“O meu filho é como um carro de Fórmula 1 sem travões”

Janeiro 7, 2016 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Este é o título de um extenso artigo de Marlene Carriço para o Observador, em 27 de Dezembro de 2015.

Crianças hiperativas ou mais mexidas do que antes? Sociedade mais atenta ou menos tolerante ao movimento? As dúvidas de medicar. A hiperatividade parece estar na moda, envolta em muita controvérsia.

Aos três meses Pedro já rebolava. E, por força disso, “teve de ser criado no chão”. Aos seis começou a gatinhar e aos 11 não andava, corria. Na horizontal e na vertical. Trepava tudo o que podia e não devia. “Nesse momento acabou o ‘sossego’”, conta a mãe, Patrícia. Seguiram-se as quedas, as nódoas negras e os dedos trilhados. Só acalmava quando estava a dormir. O problema é que dormia pouco: 30 minutos antes e depois de comer, que passaram a uma hora por dia e três por noite aos dois anos de idade. Mais do que isso só viria a dormir mais tarde, graças à medicação.

Com ano e meio Pedro foi encaminhado para a consulta de psicologia, aos quatro tomava Risperidona — um antipsicótico para lhe travar os impulsos, também usado, por exemplo, no tratamento da esquizofrenia — e era seguido uma vez por mês no pedopsiquiatra. Mas o verdadeiro diagnóstico só chegou aos sete anos: perturbação de hiperatividade e défice de atenção (PHDA).

Miguel começou a dar sinal de “bichos-carpinteiros” ainda mais cedo, logo às 16 semanas de gravidez. Quando nasceu foi-lhe diagnosticada uma perturbação grave do sono que o deixava dormir apenas por períodos de meia hora, com intervalos de cinco horas. Aos nove meses já arrastava bancos e subia para cima deles, abria o frigorífico e “ratava o queijo todo que encontrasse”. E aos 14 meses tomava Atarax, um ansiolítico para dormir, que a mãe Ana lhe retirou ainda antes dos dois anos porque “não ajudou nada”. Com seis anos recebeu o diagnóstico de PHDA.

Pedro e Miguel são apenas duas dos milhares de crianças que, nos últimos anos, foram diagnosticadas com perturbação de hiperatividade e défice de atenção. Um número que não para de crescer, em Portugal e um pouco por todo o mundo, ao ponto de ser considerada uma das perturbações do neurodesenvolvimento mais frequentes nas crianças.

Não há estudos de prevalência que permitam saber, em detalhe, quantas crianças têm esta perturbação em Portugal, mas as várias estimativas apontam para percentagens entre os 3% e os 7%, em linha com os números citados a nível mundial, na ordem dos 5%. Embora haja países com uma prevalência estimada bem superior, como é o caso da Holanda, ou dos Estados Unidos onde, em 2011, segundo o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças, 11% das crianças entre os 4 e os 17 anos estavam diagnosticadas com PHDA.

 

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Programação de janeiro das Ludobibliotecas de Cascais

Janeiro 7, 2016 às 3:02 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Crianças, livros e leitura – Artigo do Dr. José Morgado

Janeiro 7, 2016 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Para a nossa conversa de hoje decidi trazer como tema os livros e a leitura, sobretudo no que respeita aos mais novos e ao tempo fora da escola.

Muitos estudos e a experiência mostram que os hábitos de leitura são pouco consistentes entre as crianças, adolescentes e jovens como, sem surpresa, também o são entre a população em geral.

Por outro lado, também sabemos que a existência de hábitos de leitura e o contacto regular com livros no ambiente familiar são contributos muito importantes para a construção de percursos escolares e educativos bem-sucedidos.

Sabemos ainda o quanto é positivo que os pais ou outros “mais crescidos” se envolvam com as crianças, mesmo em idade de jardim-de-infância, em práticas de leitura e de actividades com os livros para, por exemplo, contar histórias a partir das imagens. Lembro-me de ouvir o Mestre João dos Santos afirmar que as crianças aprendem a ler desde que abrem os olhos.

É verdade que os estilos de vida actuais ou a quantidade de tempo que muitas crianças passam nas instituições educativas podem minimizar a disponibilidade familiar para este tipo de actividades depois de dias muito compridos e cansativos para todos.

Também sei que os livros e materiais desta natureza têm uma concorrência fortíssima com outro tipo de materiais, jogos ou consolas por exemplo, e que nem sempre é fácil levar as crianças a outras opções, designadamente aos livros.

Apesar de tudo isto, também sabemos todos que é possível fazer diferente, mesmo que pouco diferente e com mudanças lentas.

Estamos no tempo do Natal, no tempo da família, no tempo dos presentes embora eu sempre diga que mais do que os presentes importam os futuros que preparamos para os miúdos.

Neste entendimento poderíamos experimentar oferecer livros e tempo para com eles brincar.

Os livros e materiais desta natureza quando usados em comum têm ainda uma mais-valia: alimentam a relação ente adultos e crianças, um bem de primeira necessidade como sabem.

A história que se conta a partir das imagens a crianças que ainda não sabem ler ou a leitura partilhada são patamares motivadores e contributivos para a leitura autónoma, competente, que se torna uma ferramenta imprescindível para o acesso ao saber, a todos os saberes.

É claro que à escola compete um trabalho de ensino da leitura e também de construção de hábitos de leitura. Este trabalho imprescindível e continuado, que nem sempre decorre da forma mais adequada por razões que um dia aqui abordaremos, pode minimizar efeitos da menor atenção familiar a estes aspectos. No entanto, não é suficiente para dispensar o que nos contextos familiares pode ser feito a propósito da leitura e da importância dos livros.

Por todas estas razões e de uma forma intencionalmente muito simples, seria desejável que nos convencêssemos todos, professores, pais e outros intervenientes na vida de crianças e jovens, que só se aprende a ler, lendo, só se aprende a escrever, escrevendo, só se aprende a andar, andando, só se aprende a falar, falando, a decidir, decidindo, etc., etc.

 

Artigo do Dr. José Morgado para a Visão em 29.12.2015

 

As Leis das Crianças e Jovens – Reforma de 2015 em e-book

Janeiro 7, 2016 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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A publicação das Leis n.ºs 141/2015, 142/2015 e 143/2015, no dia 8 de setembro, veio reformar a Legislação atinente ao Direito das Crianças e Jovens em Portugal.
Procurando sistematizar, compreender e concatenar o resultado da Reforma no contexto global do nosso ordenamento jurídico, o Centro de Estudos Judiciários com a participação do Diretor-Adjunto Paulo Guerra e da equipa de docentes da Jurisdição da Família e das Crianças (Lucília Gago, Ana Massena e Maria Perquilhas) levou a cabo um primeiro processo de discussão e reflexão (reforçado com a realização em novembro – em Lisboa e no Porto – de Cursos Intensivos sobre esta matéria) que se espelha na elaboração deste ebook.
Complementarmente junta-se uma oportuna e inicial abordagem sobre o trabalho do Instituto de Segurança Social em prol da implementação da Reforma (particularmente no âmbito do Regime Geral do Processo Tutelar Cível), feita pela sua Diretora da Unidade de Infância e Juventude (Ana Paula Alves), a qual foi apresentada no CEJ aquando de uma recente ação de formação contínua.

Pode fazer o download do e-book AQUI.


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