Dez dicas para a chegada do bebé a uma família multi-espécie

Maio 10, 2016 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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O que pode ser feito, a titulo preventivo e não só, para minimizar o stress e levar o animal a aceitar pacificamente as inevitáveis alterações de rotinas.

Cada vez mais as famílias são compostas por elementos de várias espécies. Assim temos, a par dos humanos, os animais que com eles coabitam e aos quais são atribuídos direitos semelhantes aos do resto da família: alimentação de qualidade apropriada ao seu estado físico, raça e idade; cuidados médicos preventivos e curativos; atividades lúdicas com recurso a brinquedos cognitivamente interessantes e educativos; cuidados de higiene adequados, que incluem o pelo, a pele, os ouvidos, as unhas e os dentes; educação adaptada, com recurso a treinadores e escolas de treino.

Em casais jovens, um animal de estimação vem muitas vezes antes da decisão de alargar a família a um bebé humano, ou porque este já existia antes da união, ou porque foi adotado depois. Normalmente todos os afetos do casal são concertados no seu amigo de quatro patas. A partir do momento que acontece a gravidez a atenção foca-se nos cuidados com a grávida, nos preparativos para a chegada do bebé, nas atenções dos familiares que se regozijam com o eminente acontecimento. Em muitas famílias o animal passa de prioridade a algo secundário, em que as rotinas mudam, os cuidados básicos são negligenciados, a interação reduz-se drasticamente, com menos passeios, menos tempo de brincadeira, menos tempo de qualidade com a família. O relacionamento degrada-se, o animal fica confundido e frustrado, muda algumas atitudes, no sentido de tentar reconquistar o a sua anterior posição no seio familiar. Estas mudanças de comportamento contribuem, muitas vezes, para agravar ainda mais o relacionamento, com tutores já impacientes a penalizarem ainda mais o animal, sem compreenderem a verdadeira razão da sua atitude.

E tudo culmina com o nascimento do bebé. A sua chegada a casa vai, sem sombra de duvida, perturbar o ambiente social e os animais que a habitam. Um choro agudo e insistente, odores completamente desconhecidos, alterações drásticas na rotina, entrada e saída frequente de novos humanos, um corrupio de atividade, muitas vezes invasora da paz familiar, são no mínimo stressantes a até assustadoras. Mas algumas coisas podem ser feitas, a titulo preventivo e não só, para minimizar todo este stress e levar o animal a aceitar pacificamente as inevitáveis alterações de rotinas.

Por favor, lembrem-se que nenhum animal deve ser deixado sozinho com um bebé. O relacionamento deve ser sempre supervisionado, não por recear a sua agressividade contra o recém-nascido, mas porque, em busca de afetos ou calor, o animal pode deitar-se sobre a sua cabeça e este não tem capacidade para o evitar. Aliás, nenhuma criança deve ser deixada sozinha com o seu amigo de quatro patas, até ter idade suficiente para se comportar adequadamente com o mesmo. E isto pode só acontecer por volta dos 10/12 anos. Este cuidado protege ambos: a criança e a mascote.

Portanto, aqui deixo algumas dicas que podem facilitar muito a integração do recém-nascido no ambiente familiar multi-espécie.

