Minimum Standards for Child Protection in Humanitarian Action

Abril 8, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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descarregar o documento no link:

http://cpwg.net/?get=006914|2014/03/CP-Minimum-Standards-English-2013.pdf

 

Tertúlia “Os Direitos da Criança em sala de aula” – 14 de abril na ESE João de Deus

Abril 8, 2016 às 3:30 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Programa Tertulia Direitos das Crianças na Sala de Aula

Tendo em conta o número limitado de lugares solicita-se confirmação para forumdireitoscriancas@gmail.com

 

 

AJUDE-NOS A AJUDAR!

Abril 8, 2016 às 12:48 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Um manual para crianças vegetarianas

Abril 8, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto do Diário de Notícias de 7 de abril de 2016.

O manual citado na notícia é o seguinte:

Alimentação vegetariana em idade escolar

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O regime alimentar é indicado para os mais jovens, mas é necessário o acompanhamento de profissionais de saúde

Há uma escola e um jardim-de-infância do agrupamento da cidade do Entroncamento onde desde fevereiro são preparadas três refeições vegetarianas diariamente. São para a Maria, de 6 anos, o José, de 5, e a Júlia, de 4. Os três são filhos de Ana Castro, vegetariana há quase 13 anos e vegan há três. “Quase todos os dias recebo pedidos de informação sobre alimentação vegetariana para crianças”, conta ao DN a mentora do projeto Sabor Fazer. À Direção-Geral da Saúde chegam também cada vez mais dúvidas sobre o tema, tanto de famílias como de profissionais de saúde e escolas, o que levou ao lançamento de um manual sobre alimentação vegetariana para crianças e adolescentes.

A ferramenta, criada no âmbito do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável e publicada ontem, fala sobre os cuidados a ter quando as crianças e adolescentes seguem este padrão alimentar, de forma a que o seu crescimento não seja comprometido. Pedro Graça, diretor do programa, explica que o objetivo não é promover a alimentação vegetariana, mas dar informação para que sejam feitas as melhores escolhas. “Se for bem planeada, a dieta vegetariana pode ser indicada para todas as idades”, explica.

Tem benefícios, mas como qualquer regime também acarreta riscos, “associados sobretudo à má escolha dos alimentos e à falta de informação.” Por exemplo, como há carência de iodo, é recomendada a ingestão de sal iodado. Para maximizar a absorção de ferro os alimentos ricos neste mineral devem ser combinados com outros ricos em vitamina C. Relativamente à vitamina D, as crianças e os adolescentes que não consomem alimentos fortificados ou têm uma exposição solar limitada devem recorrer à suplementação. E porque não existem muitas fontes de vitamina B12 neste regime, também pode ser necessário recorrer a bebidas fortificadas ou suplementos.

Consoante as idades, as necessidades das crianças são diferentes. Por exemplo, as crianças de 3 anos precisam de uma proporção de gordura superior às que têm entre 4 e 18. Mas necessitam, por exemplo, de uma percentagem menor de proteína. “Compete ao profissional de saúde perceber quais são as necessidades ao longo da vida da criança”, destaca Pedro Graça. Tal como no manual genérico sobre vegetarianismo lançado no ano passado, a DGS apela ao uso de produtos vegetais nacionais e sazonais.

Contactado pelo DN, o nutricionista Nuno Borges, da Associação Portuguesa dos Nutricionistas, reforça que “a dieta vegetariana poderá ser adotada pelas crianças desde que siga todos os preceitos de forma a fornecer os nutrientes necessários e nas quantidades recomendadas.” Fala de uma “adesão crescente” a este regime, que pode ser seguido “desde sempre”, com os devidos cuidados.

 

ABRIL – Mês da Prevenção dos Maus-Tratos na Infância em Mértola

Abril 8, 2016 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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CPCJ Mértola

Rua Prof. Batista Graça, nº01 

7750-360 Mértola

cpcj@cm-mertola.pt 

Telf. 286 610 100 | ext. 1558

Fax 286 610 101

 

«A dislexia e o défice de atenção estão muitas vezes ligados. É o meu caso.» Luís Borges Neuropediatra

Abril 8, 2016 às 9:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do Notícias Magazine de 3 de abril de 2016.

Reinaldo Rodrigues

 

Por: Helena Viegas Fotografia Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

«A dislexia e o défice de atenção estão muitas vezes ligados. É o meu caso.»

Encurtava as aulas, multiplicava os intervalos, mudava as metas curriculares, dava aos professores mais formação na área das neurociências e garantia aos miúdos mais tempo para brincar. Se pudesse, o neuropediatra Luís Borges mudava a escola. E medicava muito menos.

