Pode um peluche dar conforto a crianças em campos de refugiados?

Janeiro 6, 2016 às 9:00 pm | Publicado em Campanhas em Defesa dos Direitos da Criança | Deixe um comentário
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Texto de Mariana Correia Pintopara o jornal Público em 16/09/2015.

Num cenário de insegurança, um brinquedo “pode reforçar o sentido de segurança”. Os peluches Threadies foram testados na Jordânia e querem agora chegar aos campos de refugiados à volta da Síria. Há uma campanha de “crowdfunding” a decorrer.

Ao pisar o Haiti em Janeiro de 2011, um ano depois de um terramoto ter devastado o país, Steve Lehmann congelou. Ali, no coração de um cenário de devastação, apercebeu-se de forma demasiado crua e real o quão castrador da infância pode ser um fenómeno destes. Conforto, segurança, estabilidade, direito de brincar — tudo isso tinha sido roubado àquelas crianças. O cenário repetiu-se no Quénia, Uganda e Ruanda, para onde o norte-americano, engenheiro de formação, voou em serviço humanitário. E perante esta “violenta retirada” de “ingredientes básicos da infância”, Lehmann decidiu agir — com o amigo Andrew Jones criou Threadies, ursos de peluche que querem levar o conforto possível a crianças em campos de refugiados. E dar uma lição de solidariedade ao resto do mundo.

O efeito terapêutico estava na memória de Steve Lehmann. O peluche Boppy, companheiro dos tempos de criança, era para ele uma recordação de conforto e alegria. Apesar da brutal diferença de contexto, ocorreu-lhe que talvez houvesse algo de universal neste sentimento providenciado por um peluche. E a intuição dele estava correcta, confirma a especialista em protecção de crianças Sandra Maignant: “Meninos que foram arrancadas de ambientes familiares e seguros precisam de estabilidade, amigos e algo que seja deles — um objecto como um urso de peluche pode ter uma grande importância. Ter um brinquedo para abraçar à noite pode reforçar o sentido de segurança.”

Em colaboração com “dezenas de especialistas de todo o mundo”, Lehmann e Jones conceberam um peluche “com o bem-estar das crianças em mente”. Estes bonecos — “resistentes”, feitos com tecidos “multi-sensoriais” e com o “tamanho certo”, inclusive para serem abraçados, — só se vendem aos pares. Objectivo: por cada par vendido nos Estados Unidos da América ou noutra parte do mundo (Andrew confirmou ao P3 que já é possível encomendar a partir de Portugal) um é doado a uma criança que viva num campo de refugiados. E se no peluche que fica na casa de quem o compra vai um poema a explicar o projecto, no que é enviado para uma criança em situação precária há um “kit”, criado com base em investigações de Meghan Marsac, do Hospital Pediátrico da Filadélfia, com o qual psicólogos e voluntários locais podem ajudar a combater sentimentos traumáticos como medo ou tristeza.

Para já, há três protótipos desenhados (um cor-de-rosa, um castanho e um azul) e um projecto piloto com “bons resultados” no campo de refugiados de Azraq, na Jordânia. Mas os criadores querem mais. Se a campanha de “crowdfunding” que criaram — online até ao dia 11 de Outubro — der certo, prometem enviar imediatamente uma tonelada de bonecos para campos de refugiados à volta da Síria. “É incrível como algo tão simples como dar um brinquedo a uma criança pode alterar a forma como encaram as circunstâncias”, testemunha Rob Maroni, da agência internacional de ajuda humanitária Mercy Corps, na página do Kickstarter.

O facto de os peluches serem vendidos aos pares é também uma mensagem de solidariedade e quer transmitir às crianças fora dos campos de refugiados a importância de sentimentos como a “partilha e o amor”. O lado solidário do projecto é ainda extensível às mulheres: os peluches são feitos à mão por uma equipa de refugiados artesãos na Cisjordânia, numa parceria com a associação Child’s Cup Full, e permitem a estas famílias mandar os filhos para a escola.

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E afinal o que é um livro infantil?

Janeiro 6, 2016 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de Rita Pimenta para o jornal Público em 20/12/2015.

Leia o texto completo AQUI.

Sessão de apresentação da Revista Rediteia Nº 48: “Erradicar a Pobreza: Compromisso para uma Estratégia Nacional”

Janeiro 6, 2016 às 12:03 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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«Para muitos, erradicar a pobreza e a exclusão social é um objetivo utópico. Contudo, a experiência demonstra-nos que os seus efeitos podem ser prevenidos e consequentemente diminuídos os números, sempre que todos os atores sociais se impliquem de forma ativa e se definam as medidas adequadas e eficazes às realidades nacionais.»

É com este objetivo que a EAPN Portugal, em parceria com um conjunto de pessoas e instituições, tem vindo a dinamizar um grupo de trabalho tendo em vista a definição de uma Estratégia Nacional de Erradicação da Pobreza.

