Álcool: Um terço dos portugueses com mais de 15 anos bebe todos os dias

Novembro 23, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Sol de 11 de novembro de 2015.

O inquérito do INE citado na notícia é o seguinte:

Mais de metade da população com 18 ou mais anos tinha excesso de peso – 2014

os dados sobre álcool podem ser consultados na pág. 13,14

 

Mais de um terço (35%) dos portugueses maiores de 15 anos consumiam diariamente no ano passado bebidas alcoólicas, segundo o Inquérito Nacional de Estatística 2014 divulgado hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com o inquérito realizado pelo INE, em colaboração com o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, 70% da população com 15 ou mais anos referiu ter consumido bebidas alcoólicas pelo menos uma vez nos 12 meses anteriores à entrevista.

“As proporções de consumo de álcool eram mais elevadas para as pessoas com 25 a 54 anos (superiores a 75%)”, refere o inquérito, que tem como objetivo caracterizar a população residente com 15 ou mais anos em três “grandes domínios”: estado de saúde, cuidados de saúde e determinantes de saúde relacionadas com estilos de vida.

Os dados observam que foram sobretudo os jovens, com idades entre os 15 e os 24 anos, e os idosos que disseram nunca ter bebido álcool (28,4% e 25,3%, respetivamente) no último ano.

Considerando apenas a população que consumiu álcool no ano anterior, o estudo verificou que a frequência diária de consumo aumentava com a idade: 10,1% para as pessoas de 25 a 34 anos, 40,1% para o grupo de 45 a 54 anos e 61,1% para a população idosa.

Ao contrário, a frequência dos consumos esporádicos de álcool era mais elevada nos jovens: 70,1% das pessoas entre 15 e 24 anos referiu ter bebido com uma frequência mensal ou ocasional durante o ano anterior, face a 38,2% para a população em geral.

Já o “consumo arriscado de álcool” (seis ou mais unidades de 10 gramas de álcool numa única ocasião), pelo menos uma vez no ano anterior, foi referido por 33,2% da população, destes 56,2%, disserem fazê-lo com frequência ocasional.

Relativamente ao consumo de tabaco, o INE refere que a proporção de fumadores se manteve estável na última década, situando-se nos 20%. Observou-se, contudo, uma redução dos fumadores regulares (que fumam diariamente) de quase dois pontos percentuais (p.p.), situando-se nos 16,8% em 2014.

Os homens fumam mais do que as mulheres (27,8% e 13,2%, respetivamente). Ao contrário, as mulheres que referiram nunca ter fumado registavam uma proporção bastante superior à dos homens (73,9% face a 40,3%, respetivamente).

A diferença entre homens e mulheres reflete-se também no número médio de cigarros consumidos diariamente: 51,5% dos homens fumava entre 11 e 20 cigarros, contra 35,4% das mulheres.

O consumo médio diário inferior a 11 cigarros era de 60,2% para as mulheres e de 36,5% para os homens.

Comparando com os resultados do último Inquérito Nacional de Saúde, o número de ex-fumadores aumentou quase 6 p.p. (21,7% em 2014 e 16% em 2005/2006) e diminuiu a percentagem da população que nunca fumou (de 62,9% em 2005/2006 para 58,2% em 2014).

O inquérito adianta que 92,1% das pessoas que deixaram de fumar fizeram-no sem qualquer apoio, enquanto 3,6% recorreram a apoio médico e/ou de medicamentos.

Houve ainda 8,6% dos portugueses que disseram estar expostos a fumo passivo diariamente, principalmente em locais de lazer (38,3%), em casa (31%) e no local de trabalho (20,5%).

Lusa/SOL

 

 

 

Há uma equipa que tenta salvar vidas de crianças pelo telefone

Novembro 23, 2015 às 1:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem do Público de 22 de novembro de 2015.

a reportagem contém declarações do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

Adriano Miranda

Hugo Morgadinho

Desde 1988, a Linha SOS-Criança já ajudou mais de 116 mil crianças e jovens. Por dia, são cerca de 10 chamadas recebidas. São histórias, tristes, trágicas, “de alguém que está em sofrimento”. Este domingo, o serviço telefónico comemora 27 anos.