Ainda existem «bichos-carpinteiros» e «cabeças-no-ar»?

Sempre existiram e sempre existirão. A perturbação da hiperatividade e défice de atenção [PHDA] tem uma base genética: as crianças herdam dos pais os genes que vão condicionar este tipo de comportamento. O que acontece é que, depois, o ambiente pode facilitar ou dificultar o aparecimento dos sintomas – a hiperatividade, a impulsividade e/ou défice de atenção.

A hiperatividade traz sempre associado um défice de atenção?

Julgo que sim, só que na criança mais pequena, que parece ter pilhas Duracell, o que chama mais a atenção é a hiperatividade. Mas com a idade isso vai melhorando. A hiperatividade é o primeiro sintoma a desaparecer, e fica a impulsividade e o défice de atenção.

E o contrário pode acontecer? Um miúdo pode ter apenas défice de atenção, sem nunca ter sido hiperativo?

Essa é a face mais desconhecida da PHDA, mas que na realidade corresponde de 20 a 25 por cento dos casos. São crianças que são até hipoativas, digamos assim, mas que têm défice de atenção. Chamam-lhes day dreamer ou criança sonhadora. Na sala de aula, estão lá, mas não estão. São situações mais complexas e para as quais é preciso alertar pais e professores. Desde logo, porque são crianças socialmente mais tímidas, com maior tendência para o isolamento, para a ansiedade e até a depressão. E depois, porque, estão quietinhas e não perturbam, o problema passa despercebido, muitas vezes só é detetado mais tarde.

… quando surgem os problemas de aprendizagem.

Sim. Sempre que uma criança tem fracos resultados escolares, é preciso saber porquê. Pode ter um certo atraso no desenvolvimento, mas a maior parte das vezes tem na verdade problemas de outra ordem, como os do défice de atenção ou as dislexias.

Com que idade chegam os miúdos às suas consultas?

Os hiperativos, por norma, começam a ter problemas no primeiro ano da escola. Até lá, apesar de serem crianças muito ativas, passam muitas vezes despercebidas. Os problemas surgem quando têm de estar sentados a uma secretária das 09h00 às 17h30…

Passam tempo de mais na escola?

Sim. Dizem-me: «Ah, mas a partir das 15h00 são atividades extracurriculares…» É mais do mesmo. Os professores de Música e de Inglês também lhes exigem que estejam com atenção e vão avaliá-los no final. A PHDA tem uma base genética, mas ter começado a exigir-se demasiado dos mecanismos da atenção não ajuda. Eu até acharia bem que a escola retivesse as crianças até às 17h30, porque isso facilita a vida dos pais. Mas esse tempo deveria ser preenchido com tempos livres. Ter um animador na escola e permitir que a criança jogasse à bola, brincasse, fizesse teatro, cantasse… o que lhe apetecesse. Não sou contra a Música ou o Inglês. Mas das 09h30 às 15h30 a criança devia ter tempo para todas estas aprendizagens, curriculares e extracurriculares. Como não sou contra os trabalhos de casa, mas acho que são de mais e podiam ser substituídos por atividades de leitura. As crianças precisam de brincar – e não têm tempo para isso.

Seria preciso mudar a própria escola.

Há algumas coisas que não têm que ver com a escola. Uma delas é o sono: as crianças devem dormir nove a dez horas por noite. Uma criança que dorme pouco tem dificuldade em concentrar-se e grande parte da nossa memória de longo prazo é feita durante o sono. Depois, há o desporto: a atividade motora liberta substâncias que relaxam, o que vai facilitar a aprendizagem. E há outra coisa importante: o uso exagerado dos tablets e dos telemóveis. Porque a atenção que se usa num jogo de computador é totalmente diferente da que se utiliza para ler e compreender um texto, e as crianças vão habituar-se àquele tipo de atenção… Tudo isso, eu digo aos pais. Mas sim, seria sobretudo importante mudar escola, mudar os programas, aliviar os professores da pressão das metas curriculares… Aos seis anos, é o currículo que deve encaixar na criança e não o contrário.

O que está errado nos programas e nas metas do 1º ciclo?

