Sempre ligado – Vídeo da Seguranet

Fevereiro 27, 2016 às 5:41 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Saiba a quem pode doar 0,5% do seu IRS e faça a diferença

Fevereiro 27, 2016 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://visao.sapo.pt/iniciativas/visaosolidaria de 12 de fevereiro de 2016.

A notícia contém declarações da Drª Dulce Rocha, Vice-Presidente do Instituto de Apoio à Criança.

A VISÃO selecionou, com a ajuda de especialistas habituados a estar no terreno, 20 associações que todos os dias precisam de mais meios para continuar o seu trabalho meritório.

Sónia Calheiros

Este ano, quando entregar a sua declaração de IRS, lembre-se que pode ajudar os mais carenciados. Basta preencher o quadro 9 no anexo H (modelo 3), selecionando se é uma instituição religiosa, uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) ou Pessoa Coletiva de Utilidade Pública e colocar o respetivo Número de Identificação de Pessoa Coletiva (NIPC).

Com a ajuda de um grupo de especialistas de várias áreas, habituados a estar no terreno, selecionámos 20 associações que todos os dias precisam de mais meios para continuar o seu trabalho meritório. Veja os conselhos de Dulce Rocha, Conceição Zagalo, Rui Marques e Mercedes Balsemão. E, se quiser, consulte aqui a lista completa e oficial dos mais de 2000 possíveis beneficiários.

Gonçalo Rosa da Silva

Associação Famílias Diferentes

NIPC 513 195 769

Apoiam famílias carenciadas, seguindo princípios cristãos, em Gaia, Peniche e Lisboa (zona de Olivais Norte e Prior Velho). Prestam ajuda alimentar, acompanhamento individual, apoio a sem-abrigos e têm uma loja social/banco do tempo.

Sol – Associação de Apoio às Crianças Infetadas pelo Vírus da Sida e Suas Famílias

NIPC 503 075 922

Desde 1992 que a associação promove a igualdade de tratamento e apoio na luta contra a discriminação e na promoção da cidadania e dos direitos do Homem e da Criança. Para Dulce Rocha, do Instituto de Apoio à Criança, “antes da Sol, as crianças que nasciam com HIV eram muito discriminadas. Ninguém as queria receber. A situação alterou-se, felizmente. A sida tornou-se uma doença crónica. As crianças cresceram, sempre com fragilidades, claro, mas com esperança de vida, e atualmente os adolescentes lutam por encontrar quem lhes dê trabalho. Ultimamente, a grande preocupação da Teresa Almeida era justamente encontrar trabalho para os seus meninos.”

APSI – Associação para a Promoção da Segurança Infantil

NIPC 502 886 412

Há mais de 20 anos que a associação trabalha para a promoção de comportamentos e práticas e a fim da criação de ambientes e produtos seguros que garantam às crianças e jovens um crescimento saudável. O seu objetivo principal é reduzir o número e a gravidade dos acidentes e as suas consequências nestas faixas etárias.

Ajuda de Mãe

NIPC 502 617 780

Fundada em 1991, por iniciativa de um grupo da sociedade civil para apoiar cada mãe, cada família de modo a receber o bebé em condições dignas, promovendo o bem-estar físico, emocional e social das grávidas.

IAC – Instituto de Apoio à Criança

NIPC 501 377 662

“Vamos fazer 33 anos e a crise abalou muito as nossas finanças. Claro que, durante muito tempo, o prestígio da doutora Manuela Eanes garantiu os nossos financiamentos, mas agora a situação alterou-se e os projetos ressentem-se: a Linha SOS Criança é um verdadeiro serviço público de grande alcance e de primeira necessidade. O Projeto Rua, com as iniciativas únicas, de giros noturnos, no apoio aos adolescentes de risco mais difíceis, presta um apoio especial aos mais vulneráveis: os que fogem, os que desaparecem, os filhos de ninguém… O nosso serviço jurídico presta apoio especializado às questões mais complexas. Desde as regulações em casos de divórcios às questões dos abusos sexuais. São serviços caros, mas indispensáveis, e que só as ONG podem prestar”, explica Dulce Rocha, vice-presidente do IAC

Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos

NIPC 504 615 483

Atuam nos concelhos de Lisboa, Loures e Amadora, onde se concentra grande parte da comunidade cigana nacional. Nos oito centros de atividades, têm jardins de infância, ocupação de tempos livres (6-18 anos), no centro comunitário fazem atendimento, sensibilização para questões de saúde, de escolarização, intervenção cívica e cuidados ambientais, entre outras temáticas. Prestam ainda apoio alimentar a 170 famílias.

Aguinenso – Associação Guineense de Solidariedade Social

NIPC 501 808 272

Emigrantes que apoiam diversas comunidades na Zona J, no bairro de Chelas, em Lisboa, desde guineenses, portugueses, angolanos, cabo-verdianos, são-tomenses, ucranianos, nigerianos. Apoio alimentar, jurídico, de inserção profissional e de cuidados médicos.

