Cheques-dentista alargados a jovens com 18 anos a partir de hoje

Março 1, 2016 às 9:40 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 1 de março de 2016.

Rodrigo Cabrita  Global Imagens

Os cheques-dentista são alargados a partir desta terça-feira aos jovens de 18 anos que já tinham sido beneficiários e concluído o plano de tratamentos aos 16 anos.

Neste alargamento do Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral (PNSO) serão também abrangidos os infetados com VIH/sida que já não façam tratamentos há mais de dois anos, sendo-lhes atribuídos dois cheques-dentista para um ciclo de tratamentos.

Devem receber também cheque-dentista as crianças e jovens de 7, 10 e 13 anos com necessidades especiais de saúde, nomeadamente portadores de doença mental, paralisia cerebral ou trissomia 21 que não tenham ainda sido abrangidos pelo PNPSO.

Assim, a partir de hoje, as crianças e jovens portadores de deficiência que precisam de sedação para tratar dos dentes vão ter acesso a cheques-dentista e poderão ser tratados nos serviços de estomatologia dos hospitais.

Atualmente, o cheque-dentista abrange crianças de 7, 10, 13 e 15 anos que frequentem as escolas públicas, idosos com complemento solidário, grávidas e portadores de VIH.

O programa dos cheques-dentista existe desde 2008 e foram já distribuídos um total de mais de 3,6 milhões de cheques, abrangendo 2,2 milhões de pessoas. A taxa de utilização destes cheques tem tido uma média de 74%.

 

 

 

Cosmétiques pour bébés: encore trop de substances préoccupantes

Março 1, 2016 às 8:30 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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bebes

descarregar o relatório no link:

http://www.projetnesting.fr/spip.php?page=article&id_article=2408

Alertée par l’exposition quotidienne des jeunes enfants à des substances chimiques potentiellement dangereuses pour la santé, l’ONG WECF publie ce jour les résultats d’une enquête menée sur 341 cosmétiques pour bébés – laits de toilette, lotions, shampoings, produits pour le bain, liniments, lingettes, eaux nettoyantes, eaux de toilette, solaires- vendus sur le marché français en pharmacies, parapharmacies, supermarchés et magasins biologiques. Les expertes de WECF ont décrypté la composition des produits telle qu’elle apparaît sur les étiquettes. À partir de l’analyse de la littérature scientifique et des évaluations des autorités sanitaires de l’Union Européenne (comité scientifique pour la sécurité des consommateurs, SCCS) et française (Agence nationale de sécurité du médicament et des produits de santé, ANSM), elles ont classé les ingrédients ou familles d’ingrédients présents dans les 341 cosmétiques, en trois catégories : à « risque élevé », à « risque modéré », à « risque faible ou non identifié ».

Principaux résultats On retrouve 3 ingrédients ou familles d’ingrédients classés à « risque élevé » dans 299 produits :

  • un allergène par contact (la méthylisothiazolinone) dans 19 produits dont 7 lingettes
  • un conservateur soupçonné d’effets toxiques sur la reproduction (le phénoxyéthanol) dans 54 produits dont 26 lingettes
  • des parfums dans 226 produits, impliquant des risques potentiels d’allergies.

On retrouve 4 ingrédients ou familles d’ingrédients classés à « risque modéré » dans 181 produits :

  • un composé très présent dans les produits moussants (l’EDTA) dans 87 produits dont 30 lingettes
  • des sulfates (laureth et lauryl sulfate), agents moussants potentiellement irritants dans 50 produits, en grande majorité des produits pour le bain et shampoings
  • des huiles minérales, issues de la chimie du pétrole pouvant être contaminées par des impuretés, dans 30 produits en majorité des crèmes et lotions
  • des nanoparticules, dont les effets sont encore mal évalués, dans 14 produits solaires.

Compte tenu de ces résultats, WECF :

  • demande l’interdiction des trois ingrédients à « risque élevé » dans tous les cosmétiques destinés aux enfants de moins de trois ans
  • s’alarme de l’omniprésence de parfums (226 sur 341) potentiellement sensibilisants et pour certains mis en cause dans des allergies par contact, au demeurant superflus pour des produits destinés à de jeunes enfants
  • demande des restrictions d’usage pour les ingrédients classés « à risque modéré », en application du principe de précaution
  • demande un moratoire sur l’usage de substances suspectées d’être des perturbateurs endocriniens (PE) dans les cosmétiques pour bébés en attendant la définition des PE que doit publier la Commission Européenne avant l’été 2016
  • recommande la prudence pour les ingrédients classés dans la troisième catégorie, les risques étant mal identifiés faute, souvent, d’études scientifiques.

