Juízes demoram três anos a decidir guarda de crianças

Abril 5, 2016 às 9:08 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 1 de abril de 2016.

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Adelina Lagarto à saída da sala de tribunal na primeira sessão do julgamento do caso Esmeralda, em 2010 | Henriques da Cunha / Global Imagens

Filipa Ambrósio de Sousa

Inquérito feito a 13 mil advogados, com mais de dez anos de profissão, revela que magistrados não cumprem prazos nos tribunais

Em 2012, o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem criticou a demora dos tribunais portugueses no caso Esmeralda: quatro anos e cinco meses para fazer cumprir a decisão de entregar a custódia da criança de Torres Vedras ao pai custou ao Estado português 15 mil euros. A instância europeia, sediada em Estrasburgo, considerou que as autoridades portuguesas tiveram uma “evidente falta de diligência com vista à aplicação do direito de respeito pela família” da menor, na altura com dez anos (agora com 13). Em Julho de 2004, o tribunal de Família e Menores conferiu ao pai a custódia da menor, que havia sido entregue pela mãe, Aidida Porto, com três meses, ao casal Luís Gomes e Adelina Lagarto, num momento em que o progenitor não havia ainda reconhecido a paternidade.

O caso Esmeralda ilustra uma realidade agora comprovada pela Ordem dos Advogados (OA): os juízes de família e menores não cumprem os prazos definidos por lei e chegam a demorar três anos a decidir os casos da guarda das crianças ou os casos em que os pais não pagam a pensão de alimentos. Processos que deveriam ter caráter de urgência exatamente porque envolvem menores.

Estas e outras conclusões constam de um inquérito realizado pelo Conselho Regional de Lisboa (CRL) da OA – feito a 13 mil advogados que frequentam diariamente os vários Tribunais de Família de Menores do distrito judicial de Lisboa (em Lisboa, Almada, Barreiro, Seixal, Loures, Torres Vedras, Vila Franca de Xira, Sintra, Amadora, Cascais, Leiria e Caldas da Rainha). Os advogados apontam a falta de formação dos funcionários e juízes, a marcação de diligências muitas vezes para a mesma hora – em casos em que os intervenientes são os mesmos – a falta de cumprimento de horários por parte dos magistrados ou ainda a intervenção de outras entidades (como a Segurança Social) que atrasam todo o processo. Apontam ainda uma “pendência processual superior a um ano, por vezes até três anos”, segundo consta do relatório, a que o DN teve acesso. “Os inquiridos consideraram o número de funcionários judiciais e juízes manifestamente insuficiente para a pendência existente, que vai de um a três anos em processos de alimentos e de regulação do poder paternal”, explica António Jaime Martins, advogado e presidente do CDR da Ordem. “O que nesta área, particularmente sensível, tem um efeito devastador sobre o menor e sobre as famílias, sendo frequentemente motivo de carência económica do menor e de alienação parental relativamente a um dos progenitores. O Estado de Direito está neste aspeto a fazer um péssimo trabalho, descurando quem mais dele necessita – as crianças”, concluiu.

A Associação Portuguesa para a Igualdade Parental e Direitos dos Filhos (APIPDF) defende que não são mais juízes que vão resolver estes atrasos. “Não entendemos que mais juízes possam resolver o problema, pois da análise estatística podemos observar que seções de família e menores com menos juízes têm mais produtividade que outras”, explica o presidente, Ricardo Simões. “Muitas depende exatamente da cultura, formação e empenho dos magistrados e técnicos que dão apoio aos tribunais. O caminho será a mudança de práticas profissionais de psicólogos e assistentes sociais que dão apoio aos tribunais, maior coordenação entre estes, e de todos os operadores da justiça, maior humanização e mais proximidade e contatos com as famílias em conflito, apostando na mediação familiar e simplificação dos processos (usando os relatórios sociais e perícias médico-legais como último recurso)”, explica o técnico.

Contactado pelo DN, fonte oficial do Conselho Superior da Magistratura – que fiscaliza os magistrados – não nega estes atrasos mas justifica-os: “a insuficiência do número de funcionários colocados é uma das causas dos atrasos que se verificam”. Acrescentando que “a intervenção de várias entidades diversas dos tribunais, essenciais na realização de perícias, implica também alongamento dos prazos em razão da dificuldade de resposta por essas entidades”.

 

 

 

10 sinais que indicam que está viciado no Facebook

Abril 5, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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texto do site http://pplware.sapo.pt/ de 22 de março de 2016.