Aldeias de Crianças SOS

NIPC 500 846 812

“Amor e um lar para cada criança” resume a missão da associação que está há mais de 50 anos em Portugal e já ajudou na construção de mais de 500 vidas de crianças desprotegidas.

CAIS – Associação de Solidariedade Social

NIPC 503 404 756

“A CAIS, a cuja assembleia-geral tenho o privilégio de presidir, é uma associação que tem como missão contribuir para a melhoria das condições de vida de pessoas social e economicamente vulneráveis, em situação de privação, exclusão e risco. Anteriores coletas foram cruciais para conseguir capacidade de resposta a problemas concretos, designadamente os que, via criação de micro-negócios e prestação de serviços, permitiram preparar e integrar no mercado de trabalho um número significativo de cidadãos”, afirma Conceição Zagalo.

Centro de Solidariedade Social Padre José Filipe Rodrigues

NIPC 502 377 380

Situado na freguesia de Zibreira, em Torres Novas, concelho de origem de Conceição Zagalo, presidente da assembleia-geral da CAIS, este equipamento social presta apoio a 20 idosos em centro de dia, 16 em apoio domiciliário e 46 em lar. “A chegada a esta associação não é o fim da linha. É, sim, um espaço de vida, de dinâmica, de alegria e, sobretudo, de carinho e atenção. Com uma equipa extremamente dedicada e empenhada em fazer deste equipamento um verdadeiro porto seguro para os seus utentes, o centro desenvolve atividades tão diversas, como momentos mais tecnológicos, que colocam em contacto os familiares distantes, o regresso à escola ensinando a ler quem não teve a oportunidade em tempo devido, as máscaras de Carnaval ou a confeção de iguarias tradicionais em épocas festivas, como as broas nos Santos ou os fritos de Natal. A consignação de 0,5% do IRS permitirá, por exemplo, adquirir uma carrinha com rampa elevatória, que permita transportar utentes e assim concretizar sonhos de vida nunca antes conseguidos, como seja uma viagem a ver o mar, à serra da Estrela ou ao Santuário de Fátima, afinal ali tão perto. Mas poderá também possibilitar a viagem de sempre a França para saber onde e como vive a família, há tantos anos emigrada, ou reunir, finalmente e à volta da mesa, todos os familiares separados ao longo da vida.”

AFID – Associação Nacional de Famílias para a Integração da Pessoa com Deficiência

NIPC 501 537 775

“A AFID celebrou 30 anos de existência, em 2015. Ao longo do seu vasto percurso criou também a Fundação AFID Diferença, que por sua vez comemorou 10 anos, uma instituição de solidariedade social que se dedica a iniciativas de reabilitação, educação, formação e inserção socioprofissional de pessoas com deficiência. Desenvolve igualmente um conjunto de atividades de apoio à comunidade e serviços de proximidade nos domínios da assistência e solidariedade social, apoio à infância e à terceira idade. É a primeira Instituição da área social em Portugal certificada ao nível da qualidade. Atualmente, a AFID atende perto de 1500 pessoas para as quais trabalham diariamente 192 colaboradores. O resultado financeiro desta contribuição vai ser aplicada nas despesas de 12 jovens com deficiência mental e multideficiência, que não têm família e se encontram a cargo da AFID em termos de tutoria”, explica Conceição Zagalo.

CPR – Conselho Português para os Refugiados

NIPC 503 013 862

“A mais antiga instituição que se dedica em Portugal ao acolhimento de refugiados e à defesa desta causa”, justifica Rui Marques, presidente da direção do Instituto Padre António Vieira

Serviço Jesuíta aos Refugiados – JRS Portugal

NIPC 504 776 150

Para Rui Marques, presidente da direção do Instituto Padre António Vieira, é uma “associação com trabalho direto de terreno, com acolhimento e integração de refugiados”.

IPAV – Instituto Padre António Vieira

NIPC 507 143 841

Associação que coordena todo o trabalho da Plataforma de Apoio aos Refugiados em Portugal.

Cruz Vermelha Portuguesa

NIPC 500 745 749

Fundada em 1865, tem atuado em cenários emergentes de conflitos armados e/ou de desastres e catástrofes naturais, tanto em território nacional como internacional. Todos os dias presta assistência humanitária e social, em especial aos grupos mais vulneráveis – idosos, dependentes, crianças, vítimas de violência doméstica, pobres, imigrantes, sem-abrigo, toxicodependentes, reclusos, pessoas com deficiência, entre outros.

Amnistia Internacional

NIPC 501 223 738

Galardoada com o Prémio Nobel da Paz em 1977, pela sua missão de defesa dos Direitos Humanos, a Amnistia conta com mais de sete milhões de apoiantes e membros em todo o mundo, desenvolvendo o seu trabalho em mais de 150 países e territórios, desde 1961.