A velocidade com que as crianças têm de dominar a leitura, por exemplo. Os dois primeiros anos devem ser para aprender a ler. Para depois a criança poder passar a ler automaticamente e a compreender. Mas não. Se ao fim do primeiro ano o miúdo não está a ler vai começar a ter problemas e começa o seu insucesso. E depois a exigência da matemática, do cálculo… Nós aprendíamos coisas no sexto ano que hoje são dadas no quarto e o cérebro dos miúdos não melhorou de um dia para o outro. Há coisas que não estão de acordo com as capacidades das crianças. Eles conseguem, mas com grande esforço, grande stress e sem alegria. Ao nível do cérebro, quando a criança faz uma conta bem feita e tem sucesso, é libertada uma substância que gera bem-estar, a dopamina. Já o insucesso liberta as hormonas de stress, a adrenalina, que muitas vezes bloqueiam a capacidade de raciocínio. Se a criança tem medo de errar, não está em boas condições para aprender. Depois, o stress acumula-se e a motivação que é o motor para aprender não existe, a escola torna-se «uma seca».

É isso que vê nos miúdos que chegam à consulta?

Sim, miúdos stressados, muitos com problemas de sono, que muito frequentemente choram para ir para a escola, com medo de falhar… Nas crianças com PHDA isso acontece muito. Até porque outra coisa que tem que ver com os défices de atenção, que não está nas classificações internacionais, mas que devia estar, é a parte emocional. São miúdos emocionalmente frágeis, que lidam mal com a frustração, com as emoções – e muitas vezes com problemas sociais. Os colegas não os suportam porque, mesmo nas brincadeiras, não se pode contar com eles. Estão à baliza e quando o outro chuta, eles estão pendurados na trave… Querem corresponder às expetativas dos outros, mas não conseguem.

E por é que não conseguem?

No nosso sistema nervoso, aquilo a que chamamos a função executiva – que nos permite organizar, planear, executar e monitorizar o que fazemos durante o dia –, começa a desenvolver-se lentamente, amadurece e está na sua plena funcionalidade por volta dos 20 anos. E nessas crianças, o que acontece é que essa função está desenvolver-se mais lentamente, às vezes com três ou quatro anos de diferença em relação ao padrão.

Quais são as implicações práticas da imaturidade dessa parte do cérebro?

O sistema que regula as atividades que fazemos no dia-a-dia, que é o que nos permite falar enquanto conduzimos, de forma automática, por exemplo, não está a funcionar. E isso faz que falhe a autorregulação – o professor tem de lhe dizer 20 vezes para se virar para a frente. Além disso, implica com aquilo a que chamamos memória de trabalho, ou de curto prazo. Se o professor disser: «Agora abram o livro na página 23 e vão à linha nº 14 procurar quantos verbos estão no infinito…», o miúdo com défice de atenção ficou com a primeira informação, o resto já se apagou. Ele não consegue pôr na memória de trabalho essa informação toda. O professor tem de dizer-lhe o número da página, deixá-lo abrir o livro, depois indicar-lhe a linha, esperar que a encontre, e só depois explicar o resto.

Porquê?

Os miúdos com PHDA ou dislexia têm uma memória de trabalho curta. Se lhes for dado um problema de matemática, em que eles têm de primeiramente somar, para depois subtrair e dividir, eles têm de o fazer por partes. Se lerem o enunciado todo de seguida, ficam completamente perdidos… e vão responder à primeira coisa que lhes vier à cabeça. A memória de trabalho é fundamental para a aprendizagem – e fala-se muito pouco sobre isso. Os professores deviam ter mais conhecimentos sobre neurociências e a sua importância nos processos de aprendizagem.

O sistema agrava o problema das crianças com PHDA, é isso?

O problema da PHDA tem uma base genética. Ou seja, mesmo que tudo isto fosse melhorado, continuaria a haver défice de atenção. Mas seriam menos os casos, porque se estaria a respeitar mais o ritmo de amadurecimento das estruturas cerebrais – e, muito provavelmente, haveria também menos crianças medicadas. Porque hoje em dia é fácil: a criança mexe-se muito, a professora já sabe que há um comprimido que faz que ele fique quieto, insiste com os pais… e os médicos acabam por entrar nesse jogo. Eu próprio faço isso.

Medica-se de mais para a PHDA?

Pela falta de conhecimento do que é a PHDA e de como se pode ajudar as crianças desde cedo a melhorar, medica-se demasiado, não tenho dúvida nenhuma. Se a escola não exigisse tanto, se a criança não estivesse tanto tempo na sala de aula, se pudesse ir mais vezes ao recreio, se tivesse períodos mais curtos de atenção, provavelmente as coisas podiam funcionar melhor… mas isso não acontece. E aí ficamos sem alternativa, porque ou se medica aquela criança ou ela vai ter insucesso escolar.

É uma decisão difícil…

Como os défices de atenção são uma epidemia nacional, eu acho que o assunto devia ser mais debatido e só se devia medicar mediante critérios bem definidos. Mas é preciso dizer que estamos a falar de uma medicação que em 80 por cento dos casos é eficaz e que é bem tolerada, sem efeitos colaterais. Eu próprio a tomo, aos 78 anos, todos os dias.