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Marisa Pinto

O Facebook é a rede social mais popular e com o maior número de utilizadores no Mundo, tem sido a principal via de comunicação entre as pessoas, permitindo estarmos mais perto de quem gostamos, conhecer pessoas, receber notícias actualizadas, partilhar conteúdos com os outros, etc.

Mas, como tudo na vida, há que ter moderação e, assim, deixámos aqui 10 sinais que indicam que está viciado no Facebook!

Confira os seguintes comportamentos e verifique se se identifica a si, ou a alguém, com alguns:

1. É a primeira coisa que vê de manhã e a última que vê de noite

Pense lá bem… de manhã, pega no seu smartphone ou tablet e qual é a primeira aplicação em que clica? E antes de dormir? Se a resposta for ‘o Facebook’ é porque se trata de algo significativo e poderá ser um indicador a ter em atenção.

2. Antes de fotografar algo, já está a pensar como a vai colocar no Facebook

Este sentimento é-lhe familiar? Está com amigos, fotografa a refeição, uma selfie em conjunto e pensa logo como a vai colocar, os efeitos que ficam melhor, a descrição que causará mais impacto, etc. Identifica-se?

3. Usa frequentemente expressões como “Vai já para o Facebook”

A palavra “Facebook” passou a estar no nosso vocábulo diário, sobretudo entre os jovens. Decerto que já ouviram alguém utilizar expressões como “Isto vai já para o Facebook” ou “Mete no Face”. Utiliza recorrentemente estas expressões?

4. Fica chateado se alguém não faz ‘like’ ou não comenta as suas coisas ou se o elimina dos amigos

Muitas pessoas colocam conteúdos com a intenção de conseguir likes e comentários, ou seja, traduzindo, como forma de obter algum reconhecimento de terceiros.

Mas há quem chegue ao extremo de ficar chateado quando alguém em específico não lhe dá esse prazer, ou seja, ‘ignora’ a sua publicação e não coloca like nem faz qualquer comentário. O mesmo acontece quando descobre que alguém o eliminou dos amigos (a não ser que se trate de alguém com laços emocionais fortes, pois aí é mesmo caso para preocupação). Já lhe aconteceu?

5. Verifica o Facebook de 5 em 5 minutos e isso acalma-o

Sempre que alguém o vê, está com o smartphone na mão a verificar as actualizações e publicações que os seus amigos fazem no Facebook. Guarda o dispositivo mas, pouco tempo depois, volta a aceder ao Facebook, como se necessitasse de estar sempre ligado a visualizar os conteúdos. Se esse hábito o deixa calmo, o mais provável é que esteja a desenvolver alguma dependência.

6. Fala através do Messenger com pessoas que até estão por perto

Parece bizarro mas sim acontece, mais frequentemente do que se imagina. Alguém está perto de si ou numa outra divisão mas relativamente perto e, em vez de ir ter com a pessoa e comunicar com ela, abre o Facebook Messenger para o efeito, como se essa via substituísse a via ‘natural’.

7. Fica ansioso quando passa algum tempo sem poder aceder ao Facebook

Imagine-se sem poder aceder ao Facebook durante um dia inteiro ou até dois. Nada melhor que fazer esse exercício para verificar como é que o seu corpo reage e se apresenta sintomas de ansiedade como agitação, nervosismo, inquietação. Faça o teste!

8. Nem nas refeições larga o Facebook

Repense o seu comportamento. Costuma estar à mesa, mesmo em família ou com amigos, e o smartphone passa um tempo significativo com o Facebook aberto? Para além de não ser um comportamento educado, é também um sinal de que o Facebook é significativamente importante para si, e pensa primeiro em aceder à rede social, antes de pensar na pragmática que deve ter socialmente.

9. Faz do Facebook um diário

Literalmente tudo vai para o Facebook… desde a hora a que acorda, como está o tempo, o que vai vestir, o que fez para o almoço, em que restaurante se encontra e com quem, questões existenciais, como se está a sentir apenas porque começou a chover, as compras que fez, o que está a pensar ler, que filme vai ver, etc. Já para não falar da ‘lavagem de roupa suja’ em público que muitas vezes é feita.

Tratam-se de comportamentos a ter atenção pois podemos estar a ver o Facebook não só como uma forma fácil de comunicação, mas sobretudo como a principal via de comunicação.

10. Pede opinião sobre coisas supérfluas

No seguimento do comportamento anterior, vem este de pedir opinião aos amigos do Facebook sobre coisas supérfluas tais como “Corto o cabelo?”; “O que faço para o jantar?” ou “Fico bem nesta roupa?”.