Pour mieux rendre compte de l’exposition réelle à laquelle sont soumis les plus petits, WECF demande que l’ANSM évalue les cosmétiques pour bébés à partir des formules finales telles qu’elles sont commercialisées et non plus à partir des différents ingrédients. WECF demande enfin un étiquetage plus clair pour les substances allergènes par contact. WECF conseille aux parents de limiter l’usage de ces produits cosmétiques et d’éviter le plus possible les produits parfumés.

Tous les résultats et les détails de l’enquête sont disponibles en ligne

WECF (Women in Europe for a Common Future) est un réseau international de 150 organisations environnementales et féminines qui agit pour construire avec les femmes un monde juste, sain et durable. WECF conçoit et met en œuvre des programmes de formation et de sensibilisation aux impacts sanitaires des polluants toxiques de l’environnement, afin de protéger la santé des populations, notamment les plus vulnérables et est à l’origine du projet Nesting www.projetnesting.fr. WECF mène des actions de plaidoyer et est partenaire officiel du Programme des Nations Unies pour l’Environnement (PNUE).

Contact WECF : Elisabeth Ruffinengo, responsable plaidoyer elisabeth.ruffinengo@wecf.eu, 06 74 77 77 00

 

 

Cosméticos para bebês são ricos em substâncias potencialmente perigosas, diz estudo

Março 1, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Noticia do site http://www.swissinfo.ch/por/ de 15 de fevereiro de 2016.

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Ainda há uma quantidade elevada de substâncias químicas potencialmente perigosas ou alergênicas para os bebês nos cosméticos usados cotidianamente, como xampus, produtos para banho ou toalhas umedecidas – segundo um estudo divulgado nesta segunda-feira.

A ONG Women in Europe for a Common Future (WECF) examinou 341 produtos cosméticos para bebês em julho e agosto de 2015 vendidos nas farmácias, supermercados e lojas especializadas na França.

Na base de estudos científicos e avaliações das autoridades sanitárias da União Europeia e da França, esta ONG classificou os ingredientes que compõem os produtos segundo três categorias: “risco elevado”, “risco moderado” e “risco baixo ou não identificado”.

Os resultados desta pesquisa mostram que a grande maioria dos produtos (299) são compostos por ingredientes de risco elevado.

“Encontramos três ingredientes ou famílias de ingredientes classificados como ‘risco elevado’ em 299 produtos: um alergênico por contato (a metilisotiazolinona) em 19 produtos, dentre os quais sete lenços umedecidos; um conservante de efeitos tóxicos sobre a reprodução (o fenoxietanol) em 54 produtos dos quais 26 lencinhos; fragrâncias em 226 produtos, implicando riscos potenciais de alergias”, explica a WECF em comunicado.

A ONG também encontrou quatro ingredientes ou famílias de ingredientes classificadas de “risco moderado” em 181 produtos: o EDTA, um composto muito presente em xampus e sabonetes líquidos, sulfatos (laureth e lauryl sulfato) que são agentes espumantes potencialmente irritantes, óleos minerais, provenientes do petróleo, que poderiam ser contaminados por impurezas.

A ONG, que se apoia numa rede internacional de 150 organizações ambientais e femininas presentes em 50 países, pede “a proibição de três ingredientes de risco elevado em todos os cosméticos destinados às crianças menores de três anos”.

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Uso de eletrônicos e falta de estímulos dos pais atrasam a fala da criança

Março 1, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Notícia do http://mulher.uol.com.br de 3 de janeiro de 2016.

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Melissa Diniz
Do UOL, em São Paulo

Os olhos brilham e os dedinhos não param de tocar a tela. Quem já viu uma criança brincando com um celular ou tablet sabe que os eletrônicos parecem exercer uma espécie de hipnose sobre meninos e meninas desde muito cedo, com jogos, aplicativos, filmes e desenhos. Mas o contato excessivo com esses aparelhos pode gerar consequências negativas ao desenvolvimento infantil, principalmente no que se refere à linguagem. Uma pesquisa realizada no Reino Unido, em 2012, constatou que, em seis anos, houve um aumento de 70% nos problemas de fala de crianças por conta do uso frequente de celulares e tablets.