Associação Portuguesa para as Perturbações de Desenvolvimento e Autismo de S. Miguel e Santa Maria

NIPC 512 076 057

Para Mercedes Balsemão, presidente e cofundadora da SIC Esperança, a APPDA de S. Miguel e Santa Maria assume-se, atualmente, como “uma resposta eficaz para os casos de autismo nos Açores, estando sediada em Ponta Delgada. Com valências de Centro de Atendimento e Acompanhamento Psicossocial, presta apoio direto a cerca de 50 utentes. Pontualmente, dá também apoio a casos das restantes ilhas do arquipélago dos Açores. A associação tem como missão promover a qualidade de vida e a integração social das pessoas com perturbações do desenvolvimento e do espetro autista através da promoção de medidas adequadas, quer nas áreas de formação e da educação, quer no apoio prestado aos pais. Entre outras, oferece aos seus utentes a musicoterapia, uma terapia eficaz na promoção do desenvolvimento social dos seus beneficiários.”

Cáritas Diocesana de Beja

NIPC 500 918 449

Para Mercedes Balsemão, presidente e cofundadora da SIC Esperança, a Cáritas Diocesana de Beja “destaca-se pelo trabalho realizado no distrito, que, através da diversidade de respostas sociais que oferece, presta um apoio fundamental a indivíduos e famílias, em situação de carência económica, que não dispõem de recursos financeiros suficientes para fazer face às suas necessidades”.

ACEP – Associação Cultural e de Educação Popular

NIPC 500 794 979

“Sediada na freguesia da Meadela, concelho de Viana do Castelo, a ACEP desenvolve o seu apoio em quatro setores de atividade: infantil, juvenil, adultos e artes e espetáculos. Pela sua diversidade, representa uma mais-valia para a população que beneficia, promovendo respostas às necessidades reais de toda a população. Desenvolve atividades e serviços com vista à promoção e integração social dos indivíduos e suas famílias, estimulando uma sociedade mais participativa”, afirma Mercedes Balsemão, presidente e cofundadora da SIC Esperança.

Associação Coração Amarelo

NIPC 504 813 846

Associação de referência no combate ao isolamento social dos idosos, a associação foi fundada em 2000, contando atualmente com cerca de 700 voluntários a nível nacional e sete delegações a atuar pelo País: Lisboa, Oeiras, Cacém, Cascais, Sintra e Porto. Promove, entre outras, iniciativas que visem apoiar pessoas em situação de solidão e/ou dependência, preferencialmente as mais idosas. Os voluntários acompanham os beneficiários da associação, quer no seu domicílio – lendo, escrevendo cartas, preenchendo documentos, entre outras atividades que lhe possam ser úteis – quer no exterior – acompanhando ao correio, à igreja, ao banco, ao médico, ao hospital, a casa de familiares ou amigos. O desenvolvimento destas e de outras ações levadas a cabo pela associação inserem-se na procura da prática de uma nova cidadania e no reforço das redes de solidariedade intergeracional”, declara Mercedes Balsemão, presidente e cofundadora da SIC Esperança.

visao

Campanha de Apoio aos Refugiados – SIC Esperança

A mais recente campanha de angariação de fundos, a decorrer até 17 de fevereiro, é o primeiro projeto de ajuda humanitária da SIC Esperança fora do território nacional. A missão é adquirir tendas familiares e kits individuais de emergência (toalha, cobertor térmico, garrafa de água, barra energética, roupa seca e sapatos) para serem distribuídos em campos de refugiados. O valor doado será entregue ao ACNUR – Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, que ficará encarregue da aquisição, transporte e entrega de todos os materiais nos campos. Basta um telefonema (T. 760 300 500, custo da chamada €0,60 + IVA, dos quais €0,50 revertem para esta causa) ou uma transferência bancária para o IBAN PT50 0036 034499100016957 64.

 

 

 

IV Encontro da CPCJ da Povoação “Saúde Mental na Infância e Adolescência”

Fevereiro 26, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Comissão de Proteção de Crianças e Jovens da Povoação vai realizar no dia 04 de março de 2016, no Auditório Municipal da Povoação, o IV Encontro da C.P.C.J. da Povoação “Saúde Mental na Infância e Adolescência”. O objetivo do evento prende-se com a necessidade de proporcionar formação atualizada para os técnicos, bem como para estudantes, de forma a refletir sobre as problemáticas sociais que consideramos da atualidade e com maior incidência na nossa sociedade.
Para qualquer informação adicional, não hesite em contactar-nos através do telefone 296 55 99 68 ou correio electrónico cpcjp@hotmail.com

https://www.facebook.com/CPCJ-da-Povoa%C3%A7%C3%A3o-728634803909633/?fref=nf

Tragédia em Caxias mostra “todo o sistema a falhar” – Entrevista de Dulce Rocha do IAC à Rádio Renascença

Fevereiro 26, 2016 às 2:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista da Drª Dulce Rocha, Vice-Presidente do Instituto de Apoio à Criança à Rádio Renascença no dia 17 de fevereiro de 2016.

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A vice-presidente do Instituto de Apoio à Criança diz à Renascença que têm de ser apuradas responsabilidades no caso da mulher suspeita de se ter lançado ao Tejo com duas filhas. O diagnóstico de depressão terá falhado, afirma Dulce Rocha.

