Nesses casos, os pais nunca devem ameaçar tirar o computador?

Não. É o pior que podem fazer. Pode-se ser vítima de cyberbullying quer se use ou não computador. Mas se usarem computador, têm mais possibilidade de saberem que estão a ser vitimas e de se defenderem. Os pais tiram o computador, porque o filho foi irresponsável, pensando que assim evitam que ele seja uma potencial vitima. Mas sem computador, nem sequer saberão o que está a acontecer. Os pais devem ir ver com os filhos o que se está a passar, ensiná-los a alterar as passwords, ver que procedimentos de segurança devem usar. Há passwords ridículas, como o 00000, 123456, ou o próprio nome. Se algo for detetado, devem dar logo conhecimento á escola e á policia. Muitas vezes, o agressor é da escola, um colega ou até grande parte da turma.

Que cuidados deve ter um pai?

Alertar os filhos para que não aceitem certo tipo de comportamentos, de linguagem e ameaças. Aquilo que não se considera correto no dia-a-dia também não é correto na internet. Devem ensiná-los a ter cuidado com as pessoas que aceitam como amigos e a não se exporem demasiado, não contarem conversas de casa e ter muito cuidado com as fotos que colocam. Devem ensinar a diferença entre o que é privado e o que é público. Os miúdos nunca devem dizer onde moram.

Isso não é ensinado nas escolas?

Não é algo que venha nos programas escolares. É algo que fica à mercê da vontade ou interesse do professor. A experiencia que tive não foi muito positiva. As escolas têm medo de perder reputação se assumirem que há ali bullying ou cyberbullying. Tentam esconder.

O inquérito que fez foi em 2013, houve alguma evolução de então para cá?

Gostava que estivessem desatualizados, mas ainda refletem muito a realidade. Continuei a acompanhar casos e quase não houve evolução. E isso é grave.

Em que aspeto?

Continua a ser um tabú, continuamos desinformados e a meter coisas na internet que não deviam lá estar. Cada vez mais se age no facebook como se se estivesse num reality show! Peguei num perfil aleatório do facebook que estava semi-aberto (o que quer dizer que tem conteúdo público e privado): mulher portuguesa, com formação superior. Não sou amiga dessa pessoa. Fui seguindo esse perfil ao longo de um ano. Consigo dizer-lhe o que ela faz à segunda, à terça, à quarta, à quinta, à sexta e ao fim de semana, os destinos de férias e com quem viajou. Inclusive onde mora e trabalha e por onde anda entretanto.

Pôs-se na pele do potencial agressor?

Sim. Para perceber o que consigo fazer se a quiser perseguir. Ela mete tantas fotos e tanta informação que fico a saber tudo. Estamos a falar de alguém com mestrado, que sabe usar um computador. Mas tem lá fotos de biquíni cai-cai, dentro do mar. É fácil despi-la com fotoshop e mostrá-la como se estivesse completamente nua.

Há uma ânsia de se mostrar?

É isso. Aquilo é muito forte, mesmo sabendo que pode trazer consequências gravíssimas. Só vai ter consciência de que se expos demais, quando algo acontecer. Há outros exemplos, não fiz isso só com uma pessoa. Tirei vários perfis aleatórios para fazer estudo de caso e ver como as pessoas continuam a comportar-se na internet.

Está a preparar outro estudo?

Estou a ponderar lançar um livro e a trabalhar num projeto de pós-doutoramento, sempre a investigar esta área.

O QUE SE DEVE FAZER PARA EVITAR O CYBERBULLYING?
* Não partilhar fotos e vídeos de momentos íntimos com o namorado. São um perigo. Podem ser roubados por terceiros ou usados por um dos envolvidos, se a relação acabar mal.

* Cuidado com as fotos que podem ser manipuladas por programas de computador, como o fotoshop. Zero de poses em biquíni.

