Jogo leva reflexão sobre direitos humanos para sala de aula (download gratuito)

Março 18, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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Em uma sequência de 12 missões, os jogadores desenvolvem estratégias para impedir violações de direitos que aparecem em manchetes fictícias de jornais

Como levar o debate sobre direitos humanos para dentro da sala de aula? Para auxiliar educadores que desejam trabalhar o tema, o Senac São Paulo e a associação Palas Athena lançaram, na última terça (23), o jogo Diário de Amanhã. Com chancela da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), o recurso virtual usa situações cotidianas para propor a reflexão, discussão e prática dos princípios apresentados na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

A ferramenta surgiu a partir da necessidade de encontrar uma maneira leve e criativa para debater o assunto, aproximando as discussões da realidade de adolescentes e jovens. “A Declaração Universal dos Direitos Humanos é um documento complexo. Quando você lê um artigo, não é muito fácil transpor para uma situação cotidiana”, explica Regina Paulinelli, coordenadora da área de tecnologias sociais e desenvolvimento humano do Senac São Paulo.

O Diário de Amanhã combina interações virtuais na ferramenta e o trabalho presencial em equipe. Antes de começar a atividade, o educador deve dividir a turma em cinco equipes. Cada grupo pode criar um nome e fazer a escolha de um avatar, com opções que contemplam diferentes visuais, etnias, tons de pele e cabelos.

O jogo inicia com um vídeo explicativo sobre direitos humanos e, em seguida, as equipes devem responder perguntas em um formato de quiz. A sugestão da ferramenta é que os alunos façam placas em folhas de papel para mostrarem a opção escolhida em cada questão. As respostas são anotadas no jogo e vão somando pontos para os grupos, como uma espécie de gincana.

Na tentativa de estimular o engajamento dos alunos e trazer uma abordagem mais contextualizada, a segunda fase do jogo propõe uma sequência de 12 missões, em que são apresentadas manchetes fictícias que estariam nas capas dos jornais do dia seguinte. Com notícias ligadas à violações de direitos, como exploração sexual, bullying e discriminação, a tarefa dos jogadores é evitar que essas situações aconteçam. Para isso, eles devem selecionar alternativas com ações que atuam na defesa dos direitos humanos.

A ideia é mostrar que cada um pode contribuir de alguma forma para a melhoria de determinada situação

De acordo com Paulinelli, nesta fase não existem respostas certas ou erradas. Conforme cada grupo seleciona suas opções, eles somam pontos que ao final da atividade demonstram se eles atuaram como cientistas, ativistas, comunicadores, educadores ou juízes para contribuir com a solução do problema.  “A ideia é mostrar que cada um pode contribuir de alguma forma para a melhoria de determinada situação”, conta.

Com o intuito de ser viabilizado em qualquer tipo de escola ou organização, até aquelas que não contam com infraestrutura e conectividade, o jogo está disponível para download gratuito, com funcionamento off-line. Para ter acesso ao Diário de Amanhã é necessário apenas preencher um cadastro na página da instituição.

Marina Lopes 25 de fevereiro de 2016

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Histórias contadas em poesias inventadas – Comemoração do Dia Mundial da Poesia e Dia Internacional das Florestas – 21 de março na Estufa Fria

Março 18, 2016 às 6:02 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Comemoração do Dia Mundial da Poesia e Dia Internacional das Florestas
Na próxima segunda-feira, 21 de março 2016 entre as 14H00 às 18hH00 vamos celebrar este grande dia com Histórias contadas em poesias inventadas.

Pelo terceiro ano consecutivo, as Bibliotecas de Lisboa e a
Estufa Fria de Lisboa vão comemorar o Dia Mundial da Poesia e o Dia Internacional das Florestas, a 21 de março, realizando uma série de atividades para escolas, para famílias e público em geral, na Estufa Fria.

A poesia e a natureza fundem-se num lugar mágico e único, onde as palavras e a beleza do espaço originam momentos de lazer, criatividade e prazer. E em cada canto daquele oásis com mais de 300 espécies, plantam-se rimas e contos e descobrem-se plantas.

 

Violência doméstica: “Faltam famílias de acolhimento em Portugal”

Março 18, 2016 às 3:37 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 18 de março de 2016.

