Dois milhões vivem em risco de pobreza. Quase 500 mil são crianças

Outubro 2, 2015 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto da TSF de 1 de Outubro de 2015.

Ouvir a reportagem no link:

http://www.tsf.pt/eleicoes/legislativas_2015/10_questoes_para_o_futuro/interior/dois_milhoes_vivem_em_risco_de_pobreza_quase_500_mil_sao_criancas_4809212.html

Leonel de Castro Global Imagens

Portugal tem perto de 2 milhões de pessoas em risco de pobreza. Números que cresceram, pelo menos até 2013, último ano com dados disponíveis no Instituto Nacional de Estatística (INE).

Nuno Guedes

Durante a campanha eleitoral, a TSF selecionou 10 perguntas para a futura legislatura. Hoje queremos saber qual a medida prioritária dos partidos para combater a pobreza?

Segundo o INE, a percentagem de idosos em risco de pobreza ronda os 15%. Nos adultos em idade ativa atinge os 19%. Quanto às crianças e adolescentes, uma em cada quatro (25,6%), perto de 470 mil, vivem numa família de baixos rendimentos.

A presença de crianças numa família está aliás “associada ao aumento do risco de pobreza”, numa taxa que sobe para 38,4% nos agregados de apenas uma mãe ou um pai, mas também nos casais com três ou mais filhos.

Pobreza no Fim do Mundo?

Para falar sobre pobreza com crianças, a TSF visitou um bairro social de Cascais que, apesar da demolição das barracas e de um nome oficial diferente, continua a ser conhecido como Bairro do Fim do Mundo. Uma zona marcada pelo desemprego, exclusão social e insucesso escolar.

Para as crianças, contudo, a palavra pobreza refere-se a algo distante que só vêem quando saem do bairro e encontram mendigos, sem-abrigo ou pessoas com fome e “a roupa rasgada”.

O coordenador pedagógico da ludoteca gerida por uma instituição católica que funciona no centro deste bairro social consegue perceber, em parte, o que leva muitas destas crianças a dizerem que não conhecem pobreza: é tudo uma questão de comparação.

Pablo Fortes explica que “a parte estética da pobreza é hoje muito diferente. O bairro já não tem barracas e as irmãs [freiras] trazem por vezes fotografias de África e os outros meninos não têm roupa, não têm calçado, não têm nada… As crianças daqui comparam-se e pobreza, para elas, será um nível ainda mais abaixo…”

O responsável da ludoteca, que acompanha há vários anos as crianças no antigo Bairro do Fim do Mundo, acrescenta que só mais tarde é que muitos destes miúdos vão perceber as dificuldades que têm quando, por exemplo, precisarem de apoio nos estudos e os pais não tiverem dinheiro ou se forem obrigados a desistir da escola.

Bernardo e Diogo têm 14 e 16 anos. Andam pelo bairro ao final da tarde e percebe-se que já chegaram à idade em que compreendem melhor aquilo que distingue os pobres. Admitem que “ninguém gosta de falar disso”, mas sim, vêem “bastante pobreza” no bairro e entre os colegas.

Os dois amigos contam que cruzam-se com muitas pessoas que vão buscar comida ao banco alimentar e Diogo diz que ele próprio costuma ir: “eu vou, não tenho vergonha de dizer porque tenho necessidade e ninguém nasce rico”.

O coordenador da ludoteca acrescenta aquele que para ele é um dos principais problemas da pobreza infantil: a desigualdade de oportunidades. “Estes miúdos, até aos 18 anos, não têm as mesmas oportunidades que uma criança de classe média ou média alta”, pelo que “terem um percurso normal, sem grandes percalços, até ao 12º ano, já é uma grande vitória pessoal”.

Para Pablo Fortes, a longo prazo, a pobreza em Portugal deve ser combatida sobretudo de uma forma: apostando em quebrar logo na infância um ciclo de pobreza que, com demasiada frequência, se prolonga durante várias gerações.

 

 

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