José Pacheco: “Aulas no século XXI são um escândalo. Com aulas ninguém aprende”

Abril 21, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do Observador a José Pacheco no dia 10 de abril de 2016.

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Marlene Carriço

Uma escola sem divisão por ciclos de ensino, sem turmas, sem aulas, nem testes. Uma escola onde os alunos aprendem e onde são felizes. É esta a escola que o professor José Pacheco defende.

José Pacheco tem 64 anos e é mestre em Educação da Criança, pela Universidade do Porto. Chegou a fazer parte do Conselho Nacional de Educação e ganhou prémios pelo projeto que coordenou na Escola da Ponte. Há 10 anos decidiu mudar-se e rumou ao Brasil, onde é responsável por mais de 100 projetos para um novo modelo de ensino. No ano em que a Escola da Ponte faz 40 anos, o Observador pôs-se à conversa com o seu principal fundador.

Crítico do modelo tradicional de ensino, que afirma ser do século XIX, o professor defende a aprendizagem numa escola sem aulas, nem turmas, nem ciclos. Uma mudança radical na forma como vemos a escola pública? Sim. Mas possível de implementar, e com sucesso, garante.

Porque é que há 40 anos sentiu necessidade de mudar a forma como dava aulas? O que o levou a iniciar o projeto “Fazer a Ponte”?

Porque me vi incompetente e antiético. Incompetente porque não conseguia ensinar todas as crianças e muitas reprovavam, e antiético porque reconhecia que não ensinava todos e continuava a trabalhar do mesmo modo. E quando encontrei duas professoras que faziam a mesma pergunta que eu — “Porque é que damos a aula tão bem dada e há alunos que não aprendem?” — descobrimos a resposta: se nós dávamos as aulas e eles não aprendiam, eles não aprendiam porque nós dávamos a aula. É isso mesmo. Para nós foi perder o chão. Nós só sabíamos dar aula. Por isso não fui eu que fiz a Ponte, foi muita gente. Talvez eu fosse um despoletador do projeto. E o que fizemos foi algo intuitivo e amoroso: continuámos a dar aulas, porque criança não é cobaia, mas simultaneamente introduzimos nas nossas práticas, em equipa, algumas metodologias, técnicas, espaços de convivência, que foram dando forma a um novo projeto.

Um projeto mais baseado na autonomia?

Na autonomia, na responsabilidade e na solidariedade, que foram os três valores matriciais do projeto. As escolas são as pessoas e as pessoas são os seus valores. A escola não são edifícios, são projetos que partem de valores e de princípios e nós fomos indo ao encontro de uma concretização desses valores.

E as mudanças começaram logo a apresentar resultados?

Houve uma melhoria cognitiva, mas nós fomos além. Nós fizemos pela primeira vez aquilo que hoje se chama de educação integral. Compreendemos que teríamos de mexer não só no nível cognitivo, mas também no domínio atitudinal, sócio moral, ético, estético, emocional, espiritual.

Mas a forma de ensinar mudou repentinamente?

Não. De início dávamos aula durante a maior parte do tempo, porque era aquilo que nos tinham ensinado a fazer, mas fomos introduzindo alterações. Passámos de uma cultura de solidão para uma cultura de equipa, de corresponsabilização. Essa reelaboração da nossa cultura pessoal e profissional custou tempo e sofrimento. Decidimos habitar um mesmo espaço, derrubar paredes, juntar alunos. Compreendemos que sozinhos não poderíamos ensinar tudo a todos. Mas se estivéssemos em equipa, com um projeto, e autonomizássemos o ato de aprender, poderíamos responder efetivamente às necessidades de cada jovem. Ao fim de oito anos estava já a escola toda com um modelo diferente. E nós descobrimos uma coisa fundamental, que é que um professor não ensina aquilo que diz, ele transmite aquilo que é. Um professor tem que ser um tutor e um mediador de aprendizagens. E a aprendizagem acontece quando há um vínculo afetivo entre quem supostamente ensina e quem supostamente aprende.

40 anos depois, como está a Ponte? E como está o ensino em Portugal?