1 – Antes do bebé nascer, tente implementar horários que sejam compatíveis com as rotinas que irá adotar depois deste chegar a casa. Comece por alterar gradualmente as rotinas de alimentação, higiene e passeios e adapte-as à futura realidade. Provavelmente têm que ser feitas alterações radicais e se o planeamento for feito atempadamente, assim como o começar a por, tais alterações em prática, o seu nível de stresse será com certeza menor e o seu animal aprenderá a adaptar-se à chegada do novo membro da família. Inclua no seu horário 5 a 10 minutos diários para dedicar exclusivamente ao animal. Durante este período brinque com o seu gato ou cão, afague-o, fale com ele, enfim, tudo aquilo que ele gosta, mas sempre de forma tranquila. Tente manter sempre os mesmos horários e faça-o na presença da criança, depois do nascimento. Poderá ser necessário acordar um pouco mais cedo e poderá, também, ser necessário que alguém olhe pelo bebé enquanto isto acontece, para que não tenha que interromper repentinamente a sessão, no caso deste chorar. Muitos cães e gatos ficam bastante incomodados com o choro dos bebés e a atitude do tutor pode condicionar a forma como estes o vão aceitar. Se se mantiver calmo, o animal aprenderá que este ruido, apesar de incomodativo, não trás nada de mal e passará a aceitar tranquilamente, como um ruido familiar. E aprenda a disfrutar do momento como forma de relaxar e descontrair, sem culpas. Afagar o pelo do animal, ouvir o seu ronronar, disfrutar do seu carinho, baixa a pressão arterial, promove o relaxamento muscular, faz subir a autoestima da recente mãe, ainda a braços com adaptações hormonais e físicas. Se houver vários animais na casa, cada um deles deve ter a sua quota parte de atenção, exceto nos momentos de brincadeira, se são animais que disfrutam adequadamente da companhia uns dos outros.

2 – Se seu cão não anda adequadamente à trela, ou seja, se passa todo o tempo a puxar para um lado e para o outro, cada vez que a sua atenção troca de alvo, está, agora mais que nunca, na hora de o treinar a comportar-se como esperado, passeando calmamente, sem esticões súbitos e imprevisíveis. O ideal seria que os passeios no exterior incluíssem toda a família, mesmo a de quatro patas. Quanto mais o cão obtiver emoções positivas na presença do bebé, mais o aceitará de forma natural e sem dramas. Mas poderá ser muito perigoso tentar conduzir um carrinho de bebé com uma mão e com a outra um cão descontrolado e demasiado energético. Nestas condições a recém mamã evitará os passeios conjuntos e o cão ficará em casa, a ver sair a criança e mais a sua amada tutora, ficando para trás a observar ansiosamente a saída dos dois. Um cão treinado é um cão controlado, que pode ser levado para qualquer lado. Todos têm a lucrar com isso. Quantas mais vezes exercitar o cão ou o gato, tanto física como cognitivamente, na presença da criança, mais forte e estável será o relacionamento entre todos.

3 – Antes da chegada do bebé permita ao animal explorar o quarto de dormir, a área de mudança de fraldas, a área dos banhos e todo o mobiliário e objetos adquiridos para satisfazer as necessidades básicas deste novo membro da família. Nunca deverá vedar o acesso do cão ou o gato às áreas reservadas ao bebé. Estas áreas, por serem novas, têm odores desconhecidos e por isso interessantes para serem explorados. Dê ao animal o direito de se familiarizar com todas estas novidades. Permita-lhe sentir o odor de loções, talcos, cremes e líquidos de lavagem. Se não o fizer, terá um animal a tentar insistentemente entrar na área proibida. E esta insistência poderá ser causa de stresse para a família humana, assim como para o animal, uma vez que lhe é proibido um comportamento exploratório completamente natural. No entanto, deixar explorar, não significa permitir que utilize a cama do bebé ou qualquer outra parte da mobília como dormitório ou zona de estar. Permita-lhe explorar mas só isso. Depois da chegada do bebé não poderá permitir que que este hábito se mantenha. Portanto, logicamente, não o permita antes. Se o cão ou gato possuem brinquedos macios ou sonoros, semelhantes aos do bebé, irá , com certeza, confundir os mesmos e considerará que pode brincar com qualquer dele. Se os brinquedos forem regularmente lavados, não haverá nenhum problema de saúde relacionado com este facto. No entanto, quando o bebé crescer, o cão (mais raramente o gato) poderá retirar o brinquedo da mão da criança e esta poderá ficar ferida. Escolha brinquedos visualmente diferentes para ambos, ou, em alternativa crie a regra que o que estiver no chão é do cão e o que estiver elevado é da criança. Esta regra será para ser cumprida pelos dois. Se o cão estiver treinado e tiver aprendido regras básicas de obediência, será mais fácil o “larga” ou o “dá” e a convivência será, sem duvida mais pacífica.