Para além de serem questões cujo interesse para a comunidade do Facebook é mínima, também demonstra uma carência e necessidade da opinião de terceiros como forma de dar seguimento e orientação às suas rotinas o que, resumindo, revela fraco poder de tomada de decisão e insegurança em relação a si, características comuns de ansiedade e dependência.

 

 

 

Governo não aceita que se alegue falta de vagas para não acolher uma criança em risco

Abril 5, 2016 às 12:30 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 31 de março de 2016.

Daniel Rocha

ANDREIA SANCHES

Cada uma das mais de 300 comissões de protecção de crianças do país vai ser reforçada com um técnico superior a tempo inteiro este ano, diz secretária de Estado Ana Sofia Antunes. Nova comissão nacional reuniu pela primeira vez, oito meses depois de ser criada.

Depois de analisar os casos mais mediáticos dos últimos meses, que envolveram maus-tratos e até a morte de crianças, a secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, tem uma certeza: “Em nenhuma destas situações eu posso apontar o dedo ao funcionamento de alguma Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ). Fizeram o seu trabalho e fizeram-no bem feito.” O que falhou, diz, aconteceu depois de os processos de protecção dos menores terem saído “do seio das CPCJ”, nomeadamente quando passaram para a esfera dos tribunais. “Falhou a articulação do sistema daí para a frente, uma falha que deixa muitas vezes as crianças em situação de vulnerabilidade.”

Em declarações ao PÚBLICO nesta quinta-feira, dia em que a nova Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens(CNPDPCJ) esteve reunida pela primeira vez, oito meses depois de ter sido criada no papel, Ana Sofia Antunes é categórica: “Não podemos ver repetidas alguma situações que vimos acontecer nos últimos meses, com as Equipas de Crianças e Jovens [da Segurança Social] que acompanham os tribunais a recomendarem que a criança seja retirada à família e acolhida, o juiz a aceitar e a determinar que seja encontrada uma vaga [num centro de acolhimento] e alguém responder que não há vaga.”

Sem citar nenhum caso concreto, a governante diz que, simplesmente, tem de haver vaga. “Tem de haver uma resposta mais rápida. Se se define que a criança tem de ser retirada, tem de se encontrar imediatamente um sítio onde seja acolhida em segurança e com dignidade.”

Mas não há falta de instituições de acolhimento no país? Não, responde. “O que acho é que é preciso gerir melhor as vagas que temos.”

Em 2014, último ano para o qual há dados, havia 8470 crianças em instituições de acolhimento, das quais 2143 foram retiradas nesse ano às famílias.

É preciso ainda, prossegue Ana Sofia Antunes, rever a composição das Equipas de Crianças e Jovens, “que são quem acompanha os processos das crianças na fase em que eles passam para a esfera do Ministério Público” e, provavelmente, “reforçar um pouco as competências destas equipas” e “melhorar a articulação e a transmissão de informação das CPCJ para essas equipas”.

Recorde-se que as CPCJ só têm competência para acompanhar as crianças com o consentimento das famílias. Quando ele não existe (ou quando deixa de existir), os processos passam para os tribunais; isso também acontece sempre que há suspeitas de abusos sexuais.

Em 2014, as CPCJ acompanharam 73.019 processos de crianças, entre novos e transitados de anos anteriores.

“Estas equipas da Segurança Social nos tribunais têm um trabalho imenso, muito administrativo, que muitas vezes não lhes permite fazer um acompanhamento mais directo e prático das situações. É preciso reforçá-las”, acrescenta Ana Sofia Antunes.

Se o problema está diagnosticado, quando vai haver reforço? “Neste momento não consigo avançar nenhuma medida concreta em relação a isso, é um trabalho que ainda vou ter de encontrar forma de fazer e de financiar. É uma questão humana e orçamental, claro.”

CPCJ vão ser reforçadas

Já as CPCJ vão ter mais meios, promete. Cada uma das mais de 300 que existem no país vai ser reforçada com um técnico superior a tempo inteiro ainda este ano. “Pelo menos um por CPCJ é o que pretendemos. Estamos a falar de assistentes sociais, psicólogos, professores, técnicos de saúde, perfis muito diversos.” A maioria dos elementos que compõem as CPCJ — que são destacados pelos ministérios da Saúde, Educação e Segurança Social, por exemplo — trabalham nestas estruturas a tempo parcial, acumulando as funções nos serviços de origem, o que é ciclicamente apontado como um problema grave.

