Internet nas férias

Agosto 14, 2015 às 9:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Daniel Sampaio publicado no Público de 9 de agosto de 2015.

Tempo de férias, tempo para deixar por momentos a Internet.

Sabemos que as novas tecnologias vieram para ficar. São um sinal importante de mudança nas sociedades de hoje e quem as combate dá sinal de uma visão passadista, que não contribui para o esclarecimento sobre a sua utilização, nem ajuda a encontrar soluções quando o uso não é adequado.

As crianças e adolescentes dos nossos dias são utilizadores natos. A Internet permite uma grande autonomia na procura de informação e contribui para importantes mudanças no relacionamento interpessoal, sobretudo com amigos.

Pais e avós sentem por vezes insegurança no modo como devem conviver com a utilização do computador pelos mais novos, tendo em conta que o uso se inicia em idades cada vez mais precoces. É muito importante que o controlo (compreensível) nunca seja feito sob a forma de uma luta entre gerações mas, pelo contrário, possa ser um motivo para o diálogo intergeracional, cada vez mais importante nos nossos dias. O papel das gerações mais velhas é imprescindível para ajudar a seleccionar a informação e a estruturar o conhecimento que daí possa resultar.

Nalgumas famílias, crianças e jovens passam demasiado tempo face a um computador, ou em mensagens sucessivas a partir de um telemóvel. Em muitos casos, há real ausência de alternativas, sem que os utilizadores (pais e filhos) se interroguem sobre o que podem perder quando estão horas seguidas frente a um teclado…

As férias são um momento privilegiado para encontrar essas outras opções. A praia, os passeios, o desporto e mesmo a diversão nocturna constituem ocasiões certas para um afastamento da Internet. Estas alternativas são cruciais para todos aqueles que já evidenciam alguns sintomas de dependência da Internet, o que hoje não é raro em bastantes jovens. Sendo todos utilizadores frequentes, temos de ter especial atenção àqueles que mostram sinais de dependência, como uso imperioso cada vez mais frequente, falta a compromissos escolares ou familiares, fuga a refeições, recusa agressiva a combinações da família ou insónias persistentes, entre outras manifestações. Os jogos online constituem um problema difícil, porque obrigam a comparecer frente ao ecrã a horas que podem levar a conflitos com a família, porque muitas vezes implicam contactos com países distantes.

O cyberbullying (bullying pela net), traduz perseguição sistemática e deliberada de alguém mais forte sobre outra pessoa, muitas vezes a coberto de anonimato. Devemos encorajar as crianças e jovens mais vulneráveis a procurarem ajuda junto de um adulto responsável, quando essas situações surjam. O mal-estar pessoal e social, provocado por estes comportamentos repetidos de humilhação e provocação, é sempre de ter em conta, de modo a evitar possíveis consequências graves no campo da saúde mental. O suicídio é sempre determinado por um conjunto de circunstâncias, mas existem mortes autoprovocadas em que o cyberbullying teve um importante efeito precipitante. Em família, é importante evitar situações de fuga ou dissimulação face à utilização excessiva da Internet: aqui, como em tantas outras situações, pais, avós e filhos devem encarar o problema e encontrar soluções, que passem por uma utilização frequente (inevitável) mas não problemática.

Amigos leitores, aproveitem as férias para encontrar novas formas de convívio familiar. Não tenham medo e ponham a Internet também a descansar.

 

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