Para prevenir consequências danosas ao desenvolvimento infantil, a Academia Americana de Pediatria recomenda que crianças menores de dois anos não tenham nenhum contato com a tecnologia. Após essa idade e até a adolescência, o uso deve ser limitado a duas horas por dia.

Segundo especialistas, embora sejam uma fácil e rápida solução para distrair as crianças em viagens e momentos de estresse, os eletrônicos não devem substituir brincadeiras tradicionais e, principalmente, o contato humano.

“Hoje percebemos que há crianças que demoram mais para falar por falta de estímulos em casa. Infelizmente, as brincadeiras e jogos tradicionais estão sendo substituídos pelas versões digitais, que proporcionam uma experiência totalmente diferente em termos de aprendizado”, afirma a fonoaudióloga infantil Elisabete Giusti, especialista em desenvolvimento da linguagem e suas alterações pela USP (Universidade de São Paulo).

De acordo com Elisabete, brincar com um jogo de memória tradicional é uma experiência muito mais rica do que usar uma versão digital. “Jogos de computador normalmente não dão à criança o mesmo senso de começo, meio e fim. Além disso, o tempo de atenção dela, ao usar um eletrônico, é bem menor”, declara. Isso sem contar que o jogo analógico normalmente promove a interação com alguém, enquanto que, no celular ou tablet, a criança brinca sozinha.

A fonoaudióloga afirma ainda que os pais também atrapalham quando, ansiosos, não dão à criança tempo para falar e acabam, eles mesmos, respondendo às perguntas que fazem. “Outro comportamento negativo é ficar o tempo todo testando o desenvolvimento do filho, perguntando seu nome, sua idade na frente de alguém. Isso não é interação. A criança percebe que está sendo testada e se irrita por ter de responder sempre a mesma coisa.”.

Marcos do desenvolvimento

A fonoaudióloga Elisabete Giusti explica que existem marcos ou fases que a criança precisa atingir para desenvolver adequadamente a fala. Todos os sons emitidos são, portanto, importantes e têm uma finalidade no aprendizado geral.

Os primeiros são as vocalizações, que costumam ser produzidas quando a criança atinge os dois meses de vida. “São vogais e, às vezes, alguns sons guturais também. A partir dos seis meses já há um balbucio, percebemos uma sequência de sílabas que combinam vogais e consoantes, como bababá e dadadá.”

Todas essas fases, afirma Elisabete, demonstram uma intenção de comunicação. É também a partir do sexto mês que a criança percebe a voz dos pais e ouve a si mesma, brincando com os sons que emite. Com um ano, aparecem as primeiras palavras e a criança começa a tentar imitar os sons dos bichos. Por volta de 18 meses, faz combinações de duas palavras. Aos dois anos já deve falar pequenas frases e ter um vocabulário de cerca de 200 palavras.

“É importante os pais observarem que essa habilidade de produzir os sons precisa ser ampliada com o tempo. Não importa, nessa fase, se a pronúncia está correta, mas o repertório tem de aumentar gradativamente.”

A especialista afirma que é um erro imaginar que crianças que não falam na idade certa “têm seu próprio tempo” ou que ao entrar na escola irão recuperar o tempo perdido. O atraso na fala pode prejudicar também a escrita e a socialização da criança quando ela começar a estudar.

“O grande risco de esperar é perder um período importante de neuroplasticidade [capacidade que o sistema nervoso tem de se adaptar] para fazer intervenções precoces. Quanto antes se intervém, melhores serão os resultados.”

Ao perceberem alguma dificuldade, os pais precisam procurar ajuda. “Se uma criança não passou pelos marcos de desenvolvimento ou se aos dois anos não fala nada, é preciso procurar uma avaliação profissional”, diz.

Segundo a fonoaudióloga, pode acontecer ainda de a criança estacionar em alguma fase e não dar continuidade ao desenvolvimento. “Algumas não têm vocabulário, outras não conseguem formar frases, outras não conseguem aprender os sons ou têm uma fala de difícil compreensão. Pode ser o caso de fazer uma terapia específica, para cada problema há um tratamento diferente.”