* Ter noção de que o que se põe online permanecerá para sempre, mesmo que seja apagado pelo próprio. Entretanto, pode já ter sido partilhado e copiado e já se perdeu o controlo

* Não usar fotos de casas ou locais, que possam ser identificadas por outros.

* Não usar dados pessoais, que permitam que alguém se aproxime demasiado.

* Não usar dados do local de trabalho, ou dar indicação das rotinas do dia-a-dia.

* Escolher muito bem a password e mudá-la de tempos a tempos. Evitar o óbvio, como o 00000, 123456, datas de aniversário ou os nomes próprios

* Ter vários níveis de segurança e partilha. Ter consciência de que mesmo um conteúdo circunscrito aos nossos amigos, pode ser indevidamente usado por um deles e outros lhes podem aceder.

* Fazer de quando em vez uma pesquisa com o próprio nome num motor de busca para ver que conteúdos aparecem.

 

Cesaltina Pinto para a Visão, em 10 de junho de 2016

Como a Guerra Fria deu origem à ritalina, a droga da ‘concentração infantil’

Junho 27, 2016 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Durante a década de 1960, era comum, nos Estados Unidos, que crianças hiperativas recebessem um medicamento para ajudá-las a se concentrar nas aulas.
A chamada “pílula da matemática”, a ritalina, continua sendo um dos tratamentos mais usados em vários países para tratar o transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH).

Seu principal componente, o metilfenidato, da família das anfetaminas, tem a propriedade de estimular a concentração e reduzir a impulsividade.

Essas qualidades eram consideradas necessárias dentro da transformação, durante a década de 1960, do sistema escolar dos EUA, que queria competir com a União Soviética no contexto da Guerra Fria, de acordo com o historiador Matthew Smith, da Universidade de Strathclyde (Escócia) e autor do livro Hyperactive: The Controversial History of ADHD (“Hiperativos: a controversa história do TDAH”, em tradução livre).

“Havia uma corrida científica e espacial com a União Soviética, e por isso o novo sistema educativo exigia que as crianças permanecessem sentadas em suas carteiras fazendo tarefas”, disse.

Quando a droga foi sintetizada, em 1944, pelo químico italiano Leandro Panizzon, não estava previsto que crianças pudessem tomá-la.

Então como ela acabou virando a solução predileta dos pais e psiquiatras para os pequenos hiperativos?

 
Fármacos no pós-guerra
Existe uma lenda de que Panizzon batizou o medicamento de “ritalina” em homenagem a sua mulher, Margarida, que chamava pelo apelido carinhoso de Rita.

“Ela tomava o comprimido antes de jogar tênis. Aparentemente, sofria de pressão baixa e isso lhe dava um empurrão na partida”, destacou Smith.

O laboratório onde ele trabalhava, Ciba, começou a comercializar o fármaco para adultos com a mensagem de que era mais forte que uma xícara de café, mas não tão intenso, nem com os efeitos secundários de outras anfetaminas mais potentes.

Na época de seu surgimento, o mercado de medicamentos passava por várias mudanças e avanços.

No pós-guerra, começaram a ser tratadas doenças como tuberculose, e teve início a vacinação contra a pólio.
“As pessoas começaram a recorrer a fármacos como solução para tudo”, disse Smith, acrescentando que drogas psiquiátricas também geraram otimismo e que isso se manteve por mais duas décadas até a descoberta de efeitos secundários e de seu potencial viciante.

 
Fórmula para crianças
Em uma pesquisa de 1937, o psiquiatra Charles Bradley fez uma descoberta: depois de administrar anfetaminas a um grupo de crianças para tratar dores de cabeça, ele notou que elas tinham o surpreendente efeito de estimular sua concentração.

Sua descoberta foi investigada duas décadas depois, quando o psicólogo clínico Keith Conners, em 1964, da Universidade Johns Hopkins em Baltimore (EUA), fez o primeiro ensaio clínico aleatório com ritalina em crianças com “transtornos emocionais”.