4 – Quando a mãe estiver na maternidade, depois do nascimento, leve para casa algumas peças de roupa do bebé e espalhe-as, por forma a que o seu odor se misture com os odores familiares. Nunca se esqueça que os animais “vivem no mundo olfativo”. Partindo deste pressuposto, é fácil compreender a importância de o habituar gradualmente a um novo aroma. Assim, quando o bebé chegar a casa, já será identificado como algo familiar e haverá menos curiosidade envolvida, facilitando a adaptação de humanos e animais a uma nova, ruidosa e odoríferas realidade. É também importante que o cão ou gato seja mantido em casa durante o tempo em que a mãe e filho estejam na maternidade. Se estiver fora durante este período, sobretudo em canil ou hotel para cães, voltará, sem dúvida, num maior estado de ansiedade e deparar-se-á com um novo ser, que não reconhece mas que relaciona com o momento de medo e stresse pelo qual acabou de passar.

5 – Quando a mãe regressar a casa deve pedir a alguém que segure o bebé, enquanto dedica uns momentos a cumprimentar o animal. Este sentiu a sua falta e estará ansioso por um pouco de atenção. Afastá-lo, enquanto se concentra no bebé, só causará mais ansiedade. E, em busca de atenção, poderá ser demasiado invasivo e inadvertidamente ferir um dos dois, se o bebé estiver no seu colo. Se for um cão que salta para as pessoas, deverá ser colocado noutra sala, até tudo acalmar. Será então a mãe, sem a criança, a entrar a sala, para calmamente o cumprimentar. Quando este sossegar poderá entrar o bebé , ao colo de alguém e mantido fora do alcance do curioso animal. Este poderá ser controlado pela trela e peitoral. Importante é que a apresentação só seja feita quando todos estejam mais calmos e a situação tenha regressado ao normal.

6 – Quando o pandemónio inicial acalmar, deve então começar a apresentação formal do bebé. Deverá ser a mãe a controlar animal , mantendo-o á trela se houver o risco de ser demasiado invasivo ou de fazer algum movimento brusco em direção á criança. Esta estará ao colo de alguém. Permita ao animal explorar e cheirar, mas se mostrar receio nunca o force a aproximar-se. NUNCA coloque o bebé à frente do nariz do cão. Este poderá sentir-se ameaçado e o medo fará com que possa reagir de forma agressiva. NUNCA coloque o seu bebé em risco, como forma de apressar as coisas. Fale gentilmente enquanto o encoraja a aproximar-se, premiando cada progresso. Se a mãe estiver sozinha, deverá prender o cão a uma parte da mobília e sentar-se numa zona controlada, com o bebé ao colo, permitindo-lhe que explore olfativamente o recém nascido, sem perigo. É importante que o animal possa ser controlado com um comando verbal. Se estiver incontrolável, pare a interação, coloque-o noutra sala. Espere que se acalme e tente de novo. NUNCA o afague quando mostrou agressividade em relação ao bebé, no sentido de lhe mostrar que também gosta muito dele. Terá que compreender que se quer fazer parte desta família alargada, estar presente em todas as situações e continuar a ter a atenção de todos, terá que aceitar este recém chegado. NUNCA corrija um comportamento de forma agressiva, pois inevitavelmente a presença da criança será associada a acontecimentos negativos.

7 – Se o animal for sossegado e controlável, não há motivo para não estar presente em todos os momentos da rotina diária do bebé, a partir da altura em que já se tenha habituado á sua presença e reaja de forma natural aos estímulos relacionados com a existência de recém-chegado. O sentir-se incluído irá fortalecer o relacionamento entre ambos e a criança crescerá mais humana, solidária, consciente dos factos simples da vida e socialmente adaptada.

8 – Em nenhuma circunstância deverá ser permitido ao cão ou gato dormir no quarto do bebé. Use um monitor ou um intercomunicador para vigiar o sono da criança, sem ser preciso manter a porta aberta. Não por recear algum tipo de comportamento predatório ou de agressividade gratuita, mas porque, inadvertidamente pode sufocar o bebé, quando se deita junto da cabeça. A culpa associada a uma tragédia deste tipo seria insuportável para os pais e o animal sairia também ele lesado.

