Jornadas W+ “Pisar o risco – Respostas inovadoras de saúde com população de risco”

Novembro 17, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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De inscrição gratuita, estas jornadas destinam-se a todos os profissionais e estudantes que lidam com pessoas em situação de risco e vulnerabilidade psicológica.

“Pisar o risco – Respostas inovadoras de saúde com população de risco”, é o tema das jornadas, promovidas pela Unidade W+ da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), que se realizam no próximo dia 27 de novembro, entre as 9h00 e as 17h30, no auditório da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa.

mais informações:

http://www.scml.pt/pt-PT/destaques/inscricoes_abertas_para_as_jornadas_do_w/

Sessão Comemorativa – Dia Europeu para a Proteção das Crianças contra a Exploração Sexual e o Abuso Sexual (18 nov., Lisboa)

Novembro 17, 2015 às 4:08 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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confirme a sua presença até ao dia 17 de novembro para o email:

cnpcjr@seg-social.PT

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mais informações sobre o Dia Europeu para a Proteção das Crianças contra a Exploração Sexual e o Abuso Sexual

http://www.coe.int/en/web/children/end-child-sex-abuse-day

http://www4.seg-social.pt/noticias/-/asset_publisher/9N8j/content/dia-europeu-para-a-protecao-das-criancas-contra-a-exploracao-sexual-e-os-abusos-sexuais

Seminário “Infância & Adolescência: Quando o mundo está ao contrário” com a participação de Ana Sotto-Mayor do IAC

Novembro 17, 2015 às 1:52 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Drª Ana Sotto-Mayor do Serviço Jurídico do instituto de Apoio à Criança, irá participar no seminário com a comunicação “Não entendo porque me afasta dele…”.

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mais informações:

https://www.facebook.com/COOLCOOP2015/?fref=ts

A nossa Agenda IAC 2016 – Pela Defesa e Promoção dos Direitos da Criança está disponível

Novembro 17, 2015 às 1:15 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Agenda do IAC 2016 é um produto muito útil, pois, para além de permitir lembrar tarefas futuras, anotar compromissos, escrever listas, planear o dia, a semana e o mês, registar ideias e acompanhar projetos, lembrar datas especiais como aniversários, contém dicas de segurança sobre a utilização da internet, a proteção da imagem, prevenção do cyberbullying, hábitos de conduta livres de riscos (prevenir raptos) e denúncia de abusos sobre a criança. A abordagem destas temáticas e respetivas dicas de segurança serão complementadas por alguns jogos pedagógicos. A par desta vertente utilitária, a Agenda IAC 2016 proporciona agradáveis momentos de leitura através de  maravilhosos poemas e contos da autoria de conceituados escritores portugueses como Alice Cardoso, António Torrado, José Fanha, Fernando Cardoso, Luísa Ducla Soares, Margarida Fonseca Santos, Raquel Palermo, Sara Rodi e Sílvia Alves. Cada mês apresenta um poema ou um conto alusivo à Criança. As ilustrações são criadas a partir dos desenhos das crianças apoiadas pelo IAC.

É uma agenda com um formato que facilita a sua utilização (14×14), com capas de proteção transparentes que garantem a sua durabilidade e elástico.

Destina-se a crianças, jovens, pais, avós, educadores, responsáveis de instituições que trabalham com crianças, entre outros.

A Agenda está disponível, bastando enviar o seu pedido para iac-cedi@iacrianca.PT.

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As verbas auferidas com a posterior venda da Agenda IAC 2016 serão canalizadas para o desenvolvimento de novos projetos ligados à prevenção de situações de violência entre os jovens, nomeadamente do Cyberbullying, cujas estatísticas nacionais apontam para um aumento significativo deste tipo de violência. Por outro lado, as denúncias sobre violência juvenil, feitas através da Linha SOS Criança do IAC, têm preocupado profundamente a instituição, que, apesar dos seus poucos recursos, procura dar resposta a todas as situações que lhe são apresentadas.

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Os “desafios” de educar alunos conectados

Novembro 17, 2015 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site Educare de 7 de outubro de 2015.

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Usar o computador na escola, de forma limitada, é melhor que não usar. Mas só beneficia o desempenho dos alunos quando o software e a ligação à Internet aumentam o tempo de estudo e a prática, sugere a OCDE.

