Vacinas: Arriscar a vida deles

Julho 16, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo da Visão de 9 de julho de 2015.

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A morte de um menino espanhol com difteria relançou o debate à volta do movimento contra as vacinas

Rosa Ruela (artigo publicado na VISÃO 1165, de 2 de julho)

Pau tinha seis anos e já ia sozinho à papelaria comprar cromos de futebol. No bairro de Benavent, em Olot, província de Girona, os vizinhos recordam um rapazinho falador que adorava nadar na piscina municipal. Viam-no muitas vezes passar naquelas ruas que têm nomes das crateras vulcânicas da região, com os pais e a irmã mais nova, de um ano. Jordi e Marta, os pais, não são nenhuns hippies, disse uma carteira que os conhecia ao El Mundo.

Percebe-se o comentário quando se sabe que Marta é fisioterapeuta e osteopata numa clínica onde se pratica a homeopatia. Sim, ela não é nenhuma hippie mas não acredita nas vacinas. Nunca vacinara os filhos até aquele dia 29 de maio em que os médicos lhe disseram que as dores de garganta de Pau eram sintomas de difteria.

Durante um mês, o rapazinho esteve ligado às máquinas, na unidade de cuidados intensivos do Hospital Universitário Vall d’Hebron de Barcelona. Recebeu uma antitoxina vinda da Rússia, mas o seu coração não resistiu e ele acabou por morrer na madrugada de 29 de junho.

Há 29 anos que não se via um caso de difteria em Espanha, onde a taxa de cobertura vacinal ronda os 97 por cento. O debate estalou lá e cá, onde o cenário é semelhante: a difteria foi erradicada há 22 anos e temos apenas 3% de pessoas não vacinadas.

‘Vacinar, vacinar, vacinar’

Em outubro faz cinquenta anos que o Plano Nacional de Vacinação (PNV) arrancou em Portugal. Estreou-se com a campanha da poliomielite e, desde então, foram eliminadas seis doenças: varíola, poliomielite, tétano neonatal, difteria, sarampo e rubéola. Apesar de ser apenas uma recomendação, temos uma taxa de cobertura vacinal de cerca de 97 por cento.

O professor Arnaldo Sampaio, o grande impulsionador do PNV, afirmava que para prevenir doenças só havia três hipóteses: “Vacinar, vacinar, vacinar.” O pai do antigo Presidente da República Jorge Sampaio e do psiquiatra Daniel Sampaio iria gostar de saber que as vacinas salvam 2,5 milhões de vidas por ano, segundo a Organização Mundial de Saúde. Mas, apesar de a maioria da comunidade médica concordar que a saúde pública merecia ver a vacinação ser obrigatória (excetuando nos casos de quem tem as defesas diminuídas), são raros os países onde isso acontece.

Em Portugal, um velhinho decreto-lei de 1962 determina a obrigatoriedade das vacinas da difteria e do tétano, mas o PNV, posterior, como já se viu, é apenas uma recomendação. Além do acompanhamento dado pelos centros de saúde, o boletim de vacinas deve ser verificado nas escolas, no momento da matrícula, mas os pais podem recusar, bastando para isso assinar um termo de responsabilidade. “Temos de insistir na informação correta e na desmistificação dos argumentos que os grupos antivacinação apresentam”, diz Amélia Cavaco, da Sociedade de Infeciologia Pediátrica/Sociedade Portuguesa de Pediatria.

Na Austrália, contornou-se a questão: argumentando que a recusa poderá acarretar encargos para o erário público, o Governo decidiu que quem não vacina um filho recebe menos benefícios fiscais. A decisão foi tomada em 2011, quando havia 11% de menores de cinco anos desprotegidos.

O Ministério da Saúde espanhol ainda não terá fechado as contas, mas não será pequena a fatura deste surto de difteria. Mal chegaram os resultados das análises feitas a Pau, começou uma investigação epidemiológica para encontrar a origem do foco da infeção. Descobriram-se dez portadores do bacilo (todos vacinados), mas fez-se o despiste a mais de duzentas pessoas. Os dez infetados, apesar de assintomáticos, receberam tratamento antibiótico para eliminar a bactéria; e sujeitaram-se 140 crianças e adultos a um esfregaço faríngeo.