9 – Se o animal mostrar agressividade ou medo na presença da criança, recue uns passos e volte a fazer a reintrodução gradual. O comportamento predatório é a maior causa de agressividade dirigida a crianças pequenas, quando se começam a movimentar pela casa. Também uma má experiência com outras crianças poderá fazer com que generalize e passe a recear qualquer criança. Estas são muitas vezes descoordenadas e sempre imaturas, podendo facilmente magoar o animal, durante uma brincadeira, uma tentativa de deslocação pela casa, ou mesmo uma interação não controlada. Animais idosos, muitas vezes com dores articulares, ou aqueles com alguma doença crónica que origine dor, são os que correm maior risco. Nestes casos deverá aconselhar-se com o veterinário assistente, no sentido de procurar ajuda de um comportamentalista que o ajude a resolver o problema.

10 – As crianças devem ser ensinadas desde cedo a respeitar a condição do animal e a interagir gentilmente. É também muitíssimo importante que aprendam, desde cedo, a interpretar a linguagem corporal do cão e do gato, por forma a compreender aquilo que o animal tenta transmitir. Muitos acidentes ocorrem por erros de interpretação. Qualquer animal evita o conflito, utilizando posturas corporais que pretendem transmitir um aviso. Simplesmente as crianças não compreendem a mensagem e invadem os limites do animal. Este, não tendo conseguido impor os tais limites, vê-se obrigado a utilizar a sua ultima arma: a dentada, no caso do cão ou a dentada/arranhadela, no caso do gato. Assim como ensina ao seu filho a língua materna e se preocupa com a sua educação no geral, deveria dar igual atenção aos ensinamentos da linguagem do cão e gato, recorrendo a imagens e desenhos. As escolas deveriam também incluir estes temas nos seus programas, uma vez que é significativo o número de crianças assistidas nas urgências dos hospitais, devido a agressões efetivadas por animais de companhia, sobretudo o cão. Muitos destes incidentes poderia ser evitados se a vitima tivesse interpretado adequadamente os avisos do agressor.

 

Célia Palma para a Visão em 30 de Abril de 2016

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Curso “Tráfico de Seres Humanos em Portugal” 28 de maio em Lisboa

Maio 10, 2016 às 2:08 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Inscrições até 23 de maio

mais informações no link:

http://www.akto.org/formacao/curso-o-trafico-de-seres-humanos-em-portugal/#formulario

 

Só num mês, desapareceram 129 crianças refugiadas de Calais

Maio 10, 2016 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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O campo de refugiados de Calais é uma selva. E os 129 menores desaparecidos junto ao Canal da Mancha são apenas um pequeno exemplo da incompetência das autoridades europeias entre cujos dedos se “evaporaram”, sem deixar rasto, 10 mil refugiados menores

No início desta semana o Parlamento britânico votou contra emenda à legislação de imigração que teria permitido o Reino Unido aceitar 3.000 crianças refugiadas não acompanhadas. Ironia das ironias, o número de deputados a votar contra a medida foi de 294. Exatamente o número de menores sozinhos registados no último recenseamento, no campo de refugiados em Calais, levado a cabo no início de abril pela organização governamental Help Refugees. O mais novo deles tinha oito anos, situando-se a idade da maioria entre os 10 e os 13 anos. Trata-se sobretudo crianças afegãs e sírias que, sem o acompanhamento de adultos, tentam sobreviver na chamada “selva de Calais”.

Outra curiosidade envolvendo essas crianças é a de que o seu número ter decrescido dramaticamente entre os recenseamentos de março e abril – de 423 passaram, no período de um mês, para os 294.

O desaparecimento, sem deixar qualquer registo ou rasto, de 129 menores em pleno coração da Europa está a preocupar as organizações não governamentais que andam no terreno, numa selva de barracas de plástico e tendas. Recorde-se que Calais se situa do lado francês do Canal da Mancha a três dezenas de quilómetros da costa britânica.