Andreia Lobo

É comum ouvir dizer que, hoje em dia, as crianças nascem ensinadas a mexer com os tablets e os smartphones dos pais. Por detrás desta observação, os estudos mostram a facilidade com que a tecnologia tem entrado no dia a dia.

O dinheiro gasto pelas famílias e investido nas escolas em computadores, ligações à Internet e recursos educativos tem aumentado muito, nos últimos 25 anos, nota a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Aumentam também as preocupações com a forma como lidamos com os ambientes digitais.

“A sociedade espera que as escolas eduquem as crianças para se tornarem consumidores críticos, ajudando-os a fazerem escolhas informadas e a evitarem comportamentos de risco.” Esta, entre outras recomendações, constam do relatório “Students, Computers and Leraning: Making The Connection” que divulga os resultados do PISA Digital 2012.

No entanto, os resultados do estudo mostram não haver melhorias significativas nos desempenhos dos alunos ao nível da leitura, matemática ou ciência – as áreas avaliadas pelo PISA – nos países que mais investiram nas TIC para a educação.

Uma das explicações pode ser a falta de um ensino que aproveite o máximo da tecnologia. “Adicionar tecnologias do século XXI a práticas de ensino do século XX acaba por diluir a eficácia do ensino.” Por isso, a OCDE recomenda um repensar sobre as pedagogias usadas para o ensinar os jovens. Mas alerta: “A tecnologia pode amplificar um bom ensino, mas uma boa tecnologia não pode substituir um ensino pobre.”

Mais equidade na educação

Entre 2009 e 2012, diminuíram as diferenças no acesso aos computadores entre alunos favorecidos e desfavorecidos. Em todos, menos em três países (Indonésia, Perú e Vietnam) pelo menos 90% dos alunos desfavorecidos têm acesso a computadores. Enquanto na Dinamarca, Finlândia, Hong Kong, Países Baixos, Eslovénia e Suécia mais de 99% dos alunos desfavorecidos têm acesso a um computador em casa, em 12 outros são menos de metade.

Ainda assim, os resultados nos testes feitos em computador mostram que as diferenças socioeconómicas continuam a fazer-se sentir bastante ao nível da habilidade para usar as TIC na aprendizagem, explicada pela diferença observada nas competências académicas mais tradicionais.

A “descoberta mais desapontante”, escrevem os autores, é esta: a tecnologia é de pouca ajuda para diminuir o fosso de competências que separa os alunos favorecidos dos desfavorecidos. Para reduzir as desigualdades no benefício trazido pelo digital, os governos têm primeiro de melhorar a equidade na educação.

Assegurar níveis base de proficiência na leitura e na matemática “parece ajudar mais na criação da igualdade de oportunidades no mundo digital do que pode ser alcançado ao expandir ou financiar o acesso a serviços ou equipamentos tecnológicos”.

Ler online ou em papel requer as mesmas competências base acrescidas de novas. Como as de ser capaz de navegar através de páginas ou ecrãs de textos, filtrar as fontes mais credíveis entre a larga quantidade de informação. Coreia e Singapura estão entre os países com alunos mais competentes a navegar na Internet e com excelentes infraestruturas de acesso. No entanto, não acedem mais à Internet na escola que os colegas da OCDE. Apenas 42% dos alunos coreanos admitiram usar computadores na escola (72% na média da OCDE), em Xangai apenas 38%. E ambos alcançaram o topo da classificação nos testes de leitura e matemática baseados no computador do PISA 2012. Os investigadores acreditam, por isso, que “muitas das competências essenciais à navegação online podem ser ensinadas através de pedagogias convencionas e instrumentos analógicos”.

Pelo contrário, verificou-se que em países onde é mais comum os alunos usarem a Internet na escola para projetos escolares o desempenho na leitura baixou entre 2000 e 2012.

Do papel e lápis para o rato

Em 32 países e economias membros da OCDE, além dos exames tradicionais do PISA 2012, em formato papel, os alunos realizaram testes de leitura e matemática apresentados em computador. Singapura, Coreia, Hong Kong, Japão, Canadá e Xangai obtiveram as melhores classificações nos testes de leitura digital. A Matemática foi o foco do PISA 2012 e, pela primeira vez, foi avaliada em computador.

