No Alentejo bebe-se e fuma-se mais, no Algarve os jovens preferem a cannabis

Junho 14, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da Público de 2 de junho de 2016.fernando Veludo

Natália Faria

Inquérito feito a mais de 70 mil jovens que completaram 18 anos em 2015 espelha variações regionais nos consumos aditivos.

Os jovens do Alentejo consomem mais álcool e tabaco, enquanto os residentes no Algarve recorrem mais a substâncias como a cannabis e os dos Açores aos tranquilizantes e sedativos sem prescrição médica.

Estas variações regionais estão espelhadas no estudo Comportamentos Aditivos aos 18 Anos, que é apresentado nesta quinta-feira pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD).

O inquérito a 70.646 jovens que completaram 18 anos em 2015 apontou a embriaguez ligeira como o comportamento de maior nocividade mais declarado nos 12 meses anteriores ao dia do inquérito, que coincidiu com o Dia da Defesa Nacional: 63% declararam ter-se embriagado ligeiramente, 47% assumiram o comportamento binge (consumo esporádico excessivo) e 30% declararam ter-se embriagado severamente.

O álcool surgiu como a substância mais consumida entre os jovens. Seguiram-se o tabaco, as drogas ilícitas e os tranquilizantes ou sedativos sem prescrição médica; em linha, de resto, com as conclusões dos estudos mais recentes sobre consumos entre jovens.

O último destes estudos, apresentado em Março também pelo SICAD, e elaborado a partir dos inquéritos a 18 mil alunos entre os 13 e os 18 anos, mostrava que os consumos de álcool, tabaco e drogas estavam em queda, comparativamente a 2011. Em todos os grupos etários, à excepção dos 18 anos.

A crise foi então aventada como possível explicação, mas, como admitiu na altura a responsável pela análise, Fernanda Feijão, “se fosse só a crise, os de 18 anos também estariam a beber menos”.

As dificuldades levantadas pela lei do álcool (que, em 2013, interditou a venda de bebidas espirituosas a menores de 18 anos e de cerveja e vinho a menores de 16 anos, e que, entretanto, foi alterada no sentido de alargar a interdição de venda de todos os tipos de álcool a menores) foram outra das hipóteses admitidas como explicação para a diminuição dos consumos.

Metade fuma

Como os jovens de 18 anos ficaram de fora desta tendência (e também porque a amostra deste estudo abarca jovens que já deixaram a escola e começaram a trabalhar, dispondo, por isso, de mais dinheiro), os consumos atingem neste estudo percentagens mais elevadas. Nos 30 dias anteriores ao inquérito, 65% dos jovens declararam ter consumido álcool, 43% tabaco, 15% substâncias ilícitas e 3% tranquilizantes ou sedativos.

Entre as drogas ilícitas, a cannabis é, de longe, a substância mais consumida (15%), o que confirma as conclusões do Relatório Europeu sobre Drogas apresentado na terça-feira e que aponta para um aumento no consumo desta substância na generalidade dos 28 países da União Europeia. O tabaco é, porém, de todas as substâncias psicoactivas analisadas, aquela de consumo mais frequente: perto de metade (47%) dos consumidores tem um consumo tabágico diário ou quase diário. O álcool, ao contrário, destaca-se como a substância com menor percentagem de consumo diário ou quase diário (14%).

Quando a pergunta era se alguma vez tinha experimentado qualquer uma daquelas substâncias, 88% dos jovens responderam “sim” para o álcool, 62% para o tabaco, 31% para as substâncias ilícitas e 7% para os tranquilizantes ou sedativos.

