Crianças têm de estar mais com os pais

Maio 19, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do Expresso de 16 de abril de 2016.

Rui Duarte Silva

Ordem dos Médicos vai lançar uma petição para reduzir o horário de trabalho de quem tem filhos até aos três anos

Vera Lúcia Arreigoso

É uma medida de saúde pública que a Ordem dos Médicos (OM) justifica com a necessidade de prevenir o risco de doenças mentais no futuro próximo. Hoje, sábado, avança com uma petição para que os deputados discutam na Assembleia da República a redução do horário de trabalho em duas horas diárias para os pais ou as mães com filhos até três anos.

A recolha de assinaturas pretende dar força à proposta que no ano passado os médicos tentaram incentivar, enviando uma missiva de sensibilização aos principais decisores do país. “Para lá da carta a acusar a receção da nossa proposta, até à presente data, surpreendentemente, não recebemos qualquer outra notícia de aceitação ou recusa. A situação que se mantém é injusta, consome tempo e recursos e prejudica as famílias”, afirmam na petição que agora vai ter início.

Na fundamentação científica que apresentam, os especialistas em psiquiatria da Infância e da Adolescência da OM alertam que o “pleno exercício da função parental” é decisivo para “a vivência que a pessoa terá de si própria e do mundo e para a maneira como se colocará nas situações, agirá e reagirá”. Permitir que as crianças na primeira infância estejam diariamente na companhia da mãe ou do pai durante o tempo adequado “tem reflexos no desenvolvimento cerebral e na formação da identidade emocional e a presença de outros cuidadores, como os avós, não substitui os progenitores”, garante o pedopsiquiatra e responsável da OM Pedro Pires.

A diligência dos médicos veio agora juntar-se à iniciativa de um grupo de mães que há pouco mais de um mês se juntaram num movimento civil semelhante. “Criei a petição através do telemóvel enquanto esperava que a minha filha adormecesse e no dia seguinte já havia um ‘boom’. As crianças estão sedentas de atenção e poder reduzir um pouco o horário diário seria o verdadeiro equilíbrio entre a vida pessoal e profissional”, afirma a dinamizadora da iniciativa popular Aurora d’Orey.

Além da possibilidade de permitir prevenir hoje para não ter de tratar amanhã, a redução da carga laboral em duas horas por dia, e sem penalização nas remunerações, é “uma medida concreta de apoio à natalidade, pois a não reversão da situação atual pode comprometer definitivamente o futuro demográfico e a sustentabilidade do país”, lê-se no texto que acompanha a petição. O médico Pedro Pires acredita que o regresso às 35 horas semanais já aprovado pelo Governo é o momento ideal para introduzir também esta mudança.

Bloco de Esquerda avança na próxima semana

Atualmente, o direito a menos horas de trabalho só está consagrado para mães que aleitam crianças até um ano e daí em diante para as mulheres que provem estar ainda a amamentar. O Parlamento prepara-se para discutir algumas alterações no campo da parentalidade, mas só envolvendo bebés até aos dois anos.

O Bloco de Esquerda (BE) vai apoiar outra petição já entregue para alargar a licença de maternidade paga a 100% dos quatro até aos seis meses de idade dos bebés e aproveitar a discussão para propor também a redução do horário em duas horas diárias para as mães ou os pais de crianças até aos dois anos. Ao Expresso, o porta-voz do partido, João Curvêlo, adiantou que a discussão está prevista para o final da próxima semana e que apoiarão o alargamento até aos três anos quando a petição da OM chegar aos deputados.

À direita, o CDS planeia discutir as questões da natalidade no início do próximo mês. A presidente do partido, Assunção Cristas, apresentou esta semana um pacote com várias medidas, embora nenhuma no sentido defendido pelo BE ou pelos médicos.

Constam do plano do CDS, por exemplo, propostas como a flexibilidade dos horários das creches e dos estabelecimentos do ensino pré-escolar, sobretudo quando têm contratos com o Estado, o alargamento de parte da licença parental aos avós ou a possibilidade de faltarem ao trabalho para assistência à família, no caso aos netos.