O jovem pesquisador estava intrigado com a possibilidade do tratamento com drogas, porque os baseados em terapia não pareciam dar resultado.

O estudo mediu concentração, níveis de ansiedade e impulsividade. A resposta das crianças foi imediatamente positiva.

“Estavam emocionadas de tomar um remédio que ajudava com suas tarefas. Sentiam que já não eram crianças problemáticas ou más”, disse Conners à BBC.

Depois que Conners e seus colegas publicaram os resultados, a ritalina começou a ser usada com mais frequência para tratar hiperatividade em crianças americanas.

Segundo o historiador Matthew Smith, os professores começaram a indicar crianças com problemas de conduta a psiquiatras, que quase sempre diagnosticavam transtorno de hiperatividade.

“O sistema escolar pressionava as crianças a se sentarem quietas nas carteiras e se concentrarem”, disse Smith.

 
Consumo ‘excessivo’
Apesar de haver ajudado a popularizar o medicamento na sociedade americana, Conners acredita que hoje ele é usado em excesso.

“Quando começamos, não conseguíamos convencer as pessoas de que havia crianças com TDAH. Agora parece que elas são encontradas até embaixo das pedras”, disse ele à BBC.

O psicólogo considera que este transtorno está sendo diagnosticado de forma excessiva e que outros fatores são ignorados.

“Um número significativo de crianças em idade escolar é dignosticado com TDAH quando, na realidade, pode ser que sejam muito jovens para a série em que estão. Ou podem ter outras desordens parecidas com o TDAH”, disse.
No Brasil, a discussão sobre consumo excessivo da droga entre crianças também ocorre.

Um boletim divulgado no ano passado pelo Ministério da Saúde diz que, segundo o Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de Medicamentos, o Brasil era, em 2010, o segundo maior consumidor de ritalina do mundo.

O ministério recomendou que os Estados aumentassem o controle sobre prescrição e distribuição da droga para evitar a “medicação excessiva” de crianças.

O documento diz que há estimativas discordantes sobre a ocorrência de TDAH em crianças e adolescentes no Brasil, que variam de 0,9% a 26,8%.

 

BBC Brasil, em 10 de junho de 2016

I Seminário Internacional “Sala de Leituras do Futuro” 2 de julho em Barcelos

Junho 27, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://salaleiturasfuturo.wix.com/2016

Crianças felizes? Há várias dicas na Internet

Junho 27, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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À distância de um clique, há conselhos, sugestões, bibliografia, autores, comentários, sobre a felicidade das crianças. Páginas e páginas com caminhos a seguir pelos adultos, avós, pais e professores que partilham os dias com os mais pequenos. Cada cabeça, sua sentença.

Se há uma autoestrada da comunicação, sem portagens, que leva a todo o lado e que permite pesquisar sobre tudo e mais alguma coisa, então tudo o que diz respeito às crianças acaba por ser assunto obrigatório para quem é mãe e pai e para quem passa os dias na escola a ensinar novos mundos aos mais pequenos. Para quem se preocupa com o bem-estar dos mais novos. Há de tudo um pouco: conselhos de especialistas que também são pais, experiências de quem vive rodeado de crianças, dicas para ultrapassar caminhos mais espinhosos, comentários de quem gosta de falar sobre infância, felicidade e liderança. A seleção fica à consideração de cada um. Tal como seguir ou não os conselhos que se acumulam na Internet. Cada cabeça, sua sentença. A felicidade não é um presente que se possa mandar embrulhar para oferecer no aniversário. O psiquiatra infantil norte-americano Edward Hallowell, pai de três filhos, defende que a felicidade é parte essencial da vida e que deve ser estimulada por pais e professores encarregues de formar os adultos de amanhã. E todos entendem porque assim é. As dicas de Hallowell surgem de imediato quando a pesquisa é mesmo isso, como ter crianças felizes. O especialista avisa que a felicidade dos adultos tem raízes na infância. É exatamente neste período da vida que há aspetos que convém não esquecer. A autoestima é fundamental para que o mundo tenha mais crianças felizes. Felicidade é amor e amor incondicional sabe bem ser sentido todos os dias. Se há um lugar seguro, esse lugar é a família. É aqui que os braços estão sempre abertos, nunca se cruzam ou fecham. Os laços emocionais e o sentimento de pertença são ingredientes imprescindíveis para crianças felizes. Brincar é preciso e os tempos livres devem ser mesmo isso, tempos livres sem relógios no pulso ou trabalhos de casa para fazer. A brincar os mais pequenos expressam e desenvolvem a sua criatividade, vestem vários papéis, imaginam personagens, descobrem gostos e aprendem a resolver problemas. Hallowell lembra que ao brincar, as crianças identificam os seus limites, aprendem a viver em sociedade e a gerir as suas frustrações, definem e afinam o seu comportamento. Há muito para aprender quando se brinca. Conselho que parece desnecessário, mas que muitas vezes é esquecido num mundo tão regulado pelo tempo.