“Não me atrevo a pensar que número encontraremos quando completarmos o próximo recenseamento [de maio] este fim de semana”, escreveu Jack Steadman, voluntário em Calais, num artigo publicado no Hufftington Post.

Numa comovente reportagem publicada esta sexta-feira, 29, no The Guardian, a jornalista Amelia Gentelman descreve o ambiente em Calais sob a perspetiva das crianças que viajaram sozinhas até encalharem no Canal da Mancha. “Estamos a assistir à deterioração da sua saúde mental. Estão receosos, não dormem e têm pesadelos.”

São as palavras de uma voluntária citada nesse trabalho, que, sem a ajuda de qualquer organização de apoio às crianças, acompanha um grupo de entre 20 a 25 rapazes.

Muitos destes menores têm familiares no Reino Unido aos quais se querem juntar. Quando se associam, a má vontade, a burocracia europeia e o oportunismo político (em junho vai haver um referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia e a imigração é um dos temas de campanha) transformam-se num obstáculo maior que os 33 quilómetros de mar entre a Grã Bretanha do continente europeu.

Seis em cada 10 menores da selva de Calais nunca se sentem seguros, de acordo com um inquérito levado a cabo pelo projeto de dados da Refugee Rights (ver gráfico). E do que mais têm medo, não é do Daesh e dos bandidos: é da polícia francesa. Jack Steadman e outros voluntários não se têm cansado de denunciar a alegada incompetência e má vontade das autoridades.

Sente-se seguro  na selva de Calais

“Testemunhei como o Departamento para a Imigração e Integração tentou meter alguns rapazes afegãos não acompanhados num autocarro para os levar para centros de acolhimento espalhados por França. Os menores nem tiveram tempo para preparar os seus sacos”, relata Jack Steadman. Segundo este voluntário os funcionários franceses nem levaram consigo um intérprete ao ponto de um rapaz de 14 anos ter pensado que iria ser levado para Inglaterra.

 

AS MÁFIAS DOMINAM

No final de janeiro, numa entrevista ao jornal britânico Observer, o diretor da Europol, Brian Donald, estimava que cerca de 10 mil crianças refugiadas que haviam chegado desacompanhadas à Europa e haviam desaparecido. Muitas das crianças, receia este responsável, poderão ter caído nas mãos de redes organizadas de traficantes de seres humanos.

O líder da Europol admitiu que a sua estimativa pode pecar por defeito. É que só de Itália desapareceram cinco mil, ao passo que, em outubro de 2015, as autoridades suecas anunciaram o desaparecimento de 1.000 crianças refugiadas desacompanhadas na cidade de Trelleborg. E no Reino Unido, o número mais do que duplicou em um ano.

Na perspetiva do chefe do organismo de investigação criminal europeu, a sofisticada “infraestrutura criminosa” pan-europeia concentra-se agora nos fluxos de refugiados tendo as crianças como alvo prediletos.

Segundo a organização não-governamental norte-americana Save the Children, terão entrado 250 mil crianças refugiadas em território Europeu, durante o ano de 2015. Dessas estima-se que 26 mil tenham chegado sem acompanhantes adultos.

A Europol confirma ter provas de que muitas das crianças refugiadas chegadas à Europa se tornaram vítimas de exploração sexual. Estão também documentados muitos casos de cooperação entre as quadrilhas que trazem refugiados e aquelas que se dedicam ao tráfico de seres humanos para escravatura sexual e laboral.

Perante este números, as 129 crianças desaparecidas entre o início de março e abril, parecem apenas uma gota num oceano. Mas uma política de acolhimento que tivesse evitado o desaparecimento desses 129 menores, já teria sido um começo mais digno para uma Europa que se vangloria dos seus valores humanistas.

 

Francisco Galope para a Visão em 29 de Abril de 2016

 

Curso “Crianças e Jovens Vítimas de Crime e de Violência” 23 e 25 de Maio de 2016 em Lisboa

Maio 10, 2016 às 11:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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curso

As inscrições encontram-se abertas até ao dia 18 de Maio de 2016.

mais informações no link:

http://www.apav.pt/apav_v3/index.php/pt/1205-curso-criancas-e-jovens-vitimas-de-crime-e-de-violencia

 

Disparou o número de crianças a viver só com a mãe

Maio 10, 2016 às 9:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://rr.sapo.pt de 2 de maio de 2016.

