Fardas e trajes académicos: esbatem ou não diferenças sociais?

Junho 21, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do http://lifestyle.publico.pt de 30 de maio de 2016.

Joana Bourgard

 

Por Inês Garcia

Os uniformes escolares, nos jardins de infância, escolas básicas e secundárias e, mais tarde, nas faculdades, identificam os estudantes com determinado projecto. Mas são necessários?

Pedro Zambujo usou um uniforme escolar desde os 3 até aos 7 anos, no Jardim-Escola João de Deus, na Figueira da Foz. Quando chegou à faculdade, em 2010, preferiu não usar o traje académico. “O traje, quer se queira quer não, está associado a vários aspectos com os quais não me identifico. Não me revejo na ideia do traje como uniforme, para sermos todos iguais. É uma falsa uniformização e é uma altura em que não só não é necessária como é perigosa”, diz em conversa telefónica com o Life&Style.

O presidente da Federação Académica do Porto (FAP), Daniel Freitas, reconhece que historicamente os trajes académicos serviram o propósito de “esbater as diferenças sociais” entre aqueles que chegam ao ensino superior, mas acredita que essa, neste momento, já não é a razão pela qual os estudantes usam os trajes académicos. “Hoje em dia, é mais uma ideia de orgulho e de pertença a uma academia”, acredita. Tanto mais que os trajes completos são peças relativamente caras, custando, em média, entre 180 e 200 euros, no caso do Porto.

A ideia de “igualdade” é multiplicada nos Códigos da Praxe Académica de várias universidades. Pedro Zambujo, 23 anos, licenciado em Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa, não concorda.“É um período importante para te diferenciares. Somos muito estimulados, a vários níveis, e é uma altura para desabrochar e definir criativamente”, afirma.

Bastará cruzar a baixa da cidade do Porto num qualquer dia da semana para perceber que a capa e batina são utilizadas frequentemente pelos estudantes da universidade ou do politécnico. São “muitos” a fazê-lo, diz o presidente da FAP, não só nas actividades da praxe, a que o traje está particularmente associado, ou nas tunas e grupos culturais das instituições, mas também “quotidianamente”, como “símbolo de integração no meio académico”. Daniel Freitas dá mesmo o seu exemplo pessoal, revelando que utiliza o traje formal da academia do Porto nas várias cerimónias oficiais em que participa enquanto dirigente académico, precisamente para sublinhar esse lado de “identificação” enquanto estudante do ensino superior.

As capas negras, além de elemento uniformizador entre os estudantes, estão também associadas às praxes e “não se pode vesti-lo sem fugir a essa tradição académica”, aponta Pedro Zambujo – no seu curso, o código definia que só poderiam trajar aqueles que participassem nas praxes e baptismo académico.

Uniforme completo para diferenciar

No ensino pré-escolar e básico, a uniformização funciona de maneira diferente. No Colégio do Sagrado Coração de Maria, em Lisboa, as fardas como elemento de vestuário obrigatório foram instauradas em 1941. “Depois foram evoluindo para uma bata e só no 1.º ciclo do ensino básico e jardim de infância até que, na altura do 25 de Abril, deixaram de existir. Voltámos a ter fardas no ano lectivo de 2011-2012”, para os alunos dos 3 anos até ao 8.º ano, conta Margarida Marrucho, directora do colégio.

As fardas são “uma forma de identificação com um projecto”, de “fomentar o sentido de pertença a uma comunidade” e de esbater as diferenças sociais “dentro da própria comunidade educativa”, embora existam sempre maneiras de continuar a marcar essas diferenças, seja “pelos sapatos, pelos casacos de rua, etc, que não estão incluídos na Linha Sagrado”, reconhece a directora.

“Olhando para trás, não era a bata que esbatia as classes sociais. Quando se está a brincar, por exemplo, as vivências de cada um acabam por se evidenciar”, recorda Pedro Zambujo. “No caso do uniforme completo, com calções, coletes e casacos, até cria mais diferenças do que esbate, fora da escola. Dentro da escola somos todos iguais mas fora das escolas, ao sair assim vestido, marcam-se essas diferenças.”

João Jaime, director da Escola Secundária de Camões, em Lisboa, comenta, por e-mail, que a farda não esbate nem acentua diferenças: “Provavelmente pode favorecer a identidade de uma instituição ou pode ser apenas uma forma de cosmeticamente ‘esconder’ ainda mais as fragilidades de um sistema que já por si favorece as desigualdades educativas, económicas e sociais.”

Recorde-se que ao contrário do que acontece em países como o Reino Unido, em Portugal não existem fardas nas escolas públicas – embora nos jardins-de-infância da rede pública se possa usar bibe, nos ciclos seguintes os alunos não usam, salvo, em algumas escolas, nas aulas de Educação Física onde se utiliza, por exemplo, uma t-shirt com o logótipo ou o nome da escola.

A Linha Sagrado do Colégio do Sagrado Coração de Maria não foi implementada para distinguir o colégio privado das escolas públicas suas vizinhas e há muitos pais que “gostam desta opção por ser prática e mais económica”, refere a directora do colégio, mencionando que mensalmente existe uma “troca de fardas” organizada pelos pais, onde é possível deixar as roupas que já não servem aos filhos e trocar por tamanhos maiores.

