OMS lembra que a escola dita a saúde dos jovens

Maio 24, 2016 às 9:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto do site Educare de 16 de maio de 2016.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Growing up unequal: gender and socioeconomic differences in young people’s health and well-being. Health Behaviour in School-aged Children (HBSC) study: international report from the 2013/2014 survey

A escola tem um papel determinante na saúde e no bem-estar das crianças e adolescentes, lembra a Organização Mundial da Saúde (OMS) no último relatório sobre hábitos e consumos na adolescência.

Andreia Lobo

“A experiência com a escola pode ser crucial no desenvolvimento da autoestima e de comportamentos saudáveis”, alertam os peritos da Organização Mundial da Saúde (OMS). “Os adolescentes que sentem que a escola os apoia têm níveis de satisfação com a vida mais elevados.” A cada quatro anos, a OMS faz um inquérito internacional massivo para avaliar a saúde dos adolescentes da Europa e do Norte da América, focando o seu envolvimento com a escola, colegas e família. Nesta última edição participaram 200 mil alunos de 42 países. Os dados constam do relatório “Crescendo de forma desigual: diferenças de género e socioeconómicas na saúde e no bem-estar dos jovens”.

Quando comparados com jovens de outros países, os adolescentes portugueses estão mais insatisfeitos com a vida e gostam menos da escola. Em Portugal, os alunos estão menos satisfeitos com a vida que os colegas de outros países. 83% dos rapazes e 74% das raparigas de 15 anos dizem-se bastante satisfeitos, quando a média dos participantes neste inquérito é de 87% e 79%, respetivamente.

O gosto dos alunos de 15 anos pela escola parece estar a piorar. Em 1997-1998, os alunos portugueses eram os segundos, numa lista de 28 países, a dizer que gostavam da escola. Na avaliação de 2001-2002 descíamos para a 8.ª posição. Em 2005-2006 pior, ficávamos na 22.ª posição, quatro anos depois subíamos um lugar, para 21º. Nesta última avaliação, realizada em 2013-2014, os níveis de satisfação com a escola são os piores de sempre colocando o país na 33.ª posição. As respostas foram recolhidas entre 6 mil alunos de 11, 13 e 15 anos a frequentarem, o 6.º, 8.º e 10º anos.

Serei bom aluno?

“Que opinião achas que o teu professor tem do teu desempenho em relação aos teus colegas?” Esta foi outra das questões colocadas pelos investigadores da OMS. De novo as respostas dos alunos de 15 anos colocam Portugal no fundo da tabela, na 41.ª posição, com a pior autoavaliação sobre o seu sucesso escolar: 50% dos rapazes e só 35% das raparigas consideraram que têm bom ou muito bom desempenho na escola. A média dos 42 participantes é de 60%.

Um outro indicador foca o stress dos alunos com a atividade escolar. Altos níveis de pressão, seja face à necessidade de obter boas notas ou ao elevado número de tarefas desenvolvidas, geram problemas de saúde. Dores de cabeça, de estômago, nas costas ou tonturas são os sintomas mais comuns dessa pressão. Que, de modo geral, aumenta à medida que os alunos progridem no sistema educativo. São também as raparigas que se sentem pressionadas pela escola.

A realidade portuguesa não difere muito da dos restantes países avaliados neste inquérito realizado pela OMS. Os jovens portugueses sentem-se pressionados pela escola aos 11 anos, 22% das raparigas e 20% dos rapazes, cerca de 21% dos jovens; aos 13 anos a pressão aumenta, sobretudo entre as raparigas, 41% contra 28% nos rapazes. Mas é no grupo dos 10 anos. que atinge maiores preocupações: 67% das raparigas e 42% dos rapazes, quando a media da OMS é de 51% para elas e 39% para eles.

Mas o não gostar da escola nada tem a ver com as amizades, uma vez que Portugal surge em terceiro lugar no ranking dos alunos que mais se sentem apoiados pelos colegas de turma. Mais de 80% dos rapazes (83%) e das raparigas (81%) com 15 anos consideram os colegas com quem têm aulas “simpáticos e prestáveis”. A média dos 42 países é bem mais baixa, 64% para elas, 66% para eles.

