Manual para uma alimentação saudável em jardins de infância

Fevereiro 7, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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manual

descarregar o manual no link:

http://www.dgs.pt/upload/membro.id/ficheiros/i005536.pdf

Objectivos do manual

  • fornecer informação básica sobre alimentação saudável da criança em idade pré-escolar;
  • estimular a elaboração de materiais e o desenvolvimento de experiências originais de educação alimentar;
  • oferecer ajudas práticas para o planeamento da alimentação em jardins de infância e a selecção de ementas, com um enfoque particular nos frequentados por crianças provenientes de meios socialmente mais desfavorecidos;
  • contribuir para que os jardins de infância ofereçam uma alimentação saudável, equilibrada e adequada às necessidades da criança.

2.º Encontro de Literatura Infanto-Juvenil da Lusofonia

Fevereiro 7, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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luso

mais informações:

http://lusofonia.oseculo.pt/

Alimentação nas creches: acha mesmo que o seu filho come bem?

Fevereiro 7, 2016 às 7:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do Observador de 27 de janeiro de 2016.

observador

Cláudia Sebastião

Salsichas, rissóis, croissants, mousse de chocolate. Se pensa estar perante uma festa de aniversário, engana-se. Estes alimentos fazem parte da ementa de muitas creches. E fazem mal. Quem fiscaliza?

Beatriz Rodrigues vive na zona das Caldas da Rainha e Ana Lima nos arredores de Lisboa. As duas têm filhas: a primeira com 20 meses, a segunda com 16. Ambas estão descontentes com a comida que é dada às crianças nas creches que frequentam. Elementos comuns: doces, sobremesas e poucos legumes. Beatriz queixa-se do “tulicreme no pão, pudim de sobremesa, estrelitas e chocapic ao lanche”.

Já para Ana, o pior é a falta de variedade: “Quase todas as semanas servem atum. Servem também com frequência hambúrgueres e douradinhos e os legumes no segundo prato não existem”. Mas, esta mãe insurge-se também contra os doces. “Crianças com um ano e já comem doce! Aos mais pequeninos dão gelatina, depois começam a dar arroz doce e leite creme. Eu considero a gelatina muito pior porque é só açúcar e água…”

Beatriz e Ana decidiram expor as suas divergências às direções das creches das filhas. Não conseguiram introduzir alterações. Para já, Beatriz teve a garantia de que a filha “não come tulicreme, nem chocolate no leite e a promessa do envio das ementas para o e-mail”. Ana não teve melhor sorte: “Falei com a direção e nada mudou, até me disseram que não era a primeira a reclamar”.  Esta mãe não consegue compreender os argumentos que ouviu. “A diretora justificou os douradinhos, hambúrgueres e afins, dizendo que tem ‘que se dar às crianças o que elas gostam para que comam’. Mas as crianças estão a ser educadas também no paladar. Por isso, tem que se variar!”, insurge-se.

Fritos, sal e açúcar não entram

Vera Santos conhece bem estas críticas. É diretora de uma creche, em Algés, concelho de Oeiras, desde 2012. Sem cozinha própria, contratou um fornecedor para os almoços. Mas a relação durou apenas um mês. Vera explica: “A ausência de vontade de adequar as ementas (que incluíam alimentos como croquetes, ovos mexidos com salsichas ou mousse de chocolate), levou-nos a optar pela Bebé Gourmet”.

E o que mudou nas refeições servidas na Escolinha da Kika? “Fritos, sal, açúcar branco, carne de porco, refrigerantes, chocolate são alguns exemplos do que não entra nas ementas. Uma vez por semana, temos uma sobremesa feita com fruta natural (como gelatina vegetal, mousse de banana, ou trio de pera, maçã e iogurte). De alimentos processados, temos farinha de arroz (para quando surge alguma diarreia) e, uma vez por semana, temos a opção de oferecer farinha láctea no berçário; também os cereais que servimos são processados. Os iogurtes servidos são sempre naturais, aromatizados com fruta passada na hora.”

A alimentação saudável é uma bandeira da creche que dirige, e até já organizou uma formação aberta aos pais e à comunidade sobre o tema. Mas a diretora da creche admite que a mudança de fornecedor teve consequências nas contas da creche. “Quando mudámos, acabámos mesmo por ter algum prejuízo”. Mas nem por isso pensa voltar atrás. “O benefício de sabermos que estamos a oferecer a estas crianças o que é mais adequado acaba por ser muito mais importante para nós”, explica.