Felicidade também é descobrir o que se gosta de fazer. Por isso, Hallowell fala em experimentar coisas novas, conhecer grupos diferentes, contactar com a diversidade. E o saber fazer também significa rostos alegres. A realização é importante nesta caminhada. Tal como o reconhecimento do que se faz, que sabe sempre bem. Ser feliz é uma missão de todos os dias. E, aqui, pais, familiares e professores têm uma palavra importante a dizer.

E para crianças felizes também é preciso que os pais saibam coisas que podem fazer a diferença. Na Internet, navega um texto publicado nos anos 90 no The Message Internacional. Um texto que mostra caminhos e sentimentos. Uma espécie de carta escrita por uma criança que lembra que os pais não devem exagerar nos mimos e que devem ser firmes na hora de decidir se é para a esquerda ou para a direita. Os mais pequenos não gostam de ser corrigidos à frente de outras pessoas e criar uma capa para proteger das consequências não é assim tão boa ideia. As pequeninas queixas, por vezes, podem ser apenas uma maneira de chamar a atenção. E é preciso não esquecer que as perguntas dos mais novos não devem ser ignoradas, que experimentar coisas novas estimula os neurónios, e que crescer não é um processo feito a passo de caracol.

Há também quem dê conselhos sobre comportamentos dos pais para que não travem sinais de liderança. Tim Elmore fala sobre esse assunto e sobre atitudes a evitar. Como, por exemplo, não deixar os mais pequenos experimentarem o risco. Dessa forma, evita-se que se apercebam que há perigos à espreita. Joelhos esfolados, pernas com pensos, roupa suja e ragada, brincadeiras fora de casa, não devem ter sentidos proibidos. Contornar dificuldades para resolver problemas também não é maneira de ajudar os mais pequenos que, dessa forma, não desenvolvem certas habilidades na vida que lhes permitam resolver contrariedades por conta própria.

Dizer não é uma forma de abrir o apetite por lutar por o que realmente se valoriza. Dar tudo o que pedem não é boa estratégia. E as recompensas materiais em troca de bons comportamentos podem ter maus resultados a médio prazo. Partilhar os erros do passado com as crianças pode ser um passo importante para saber como enfrentar águas mais agitadas pela vida. Erros, entenda-se, que tenham agregado lições positivas. Uma espécie de final feliz. E, em todo este percurso, nunca esquecer que o ditado “faz o que eu digo e não o que eu faço” tem toda a razão de existir.