Marcos Borga

Márcia Galrão

A lei portuguesa prevê que até aos seis anos todas as crianças retiradas de casa por violência doméstica ou outros crimes sejam colocadas em famílias de acolhimento, mas a falta de estruturas destas no país faz com que a lei não esteja a ser cumprida

 A denúncia é do Diretor-Adjunto do Centro de Estudos Judiciários Paulo Guerra, que hoje apresenta os livros “Violência Doméstica – implicações sociológicas, psicológicas e jurídicas do fenómeno” e “Lei de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo Anotada”. Uma cerimónia que contará com a apresentação da ministra da Justiça, Francisca Van Dunem e com a presença da Ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa.

Para o juiz é preciso uma “campanha de sensibilização junto das famílias portuguesas e esse é o grande desafio para o Estado neste momento”. A Lei de Proteção de Crianças e Jovens em perigo “é boa”, diz Paulo Guerra, mas a falta de famílias de acolhimento dificulta a sua aplicação. “Não podemos esquecer que as crianças são também grandes vítimas da violência domésticas, porque mesmo que não sejam tocadas assistem a essa violência e isso afecta-as a nível espiritual”, diz Paulo Guerra.

Para combater o “flagelo da violência doméstica que nos envergonha a todos”, nota Paulo Guerra, é também lançado agora o manual de boas práticas, em parceria com a Comissão Cidadania e Igualdade, e que servirá de base para juízes, psicólogos, advogados e todos os profissionais que lidam no terreno com o fenómeno. O livro “Violência Doméstica – implicações sociológicas, psicológicas e jurídicas do fenómeno” conta com textos de vários docentes e a coordenação científica de Paulo Guerra e Lucília Gago e incide sobretudo sobre o Direito do Trabalho e o Direito Penal. “Foi ano e meio de recolha e trabalho”, conta o juiz,

A apresentação dos livros será hoje, às 15 horas, no Salão Nobre do Ministério da Justiça.

 

 

 

3 técnicas simples para estudar e render mais

Março 18, 2016 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Os estudos costumam ser cercados de ansiedade e estresse. Como se organizar para estudar melhor? Um dado que parece claro na sociedade de hoje é que somos obrigados a “armazenar uma série de dados e de conhecimentos teóricos”, para obter um título, para escalar níveis e aspirar uma conquista pessoal e profissional determinada.

Entretanto, são poucos os currículos acadêmicos onde são incluídos o ato de ensinar os alunos a estudar, a saber gerenciar seu tempo, e, inclusive, a sua ansiedade. Todos nós já sofremos de estresse diante de uma situação de prova, e é comum que existam alunos que não saibam como enfrentar essas situações para poder demonstrar com efetividade todos os seus conhecimentos.

Em primeiro lugar, temos que ter claro que estudar não significa exclusivamente memorizar. As pessoas possuem essa capacidade de retenção, mas tendem a esquecer grande parte do que memorizam.

Só nos lembraremos daquilo que nos seja significativo, por isso é necessário estabelecer, primeiro, um nível de compreensão, de manejo da informação, de transformação, de forma que o que foi lido se instaure significativamente em nosso cérebro. Vamos ver melhor cada um dos passos.

1. Organização e planejamento do estudo
– É necessário estabelecer um horário. Saber quanto tempo você terá diariamente para realizar o seu estudo.

– Deve ser feita, também, uma escala de avaliação das matérias que sejam mais difíceis, dedicando mais tempo a elas.

– É imprescindível que, a cada dia, seja estabelecido também um tempo de descanso. Quando estudamos, é muito bom praticarmos algum esporte, como sair para correr, por exemplo.

– Você precisa ser realista, estabelecendo um horário que saiba que poderá ser cumprido.

2. Estratégias para cumprir o horário estabelecido
– Você deve compreender que o local que escolheu para realizar seus estudos deverá ser respeitado. Não deixe que amigos ou familiares lhe incomodem, não coloque coisas que o distraia, deixe o celular de lado e em silêncio.

– O normal é que se estabeleça momentos de 40 minutos. Nosso nível de atenção costuma baixar quando levamos três quartos de horas trabalhando, por isso você pode se organizar de 40 em 40 minutos, deixando 15 minutos de descanso entre eles.