A polémica do açúcar

Basta fazer uma pesquisa na internet, ou perguntar a quem tem crianças em creches, para perceber que é muito comum serem servidos ovos mexidos com salsichas ou fiambre, rissóis, croquetes, hambúrgueres, almôndegas, chocolate no pão ou no leite, bolos ou bolachas, cereais e papas ou sobremesas. Já os legumes, muitas vezes, só aparecem na sopa. Nestas questões, há opiniões para todos os gostos e o consumo de açúcar divide os pais e até mesmo os profissionais. Há quem ache que não faz mal comer, quem coma de vez em quando e quem não queira dar nunca.

Os estudos à forma como as crianças se alimentam em Portugal revelam que a partir do primeiro aniversário, a alimentação das crianças começa a piorar com o consumo de doces e de sal em excesso. Aos quatro anos, 65 % das crianças comem doces todos os dias e 73% consome ‘snacks’ salgados mais de uma vez por semana.

Júlia Galhardo é pediatra e responsável pela consulta de obesidade no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa. A profissional não tem dúvidas: “Esta alimentação vai ter consequências nestas crianças muito mais cedo do que na geração dos pais. Vamos ter síndrome metabólica que tem a componente da hipertensão, aumento do ácido úrico, fígado gordo e diabetes tipo 2. Tudo isto é um pacote para o aumento do risco cardiovascular.” É um conjunto de doenças interligadas e cada alimento destes acaba por prejudicar a saúde em vários aspetos. “As batatas fritas são más porque têm sal, mas também têm gordura saturada”, explica.

Alternativas saudáveis aos doces

Uma das receitas que Andreia Revez dá é a da bolacha de batata-doce. Basta juntar uma gema de ovo, meia chávena de batata-doce cozida descascada, duas colheres de chá de água e 28 gramas de farinha de coco ou de arroz. Misturam-se todos os ingredientes e moldam-se as bolachas no formato que quiser. Leva-se ao forno num tabuleiro durante 15 a 20 minutos e já está.

Uma alternativa às papas industriais são as papas caseiras. A nutricionista sugere, por exemplo, batata-doce cozida com abacate. Pode ser triturada em papa ou dada em cubos ou palitos, quando o bebé já conseguir trincar. Além disso, podem ser feitas papas de aveia com fruta.

A pediatra Júlia Galhardo defende que se deve dar preferência ao pão escuro, à fruta e ao leite ou derivados. O iogurte natural com fruta é uma boa alternativa aos iogurtes açucarados, por exemplo. A seguir à refeição, a preferência vai para a fruta. Mas pode ser, por exemplo, espetadas de fruta ou mousse de fruta com abacate e banana ou pera. Triture tudo e junte alfarroba em pó. Parece mousse de chocolate mas esta é saudável e muito boa.

Crianças doentes por causa da alimentação não é cenário do futuro, mas uma realidade que a pediatra já vê nas suas consultas. “Eu tenho doentes com menos de dez anos a quem tenho que dar medicação que se dá aos velhinhos por causa da diabetes. Se estamos a ver isto em idade escolar, quando chegarem aos 30 já tiveram um enfarte!”. A pediatra explica que as orientações são para dar medicação se os valores não baixarem depois de meio ano com as alterações na alimentação. “Tenho meninos que tomam medicamentos iguais aos dos avós. Digo-lhes: ‘Vão lá ver aos medicamentos dos vossos avós se não tomam também estes?’. Eles ficam a olhar para mim assustados, mas a ideia é mesmo essa.”