Quando ouviu o desabafo daquele menino que lhe ligara, Maria percebeu de imediato que este seria mais um caso difícil. Do outro lado da linha estava uma criança que lhe falava sobre a dor que sentia pela morte da mãe, sobre a família que o culpabilizava por essa morte, sobre o pai ausente, sobre como era difícil viver num país diferente e não ter ninguém. Quando estava menos triste, contava também os sonhos que tinha e falava sobre os amigos da escola. Mas, quando se lembrava das saudades que tinha da mãe, chorava. Apesar de estar na equipa da Linha SOS-Criança há cerca de 10 anos, e de ter por isso acompanhado inúmeras histórias dramáticas, Maria não conseguiu ficar indiferente ao sofrimento deste menino. O caso levantava questões delicadas. O pai não aceitava que a criança falasse sobre a morte da mãe com os técnicos da SOS-Criança, o facto de viver fora de Portugal dificultava o acompanhamento e, sobretudo, havia também o risco da criança se afeiçoar em demasia a Maria, numa tentativa de colmatar a perda da mãe. Isso poderia comprometer não apenas o apoio da técnica da linha SOS-Criança, mas sobretudo poderia prejudicar ainda mais o estado emocional do menino.

Desta vez foi uma criança, mas os adultos também ligam para o 116 111, uma das linhas do serviço telefónico criado pelo Instituto de Apoio à Criança (IAC) há exactamente 27 anos atrás. A linha é gratuita, funciona das 9h às 19h, e a denúncia pode ser feita de forma anónima. Apenas se identifica quem quer. Alguns telefonam para denunciar casos de violência ou negligência na própria família. São tios, avós, primos ou irmãos. Por vezes, é até um dos pais quem denuncia o próprio companheiro. São sobretudo as mães. Quando não são pessoas da mesma família, são professores, educadores ou até vizinhos. Noutras situações são simplesmente pessoas, homens ou mulheres, que assistiram a algum tipo de abuso.

Em média, a equipa da Linha SOS-Criança recebe 10 chamadas por dia. Algumas chegam a durar mais de uma hora. Uma tarefa exigente para uma equipa de apenas cinco técnicas. São psicólogas, assistentes sociais e, por vezes, têm de ser educadoras de infância ou mediadoras escolares. O IAC disponibiliza ainda gratuitamente um serviço jurídico e também acompanhamento psicológico nas suas instalações. Existe ainda a linha SOS-Criança Desaparecida (116 000), um segundo número gratuito, que funciona 24h por dia e 365 dias por ano, criado para combater situações de desaparecimento, rapto ou abuso sexual. No ano passado, esta linha recebeu quase 300 apelos relacionados com situações de possíveis vítimas de violência sexual. Para além do telefone, os apelos chegam também através do e-mail  iac-soscriança@iacrianca.ptdisponibilizado pelo instituto desde 2011. São histórias de violência física e psicológica, casos de pais que não têm dinheiro para dar de comida os filhos ou também apelos desesperados de pais que não sabem como lidar com os filhos.

“São histórias tristes”, conta Maria – nome fictício por questões de segurança -, são apelos de alguém que está “em sofrimento, em situação de grande perigo, casos de maus tratos ou de negligência”. “Por vezes, temos a sorte de acompanhar histórias tristes que acabam por ter um final feliz, mas não é vulgar”, explica a técnica ao PÚBLICO. São casos dramáticos e angustiantes, que deixam por vezes a equipa da Linha SOS-Criança de “coração dilacerado”. Uma vez foi uma mãe que dizia pelo telefone que ia para o Estádio Nacional do Jamor, em Oeiras, para matar os dois filhos. Outra vez foi uma mulher que contou que o marido dizia-lhe por telefone que ia espetar uma faca no coração do filho. Noutra altura foi alguém que colocou as mãos de uma criança num forno quente, porque essa criança tinha mentido. Há também casos de crianças que tinham o corpo coberto de marcas de chicote ou queimaduras de cigarro.

No momento em que desligam o telefone, as reacções são muito variadas. Por vezes raiva, outra vez indignação. “Depois de muitos anos, e quando pensamos que já ouvimos de tudo, ainda surgem situações que nos indignam bastante e nos revoltam”, conta Maria. O coordenador da linha, Manuel Coutinho, que esteve na primeira equipa deste serviço, em 1988, diz ao PÚBLICO que cada técnico tem de ter “muito e boa formação humana”. Explica também que quando se deparam com uma história difícil, vão “fazendo a catarse internamente”, vão desabafando uns com os outros. “Infelizmente, a realidade é muito dura”, lamenta.