 

 

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Ação de Formação ” Intervenção com Jovens Multidesafiadores” ministrada por uma equipa do IAC-Projecto Rua

Maio 19, 2016 às 4:09 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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No âmbito de um Círculo de Encontros promovido pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens da Amadora, a equipa do Projecto Rua foi convidada a ministrar uma Ação de Formação dirigida a professores e técnicos especializados das Escolas sobre o tema ” Intervenção com Jovens Multidesafiadores”. A ação visa ajudar a compreender e a refletir sobre o comportamento desafiante das crianças e jovens na atualidade.

INSCRIÇÕES: Até dia 20 de maio de 2016, para o endereço eletrónico secretariadocpcjamadora@gmail.com

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Press Release – Concerto Orquestra e Coro Europeus – Pela Defesa dos Direitos da Criança – 19 de Maio Teatro da Trindade

Maio 19, 2016 às 12:15 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Press Release

Concerto Orquestra e Coro Europeus

Pela Defesa dos Direitos da Criança

A Presidente do Instituto de Apoio à Criança, Manuela Eanes foi convidada a estar presente no Concerto pela Defesa dos Direitos da Criança, considerando o trabalho pioneiro e relevante do Instituto no âmbito da Defesa e Promoção dos Direitos da Criança.

O Projecto “Músicas & Musicais” fundado em 2004 com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação Oriente, dinamizado pelo Agrupamento de Escolas Nuno Gonçalves, está a desenvolver um projecto a nível europeu –  European Choir and Orchestra – E.CH.O, com a participação de alunos de escolas de Itália, Grécia e República Checa.

Este projecto teve como objetivo a criação de uma Orquestra e Coro Europeus que irá promover um Concerto único, com um reportório subordinado ao tema Direitos da Criança, no próximo dia 19 de Maio, pelas 21H00, no Teatro da Trindade, em Lisboa.

A Direcção

Cartaz_Erasmus_Final_-_19_Maio

 

http://comeniusnunogoncalves.blogspot.pt/

 

Two boys from Syria and Germany break down barriers with friendship – vídeo da UNICEF

Maio 19, 2016 às 9:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Dislexia ou Dislexias? diagnósticos e intervenções – 21 de maio na Escola Básica de Bocage

Maio 19, 2016 às 7:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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dislexia

Como sabem a Associação, a EDUGEP e o Agrupamento de Escolas Barbosa du Bocage convidam a participarem no encontro sobre a temática da dislexia, tendo como oradora convidada a Drª Graça Franco, no anfiteatro da sede do Agrupamento, Escola Básica do Bocage, Avª de Angola, Qta do Paraíso, no dia 21 de Maio com inicio as 09h30 e terminus as 12h30, a entrada é livre, tendo em atenção a a lotação da sala.

inscrição:

http://goo.gl/forms/7SGuk8uC4N

 

Do Pequeno ao Grande – teatro infantil no Auditório do Jardim Zoológico

Maio 19, 2016 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

https://www.facebook.com/Muzumbos

Estudo confirma que açoitar crianças produz efeito contrário aos objetivos

Maio 19, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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BaterCrianca

 

Quanto mais açoitadas forem as crianças, maior é a probabilidade de desafiarem os pais e mais desenvolvem comportamentos anti-sociais, agressividade, problemas de saúde mental e dificuldades cognitivas, revela um estudo das universidades do Texas e de Michigan.

A investigação, publicada na última edição do Journal of Family Psychology, olha para os dados recolhidos em 75 estudos nos últimos 50 anos, envolvendo um universo de 160.927 crianças.

Os seus autores reclamam ser esta a análise mais completa até agora realizada sobre o açoite – definido como uma palmada de mão aberta nas nádegas ou nas extremidades, braços ou pernas – e os seus efeitos específicos, por comparação com outros estudos que incluem outros castigos físicos das crianças nas respetivas análises.