Tenho estado ausente e sinceramente posso estar muito desfasado da realidade portuguesa, mas tenho os meus netos e o meu filho que é professor e vou tendo retorno. Tenho tido algumas informações que me levam a crer que todas as engenharias curriculares feitas até hoje, pouco ou nada fizeram mudar a escola. Todos já perceberam que o modo como trabalham não ensina todos e que isso contraria aquilo que é o direito à educação e que é um dever do Estado. As escolas têm excelentes professores, mas a trabalhar do modo errado. Não faz sentido alunos do século XXI terem professores do século XX, com propostas teóricas do século XIX, da Revolução Industrial. A grande questão é que as escolas têm sido geridas por burocratas e não por pedagogos e as políticas públicas têm sido desastrosas: mais exames, mais alunos por turma.

Quer dizer que não concorda com os exames.

Mais exames não vão melhorar o sistema porque não é a preocupação com o termómetro que faz baixar a temperatura. Mais exames para quê? Os exames não avaliam nada. O teste é o instrumento de avaliação mais falível que existe. Conceber itens de teste, garantir fidelidade e tudo mais é um exercício extremamente rigoroso, assim como assegurar que as condições são as mesmas para todos quando se aplica o teste. E corrigir o teste também introduz uma subjetividade enorme. Além disso, esses instrumentos de avaliação apenas “provam” a capacidade de acumulação cognitiva, de armazenamento de informação em memória de curto prazo, para debitar no exame e esquecer.

Então como se deve avaliar as aprendizagens dos alunos?

Através de uma avaliação formativa contínua e sistemática, que é o que não se faz nas escolas. Nas escolas aplica-se teste e dá-se uma nota sem saber o que se faz. Há quem confunda avaliação com classificação e dê a nota a partir dos resultados dos testes. Eu sei que se alega considerar uma percentagem da nota dada a partir da avaliação de atitudes. Porém, não se apresenta os instrumentos de avaliação, que permitam medir atitudes como a autonomia, a criatividade. Diria que essa avaliação é feita a ‘olhómetro’.

E era de esperar que o ensino público português, passados estes 40 anos, mantivesse um modelo tradicional de aulas?

Eu acredito nos professores, na escola, mas não com as medidas político-educativas que são tomadas. Injeta-se na escola cada vez mais objetivos por pressão corporativa. Injeta-se nas escolas áreas que não faz sentido algum. Por exemplo, criar uma aula de área de projeto? Projeto é o projeto da escola, é o projeto educativo. Educação para a cidadania? Nós não ensinamos para a cidadania, nós educamos na cidadania. Cidadania não é uma hora por semana, é todo o tempo de escola. Andamos a brincar com coisas sérias. Está tudo errado.

E porque ninguém muda? A mudança não passa também pelos professores?

Os professores têm uma cultura em tudo contrária à mudança. Eles são ótimas pessoas, maravilhosas. Repare, professor é a única profissão em que o estágio é feito antes de tirar o curso. Fazem 12 anos a ouvir aulas, entram na faculdade e ouvem aulas, e vão dar aulas. Podem até ouvir falar dos Piagets da vida, mas os estágios são feitos em escolas tradicionais, onde estão excelentes professores tradicionais que trabalham no paradigma do século XIX ou XVIII. Este modelo de escola, desde o século XIX, que subdivide a escola em ciclos, em anos, em turmas, em horário padrão, isso é cartesianismo. Aulas? Aulas no século XXI são um escândalo! Em aulas ninguém aprende! Eu aceito quem conteste o que eu digo, mas ninguém contesta porque é uma verdade.

Mas é possível alunos de idades diferentes, todos juntos, aprenderem, na mesma sala, o que é suposto para a sua idade?

Porque não? Ninguém aprende com quem sabe a mesma coisa, ninguém aprende com quem tem a mesma idade. Eu falo daquilo que eu faço [no Brasil] e que tem excelentes resultados. Estou a falar de projetos que produzem excelência académica e inclusão social e onde não há organização por idades. Onde as escolas não têm casa de banho do aluno separada de casa de banho do professor, onde os auxiliares de ação educativa ensinam a limpar aqueles que sujam, onde a educação acontece. Onde não há aulas, nem turmas, nem anos, que são dispositivos sem sentido nenhum, sem fundamentação científica. Concebeu-se uma nova construção social de aprendizagem onde todos aprendem e são felizes. Isso é possível. Eu provo isso em mais de 100 projetos no Brasil e mais meia dúzia em Portugal.

E como vê a figura do chumbo?