 

Afeto e estímulos no dia a dia fazem bebê se desenvolver melhor

 

 

 

Quedas de crianças. Os casos que foram notícia

Março 1, 2016 às 9:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do Observador de 19 de fevereiro de 2016.

Kevin Frayer Getty Images

Hugo Tavares da Silva

Janelas abertas, poços destapados, um insuflável que voou com o vento. Estes são alguns dos casos em que as quedas de crianças tiveram o pior desfecho.

Distrações, negligência, ou puro acaso aliado à má sorte. Entre 2000 e 2013 registaram-se 109 mortes de crianças em consequência de quedas. Falta juntar a este número os casos de 2014 e 2015, alguns deles noticiados pela comunicação social, que assim ajuda quem estuda estas matérias a “identificar alguns dos padrões de ocorrência deste tipo de acidentes (local do acidente, atividade no momento do acidente, parte do corpo lesionada, produtos envolvidos)”. “Este conhecimento mais aprofundado, que não surge nos dados referentes à mortalidade e internamento, é essencial para uma boa definição de estratégias de prevenção, assim como para o estabelecimento de prioridades de intervenção”, lê-se no relatório publicado pela Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI).

Recordamos aqui alguns casos que chegaram à imprensa nos últimos anos. Todos eles tiveram o pior dos desfechos.

Tinha quatro anos e uma movimentação repentina junto à janela, quem sabe atraído pela cortina, foi trágica. Gonçalo, filho único de um casal que vivia em Gaia, estava a brincar na sala com os familiares por perto. “Foi coisa de segundos. Foi tudo muito rápido, o avô ainda tentou, mas já não conseguiu agarrá-lo”, contou ao Jornal de Notícias o tio da criança. Os bombeiros de Lourosa ainda tentaram a reanimação, mas sem sucesso. Foi em junho de 2015.

Segundo a Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI), morrem nove crianças por dia vítima de quedas. Entre 2000 e 2013, 109 crianças perderam a vida e mais de 60 mil foram internadas na sequência de quedas. As varandas e as janelas são os elementos mais repetidos nas quedas. Em Portugal, 4% das mortes acidentais que envolvem crianças têm origem em quedas e essa é também a principal razão para a ida às urgências e internamentos das mesmas. Na Europa, os números são igualmente alarmantes: qualquer coisa como 1500 crianças morrem todos os anos na sequência de quedas. O assunto volta a estar na ordem do dia devido à morte de uma criança depois de uma queda do 21.º andar, no Parque das Nações, em Lisboa.

Há sensivelmente cinco anos, a queda de uma manequim brasileira de um 15.º andar encheu as páginas dos jornais. Jeniffer tinha 17 anos e, segundo a história contada pelo Público, a sua vida envolvia traições, festas, álcool e luxo. E violência também — alegadamente chegou a ser agredida pelo namorado — que, aliado ao testemunho de uma amiga da modelo, levantou dúvidas quanto à tese do suicídio. O pai não acreditava nessa possibilidade, mas a mãe admitia ser possível. A queda fatal aconteceu também num prédio do Parque das Nações, tal como a tragédia desta sexta-feira.

Em maio de 2014, Diogo caiu numa caixa de saneamento na aldeia de Viduedo, em Bragança. “Fomos chamados ao local, mas a criança já tinha sido retirada da caixa, por alguém que não os bombeiros e estava em paragem cardiorespiratória”, revelaram os bombeiros de Bragança ao Diário de Notícias. O menino de dois anos acabaria por morrer no hospital. Segundo o JN, a criança estaria a brincar quando caiu na caixa com cerca de 80 centímetros. “Como a criança é muito pequena, facilmente entrou na caixa”, referiu ao JN José Fernandes, comandante dos Bombeiros de Bragança.

“O relatório da APSI revela mais dados sobre as mortes na sequência de quedas entre os anos de 2002 e 2012: foram 74. A maior parte das mortes ocorreram com crianças e jovens do sexo masculino (77%), com idades entre os 15 e 19 anos (34%). As crianças até aos quatro anos representam 31% das fatalidades, enquanto entre os 5-9 anos e os 10-14 representam 19% e 16%, respetivamente.

