Antibióticos podem deixar de conseguir tratar infeções urinárias nas crianças

Março 22, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 16 de março de 2016.

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Vera Novais

As crianças são o grupo etário que mais antibióticos toma. Se desenvolverem bactérias resistentes, em especial a Escherichia coli, os antibióticos podem deixar de tratar as infeções urinárias.

Os antibióticos podem deixar de ser eficazes no tratamento de infeções urinárias em crianças. Este é o grupo etário a quem é dado mais antibióticos, potenciando o aparecimento de bactérias resistentes e tornando ineficazes os tratamentos. A resistência aos antibióticos pode manter-se mesmo ao fim de seis meses depois da toma dos medicamentos, revela um estudo agora publicado na revista científica British Medical Journal.

“Os nossos resultados sugerem que a prevalência de bactérias Escherichia coli resistentes aos antibióticos é elevada e esta resistência é particularmente alta no grupo com menos de cinco anos”, disse Ceire Costelloe, coordenadora do estudo e investigadora no Imperial College London. “Isto sugere que a prescrição dos antibióticos mais comuns para as infeções urinárias possa deixar de ser aconselhável como opção de primeira linha.”

De cada vez que tomamos um antibiótico, destinado a matar as bactérias do organismo, matamos não só as bactérias que nos provocam a doença, mas também as chamadas “bactérias boas” que são essenciais para o funcionamento do nosso organismo e que nos ajudam a controlar as “bactérias más”. Mas, por vezes, acontece que o antibiótico não mata todas as bactérias que nos deixam doentes. As que sobrevivem são resistentes ao antibiótico e multiplicam-se. Se usarmos o mesmo antibiótico logo após isso, as bactérias podem voltar a resistir e o medicamento deixar de tratar a doença.

Os antibióticos são importantes para o tratamento de infeções com bactérias, mas não têm qualquer função no tratamento de infeções com vírus ou com outros patogéneos. Logo, os antibióticos não tem qualquer efeito no tratamento de gripes, nem de qualquer “virose”. Pelo contrário, os antibióticos são aconselhados no tratamento de infeções urinárias com Escherichia coli pelo perigo de outras complicações. Mas se as bactérias se tiverem tornado resistentes ao antibiótico, o tratamento não tem qualquer efeito.

As pessoas cujas bactérias se tornam resistentes aos antibióticos são potenciais focos de disseminação deste tipo de bactérias. As crianças são normalmente um veículo de transmissão de vírus e bactérias entre si e para os adultos, se tiverem bactérias resistentes aos antibióticos, o caso torna-se mais grave. Também por este motivo, a Organização Mundial de Saúde assume que a resistência antimicrobiana é um dos mais preocupantes problemas de saúde pública.

“O nosso estudo sugere que os decisores políticos e os profissionais de saúde precisam de avaliar com cuidado que tipo de antibiótico prescrevem aos doentes”, disse Ceire Costelloe. “Apesar dos antibióticos serem essenciais no tratamento de infeções em crianças – e devem ser tomados se forem prescritos -, as recomendações europeias e norte-americanas dizem que se a resistência a um determinado antibiótico for superior a 20%, este medicamento deve deixar de ser usado como tratamento de primeira linha.”

Para evitar o desenvolvimento de resistência aos antibióticos:

  • usar antibióticos exclusivamente para tratar infeções bacterianas;
  • cumprir a medicação até ao fim;
  • tomar antibióticos apenas sob prescrição médica;
  • não tomar antibióticos antigos, nem partilhar esses medicamentos;
  • não manter um tratamento com antibióticos durante um longo período de tempo;
  • não tomar o antibiótico mais forte quando um mais fraco seria suficiente e não tomar um antibiótico mais fraco quando era necessário atacar a infeção de uma forma mais agressiva e eficaz;
  • não usar um antibiótico generalista em vez de utilizar um antibiótico mais específico para a bactéria em causa.

Proponha uma correção, sugira uma pista: vnovais@observador.pt

 

 

 

 

Maus tratos dominam denúncias à Linha SOS Criança

Março 22, 2016 às 4:07 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 21 de março de 2016.

Maus tratos físicos e psicológicos, na família ou em instituições, e menores em perigo de vida representaram quase metade das 1 857 denúncias feitas, em 2015, à linha telefónica de emergência do Instituto de Apoio à Criança. E foram reportados 61 desaparecimentos de crianças e jovens.

