Estudo conclui que filhos de mães pouco escolarizadas tendem a ser obesos

Março 19, 2016 às 6:34 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 11 de março de 2016.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Impact of Low Maternal Education on Early Childhood Overweight and Obesity in Europe

LUSA

Em Portugal, 21% das crianças têm excesso de peso e 6,5% são obesas.

Dois investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) participaram num estudo internacional que conclui que os filhos de mães com baixa escolaridade apresentam um risco maior de terem excesso de peso e obesidade.

De acordo com um comunicado sobre o estudo enviado pelo ISPUP, no qual participam os investigadores Henrique Barros e Sofia Correia, da Unidade de Pesquisa de Epidemiologia daquele instituto, em Portugal registaram-se “percentagens elevadas e excesso de peso e de obesidade e uma percentagem elevada de mães pouco escolarizadas”.

Apesar das desigualdades de género terem sido semelhantes às observadas em outros países europeus, a diferença absoluta na proporção de excesso de peso entre os extremos de escolaridade foi “particularmente elevada nas raparigas”, acrescenta.

Portugal apresentou uma percentagem de 21% de crianças com excesso de peso (resultado parecido com o observado em Espanha e Reino Unido), variando entre 9% na Holanda e 24% na Grécia e em Itália, lê-se na nota informativa. Em relação à obesidade, o estudo mostrou variações entre 1% em França e 6.5% em Portugal.

Para a investigação Impacto da Baixa Escolaridade Materna no Excesso de Peso e Obesidade na Primeira Infância na Europa foram recolhidos dados de 11 estudos europeus de coorte – projectos prospectivos em que os participantes são avaliados ao longo do tempo.

Esses estudos, iniciados em fases “muito precoces”, levaram a num total de 45 413 crianças entre os 4 e os 7 anos, tendo os dados nacionais sido recolhidos no âmbito do projecto Geração XXI, coorte que segue mais de 8500 crianças desde o nascimento (em 2005-2006).

“Independentemente de outras características, o risco de excesso de peso em crianças de mães pouco escolarizadas foi cerca 1.6 vezes superior ao daquelas no topo da hierarquia”, valor que aumentou para 2.6 quando avaliado o risco de obesidade, explicou Sofia Correia. “Em termos absolutos, verifica-se uma diferença média entre os extremos de escolaridade na proporção de excesso de peso e de obesidade de quase 8% e 4%, respectivamente”, acrescentou.

Durante o estudo foram também observadas diferenças sociais na composição corporal das crianças em diferentes países europeus, o que pode contribuir para “perpetuar a desvantagem social” em saúde nos próximos anos, informa ainda o comunicado.

Os autores do estudo concluem que estes resultados “reforçam a urgência de uma intervenção precoce, mesmo antes do nascimento, no sentido de alcançar equidade em saúde”.

Publicação de fotografias dos filhos online pode dar prisão em França

Março 19, 2016 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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144492855_770x433_acf_croppedAFP/Getty Images

Pais franceses podem ser processados pelos filhos devido a uso indevido de imagem, podendo até enfrentar pena de prisão. Tudo em nome do direito à privacidade e, também, da segurança.

Os pais franceses estão a ser avisados para fazerem um maior controlo na publicação de fotografias dos filhos. Estes avisos surgem para prevenir que as crianças processem os pais mais tarde, por atentarem contra a sua privacidade, ou por terem posto em causa a sua segurança.

A lei francesa prevê que os pais podem pagar uma multa até aos 45.000€, ou enfrentar um ano de prisão, caso sejam considerados culpados por publicarem detalhes íntimos de outrem, mesmo dos filhos. Caso as publicações não possuam consentimento expresso das duas partes, estas violam o direito à privacidade, expresso na lei francesa.

Eric Delcroix, advogado especialista em lei cibernética, citado pelo Telegraph, afirma que “daqui a poucos anos, as crianças poderão facilmente levar os pais a tribunal por publicarem fotografias suas de quando eram mais novas”. Estes processos poderão mesmo originar largas compensações monetárias para os queixosos.

Delcroix declara que os pais deviam pensar sobre como algumas fotografias publicadas nas redes sociais podem fazer as crianças sentir-se, mais tarde. Em declarações ao Le Figaro, o advogado explicou que, em certos períodos da sua vida, os jovens não gostam de ser fotografados ou que publiquem as suas fotografias.

O vice-presidente de desenvolvimento do Facebook, Jay Parikh, já revelou a vontade de aquela rede social criar um serviço que questione o utilizador que tenta colocar uma fotografia dos seus filhos. Parikh pretende que, caso essa tentativa de partilha aconteça, apareça uma mensagem a perguntar se o utilizador deseja mesmo partilhar aquela fotografia com todos os seus contactos.

A polícia francesa, após uma conferência convocada por Jay Parikh, voltou a lançar avisos sobre os perigos de publicar fotografias de familiares online. A polícia referiu ainda que ao colocar fotografias das crianças nas redes sociais, os pais as podem estar a expor a predadores sexuais.

Viviane Gelles, advogada especializada em casos relacionados com a Internet, relembra que a lei francesa prevê o papel dos pais como “responsáveis por proteger a imagem dos seus filhos.”

As autoridades colocaram um aviso aos pais na sua página do Facebook, onde se podia ler: “Postar fotografias dos seus filhos no Facebook não é livre de perigos… Protejam as vossas crianças!” Alguns pais foram até forçados a retirar fotografias mais íntimas dos seus filhos, como forma de proteger os mesmos.

Observador, em 2 de março de 2016


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