A Revista Rediteia Nº 48: “Erradicar a Pobreza: Compromisso para uma Estratégia Nacional” que irá ser apresentada no próximo dia 11 de janeiro, pelas 18 horas, na Sala do Arquivo Municipal dos Paços do Concelho, em Lisboa, sistematiza este trabalho e apresenta um conjunto de reflexões e propostas para cumprir este objetivo.

Los niños no deberían abrir más de cuatro regalos en Reyes

Janeiro 6, 2016 às 10:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Los expertos aconsejan apostar más por la calidad que por la cantidad.

Los Reyes Magos se acercan al tiempo que crece la ilusión de los pequeños, que esperan ansiosos sus juguetes, aunque los expertos aconsejan que no tengan más de cuatro regalos, que las familias se pongan de acuerdo en los obsequios y se enseñe solidaridad dando uno de ellos a los niños más desfavorecidos. «Los pequeños piden absolutamente todo lo que ven en los anuncios» y los mayores también hacemos “locuras” regalándoles más de lo conveniente», destaca a Efe la «coach» de familia Samantha Biosca. «Los pequeños deben recibir un máximo de cuatro regalos», recalca Biosca, que ha sido durante años profesora de Secundaria y actualmente colaboradora con la plataforma educativa Aula Planeta. Una de las principales recomendaciones para conseguirlo es que las familias se pongan de acuerdo -continúa esta experta- y apuesten «más por la calidad que por la cantidad».

Pero la realidad es distinta y desde la Asociación Española de Fabricantes de Juguetes (AEFJ) se asegura que son diez la media de juguetes que recibe un niño en estas fechas. Maite Francés, responsable del departamento de Marketing y Publicidad de dicha asociación resalta que es «inevitable» recibir muchos juguetes y por ello lo ideal es que los pequeños tengan en su habitación cuatro o cinco para que «no se dispersen», y el resto se guarden y se vayan sacando a lo largo del año. Mientras en Gran Bretaña se llegan a regalar hasta 50 juguetes a lo largo del año, en España las ventas se concentran en Navidad, llegando al 80 % del total, dice la Organización de Consumidores y Usuarios (OCU) en su web. En este sentido, Biosca también sugiere que para los niños de menor edad, que «todavía no se enteran mucho», los padres guarden algún regalo y se lo entreguen a lo largo del año como premios.
Respecto a las últimas tendencias en juguetes, la AEFJ comenta que frente a los juguetes tecnológicos se está consolidando el regalo artesanal como paquetes para manualidades de costura, cocina y pulseras. «No debe faltar un regalo educativo» y entre los más mayorcitos un libro, comenta Biosca, quien cree que cada vez hay menos sexismo y un niño juega con una cocinita y una niña con un coche. La OCU recalca «la seguridad» en los juguetes y aconseja a los padres que antes de apostar por un artículo llamativo comprueben que es «adecuado» para sus hijos y no «un producto disfrazado de juguete».

Los fabricantes detallan que este año triunfa la serie infantil Patrulla canina y Sam el bombero, sin excluir personajes Disney y el fenómeno Minions o Star Wars. Sobre el elevado precio de alguno de estos últimos, la AEFJ explica que se debe a sus licencias o derechos de autor. Entre los regalos a los adolescentes hay que incluir «algo útil» como ropa, prendas para hacer deporte o una entrada para el teatro y un musical, según Biosca, que está de acuerdo con regalar tecnología.

No obstante, apunta que un móvil no debe darse antes de los 12/13 años («cuando los empiezan a necesitar») y una consola u otro objeto más caro debe hacerse entre varios miembros de la familia. «No cumplir todas las peticiones de la carta» y «estipular que algo de lo recibido se dé a un niño sin regalos» es otra forma de enseñar valores como la solidaridad. «Enseñar emociones a través de los juegos es muy bueno» y Biosca propone precisamente regalar a los más mayorcitos un libro sobre las emociones. ¿Y qué se debe hacer cuando un niño se cansa de un juguete? Una opción es seguir la campaña «Comparte y recicla» de la AEFJ, que recoge juguetes y los lleva a centros de procesado, donde se reparan y se donan o se reciclan. La OCU recomienda donar juguetes o intercambiarlos por otros en plataformas de consumo colaborativo.

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Hashtags ajudam adolescentes a partilhar comportamentos perigosos

Janeiro 6, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de Andreia Sanches para o jornal Público, em 27 de Dezembro de 2015.

Artigo publicado em jornal americano alerta para imagens de autolesões “escondidas” na Net. Em Portugal cerca de 10% das crianças e adolescentes com perfil em redes sociais relataram já ter visto conteúdos problemáticos.