– E o que fazer nesses 15 minutos de descanso, você vai se perguntar. Há três modos de relaxamento que serão muito úteis para recuperar novamente um bom nível de atenção. A primeira é olhar durante 10 minutos para alguma coisa que esteja a uma distância de 2 ou mais metros. Faça com tranquilidade, respirando suavemente, relaxando…

Depois, relaxe os músculos da sua cabeça, eleve suas sobrancelhas umas cinco vezes, mantendo-as alguns segundos tensionadas, depois relaxe. A terceira forma de relaxamento é bem simples. Basta respirar profunda e lentamente, durante dois minutos. É muito fácil e você irá recuperar a energia imediatamente.

3. O método L.S.E.R.M
Trata-se de um método fácil que nos ajudará a conseguir uma aprendizagem muito mais significativa, distanciando-se da simples repetição para memorizar.

L= Ler

O primeiro passo para o estudo é realizar a leitura do texto que deverá ser apreendido. É uma leitura exploratória e, depois, compreensiva. Precisaremos entender o que o texto nos diz, e refletir um pouco sobre o que ele nos deseja transmitir.

S= Sublinhar

Um clássico. Todos nós o fazemos, mas fazemos bem? Há quem sublinhe tudo, ou quem não sabe identificar o que é importante no texto. Assim, a leitura prévia é essencial. Se você não sabe o que sublinhar, o que podemos fazer é estabelecer perguntas. Diante de cada parágrafo, pense em uma pergunta e sublinhe qual poderia ser a resposta. O sublinhado deve nos dar, numa simples olhada, a informação realmente importante.

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E = Esquematizar

Você sabia que a memória registra melhor os desenhos do que as palavras? Se organizarmos a informação em um esquema, a lembrança será muito mais rápida e significativa. O esquema é uma técnica perfeita que permite a representação gráfica do resumo do texto, para que, só dando uma olhada, possamos ver o conteúdo e a organização das ideias do material de estudo.

R = Resumir e Repassar

É preciso ter claro que um bom resumo não deve superar 30% do total do texto. Precisaremos refletir somente as ideias importantes com as nossas próprias palavras, demonstrando que entendemos o tema. Não use trechos do texto, expresse-o de forma que o resultado seja inteiramente seu.

Depois disso, revise. Fale em voz alta, diga o que entendeu, reforce a informação com dados que possam estar faltando.

M = Memorizar

É o último passo, mas por ter realizado com êxito os anteriores, deverá ser fácil lembrar-se de tudo o que trabalhou. A finalidade é criar dados significativos. Se começarmos a querer memorizar desde o começo da primeira leitura, será um esforço exagerado e, no dia seguinte, não lembraremos de quase nada.

O melhor é memorizar um pouco a cada dia; olhe os seus esquemas, seus resumos, fale em voz alta, memorize de forma que o que introduzir em sua memória lhe seja familiar e útil.

Revista Pazes – 4 de março de 2016

Mais de 70% das crianças de 8 e 9 anos já consomem sal em excesso

Março 18, 2016 às 2:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 17 de março de 2016.

O documento citado na notícia é o seguinte:

Portugal – Alimentação Saudável em Números 2015

 

Paulo Spranger

Mais de 70% das crianças portuguesas de 8 e 9 anos e mais de 80% dos adolescentes dos 13 aos 17 anos consomem sal acima dos valores recomendados.

“O consumo de sal é uma guerra que temos de continuar a travar”, declarou Pedro Graça, coordenador do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, durante a apresentação do relatório “Portugal – Alimentação Saudável em Números 2015”.

Segundo o documento, na faixa etária dos 7 e 8 anos 74% dos meninos e 70% das meninas têm um consumo de sal inadequado. Dos 13 aos 17 anos, o nível de consumo excessivo de sal aumenta para 84% nos rapazes e para 72% nas raparigas.

Globalmente, os níveis de consumo de sal melhorarem em Portugal entre 2006 e 2012, mas continua a ser o país europeu com consumo salino mais elevado.

Pedro Graça lembrou que 40% da população portuguesa tem hipertensão e que o consumo de sal na alimentação é um dos fatores de risco para doenças cérebro-cardiovasculares.