Singapura, Xangai, seguidos da Coreia, Hong Kong, Macau, Japão e Taipé foram também os melhores na resolução de problemas matemáticos apresentados no computador. Na Coreia e em Singapura, os estudantes obtiveram resultados em média superiores em 20 pontos na leitura digital, quando comparados com os colegas dos restantes países com competências semelhantes na leitura em papel. Nas avaliações dos conhecimentos matemáticos, Austrália, Áustria, Canadá, Japão, Eslovénia e Estados Unidos, Macau, Emirados Árabes Unidos tiveram melhores desempenhos no digital que no papel. O oposto aconteceu na Bélgica, Chile, França, Irlanda, Polónia e Espanha.

Uma escala de 1 a 5 é usada para classificar os conhecimentos dos alunos. Estudantes que obtenham o nível 5 são considerados leitores online competentes. Conseguem avaliar informação de diferentes fontes e a sua credibilidade. Bem como a utilidade do que estão a ler usando critérios estabelecidos por si próprios.

Nos 23 países da OCDE que participaram no PISA digital da leitura em 2012, 8% dos estudantes obtiveram desempenhos deste nível. Em Singapura, mais de um em quatro (27%) obtiveram classificações de nível 5 ou superior. O mesmo em um em cada cinco alunos em Hong Kong (21%) e Coreia (18%).

Uma classificação abaixo do nível 2 significa o domínio de tarefas digitais mais fáceis. Cerca de 18% dos alunos obtiveram maus desempenhos em leitura digital. Na Colômbia e Emirados Árabes Unidos, mais de metade dos alunos de 15 anos teve o mesmo baixo desempenho. As maiores percentagens de estudantes com as mais baixas classificações estão em países como Brasil (37%), Hungria (32%), Israel (31%), Chile (29%) e Espanha (26%).

Pelo contrário, menos de 5% dos alunos desempenharam abaixo do nível 2 no Japão, Coreia e Singapura. De acordo com a OCDE, estes países estão próximos de conseguirem que todos os alunos alcancem níveis básicos de conhecimento e as competências necessárias para aceder e usar a informação que conseguem encontrar na Internet.

Os dados mostram ainda que países com classificações semelhantes nos testes tradicionais de matemática não mostram as mesmas competências no formato digital. Quando não é necessário usar o computador, os alunos franceses e os canadianos obtêm pontuações semelhantes. Completam cerca de 42% das tarefas corretamente. No entanto, no Canadá os alunos têm significativamente mais sucesso do que na França (32% vs.27%) em resolver problemas cuja solução passa unicamente pela utilização de ferramentas no computador.

Habilidades necessárias à navegação

Certas competências são particularmente importantes na leitura em linha e no processamento de texto. Os leitores também devem ser capazes de navegar através de diferentes textos. O relatório do PISA dá algumas pistas sobre o que os alunos precisam de aprender para navegar corretamente na Internet.

Conseguir fazer uma boa avaliação da credibilidade das fontes com base em indícios como o nome explícito atribuído a um link. Predizer o conteúdo provável de uma série de páginas. Ter a capacidade de construir uma representação mental da estrutura do site para navegar entre as diferentes páginas que o compõem. São também alguns dos requisitos necessários para resolver problemas no formato digital. E, em último caso, as pontuações dos testes dependem do tipo de conhecimentos básicos de informática e da familiaridade com os formatos.

 

Conferência Internacional ALTRACKS “Trilhos Alternativos: um novo caminho para menores infratores e suas famílias” 18 de novembro

Novembro 17, 2015 às 11:37 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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entrada livre mediante inscrição para bruno.europ@gmail.com

mais informações:

http://www.smmp.pt/wp-content/uploads/Conferencia_TM4_Lisboa_ALT_PT_Ver_10.pdf

 

Fundação Rui Osório de Castro apresenta Vídeo Animado sobre a Leucemia Infantil – 19 de novembro

Novembro 17, 2015 às 11:03 am | Publicado em Divulgação, Vídeos | Deixe um comentário
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Estão todos convidados para o lançamento do primeiro vídeo animado criado pela Fundação Rui Osório de Castro que retrata o tipo de cancro mais comum no universo infantil: a LEUCEMIA!
O lançamento terá lugar no
Hard Rock Cafe Lisboa, esta 5.ª feira, 19 de NOVEMBRO, pelas 11h00. Para confirmar a sua presença, envie-nos um email para cristinapotier@froc.pt  Esperamos por si! 
 

https://www.facebook.com/fundacao.rui.osorio.castro/

http://www.pipop.info/

 

Uma geração de filhos despreocupados com pais preocupados

Novembro 17, 2015 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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reportagem do Expresso de 20 de outubro de 2015.