Paciência e flexibilidade. Os pais, educadores, professores têm de conhecer o significado destas duas palavras que surgem nas pesquisas dos cibernautas. Saber interpretar os sinais, saber quando se está feliz ou triste. Saber construir felicidades. Há muito mais para pesquisar na Internet sobre a felicidade dos mais pequenos. Mas também é preciso refletir e ponderar cada conselho, cada dica, cada rumo apontado. Educar não é fácil, mas é, sem grande margem para dúvidas, um dos desafios mais estimulantes da vida. Porque um sorriso, uma gargalhada, um mimo, um abraço apertadinho, não têm preço.

Sara R. Oliveira, em 13 de junho de 2016, para educare.pt

 

Entrevista de vida a Mário Cordeiro, um dos pediatras mais conhecidos do país

Junho 26, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Hoje em dia é fácil opinar sobre parentalidade e parece que é preciso tirar um curso para se ser pai. Opina-se demasiado?
Às vezes exagera-se. É bom que se fale, não tenho nada contra. Não gosto de visões redutoras e acho bem que se fale das coisas, mas tem de haver limites. Às vezes sobrecarrega-se o sentimento de culpa dos pais, a responsabilização, a ideia de ser o pai ou a mãe perfeita. Depois, há manuais de instrução uns atrás dos outros, tal como nas dietas. “Deixe de comer açúcar em sete dias”, “Perca peso em seis dias”… Agora também os há para a parentalidade. “Ponha o seu filho a dormir em seis dias”… Encontrei muitos livros com esta fórmula na Feira do Livro. Não era sequer “X dicas para o seu filho dormir melhor”. Não, era “em seis dias”. Essas coisas são tão complexas, pode haver “n“ motivos para uma criança dormir mal, pelo que isso pode dar um complexo de culpa brutal aos pais. Primeiro porque geralmente [esses livros] têm regras tão rígidas que nenhum ser humano consegue aguentar aquilo e, depois, se ao fim dos ditos dias a crianças continuar aos berros à noite, os pais vão sentir-se ainda mais incapazes.

 

Esta é uma citação da entrevista a Mário Cordeiro, realizada por Ana Cristina Marques, em 12 de junho de 2016, para o Observador. Leia na íntegra AQUI.

“Proteção exagerada faz mal”

Junho 25, 2016 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Por incrível que pareça, não são os elogios exagerados, os mimos, a superproteção, a hipervalorizarão que ajudam a formar a autoestima: pelo contrário, esses comportamentos paternos prejudicam, e muito, o seu desenvolvimento.

Nos primeiros meses de vida, formam- se vínculos afetivos e de segurança entre pais e filhos, na medida em que as crianças se sentem amadas, seguras e atendidas nas suas necessidades primordiais. Quando vem a famosa fase dos “não”, e a criança se opõe a praticamente tudo, tentando se afirmar, então são os limites impostos pelos adultos, juntamente com o respeito aos seus limites e capacidade física, mental e psicológica, que dão à criança a continuidade do sentimento de segurança.

Depois, na pré-escola, quando convive com o mundo fora de casa e começa a enfrentar pequenos entraves e a vivenciar as inevitáveis diferenças e disputas, são os pais que a ajudam a compreender essas realidades, quando realçam de modo objetivo e carinhoso suas qualidades, talentos, incentivando-a a vencer obstáculos. Assim tomam ciência de seu real valor, sem deixar de apreciar a capacidade do outro, sem pensar que tem poderes ou direitos maiores ou que não precisa lutar para se sobressair por seus próprios méritos.

Em qualquer idade, vale a força do modelo que os pais passam aos filhos no dia a dia: a acuidade da percepção infantil supera em muito a importância que os adultos atribuem a ela e o valor que esse ser, ainda pequenino, sente possuir no meio de sua família, e a imagem que pais e irmãos demonstram ter sobre ela não passa de forma alguma despercebida, nem pela criança mais distraída, mais imatura.

Da relação construída ao longo dos primeiros 6 ou 7 anos, a criança, com os que são caros a ela, desenvolve a sua autoimagem: comentários depreciativos constantes formam uma autoimagem negativa, mas o excesso de falsos elogios, a proteção exagerada criam igualmente essa imagem, pois a criança logo se percebe mais fraca que seus iguais nos naturais embates diários.