“Considera-se que a redução de sal é um assunto prioritário e que o excesso de consumo de sal é um importante problema de saúde pública. É por isso necessário definir metas de redução quantificáveis e monitorizáveis ao nível do consumo”, indica o relatório apresentado pela Direção-Geral da Saúde.

Segundo as recomendações da Organização Mundial da Saúde, considera-se como meta a atingir a redução do consumo de sal entre 3% a 4% ao ano na população portuguesa, durante os próximos quatro anos, procurando alcançar um o consumo de sal de 5 gramas per capita/dia a atingir até 2025.

 

 

 

A escola mudou pouco, os adolescentes mudaram muito

Março 18, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 15 de março de 2016.

Marco Duarte

ANDREIA SANCHES

Reacções ao estudo da OMS sobre a adolescência, divulgado nesta terça-feira. Joaquim Azevedo, investigador da Universidade Católica, avisa que “a indisciplina cresce, cresce, cresce” cada vez mais.

No seu trabalho, Joaquim Azevedo, investigador da Universidade Católica, doutorado em Ciências da Educação, acompanha escolas diariamente. Visita-as, fala com alunos e professores. E regista o seguinte: “A indisciplina cresce, cresce, cresce” cada vez mais. E, com este clima na escola, “se os adolescentes se sentissem lá muito bem, isso é que era estranho”.

Este é o primeiro comentário que faz a uma das conclusões do grande estudo internacional sobre a adolescência, divulgado nesta terça-feira pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Um estudo que mostra que os adolescentes portugueses são dos que se sentem mais apoiados pela família, têm consumos de álcool ligeiramente abaixo da média observada noutros pontos do globo e, mais dos que os outros, quando têm relações sexuais usam preservativo. Boas notícias, portanto. Mas — e esta é a primeira má notícia — a escola em Portugal é pouco amada.

Dados: cerca de um quarto dos adolescentes de 15 anos dos 42 países e regiões participantes no estudo da OMS gostam “bastante” da escola. A Arménia tem o melhor resultado, a Bélgica francófona o pior. Portugal surge na 33.ª posição: só 11% dos rapazes e 14% das raparigas de 15 anos dizem que gostam muito da escola.

O problema não são os colegas — que são, na verdade, o que os portugueses mais gostam na escola. O problema são mesmo as aulas, consideradas aborrecidas, e “a matéria”, que é descrita como excessiva, explicou Margarida Gaspar de Matos, a investigadora que em Portugal coordena este estudo da OMS desde que, em 1998, o país começou a participar.

A indisciplina, prossegue Joaquim Azevedo, é, então, uma das culpadas. E tem crescido por muitas razões, diz. Uma delas é que “a escola não cativa”. Os professores queixam-se de que “os alunos chegam desmotivados”, o que “também é esquisito”, porque a motivação também se ganha na escola. Mas o facto é que “a escola mudou pouco e os adolescentes mudaram muito”.  E se se tenta ensinar “nativos digitais” de uma forma semelhante àquela que “existia há 50 anos”, como acontece, dificilmente os “nativos digitais” gostarão muito das aulas.

Segundo a OMS, os adolescentes portugueses são também dos que maior pressão relatam ter com a vida escolar: o país está na lista dos 10 onde, aos 15 anos, a “pressão com os trabalhos escolares” é maior, acompanhado da Finlândia e da Espanha, entre outros.

Os portugueses são, igualmente, dos que menos se têm em conta como alunos. É assim desde cedo: aos 11 anos, aparecem quase no fim da tabela, com a 38.ª pior auto-avaliação do seu desempenho escolar. Aos 15 é pior. Só 35% das raparigas e 50% dos rapazes consideram que têm bom desempenho escolar, quando a média dos 42 países é 60%.

A secretaria de Estado da Juventude e do Desporto, tutelada pelo Ministério da Educação, reconhece o problema e faz saber: “Torna-se prioritário encontrar novas formas de motivar os alunos para o infinito mundo de aprendizagens que a escola lhes pode dar: o desporto escolar e a promoção de hábitos de vida saudáveis são temas a que daremos total prioridade e que, esperamos, contribuirão para combater a insatisfação dos nossos jovens face à escola. Queremos ainda dar um novo fôlego à educação para a cidadania e à valorização da educação não formal, também enquanto ferramentas de educação para a diferença, fazendo frente aos níveis elevados de bullying a que tantos adolescentes estão sujeitos, conforme releva mais uma vez este estudo.”