Ligam apenas falar com alguém

Nos últimos anos, os apelos são cada vez mais complexos e variados. As técnicas notam que “o acompanhamento tem sido muitas vezes difícil”, aponta Maria. Os dados do IAC relativos a 2014 mostram que a maioria das chamadas (64%) foram feitas por crianças que se sentiam sós e apenas queriam “falar com alguém”. “As crianças passam muito tempo numa solidão acompanhada. Estão em casa, acompanhadas, mas não se sentem à vontade para falar com essas pessoas”, alerta Manuel Coutinho, psicólogo clínico e também secretário-geral do IAC, explicando que, apesar de um decréscimo do número de apelos, “há um aumento do número de intervenções para cada caso”.

No ano passado, chegaram à equipa do IAC 5799 novas situações. Os dados do instituto mostram que 25% destes casos dizem respeito a pedidos de “prevenção e apoio”, efectuados por “crianças com dúvidas existenciais” ou adultos que procuram ajuda, explica Manuel Coutinho. Vinte por cento são apelos de “crianças em risco”, 18% são casos de negligência infantil, 12% dizem respeito a “vítimas de maus tratos dentro da família”, 9% são de violência psicológica e 8% de questões relacionadas com a “regulação do exercício das responsabilidades parentais”.

Quando recebem uma chamada, as técnicas tentam perceber o motivo do telefonema e os contornos de cada história. Identificada a problemática de cada caso, passam a procedimentos específicos. Em casos de crianças que apenas ligam para desabafar, procuram dar-lhes apoio emocional e ajudam-nas a encontrar uma solução para o sofrimento, como por exemplo sugerir que conversem com um amigo, uma avó ou alguém com quem se sintam à vontade. Em casos mais difíceis, o procedimento não é tão linear. Nestas situações, depois de recolherem todas as informações, procuram verificar a sua veracidade junto de escolas, de centros de saúde, da polícia ou até de paróquias. Feito esse levantamento, os casos são por vezes encaminhados para a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens e, em algumas situações, para tribunal.

Para Maria, as histórias que mais lhe custa ouvir são as histórias que envolvem bebés. “Quando percebemos que no contexto familiar há maus tratos físicos em crianças com menos de um ano… São situações que mexem muito connosco. É difícil de ‘digerir’. Perceber que o próprio ambiente familiar, que deveria ser seguro e de afecto, acaba por ser o meio mais perigoso. É angustiante”, explica. Quando regressou da licença de maternidade, foi muito difícil para a técnica ouvir alguns destes casos. Houve uma vez que não aguentou e teve de soltar as lágrimas depois de desligar a chamada.

Não é uma relação de amizade

Algumas crianças costumam ligar várias vezes. Por vezes, até mais de uma vez por dia. As histórias são, por isso, já familiares. “Algumas preocupam-nos muito e acabam por mexer muito connosco”, desencadeando emoções que acabam por gerar um grande envolvimento da parte destas técnicas, explica Maria. Mas, tal como numa relação entre psicólogo e paciente, é importante criar uma distância de segurança para não comprometer o apoio. “A nossa postura é sobretudo de escuta, de grande neutralidade e imparcialidade. Longe de ser uma relação de frieza, mas de distanciamento suficiente para podermos dar o suporte. Seja num momento com algumas palavras para tranquilizar, seja noutro para amenizar alguma angústia”, conta.

No caso do menino que perdeu a mãe, foi Maria quem respondeu ao primeiro contacto, que chegou por e-mail. Depois, passaram a conversar por telefone. Estabeleceu-se uma relação de confiança e a criança procurou falar sempre com a mesma técnica. Maria explica que nestes casos as crianças tendem a afeiçoar-se às técnicas, e a vê-las como amigas. Mas é importante estabelecer os limites e explicar-lhes que não pode ser uma relação de amizade. Estão ali para ouvir, apoiar e ajudar a encontrar soluções, tal como qualquer psicólogo. “Tentamos dar suporte, mas não podemos fazer uma abordagem pessoal. Não podemos personalizar”, explica. “Não posso falar da minha vida, porque não é isso que está em causa”, continua. Neste caso, foi importante esclarecer tudo isto logo de início para evitar uma aproximação inadequada que pudesse criar alguns constrangimentos e, mais tarde, levar a uma nova sensação de perda.

A infelicidade está em casa e na escola

“A angústia e a ansiedade que povoa a vida emocional de muitas destas crianças atravessa todas as classes sociais”, diz Manuel Coutinho. “Há crianças de uma classe social que estão muito fechadas em casa e outras que estão muito fechadas na rua. No fundo, a causa é a mesma: solidão”, continua. Mas não é só a ausência dos pais que afecta o estado emocional dos filhos. O coordenador da Linha SOS-Criança lembra que quando se fala de violência doméstica, muitas vezes “não se tem em mente a situação das crianças”, que por vezes “são quem mais sofre”. Às vezes, gera-se dentro de casa “um ciclo de violência”. O psicólogo lembra um desabafo que uma vez ouviu de um menino para ilustrar tudo isto: “A minha mãe diz que o meu pai é um cobarde porque lhe bate. E diz que os mais fortes não podem bater nos mais fracos. Então, por que é que ela me bate a mim?”.