Pode ter havido falha do diagnóstico de depressão da mulher que foi detida, esta quarta-feira, por suspeita de homicídio das suas duas filhas menores, numa praia em Caxias, Oeiras. A antiga procuradora Dulce Rocha, actual vice-presidente do Instituto de Apoio à Criança, lamenta que os técnicos que acompanharam a família não se tenham apercebido do grau de depressão de que a mulher, de 37 anos, provavelmente sofria.

“É todo o sistema a falhar, não é só um serviço que falha aqui provavelmente não houve um diagnóstico, não se aperceberam da gravidade da situação”, afirma Dulce Rocha à Renascença.

A família estava a ser acompanhada desde que a mulher fez uma denúncia por abusos sexuais das meninas e violência doméstica, por parte do pai das vítimas. Falando antes de se ter confirmado a detenção, Dulce Rocha explicou à Renascença que tudo indica que a mulher devia ter sido submetida a cuidados psiquiátricos.

“Tem muito a ver com a rede de saúde mental que temos em Portugal, porque os funcionários do Ministério Público não são psiquiatras e provavelmente não se aperceberam da gravidade da situação. Provavelmente naquele caso devia-se ter encaminhado para a saúde mental e a saúde mental ter meios para socorrer esta senhora. Estas situações são muitas vezes desvalorizadas e que não há recursos”, lamenta Dulce Rocha.

Em questão está também a forma como os técnicos abordam as situações, podendo alarmar os pais, o que pode ser contraproducente. “Tem de haver todo um conjunto de soluções para acolher estas crianças, sem ser uma retirada das crianças à mãe que ela tenha a sensação de ser definitiva. Caso contrário vai dizendo que não está tão mal assim, ela própria esconde a sua depressão para que não lhe sejam retirados os filhos, diz.

“Tem de haver uma consciencialização, por parte dos serviços, de que estas pessoas têm de ser tratadas com muita humanidade, com muita compaixão”, avisa a dirigente do Instituto de Apoio à Criança.

Uma criança de 19 meses morreu e outra de quatro anos está desaparecida desde segunda-feira à noite. O alerta foi dado por uma testemunha que viu uma mulher sair da água na praia de Caxias, em pânico, em avançado estado de hipotermia e a afirmar que as suas duas filhas estavam dentro de água.

A criança de 19 meses foi resgatada e alvo de tentativa de reanimação, mas sem sucesso.

O gabinete de imprensa da Procuradoria-Geral da República disse à Renascença que o pai das crianças está indiciado por violência doméstica e suspeita de abusos sobre as meninas.

 

 

 

Crianças podem ficar sozinhas em casa a partir de que idade? Depende

Fevereiro 26, 2016 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do Público de 20 de fevereiro de 2016.

publico

Alexandra Campos

Pediatras dizem que antes dos 12 anos é complicado. Outros especialistas preferem não falar de idades.

Primeiro, o óbvio: uma criança com cinco anos não pode ser deixada sozinha em casa. Depois, a pergunta com que muitos pais se vão confrontando à medida que os seus filhos crescem: a partir de quando é que começa a ser seguro para um menor permanecer em casa sem a presença de adultos? Os especialistas preferem não estabelecer uma idade. Mas, enquanto há alguns que acreditam que este tipo de experiência pode iniciar-se, de forma gradual e controlada, a partir de idades mais precoces, há outros que atiram o princípio deste processo de autonomização para mais tarde, os 12 anos.

A pediatra Maria do Céu Machado não tem dúvidas: antes dos 12 anos, não se deve deixar uma criança sozinha em casa. “Mesmo aos 12 anos, tem de ser um miúdo com maturidade”, enfatiza a ex-Alta Comissária da Saúde que lembra que até há países, como a Holanda, onde este tipo de situação “é razão para retirar as crianças aos pais”. O pediatra Mário Cordeiro, num recente artigo sobre o tema na revista Pais e Filhos, também defende que “idealmente, nenhuma criança ou adolescente com menos de 12-14 anos deveria ficar nesta situação”. Mas a realidade é diferente, concede: “Ficar sozinho em casa é, provavelmente, uma necessidade incontornável para muitas crianças e adolescentes”.

Uma idade? Para o sociólogo Manuel Sarmento, do Instituto de Educação da Universidade do Minho, esta questão “não é susceptível de ser definida do ponto de vista etário”. Ainda que na realidade haja crianças “entregues a si próprias”,  por vezes “aos seis anos”, “devemos pensar que estamos a trabalhar num cenário de uma sociedade organizada em que se supõe que existe uma vulnerabilidade na infância que determina a existência de pais, de cuidadores”. De resto, nota, deixar ou não uma criança sozinha em casa “depende da própria criança, do contexto em que está inserida, do seu grau de autonomia”.

“Não sei se alguém se atreve a definir uma idade. Eu não”, atira Sandra Nascimento, presidente da Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI). Lembrando que esta é “uma questão muito complicada, porque depende da criança, da sua experiência e maturidade, da família, do sítio onde vive”, Sandra Nascimento defende mesmo que é “bom que não haja nada escrito, preto no branco, sobre isto”. “Esta pode ser uma armadilha para as crianças e pais”, justifica.