A resistência às fardas só começa a partir do 3.º ciclo, revela Margarida Marrucho, altura em que os estudantes já preferem usar a sua própria roupa. Ainda assim, a partir do próximo ano lectivo, a farda abrangerá também o 9.º ano.

No antigo Liceu Camões não existe qualquer código de vestuário e “nunca ninguém – nem professores, nem pais, nem alunos – pôs essa hipótese”. “O mais importante é discutir o que deverá ser a educação do século XXI, como poderemos atingir os níveis europeus de sucesso escolar, de acesso ao ensino superior, de abandono escolar, de educação de adultos…”, enumera João Jaime.

Com Samuel Silva

 

UNESCO defende educação sexual e de gênero nas escolas para prevenir violência contra mulheres

Junho 21, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto das https://nacoesunidas.org/ de 7 de junho de 2016.

Para a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) no Brasil, aprofundar o debate sobre sexualidade e gênero contribui para uma educação mais inclusiva, equitativa e de qualidade, não restando dúvida sobre a necessidade de a legislação brasileira e os planos de educação incorporarem perspectivas de educação em sexualidade e gênero.

Segundo a organização, declarações foram divulgadas diante de fatos recentes ocorridos no país no que se refere à violência sexual.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) no Brasil reafirmou nesta terça-feira (7) seu compromisso com a garantia dos direitos das mulheres e da população LGBT, posicionando-se de forma contrária a toda forma de discriminação e violação dos diretos humanos em qualquer circunstância e, em especial, em espaços educativos.

“As desigualdades de gênero, muitas vezes evidenciadas pela violência sexual de meninas, expõem a necessidade de salvaguardar marcos legais e políticos nacionais, assim como tratados internacionais, no que se refere à educação em sexualidade e de gênero no sistema de ensino do país”, disse a agência das Nações Unidas em comunicado.

Segundo a organização, as declarações foram divulgadas diante de “recentes fatos ocorridos no país no que se refere à violência sexual”.

Para a UNESCO no Brasil, aprofundar o debate sobre sexualidade e gênero contribui para uma educação mais inclusiva, equitativa e de qualidade, não restando dúvida sobre a necessidade de a legislação brasileira e os planos de educação incorporarem perspectivas de educação em sexualidade e gênero.

“Isso se torna ainda mais importante uma vez que a educação é compreendida como processo de formar cidadãos que respeitem às várias dimensões humanas e sociais sem preconceitos e discriminações”, disse a agência da ONU.

Um dos compromissos dos países-membros das Nações Unidas é garantir o cumprimento da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, adotada pelo Brasil e todos os outros Estados-membros da ONU em 2015. Entre os 17 objetivos globais da agenda, está a garantia de ambientes de aprendizagem seguros e não violentos, inclusivos e eficazes, e a promoção da educação para a igualdade de gênero e os direitos humanos.

Resultado de amplo debate internacional, o Marco de Ação Educação 2030 joga luz sobre a importância da perspectiva de gênero na educação.

“Esta agenda dedica especial atenção à discriminação baseada em gênero, bem como a grupos vulneráveis, e para assegurar que ninguém seja deixado para trás. Nenhum objetivo de educação deve ser considerado cumprido a menos que seja alcançado por todos”, afirmou trecho do documento da reunião, realizada em novembro do ano passado, paralelamente à 38ª Conferência Geral da UNESCO, com a presença de ministros e especialistas.

A UNESCO ressaltou em todos os seus documentos oficiais que estratégias de educação em sexualidade e o ensino de gênero nas escolas é fundamental para que homens e mulheres, meninos e meninas tenham os mesmos direitos, para prevenir e erradicar toda e qualquer forma de violência, em especial a violência de gênero.

A agência da ONU já possui diversos materiais que podem ajudar os educadores do país a incluírem questões de gêneros nos debates de suas aulas e seus espaços educativos (clique aqui para saber mais).

“A eliminação das desigualdades de gênero é determinante para a construção de uma sociedade inclusiva e equitativa”, disse a UNESCO. “Todos os estudantes têm o direito de viver e aprender em um ambiente livre de discriminação e violência. Com educação e diálogo é possível prevenir a violência de gênero”.

A UNESCO no Brasil lançou também uma campanha nas redes sociais sobre o tema (veja aqui).

 

 

Os Alquimistas das Histórias – Artes nas Férias do Verão no CCB

Junho 21, 2016 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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alquimistas

4 a 8 de julho / 11 a 15 de julho

Fábrica das Artes | para todas as infâncias

Alquimistas, mágicos, encantadores, cantadores… contadores! Contadores de histórias vão dar vida contigo a relatos reais, irreais e triviais, em oficinas de narração, de música, de artes plásticas e de escrita criativa. As palavras, o corpo, as formas, a música e as cores vão habitar estas oficinas. Com elas vamos mergulhar juntos no mundo das histórias. Com materiais simples e algum truque na manga vamos criar “O Livro dos Livros”, o resultado alquímico de onde cada um vai tirar a sua história, para encantar, no último dia, os ouvidos e os olhares dos presentes.

Conta connosco!

Com Antonella Gilardi, Rodolfo Castro, Rita Raposo, Inês Tarouca

Inscrições através do número 213 612 899 ou do email fabricadasartes@ccb.PT

mais informações:

https://www.ccb.pt/Default/pt/FabricaDasArtes/Programacao/Oficinas?A=399


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