A reprovação é a prova de que realmente a escola não funciona como deveria. Muitas vezes se diz que os professores são exigentes quando reprovam. A pergunta que eu faço é: se a escola melhor é a que mais alunos reprova, o melhor hospital é o que mais doentes mata? Quando as pessoas nem sequer refletem sobre isso… Quanto às classes de apoio, planos de recuperação, isso é tudo um enfeite que não resulta, porque aquilo que não se ensina em oito meses, não é em um mês de plano com mais do mesmo que se vai ensinar. Não é com mais horas de aula que se vai ensinar mais, é com outro tipo de aprendizagem.

Mas se o aluno não conseguir atingir as metas de aprendizagem… como se faz?

Compreendo a insistência. Nas escolas que, infelizmente, ainda vamos tendo, há alunos que não conseguem atingir metas. E é preciso acrescentar aulas de recuperação, “explicações”, “planos educativos individuais” e outros paliativos. Mas, nos projetos que acompanho, todos os alunos alcançam as metas. Porque trabalhamos a montante, para não ter de remediar a jusante; investimos na prevenção, para não tentar remediar depois. Nesses projetos, não há “alunos que não conseguem atingir metas”. Portanto, nada é preciso fazer, a não ser desenvolver um trabalho escolar coerente com a Lei de Bases. Em cada escola a seu modo, não há receitas.

Mas concorda que é difícil mudar este paradigma.

Se fosse fácil já tinha mudado. É difícil, é difícil…

Então como se pode fazer esta mudança?

Eu defendo sempre múltiplos caminhos. Um deles é que nós deveremos, nas escolas que despertam para a necessidade de mudar, trabalhar com aqueles professores que tomaram consciência e com coragem, lentamente, respeitando a criança, começar a desenvolver o projeto educativo da escola. Porque os projetos educativos das escolas não são cumpridos. E então esse núcleo de projeto, respeitando quem não queira, tem de avançar com autonomia pedagógica.

Aqui e ali têm sido anunciados alguns projetos inovadores, como as salas de aula do futuro. Isto pode ser o início da mudança?

Não, de modo algum. A aula híbrida, como vejo por aí, é aula. Não tem de haver aula. E as novas tecnologias podem ser importantes, se não forem mitigar o modelo de escola, enfeitar as aulas com quadros interativos ou um portátil por aluno. Quando um aluno está com acesso à informação na Internet ele não aprende, ele precisa da intervenção do adulto, do mediador da aprendizagem, que o ajude a passar da informação caótica para o conhecimento e do conhecimento para uma ação e isso chama-se projeto. E ao passar do conhecimento para a ação desenvolve competências. Isso não acontece numa aula.

Mas nessas salas o professor está lá apenas a guiar o grupo de alunos que tem de buscar as respostas.

Perante o quê? Um projeto? E lança perguntas significativas para os alunos? A aprendizagem tem de partir de necessidades, desejos, sonhos, algo concreto, que eu sinto que a comunidade precisa. É a partir dessa necessidade, com a introdução de projetos de pesquisa e roteiros de estudo, que as coisas acontecem.

Pode-me dar um exemplo prático de como isto pode funcionar?

Há um jovem que se queixa que lhe põem o lixo à porta na sua rua e ele percebe que tem de acabar com essa situação. Ele junta-se com outros jovens e vai fazer um projeto para acabar com a lixeira. Ele vai ter de fazer roteiros de pesquisa para perceber porque é que há lixo, o que é o lixo, o que é isso de recolha seletiva de lixo. Ele vai ter de reunir muitos objetivos do currículo nacional, de ciências, matemática, estudo do meio, português, para resolver. Mas não ensinamos tudo assim. Há objetivos que é impossível incluir nesses projetos que partem das necessidades, então aí nós fazemos os projetos paralelos, alternativos, porque não podemos permitir que a criança não aprenda todos os objetivos do programa.

Esses projetos funcionam de acordo com o modelo tradicional de aulas?

Não! Vou perguntar-lhe e assim pergunto a muita gente: sabe fazer a raiz quadrada? Já não se lembra! Sabe qual a fórmula para calcular o volume da esfera? Não, pois não? Eu posso continuar a perguntar-lhe coisas do ensino básico e você não sabe. E agora pergunto: não teve aulas sobre isso? Aprendeu? Não. Numa aula não se aprende nada. Aprende-se no contexto de projetos, com roteiros de pesquisa, com mediação pedagógica devidamente feita e com avaliação formativa contínua e sistemática, preferencialmente com portefólios digitais de avaliação. É isto.