Para a presidente da APSI, o que é importante é garantir que, antes de ficarem sozinhas em casa, as crianças comecem “a ser preparadas para isso, a ser ensinadas a reconhecer os perigos”, a saber o que fazer. “Por exemplo, aos seis, sete anos, gostam de fazer experiências com fósforos. É preciso definir regras, explicar que só o podem fazer na presença dos pais. Este deve ser um processo gradual”, acrecenta.

“Uma criança com cinco anos, sozinha, num 21.º andar? É desesperante!”, começa por observar Helena Cardoso Menezes, ex-presidente da APSI. Esta especialista em saúde pediátrica acredita que será possível avançar com experiências de autonomização  “entre os oito e os 12 anos”, mas por períodos curtos e de forma controlada, e sempre tendo em conta que a decisão “depende das circunstâncias, da personalidade da criança, do facto de haver ou não vizinhos avisados”.

A mais velha de quatro irmãos, de quem começou a tomar conta aos 11 anos, Helena Menezes lembra que há países em que as crianças começam, por exemplo, a ir sozinhas para a escola bem cedo, “aos seis, sete anos”, mas “são países em que o planeamento urbano está bem pensado”. Actualmente os pais são mais protectores, nota a especialista, que aproveita para alertar para outro tipo de problema: “a falta de autonomia dos miúdos portugueses”. “Por vezes são tratados como incapazes”, lamenta.

De resto, do ponto de vista da legislação nacional, não há qualquer norma que estipule idades a partir das quais as crianças ou jovens podem ou não ser deixadas sozinhas em casa. O que o Código Civil diz é que “o dever de vigilância é uma das responsabilidades parentais” e esta, em teoria, deve ser exercida até à maioridade, explica Cristina Dias, da Escola de Direito da Universidade do Minho. Mas aqui há, nota, “o princípio de bom senso”. “Só os pais podem aferir o grau de maturidade da criança e jovem”, frisa.

O psicólogo forense Carlos Poiares também destaca o dever de vigilância previsto no Código Civil e nota igualmente que a decisão sobre a idade a partir da qual se pode deixar sózinho em casa um menor é “uma questão de bom senso”.

 

 

 

Leva crianças no carro e fuma? Em Itália isso pode custar-lhe €500 de multa

Fevereiro 26, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 4 de fevereiro de 2016.

SHAILESH ANDRADE  REUTERS

Parlamento italiano combate os “maus fumadores” em nome do ambiente e da saúde pública. Há multas pesadas previstas para diversos casos.

Há uma polémica acesa em Itália, depois de Parlamento ter aprovado um pacote de medidas de combate aos fumadores indisciplinados. Estes poderão enfrentar multas até 500 euros, punições apertadas que visam diminuir um grave problema da saúde pública italiana.

As novas leis proíbem, por exemplo, que se fume em espaços públicos fechados – escritórios, cafés, cinemas ou instalações médicas. Fumar no carro com crianças ou perto de grávidas passa a ser também alvo de sanção.

Atirar beatas para o chão também é proibido nas cidades italianas, como parte de uma lei separada de combate ao lixo na via pública. Já quem vender tabaco a menores ficará sem licença.

A este combate aos “maus fumadores” junta-se um investimento de 35 milhões de euros na diminuição da extrema poluição do ar que atormenta as grandes cidades italianas – em algumas, até as tradicionais pizzarias foram afetadas, deixando de ser feitas em fornos de lenha para ajudar no combate. Só em Roma são fumados 11 milhões de cigarros por dia, o que se traduz em custos avultados para a poluição e limpeza das ruas da cidade.

As medidas têm inspiração nas leis comunitárias de combate ao tabagismo e, inclusive, vão mais longe do que as aplicadas em Portugal, onde há exceções à norma que proíbe o fumo em espaços públicos.

Os números indicam a existência de 10,3 milhões de fumadores em Itália, perto de 19% da população. Estima-se que ocorram no país entre 700 a 800 mil mortes por ano ligadas ao excessivo consumo de tabaco.

 

 

 

“NÃO É AUTISMO, É IPAD”

Fevereiro 26, 2016 às 6:00 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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texto do site  http://www.contioutra.com de 4 de março de 2015.

ipad_boy

A fonoaudióloga Maria Lúcia Novaes Menezes está preocupada com um fenômeno que tem percebido nos últimos tempos: o aumento do número de crianças muito novas – de dois ou três anos – usando tablets.

Profissional com mais de 30 anos de experiência, a doutora tem atendido, em seu consultório no Rio de Janeiro, inúmeros casos em que os pais chegam a suspeitar que os filhos são autistas, sem perceber que o uso prolongado de tablets, joguinhos eletrônicos e celulares é que está dificultando o desenvolvimento da comunicação das crianças.

Fiz uma breve entrevista com a doutora Maria Lúcia Novaes Menezes. Aqui vai a conversa:

A senhora disse estar assustada com o número de pais que deixam filhos pequenos – crianças de dois ou três anos – usarem tablets. Isso tem aumentado nos últimos tempos?