Gonçalo Viana

Já lhes chamaram egocêntricos, fúteis e encostados aos pais. Hoje, os millennials são vistos como ambiciosos, confiantes, progressistas e versáteis. Estar vivo é o contrário de estar offline, dominam a tecnologia e vão dominar o mundo. Vivem de biscates e aprenderam a ganhar dinheiro com hobbies e negócios que criaram na internet – uma facilidade que os pais não percebem. E a política não lhes interessa: “Esta geração não acha que pode mudar o mundo e não confia nos políticos, nem nas instituições”. O que falta em confiança nos políticos sobra em confiança na tecnologia, através da qual partilham tudo. Até demais.

Bernardo Mendonça  Texto e locução Carlos Paes  Vídeos e animação gráfica Sofia Miguel Rosa  Grafismos vídeo

João Santos Duarte  Edição áudio

#BomDia. Acordar estremunhado, alcançar o telemóvel que repousa ao lado da cama e enviar uma foto à namorada através do Snapchat, mas só apenas durante cinco segundos, para ela não se fixar no cabelo despenteado. Manter em paralelo outra conversa com um grupo de amigos no WhatsApp.

Aproveitar o mood e escrever uma frase bem disposta no Twitter porque está sol e o dia convida à praia e a apanhar umas ondas. Adicionar um vídeo no Instagram com a acrobacia que o gato acaba de fazer a tentar alcançar uma mosca. Partilhar a mesma imagem no Facebook, acrescentar um comentário à maneira e passar os olhos pelas notícias ali partilhadas.

De caminho ir ao YouTube, também através do smartphone, ver alguns videoclips, tutoriais e, de repente, ficar fixado nos bastidores das filmagens de uma cena de luta da série “A Guerra dos Tronos” e partilhá-la igualmente nas redes sociais. Esperar likes. Muitos. Mais do que dez, vinte, já quer dizer que valeu a pena, é como uma série de palmadas reconfortantes nas costas, de “estás a ir bem, pá”.

Nos dias em que os likes são mais do que muitos, a adrenalina é bem maior, e sente-se uma sensação de poder perante uma audiência escolhida. No emprego, voltar a repetir algumas destas ações para manter contacto com a comunidade de amigos e conhecidos. Estar vivo é o contrário de estar offline.

Eles são de fácil adaptação à mudança

Esta é uma das características principais da geração millennials, uma definição criada pelos autores norte-americanos William Strauss e Neil Howe e que engloba os jovens entre os 15 e os 35 anos, filhos da Geração X e netos dos baby boomers, considerados a primeira geração de nativos digitais.

O conceito americano desta geração aplica-se em grande parte ao perfil dos jovens portugueses, embora com alguns matizes. O principal traço distintivo que os une e os define como millennials é terem crescido com acesso à internet e a relação íntima que estabeleceram desde cedo com as novas tecnologias.

“Eles são caracterizados por serem fast adopters, velozes na experimentação e integração do digital no quotidiano. E assumem novos valores, mais focados na experiência e menos no lado material”, aponta Inês Freitas, autora do estudo “Os millennials em Portugal”, pela Escola Superior de Comunicação Social. É o seu caso?

Mais exigentes que todas as anteriores gerações?

João Vasconcelos, presidente da Start Up Lisboa, uma incubadora de ideias, fala dos millennials portugueses como a primeira geração do país preparada e com visão global para competir com os melhores do mundo. “São culturalmente evoluídos, viajados, ambiciosos, com ideias e negócios sofisticados, globais, que têm lugar em Silicon Valley”, assegura.

E dá como exemplos a empresa portuguesa Uniplaces, especialista em arrendamento de alojamento para universitários [que acaba de conseguir o financiamento de €5 milhões junto de investidores] e os Talkdesk, especialistas em software na nuvem, que arrecadaram 15 milhões de dólares (€13,2 milhões) junto de investidores americanos. “Estes nossos jovens têm uma maneira de pensar e viver de acordo com os padrões internacionais. Uma grande diferença em relação à minha geração, a X, em que isso não acontecia de todo. E foi claramente a internet a tornar possível esta democratização do negócio e das ideias”, diz o presidente da Start Up Lisboa.