Curiosamente, apenas uma minoria declarou ter tido problemas no ano anterior ao inquérito decorrentes daqueles consumos. Entre os que reportaram algum tipo de problema, o consumo do álcool apareceu mais associado a questões relacionadas com a condução sob embriaguez, a actos de violência ou conduta desordeira e a relações sexuais desprotegidas. Já o consumo de drogas ilícitas surgiu mais associado a problemas financeiros, condutas em casa ou a quebras no rendimento na escola ou no trabalho.

mais informações no link:

http://www.sicad.pt/pt/Paginas/detalhe.aspx?itemId=105&lista=SICAD_NOVIDADES&bkUrl=/BK

 

Quem inventou a Internet? vídeo didático

Junho 14, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Justiça mantém crianças à guarda de pai condenado por violência doméstica

Junho 14, 2016 às 9:31 am | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 11 de junho de 2016.

A notícia contém declarações da Drª Dulce Rocha, Vice-Presidente do Instituto de Apoio à Criança.

daniel rocha

ANA HENRIQUES

“A violência perpetrada contra a mãe é uma forma de violência contra a criança”, avisa magistrada. “Daí que todas as directivas europeias exortam os tribunais para que a tomem em consideração nas decisões que regem o direito de custódia e visita das crianças”.

O Tribunal de Cascais decidiu esta semana manter duas crianças filhas de pais separados à guarda do progenitor, depois de ele ter sido condenado por violência doméstica contra a ex-companheira. Não sendo inédito, este tipo de decisões revela-se controverso mesmo entre os especialistas: se uns acham que um marido violento não é necessariamente mau pai, outros entendem o contrário.

Numa das vezes, a mãe, auxiliar de acção educativa numa escola, foi parar ao hospital, numa noite de Verão de 2014. Foi-lhe diagnosticado um traumatismo craniano. Depois do jantar, o então companheiro puxou-a pelos cabelos dentro de casa e desferiu-lhe pontapés no corpo e socos na cabeça e no tronco, projectando-a para o chão, onde a continuou a agredir. As duas crianças, de dois e quatro anos, assistiram a tudo. E também iam no carro dos pais quatro meses mais tarde, numa manhã em que o vendedor de iogurtes agarrou a companheira outra vez pelos cabelos e lhe atirou a cabeça contra o tablier, socando-a e apertando-lhe o pescoço ao mesmo tempo que conduzia pela marginal.

“Começou a agredi-la ainda na zona de Oeiras, só cessando quando passaram a praia de Carcavelos”, descreve a sentença do Tribunal de Cascais que o condenou, em Março, a perto de três anos de pena suspensa de cadeia — que foi agravada pelo facto de as agressões terem tido lugar na presença das filhas.

Nesta altura já as crianças se encontravam há três meses provisoriamente à guarda do progenitor, que usava pulseira electrónica para não se aproximar da ex-companheira. Para retirar as irmãs à mãe, que tem ainda outras duas crianças que vivem com os respectivos progenitores, o tribunal baseara-se num relatório da Segurança Social, segundo o qual a auxiliar de acção educativa tinha deixado uma filha temporariamente sozinha num café defronte da escola frequentada pela irmã – versão que a própria contesta – e ameaçado desaparecer com as crianças.

A progenitora alega que andou a tentar mudar de casa, disso tendo informado o tribunal, depois de perseguida quer pelo antigo companheiro quer pelos sogros. Foi depois de três dias de greve de fome defronte da Segurança Social de Cascais que conseguiu a substituição, neste processo, das técnicas responsáveis pela retirada das crianças, que vê uma vez por semanasob vigilância. Ao processo de regulação das responsabilidades parentais que corre no tribunal de família e menores de Cascais foram apensas denúncias anónimas que contam em que estado eram deixadas as crianças quando ainda moravam com o casal: “Passam fome e comem coisas do chão, andam sujos e mal vestidos e estão expostos a comportamentos violentos por parte do companheiro da mãe”.

A sentença que condena o homem descreve-o como sendo alguém que, em alturas de frustração, “evidencia baixo autocontrolo e dificuldades ao nível da contenção dos impulsos”, mostrando-se incapaz de prever as consequências dos seus actos. Mas também salienta que é um pai que “evidencia forte vinculação às filhas”, cujo paradeiro “esteve cerca de um ano sem conhecer”, após a companheira o ter abandonado, levando-as consigo.