Chamam-lhes “hashtags secretas”. São por exemplo #selfharmmm. Ou #MySecretFamily. Ou #SecretSociety123. E estão a ajudar as crianças e os adolescentes a partilhar conteúdos perigosos, sem darem tanto nas vistas. Quem o diz é Megan Moreno, especialista em Saúde dos Adolescentes na Universidade de Washington e no Seattle Children’s Research Institute, que publicou um artigo sobre o assunto na edição de Janeiro de 2016 do Journal of Adolescent Health.

Uma hashtag é uma espécie de palavra-chave que ajuda os utilizadores das redes sociais a fazer chegar a mais pessoas os seus conteúdos sobre um determinado assunto. O artigo assinado por Moreno e quatro outros investigadores, intitulado Sociedade secreta 123: compreendendo a linguagem da autolesão no Instagram, baseia-se numa pesquisa de algumas destas palavras, explicou Moreno à Reuters.

Desde 2012 que o Instagram proíbe a partilha de fotografias ou hashtags que promovam ou “glorifiquem” a automutilação e a anorexia, por isso as hashtags escolhidas pelos adolescentes para “catalogar” as suas imagens relacionadas com estes assuntos são propositadamente “ambíguas”, para escapar melhor ao controle. E no entanto, atrás delas estão fotografias de braços cortados com lâminas, de pernas queimadas com pontas de cigarro, de arranhões em sangue, por exemplo. Imagens e frases que remetem para comportamentos de autolesão, não tendo, contudo, como objectivo, o suicídio.

O último estudo em Portugal que aborda a questão das autolesões entre os adolescentes chama-se A Saúde dos Adolescentes Portugueses, é de 2014 e foi coordenado pela psicóloga Margarida Gaspar de Matos, no âmbito de um projecto internacional da Organização Mundial de Saúde. Mostrava que um em cada cinco alunos do 8.º e 10.º anos tinha-se magoado a si mesmo, de propósito, nos 12 meses anteriores ao inquérito, para lidar com sensações de tristeza, aborrecimento ou frustração.

Segundo Megan Moreno os conteúdos relacionados com autolesões são cada vez mais frequentes no Instagram (uma pesquisa pelo termo #cat, que é usado para substituir a palavra “cut”, de “corte”, devolveu 44 milhões de resultados em 2014 e mais de 56 milhões em 2015, disse). E “as comunidades online que se desenvolvem em torno destas hashtags” fomentam nos adolescentes um sentido de pertença a um grupo que, neste caso, é tudo menos recomendável.

Questionada sobre este artigo, a psicóloga Margarida Gaspar de Matos diz ao PÚBLICO que duvida “que em Portugal as coisas tenham tanto este impacto e ressonância nas redes sociais”. A psicóloga aconselha os pais e professores a estarem atentos e disponíveis,  “mas sem entrar em pânicos contraproducentes”. O mais importante, diz, é “promover a saúde mental e bem-estar nos jovens” e ajudá-los a estar nas redes sociais com a informação de que precisam, “evitando conteúdos comprometedores da sua saúde e da dos outros”.

Jovens na rede
Moreno também deixa no seu artigo um alerta aos pais: não confiem nas redes sociais. Em 2012, quando anunciou as novas regras contra os conteúdos relacionados com anorexia e autolesões, o Instagram fez saber que não proibiria “contas criadas para discutir construtivamente ou documentar experiências pessoais” que mostrassem qualquer forma de automutilação desde que o objectivo fosse a melhoria desses comportamentos, o apoio e a “discussão aberta”. Esses conteúdos deveriam contudo vir acompanhados de um aviso (qualquer coisa como “Atenção: estas publicações podem apresentar conteúdo explícito”) e de informação destinada a quem precisa de ajuda.

Mas Moreno diz que um terço das hashtags pesquisadas não desencadeia esse aviso. Os pais “continuam a ser o pilar na promoção do debate sobre estes conteúdos nas redes sociais”. E aos pais cabe dar aos filhos os instrumentos necessários para lidarem com esses conteúdos, acrescenta.

De acordo com o relatório Crianças e Meios Digitais Móveis em Portugal: Resultados Nacionais do Projecto Net Children Go Mobile, cerca de três em cada quatro crianças portuguesas (dos 9 aos 16 anos) têm um perfil numa rede social. O Facebook aparece, de longe, como a mais presente (97% dos que estão numa rede social estão no Facebook). A seguir vem o Instagram (19%).

Cerca de 10% relataram já ter visto conteúdos que podem ser considerados problemáticos. “À cabeça desta lista, encontra-se a publicação de mensagens que atacam certos grupos (8%), seguida de conteúdos que falam sobre ou que sugerem formas de automutilação (6%) e de conteúdos que incentivam distúrbios alimentares (5%).” Estes são, em todo o caso, “valores bastante reduzidos, abaixo da média europeia”, escrevem os autores José Alberto Simões, Cristina Ponte, Eduarda Ferreira, Juliana Doretto e Celiana Azevedo.

O projecto Net Children Go Mobile envolveu outros seis países (Bélgica, Dinamarca, Irlanda, Itália, Reino Unido e Roménia).

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