Quanto mais me açoitas, mais agressivo fico

Maio 7, 2016 às 5:34 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 3 de maio de 2016.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Spanking and Child Outcomes: Old Controversies and New Meta-Analyses

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Quanto mais açoitadas forem as crianças, maior é a probabilidade de desafiarem os pais e mais desenvolvem comportamentos anti-sociais, agressividade, problemas de saúde mental e dificuldades cognitivas, revela um estudo das universidades do Texas e de Michigan.

A investigação, publicada na última edição do Journal of Family Psychology, olha para os dados recolhidos em 75 estudos nos últimos 50 anos, envolvendo um universo de 160.927 crianças.

Os seus autores reclamam ser esta a análise mais completa até agora realizada sobre o açoite — definido como uma palmada de mão aberta nas nádegas ou nas extremidades, braços ou pernas – e os seus efeitos específicos, por comparação com outros estudos que incluem outros castigos físicos das crianças nas respetivas análises.

“Concluímos que o açoite está associado a resultados prejudiciais não esperados e não está associado à obediência imediata ou a longo prazo, que são os objetivos dos pais quando disciplinam os seus filhos”, afirma a autora principal do estudo, Elisabeth Gershoff, professora de Desenvolvimento Humano e Ciências da Família na universidade norte-americana do Texas em Austin, num comunicado divulgado pela instituição.

Gershoff e Andrew Grogan-Kaylor, co-autor do estudo, professor na Universidade de Michigan, concluíram que o açoite está associado de forma significativa a 13 entre 17 resultados examinados, todos prejudiciais.

“O principal remate do estudo é que o açoite aumenta a probabilidade de uma variedade alargada de resultados prejudiciais nas crianças. O açoite provoca portanto o oposto do que os pais pretendem normalmente com ele”, sublinha Grogan-Kaylor.

Gershoff e Grogan-Kaylor testaram alguns dos efeitos a longo prazo entre adultos açoitados enquanto crianças e perceberam que quanto mais agredidos tinham sido maiores eram os comportamentos antissociais e os problemas mentais experienciados. Estes adultos eram também os maiores defensores da punição física dos próprios filhos, o que ilustra uma das principais formas como esta forma de educação passa de pais para filhos.

Os investigadores norte-americanos sublinham no comunicado que cerca de 80 por cento dos pais em todo o mundo açoitam os filhos, de acordo com um estudo da Unicef de 2014, não obstante não existirem provas de quaisquer efeitos positivos decorrentes desta forma de educação e, pelo contrário, como nota Gershoff, de haver evidência ampla de que o açoite constitui um risco negativo para o comportamento e desenvolvimento da criança.

Tanto o açoite como os abusos físicos estão associados aos mesmos resultados prejudiciais nas crianças, na mesma direção e quase com a mesma intensidade, reforçam os investigadores.

“Nós, enquanto sociedade, olhamos para o açoite e para os abusos físicos como comportamentos distintos”, afirma Gershoff. “No entanto, a nossa investigação mostra que o açoite está ligado aos mesmos resultados prejudiciais que o abuso, apenas num grau ligeiramente mais baixo”, remata.

Estes resultados, de acordo com a investigadora, são consistentes com as conclusões de um relatório recente do Centers for Disease Control and Prevention, que apelou ao “compromisso público, campanhas de educação e abordagens legislativas para reduzir a punição física” das crianças, incluindo o açoite.

A legislação norte-americana não proíbe a punição física das crianças, vê mesmo esta conduta como aceitável, apesar da sua taxa de aceitação ter diminuído consideravelmente de 84% em 1986 para 70% em 2012. Na Europa, a França foi criticada em 2015 pelo Conselho da Europa por não proibir claramente todas as formas de castigo corporal das crianças, ao contrário da maioria dos países vizinhos.

Portugal, Itália, Bélgica, Irlanda e Grécia foram alvo em 2003 de uma queixa perante o Conselho da Europa por parte da Organização Mundial Contra a Tortura (OMCT), que considerava que a legislação portuguesa não protegia crianças dos açoites e outros tipos de punições físicas.

instituição europeia respondeu à queixa dois anos depois, considerando que Portugal tem leis suficientes que permitem proteger as crianças dos castigos corporais; A OMCT argumentou, no entando, que não existe na legislação portuguesa nenhuma proibição explícita sobre castigos corporais por parte dos pais, e demonstrou ainda através de uma sondagem na altura que dois em cada cinco inquiridos acreditava que a lei permitia que dessem “uma bofetada/palmada aos seus filhos”.

“Temos esperança de que o nosso estudo possa ajudar a educar os pais sobre os malefícios potenciais do açoite e levá-los a tentar formas positivas e não punitivas de disciplina”, conclui Elisabeth Gershoff no comunicado da universidade norte-americana.