César Gonçalves, partner da PwC Portugal, partilha da mesma opinião e acrescenta: “Os millennials são mais exigentes do que todas as anteriores gerações. Não procuram trabalho, procuram mais oportunidades e projetos que vão ao encontro das suas realizações pessoais. É uma geração formada por indivíduos com várias competências e grande flexibilidade no trabalho”, avança. Considerada a geração mais influente da história americana, a que fez com que Obama subisse ao poder, os millennials são em maior número e estão a ocupar o mercado de trabalho e a mudar o paradigma de vida e de consumo.

Sabem usar as ferramentas digitais como ninguém, fintam os preços altos e encontram as melhores oportunidades online. “Os millennials caracterizam-se por terem gastos médios diários mais baixos, fruto da pesquisa permanente que fazem [69% visitam os sites de venda de retalho]. Quando entram numa loja utilizam o telemóvel para pesquisar determinado produto e encontrar a melhor oferta ou a oportunidade para adquirir esse mesmo produto de forma personalizada e exclusiva. São um tipo de consumidor exigente, informado, a primeira geração verdadeiramente globalizada. E um desafio para as marcas, pois mais de 60% dos millennials acedem às redes sociais todos os dias”, explica César Gonçalves.

De acordo com um estudo da consultora Boston Consulting Group (BCG), de 2012, no que toca ao perfil de consumo, os millennials revelam uma tendência para a gratificação instantânea, querem o ‘agora’ e o ‘já’ e valorizam a velocidade e conveniência no acesso a produtos e serviços. Têm uma lógica menos materialista e vivem valores mais profundos de felicidade, paixão, diversidade, descoberta e partilha.

Partilhar em vez de comprar

Partilhar é de resto o verbo que mais conjugam. Comprar um carro caro? Não. Contrair empréstimo para uma casa? Nem pensar. Comprar roupas e produtos de luxo? Nunca. Os millennials preferem pedir emprestado, alugar, usufruir em vez de ter. A experiência é a mesma. E estão a dar fôlego a uma nova economia de partilha, é o que aponta um recente estudo da Goldman Sachs. O escritor e economista norte-americano Jeremy Rifkin chegou mesmo a vaticinar que daqui a 25 anos “a partilha de carros será a norma e ser proprietário de uma viatura uma anormalidade”.

Por cá, não faltam sinais a apontar nesse sentido. Começam a abrir lavandarias automáticas nas grandes cidades, a dispensar a compra das máquinas e a maçada da secagem, aumentam as empresas de car sharing, o negócio dos Airbnb, abrem negócios de aluguer de roupas de marca e sites de partilha de filmes, séries e músicas.

Uma geração de filhos despreocupados com pais preocupados

Também nos EUA a percentagem de jovens casados e a viver por sua conta caiu mais de 50% desde 1960. E se em 1970 a média de idade para o matrimónio andava pelos 23 anos, em 2010 subiu para os 30 anos. Em 2011, a esmagadora maioria dos jovens (68%) residia com pelo menos um dos pais e apenas 21% tinham constituído a sua própria família.

Segundo o sociólogo Vítor Sérgio Ferreira, a fase adulta chega mais cedo para os millennials anglo-saxónicos do que para os da Europa do Sul – sejam portugueses, espanhóis ou gregos. “Os da Europa do Sul são mais tardios na transição para a idade adulta. A juventude prolonga-se pela conjuntura económica. Não conseguem sair de casa dos pais, mas têm ao mesmo tempo uma grande liberdade e autonomia. As relações entre pais e filhos nas gerações anteriores eram mais autoritárias. Hoje, a margem de negociação é superior e o controlo dos pais é maioritariamente feito à distância. ‘Não desligues o telemóvel’, pedem os pais que estão no trabalho.”

Sem stress, dizem eles. “Esta é uma geração de filhos despreocupados com pais preocupados”, afirma Luís Pereira Santos, CEO da McCan Lisboa. “Os filhos sentem que podem viver com um grau de dependência dos progenitores, que lhes dão segurança, mas os pais estão apreensivos com as suas perspetivas de trabalho. Os jovens já cresceram sem a ilusão da segurança e do emprego para a vida. Vivem de biscates e aprenderam a ganhar dinheiro com hobbies e negócios que criaram na internet. Uma facilidade que os pais não percebem. Dou como exemplo um miúdo com jeito para o design que, num instante, faz uma linha de t-shirts, cria uma marca, vende online e faz dinheiro. Isto acontece muito com as mais variadas ideias. Ou seja, a forma como os jovens gerem as redes sociais e tiram valor disso dá-lhes uma certa segurança que os pais não percebem.”