“Currículo pouco amigável”

José Morgado, professor do departamento de Psicologia e Educação do ISPA-Instituto Universitário, também analisou os dados. E diz que esta conjugação — não temos uma relação forte com a escola, sentimo-nos pressionados por ela e achamos que não somos grande coisa como alunos — não existe por acaso. “É a tempestade perfeita.” E, em parte, tem a ver com o facto de “o sistema se ter orientado, de uma forma absolutamente excessiva para os resultados” — ou seja, para os exames e para as notas que neles se conseguem.

O professor de Psicologia aponta ainda o dedo ao “currículo pouco amigável” que se adoptou em Portugal. “Um currículo muito extenso, muito colado ao manual escolar.” Lembra que só entre o 1.º e o 9.º ano, o Governo definiu “mais de 900 metas” curriculares, enquantro “outros países andam a trabalhar para diminuir a extensão” dos currículos e torná-los “mais integrados”.

Mas para se sentirem bem na escola, continua Joaquim Azevedo, que integra o Serviço de Apoio à Melhoria das Escolas (uma estrutura da Católica) os adolescentes não precisam que ela seja fácil. “Uma escolha acolhedora é uma escola disponível para orientar” os jovens, “muito exigente em termos de ensino” e com bons professores, sublinha.

Outros países investiram muito “na melhoria das competências dos professores”, lembra, defendendo que, desde logo, 16 valores (numa escala que vai até 20) devia ser a média mínima exigida em Portugal a quem quer tirar um curso para ser professor.

Bullying é problema

Beatriz Pereira, investigadora do Centro de Investigação em Estudos da Criança, do Instituto de Educação, na Universidade do Minho, diz que coisas tão simples como dar oportunidade aos adolescentes de escolherem mais actividades escolares — teatro, desporto, canto, por exemplo, — e de as desenvolverem “ajudaria a reforçar os laços com a escola, a vestirem a camisola”. Dentro da sala, contudo, o que faz mesmo a diferença, concede, é o professor e, por isso, também acha que se deve apostar mais e mais na formação dos docentes.

Health Behaviour in School-aged Children, divulgado nesta terça-feira, é um estudo feito de quatro em quatro anos pela OMS. Baseia-se nas respostas de mais de 220 mil adolescentes europeus e do Norte da América (6000 portugueses). A recolha foi feita em escolas com 6.º, 8.º e 10.º anos, em 2014. O objectivo é avaliar hábitos, consumos, comportamentos, com impacto na saúde física e mental dos jovens. E a escola, diz-se, tem um enorme impacto.

O estudo não inclui perguntas que permitam aferir se a indisciplina, de que fala Joaquim Azevedo, aumentou ou não. Mas há dados sobre bullying por exemplo. Aos 11 anos,  entre 11% (raparigas) e 17% (rapazes) disseram que foram alvo de bullying na escola, “duas ou três vezes por mês nos últimos dois meses”. O país tem a 16.ª taxa mais alta de alunos de 11 anos que se dizem vítimas de bullying.

Aos 15 anos (entre 9 e 12% dizem-se vítimas) estamos comparativamente pior — em 12.º lugar em 42 países.

José Morgado diz que estudos nacionais até têm apontado para percentagens mais altas. Seja como for, uma coisa é certa: “O bullying continua a ser um problema, e é tão importante trabalhar com as vítimas como com os agressores, como com os assistentes — os alunos que assistem e que podem ter um papel mais activo”, nomeadamente na denúncia do problema nas escolas.