“Concluímos que o açoite está associado a resultados prejudiciais não esperados e não está associado à obediência imediata ou a longo prazo, que são os objetivos dos pais quando disciplinam os seus filhos”, afirma a autora principal do estudo, Elisabeth Gershoff, professora de Desenvolvimento Humano e Ciências da Família na universidade norte-americana do Texas em Austin, num comunicado divulgado pela instituição.

Gershoff e Andrew Grogan-Kaylor, co-autor do estudo, professor na Universidade de Michigan, concluíram que o açoite está associado de forma significativa a 13 entre 17 resultados examinados, todos prejudiciais.

“O principal remate do estudo é que o açoite aumenta a probabilidade de uma variedade alargada de resultados prejudiciais nas crianças. O açoite provoca portanto o oposto do que os pais pretendem normalmente com ele”, sublinha Grogan-Kaylor.

Gershoff e Grogan-Kaylor testaram alguns dos efeitos a longo prazo entre adultos açoitados enquanto crianças e perceberam que quanto mais agredidos tinham sido maiores eram os comportamentos antissociais e os problemas mentais experienciados. Estes adultos eram também os maiores defensores da punição física dos próprios filhos, o que ilustra uma das principais formas como esta forma de educação passa de pais para filhos.

Os investigadores norte-americanos sublinham no comunicado que cerca de 80 por cento dos pais em todo o mundo açoitam os filhos, de acordo com um estudo da Unicef de 2014, não obstante não existirem provas de quaisquer efeitos positivos decorrentes desta forma de educação e, pelo contrário, como nota Gershoff, de haver evidência ampla de que o açoite constitui um risco negativo para o comportamento e desenvolvimento da criança.

Tanto o açoite como os abusos físicos estão associados aos mesmos resultados prejudiciais nas crianças, na mesma direção e quase com a mesma intensidade, reforçam os investigadores.

“Nós, enquanto sociedade, olhamos para o açoite e para os abusos físicos como comportamentos distintos”, afirma Gershoff. “No entanto, a nossa investigação mostra que o açoite está ligado aos mesmos resultados prejudiciais que o abuso, apenas num grau ligeiramente mais baixo”, remata.
Estes resultados, de acordo com a investigadora, são consistentes com as conclusões de um relatório recente do Centers for Disease Control and Prevention, que apelou ao “compromisso público, campanhas de educação e abordagens legislativas para reduzir a punição física” das crianças, incluindo o açoite.

A legislação norte-americana não proíbe a punição física das crianças, vê mesmo esta conduta como aceitável, apesar da sua taxa de aceitação ter diminuído consideravelmente de 84% em 1986 para 70% em 2012. Na Europa, a França foi criticada em 2015 pelo Conselho da Europa por não proibir claramente todas as formas de castigo corporal das crianças, ao contrário da maioria dos países vizinhos.

Portugal, Itália, Bélgica, Irlanda e Grécia foram alvo em 2003 de uma queixa perante o Conselho da Europa por parte da Organização Mundial Contra a Tortura (OMCT), que considerava que a legislação portuguesa não protegia crianças dos açoites e outros tipos de punições físicas.

A instituição europeia respondeu à queixa dois anos depois, considerando que Portugal tem leis suficientes que permitem proteger as crianças dos castigos corporais; A OMCT argumentou, no entando, que não existe na legislação portuguesa nenhuma proibição explícita sobre castigos corporais por parte dos pais, e demonstrou ainda através de uma sondagem na altura que dois em cada cinco inquiridos acreditava que a lei permitia que dessem “uma bofetada/palmada aos seus filhos”.

“Temos esperança de que o nosso estudo possa ajudar a educar os pais sobre os malefícios potenciais do açoite e levá-los a tentar formas positivas e não punitivas de disciplina”, conclui Elisabeth Gershoff no comunicado da universidade norte-americana.

 

Agostinho Leite para a Lusa, em 3 de maio de 2016


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