E é possível fazer diferente e cumprir com os programas, currículos e alcançar metas de aprendizagem?

Só é possível cumprir com tudo isso fazendo diferente, porque do modo que a escola funciona o currículo não é cumprido. Os projetos não são cumpridos.

Que conselho deixa ao ministro da Educação?

Não sei. Mas posso propor que ele reúna com gente que já faz diferente para melhor cá ou se quiser ir lá fora vai ver que lá fora acontecem coisas muito boas em centenas de lugares, em muitos países. Esqueçam a Finlândia e o Norte da Europa.

 

Na Escola da Ponte não há turmas, nem testes

A Escola Básica da Ponte, no concelho de Santo Tirso, marca a diferença no ensino público português há 40 anos. Nesta escola não há ciclos, nem turmas, nem testes. A escola organiza-se em núcleos de projeto e são os alunos, em conjunto com os “tutores”, que definem, quinzenalmente, os objetivos de aprendizagem e vão sendo avaliados à medida que vão dizendo que “já sabem” aquilo a que se propuseram. Na última avaliação externa, levada a cabo pela Inspeção-Geral da Educação, a escola foi avaliada com Muito Bom em todos os parâmetros.

 

 

 

 

 

 

 

 

Cerca de 10% dos estudantes afirmam ser vítimas de cyberbullying

Abril 21, 2016 às 4:20 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 21 de abril de 2016.

AFP Getty Images

Autora de estudo citado pelo Jornal de Notícias diz que o cyberbullying pode ter consequências nefastas nos adolescentes. Durante a investigação, foram encontrados sete casos de perseguição.

Um estudo conduzido por uma doutoranda da Universidade do Minho revelou que cerca de 10% dos alunos inquiridos afirmou ser vítima de cyberbullying. O estudo, feito em 2013, revela ainda que 11% dos inquiridos informou que pensa já ter sido vítima.

Luzia de Oliveira Pinheiro explicou ao Jornal de Notícias que o cyberbullying corresponde à “divulgação pública de conteúdos textuais, visuais e áudio que depreciem ou desacreditem alguém (ou um grupo), assim como a intimidação, ameaça e perseguição através de mensagens privadas que ocorra de forma sistemática, recorrente e intencional”.

Luzia Pinheiro afirmou que durante a realização do estudo encontrou sete casos de perseguição. Um dos estudantes afirma ter sido “perseguido por razões de inveja devido à situação económica” e que chegou a ser ameaçado e psicologicamente torturado pelos colegas de turma. Outro caso foi o de uma estudante universitária que contou à investigadora ter sido insultada no Facebook por colegas que terão criado uma página especial para o fazer.

Entre outros casos de cyberbullying encontram-se a divulgação de vídeos de teor sexual partilhados por namorados depois do fim de relações, ou então a usurpação de fotografias para colocar em sites de encontros. Outro dos casos mais comuns é o roubo de identidade, através da criação de perfis falsos em redes sociais.

A investigadora afirmou que os agressores são, por norma, pessoas com “distúrbios psicológicos, tempo livre, má formação cívica” e que têm o “prazer de ver os outros sofre”, acrescentando que há ainda quem o faça por “brincadeira ou para experimentar e ver como é”.

Verifica-se esta quinta-feira, dia 21 de abril, o Dia Nacional de Sensibilização para o cyberbullying. É editado o livro “Cyberbullying. Um guia para pais e educadores”, um livro para ajudar os educadores a lidarem com crianças que sofrem com esta prática.

 

 

Crianças e jovens acompanhados pela equipa do Projecto Rua do IAC irão assistir ao concerto da Orquestra Sinfónica “Ensemble” no CCB

Abril 21, 2016 às 1:30 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Crianças e jovens acompanhados pela equipa do Projecto Rua do IAC irão assistir ao concerto da Orquestra Sinfónica “Ensemble”

A convite do Departamento de Ensino Artístico Especializado da Agência Nacional para a Qualificação e Ensino Profissional, crianças e jovens acompanhados pela equipa do Projecto Rua do Instituto de Apoio à Criança irão assistir ao concerto da Orquestra Sinfónica “Ensemble” a decorrer no dia 22 de abril no Centro Cultural de Belém.

Esta iniciativa enquadra-se na 3ª edição do evento Projectar o Futuro com Arte nos Dias da Música a decorrer de 22 a 24 de abril no CCB e  pretende divulgar o que de melhor se faz nas escolas do ensino artístico de música de todo o país.