A escola também é apontada por Manuel Coutinho como uma das causas para a infelicidade das crianças e dos jovens. Segundo o psicólogo, existem cargas horárias “brutais” e reina um clima de pressão nas salas de aula. “Criou-se a ideia de que têm de ser as melhores e que o mediano não serve. E isto é um princípio completamente errado. São as notas, os rankings, as horas de matérias… Não faz sentido não haver tempo para as crianças viverem o seu tempo. Estão muito espartilhadas. Não se valoriza tanto as áreas criativas, que fazem parte da natureza das crianças”, diz.

Desde que a Linha SOS-Criança surgiu, há precisamente 27 anos, já milhares de crianças foram salvas pelos técnicos deste serviço. O percurso nem sempre foi fácil. A equipa é reduzida face ao número de apelos que recebem todos os dias e a situação financeira também já foi melhor. “Estamos a trabalhar nos limites”, alerta Manuel Coutinho que faz questão de dizer que é em “situações de crise que os orçamentos devem ser reforçados, pois é nestas alturas que as pessoas mais recorrem às organizações da sociedade civil. Não se pode dar folgas à emergência social”. O Estado tem por isso de apoiar as instituições sociais de forma “regular, atempada e suficiente”. Mas as dificuldades não lhe retiram o orgulho que tem no serviço telefónico que ajudou a fundar: “Tem sido um privilégio. É muito gratificante saber que já ajudámos mais de 116 mil crianças e jovens”. Apesar de tudo isto, a equipa não pára, “há muita vontade e muita determinação”. Sentem que é fundamental continuar a missão. Neste momento aliás, enquanto lê este texto, Maria e as colegas estão por certo a ouvir os desabafos de uma criança a precisar de ajuda, num qualquer sítio do país. Texto editado por Andrea Cunha Freitas

 

 

 

Entrar mais tarde para a escola pode ser benéfico, diz estudo

Novembro 23, 2015 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.tvi24.iol.pt de 13 de novembro de 2015.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

The Gift of Time? School Starting Age and Mental Health

mais informações na notícia:

Delaying kindergarten until age 7 offers key benefits to kids — study

 

Cientistas da Universidade de Stanford concluíram que ficar mais um ano no jardim de infância melhora o autocontrolo das crianças

Redação / RFO

Um estudo da Universidade de Stanford, EUA, concluiu que as crianças dinamarquesas que entram um ano mais tarde para o primeiro ciclo, prolongando a frequência no jardim de infância, apresentam níveis mais elevados de autocontrolo. A investigação foi realizada em parceria com o Centro Nacional Dinamarquês de Pesquisa Social.

“Descobrimos que atrasar o jardim de infância por um ano reduziu a desatenção e hiperatividade em 73% para uma criança com 11 anos,” afirmou Thomas Dee, um dos co-autores e professor da universidade.”

Na Finlândia e na Alemanha, as crianças já começam a escola um pouco mais tarde e isso não representa tempo perdido. Em termos estatísticos, a Finlândia tem conseguido bons resultados em testes internacionais para jovens de 15 anos. A desatenção e hiperatividade são duas perturbações que fazem parte do transtorno com deficit de atenção com hiperatividade e que enfraquecem a capacidade de uma criança ter controlo sobre si própria. Estudos anteriores, como o teste de “Marshmallow”, já tinham demonstrado que bons níveis de autocontrolo na infância levam à obtenção de sucesso com mais facilidade na idade adulta.

Uma em cada quatro crianças vive em risco de pobreza ou de exclusão social na UE – Pobreza Infantil em debate no Parlamento Europeu dia 23 e 24 de novembro

Novembro 23, 2015 às 10:04 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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mais informações no link:

http://www.europarl.europa.eu/news/pt/news-room/content/20151116STO02883/html/Uma-em-cada-quatro-crian%C3%A7as-vive-em-risco-de-pobreza-ou-de-exclus%C3%A3o-social-na-UE

assistir à sessão plenária no link:

http://www.europarl.europa.eu/ep-live/pt/plenary/video?date=23-11-2015

Há dois arguidos por dia suspeitos de abusos sexuais de menores

Novembro 23, 2015 às 6:00 am | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 3 de novembro de 2015.