A cada ano percebe-se que aumenta o número de crianças com menos de três anos de idade fazendo uso de tablets. Podemos observar, nos shoppings, bebês com tablets pendurados nos carrinhos. Isso tem prejudicado o desenvolvimento da linguagem e, principalmente, da socialização.

Quais as consequências que a senhora tem percebido nas crianças?

Se considerarmos que, nos primeiros três anos de vida da criança o desenvolvimento da cognição social se dá através do desenvolvimento da intersubjetividade, ou seja, que as diferentes fases da interação da criança com seus pais e cuidadores se dão através de compartilhar experiências e do olhar da criança para o outro, a utilização do tablet impede estas ações.

O tablet, utilizado por longo tempo, retira do contexto da criança esse contato fundamental para a socialização, causando um prejuízo no desenvolvimento das habilidades humanas que dependem da socialização, do envolvimento com o outro, prejudicando o desenvolvimento da socialização e do aprendizado que depende de experiências com o mundo à sua volta.

A senhora mencionou que alguns pais a procuram para tratar de supostos problemas de comunicação das crianças, sem perceber que o uso do tablet é uma das principais razões para isso.

O que tenho observado, principalmente no último ano de clínica, é que o uso do tablet e outros eletrônicos está cada vez mais tomando o lugar da interação entre as crianças e seus pais e o brincar no contexto familiar. Os pais passam muito tempo no trabalho, chegam em casa cansados e, quando os filhos querem assistir desenhos e joguinhos no tablet, eles liberam, em vez de tentar conversar ou brincar.

Como conseqüência, se a criança tem alguma dificuldade para adquirir a linguagem e a socialização, essa pouca comunicação com os pais poderá desencadear esse déficit. Talvez, em um contexto familiar onde fosse mais estimulado a se comunicar e brincar, essa dificuldade não aparecesse de forma tão acentuada. Essa hipótese surgiu da minha prática clínica, onde na entrevista com os pais eles relatam o uso de tablets, jogos no celular e DVD. Tem acontecido com freqüência que a observação dos pais da forma que interagimos e brincamos com a criança no set terapêutico e como, aos poucos, seu filho vai começando ou expandindo a sua comunicação e o interesse em brincar, eles mudam a dinâmica com seus filhos no contexto familiar, a comunicação verbal e social da criança começa a expandir, os pais ficam mais tranquilos e mais próximos dos filhos, e a criança, tendo a companhia do pai ou da mãe, passa a se interessar mais pelos brinquedos e em brincar e diminui o interesse pelo tablet, DVDs e joguinhos nos celular.

A senhora mencionou casos em que os pais suspeitavam ter um filho autista, mas o problema da criança se resumia a uso prolongado de novas tecnologias.

No ano de 2014 atendi crianças com idade em torno de dois anos, trazidas com queixa de comunicação social e desenvolvimento da fala, os pais suspeitando de autismo. Mas, ao mudar a dinâmica familiar, essas crianças apresentaram uma mudança muito grande na sua comunicação social e verbal.

O que os pais devem fazer para evitar problemas desse tipo, numa época em que os tablets estão em todos os lugares?

Sei que é difícil ir contra o sistema e penso que a criança deve ser cobrada pelos amiguinhos para ter e usar um tablet. O que talvez auxiliasse a romper com o hábito dos joguinhos eletrônicos e tablets seria restringir ao máximo possível o uso do tablet. Talvez a melhor forma de se conseguir é dando mais atenção ao filho através de conversas, do brincar, e utilizar mais jogos não eletrônicos e mais interativos.

Currículo de Maria Lúcia Novaes Menezes

Fonoaudióloga formada em 1984 pela Faculdades Integradas Estácio de Sá, mestre em Distúrbios da Comunicação, em 1993, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, com cursos na New York University reconhecidos e creditados neste mestrado e doutora em Saúde da Criança e da Mulher pela Fundação Oswaldo Cruz (2003). Aposentada da FIOCRUZ em 2014, mas ainda permanecendo como orientadora do projeto de pesquisa do Ambulatório de Fonoaudiologia Especializado em Linguagem / AFEL. Atua como fonoaudióloga na clínica em avaliação e diagnóstico dos distúrbios da linguagem e orientação aos pais. Autora da escala de Avaliação do Desenvolvimento da Linguagem, idealizado, padronizado e validado no Brasil para avaliar o desenvolvimento da linguagem da criança brasileira.

Fonte indicada: André Barcinsk

Ler mais: http://www.contioutra.com/nao-e-autismo-e-ipad/#ixzz40FkzQAG6

 

 

 

Nós, os fantásticos seres vivos: uma breve história sobre Evolução (com legendas em português)

Fevereiro 25, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Recursos educativos, Vídeos | Deixe um comentário
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Muitos casos de crianças em perigo são ignorados aos primeiros sinais

Fevereiro 25, 2016 às 4:35 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 20 de fevereiro de 2016.

A notícia contém declarações da Drª Ana Perdigão – Coordenadora do Serviço Jurídico do instituto de Apoio à Criança.