A coordenação e avaliação das CPCJ cabem à comissão nacional que, nos últimos meses, tem vivido uma situação de indefinição. Em Agosto foi publicado um decreto-lei que introduziu uma série de mudanças. A nova comissão nacional, com poderes acrescidos, deveria ter começado a funcionar nos 30 dias seguintes. O que se passou? Resposta da secretária de Estado: “O prazo não pôde ser cumprido, como todos compreenderão, por causa do período de instabilidade política que se viveu e da mudança governativa.” Foi preciso que os ministérios se organizassem para nomear os comissários, diz.

O novo diploma não muda só o nome da antiga Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco para o ainda mais comprido Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens. “Para ser franca tenho algumas dúvidas sobre o que está no diploma, sobretudo no que diz respeito às comissões regionais que ele cria”, uma espécie de estruturas intermédias, entre as CPCJ e a comissão nacional.

“Mas, nesta fase, aquilo que me preocupou não foi ver se a lei estava bem ou mal desenhada”, diz a governante. “O que era importante era que a comissão nacional estivesse a funcionar, que estivesse reforçada de meios técnicos e humanos e que estivesse a articular devidamente com os parceiros, com o Ministério Público e com os tribunais, porque a situação estava a ficar delicada”, admite. Uma vez a funcionar, o novo sistema será avaliado e, se for caso disso, sofrerá mudanças.

Na primeira reunião da nova comissão nacional “foram constituídos grupos de trabalho”, explicou ao PÚBLICO o recém-renomeado presidente, Armando Leandro. Segue-se “a instalação das comissões regionais”, a definição do “apoio logístico, financeiro e dos tempos atribuídos às CPCJ [por cada entidade que nelas participam]” e a definição de “planos de formação inicial e contínua” para as pessoas que nelas trabalham.

O novo organismo é constituído por 19 comissários, designados por entidades que vão dos ministérios da Justiça e da Saúde ao provedor de Justiça e Procuradoria-Geral da República. Pela primeira vez há também elementos designados pelo Ministério da Administração Interna, pela Secretaria de Estado da Juventude, pela Confederação Nacional das Associações de Pais e pelo Conselho Nacional de Juventude. O presidente foi nomeado pelo primeiro-ministro.

A comissão nacional passa a ter um orçamento próprio — 11 milhões de euros este ano, segundo Ana Sofia Antunes, mais cerca de um milhão do que no ano passado. Foi, diz, o possível.

Armando Leandro designado para o 5.º mandato

O despacho que nomeia o juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça jubilado, Armando Leandro, presidente da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens foi assinado nesta quarta-feira pelo primeiro-ministro, António Costa, mas ainda não foi publicado em Diário da República.

Desde 2005 que Armando Leandro, 81 anos, tem sido sucessivamente designado para esta missão. Este será o seu quinto mandato à frente do organismo que coordena as CPCJ. “O senhor juiz é a melhor pessoa, dá-me uma tranquilidade muito grande no exercício desta missão porque tem um conhecimento ímpar destas matérias. É a pessoa ideal para assegurar este processo de transição” para a nova comissão nacional, criada pelo novo quadro legal publicado pelo anterior Governo, diz a secretária de Estado.

Armando Leandro desempenhou, entre outras, as funções de delegado do Procurador da República, juiz de Direito e director do Centro de Estudos Judiciários. Publicou vários trabalhos ligados ao Direito de Menores e de Família e formação de magistrados, foi também coordenador nacional do Projecto Vida (prevenção da toxicodependência) e presidente da Assembleia-Geral da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima.

 

 

Conferência “Em Louvor da criança: Mil horizontes para te amar” 8 abril na Amadora

Abril 5, 2016 às 12:30 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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amadora

Inscrições até ao próximo dia 6 de abril, através do endereço de correio eletrónico secretariadocpcjamadora@gmail.com, indicando o nome, instituição e contactos.

mais informações no link:

http://www.cm-amadora.pt/noticias-solidaria/1978-8-abril-conferencia-em-louvor-da-crianca-mil-horizontes-para-te-amar

 

Criança à procura de comida no lixo é ignorada por centenas de pessoas

Abril 5, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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texto do Diário de Notícias de 22 de março de 2016.

Vídeo mostra como até houve quem metesse lixo no caixote enquanto o rapaz o remexia. Poucos ofereceram ajuda.