Desenvolver a autoestima, ou seja, saber de seu valor enquanto pessoa, ter uma autoimagem positiva, confiança em si mesmo, dentro dos limites do respeito ao outro, é muito diferente de achar que é boa em tudo, é mais esperta e inteligente do que os amigos, que pode fazer o que quiser sem sofrer penalidades, que nada deve temer, etc.

Conhecer seus pontos fortes e fracos, seu valor pessoal, sentir-se amada e protegida pelos pais faz com que a criança cresça entendendo que tem capacidades e limites e que pode ser muito bem-sucedida exatamente do jeito que é, desde que tenha confiança em si e se esforce de modo determinado.

Podemos dizer que a autoestima tem quatro bases fundamentais:

1) O autoconhecimento, que se adquire graças às experiências vividas e às suas relações no meio social: a criança descobre suas aptidões naturais, interesses e também seus limites pessoais. A família, ao valorizar, respeitar suas características, ao ensiná-la a suportar frustrações, enfrentar dificuldades, ser persistente, estará ajudando essa criança a se conhecer e amadurecer. Crianças superprotegidas têm muita dificuldade de se autoconhecerem e assim não desenvolvem a autoestima.

2) A autoconfiança só se adquire em um lar com regras, limites e valores: esse é outro pré-requisito para a autoestima, que tanto a superproteção quanto a negligência familiar impedem de se desenvolver. Crianças precisam crescer sentindo que há por perto quem cuide delas, as ame, mas também as repreenda quando necessário. Precisam de regras, normas, modelos, conhecer seus deveres e direitos. Isso permite que cresçam com a noção de que são realmente capazes.

3) Sentir-se parte de um grupo: o primeiro grupo é a família, e sentir-se acolhido e amado nesse meio é fundamental para entender e superar uma série de situações da vida, pois uma criança rejeitada terá dificuldades de se socializar convenientemente. Crianças bem socializadas compartilham, são generosas, respeitosas, resolvem seus problemas de modo sensato com seu grupo. A rejeição tem um forte impacto na autoestima.

4) Sentimento de competência: para ser competente é preciso ter alguma experiência bem-sucedida, não bastam elogios. Portanto, é importante incentivar as crianças a produzirem, a fazerem coisas que possam gerar sucesso, conquistas, para desenvolverem esse sentimento.

Crianças e jovens com problemas de autoestima em geral têm dificuldades para interagir com seus pares, preferindo ficar junto dos pais. Dificilmente fazem escolhas próprias, optando por seguir a vontade do grupo, pois também não se fazem respeitar, de modo que evitam falar em público, detestam novidades, têm dificuldade para lidar com mudanças. Se depreciam, pois não reconhecem suas qualidades, seus pontos fortes e fracos e, por isso, têm problemas para se tornar adultos autônomos. São, em geral, aqueles adolescentes birrentos, agressivos, pouco motivados, que desistem rapidamente frente ao primeiro problema e não tomam para si desafios comuns da idade, pois se acham incapazes.

Muitas vezes, a ajuda de um profissional é indispensável. Procurar ouvir e observar as crianças desde cedo podem nos ensinar muito a respeito do que precisam e de como as devemos educar.

Por Maria Irene Maluf
TEXTO ORIGINAL DE PSIQUÉ CIÊNCIA E VIDA

Foi lançado este mês o livro “Viver a prematuridade”

Junho 24, 2016 às 9:00 pm | Publicado em Divulgação, Livros | Deixe um comentário
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“Viver a prematuridade” é um livro de Cláudia Pinto feito em articulação com o Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, que ajuda os pais a lidar com o nascimento de um bebé prematuro através de testemunhos e das palavras de especialistas. O livro é patrocinado pela Associação Portuguesa de Apoio ao Bebé Prematuro – XXS.