Enric Vives Rubio

ANA DIAS CORDEIRO

Uma mulher está presa por suspeitas de homicídio qualificado das duas filhas, de 20 meses e quatro anos. Não só o Estado, também a comunidade e a família devem estar atentos aos indícios de risco. E nem sempre estão.

Perante situações tão trágicas como a desta semana em que duas meninas levadas pela mãe perderam a vida no mar em Caxias, “é fácil apontar falhas” do sistema de protecção. Difícil será dotá-lo da capacidade de resposta para agir em tempo útil e salvar as crianças, diz uma jurista do Instituto de Apoio à Criança (IAC), Ana Perdigão. A explicação não passará tanto por falta de legislação: “O cenário legal é vasto”, e as leis de protecção foram revistas no ano passado.

A situação destas duas crianças, de “contornos tão complexos e profundos”, como diz a jurista, interpela não apenas o Estado, mas a comunidade e a família, considera também a psicóloga clinica Fernanda Salvaterra. “As pessoas esquecem-se: há o Estado mas também há a família. A família é o primeiro sistema, é o que está mais próximo das pessoas e tem obrigações. E a comunidade: todos os ecossistemas onde a família se movimenta devem dar o alerta.”

Uma explicação poderá passar pela falta de respostas céleres aos primeiros sinais de risco que, muitas vezes, não são logo percebidos – ou denunciados. As respostas específicas de saúde mental são escassas e estão longe das pessoas. Apresentam-se de tal forma demoradas e espaçadas no tempo que deixam escapar situações de perigo. Como pode a perturbação desta mãe não ter sido detectada a tempo? – questiona Ana Perdigão.

Os serviços de saúde mental devem estar muito mais próximos das pessoas, considera também Fernanda Salvaterra. As respostas são deficitárias não só na saúde mental, mas também no acolhimento, diz a psicóloga. As consultas de psiquiatria devem ser marcadas aos primeiros sinais de perturbação, insiste. E isso não acontece. Muito poucos centros de saúde têm psicólogos e as consultas de psiquiatria nos hospitais não são marcadas com a urgência e a frequência exigidas por muitos dos casos que chegam às comissões de protecção ou ao IAC.

“Em muitas das situações, é necessário acompanhamento psicológico das crianças, ou apoio psicológico à mãe ou ao pai, ou até um acompanhamento à família. Debatemo-nos com essa dificuldade de obtermos essas respostas em tempo útil”, acrescenta Fernanda Salvaterra, que exerce funções numa comissão de protecção de crianças e jovens. As soluções “não correspondem às necessidades de haver acompanhamento próximo, regular, semanal”.

“Os sinais têm de ser percebidos, logo de início, pelas instituições da infância e juventude, por todos os serviços da comunidade por onde passam as crianças: a escola, a creche, o centro de saúde, os hospitais, as associações juvenis”, reforça o procurador-geral adjunto do Tribunal da Relação do Porto, Francisco Maia Neto, com vasta experiência em processos de Família e Menores. “É normalmente neste primeiro patamar [de intervenção] que se colhem os indícios.”

Portugal assistiu, nos últimos anos, “a um apogeu destes casos”. Desde 2012, “homicídios de filhos seguidos de suicídios foram muito mais comuns”, diz. “São coisas traumáticas. O que está em causa é se o sistema pode e deve preocupar-se com a identificação dos primeiros sinais de perigo. Houve situações mais graves do ponto de vista humano por motivos económicos e não houve um correspondente acompanhamento das organizações da primeira linha para detectar os sinais.”

Os gabinetes de apoio à criança e à família nas escolas, onde os mais novos partilham as suas rotinas com assistentes sociais ou psicólogos, é “um óptimo local para detectar situações que não correm bem”, sugere Ana Perdigão. As equipas não se têm mantido e, em muitos casos, não tem sido prestada a devida atenção às crianças.

As instituições precisam de técnicos. E os técnicos precisam de tempo para escutar as crianças, diz Ana Perdigão, ou para avaliar a situação de uma mãe. Para avaliar, encaminhar, sinalizar, reforça. “A necessidade da urgência das respostas agravou-se com a crise, também porque a crise instalada traz muitos mais problemas emocionais. A própria saúde mental das pessoas fica mais fragilizada. Um pai e uma mãe desempregados ficam muito mais expostos a tudo o que seja adverso. E mais facilmente chegam a estados de desespero.”

Para que situações como a das mortes de Caxias não se repitam, será preciso detectar os indícios “no sítio próprio, em tempo útil”, observa Francisco Maia Neto, que coordenou a comissão de revisão das leis de protecção. E isso não está a acontecer, considera. “Os sinais são fundamentais. É muito importante denunciar.”

Mesmo denunciando, podem surgir dúvidas. A mãe das meninas de Caxias está presa preventivamente, indiciada por dois crimes de homicídio qualificado, depois de o Ministério Público ter considerado que agiu com “especial censurabilidade ou perversidade”. Sobre o pai incidiam suspeitas de violência doméstica e abusos sexuais das duas filhas, que este nega e que a justiça investiga. As crianças presenciavam as violentas discussões do casal, reconhece o pai, alegando que a mulher lançou acusações sobre ele para obter vantagens no processo de regulação parental depois de um divórcio conturbado.