Orquestra Sinfónica Ensemble

mais informações:

https://www.ccb.pt/Default/pt/DiasDaMusica/Sexta-feira/Evento?a=629

 

Pais e juízes criticam acordos de poder parental no registo civil

Abril 21, 2016 às 1:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 20 de abril de 2016.

A notícia contém declarações da Drª Dulce Rocha, Vice-Presidente do Instituto de Apoio à Criança.

DN

Lei aplica-se às separações nas uniões de facto e aos pais solteiros. Votação está agendada para esta quarta-feira na especialidade

Um casal a viver em união de facto que se separa e concorda com a residência alternada do filho. Vai ao registo civil e assina uma minuta que não contempla a partilha. O que acontece se entram em conflito? Uma mãe adolescente ou uma mulher vítima de violência doméstica, vulneráveis de mais para acautelar os seus direitos e os da criança deixam de ter um juiz com sensibilidade para estes casos. A não audição das crianças em casos de poder paternal.

Estas são, segundo os críticos do projeto de lei do PS, algumas das situações que não estão contempladas, no documento “Regulação das responsabilidades parentais por mútuo acordo junto das conservatórias para os pais não casados (nº 149/XIII)”, que hoje deverá ser votado na 1.ª comissão da AR.

Responsáveis do Instituto de Apoio à Criança (IAC), da Associação para a Igualdade Parental e juízes entendem que o projeto de lei devia ser sujeito à discussão pública, uma vez que levanta problemas jurídicos e sociais. Mas vai ser votado na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias oito dias depois de ter baixado à especialidade e sem serem ouvidos peritos.

O projeto foi aprovado por unanimidade no Parlamento a 8 de abril e, segundo os socialistas, equipara as dissolução das uniões de facto e casos similares ao dos casados que se divorciam no que diz respeito à guarda dos filhos Os pais que estejam de acordo podem fazer a regulação das responsabilidades parentais nas conservatórias dos registos civis, como já faz que se divorcia por mútuo acordo desde 2008 (Lei n.º 61).

“Sete anos de experiência positiva de um processo que é mais célere e menos sonoroso do que se decorrer num tribunal”, defende Pedro Delgado Alves, o deputado socialista responsável pelo projeto. Acrescenta que poderá não ser votado hoje, mas “para melhorar pormenores não para o sujeitar ao debate”.

“Um pormenor” a acrescentar é permitir que os divorciados façam a alteração da regulação das responsabilidades parentais nas conservatórias, o que a lei nº 61/2008 não prevê. Esta foi uma das falhas apresentadas pelo juiz António José Fialho, do Tribunal de Família e Menores do Barreiro, que diz ser esta uma lei desnecessária. “O campo judicial tem uma solução tão rápida ou mais do que as conservatórias e acautela melhor o superior interesse da criança uma vez que é feito por um juiz com experiência.”

É também a posição de Ricardo Simões, presidente da Associação para a Igualdade Parental. “Dando este poder às conservatórias, significa que corremos o risco de as mesmas forçarem uma determinada regulação sem vocação para tal. É só para quem está de acordo e a nossa preocupação são as situações de conflito e que podem surgir a qualquer momento.” Denuncia o caso de divorciados que acordaram na residência alternada das crianças e que acabaram por assinar uma minuta com outra forma de regulação “para não complicar”.

Outra questão está relacionada “com a não salvaguarda da audição das crianças e que são um contributo fundamental para a regulação, como defendem o Conselho Europeu e o Tribunal Europeu”, sublinha Dulce Rocha, presidente do IAC. E, tal como António Fialho, teme que as regulações portuguesas não sejam reconhecidas no estrangeiro por isso. Mas o que a ex-juiz de família e menores considera mais importante “é a questão das mulheres vítimas de violência doméstica”, que não está contemplada. Uma crítica que também fazem à Lei n.º 61.

 

 

Basta haver água para uma criança se afogar

Abril 21, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 7 de abril de 2016.

Global Imagens

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Não é preciso mar ou piscina. Um balde ou um alguidar representam um risco para as crianças.

Um menino de dois anos morreu na terça-feira, no Porto, depois de cair na piscina de casa dos avós. A criança estaria a dormir e ninguém se terá apercebido de que acordara e de que fora para a rua. O perigo estava à espreita: uma piscina. Mas para uma tragédia acontecer basta que haja água, alerta Sandra Nascimento, presidente da direção da Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI).