A notícia contém declarações da Drª Dulce Rocha, Vice-Presidente do Instituto de Apoio à Criança.

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A PJ deteve nos primeiros seis meses do ano 68 pessoas, na maioria homens, por abuso sexual de crianças

A Polícia Judiciária deteve nos primeiros seis meses do ano 68 pessoas, na maioria homens, por abuso sexual de crianças e constituiu ainda 248 arguidos (identificados mas não detidos). No conjunto, em média, a PJ fez quase dois arguidos por dia (1,7) por um crime que é transversal a todas as classes sociais. Os alegados abusadores são homens, na maioria dos casos.

E se a realidade ainda nos mostra que este é cometido entre quatro paredes, praticado na maioria entre familiares, também acontece ser muito utilizado como instrumento na disputa parental por um filho, em casais em separação.

Colocado no Tribunal de Família e Menores do Barreiro, o juiz António Fialho já apreciou muitos casos de alteração da responsabilidade parental por causa de um processo-crime que está a correr e em que o pai do menor é visado por abuso sexual. O processo Casa Pia tornou “muito frequentes as alegações de abuso sexual em casos de disputa parental”, adiantou o juiz, acrescentando que atualmente “nos mesmos casos são mais frequentes as denúncias de violência doméstica”. Como explicou, as queixas por abuso sexual – na maioria dos casos apresentadas pela mãe dos menores contra o pai – chegam aos tribunais de família e menores por via da transferência da responsabilidade parental (que pode vir a ser alterada devido ao processo-crime).

Muitos dos casos de abuso sexual de crianças não chegam sequer aos tribunais por medo ou por vergonha das vítimas em contar o que se passou, adianta fonte judicial.

Os números da Judiciária dizem-nos que as participações por este crime diminuíram ligeiramente neste ano, se compararmos períodos homólogos. No primeiro semestre de 2014, a PJ deteve 74 pessoas por abuso sexual de crianças e constituiu 315 arguidos. Na maioria dos casos, os crimes são praticados entre familiares (o pai, o tio, o padrasto) e são marcados por um véu de vergonha e silêncio que se pode prolongar por anos. Já os casos de falsas denúncias e instrumentalização do crime por pais em divórcio e em disputa pelos filhos não estão contabilizados nem são consensuais no meio judicial.

“Nunca assisti a casos falsos”

A experiência da magistrada Dulce Rocha, vice-presidente do Instituto de Apoio à Criança, que também trabalhou muitos anos como procuradora em tribunais de família e menores, é a de que “não existem falsas denúncias, ou se existem são uma ínfima minoria”. Dulce Rocha é perentória: “Nunca assisti a casos falsos”. “Todos os estudos que conheço dão uma percentagem mínima de casos arquivados por as denúncias serem falsas. Aliás, acho que essa questão é usada para a descredibilização das vítimas.” Dulce Rocha recorda ter trabalhado em processos em que o abusador sexual era o pai, o tio ou o avô, com as denúncias apresentadas pelas mães dos menores que chegaram a presenciar os atos.

Família ilustre no banco dos réus

O fenómeno do abuso sexual é transversal a todas as classes sociais. Atualmente, está a ser julgado nas Varas Criminais de Lisboa um processo por abuso sexual de criança que começou por ser arquivado pelo Tribunal de Instrução Criminal por falta de indícios do crime e depois, em sede de apreciação de recurso na Relação de Lisboa, acabou por haver a decisão contrária, de mandar para julgamento. Trata-se de um caso que envolve uma família ilustre. No banco dos réus, Frederico Abecasis David Cardigos, 45 anos, ex-diretor regional dos Assuntos do Mar dos Açores, e sua mãe, Maria Leonor Braga Abecasis, 73 anos, filha de um major-general e sobrinha de um antigo presidente da Câmara de Lisboa (Nuno Krus Abecasis).

O pai e a avó são acusados de terem infligido vários abusos sexuais à criança, entre os Açores e Lisboa, de julho de 2012 a maio de 2013, segundo o despacho de acusação a que o DN teve acesso. O menor tinha 3 e 4 anos à data dos factos. Os alegados abusos começam quando Frederico Cardigos se separa de Carla Cook e é fixado o regime provisório de responsabilidades parentais, passando a criança a ficar com o pai por períodos de 15 dias. No dia 10 de novembro é a segunda sessão e prevê-se a audição da irmã de Maria Leonor.

 


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