Os casos de regulação parental mais complicados envolvem, por vezes, acusações deste tipo, “nem sempre verdadeiras”, reconhece Fernanda Salvaterra. “Isso não quer dizer que não se deva tomar a devida atenção. Às vezes, o tribunal tem dificuldade em decidir, em saber onde está a verdade”, acrescenta. E aconselha cautela na forma como se fala de falsas denúncias. “Pode parecer que há sempre manipulação das situações, e não há. Há casos muito graves em que é preciso intervir de imediato, em que as pessoas se queixam com toda a legitimidade por se sentirem ameaçadas e por as crianças estarem em risco.”

Uma denúncia da PSP, a quem a mãe tinha apresentado queixa em Novembro, depois da separação, deu entrada na Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) da Amadora em Novembro passado. O caso foi remetido ao Ministério Público – como de resto prevê a lei de protecção desde as alterações legislativas do ano passado, em caso de suspeitas de abuso sexual intrafamiliar, diz Francisco Maia Neto. Desde a alteração, as comissões deixaram de ter competência neste tipo de situações, uma vez que a sua intervenção depende da autorização dos pais. “São os casos em que o eventual abusador iria prestar consentimento. E isso não faz sentido”, aponta.

“A decisão da retirada das crianças, de uma forma geral, é sempre temida pelos técnicos, e sempre tomada nas situações-limite”, diz Fernanda Salvaterra, autora de uma tese de doutoramento sobre adopção e vinculação. “Embora sendo uma decisão extrema, deve ser tomada sempre que esteja em causa o bem-estar e o superior interesse da criança, quando ela está em perigo naquela família. Na noção de perigo inclui-se o risco de vida mas também o perigo para o seu desenvolvimento, tanto físico como emocional e psicológico.”

As situações de retirada aumentaram muito nos últimos meses, revela Fernanda Salvaterra. “Em mês e meio, até meados de Fevereiro, já tivemos [na CPCJ onde exerce funções] sete situações de retiradas da família. No ano inteiro de 2015 tivemos 32.” Só esta semana, a do desaparecimento e da morte das duas crianças em Caxias, a CPCJ onde Fernanda Salvaterra exerce funções recebeu oito situações de emergência noutras tantas famílias, envolvendo 14 crianças. As buscas para encontrar a menina de quatro anos que desapareceu continuam este domingo. E deverão terminar de vez ao final do dia.

 

Só 19% dos filhos de mulheres com a 4.ª classe têm sucesso escolar

Fevereiro 25, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias  de 24 de fevereiro de 2016.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Desigualdades Socioeconómicas e Resultados Escolares : 3.º Ciclo do Ensino Público Geral

dn

Pedro Sousa Tavares

Estudo realizado pela Direção-Geral de Estatísticas de Educação comprova grande impacto do nível socioeconómico das famílias

A conclusão não é nova nem surpreendente: há muito que se sabe, através de estudos e comparações nacionais e internacionais, que as habilitações literárias dos pais são um bom indicador das expetativas de sucesso escolar dos filhos. Mas esta é a primeira vez que o Ministério da Educação faz um levantamento de toda a sua rede – centrado nos alunos do 3.º ciclo de escolaridade – e chega a números definitivos.

E estes números são preocupantes: entre os estudantes cujas mães têm a quarta classe ou menos, apenas 19% têm percursos escolares de sucesso. Quando as mães têm habilitações ao nível da licenciatura ou bacharelato, a realidade é quase oposta: 71% de sucesso.

O critério de sucesso estipulado para este estudo da Direção geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) combina a avaliação interna com os resultados alcançados pelos estudantes nos exames nacionais de Português e de Matemática do 9.º ano. Para ser considerado um aluno de sucesso, este tem de concluir o 9.º ano sem retenções no seu currículo, conseguindo também uma nota positiva em ambos os exames nacionais.

Apesar destas conclusões, a DGEEC constata também que o insucesso não é uma fatalidade para os alunos, dando os exemplos dos distritos de Braga e Viseu, onde alunos cujas mães tinham qualificações muito baixas tiveram desempenhos superiores aos do distrito de Beja entre filhos de mulheres com o 12.º ano completo.

Numa nota de imprensa, o Ministério da Educação defende que “este estudo reforça a necessidade de colocar o foco na melhoria das aprendizagens e na inovação pedagógica como estratégia para a melhoria dos resultados, suportada pelo facto de ser possível inverter tendências preditas pelos baixos rendimentos”.

A análise da DGEEC centrou-se nos alunos das escolas públicas – porque são os únicos para os quais o Ministério da Educação tem indicadores socioeconómicos completos. A escolha das mães como termo de comparação foi uma opção dos autores do trabalho que, no entanto, fizeram também uma simulação com os dados relativos aos pais, com resultados “semelhantes”.

 

 

 

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