Dois pais, duas casas

Abril 22, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Expresso de 30 de abril de 2016.

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Katya Delimbeuf

Em caso de divórcio, será a residência partilhada, com duas casas e tempo repartido a 50%, o melhor sistema? Há cada vez mais especialistas a acreditar que sim

Na hora de todas as separações de casais com filhos, nenhuma solução parece verdadeiramente boa. Há, contudo, soluções menos más. O bem-estar das crianças deve ser sempre o que prevalece, e nesse sentido, os psicólogos têm evoluído na sua opinião de qual o melhor modelo de parentalidade para os filhos. Se nos anos 80, os tribunais decretavam quase sempre que a custódia dos filhos fosse entregue à mãe, com o pai limitado a um fim-de-semana de 15 em 15 dias, a partir dos anos 2000 cada vez mais tribunais optam por dar direitos iguais a mãe e pai.

Da Suécia chegam-nos ecos que confirmam os benefícios da “residência partilhada” para os filhos de pais separados. Mais de 40 estudos compararam crianças a viver neste regime com crianças a viver primordialmente com um dos pais. Uma investigação em particular analisou o bem-estar psicológico de 4684 crianças, liderada pela equipa de Emma Fransson na Universidade de Estocolmo e no Instituto Karolinska, concluiu que as crianças que viviam neste regime apresentavam o mesmo nível de queixas psicológicas do que as que viviam em famílias nucleares. Pelo contrário, os filhos que viviam com apenas um dos pais mostravam níveis mais elevados de queixas psicológicas. A conclusão foi bastante clara: as crianças beneficiam de ter dois pais interessados e preocupados com eles, e a residência alternada propicia isso. Também ficou comprovado que os filhos de pais com mais recursos económicos, maiores níveis de educação, que se separam de forma amigável veem a vida correr-lhes melhor, independentemente do plano de partilha dos seus progenitores.

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A pedopsiquiatra Ana Vasconcelos ressalva que o sistema da parentalidade alternada é uma solução crescente nos casos de divórcio. Num relatório de 2012 para o Centro de Estudos Judiciários, sobre “divórcio e guarda partilhada com residência alternada”, a especialista defendia que “as soluções encontradas devem favorecer uma maior integração das funções parentais no respeito pela conservação dos laços de filiação com ambos os progenitores”. A residência alternada é uma forma de “não cortar a relação da criança com as figuras de apego mais importante para ela”, e evita colocar a criança “num conflito de lealdades”. “A Residência Alternada impõe que os adultos consigam romper o laço conjugal, mas mantenham o laço parental, através de um bom sistema de comunicação. Não há hierarquia de papéis, ambos os pais exercem o poder parental”, explica. “Sempre que os pais conseguem ser participativos na vida dos filhos, envolvendo-se diretamente na sua educação e nos seus interesses, quem ganha são os filhos”, resume. “A Residência Alternada é sem dúvida um modelo que possibilita uma maior integração dos progenitores no desempenho das suas funções materna e paterna, favorecendo o desenvolvimento da criança e/ou do jovem.”

Com este sistema de “residência alternada”, garante-se que a criança “não tenha um progenitor de fim-de-semana, e outro durante a semana”, continua Ana Vasconcelos. Implica, em regra, que os pais tenham “uma boa base de entendimento”. Afinal, “um dos pais não pode educar no branco, e outro no preto”. Algures a meio caminho, terão que criar um ponto de entendimento. Como maiores desvantagens do sistema de residência alternada, que a pedopsiquiatra considera ser “o melhor” em caso de divórcio, aponta a questão “logística” – as casas dos dois pais devem ser próximas uma da outra, e da escola”, e o desempenho escolar do aluno, que pode, a dada altura, “acusar” as mudanças de casa. Mas até ver, este é o sistema que parece gerar mais equilíbrio para todos: os filhos, que continuam a ter dois pais, e os progenitores, que continuam a educar e partilhar o dia-a-dia dos filhos.

 

 

 

 

Apresentação do livro CYBERBULLYING – um guia para pais e educadores

Abril 22, 2016 às 11:02 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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No  dia nacional de sensibilização para o Cyberbullying  que se assinalou a 21 de abril,  foi lançado em Lisboa, na FNAC do Colombo, o livro “CYBERBULLYING- um guia para pais e educadores “de autoria de Sónia Seixas ; Luís Fernandes e Tito Morais , editado pela PLATÁNO EDITORA.