Descarregar o estudo citado na notícia em baixo:

Determinantes da Fecundidade em Portugal

DR

A natalidade aumentou quase 4% em 2015, mas há um dado essencial a reter: mais de 16% destes pais não são casados nem coabitam. Um deles, habitualmente o pai, emigrou.

A percentagem de crianças a viver só com a mãe disparou em Portugal, e, na maioria dos casos, a responsabilidade é da crise e da emigração. As conclusões são do estudo “Determinantes da Fecundidade” que divulgado esta segunda-feira pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS).

O estudo conclui que em 2015 a natalidade aumentou em Portugal quase 4%, numa aparente inversão de tendência, mas há um dado essencial a reter: mais de 16% destes pais não são casados nem coabitam. A percentagem triplicou nos últimos 10 anos.

A coordenadora do estudo, a demógrafa Maria Filomena Mendes, aponta, em declarações à Renascença, duas explicações para o fenómeno. “Alguns dos casais que coabitavam deixaram de viver na mesma casa devido à emigração. Durante o período da crise, a partir de 2010, tivemos valores altíssimos de emigração, sobretudo masculina. Muitos dos bebés nascidos em Portugal no ano passado podem ser um reflexo desta situação”, observa.

“Outra razão será a própria crise. Alguns casais não têm condições para viver em casa própria. Ou seja, tem os filhos mas continua, cada um dos progenitores, a viver na casa dos pais”, explica a demógrafa.

Maria Filomena Mendes tem contudo a esperança de que, uma vez ultrapassada a crise, quando os pais não forem obrigados a emigrar, muitas destas famílias possam voltar reunir-se. “Acho que podemos ter essa expectativa, porque quer os homens quer as mulheres querem ter filhos”, afirma.

“O estudo mostra exactamente isso: A maioria dos portugueses quer ter filhos, pelo menos um filho, e tanto as mães como os pais querem participar activamente e ter tempo para acompanhar os filhos no seu crescimento e na sua educação”, sublinha. “Isso, provavelmente, é um motivo para termos esperança no futuro da fecundidade em Portugal.”

 

 

Mulheres que amam os filhos dos outros como se fossem seus

Maio 10, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Ter uma casa, uma família e uma mãe. É assim que devia ser a infância de muitas crianças. Mas por circunstâncias da vida isto nem sempre acontece. É em casos destes que entram as Mães SOS que através dos afetos, entrega e amor incondicional conseguem dar uma nova vida a dezenas de crianças. No Dia da Mãe o SAPO Lifestyle celebra estas super-mães sociais e dá a conhecer o projeto Aldeias SOS.

“Ser uma mãe SOS é e não é uma mãe como as outras. É uma mãe como as outras em toda a sua dimensão: que acompanha, que protege, que dá força e que cuida do seu filho. Mas a única diferença é que tem uma pequena compensação monetária por isso”, começa por explicar ao SAPO Lifestyle a mãe Berta. “Mas vivemos efetivamente como uma mãe com os seus filhos dentro de uma casa. Aqueles meninos são os meus.”

Há dois anos e meio na Aldeia SOS de Bicesse, Berta revela que este é um projeto de vida que lhe enche o coração. Viúva e com dois filhos biológicos maiores, afirma que sempre recebeu da sua família apoio incondicional para abraçar o projeto de ser Mãe SOS. “Os meus filhos disseram-me: ‘Nós agora estamos a trabalhar, estamos orientados portanto tu despedes-te e vais fazer aquilo que gostas’”.

Assim juntou-se a Adalcinda, uma das primeiras Mães SOS a ir viver para Bicesse. Já criou e educou mais de 30 filhos. Neste momento tem ao seu cuidado seis crianças: a mais nova tem 7 anos e o mais velho 15. Tal como todas as mães também tem os seus momentos de fraqueza: “Nós fazemos as figuras tristes que qualquer mãe faz. Já vi desculpar as coisas mais parvas”, afirma.