Será que comer uma vez por semana um doce faz diferença? “O que é de vez em quando?! O problema é que é todos os dias. A questão é que cada uma destas coisas é uma vez por semana, e no final da semana temos uma grande asneira. Isto está legislado pela Direção-Geral de Saúde e pela Direção-Geral de Educação. Existem regras específicas para o número de sobremesas, fritos, doces. Esses alimentos são péssimos. Não é só o açúcar e gorduras saturadas, mas está-se a condicionar o paladar nestes meninos.” Júlia Galhardo explica que “as crianças pequenas, com menos de três anos, não gostam do amargo. Darwin explica isso. Na evolução, as bagas amargas eram perigosas para a saúde, eram venenosas. As crianças só por si já não gostam. Se não introduzirmos os vegetais e as frutas, e substituímos isso pelo que é palatável (os molhos com açúcar, gorduras ou sal) estamos a condicionar o paladar destes miúdos”. Por isso, o argumento de dar às crianças aquilo que gostam como os hambúrgueres ou os doces deve ser contrariado. A nutricionista Andreia Revez concorda e explica que “até aos 3 anos as crianças são mais recetivas a experimentar alimentos”.

“O açúcar deve ser tratado como uma droga”

Andreia Revez é nutricionista. Há seis anos que trabalha com alimentação pós-parto e nutrição infantil no Centro Pré e Pós Parto, em Lisboa. Nas consultas, a maior preocupação dos pais é a alimentação nas creches. Para a nutricionista, o pior são os lanches e a continuidade. “Se a creche dá, de forma consistente, papas com açúcar, leite com chocolate, bolachas… Isso é parte de uma festa de anos, da exceção. Tudo isto devia sair da base diária da criança”, defende.

Da realidade que conhece, a nutricionista reconhece que as ementas não são adequadas a bebés: “O que não está adaptado é dar uma papa que tem 3 ou 4 açúcares diferentes. Eu diria que de base não tem nada de jeito, só tem farinha e açúcares. É a forma mais rápida de aumentar o peso de forma não saudável. Nós sabemos que os bebés têm que aumentar de peso mas assim não. Isto vai ver-se daqui a uns 40 anos, em adulto.” Por isso, Andreia Revez discorda de iniciar a diversificação alimentar pela papa.

“Quando o primeiro alimento é farinha e açúcar é muito difícil treinar o paladar dos nosso filhos para o que não é doce. Depois temos antibióticos, alimentos inflamatórios e temos uma criança que está sempre doente”, explica. Quando o bebé faz um ano, normalmente há a indicação de que pode comer tudo, igual à família. Os estudos demonstram que os cuidados tidos até então desaparecem e a alimentação salta dos carris. “Parece que há uma barreira. A partir de um ano, pode comer de tudo. Mas de tudo o quê? De tudo o que é saudável! Vamos cair na fase de crescimento, importante do ser humano. O problema é que as famílias se alimentam com alimentos processados”, admite.

“O açúcar deve ser tratado como droga que é: é inflamatório, não tem nutrientes, é péssimo para os dentes”, alerta. Os produtos processados também são para evitar. Além de muitos conterem açúcar, com a refinação e processamento perdem propriedades. Andreia Revez deixa um alerta: “Tudo o que leve farinha refinada é um alimento com muitos poucos nutrientes, quase zero. Para o crescimento ser mais saudável, precisamos de todos os nutrientes. Comer cereais ou pão branco com chocolate também não é saudável. Dar bolacha diariamente é dar informação ao corpo. Ela é inflamatória: açúcar refinado e farinha refinada.” Por isso, a nutricionista desaconselha a tão recomendada bolacha Maria, pois tem farinha de trigo refinada, açúcar, gorduras hidrogenadas e sal.

Saúde no prato

O que oferecer então às crianças nas creches e em casa? Júlia Galhardo diz que “nada é proibido”. “Um bolo, uma vez por semana, não tem mal nenhum. Um chocolate de 30 gramas não tem mal. Isso é a festa de anos. Mas as crianças aos quatro anos têm agendas sociais muito cheias, às vezes, com várias festas de anos num fim de semana. Festas de aniversário em que vêm para casa com sacos de gomas ou chocolate, santa paciência!” Já ouviu a expressão: “Coitadinhas das crianças que não podem comer doces?” A pediatra responde: “São coitadinhos porque estamos a dar-lhes cabo da saúde.” E alerta: “A comida não serve para premiar ou para castigar”.

Andreia Revez insiste na mesma tecla e diz que “gostava de ver nas creches alimentos a sério, que não sejam transformados pela indústria, fruta, vegetais. Para prevenir doenças crónicas, temos que pôr legumes no prato”. Para a nutricionista, é preciso consistência e incluir estes alimentos todos os dias na alimentação. “Se eles estão lá, a criança come um bocadinho de tudo. Pomos três tomates cereja. Ao primeiro dia, só prova. Ao segundo, eles continuam lá e já come um”.

