Quando se fala de álcool, droga e tabaco não há diferenças de género

Março 17, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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O estudo destaca que tendem a desaparecer as diferenças de consumos conforme o género, mas que actualmente são mais as raparigas com consumos de bebidas destiladas.

Nos últimos quatro anos, os jovens entre os 13 e os 16 anos diminuíram o consumo de álcool, tabaco e droga, mas entre os 17 e os 18 anos há uma tendência para estabilizar ou mesmo aumentar os consumos. No entanto, estas reduções permitiram a Portugal alcançar em 2015 a meta definida para a redução do consumo de droga e ultrapassar as definidas para o álcool e tabaco, em 2016.

As conclusões constam do Estudo sobre Consumos de Álcool, Tabaco, Drogas e outros Comportamentos Aditivos e Dependências — 2015 (ECADT-CAD), do SICAD, que fazem parte de um projecto europeu, mas numa versão mais alargada, e que foi apresentado esta quarta-feira. Os resultados deste estudo, que avaliou os consumos de populações escolares entre os 13 e os 18 anos em 2015, permitem “caracterizar situações que emergem ou que reforçam algumas tendências que o anterior estudo (2011) já antevia”.

Assim, no ano passado continuava a existir “acentuada progressão dos níveis de consumo ao longo das idades para o consumo de substâncias”, sendo que as percentagens de adolescentes com elevadas frequências de consumo de substâncias (como embriaguez ou “binge drinking”) “continuam muito elevadas e portanto passíveis de causar danos reais”.

O estudo destaca que tendem a desaparecer as diferenças de consumos conforme o género, mas que actualmente são mais as raparigas com consumos actuais (últimos 30 dias) de bebidas destiladas (13 e 14 anos), com situação de embriaguez (aos 13 anos) e com consumo de tabaco (13 e 16 anos). Além disso, no caso dos medicamentos, as raparigas continuam a apresentar uma prevalência ao longo da vida maior do que os rapazes.

Quanto à internet, é usada pela maioria dos adolescentes, sobretudo redes sociais, downloads/streaming e pesquisa de informação, sendo o jogo (“gaming”) maioritariamente associado aos rapazes e com maior prevalência aos 14 anos.

Avaliando a evolução entre 2011 e 2015, conclui-se que as prevalências de consumo de álcool diminuíram para quase todos os grupos etários, com excepção dos 17 e 18 anos em que há estabilidade quanto à experimentação e consumos recentes. No que respeita à embriaguez, há também diminuição de prevalência em todos os grupos etários, com excepção dos 18 anos em que há estabilidade.

Segundo o estudo, no âmbito dos consumos actuais, verificou-se uma diminuição das prevalências de consumo de cerveja e de bebidas destiladas em todas as idades. O consumo do vinho estabilizou nos 13, 14 e 16 anos e aumentou nos 15, 17 e 18 anos, enquanto os “alcopops” diminuíram nos 13 e 14 anos, estabilizaram nos 15 anos e aumentaram dos 16 aos 18 anos.

As prevalências de consumo de tabaco também diminuíram entre os jovens dos 13 aos 17 anos, e estabilizaram nos 18 anos. Quanto ao consumo de droga, a tendência global de experimentação diminuiu entre os 14 e os 16 anos, estabilizou nos 17 e aumentou nos 18 anos.

A droga mais consumida, a cannabis, foi menos consumida entre os 14 e os 16 anos, não teve alterações de consumo nos 13, 15 e 17 anos e aumentou aos 18 anos. No que respeita a drogas mais pesadas — alucinogénios, cocaína e heroína —, no geral, o seu consumo diminuiu entre os 14 e os 17 anos, verificando-se uma estabilização do consumo na faixa etária mais jovem — 13 anos. As anfetaminas foram menos consumidas pelos alunos de 14 e 16 anos, mas estabilizaram no consumo de jovens com 13, 15, 17 e 18 anos.