O corpo já não é um destino, mas um acessório moldável

São a geração multitasking e slash (os faz-tudo), que se formou em áreas de especialidade mas a quem o mercado de trabalho pediu para serem versáteis e generalistas. E eles adaptaram-se. “Hoje um jovem pode ser ao mesmo tempo designer, tatuador, ilustrador, DJ e barman. A sociedade valoriza cada vez mais a experiência diversificada e as competências informais”, retrata o investigador do Instituto de Ciências Sociais Vítor Sérgio Ferreira, que participou no estudo “Emprego, mobilidade, política e lazer”, do Observatório Permanente da Juventude.

Para os millennials, o mundo, como a carreira, não tem fronteiras. Revelam-se empreendedores e ambicionam chegar a cargos de topo. Mais de um terço dos millennials portugueses (31,2%) mostram predisposição para iniciar o seu próprio negócio em caso de desemprego. Associada à geração do novo milénio está a busca das notícias nas redes sociais, principalmente no Facebook, no caso dos americanos. Os jovens portugueses continuam a usar a televisão como meio principal de informação.

São uma geração focada na alimentação saudável, no desporto e no cuidado com o corpo (fumam menos). Os millennials já não veem o corpo como um destino, mas como um acessório moldável, uma construção de identidade. “É a ideia de que se o corpo já não representa o indivíduo, o indivíduo pode fazer algo para que o corpo o represente melhor. Através de tatuagens, piercings, cirurgias estéticas”, diz Vítor Sérgio Ferreira.

O que é também característico desta geração, bem mais do que nas anteriores, é o desinteresse pela política. Parecem mesmo de costas viradas, como se não fosse com eles. Em Portugal mais de metade dos jovens entre os 15 e os 24 anos (57,3%) revelam não ter qualquer interesse pela política e outra grande fatia, a dos 25 aos 34 anos (87%), responde ter pouco ou nenhum interesse. Apenas uma pequena minoria diz ter “cor política”. Dados preocupantes para refletir e que justificam em parte a maior abstenção de sempre nas últimas legislativas (43,07%). É de esperar que a novela da política portuguesa Passos vs Costa, coligação à esquerda, coligação à direita para a formação do novo Governo, ou a corrida à Presidência da República sejam assuntos a passar ao lado destes jovens…

“Esta geração não acha que pode mudar o mundo e não confia nos políticos, nem nas instituições. Não acreditam que os nossos governantes possam fazer algo pelo país. Eles sabem bem que existem instituições internacionais a ditar as regras e, por isso, demitem-se de participar. Parece-me um dado perigoso . Até porque na Europa há um recrudescimento do nacionalismo e da extrema-direita. Outra explicação que arranjo é que esta geração é herdeira de uma falta de cultura cívica e política. Salazar soube domesticar muito bem as pessoas”, afirma o investigador Vitor Sérgio Ferreira. O que falta em confiança nos políticos sobra em confiança na tecnologia, através da qual partilham tudo. Até demais.

A dependência da internet

Atento a este novo paradigma comunicacional da era digital, o psicólogo João Faria, coordenador do núcleo de intervenção às dependências da internet e videojogos do PIN, Centro de Desenvolvimento Infantil, alerta para o facto de esta geração ter um enorme desafio na gestão do espaço público e privado e com menos tolerância à espera e à frustração.

“O mundo tem-se tornado tão rápido, à distância de um clique, mas ao mesmo tempo continuamos a ter de esperar pelos progressos na escola, pelas notas, por ter uma carreira, por ter um bebé. E os jovens entram em choque entre o mundo imediato e a espera a que a vida obriga. Essa é uma das razões para o crescente número de jovens com dependência da internet e dos videojogos. Porque aí conseguem encontrar a eficácia e o feedback imediato que não encontram, por exemplo, na escola e no emprego. E o meu trabalho é ensiná-los, pouco a pouco, a viver também em modo offline”, esclarece João Faria.

#Boanoite. Novo Snapchat ao deitar. E uma selfie para partilhar.

Texto publicado na edição do Expresso de 27 junho 2015

visualizar os vídeos da reportagem no link:

http://expresso.sapo.pt/sociedade/2015-10-20-Uma-geracao-de-filhos-despreocupados-com-pais-preocupados

 

 

 


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