Ao argumento de que alimentos saudáveis são mais caros, Andreia responde com a prática e sugere às creches e aos pais: “Se fizermos umas bolachinhas com flocos de aveia, adoçadas com fruta ou puré de maçã, não ficam muito caras. Um pacote de flocos de aveia custa cerca de 80 cêntimos!” Mas há mais alternativas: “As crianças adoram cenouras em palitos. Conseguimos criar muitas opções saudáveis. A fruta é barata. Não percebo porque não se dá fruta nas creches!”. Outra opção é dar iogurte natural. “Uma criança que come iogurte com açúcar não comerá iogurte sem açúcar. Iogurte açucarado é outra vez uma sobremesa”, explica.

Afinal, o paladar também se educa e aprender a comer de forma saudável faz parte de um crescimento harmonioso. Pedro Graça, diretor da Plataforma Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, sublinha que “na área da alimentação, o que se come em casa é tanto ou mais importante do que o que se come nas escolas” até porque “as crianças, e quanto mais pequenas mais importante é, são grandes imitadoras. As crianças vão comer como os pais. Se possível, a comida deveria ser saudável desde o mais pequeno até ao mais idoso lá de casa”.

Educar para uma alimentação saudável

A Direção-Geral de Saúde não  tem recomendações específicas para esta faixa etária, mas apenas para as crianças entre os três e os seis anos de idade. O “Manual para uma Alimentação Saudável em Jardins de Infância”, publicado pela Direção-Geral de Saúde, recomenda que o açúcar, o mel, o cacau e os produtos de pastelaria “devem ser consumidos com extrema moderação porque: têm pouco valor nutricional, embora tenham elevado poder energético; apresentam risco para a saúde dentária; contribuem para a obesidade e interferem com o apetite, substituindo outros alimentos com muito melhor valor alimentar”. Por isso, “a sobremesa deve ser constituída por fruta” ficando os doces reservados apenas para “dias especiais”. O manual defende que “o prato principal deve também ser acompanhado com um pouco de legumes, leguminosas ou salada”. Recomenda-se ainda a moderação do consumo de carne, usar o sal com “muita moderação”, “evitar os enlatados e os caldos concentrados, por conterem habitualmente excesso de sal, gorduras e certo tipo de aditivos”.

Como comem as nossas crianças

O projeto Estudo do Padrão Alimentar e do Crescimento Infantil (EPACI) 2012 analisou os hábitos alimentares de 2500 crianças até aos 36 meses de idade. O relatório encontrou dados preocupantes. Um quarto das crianças prova refrigerantes quando faz um ano de idade. Já as sobremesas doces, são provadas, em média, aos 13 meses. As conclusões mostram também que 17% das crianças de 2 e 3 anos bebem todos os dias bebidas açucaradas e 10% comem diariamente sobremesas e doces. Já o consumo de hortícolas e cereais fica aquém do aconselhado. Mais de 90 por cento das crianças comem fruta fresca e sopa todos os dias. Mas só pouco mais de metade tem vegetais no prato.

Um estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, divulgado em 2014, conclui que 65% das crianças de 4 anos comem bolos e doces todos os dias. A investigação acompanhou mais de 8 mil crianças, nascidas no Porto em 2005 e 2006. Além do consumo excessivo de doces e de sal, 73% destas crianças come uma a quatro vezes por semana “snacks” salgados como pizza, hambúrguer ou batatas fritas.

Pedro Graça, diretor da Plataforma Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, explica que este manual está a ser alvo de estudo para atualização. Uma das ideias é promover a variedade. “Nós, baseados na evidência científica, entendemos que é fundamental a escola ensinar para a variedade. As crianças acabam por não conhecer, não treinar o gosto para a diversidade dos vários tipos de fruta e de hortícolas, porque os pais não os consomem”.

O argumento de que as crianças não gostam não colhe. O diretor da Plataforma diz que “as crianças não gostam de hortícolas à primeira vez. Gostam muito mais do que é doce e do que é salgado. Os nossos sentidos estão preparados para isso. Se não aparecem à mesa, as crianças não aprendem a gostar”. Os lanches e o que é comido fora das refeições principais também vai ser tido em conta na revisão deste manual. “É uma preocupação explicar às crianças que o meio da manhã e o meio da tarde e os lanches devem ser saudáveis. Não precisam de ter bolos nem refrigerantes. Devem ter pão, água, sumos de fruta naturais. Sem excessos de sal, açúcar e produtos processados.”