Público, em 3 de março de 2016

Crianças estão desprotegidas em casos de violência doméstica, alerta associação

Março 17, 2016 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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transferircréditos: JOSÉ COELHO/LUSA

A presidente da Associação de Mulheres contra a Violência (AMCV) afirmou hoje que as crianças estão “absolutamente desprotegidas” em situações de violência doméstica, alertando para a “falta de capacidade” de articulação entre os tribunais.

Margarida Medina Martins falava à Lusa a propósito do caso de uma criança que estava com a mãe numa casa abrigo para vítimas de violência doméstica, em Viana do Castelo, e que, por ordem do tribunal, foi entregue na segunda-feira ao pai, investigado por alegado abuso sexual da filha.

“Há 24 anos que trabalhamos nesta área e deparamo-nos com este tipo de situações e uma das nossas prioridades é que Portugal evolua para uma ligação maior entre quem trabalha a área das crianças, nomeadamente os tribunais, e a área da violência”, a adiantou.

Para a presidente da associação, as famílias não podem ser abordadas de uma “forma desintegrada”: “Quando se aborda as questões de violência e quando de fazem avaliações de risco elas têm de ser coerentes, integradas e tem de se avaliar o todo, com todos os atores e agentes”.

Mas o que continua a observar-se é uma “enorme separação” entre aquilo que está na área da violência doméstica, no processo-crime, e tudo o que decorre na área da família e menores.

“O que se conclui e observa é que as crianças em Portugal continuam a estar absolutamente desprotegidas. Ou seja não há quem as proteja, porque não conseguimos ver aqui uma entidade que faça esta proteção em situações de violência”, criticou.

Alertou ainda para o impacto que as situações de violência têm nas crianças, independentemente de haver abuso sexual ou não.

“Só o facto de estarem envolvidos numa situação de violência é absolutamente traumático e nem esse cuidado é tido em conta”, sublinhou.

Para Margarida Medina, está a chegar-se ao limite da “falta de capacidade de articulação entre os tribunais” e de falta de especialização dos tribunais.

“Já não é aceitável que os juízes e quem opera nestas áreas não tenham formação especializada nestas áreas”, frisou, lamentando que as situações relacionadas com a criança ainda sejam abordadas de “uma forma antiga, já ultrapassada”.

Continua a pensar-se que “aquilo que se passa com os adultos não tem nada a ver com aquilo que se passa com as crianças e isto é uma visão que está completamente ultrapassada e que já não é reconhecida internacionalmente”.

Margarida Medina explicou que esta situação resulta da falta de formação, defendendo que deviam ser responsabilizadas as escolas de juízes, o Conselho Superior de Magistratura, que tem um papel de supervisão e de formação dos magistrados, assim como o Centro de Estudo Judiciários (CEJ).

“Têm de empenhar-se numa modernidade na abordagem destas situações e eu apelo aos advogados que possa apoiar as mulheres para fazerem a defesa dos seus direitos em instâncias internacionais”, defendeu.

Para a responsável, as vítimas deviam recorrer ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem para pedir uma indemnização ao Estado pelos danos causados por estas decisões, porque “são violações graves de direitos humanos, quer das mulheres, quer das crianças”.

“Se tivéssemos mecanismos mais fáceis para as pessoas responsabilizarem o Estado pela não proteção e defesa dos direitos humanos das crianças e mulheres isto já tinha mudado em Portugal”, sustentou.

 

Nuno Noronha, 2 de Março de 2016

Crianças ativas no recreio aprendem mais

Março 17, 2016 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Em entrevista exclusiva à Gazeta do Povo, o professor Carlos Neto fala sobre como o recreio pode ser um meio para melhorar os resultados dos alunos.

A importância de uma boa experiência no intervalo das aulas – seja em escolas públicas ou privadas – ainda é subestimada, diz o professor catedrático da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, o português Carlos Neto. Nesse caso, a realidade portuguesa equivale à brasileira, onde o recreio, espremido em parcos 20 minutos, serviria apenas a interesses disciplinares ou de horários de professores, sem dar conta da necessidade da criança de realizar jogos físicos e de socializar. “O intervalo torna-se uma terra de ninguém, algo pouco valorizado por adultos por ser visto como atividade improdutiva”, diz.
Em entrevista exclusiva à Gazeta do Povo, o professor fala sobre como deveriam ser os recreios e como as aulas podem ser mais estimulantes e atingir melhores resultados.