Plácido Júnior

No relatório preliminar dos dados da Linha SOS Criança referentes a 2015, a que a VISÃO teve acesso, verifica-se que o maior número de casos sinalizados, 272, se relacionam com negligência. Logo depois, com 198 casos reportados, surgem as situações em que a vida de menores se encontra mesmo em perigo. Já os maus tratos físicos na família ascendem a 137 denúncias.

Os maus tratos psicológicos na família contam 105 registos, enquanto os perpetrados por terceiros chegam aos dez alertas. Em crianças e jovens institucionalizados, a negligência é sinalizada em 14 casos, os maus tratos físicos em 15 e os maus tratos psicológicos em dez. Até aqui, temos 41% (ou 761 casos) das 1 857 denúncias feitas, em 2015, àquela linha telefónica de emergência.

Noutros segmentos, o bullying soma 38 sinalizações e o abuso sexual 36. Nestes e nos casos atrás mencionados, as vítimas têm idades entre nove e 14 anos.

CRIANÇAS E JOVENS DESAPARECIDOS

Foram reportados 61 desaparecimentos de crianças e jovens, maioritariamente com idades entre 14 e 16 anos. Mas existem também situações em que os desaparecidos têm entre 11 e 13 anos. São sobretudo fatores de risco associados a estes casos problemas familiares e de comportamento, a que acrescem, para lá dos maus tratos, a fuga com amigos e o desejo de aventura.

Em 2014, dos 62 casos reportados de crianças e jovens desaparecidos, 25 assim continuavam no final do ano. Quanto a 2015, o Instituto de Apoio à Criança (IAC) ainda desconhece esse dado.

As famílias monoparentais encontram-se no topo do grupo doméstico das crianças sinalizadas (359), seguidas de perto pelas famílias tradicionais (354). Há depois os agregados reconstruídos (164), os alargados (132) e os não identificados (340).

No ranking de quem denuncia, surgem, por ordem decrescente, a mãe (248 casos), a vizinhança (227), alguém da comunidade (143), a avó (135), o pai (122) e a própria criança (118).

O IAC trata e encaminha as situações para a PJ, PSP, GNR, Comissões de Proteção de Menores e Jovens em Risco e escolas.

 

 

 

 

Estudo mostra que 7% dos jovens foram vítimas de violência no namoro

Março 22, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Um inquérito realizado a 2500 jovens, entre os 12 e os 18 anos, mostra como é consentida a violência no namoro e lança o debate sobre as questões de género em casa e na escola.

Abordar as questões de género em casa e na escola é mais importante do que pode parecer. “Ainda estamos inseridos numa sociedade que entende que o homem tem mais poder do que a mulher”, argumenta a criminóloga Ana Guerreiro, da UMAR, a propósito do mais recente inquérito sobre violência no namoro realizado junto de 2500 jovens entre os 12 e os 18 anos.

O estudo revela que entre os jovens que já namoraram, 7% admitem ter sido vítimas de algum tipo de violência física ou psicológica por parte do companheiro ou da companheira. No que diz respeito à violência sexual, 4,5% foram pressionados para terem relações sexuais ou para beijarem em público.

“O facto de haver uma pressão para beijar à frente de outra pessoa tem subjacente uma ideia de mostrar aos outros que aquela pessoa é minha. É um sentimento de posse e, por isso, insere-se na violência sexual”, explica ao EDUCARE.PT Ana Guerreiro.

Além da prevalência da violência no namoro, o estudo desenvolvido ao longo de quatro meses pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) aborda também a questão da legitimação. Os investigadores quiseram perceber como os jovens encaravam um conjunto de comportamentos associados à violência. Entre os 2500 inquiridos, uma média de 22% dos jovens consideram normal os comportamentos violentos (todos os tipos). “O que é muito!”, constata Ana Guerreiro.

“Realmente alarmante”, considera a investigadora, é a percentagem de 23% de jovens que consideram normal a violência sexual, que engloba o beijo público à força e a pressão para o sexo. Já 9% dos inquiridos de ambos os sexos não consideram violentos comportamentos como dar pontapés, empurrões, agarrar num braço e fazer pressão para que responda. No entanto, “a violência física não tem necessariamente de deixar marcas”, esclarece a investigadora.