O cyberbullying é um fenómeno emergente que está  atingir muitas crianças e jovens, no entanto, muitos de nós, não estamos conscientes do impacto  negativo que esta agressão virtual que é feita através do recurso às tecnologias de informação, está a causar às suas vitimas.

Este guia para pais e educadores é um excelente manual de boas práticas que a partir de hoje, temos à disposição  para nos ajudar a conhecer, a compreender e a prevenir o fenómeno .

A sessão de apresentação do livro contou com o contributo de  Manuel Coutinho  – psicólogo clinico, Secretário- Geral do Instituto de Apoio à Criança ; coordenador do SOS -Criança e SOS- Criança Desaparecida e de Reginaldo Rodrigues de Almeida – professor universitário, jornalista, co-autor e apresentador do programa televisivo “Falar Global.”

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Há Festa no Parque – atividades para crianças no dia 25 de Abril no Parque Eduardo VII

Abril 22, 2016 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

25 de Abril em festa no parque

http://www.cm-lisboa.pt/noticias/detalhe/article/25-de-abril-em-festa-no-parque

Onde estava a tua escola no 25 de Abril?

http://www.cm-lisboa.pt/noticias/detalhe/article/onde-estava-a-tua-escola-no-25-de-abril

Caminhada Solidária 30 de abril em Coimbra – Campanha de Prevenção de Maus Tratos a Crianças e Jovens : SILÊNCIO???…NÃO!!!

Abril 22, 2016 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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inscrição:

caminhadalacoazulcoimbra@gmail.com

mais informações:

https://www.facebook.com/Campanha-de-Preven%C3%A7%C3%A3o-de-Maus-Tratos-a-Crian%C3%A7as-e-Jovens-Coimbra-1217015618316238/?fref=photo

5 conselhos para deixar de gritar com o seu filho

Abril 22, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do Observador de 9 de abril de 2016.

Mimafoto iStock

Ana Cristina Marques

Magda Gomes Dias, formadora ligada à Educação Positiva, revela quais os passos a seguir para uma relação entre pais e filhos sem berros ou ralhetes desnecessários. Para poupar os ouvidos lá de casa.

Ninguém tem filhos para se zangar todos os dias, para gritar a plenos pulmões para ele ou ela deixarem de atirar comida para o chão ou para pararem de mexer onde não devem sequer encostar o dedo mindinho. Esta é a premissa que sustenta a nova obra de Magda Gomes Dias, formadora nas áreas de comportamento e comunicação há 15 anos, com certificação internacional em Inteligência Emocional, Educação Positiva e Coaching.

A mãe de dois é a autora de Berra-me Baixo (Manuscrito), que consiste basicamente num plano de 21 dias para que pais e mães deixem de berrar com os próprios filhos. Mas antes de aceitar o desafio e partir à aventura, a autora deixa ficar cinco conselhos para que a comunicação entre quem educa e quem é educado seja progressivamente mais fácil. E antes que seja apanhado desprevenido, a autora esclarece desde logo que a culpa de gritar com os miúdos é sua e não deles.

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1. É tudo uma questão de autorregulação

O livro assinado por Magda Gomes Dias começa com a ideia de que a criança deve sentir que está a ser educada por um adulto, isto é, alguém capaz de gerir as suas próprias emoções e que não cai no erro de agir tendo por base o impulso. Sobre isso, a autora diz ao Observador que a questão da autorregulação dos pais passa, em primeiro lugar, “por descobrir ou escolher que comportamento ter em determinada situação”. Preto no branco, Magda convida pais e mães a pensar no que os faz gritar com um filho, bem como as circunstâncias em que tal acontece.

E o que é que um filho ganha com um pai apto a gerir os próprios sentimentos? “Quando alguém grita connosco, o mais provável é termos uma de duas reações, ou atacamos ou defendemo-nos. Quando colocamos a criança a defender-se ou a agredir, ela não está a pensar, está antes a reagir”, explica a responsável pelo blogue Mum’s The Boss. Ao falar calmamente com os filhos, argumenta, está-se a dar oportunidades para que estes reflitam sobre o que se passou, mas também para que desenvolvam empatia e a noção de cooperação. “A empatia, ao nível da inteligência emocional, é das coisas mais importantes e implica adaptarmo-nos à linguagem do outro. Permite ainda que as crianças se sintam mais próximas dos pais.”