Todas as mães candidatam-se por anúncio e até assumirem a função de Mãe SOS a tempo inteiro, passam por um estágio que pode durar entre 1 e 2 anos. De acordo com Manuel Matias, secretário-geral interino das Aldeias SOS, é necessária uma grande resistência emocional para criar estas crianças e jovens. “São crianças que nos chegam com alguma desconfiança do mundo dos adultos, não compreendendo por vezes o benefício que é ser acolhido por uma senhora que vai ter alguma vinculação e um grau afetivo com eles e os seus irmãos”, refere. “Cabe à mãe abrir perspetivas de que o mundo também tem aspetos muito positivos, que eles têm direito a isso e que a aldeia é um espaço que lhes proporciona uma infância feliz.”

Recorde-se que as Aldeias SOS são vocacionadas para acolher irmãos e irmãs em situações de risco e extremamente vulneráveis. Em Portugal existem três: uma em Bicesse (7 mães), uma na Guarda (3 mães) e outra em Gulpilhares (5 mães.)

Ao longo de 35 anos, Adalcinda diz que já acompanhou histórias de vida muito difíceis e traumáticas, confessando que este papel não é pera doce. O mais importante? Estabelecer laços familiares e afetivos com os filhos que ficam aos seus cuidados. “O que se gere aqui são emoções e afetos. Aliás só se conseguem fazer algumas coisas pelos afetos. E não se inventam afetos: eles existem ou não existem”, admite.

Força interior e coragem são duas características que devem ser inerentes a todas as mães SOS. “Não há varinhas mágicas”, frisa Berta que neste momento tem a seu cargo quatro crianças com idades entre os 11 e 14 anos. “Todas as horas do dia são desafios. Desde que se levantam até que se deitam. Falamos de pessoas, falamos de crianças e não é fácil. É um trabalho que exige uma grande responsabilidade.”

Para além dos desafios diários que enfrentam, as Mães SOS confessam que o maior de todos é aquele que é traçado a longo prazo: ensinar-lhes a ser uma família e quebrar o ciclo. “O meu maior desafio é tornar estes miúdos autónomos, responsáveis e integrados. Não estou a criar ninguém para viver permanente comigo e o que eu quero é que sejam bons homens e mulheres”, sublinha Adalcinda que neste momento já é bisavó.

Apesar de serem designadas Mães SOS e desempenharem este papel efetivamente, Berta e Adalcinda confessam que esta não é uma palavra que escutam com muita regularidade dentro das quatro paredes do seu lar. “Eles sentem a necessidade da pertença. E isso de nos chamarem de mãe só tem a função da pertença, de pertencer e ser de alguém”, explica Adalcinda.

Independentemente da idade, todos continuam a ver na mãe o seu suporte e fonte de apoio. “Sou capaz de ir ao hospital para coser a cabeça de um filho que tem 20 e tal anos e que decidiu que não cose a cabeça sem eu lá estar. Foi uma vergonha, mas eu fui lá agarrar na mão dele”, relembra Adalcinda de forma divertida.”Não é por dar problemas que deixa de ser o meu menino.”

Questionadas sobre quais os momentos que recordam com mais emoção, ambas revelam que são as coisas mais simples do dia a dia que lhes põem um sorriso na cara. “Um dos meus primeiros rapazes era um menino muito limitado. E conseguir que ele fizesse o 6º ano foi uma emoção muito grande. […] São coisas que a maior parte das pessoas não dá importância mas são o motivo de tudo”, frisa Adalcinda que mostra orgulho no seu papel de mãe e educadora.

Apesar de todas as dificuldades, desafios e complexidades que esta função acarreta, Berta e Adalcinda referem que não a trocavam por nada deste mundo. “É uma profissão solitária sem que nós nos sintamos solitárias”, admite Berta. “Mas a verdade é que não há nada que pague o trabalho de uma mãe, seja ela qual for.”

 

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