Outras prioridades são utilizar a roda dos alimentos para distribuir os alimentos na proporção certa no prato e ensinar as crianças a estar à mesa. É preciso mudar esta realidade: “Uma criança que não sabe utilizar os instrumentos para comer, que não aprende que a refeição se inicia com sopa e termina com uma peça de fruta, que não aprende que não se vê televisão à refeição…”  Estes princípios e o ensino pelo gosto da atividade física serão tidos em conta nas recomendações da Direção-Geral de Saúde nesta área.

Mas afinal quem controla a alimentação das creches?

Se a realidade contraria estas linhas, Pedro Graça diz que “neste momento, não existem obrigações de oferta alimentar por parte do pré-escolar”. “A fiscalização é feita pelo Ministério da Educação. O Ministério da Saúde intervém quando há um atentado à saúde pública, por exemplo num caso de intoxicação”, explica.

Já Rui Lima, nutricionista da Direção-Geral de Educação, esclarece que as orientações e fiscalização do ministério são relativas aos jardins de infância, considerados parte do sistema de ensino, e não às creches (até aos três anos). “As creches são uma zona mista em que o ministério não intervém. A responsabilidade é da Segurança Social”. Vamos então ver o que diz a Segurança Social sobre as ementas nas creches. As normas para a instalação e funcionamento das creches preveem que as ementas sejam elaboradas por pessoal técnico com formação adequada e afixadas semanalmente num local visível. O incumprimento é contra-ordenação e dá direito a multa. Mesmo assim, muitas vezes as ementas não são do conhecimento dos pais ou estão incompletas não incluindo os lanches, como atestam Beatriz Rodrigues e Ana Lima.

No que diz respeito à composição das ementas, em concreto, o “Manual dos processos-chave das creches”, publicado pela Segurança Social, estipula que nas refeições servidas às crianças até aos três anos (creche) devem ser evitados o excesso de sal, de gorduras, de açúcar e alimentos açucarados. As ementas devem ser “equilibradas,variadas e ricas nutricionalmente”. Já a higiene e segurança alimentar deverão ser asseguradas através da implementação do sistema HACCP (Análise de Perigos e Controlo de Pontos Críticos) para evitar riscos para a saúde.

Rui Lima, da Direcção-Geral de Educação, explica que “a fiscalização do Ministério da Educação é só para os jardins de infância”, muitas vezes integrados em agrupamentos de escolas. E quem fiscaliza as creches que funcionam em instituições com jardim de infância? “A maior parte desses estabelecimentos são privados e aí também não temos essas competências. Nas escolas privadas a alimentação é da competência da própria escola”, explica o técnico superior . Então, não há fiscalização às ementas das escolas privadas? “Se os pais põem os filhos numa escola privada é opção dos pais, e aí sim têm um papel fundamental a pressionar para uma alimentação saudável”.

Doentes por comer mal

Um estudo da Associação Portuguesa contra a Obesidade Infantil, de 2013-2014, aponta que uma em cada três crianças tem peso a mais. A investigação acompanhou mais de 18 mil crianças e concluiu que 33,3% entre os 2 e os 12 anos têm excesso de peso, das quais 16,8% são obesas.

O estudo COSI Portugal, associado ao sistema europeu de vigilância de obesidade infantil, avalia as crianças dos 6 aos 8 anos. Em 2013, e apesar de se registar uma evolução positiva, o país “continua a ser um dos países com maior prevalência de excesso de peso e obesidade infantil”. 31,6% das crianças têm excesso de peso e 13,9% sofrem de obesidade, segundo os critérios da Organização Mundial de Saúde. Daí que a obesidade infantil seja uma das prioridades do Plano Nacional de Saúde até 2020. Intimamente ligada à obesidade está a diabetes. A tipo 2 aparece normalmente na idade adulta, mas há cada vez mais crianças a sofrer da doença. Está associada à obesidade, má alimentação e sedentarismo. O pâncreas produz insulina, mas há resistência à sua ação, o que o leva a trabalhar cada vez mais. A pediatra Júlia Galhardo explica que “o pâncreas é uma fábrica e também tem capacidade limitada. A partir de determinado valor, o pâncreas já não consegue.” Aí é preciso intervir com alterações na dieta. “Se a alimentação saudável não tiver efeito em meio ano, e os valores não baixarem, temos de prescrever medicamentos.”