O surto de sarampo que deixou muito boa gente em pânico nos Estados Unidos, no final do ano passado, também não terá ficado barato. Contabilizaram-se 121 casos em 17 Estados. Se pensarmos que, há quatro anos, o custo de 107 casos ficou estimado entre os 2,4 milhões de euros e os 4,7 milhões de euros, espera-se um rombo semelhante nos cofres estatais, escreve a revista Forbes.

A maioria das pessoas que contactou com a doença estaria vacinada, embora se tenha escrito que existem zonas na Califórnia com taxas de vacinação baixíssimas, próximas do Sul do Sudão. Nesta região dos EUA, o movimento antivacinação é muito forte.

Tudo começou no Reino Unido, com um estudo que veio a provar-se ser fraudulento, encabeçado por um cirurgião de origem canadiana – Andrew Wakefield – que, em 1998, publicou na revista The Lancet uma pretensa causa-efeito entre a vacina tríplice (sarampo, papeira e rubéola) e o autismo. ?A revista faria desaparecer o estudo dos seus arquivos em 2010, mas três anos antes já a teoria de Wakefield se espalhara nos EUA pela mão de Jenny McCarthy, então namorada do ator Jim Carey. Segundo Jenny, o seu filho Evan tornara-se autista depois de ter sido vacinado com aquela vacina.

Hoje, o movimento antivacinação espalhou-se a uma boa parte do mundo, outros médicos se juntaram a Wakefield e já não é só a tríplice a má da fita. Os pais que optam por não imunizar os filhos habitualmente não lhes dão nenhuma vacina. Beneficiam da chamada imunidade de grupo porque as vacinas (à exceção da do tétano) não conferem apenas proteção individual; com taxas acima dos 95% atinge-se a imunidade de grupo. É por isso que grande parte da comunidade científica os considera egoístas.

Mais do que egoístas, Marta e Jordi sentem-se culpados por terem acreditado no movimento antivacinação. Já vacinaram a filha mais nova e fizeram, eles próprios, um reforço da antidiftérica. Agora percebem que é uma questão de saúde pública.

O que é a difteria

É uma doença infeciosa, provocada por uma toxina que se aloja nas vias respiratórias superiores. Ao entrar na corrente sanguínea pode afetar rins, cérebro e coração. A vacina foi descoberta em 1890.

Os gurus antivacinação

Nos últimos dias, as redes sociais encheram-se de tributos ao médico James Jeffrey Bradstreet, que apareceu morto num rio em Chimney Rock, na Carolina do Norte, com um tiro no peito. Os peritos apontam para suicídio, mas a família vai avançar com uma investigação. Jeff seria demasiado incómodo para a indústria farmacêutica, dizem – há anos que chamava a atenção para a alegada ligação entre o mercúrio presente nas vacinas e o autismo. Os posts sobre a sua morte cruzam-se com as conferências de Andrew Wakefield, impedido de praticar medicina no Reino Unido pela sua cruzada antivacinas.

 

 

 

 

 

Todos os recém-nascidos dormem em caixas de papelão, na Finlândia

Julho 16, 2015 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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E se cada bebé que chegasse a este mundo recebesse a mesma caixa para começar sua jornada na vida? Hoje em dia você vê todos esses altos preços ridículos das lojas de recém nascidos, berços que custam o olho da cara e roupinhas que servem apenas como símbolo de status. No outro extremo do espectro, vemos mães que mal podem se dar ao luxo de comprar fraldas de pano ou os itens básicos necessários para ques os pequenos venham ao mundo com um pouco de dignidade e cuidados elementares. Na Finlândia eles fazem coisas diferentes.

Não importa de que cor seja, a quantidade de dinheiro que seus pais tenham, ou onde vivem. Cada mulher grávida na Finlândia recebe uma caixa que inclui os seguintes elementos:

Colchão, capa de colchão, lençol, capa de edredom, cobertor e colcha.
A própria caixa em realidade é utilizada como um berço.
Traje para a neve, gorro, luvas isolantes, e botinas.
Vestido e macaquinhos com capuz.
Meias, luvas gorro de lã.
Camisetas, babygrows compridos e leggings em cores e padrões unissex.
Toalha de banho com capuz, uma tesoura de unhas, escova de cabelo, escova de dentes, termômetro de banho, creme troca fraldas, toalha.
Jogos de fraldas de pano e lenços de musselina.
Álbum de fotografias e brinquedos para a dentição.
Sutiãs acolchoados e camisinhas

O melhor de tudo isto? Tudo isto é totalmente grátis. As “caixas de bebê” são fornecidas pelo governo para ajudar a garantir a segurança e bem-estar de todas as crianças recém-nascidas.
Um recente relatório mostrou que as mães finlandesas são as mais felizes do mundo e a caixa de bebê certamente tem algo a ver com isso, já que possibilita que as novas mamães estejam menos estressadas, especialmente nas primeiras semanas pós-parto.