No Caniço, Funchal, viveu-se um drama semelhante em maio de 2015. Uma menina de oito anos estava a brincar com um insuflável, num parque de estacionamento de um restaurante. O vento levou o insuflável e a criança caiu de uma altura de oito metros. As lesões sofridas eram graves, com múltiplos traumatismos, incluindo um traumatismo craniano, e a criança acabaria por não resistir no Hospital Dr.º Nélio Mendonça, na capital madeirense.

Em janeiro, uma menina caiu de uma altura de 30 metros (12.º andar), em Alfragide, Lisboa. Beatriz vivia com o pai e acabara de chegar de um período de férias com a mãe e avós. Num domingo como outro qualquer, depois de dizer à filha para fazer os trabalhos de casa, segundo conta o Correio da Manhã, o pai não encontrou a filha na sala, restando-lhe procurar no quarto. A janela estava aberta… As autoridades colocaram em cima da mesa então as possibilidades de suicídio e queda acidental. Beatriz tinha 12 anos.

“46% das 109 mortes registadas pela APSI aconteceram devido a uma queda de altura elevada: 22 crianças morreram por uma queda de/ou para fora de edifícios ou outras estruturas, enquanto outras 12 perderam a vida devido a outro tipo de quedas de altura elevada, sendo que nesta categoria estão incluídas as quedas de leito, queda de árvore, queda de penhasco, mergulho ou salto para água (causando traumatismo que não o afogamento).

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, até 90% das mortes por quedas poderiam ser evitadas na Europa, quando falamos, naturalmente, de acidentes. A criação e manutenção de ambientes e produtos seguros para as crianças e jovens são fundamentais para a redução da sua exposição ao risco de quedas graves, diz o relatório da APSI de novembro de 2014.

Sem lei que defina normas para a supervisão das crianças, é exigido aos pais prevenção e bom senso. Estar sozinho aumenta o risco. Veja aqui o Especial do Observador sobre o assunto.

 

 

 

Abuso sexual de menores: o olhar das vítimas e dos agressores

Março 1, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://p3.publico.pt/ de 15 de fevereiro de 2016.

Mariella Furrer

O livro “My Piece of Sky” reúne testemunhos de vítimas, abusadores e agentes da autoridade. O livro resulta do trabalho de dez anos da fotógrafa Mariella Furrer, também vítima de abuso sexual na infância

Texto de Ana Marques Maia

“Sofri muito com o abuso sexual de que fui vítima. Durou segundos, ou poucos minutos, não sei ao certo, mas a vergonha acompanha-me até hoje.” Mariella tinha 5 anos, não conhecia o seu abusador. “Na altura, não compreendi o que me tinha acontecido, mas de algum modo sabia que era errado. Senti culpa por deixar que aquele homem me tocasse.”

É através da compilação de fotografias, excertos de diários, desenhos e testemunhos de vítimas, abusadores, familiares, polícia, pessoal médico, activistas, que a fotógrafa retrata um fenómeno que considera “epidémico” na África do Sul. Durante 10 anos Mariella Furrer investigou, entrevistou, fotografou e editou para que “My Piece of Sky” se tornasse realidade. O motivo é simples: “Quando fui abusada, se soubesse que outras crianças também tinham sido, ter-me-ia sentido muito melhor.”

Venus foi violada aos oito anos de idade

Venus (nome fictício) tinha oito anos de idade quando o vizinho Steven lhe pediu que o seguisse. Ela assentiu e foi arrastada para o meio de uns arbustos, onde ele tentou violá-la. “Ela ofereceu resistência e ele esfaqueou-a no coração e pulmões com uma tesoura, violou-a e sodomizou-a. De seguida, arrastou-a para uma área mais escondida e deixou-a à sua sorte”, contou a fotógrafa de origem suíço-libanesa ao P3, em entrevista via Skype. “Era Inverno, as temperaturas estavam abaixo dos zero graus. As pessoas procuraram-na e ela conseguia ouvi-las chamar, mas as suas cordas vocais não respondiam devido ao estrangulamento, estavam temporariamente danificadas.” Nessa noite, segundo testemunho da mãe de Venus, Steven, seu vizinho há dez anos, perguntou o que se passava, revelando preocupação. Na manhã seguinte tornou a perguntar: “Já a encontraram?”.