E se o vizinho do lado estiver a espiar através da câmara do seu portátil ou telemóvel?

Junho 24, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Tapar a câmara de filmar para evitar olhares indesejados, seja das autoridades, de hackers mal-intencionados ou até de um conhecido, deu origem a um negócio com cada vez mais clientes. O diretor do FBI não é um deles – usa fita adesiva.

Não é trama de espiões e muito menos guião para mais um filme de James Bond. Já podem ouvir as nossas conversas privadas há muito tempo, no telefone fixo ou no telemóvel, tanto faz. Já podem saber onde estamos neste preciso momento e onde estivemos no fim de semana passado ou há três meses, como ainda ontem se podia ler neste artigo da VISÃO. E também nos podem ver, qual Big Brother, sempre que estivermos a usar um daqueles aparelhos dos quais nos tornámos inseparáveis, sejam computadores portáteis, tablets ou telefones inteligentes.

Basta terem incorporada uma câmara de filmar ou fotografar – e a maioria tem – para serem um possível alvo das autoridades, mas também da bisbilhotice do vizinho do lado ou de um qualquer hacker com más intenções – para se divertir à sua custa ou fazer chantagem e extorquir-lhe dinheiro. Não é tão difícil como se possa pensar.

“Meti um bocado de fita adesiva na câmara do meu portátil porque vi um tipo mais inteligente do que eu a fazê-lo”, assumiu o diretor do FBI, no mês passado, durante uma conferência sobre encriptação com estudantes universitários. James Comey não é só mais um entre um número cada vez maior de pessoas a tomar medidas para proteger a privacidade de possíveis ataques informáticos aos aparelhos electrónicos pessoais. Ele sabe que o próprio FBI consegue aceder às câmaras. Há anos. E sem acionar a luz que é suposto ser acionada quando a câmara começa a filmar.

Este Big Brother com participantes involuntários não é novidade para os mais atentos às potencialidades e perigos da internet, e deu origem um mercado de soluções para tapar as câmaras – desde as mais básicas, como autocolantes criativos, a outras um pouco mais sofisticadas, em que pequenas peças se encaixam no monitor e deslizam para tapar a destapar a câmara ou abrem e fecham uma janela com o mesmo propósito. Um simples post it também produz o mesmo efeito ou então é fazer como o diretor do FBI e usar fita adesiva – escura, de preferência.

À medida que os casos de violação de privacidade surgem nas notícias, parece crescer o número de utilizadores prevenidos e, por arrasto, o negócio. O responsável de uma empresa norte-americana, que comercializa autocolantes destinados a esse fim desde que os seus fundadores ouviram no Pentágono sobre as ameaças das câmaras, disse ao The Guardian que os lucros anuais atingem os seis dígitos.

Edward Snowden, o espião que denunciou as práticas da NSA, terá dado um impulso, quando em 2013 avisou o mundo que a agência de segurança nacional dos Estados Unidos acedia às câmaras dos telemóveis e dos portáteis para espiar pessoas.

Menos mediáticos, mas talvez mais preocupantes, são os casos em que piratas informáticos entram no sistema e gravam a intimidade alheia para depois chantagearem as vítimas. Há também sites em que os hackers partilham esses vídeos, apenas para diversão própria, e as “protagonistas” nunca chegam a saber que foram filmadas. Entre eles designam as mulheres que vigiam como “escravas”.

Em 2015, o nível alerta subiu com o desmantelamento de um grupo de hackers. Ficou a saber-se que os Sombras Negras, como eram conhecidos, vendiam software capaz de fazer qualquer pessoa, mesmo sem grandes conhecimentos de informática, aceder a computadores de terceiros. Custava menos de 40 euros e, segundo as autoridades norte-americanas, serviu para espiar meio milhão de computadores por todo o mundo.

 

Rui Antunes para a Visão, em 9 de Junho de 2016.

 

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