A violência psicológica pode não causar nódoas negras, mas deixa marcas. Ainda assim, 24,3% consideram normal entre namorados comportamentos como: chamar nomes e humilhar, controlar o telemóvel (para ver, por exemplo, as mensagens enviadas ou recebidas), controlar as redes sociais, controlar a roupa que vai vestir ou proibir de utilizar determinado tipo de roupa, controlar com quem sai ou fala e as próprias proibições de falar ou de estar com alguém.

Entre rapazes e raparigas
Desagregando os dados por sexos, Ana Guerreiro fala numa “diferença alarmante” nas respostas dadas. Quase um terço dos rapazes (32,5%) acham legítimo exercer violência sexual sobre as namoradas. Por outro lado, 14,5% das raparigas não reconhecem como violência o ato de serem forçadas a darem um beijo ou pressionadas para o sexo.
Mais do dobro dos rapazes, em relação às raparigas, legitimam comportamentos que se inserem nas categorias de violência física e sexual. Outros dados mostram ainda que 16% dos rapazes consideram normal forçar o/a companheiro/a a ter relações sexuais.

A conclusão não surpreende a criminóloga: “As raparigas sempre foram educadas para uma submissão, os rapazes para o controlo e se sempre foram educados assim vão reproduzir esses comportamentos que lhes chegam de cima.”
O estudo contou com inquiridos que frequentam escolas do Grande Porto, Braga e Coimbra e foi desenvolvido no âmbito do projeto Artways – Políticas Educativas e de Formação contra a Violência e Delinquência Juvenil.

A média de idades dos grupos inquiridos ronda os 14 anos. Razão pela qual Ana Guerreiro considera os números “preocupantes”. Lembrando que a UMAR faz estudos sobre violência de namoro desde 2009, a criminóloga salienta que em relação ao ano anterior, os dados mostram poucas mudanças ao nível da vitimação.

Na violência sexual há uma subida de 0,5%. No entanto, “tal não significa um maior número de casos de violência”, diz Ana Guerreiro. “Pode ser resultado de reconhecimento de que ela existe, ou seja, antes os jovens não reconheciam aquele comportamento como violência e agora passam a reconhecer. O que pode ser fruto do trabalho que a UMAR tem feito nas escolas.”

A associação sem fins lucrativos trabalha há 12 anos na prevenção primária da violência nas escolas. Especialistas nas questões de género atuam ao nível da prevenção usando metodologias artísticas. “Privilegiamos o trabalho contínuo e sistemático”, explica Ana Guerreiro, acrescentando que o objetivo “é colocar os jovens a refletir sobre determinado tema e promover comportamentos saudáveis e pró-sociais.”

Ter técnicos exteriores ao ambiente escolar a abordar as questões de género é vantajoso para alunos e docentes, garante Ana Guerreiro: “Não só chama mais a atenção aos jovens como tira alguma carga aos professores que além de terem o currículo para lecionar, muitas vezes, não têm formação, nem se sentem à vontade para falar destes temas.”

O projeto da UMAR nas escolas está pensado para intervir ao longo de três anos com a mesma turma. “O primeiro ano serve para conhecer a turma e sensibilizar para o tema, no segundo há um trabalho de consciencialização e no terceiro de conscientização, em que as temáticas começam a fazer parte do dia a dia dos jovens.” Apesar do trabalho estar a ser bem acolhido, segundo Ana Guerreiro, muitos pedidos das escolas ficam sem resposta por falta de recursos. “O ideal seria que se implementasse um programa nacional”, conclui.

 

Andreia Lobo para EDUCARE.PT em 8 de Março de 2016

 

Oficina de Formação: EU E OS OUTROS Gestão de Conflitos e Prevenção da Violência nas Escolas

Março 22, 2016 às 6:20 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Oficina de Formação: EU E OS OUTROS
Gestão de Conflitos e Prevenção da Violência nas Escolas

Parceria entre o Centro de Formação Rui Grácio e a DGESTE-DSRAL, Ministério da Educação.

Formadoras: Rita Ribeiro e Maria Esteves.

Actividade no âmbito da Educação para a Paz, uma das prioridades da ASPnet – UNESCO.

15 horas de formação / Início: 6 de Abril 2016 / 17.00h-20.00h

Inscrições online até 31 de Março no link:
http://goo.gl/forms/BKBMVgDJB5

 


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