O dinheiro também exige educação

Fevereiro 24, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Expresso de 14 de fevereiro de 2016.

expresso

A noção de literacia financeira está cada vez mais presente na vida de pais e filhos, sendo a mesada o instrumento para a desenvolver. Quando e quanto dar? Uma coisa é certa: nenhuma abstração substitui a experiência de lidar com dinheiro

Luciana Leiderfarb  Texto

Carlos Esteves  Infografia

Eis, em geral, o que acontece: elas querem, nós damos; elas pedem, nós compramos. Ou não. Elas, as crianças, sabem ou pensam que sabem o que querem, e nós, os pais, sabemos se podemos ou não dar-lhes o que querem. Se os papéis parecem estar bem distribuídos — do lado de lá o desejo, do lado de cá o dinheiro —, se o binómio consumo e crianças parece ter sempre os adultos como intermediários, cada vez mais é pertinente — e urgente — falar de uma terceira via: aquela que coloca do lado de lá, do lado das crianças, tanto a vontade como os meios para a suprir. Os especialistas em educação financeira prescrevem-na como um remédio que permitirá formar adultos financeiramente responsáveis: a mesada ou a semanada, tanto dá, não tem tanto a ver com o ato de comprar mas mais com o processo de capacitar para a compra. Em suma, tem a ver com a passagem do abstrato — “eu quero aquilo e a mamã compra” — ao concreto — “eu quero aquilo e tenho de ter os meios para o adquirir”.

Claro que nada se faz sem regras claras e uma grande dose de indulgência. Afinal, trata-se de exercitar aspetos tão básicos como o adiamento da recompensa, a distinção entre querer e precisar e a necessidade de fazer escolhas. E nada disto, mostra um estudo da Universidade de Cambridge, se consegue sem ter “experiências económicas pessoais”. “As evidências indicam que transmitir conhecimentos ‘financeiros’ às crianças pequenas per se é ineficaz no que toca à formação ou à mudança dos seus comportamentos”, alerta o documento, recomendando uma abordagem que lhes permita “treinar” as suas funções executivas ainda em desenvolvimento. Por outro lado, se aos 5 anos as crianças “percebem que têm de pagar para obter mercadoria”, é aos 7 que “a maioria dos conceitos básicos relacionados com os futuros comportamentos financeiros se encontram desenvolvidos”.

O que leva à dupla pergunta: qual a melhor idade para se começar a atribuir semanada e qual o valor apropriado? “Normalmente, o início da escolaridade costuma ser um bom momento”, por volta dos 6 ou 7 anos, diz Susana Albuquerque, secretária-geral e coordenadora dos programas de educação financeira da Associação de Instituições de Crédito Especializado (ASFAC). De início com periodicidade semanal — e só a partir dos 10 anos mensal —, a quantia aconselhada é de um euro, dividido em 10 moedas de 10 cêntimos, acompanhada da introdução de três mealheiros com objetivos diferentes: gastar, poupar e doar. “O importante é a criança perceber que tem estas três escolhas e que tem autonomia para as gerir”, acrescenta. Essa autonomia não está isenta da monitorização dos pais e dos limites que estes entenderem colocar: “Sem os controlar em demasia, eles podem não admitir compras de alimentos com açúcar ou de outro tipo de artigos que considerem nocivos para os filhos.”

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Carlos Esteves

No que toca à literacia financeira, cada idade apresenta objetivos bem diferenciados. Nos Estados Unidos, o projeto “Money as You Grow” — uma iniciativa do President’s Advisory Council on Financial Capability — mostra, por exemplo, que é entre os 3 e os 5 anos que as crianças se apercebem de onde vem o dinheiro e para que serve, além de aprenderem a esperar pelo que se quer (adiamento da gratificação). Dos 6 aos 10, o desafio será aprender a fazer escolhas e a comparar preços. Dos 11 aos 13, a ideia é compreender as regras da poupança e a noção dos objetivos a curto e a longo prazo.

Entre os 14 e os 18, os jovens têm de saber, entre outras coisas, o custo da própria educação e as normas de utilização dos cartões de crédito. Porém, o sucesso desta aprendizagem dependerá do exemplo dado pelos pais. “É verdade que as crianças aprendem com a sua própria experiência, mas não adianta incutir-lhes o cuidado pelo dinheiro se os pais se permitirem comportamentos compulsivos”, sublinha Susana Albuquerque.

Não se pense, porém, que as crianças são seres pouco ajuizados no que ao consumo diz respeito. Em 2013, Raquel Barbosa Ribeiro publicou um estudo que sustentava esta conclusão. Ao entrevistar 245 crianças dos 8 aos 12 anos, em duas escolas primárias de Lisboa e do Estoril, esta socióloga do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas notou que estas “têm uma voz ativa e influente no processo de consumo”, além de se mostrarem menos vulneráveis ou acríticas e mais realistas do que se tenderia a imaginar. Assim, mais de 70% sabiam que o dinheiro advém do emprego; 80% não acreditavam ser possível viver sem dinheiro; 90% recebiam dinheiro regular ou esporadicamente; e uma grande maioria (73% em Lisboa e 90% no Estoril) poupava o que recebia.