GP: Como os alunos enxergam hoje o recreio?
Carlos Neto: Para muitos ele é o último reduto de brincadeiras livres. Porém, ele deveria ser valorizado e estruturado de forma a ser envolvente quer quanto às qualidades de estimulação dos espaços físicos (superfícies, espaços naturais, equipamentos lúdicos, brinquedos) quer quanto ao seu tempo de duração.

GP: Qual a importância desse intervalo para as crianças?
Carlos Neto: Crianças ativas no recreio aprendem melhor em sala de aula. Quem apresenta um jogo de atividade física moderada e mais socialização no intervalo têm mais capacidade de atenção e concentração nas aprendizagens escolares consideradas úteis. Muitos estudos demonstram uma forte relação entre atividade física e lúdica e rendimento escolar. Crianças fisicamente ativas têm cérebros mais ativos e aprendem com mais sucesso as linguagens abstratas. Isso implica revisão e mudança no modelo organizativo do cotidiano da vida das crianças em sala.

GP: E como ele deveria ser?
Carlos Neto: Deveria ser desafiante, permitindo brincadeiras livres sem supervisão exagerada dos adultos (proibição da margem de risco e de atividades de exploração dos espaços existentes), permitindo que as crianças realizem atividades próprias da idade: jogos de corrida, luta e perseguição, ações de trepar, de equilíbrio e vertigem, jogos com bola, jogos tradicionais e simbólicos e de dramatização, e relação com elementos naturais (água, areia, terra, plantas). Estas atividades deveriam enquadrar-se de forma coerente com o projeto educativo da escola.

GP: A agenda das crianças está cheia?
Carlos Neto: As crianças têm hoje uma agenda completamente estruturada em atividades organizadas e na maior parte com caraterísticas sedentárias. Os currículos escolares são cada vez mais extensos e intensos e as crianças passam a maior parte do tempo sentadas. Muitas ficam até 8 horas por dia na escola e ainda frequentam escolas paralelas com atividades extracurriculares. O tempo cotidiano de vida infantil é, deste modo, todo organizado, estruturado e formatado. Este é um problema sério para o normal desenvolvimento das crianças do nosso tempo.

GP: Porque isto ocorre?
Carlos Neto: Os pais são obrigados a “depositar” os filhos na escola durante muitas horas por dia para que esse tempo seja compatível com os seus horários de trabalho. São urgentes políticas públicas e harmonização entre o tempo de trabalho, o tempo escolar e o tempo em família. Muitos países do centro e norte da Europa elaboraram mudanças políticas para fornecer mais qualidade de vida às famílias e mais tempo para os pais brincarem com os seus filhos.

GP: Como seria a aula “ideal” para crianças ativas?
Carlos Neto: Diversas escolas de todo o mundo tentam mudar o paradigma clássico de pedagogia para modelos mais dinâmicos de ensino-aprendizagem, que permitam que as crianças sejam mais ativas dentro de sala. Muitas evidências científicas demonstram que a alternância regular entre estar sentado e ativo melhora a capacidade de aprendizagem e rendimento escolar.

GP: Como isso se daria na prática?
Carlos Neto: A valorização do corpo em movimento dentro da sala de aula passa pela introdução de pausas para atividades de escuta (meditação e respiração) e exercícios de mobilização do corpo (jogo de atividade física). Elas não precisam estar sempre sentadas (inativas) durante a aula e mudar mesas e cadeiras pode fazer com que os saberes possam ser trabalhados e assimilados com mais prazer, mais motivação intrínseca e mais participação em grupo.