 

 

Filhos teimosos? São os melhores

Fevereiro 7, 2016 às 5:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto do Observador de 27 de janeiro de 2016.

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Carolina Santos

A ideia de que a teimosia é um defeito já passou à história. Agora não precisa de substituir a palavra por persistência ou perseverança para ser uma qualidade. E quem o diz é um novo estudo.

Se está farto de chamar os seus filhos de teimosos, saiba que isso já não é um mero traço de personalidade. Aliás, as crianças com grande força de vontade (considerada uma qualidade) são, por natureza, teimosas, e no futuro isso pode evitar que sigam más companhias e se metam em sarilhos.

O estudo que deu azo a tais conclusões foi publicado na Time e seguiu vários estudantes — o número total não foi divulgado — desde a escola primária até se tornarem adultos, acabando por concluir que as crianças que quebram as regras e desafiam os pais tendem a tornar-se excelentes alunos e mais bem pagos.

Com idades compreendidas entre os oito e os 12 anos, as crianças foram avaliadas pelos traços de personalidade e pelo desafio. Após 40 anos, os investigadores foram saber o que lhes tinha acontecido e descobriram que quebrar as regras e reagir à autoridade parental são indicadores de um melhor salário.

Apesar de o estudo não explicar o porquê de haver uma correlação tão grande entre as duas situações, os autores acreditam que essas crianças são mais competitivas nas salas de aula, o que leva ao aumento das notas. Em adultos serão mais exigentes, dispostos a lutar pelos seus interesses financeiros e a não receber um cêntimo a menos do que merecem, mesmo que isso acabe por irritar os colegas e os amigos.

Como saber se tem um filho com força de vontade?

As crianças com força de vontade defendem aquilo em que acreditam mesmo que não faça sentido e vão atrás do que querem, custe o que custar. Qualquer semelhança com a definição de teimosia não é pura coincidência.

Estas crianças tendem a fazer o que está certo e não tanto a seguir o que os amigos fazem. Se forem bem guiados pelos pais podem tornar-se bastante motivados e com espírito de liderança. Mas como nem tudo é um mar de rosas, até a recompensa chegar esperam-lhes muitos anos de discussões e de filhos que levam sempre a sua avante.

O segredo? A comunicação. Oiça o ponto de vista do seu filho e até pode encontrar alguma lógica no que ele defende, negoceie e faça cedências. Não vai ser fácil, mas nunca ninguém disse que era fácil educar um futuro rico.

 

 

 

Estudo confirma uma geração cada vez mais dependente da tecnologia

Fevereiro 7, 2016 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site https://www.mais-psi.com de 21 de janeiro de 2016.

maispsi

Um estudo recente do Instituto de Psicologia Aplicada (ISPA), em que foram inquiridos jovens portugueses até aos 25 anos, mostra que 70% apresentam sinais de dependência do mundo digital, em que 13% são casos graves, podendo implicar isolamento ou comportamentos violentos e que obrigam a um tratamento. Este estudo foi coordenado pela investigadora Ivone Patrão e confirma os sinais de uma geração cada vez mais dependente da tecnologia. Como exemplo, é relatado o caso de um rapaz que afirma que os seus amigos ficariam zangados caso ele não respondesse rapidamente às mensagens mesmo no horário em que deveria estar a dormir. Assim, este fenómeno pode mesmo conduzir a situações limites em que é posto em causa o bem-estar físico da pessoa.

Um outro estudo de 2014, conduzido pelo Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa (CESNOVA), no âmbito do projeto Net Children Go Mobile, mostra que mais de metade das raparigas (55%) referem usar todos os dias o smartphone, contra 44% dos rapazes. Há também uma evidência do uso excessivo no início da adolescência (11-12 anos) decrescendo no grupo intermédio (13-14 anos), para voltar a subir nos adolescentes mais velhos (15-16 anos).