2. Ralhar não é o mesmo que gritar

As duas palavras parecem não existir uma sem a outra, mas Magda Gomes faz questão de as separar, começando por dizer que toda a gente pode ralhar. “A nossa missão enquanto pais também passa por ralhar, o que significa corrigir, reencaminhar e orientar a criança.” É nesse sentido que se explica que é possível ralhar sem humilhar os mais novos, isto é, que é possível (e até necessário) ralhar sem gritar. “As coisas confundem-se porque a maior parte das pessoas ralha a gritar.”

“Se por ralhar entendes chamar a atenção, lembrar, mostrares-te desapontado(a)/chateado(a) com uma situação e a seguir orientares e indicares o comportamento do teu filho, então, por favor, continua a ralhar! Fica a saber, no entanto, que não tens de o fazer a gritar ou agressivamente, mas também não tens de o fazer num tom de voz que nada tenha que ver com a situação.”

Berra-me Baixo, página 25

3. O truque é falar assertivamente e com calma

Apesar de o livro em questão não garantir que um pai vai em absoluto deixar de gritar com os filhos, tem como objetivo proporcionar relações filiais mais felizes. E se a tónica principal está no ato de baixar o tom de voz, então a ideia de falar com calma também é protagonista desta história. Mas nem tudo é um mar de rosas: “Às vezes os pais ralham com muita calma e, se estiverem zangados, essa serenidade vai soar mal. A cara tem de bater com a careta.” Mais uma vez, o hábito volta a vestir o monge, no sentido em que é preciso ir experimentando vários tons de voz junto das crianças para que estas percebam a mensagem. Mas por muito que varie o tom, a assertividade e a firmeza são sempre precisas. “Os pais têm de se mostrar zangados quando estão zangados. A nossa função não é convencer os miúdos a parar de fazer asneiras, mas sim explicar as regras. É preciso enunciar e explicar as regras e só depois introduzir a consequência”, diz.

“Quando acionas o ‘comando da voz calma’ ajudas as crianças a acalmarem-se. Sentem que têm um adulto sereno e consciente junto delas. E que não faz birras. Os pais e os educadores são os modelos mais importantes que as crianças podem ter, pelo que a voz calma dar-lhes-á esse mote.”

Berra-me Baixo, página 53

4. Castigo não é sinónimo de consequência

Já antes Magda Gomes Dias tinha dito ao Observador que a Parentalidade Positiva olha para o castigo e para a palmada como a lei do menor esforço, como algo que funciona a curto prazo. No livro Berra-me Baixo o assunto volta à discussão, com a autora a fazer uma distinção de antemão: a consequência não é o castigo. “O castigo, por norma, não tem que ver com a situação; a sua essência é fazer com que a criança sofra e se sinta mal com determinada escolha. Isto porque acreditamos que se sentir mal da próxima vez já não vai fazer aquilo”, explica. Por oposição, a consequência tem o condão de responsabilizar a criança e, segundo a própria, é mais justa do que o castigo — no castigo não há regra, antes uma ameaça e implica fazer as coisas pela calada. No entanto, uma breve fusão entre conceitos ocorre, dado que “a consequência pode ser um castigo dependendo do tom de voz com que as coisas são ditas”.

“A consequência tem como objetivo levar a criança a perceber o impacto da sua decisão, responsabilizando-a e também a reparar a situação. E não, a criança nem sempre tem de sofrer para compreender qual é o comportamento adequado e querer recuperá-lo a seguir. Jane Nelsen [terapeuta familiar norte-americana] pergunta, e bem, onde fomos buscar a ideia louca que para se portar bem uma criança tem de se sentir mal.”

Berra-me Baixo, página 69

5. O vínculo entre pais e filho não deve ser ignorado

“Quando os pais têm um vínculo forte com os filhos, estes estão mais dispostos a cooperar com eles”, garante Magda Gomes, que afirma sem hesitar que os pais preferem filhos cooperativos a obedientes. “Os filhos obedientes são aqueles que não tem vontade própria, que não pensam sobre as coisas; já os cooperantes escolhem cooperar em consideração pelos pais.” A importância de trabalhar o vínculo em questão vai além da melhor dinâmica na vida familiar, uma vez que quando as crianças se sentem mais próximas dos pais, sentem-se também emocionalmente mais seguras. Tal realidade trabalha a autoestima dos mais pequenos, que percebem, assim, que têm valor.

 

 

 

 


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