“Não há unanimidade sobre este assunto. O que se sabe é que a consciência está lá, independentemente da classe social. E que a iniciação no mundo do dinheiro é muito precoce”, diz a investigadora, que, não demonizando o consumo, também defende a importância da educação que as crianças recebem em casa.

Esta deve ser enquadrada na realidade social da família. “As mesadas e semanadas devem adequar-se aos rendimentos da família, e a criança tem de saber o que é que a família, com os seus rendimentos, pode e não pode comprar”, diz Susana Albuquerque. E como aferir se se está no caminho certo? “Quando a criança deixa de pedir por pedir e passa a perguntar: ‘Podemos comprar?’, é muito bom sinal.”

Números

7 anos é a idade em que “a maioria dos conceitos básicos relacionados com os futuros comportamentos financeiros se encontram desenvolvidos”

1 euro é a singela quantia, dividida em moedas de 10 cêntimos, com que a semanada pode ser introduzida, aos 6 anos ou no início da escolaridade

90 por cento das crianças, segundo um estudo publicado pela socióloga Raquel Barbosa Ribeiro, recebem dinheiro regular ou esporadicamente

 

 

 

Boletim do IAC n.º 118

Fevereiro 24, 2016 às 3:14 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Descarregar o Boletim do IAC n.º 118 aqui

 

É fundamental os brinquedos indicarem a idade a partir da qual são recomendados – entrevista de Marta Rosa do IAC à Proteste

Fevereiro 24, 2016 às 12:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista de Marta Rosa do Sector da Actividade Lúdica do Instituto de Apoio à Criança à Proteste. – ISSN 0873-8785. – nº374, (Dez. 2015), p. 30

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Seminário “Efeitos da adição à Internet, videojogos e redes sociais online na saúde mental do adolescente”

Fevereiro 24, 2016 às 11:04 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A data limite das inscrições é 28 de Fevereiro de 2016 e estas processam-se por ordem de chegada

 

Inscrições: http://goo.gl/forms/jseKNCLqY3

http://centroruigracio.esjd.pt/

Formação no âmbito da abordagem a crianças e jovens em risco inseridos em famílias com comportamentos aditivos e dependências

Fevereiro 24, 2016 às 10:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Data limite para a receção de Inscrições: 09 de março de 2016

Compete ao SICAD Promover a formação no domínio das substâncias psicoativas, dos comportamentos aditivos e das dependências, capacitando os profissionais para prestar apoio especializado aos cidadãos e às comunidades, no âmbito das dependências com e sem substâncias.

Os ganhos em saúde conseguem-se por via da qualificação dos profissionais e das abordagens, da melhoria dos níveis de conhecimento e da cooperação entre os stakeholders, aumentando a eficácia das respostas disponíveis, normalizadas e harmonizadas.

A existência de famílias com um ou mais dos seus membros com comportamentos aditivos e dependências evidencia situações em que os fatores de risco para os comportamentos aditivos assumem um peso mais significativo do que os do equilíbrio. Deste facto resulta que nem sempre a estruturação familiar se dá de forma a propiciar o ambiente maturativo mais harmónico, o que determina riscos acrescidos para o desenvolvimento dos seus membros, nomeadamente os mais vulneráveis – as crianças e jovens.

A importância dos fenómenos que ocorrem na família para a estruturação dos trajetos evolutivos das crianças e jovens, e das múltiplas questões que suscita a ocorrência de CAD neste contexto, determina a relevância da capacitação específica dos profissionais que intervêm neste âmbito, de forma a permitir o estabelecimento de intervenções orientadas para a abordagem à problemática das crianças e dos jovens inseridos em famílias com CAD.

Neste sentido afigura-se fundamental capacitar os profissionais para abordagem a crianças e jovens em risco inseridos em famílias com CAD, fortalecendo o conhecimento e tomando contacto com as estratégias de intervenção adequadas.

Assim, o SICAD vai dinamizar o Curso Formação no âmbito da abordagem a crianças e jovens em risco inseridos em famílias com CAD, nos dias 11 e 3 de março, com os seguintes conteúdos programáticos:

  1. Substâncias, conceitos, efeitos e características, padrões de consumo, processos de dependência nas mulheres;
  2. Intervenção sistémica: princípios e conceitos;
  3. A dinâmica da família com CAD: especificidades e evoluções;
  4. O lugar da criança / jovem na família com CAD: fatores de risco para o desenvolvimento;
  5. Estratégias de intervenção;
  6. O papel da articulação interinstitucional no acompanhamento das crianças e jovens em famílias com CAD;
  7. Monitorização e avaliação;

Para mais informações e inscrições: http://www.sicad.pt/PT/Formacao/SitePages/FormacaoSICAD.aspx

 

Workshop “Dinâmicas para Reuniões de Pais”

Fevereiro 24, 2016 às 8:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Para efetivar a sua inscrição deverá remeter este documento junto do comprovativo de pagamento até 27 de Fevereiro.

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inscrições:

geral@a-par.pt

217 579 705

mais informações:

https://a-par.org/

Sexting – Não divulges imagens de cariz sexual

Fevereiro 24, 2016 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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http://www.pantallasamigas.net/


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