Este estudo compara ainda a utilização do smartphone com outros países europeus. Constata-se que os adolescentes portugueses apresentam um valor de uso excessivo do smartphone (57%) que é superior à média europeia (48%), aparecendo o Reino Unido no topo (65%). A maioria dos adolescentes portugueses sente a necessidade de verificar o telemóvel sem razão aparente e ficam aborrecidos quando não podem usar o telemóvel por ficarem sem bateria ou sem rede. Cerca de um quinto afirmam mesmo estar menos tempo do que deviam com a família, os amigos ou a realizar as tarefas escolares, confirmando a importância do telemóvel em detrimento de outras formas de relacionamentos ou atividades.

E nos outros Países?

Um estudo coordenado por Ana Paula Correia, professora associada na Faculdade de Educação da Universidade Estatal de Iowa, Estados Unidos, publicado em agosto de 2015 na revista “Computers in Human Behavior”. Esse estudo permitiu identificar quatro características da nomofobia, ou seja, da ansiedade de separação do smartphone:

  • Não consegue comunicar. A pessoa sente-se insegura porque não pode ligar ou enviar SMS para a sua família e amigos.
  • Ausência de conectividade. A pessoa sente que está desligada da sua identidade no mundo digital.
  • Não consegue aceder à informação. A pessoa sente-se desconfortável quando não consegue, por exemplo, obter respostas às suas perguntas no Google.
  • Ausência de conveniência. A pessoa fica irritada porque não consegue terminar as suas tarefas, tais como realizar uma compra online.

Estas representam preocupações distintas que contribuem para a angústia geral das pessoas que sofrem de nomofobia.

O nome nomofobia deriva do inglês no-mobile-phone phobia. É um termo que descreve o medo crescente de ficar sem o telemóvel, representando assim uma ansiedade derivada da separação deste dispositivo móvel, e que está a crescer entre os adolescentes.

O uso excessivo do smartphone é de tal modo grave e tomou tal dimensão nalguns países, como a Coreia do Sul, que obrigou o Ministério da Educação deste país a criar um programa de prevenção e identificação precoce de crianças e jovens em risco. No âmbito dessas ações, o governo sul-coreano lançou uma aplicação para dispositivos móveis de modo a monitorar o uso do smartphone e restringir o acesso a jogos online depois da meia-noite.

Mas, será que eu sou viciado no smartphone?

Reconhece certamente o sentimento de ansiedade quando o bolso parece estranhamente mais leve e descobre que separou-se do seu smartphone. E se utiliza este dispositivo móvel para aceder às redes sociais, provavelmente, o seu nível de preocupação ainda é mais intenso. Mas será que é viciado no seu smartphone?

Estes são alguns dos sinais de alerta:

  • Fico ansioso ou inquieto quando fica longe do meu smartphone
  • Verifico constantemente o meu telemóvel
  • Evito a interação social em detrimento da utilização do telemóvel
  • Distraio-me frequentemente com emails, SMS ou outras aplicações móveis
  • Revelo um declínio no meu desempenho profissional ou académico
  • Acordo a meio da noite para verificar o smartphone

Se respondeu afirmativamente a muitos destes pontos, então poderá estar a sofrer de nomofobia.

Está na hora de fazer uma pausa

Ao longo da minha vida tenho evitado a dependência de coisas, e por isso faço regularmente uma introspeção sofre o meu estilo de vida. Procuro proteger-me de determinados vícios que podem ditar ou comprometer o meu comportamento. Isso inclui a utilização da tecnologia. Reconheço o papel dos computadores, telemóveis e outras tecnologias, que permitem-me trabalhar de forma mais fácil e eficiente, mas, porém, o meu princípio é que a tecnologia deve servir o homem, e não o contrário.

Então, o que devo fazer para ter um comportamento mais equilibrado?

  • Coloco o smartphone a pelo menos 5m de mim quando durmo à noite
  • Durante o dia tenho interações cara-a-cara com outras pessoas, sem interrupções derivadas da utilização do smartphone.
  • Certifico-me que durante o dia tenho um momento de reflexão em solidão com o smartphone desligado
  • Deste modo, durante a semana, equilibro o tempo passado com outras pessoas e ao smartphone.
  • Uma vez por mês desligo o smartphone durante todo o dia. É o dia em que me liberto!

Autoria de PsicoAjuda.

 


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