Venus perdeu os sentidos após o ataque e acordou apenas na manhã seguinte. Rastejou numa direcção aleatória e apenas por sorte se deparou com uma estrada. “Foi encontrada por uma mulher que, por acaso, conhecia a sua mãe. Se ela tivesse rastejado na direcção oposta, nunca teria sido encontrada e teria morrido”, garantiu Mariella.

Foi através da Unidade de Protecção de Menores e da clínica Teddy Bear, na África do Sul, que a fotógrafa teve acesso à maioria dos casos que documentou. Compõem o livro, no total, 17 depoimentos de vítimas e dos seus familiares e seis testemunhos de abusadores sexuais. “Conheci outra menina pequena que foi submetida a uma intervenção cirúrgica. Ela foi violada ainda muito nova, não tinha ainda três anos de idade. É algo que as pessoas não sabem. As crianças pequenas que sofrem este tipo de violência são normalmente submetidas a cirurgia para reparação de danos internos. Demorei seis ou sete anos até conseguir fotografar uma cirurgia” e isso foi importante para poder revelar um lado da história que raras vezes merece menção quando se trata o assunto nos media.

“Nem todos os pedófilos são abusadores sexuais”

Nem todos os casos de abuso sexual de crianças acontecem em contexto de violência. Mariella Furrer trabalhou muitos anos com vítimas, sobreviventes, polícia, técnicos e activistas e garante que, contactando com as vítimas, é impossível não odiar os agressores. Mas, confessa, “ao conhecê-los, percebi que a questão é muito mais complexa do que parecia à partida”.

A maioria dos agressores sexuais que conheceu não era do tipo violento. Eram aquilo que se denomina de “groomers”, pessoas que “cuidam” da criança, que estabelecem com ela uma relação de proximidade e afecto. “Isso torna tudo mais confuso para a criança, porque existe efectivamente uma relação de confiança entre ela e o agressor. Deparei-me com o exemplo do Grant, que dizia: ‘Este homem era a única pessoa que me amava, mas também me violou’”. Grant tinha apenas oito anos e vivia no seio de uma família negligente. “O meu pai embriagava-se muitas vezes e a minha mãe tinha a sua própria vida para cuidar”, disse Grant a Mariella.

“O Creasey era muito bom para mim. Dizia-me sempre que era bonito e que tinha um óptimo corpo. Tirava-me fotografias, revelava-as e mostrava-me como funcionava o ampliador.” Darren, abusador sexual, confirma em depoimento: “Muitas das crianças [de quem abusei] não tinham uma figura parental forte e nesses casos eu assumia esse papel — à minha maneira”. As crianças que encaixam neste tipo de perfil são mais vulneráveis a este tipo de “predação”, o que não significa que as que provêm de lares estruturados e famílias atenciosas sejam imunes.

“É importante ressalvar que nem todos os pedófilos são abusadores sexuais”, alerta a fotógrafa. A atracção sexual por crianças pode existir sem que a agressão se verifique. “Conheci um homem velho, já nos seus setenta anos. Abusava de crianças desde os nove anos de idade. Sempre na mesma faixa etária. Há quinze anos, teve um esgotamento nervoso, procurou ajuda e passou a frequentar um grupo de terapia para agressores sexuais, que nunca mais abandonou desde então. Garante que há mais de vinte anos que não toca numa criança. O que me chocou mais foi ter-me dito que, apesar desse auto-controlo, não havia um só dia que não acordasse a fantasiar com uma criança”, relatou Furrer.

“A raiz de todo o abuso é o abuso”

Teresa, agressora sexual, não é um exemplo clássico desse grupo em que as mulheres estão em minoria. “A minha dependência do sexo começou quando era ainda muito nova. Desde as minhas primeiras memórias que ambos os meus pais abusavam sexualmente de mim com regularidade. Quando tinha oito anos estava envolvida na violação da bebé da nossa empregada doméstica — com o seu consentimento. Ao tentar calar a criança — por ordem do meu pai — sufoquei-a com uma almofada e ela foi enterrada no nosso jardim. Senti tanta culpa e tanta raiva e medo que simplesmente bloqueei qualquer forma de sentimento, enterrei tudo de forma a nunca mais pensar nisso.” Teresa viria mais tarde a abusar sexualmente das suas duas filhas, Petra e Anna. “Fiz exactamente as mesmas coisas que me fizeram odiar os meus pais. Abusei também do filho da minha irmã, Johann. Odiei-me por tê-lo feito. Odiava olhar para o meu próprio corpo, limpá-lo ou cuidar dele, sabia que era apenas usado para destruir vidas inocentes.”