Quando reviu a guarda provisória das crianças, na semana passada, o tribunal de família e menores resolveu estender por mais seis meses a tutela paterna, alegando que o mais recente relatório das técnicas da Segurança Social, apesar de já se encontrar pronto, ainda não tinha sido colocado na plataforma informática dos tribunais de primeira instância. “É revoltante — e perigoso — manter as menores com uma pessoa reconhecidamente violenta”, observa o advogado da progenitora, Gameiro Fernandes, segundo o qual a sua cliente se prepara para encetar nova greve de fome, à porta do tribunal. Nem todos os especialistas pensam assim. “Uma condenação por violência doméstica contra uma companheira não inibe automaticamente o exercício das responsabilidades parentais”, observa um especialista, que pede o anonimato. “Há que perceber se as relações afectivas das crianças com o progenitor são superiores ao sofrimento causado por terem assistido a violência doméstica.”

Convenção europeia

“Em casos como este há que encontrar o menor prejuízo possível. E não há nenhum filho que não necessite do pai e da mãe”, observa outro responsável com longa experiência nestas matérias. “E ambos devem ser ajudados a exercer parentalidades positivas.” Já a vice-presidente do Instituto de Apoio à Criança, Dulce Rocha, salienta que a convenção do Conselho da Europa para o combate à violência doméstica, que abrange 47 países, obriga a levar em linha de conta as agressões conjugais na definição das responsabilidades parentais, nomeadamente a guarda dos filhos. “Uma violação tão grave dos direitos fundamentais deve ser valorada: um agressor doméstico não pode ser um bom educador. Se ainda por cima se lhe dá a guarda das crianças, isso é a perversão total do que estabelece a convenção.”

Assim pensa também o ex-ministro da Administração Interna e fundador do Observatório Criança — 100 Violência, Rui Pereira: “Custa-me que se diga que alguém pode ser bom pai apesar de bater à mãe. E esse facto deve ser tido em conta na atribuição das responsabilidades parentais. Quem bate à mulher é provavelmente desqualificado para tomar conta dos filhos.” O antigo governante pensa que se ganharia muito se os tribunais tratassem os casos de violência doméstica com filhos num só processo judicial — e não, como sucede agora, em dois tribunais diferentes, os criminais e os de família e menores.

Menores que se podem tornar agressores

As crianças que testemunham violência entre os pais são potenciais agressores e vítimas, apontam vários estudos sobre a matéria. “A chamada espiral de violência pode conduzir a que os rapazes assumam o papel de agressor e as raparigas o de vítima, o que aumenta o risco de eles próprios se tornarem também agressores e vítimas na idade adulta”, explica, numa publicação do Centro de Estudos Judiciários de 2014, a procuradora do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa Fernanda Alves. A magistrada chamou a atenção para os comportamentos desviantes que podem desenvolver estes menores, e que por vezes chegam a descambar em ideias suicidas. “A violência perpetrada contra a mãe é uma forma de violência contra a criança”, avisou. “Daí que todas as directivas europeias (…) exortem os tribunais para a tomem em consideração nas decisões que regem o direito de custódia e visita das crianças”, até porque a separação do casal pode não significar o fim das ameaças e dos maus tratos. Porém, isso nem sempre sucede, critica Fernanda Alves: “Verifica-se que muitas decisões dos tribunais sobre a regulação das responsabilidades parentais e o direito de visita ignoram ou tratam a violência doméstica como uma conduta do passado irrelevante”, apesar dos “graves danos psicológicos” que ela pode ter criado ou estar ainda a criar à criança.

 

Violência doméstica: as histórias que uma casa abrigo tem para contar

https://www.publico.pt/multimedia/video/violencia-domestica-as-historias-que-uma-casa-abrigo-tem-para-contar-201669231043

 

 

Amor de mãe influencia tamanho do cérebro

Junho 14, 2016 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 14 de maio de 2016.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Preschool is a sensitive period for the influence of maternal support on the trajectory of hippocampal development

clicar na imagem

expresso

 

 

 


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