“Recordo-me de um caso de uma criança que morreu na água da demolha do bacalhau”, diz a responsável, para salientar que o perigo está em todo o lado e não apenas na praia ou nas piscinas. Basta um balde ou um alguidar com água. Tudo depende da idade da criança.

As estatísticas comprovam-no: o afogamento é a segunda causa de morte de crianças em Portugal, atrás dos acidentes rodoviários e à frente das quedas. Entre 2002 e 2013, segundo a APSI, morreram 207 crianças e jovens em ambiente aquático e 482 foram internadas na sequência de um afogamento.

Em comparação com as quedas, os afogamentos “não são tão frequentes, mas são mais mortais”, diz Sandra Nascimento. “O afogamento é muito rápido. Acontece em pouca água, em silêncio. Há menos possibilidades de as pessoas reagirem. Quando acontece, muitas vezes é fatal”, repara a responsável da APSI.

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O peso da cabeça da criança é algo em que não se costuma pensar, mas que é essencial num afogamento. A criança pode até já ter alguma mobilidade, mas na água tem muita dificuldade em levantar-se e perde a consciência muito rapidamente. “Ela tem de ser literalmente resgatada”, alerta Sandra Nascimento.

Até a criança ter alguma mobilidade é muito comum o afogamento ser em ambiente de casa. “Uma criança pequena pode afogar-se em menos de um palmo de água”, alerta Sandra Nascimento. Por isso, todo o cuidado é pouco e há que garantir que não se deixam recipientes com água acessíveis à criança. E nunca se deve deixar uma criança pequena sozinha na banheira, por pouco tempo que seja.

“À medida que a criança ganha mais mobilidade começa a ter acesso a outros locais”, salienta Sandra Nascimento. Daí a importância de colocar barreiras físicas (vedações) que impeçam que esta chegue a piscinas, tanques ou a poços, por exemplo. “Entendemos que a proteção mais eficaz são as barreiras verticais. As coberturas das piscinas são complementares à vedação”, afirma a responsável da APSI, lembrando que os poços devem ter tampa e as piscinas insufláveis devem ser despejadas e viradas ao contrário, para impedir a acumulação de águas da chuva.

Ao contrário do que aconteceu entre 2005 e 2010, com uma média de 19,8 mortes por ano, o número de óbitos por afogamento diminuiu no triénio 2011-2013, com uma média anual de 9. E se em 2002, ano em que estes dados começaram a ser monitorizados, se registaram 28 mortes, em 2013, último ano para os quais a APSI tem dados, registaram-se apenas 5.

Segundo os dados da APSI, compilados a partir de informação recolhida na comunicação social, dos 125 casos de afogamentos de crianças e jovens até aos 18 anos noticiados entre 2005 e 2012, a maioria (43) deu-se com crianças entre os zero e os quatro anos. No que se refere ao ambiente em que ocorreu o afogamento, 56 deram-se em planos de água construídos, como tanques, poços e piscinas; e 62 em planos de água naturais, como praias, rios e lagoas. Existem ainda 7 casos de afogamentos que ocorreram em outros locais, como fonte, mina, vala, caixa de esgoto, tina de água, balde e bidão de água.

Ao contrário do que se poderia pensar, a praia não é o perigo n.º1. Quando se desagregam os diferentes locais incluídos em cada ambiente aquático, os rios/ribeiras/lagoas são os planos de água com maior registo de afogamentos (34) seguidos dos tanques e poços (28) e das piscinas (28). A praia é o plano de água com menos registos de afogamentos (28).

Sandra Nascimento não tem dúvidas de que as campanhas da APSI tem contribuído para alertar a população e para a diminuição do número de casos, mas defende que é preciso mais. Mudar a legislação seria o ideal, mas não o conseguindo, fica satisfeita por ver as pessoas mais conscientes dos perigos e do que podem fazer para prevenir afogamentos

 

 

O Menino que acordava as estrelas

Abril 21, 2016 às 6:00 am | Publicado em Livros, Vídeos | Deixe um comentário
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Paulo Costa estará no Encontro, sábado dia 23, a partir das 17h00 para a apresentação do livro “O Menino que acordava as Estrelas”.

mais informações sobre o livro no link:

http://www.textiverso.com/index.php/extra-coleccao/243-o-menino-que-acordava-as-estrelas


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