Uma criança, suja e de roupa rasgada, procura comida num caixote do lixo. Muitas pessoas vão passando, ignorando o rapaz. Até há quem meta o lixo no caixote enquanto a criança o remexe. Um homem tira uma fotografia. “Será que se preocupa o suficiente para ser polícia?” é o mote do vídeo de uma experiência social da polícia da Nova Zelândia, que revela como uma criança com fome é ignorada pela maioria das pessoas que passa por ela.

“Filmámos várias experiências sociais que exploram situações que os nossos agentes lidam diariamente e que envolvem a segurança das pessoas mais novas e mais vulneráveis da nossa comunidade. Queríamos ver como as pessoas ajudariam”, explicou a responsável pelo departamento de comunicação da polícia, Karen Jones, citada pelo The Guardian.

O vídeo foi realizado no centro de Auckland durante 35 minutos. O rapaz era um ator, mas as restantes pessoas não sabiam que estavam a ser filmadas. Cerca de 500 passaram naquela zona nesses minutos, segundo a polícia. Só dez pararam para falar com a criança.

 

 

 

Estará a escola menos alinhada com as expectativas dos alunos?

Abril 5, 2016 às 9:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Educare de 30 de março de 2016.

Snews

Um estudo internacional sobre a adolescência mostra que apenas 11% dos rapazes e 14% das raparigas portuguesas, de 15 anos, gostam muito da escola. “Temos de modernizar processos e arejar os corredores da administração”, afirma Margarida Gaspar de Matos, coordenadora nacional do estudo. O país tem de parar para pensar.

Sara R. Oliveira

Há boas e más notícias. Os jovens portugueses sentem-se apoiados pela família, são dos que mais tomam o pequeno-almoço todos os dias, os consumos de álcool andam ligeiramente abaixo da média de outros países. Mas são também dos que menos gostam da escola, que dizem sentirem-se pressionados por ela e que não se veem como bons alunos. Os dados surgem no Health Behaviour in School-Aged Children, da Organização Mundial da Saúde (OMS), estudo internacional sobre a adolescência feito de quatro em quatro anos. Na edição de 2014-2015 participaram 200 000 adolescentes europeus e do Norte da América de 42 países, de escolas com o 6.º, 8.º e 10.º anos de escolaridade. Do total, 6.000 alunos são portugueses.

Quando a pergunta é se gostam ou não da escola, Portugal surge em 33.º lugar em 42 – apenas 11% dos rapazes e 14% das raparigas de 15 anos dizem que gostam muito da escola. No estudo, cerca de 25% dos adolescentes dos 42 países afirmam que gostam bastante da escola. E só 35% das raparigas e 50% dos rapazes portugueses consideram que têm bom desempenho escolar, quando a média dos 42 países é de 60%. Margarida Gaspar de Matos, psicóloga e investigadora da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, coordenadora do estudo no nosso país, lembra que a relação dos adolescentes portugueses com a escola vem de longe, pelo menos de 1998. Mas em 2014, a situação piorou e eles respondem que deixaram de gostar da escola. “Dizem que as matérias são desinteressantes e demasiadas, referem muita pressão dos pais para as notas. E, no geral, a escola está menos alinhada com as suas expectativas de futuro”, refere ao EDUCARE.PT.

Há políticas que lhe custam a engolir, “cujo racional teórico” lhe custa a entender. O aumento de horas em algumas disciplinas é um exemplo. “É mesmo muito ingénuo pensar-se que o insucesso escolar se resolve com mais horas ‘do mesmo’. Penso que ninguém acredita nisto”, diz. A carga horária portuguesa é excessiva em comparação com a generalidade dos países europeus. “Há qualquer coisa nos métodos de ensino, na sequência das aprendizagens, na seleção dos assuntos prioritários e basilares, no sistema de avaliação, na dinâmica social e educativa das escolas, etc., que devia fazer parar o país para pensar”, defende.

A ligação à família, mais refeições em conjunto, os baixos consumos de álcool, os cuidados nas relações sexuais são boas notícias. No geral, há uma boa relação com os pais e uma boa perceção do suporte parental, tanto a nível nacional como na comparação internacional. Portugal está em 1.º lugar no jantar todos os dias com a família, com 80% das raparigas e 79% dos rapazes a responderem que o fazem. Onze por cento dos rapazes e 4% das raparigas contam que bebem álcool pelo menos uma vez por semana e 7% dos rapazes e 4% das raparigas revelam que fumaram cannabis nos últimos 30 dias – aqui o nosso país surge em 27.º lugar. Além disso, 26% dos rapazes já tiveram relações sexuais, 13% das raparigas também, 73% dos rapazes e 75% das raparigas usaram preservativo na última relação sexual, quando a média do estudo é de 65% – e aqui Portugal ocupa a 7.ª posição.