Utiliza o seu exemplo quando fala com os pais e com os miúdos em consulta?

A dislexia e o défice de atenção estão ligados muito frequentemente, há uma percentagem grande de crianças que têm os dois problemas – e é o meu caso. Fiz o meu próprio diagnóstico a posteriori. Quando era miúdo, o que havia era «bichos-carpinteiros» e eu era um «cabeça-no-ar». Sofri o estigma… Perdi dois anos no primeiro ano da escola primária e só à terceira é que passei. Depois, mais tarde, já na faculdade, voltei a ter problemas com a anatomia, com os nomes em latim… Conto muitas vezes isto, sobretudo aos miúdos, para eles perceberem que «o doutor», que chegou a médico e foi diretor de um serviço no hospital e essas coisas todas, perdeu anos na escola. Digo-lhes que acreditei sempre – «Eu sou capaz de chegar lá, porque sou inteligente.» E explico-lhes que é isso que eles têm de fazer, que o importante é ter confiança de que se vai conseguir.

No seu caso, o défice de atenção permaneceu na idade adulta.

A PHDA nem sempre desaparece. Afeta nove por cento das crianças, oito por cento dos adolescentes e quatro por cento dos adultos.

Isso significa que também medica alguns pais?

Frequentemente, cada vez mais. Lembro-me de um pai que estava sentado com o filho e às tantas pediu para se levantar, deu uma volta à secretária, sentou-se, depois levantou-se outra vez e encostou-se à parede. E eu a ver toda aquela atividade… Acabou por perguntar se eu não achava que a medicação lhe faria bem a ele também e eu disse-lhe: «Tenho quase a certeza que sim.» O pai tinha défice de atenção e era um pouco hiperativo. A mãe sabia. Até já tinha deixado cair…: «Senhor doutor… tal pai, tal filho!»

LUÍS BORGES

Tem 78 anos, é neuropediatra, preside à Associação Nacional de Intervenção Precoce (ANIP) e continua ligado ao Hospital Pediátrico de Coimbra, instituição que lhe prestou homenagem dando o seu nome ao Centro de Desenvolvimento da Criança. Tornou-se uma referência na área das dislexias e PHDA, mas nas consultas os miúdos ouvem também outra história: «o doutor» tem défice de atenção até hoje e, por causa da dislexia, chumbou no primeiro ano da escola

 

 

 

Esta portuguesa está a salvar vidas de crianças quenianas

Abril 8, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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texto do Expresso de 16 de março de 2016.

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Dizem os relatório das Nações Unidas que quase um milhão de meninas não vão à escola no Quénia. Mas os números reais podem ser bem mais elevados, uma vez que muitas das crianças nascidas em bairro de lata e zonas rurais invariavelmente nem sequer possuem um registo de nascimento. No caso dessas meninas nascidas em meios totalmente desfavorecidos, o seu destino é quase sempre o mesmo: “Sem educação, muito dificilmente irão conseguir sair do bairro de lata. Vão casar cedo com algum vizinho, vão ter quatro ou cinco filhos (ou mais) e vão lutar todos os dias para sobreviver. À porta de casa, vão colocar um tecido no chão e vender vegetais ou roupas em segunda mão”. Palavras de Diana Vasconcelos, a portuguesa responsável pelo apadrinhamento de 200 crianças das favelas de Nairobi.

Engane-se quem acha que Diana só o consegue fazer porque é um género de magnata. Pelo contrário. Diana é uma jovem mulher de 28 anos, oriunda de Amarante e com uma vontade gigante de conhecer o mundo. Depois de terminar a licenciatura em Ciências de Comunicação, juntou todo o dinheiro que conseguiu ganhar a vender livros e a fazer limpezas numa pastelaria e meteu o pé na estrada. Andou pela Europa e pelo Estados Unidos – viagens cujos relatos foi partilhando no blogue “Há ir e Voltar” – até que um projeto de voluntariado a levou ao Quénia. É por lá que está há dois anos e onde, por iniciativa própria, começou a criar uma rede de apadrinhamento de crianças das favelas de Nairobi. O seu blogue pessoal deu nome ao projeto que hoje tem em mãos: assegurar educação a meninos que sem ela dificilmente sairão da pobreza extrema.