 

 

 

 

Embriagados 20 ou mais vezes. E apenas com 13 anos

Março 18, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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“Chocam-me estes valores em crianças. As raparigas estão a ultrapassar os rapazes”

Lugares preferidos: Bairro Alto e Santos, onde param mais jovens e não é preciso estar num espaço fechado. Marta e Pedro (nomes fictícios) têm 16 anos. Mas a primeira vez que experimentaram uma bebida tinham 14. Para ambos a estreia foi com vodka. Estavam com amigos e não quiseram ficar para trás. Pedro conta que nos dois anos seguintes era hábito ele e os amigos comprarem umas garrafas e ficar a beber. “Não ficávamos mal, talvez um pouco tocados”, conta. Já ela, gostava de shots “de tequila e absinto. Bebia três ou quatro e depois vomitava. Na altura não pensava que podia ser perigoso, agora sim”, referindo que com a nova Lei do Álcool, que penaliza a venda a menores de 18 anos, se tornou mais difícil.

Segundo o “Estudo sobre os Consumos de Álcool, Tabaco, Drogas e outros Comportamentos Aditivos e Dependências-2015″, do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e Dependências (SICAD), apresentado ontem, cerca de 30% dos jovens com 13 anos já beberam pelo menos uma vez na vida. Os valores sobem para dois em cada dez jovens desta idade quando se fala de consumos nos últimos 12 meses antes do estudo, que inquiriu cerca de 18 mil estudantes entre abril e maio de 2015 e que tem representatividade nacional.

Apesar do consumo ter descido em relação a estudos anteriores, os valores são preocupantes. Segundo Fernanda Feijão, autora do estudo, 5% dos alunos com 13 anos já se embriagaram uma vez na vida, o que representa perto de cinco mil. Nos últimos 12 meses a percentagem é 3% (cerca de três mil) e nos últimos 30 dias antes do estudo é de 1,6% (cerca de 1600 alunos). O que é embriaguez? Cambalear, dificuldade em falar, vomitar, não se recordar do que aconteceu. O estudo quis saber também quantas vezes se embriagaram estes jovens nos últimos 30 dias. As percentagens são pequenas nos 13 anos, mas devem ser tidas em conta: 0,2% (cerca de 200 alunos) disse terem ficado embriagado 20 ou mais vezes.

Fernanda Feijão considera que “são percentagens muito importantes porque são substâncias que causam danos à saúde”. E deixa um alerta: “Não é só a escola, os pais também devem estar muito atentos e chamar a atenção para os riscos que podem existir como violação, acidentes, efeitos no organismo, danos sociais com bullying ou publicações na internet”.

No Binge Drinking (consumo de cinco ou mais doses numa só ocasião), 3,6% dos jovens com 13 anos já o fizeram – nos 30 dias antes do estudo – e as raparigas são as que fazem mais. Quanto a bebidas, elas preferem as misturas e as bebidas destiladas, cada vez mais consumidas de uma forma geral. “Chocam-me estes valores em crianças. As raparigas estão a ultrapassar os rapazes. A igualdade não vem por ai. O que parece mais significativo é que é mais fácil atingir um grau de embriaguez com as bebidas espirituosas. O aumento das bebidas espirituosas acontece muito à custa das raparigas”, diz Manuel Cardoso, vice-presidente do SICAD.

15% toma tranquilizantes

O estudo refere que 15% dos jovens entre os 13 e os 18 anos já tomou tranquilizantes e sedativos pelo menos uma vez na vida. Mas os valores são muito diferentes entre rapazes e raparigas: 10% para eles e 19% para elas. A maioria dos medicamentos são com prescrição médica. “Isto significa uma em cada cinco raparigas. Temos uma percentagem muito elevada e por norma neste indicador estamos a acima da média europeia. Devemos perceber como é que há uma percentagem tão elevada de raparigas a precisar de medicamentos”, afirma Fernanda Feijão.

Manuel Cardoso reforça que “é um valor muitíssimo alto” e que esta “é uma questão tem de ser estudada”. O responsável salienta que é a primeira abordagem ao tema e que não consegue encontrar uma explicação para valores tão altos. “São consumos fundamentalmente prescritos. Em termos globais temos consumos de sedativos muito elevados”, refere.

Quanto a drogas, as prevalências têm descido, à exceção dos 18 anos idade em que aumentou a experimentação. A cannabis é a mais consumida (17% em jovens entre os 13 e os 18 anos). As outras drogas, como ecstasy, anfetaminas ou cocaína “têm hoje um uso muito residual, com consumos a variar entre os 2% e os 3%”, referiu Fernanda Feijão.

Diário de Notícias, 7 de março de 2016


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