São boas notícias uma vez que “a experiência que se tem ao nível do apoio social é central para o bem-estar da criança e do adolescente”, lê-se no relatório da OMS. Os jovens recebem suporte de várias fontes, como os pais, a família, pares, colegas de turma e professores sendo que existe um benefício associado a cada grupo específico.”

As crianças passam mais tempo na escola à medida que crescem, lembra a OMS. Atitudes e perceções positivas em contexto escolar são importantes para o seu desenvolvimento e saúde. Por isso, a OMS insiste em enfatiza o papel da escola como cenário influenciador de comportamentos saudáveis.

Exercício e ecrãs

Fazer exercício faz bem à saúde, particularmente das crianças e jovens. Os estudos da OMS mostram que a pratica de atividade física – variando de moderada a intensiva – se tornou estável na última década. Apesar de o exercício parecer ter entrado nas rotinas dos adultos, só uma minoria de jovens cumpre a recomendação mundial de pelo menos 60 minutos de exercício diário.

Os mais novos mexem-se mais do que os mais velhos, dizem os resultados em 33 países e regiões. Portugal é um deles: aos 11 anos, 16% das raparigas e 26% dos rapazes praticam uma hora de exercício, aos 13 anos, o número de pré-adolescentes a fazerem exercício diminui para 6% e 25%, respetivamente. Mas aos 15 anos, apenas 5% das raparigas e 18% dos rapazes praticam exercício de moderado a intensivo no tempo recomendado.

O tempo passado em frente dos ecrãs, por exemplo, a ver televisão, é um indicador importante sobre comportamentos sedentários, diz a OMS. Embora os peritos apontem outras atividades – como ler, viajar de carro, sentar e conversar com os amigos ou simplesmente assistir às aulas – que contribuem de igual modo para aumentar o total de tempo considerado sedentário.

Permanecer demasiadas horas a ver televisão pode conduzir a uma diversidade de problemas de saúde, alertam os peritos. Afetam o foro psicológico, contribuindo para a depressão e o baixo rendimento escolar. E também o físico, originando dores musculares e fraca condição física. Tanto uns como outros, recorda o relatório, atingem não só as crianças, como também os adultos sublinhando que “os adolescentes tendem a passar muito tempo em frente à TV”, um comportamento iniciado na infância e agravado na vida adulta.

A preocupação com o sedentarismo levou os investigadores da OMS a perguntaram aos adolescentes quantas horas por dia dedicavam a ver televisão, vídeos, incluindo no YouTube, DVD e outros entretenimentos em ecrãs. As respostas mostram que entre os 11 e os 15 anos, o consumo superior a duas horas por dia aumenta com a idade, em mais de 29 pontos percentuais nas raparigas e em mais de 26 nos rapazes, em quase todos os países.

Em Portugal, na faixa dos 11 anos, 52% dos rapazes e 45% das raparigas vêm televisão mais do que duas horas por dia, o período limite de tempo segundo a OMS. O consumo é maior aos 13 anos, 61% dos rapazes e 62% das raparigas passam mais de duas horas em frente ao ecrã. Mas menor aos 15 anos, com 55% dos rapazes e 51% das raparigas a dizerem o mesmo. De facto, os adolescentes portugueses nesta faixa etária são os que menos televisão veem, surgem na 42.ª posição na tabela para este hábito, quando a média é de 62% para elas e 65% para eles.

Com os adolescentes a exercitarem-se cada vez menos e a passarem mais tempo a ver televisão e nas redes sociais, a OMS recomenda a elaboração de “estratégias e intervenções que foquem o aumento da atividade física e a redução do tempo passado nos ecrãs”. E apela aos professores, aos pais e aos responsáveis municipais para serem os primeiros na defesa de estilos de vida ativa entre os jovens.

 

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