O assédio em contexto familiar não é incomum. O abusador tem, nesse caso, contacto privilegiado com a criança e mais poder sobre ela. “Se acontece dentro da família, as consequências podem ser devastadoras, o que leva muitas crianças a não revelar o abuso”. Mesmo quando o abuso é confessado a outro familiar, existem factores que podem desencorajar uma queixa às autoridades: dependência financeira do abusador, vergonha, descrença no sistema judicial, medo de que a criança seja excluída. “Conheci o caso de uma menina de 12 anos que foi enviada pela mãe para uma outra cidade para dar à luz. A mãe escondeu a gravidez de toda a gente. Em vez de ajudar a criança e de ser feito um aborto, preferiu que a menina mantivesse a gravidez e que o recém-nascido fosse dado para adopção. Não acredito que ela quisesse prejudicar a própria filha, mas…” “O silêncio foi mais fácil do que a vergonha”, concluiu Mariella. Em alguns países, onde o matrimónio depende da virgindade da mulher, as queixas formais de abuso sexual de menores são ainda mais raras.

Mariella acredita que na génese de todo o abuso sexual está alguma forma de abuso sofrida pelo perpetrador. “Um historial de abuso físico ou psicológico é comum a todos os agressores que conheci. Não quero com isto dizer que todos os que sofrem abuso se tornam agressores, quero apenas frisar que o abuso é o denominador comum a todos os agressores.” Acredita que a comunidade escolar pode ter um papel importante na detecção de casos de risco e que, para tal, deverá receber formação suplementar. “É urgente um investimento nesse campo por parte dos governos. Nos Estados Unidos, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças diz que o custo a longo prazo de apenas um ano de casos reportados de abuso sexual de crianças custa ao estado 124 biliões de dólares. Estas pessoas irão lidar com depressão, problemas psicológicos e psiquiátricos, suicídio, consume de álcool ou drogas. Se esse dinheiro fosse investido em prevenção e formação de profissionais escolares…”

Mariella Furrer nasceu no Líbano, em Beirute, e vive desde os primeiros anos de vida no Quénia. O livro auto-publicado “My Piece of Sky” recebeu diversos prémios: a última atribuição foi feita pela International Photography Award, que o considerou o segundo melhor fotolivro do ano de 2015. Mariella trabalha como fotojornalista “freelancer” entre países africanos e europeus e o seu trabalho já conheceu publicação “Sunday Times Magazine of London”, “Time Magazine, “Newsweek”, “Life Magazine” e “New York Times”. Mariella Furrer foi também júri da última edição do World Press Photo.

Depoimentos:

 

Portia (vítima): “A minha assistente social disse que eu não tinha ar de quem tivesse sido violada. O meu padrasto não foi preso porque estava apenas a ensinar-me a ser mulher.”

Venus (vítima): “Olha o que ele me fez. Nunca vou perdoá-lo. Ele vai pagar por isto.”

Rebecca (vítima): “Tive sorte porque a minha amiga Elizabeth e todas as outras foram esfaqueadas e eu não.”

Babalwa (vítima): “O médico disse-me que não vou poder ter filhos. O meu tio danificou o meu útero.”

Thuli (vítima): “O meu pai violava-me três vezes por semana. Quando comecei a pensar em matá-lo, uma certa calma tomava conta de mim. Parecia a coisa certa a fazer.”

Ashley (vítima): “A culpa é minha porque o meu corpo sentiu prazer.”

Peter (abusador): “Quando tinha nove ou dez anos, molestava uma menina. A minha segunda vítima tinha cinco ou seis anos, mas foi por pouco tempo. A minha irmã também estava envolvida nos meus jogos sexuais.”

Nigel (abusador): “O maior alerta que posso lançar é que a maior parte dos abusadores são pessoas simpáticas. Isto porque as crianças não seguiriam um monstro.”

Ryan (abusador): “Sei que é doente, mas não consigo evitar.”

 

Visualizar todas as fotografias da reportem no link:

http://p3.publico.pt/cultura/livros/19202/abuso-sexual-de-menores-o-olhar-das-vitimas-e-dos-agressores

 


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