 

 

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Proteger os consumidores europeus: brinquedos e vestuário no topo da lista dos produtos perigosos detetados em 2015

Maio 7, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Comissão Europeia – Comunicado de imprensa

Proteger os consumidores europeus: brinquedos e vestuário no topo da lista dos produtos perigosos detetados em 2015

Bruxelas, 25 de abril de 2016

A Comissão Europeia publicou hoje novos dados que mostram que, em 2015, mais de 2000 produtos perigosos fizeram desencadear alertas em toda a UE. A proporção crescente de produtos comprados em linha em países fora da UE é um problema importante.

A Comissão, os Estados-Membros da UE e as empresas estão a trabalhar em conjunto para assegurar que estes bens de consumo perigosos sejam retirados do mercado europeu.
«O sistema de alerta rápido tem permitido às autoridades de defesa do consumidor coordenar as suas respostas com vista a retirar rapidamente os produtos perigosos do mercado europeu. Temos dois desafios pela frente: por um lado, as vendas em linha, que fazem chegar os produtos pelo correio diretamente a casa do consumidor e, por outro, a forte presença de produtos chineses assinalada através do Sistema de Alerta Rápido. «Em junho deslocar-me-ei à China com o objetivo de intensificar a nossa cooperação com as autoridades chinesas no que respeita à segurança dos produtos.» declarou Věra Jourová, Comissária da UE responsável pela Justiça, Consumidores e Igualdade de Género.
Em 2015, foram registados no sistema 2 072 alertas e 2 745 medidas de seguimento. Quando um Estado-Membro introduz um alerta no sistema, os outros países podem detetar o produto no seu mercado e reagir a este alerta inicial.
Mais de 65 % dos europeus compram produtos em linha e, entre 2006 e 2015, o número de consumidores em linha aumentou 27 %. O novo desafio consiste agora em corrigir o sistema de comércio em linha, pois, tal como está, faz entrar em casa dos consumidores produtos pelo correio que também são provenientes de países terceiros, e que podem não ter sido submetidos aos devidos controlos de segurança.
A Comissão está a trabalhar para melhorar o sistema de alerta rápido de forma a ter em conta este aspeto. Temos tido uma cooperação frutuosa com os serviços de controlo nas fronteiras e com as plataformas de venda em linha. No âmbito da agenda internacional da Comissão em matéria de segurança dos produtos, vamos dar maior atenção às vendas em linha.
Quais são os produtos que apresentam riscos?
Em 2015, as duas principais categorias de produtos que tiveram de ser objeto de medidas corretivas foram os brinquedos (27 %) e o vestuário, os têxteis e os artigos de moda (17 %). Estes eram já os produtos objeto do maior número de notificações no ano anterior. Quanto aos riscos, os mais notificados em 2015 (25 % das notificações totais) foram o risco químico, seguido do risco de lesões (22 %), que no relatório anterior ocupava o primeiro lugar.
Os riscos químicos mais notificados em 2015 referiam-se a produtos como as joias de fantasia que contêm metais pesados nocivos, como o níquel e o chumbo, e os brinquedos que contêm ftalatos (amaciadores de plástico que podem provocar problemas de fertilidade).
Qual a proveniência destes produtos?
Com 62 % dos produtos perigosos assinalados, a China continua a ser o principal país de origem identificado no sistema de alerta. A China é a maior fonte de importações da UE (quota de mercado global?).
A colaboração com as autoridades chinesas continua a ser uma prioridade para a UE, tendo lugar, mais especificamente, no âmbito do Sistema de Alerta Rápido: cada notificação relativa a um produto de origem chinesa é enviada à administração chinesa, para que esta aborde a questão diretamente com o fabricante ou o exportador, caso seja possível identificá-lo.
Até à data, a China deu seguimento a 11 540 notificações e tomou medidas corretivas em 3 748 casos. Em muitos casos, continua a ser difícil identificar a origem do produto.
A Comissária Jourovà deslocar-se-á à China em junho para debater a segurança dos produtos com os seus homólogos chineses.
Contexto
Desde 2003, o Sistema de Alerta Rápido garante que as informações sobre produtos não alimentares perigosos retirados do mercado e/ou recolhidos em qualquer país da Europa sejam rapidamente veiculadas entre os Estados-Membros da UE e a Comissão Europeia. Desta forma, podem ser adotadas em toda a UE as medidas de seguimento adequadas (proibição/suspensão da comercialização, retirada do mercado, recolha do produto ou interdição da importação pelas autoridades aduaneiras).
Participam atualmente neste sistema trinta e um países (a UE em conjunto com a Islândia, o Listenstaine e a Noruega). O sistema de alerta rápido funciona graças a uma cooperação diária e constante entre os Estados-Membros.

O Sistema de Alerta Rápido em números

P031499000202-566803

Tenha AQUI acesso ao relatório completo.

Saiba mais AQUI.


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