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Começou por se apaixonar pela simpatia dos habitantes de Kibera, um dos maiores bairros de lata da capital queniana. Foi lá que conheceu “teacher Benta”, uma mulher que todos os dias acolhia 27 crianças num pequeno barracão sem condições, para que os pais pudessem ir trabalhar. Durante semanas viu os petizes comerem arroz com arroz e decidiu apadrinhá-los com comida, pedindo ajuda a amigos em Portugal para criar um rede de donativos. Foi então que teve uma ideia: porque não tentar também construir uma escola? Na altura fez um apelo por email e nas redes sociais a todas as pessoas que quisessem ajudar e conseguiu reunir fundos suficientes para uma escola/orfanato. O “Há Ir Voltar” crescia, tal como a sua vontade de fazer a diferença na vida daquelas famílias. Ao mesmo tempo que construía a escola em Kibera, começou também a trabalhar com a comunidade local de Mathare, uma favela onde se estima que 1 em cada 3 habitantes tenha HIV e que praticamente todos vivam com menos de 1 dólar por dia. Lá, dedicou-se a arranjar “padrinhos” à distância para permitir que as 78 meninas que, mal ou bem, já conseguiam ir à escola, pudessem continuar a ir.

Um erro que podia ter sido o fim de tudo

De volta a Kibera: ingenuamente, Diana construiu a escola em seu nome, algo que se revelou um erro. Um dia foi chamada pela polícia que a obrigou a ceder-lhes o edifício recém-construído. Depois de “muita discussão e de muitas lágrimas”, não teve outra hipótese. As salas de aula iriam ser alugadas por Benta a famílias da favela. Pela primeira vez teve medo e passou noites sem dormir. “Foram os meus dias mais difíceis no Quénia. Todo o trabalho de um ano, todo o dinheiro que tínhamos conseguido angariar, tinha sido em vão. Pensei ir embora. Mas, aqueles 80 meninos que Benta estava a mandar embora ficaram sem escola. Eu não podia simplesmente fazer as minhas malas e ir embora como se nada estivesse a acontecer. Voltei a Kibera e comecei a colocar os meninos noutras escolas. A escola que construímos no ano passado já não é uma escola – foi uma ferramenta de educação que tínhamos criado e que falhou. Mas estas crianças ainda precisam da nossa ajuda, agora mais do que nunca.”

Além da rede de apadrinhamentos – que garante, por exemplo, alimentação e roupa a 200 crianças atualmente – focou-se então em Mathare e nas 78 meninas da escola Angel Girls, cujas professoras locais há mais de dez anos fazem todos os esforços para lhes dar educação. Mas a escola existente não é bem uma escola: são três salas de 4m2, onde chegam as estar 40 meninas dos 3 aos 12 anos. Com paredes de chapa, bancos partidos, chão de terra batida, ardósias esburacadas e telhado que deixa passar água quando chove (espreitem o vídeo em baixo). Sem casa-de-banho, só um esgoto a céu aberto. E Diana quer que estas crianças tenham direito a mais. Em vez de construir uma escola sua, desta vez Diana está a fazer uma recolha de fundos para a reabilitação do projeto já existente. Com a colaboração dos próprios pais das crianças, que terão de contribui com €1,50 para a construção. Um valor simbólico, é certo, mas que para a realidade da favelas é um esforço. Esforço esse que deverá contribuir para os tornar num género de guardiões do edifício.

Uma escola, uma refeição por dia, uma possibilidade de futuro

Com apenas 20 mil euros será possível transformar aquelas três salas em uma escola de dois andares, com janelas, salas onde se consegue respirar, materiais de estudo e casas de banho. Lá, será possível albergar inicialmente 78 meninas (o desejo é chegarem às 130) e garantir-lhes refeições quentes diárias, provavelmente as únicas que muitas daquelas crianças comerão por dia. E porquê meninas? Porque nas famílias mais carenciadas, culturalmente são sempre elas as últimas a terem direito a ir à escola.

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Na página da angariação de fundos, Diana e as outras três voluntárias portuguesas que se juntaram a ela para dar vida ao projeto explicam tudo e partilham os dados para transferência de donativos. Porquê no Quénia e não em Portugal? “Porque é aqui que quero estar”, explica Diana no seu blogue. “Sei que em Portugal há muita gente a passar necessidades, a passar fome. Que não tem uma casa, mas não podemos sequer comparar ao Quénia. O que importa é dar a mão a pessoas totalmente desamparadas. Adultos ou crianças que têm direito a viver e não a sobreviver com menos de 0,70 cêntimos por dia. Que morrem com doenças que são curadas com menos de cinco euros”.

Quando alguém ajuda quem realmente precisa, a pergunta “onde?” é a que menos importa. Uma vénia à Diana que, embora dedique a vida dela aos outros, a única coisa que nos pede a todos é que ajudemos com aquilo que pudermos dar. E dez euros que sejam já podem fazer a diferença.

 

 

 


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