GP: Quais os benefícios de aprender com o corpo em ação na sala de aula?
Carlos Neto: Isso permite encontrar várias soluções pedagógicas que serão muito mais gratificantes na infância e permitirão mais sucesso acadêmico. Será necessária uma redefinição dos modelos de uma pedagogia ativa e centrada nas necessidades das crianças e uma nova postura dos professores quanto à definição do projeto educativo da sua escola.

Crianças ativas no recreio aprendem melhor em sala de aula. Quem apresenta um jogo de atividade física moderada e mais socialização no intervalo têm mais capacidade de atenção e concentração nas aprendizagens escolares consideradas úteis.
O recreio deveria ser desafiante, permitindo brincadeiras livres sem supervisão exagerada dos adultos (proibição da margem de risco e de atividades de exploração dos espaços existentes), permitindo que as crianças realizem atividades próprias da idade: jogos de corrida, luta e perseguição, ações de trepar, de equilíbrio e vertigem, jogos com bola, jogos tradicionais e simbólicos e de dramatização, e relação com elementos naturais (água, areia, terra, plantas).
A valorização do corpo em movimento dentro da sala de aula passa pela introdução de pausas para atividades de escuta (meditação e respiração) e exercícios de mobilização do corpo (jogo de atividade física). Elas não precisam estar sempre sentadas.

Gazeta do Povo, 19 de Fevereiro de 2016

Hora do conto “Eu quero o meu papá” de Tracey Corderoy na Biblioteca Municipal de Almada 19 de março

Março 17, 2016 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Dia: 19 de março

Horário: 16h00

Local: Biblioteca Municipal de Almada – Setor Infantil

Hora do conto “Eu quero o meu papá” de Tracey Corderoy

Há dias em que precisamos mesmo do nosso papá! Para o Artur, esse era um desses dias! Quando o seu castelo se desmorona e não há forma de o manter de pé, quando faz um dói-dói e parece que há monstros no lago…

Nesses momentos, pela ajuda e conforto, há apenas uma solução… ter o nosso papá numa tarde de estórias.

Duração: 60m

Público-alvo: crianças dos 4 aos 8 anos

Lotação máxima: 10 famílias (máximo 20 participantes)

Marcação prévia: Sílvia Antunes

biblactividades@cma.m-almada.pt

212 724 923

http://www.m-almada.pt/portal/page/portal/BIBLIOTECAS/

 

 

Aluno terá que indenizar professor por ofensas publicadas no Facebook (Brasil)

Março 17, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.gazetadopovo.com.br de 19 de fevereiro de 2016.

A notícia do TJSP pode ser consultada no link:

http://www.tjsp.jus.br/Institucional/CanaisComunicacao/Noticias/Noticia.aspx?Id=30426

gazeta do povo

Da redação

Um estudante de São Paulo terá de indenizar um professor por danos morais devido a postagens ofensivas no Facebook. A decisão da 5ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo determina que o professor receba R$ 10 mil por danos morais.

De acordo com as informações divulgadas no site do TJ-SP, um ex-aluno de Escola Técnica Estadual teria postado no Facebook imagens manipuladas do professor, que o associavam ao consumo de álcool e drogas e insinuavam que ele teria recebido vantagens com a venda de uniforme escolar.

O jovem terá de arcar pessoalmente com ônus pois já era maior de idade quando a sentença foi proferida. Em sua defesa, ele alegou que tratavam apenas de brincadeiras típicas de adolescente e que foram publicadas em um grupo fechado. Mas, segundo testemunhas, as imagens foram impressas e tiveram uma repercussão negativa no ambiente escolar.

O desembargador James Siano, que relatou o caso, declarou que a sentença tem por objetivo coibir a repetição desse tipo de conduta.

“A profissão de professor, atualmente tão desvalorizada, não deve, pela exposição àqueles que educa, tornar natural e contextualizadas imputações infundadas, jocosas ou não, suscetíveis até mesmo de colocar em xeque sua idoneidade, justamente em seu ambiente de trabalho”, afirmou Siano, segundo o site do Tribunal.

 

 

 


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