“Temos, pois, uma geração de pais de filhos adolescentes atentos e empenhados.” Os consumos têm vindo a baixar, as políticas públicas da última década focam-se no assunto. Mas é preciso estar atento para a questão das “alternativas”. “Temos um estudo recente que refere que os jovens consomem álcool para se divertir, para ‘aumentar’ competências, para enfrentar situações difíceis e para ‘seguir’ o grupo de pares”, revela a investigadora. “Uma estratégia nacional de prevenção do consumo, a médio e a longo prazo, devia encarar esses motivos e prever alternativas para cada um deles: divertimento sem consumos, promoção de competências socioemocionais e relacionais, autorregulação de estados emocionais negativos, promoção da coesão social e do suporte social.”

Atuação ‘mikado’ é inútil e cara

Margarida Gaspar de Matos está preocupada com alguns indicadores. A falta de gosto dos alunos pela escola, o stresse que ela provoca, o facto de não a encararem como um recurso, a falta de expectativas face a um futuro onde a escola tenha lugar, estão na sua lista. Os alunos acham as aulas desinteressantes e as matérias excessivas. Dizem que a comida da escola é muito má, numa altura em que, lembra, “aumentou o número de alunos que vão para a cama com fome por não terem comida em casa”.

A falta de satisfação com a vida também a preocupa, comparativamente com os outros adolescentes do estudo. Aqui Portugal ocupa a 36.ª posição com 83% dos rapazes e 74% das raparigas a responderem que estão bastante satisfeitos com a vida. “Escrevemos recentemente um artigo nos Arquivos da Medicina a que chamamos ‘Os adolescentes portugueses ainda estão saudáveis, mas já não estão felizes’. Temo bem que com esta insatisfação as questões associadas ao risco e à falta de saúde reapareçam no próximo estudo”, observa.

Perante alguns dados preocupantes, é preciso parar para pensar. Promover um debate com especialistas e populações afetadas. Fazer um diagnóstico da situação, estabelecer programas integrados com objetivos a curto, médio e longo prazos, de forma que sejam concretizados de modo pragmático e monitorizado, com avaliação permanente dos resultados. “Estas ações necessitam de condições de implementação.” “É inútil e dispendiosa uma atuação ‘Mikado’: assim, de repente, recolhe-se tudo o que foi feito e faz-se de novo uma coisa completamente diferente, sem avaliação prévia nem previsão de avaliação posterior. Assim andamos aos círculos e perdemos tempo e dinheiro.”

Como devem as escolas enquadrar estas conclusões? O que tem de mudar? “Não há soluções simples para assuntos complexos, multifacetados e, ainda por cima, ‘crónicos’”, responde. A coordenadora nacional do estudo defende que é necessário analisar escolas com boas práticas e tornar esses processos explícitos, aprender com as práticas de países onde as coisas correm bem, ouvir professores e alunos para os envolver e depois responsabilizar. “Temos de modernizar processos e arejar os corredores da administração. A morosidade dos processos e os seus meandros não ajudam. Enfim, não será fácil, mas tem de ser feito.”

A Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto referiu, publicamente, que o desporto escolar, a promoção de hábitos de vida saudável, a educação para a cidadania e a valorização da educação não formal são assuntos prioritários. A investigadora concorda. “Eu diria que o caminho é por aí, só espero que esta declaração de intenções não seja uma ‘lista de intenções de Ano Novo’”. É preciso arregaçar as mangas e partir para a ação. “Estamos todos muito fartos de documentos muito bem feitos, cheios de intenções sensatas e cientificamente adequadas, mas que depois demoram anos a implementar, ou se implementam e duram um trimestre, ou são estrangulados pela máquina administrativa que tem uma inércia milenar, ou são reduzidos a uma ‘caricatura’ de si mesmos e concretizados nos mínimos.”

“Precisamos de modernizar e agilizar todos estes processos. Precisamos de uma cultura de investigação-ação. Precisamos de uma dinâmica construtiva. Precisamos de aceitar uma avaliação e monitorização como parte de uma construção de algo melhor.” Na sua opinião, o caminho é por aqui.

 

 

 

2º Encontro Anual da APDJ “O Tronco, esse Pilar … reflexões sobre a Intervenção em contexto familiar”

Abril 5, 2016 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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apdjmais informações:

http://www.apdj.pt/

 

 


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