Sabendo que a “caixa de bebê” tem todo o enxoval necessário, podem concentrar toda sua atenção para dar ao recém-nascido o carinho e cuidados que ele precisa. Isso certamente causou um enorme impacto nas mães finlandesas, fazendo com que a caixa tenha se tornado uma tradição.

A taxa de mortalidade de recém-nascidos costumava ser extremamente elevada na Finlândia por volta da década de 1930. De fato, morriam 65 em cada 1.000 bebês. Foi por isso que as autoridades da área de saúde decidiram fazer alterações nos programas sociais para garantir que a segurança e o bem-estar dos recém-nascidos fossem atendidos.
Após a distribuição destes geniais kits de maternidade em 1938 tudo começou a mudar. Hoje a Finlândia tem uma das taxas de mortalidade infantil mais baixas do mundo. Não é à toa que a Fundação Save The Children nomeou a Finlândia como o “O melhor lugar para ser mãe de todo o planeta”

Assim, na Finlândia, ao menos simbolicamente, todos aqueles que chegam ao mundo recebem o mesmo berço, como se desde pronto se ensinasse uma das maiores verdades da existência. A de que, embora cada um seja único, na essência, todos somos iguais. Todos somos um só.

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Fonte: Conti outra

 

Crianças portuguesas estão cada vez mais sedentárias

Julho 16, 2015 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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© Marcus Donner, Reuters

© Marcus Donner, Reuters

 

As crianças portuguesas entre os sete e os nove anos estão cada vez mais sedentárias, o que constitui um elevado risco para a obesidade infantil, segundo as conclusões de um estudo da Universidade de Coimbra hoje divulgado.

O estudo foi desenvolvido por uma equipa de investigadores do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS) da Universidade de Coimbra, tendo as conclusões apontado para um maior sedentarismo nas crianças naquela faixa etária, resultados que a coordenadora da investigação, Cristina Padez, considera como “assustadores”, devendo, por isso, os responsáveis políticos criar uma estratégia para combater este problema.

A pesquisa, financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), envolveu 9.032 crianças de escolas de todo o país e foi apresentada na conferência da International Society of Behavioral Nutrition and Physical Activity, em Edimburgo, na Escócia, no passado mês de junho, adianta um comunicado enviado hoje à agência Lusa.

Os investigadores, que tiveram como referência o limite estipulado pela Academia Americana de Pediatria (em que as crianças não devem ultrapassar duas horas por dia a ver televisão), compararam os comportamentos sedentários das crianças portuguesas entre 2002 e 2009, por nível socioeconómico dos pais.

A investigadora adiantou que as conclusões do estudo apontam para o facto de o número de crianças que vê televisão mais de duas horas por dia ter aumentado 12% durante a semana, 15% ao sábado e 17% ao domingo entre 2002 e 2009.

“As crianças cujos pais têm baixo nível de instrução são as que passam mais tempo a ver televisão”, adiantou Cristina Padez, frisando que, no que diz respeito ao uso do computador, “a situação piora”.

“Enquanto em 2002, as crianças pobres praticamente não utilizavam o computador, em 2009, cerca de 19% destes miúdos gastou mais de duas horas por dia no computador, refletindo o ‘efeito Magalhães’, em resultado da estratégia do Governo de atribuir estes dispositivos [computadores] aos alunos do ensino básico”, sublinhou a investigadora.

No que diz respeito à prática de desporto após o período escolar, a pesquisa revelou que “só metade das crianças é que tem atividade física fora da escola, sendo que, nos níveis socioeconómicos mais desfavorecidos, a percentagem de crianças que não pratica desporto disparou, passando de 36% (em 2002) para 80% (em 2009).

Na sequência das conclusões do estudo, a investigadora Cristina Valdez alertou para o facto de estes comportamentos virem a determinar os hábitos na vida adulta.

“Por isso, os responsáveis políticos devem criar uma estratégia para combater o sedentarismo infantil, caso contrário, iremos ter adultos com graves problemas de saúde, com custos socioeconómicos muito elevados”.

 

Lusa/SIC Notícias, 6 de julho de 2015


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