Sabe como são os miúdos de 2015?

Julho 8, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da Sábado de 28 de junho de 2015.

sabado

André Rito

Quando a campainha tocava, o rapaz raramente ia para o recreio: preferia passar os intervalos na biblioteca. Os professores estranharam, chamaram os pais e descobriram que o cenário em casa não era diferente, mas em vez da biblioteca, Bruno, de 9 anos, passava horas no quarto em frente ao computador. Tinha ciberadição.

Este é um dos fenómenos apontados por Mário Cordeiro, pediatra que publicou o livro Crianças e Famílias num Portugal em Mudança, onde analisa a realidade das crianças portuguesas ao longo das últimas décadas. Bruno é um caso paradigmático num país onde os menores passam 4,5 horas em frente ao computador – durante a semana –, e 7,5 horas, ao fim-de-semana.

“São valores que contrariam as recomendações pediátricas, numa idade que devia ser sensorial, de experimentação e destreza manual”, explica à SÁBADO o pediatra. Mas há mais: Portugal é o país europeu onde a utilização da Internet começa mais cedo, aos 6 anos.

A crise envergonha

Quando deixaram de ter televisão por cabo, o miúdo ficou envergonhado. Surgiram os primeiros sintomas de depressão: recusava ir à escola, tinha tendência para se isolar. “Era tudo uma chatice”, recorda o pediatra, lembrando que os pais estavam ambos desempregados.

“Chegava a ter vergonha de pedir um conjunto de lápis para a escola”. Os pais também não queriam concorrer a apoios sociais escolares – por vergonha, “não queriam o filho rotulado”, diz o clínico que um dia se sentou sozinho com o rapaz e lhe contou a história dos seus pais: “disse-lhe que chegámos a viver com água e comida racionada. É preciso relativizar, e ele percebeu. Nós somos nós e as nossas circunstâncias.”

Outro dado que a crise introduziu foi a necessidade dos pais emigrarem, deixando os filhos com familiares. Apesar dos problemas de estabilidade que esta mudança implica – mesmo mantendo contacto diário através da Internet– Mário Cordeiro lembra que “as crianças têm uma enorme resiliência e o que lhes interessa é saber que os pais, mesmo distantes, as amam e têm as mesmas saudades que elas têm deles.”

Gays e novas famílias

As mudanças na vida dos miúdos são proporcionais às transformações que as famílias sofreram nas últimas décadas. Em Portugal, que tem a taxa de natalidade mais baixa da Europa, assiste-se a um crescimento dos modelos monoparentais e de casais sem filhos, ou apenas com um filho. A ausência de irmãos, como explica o pediatra, pode contribuir “para o isolamento, egocentrismo, narcisismo e omnipotência da criança.” “Leva também a que a sobrecarga que os pais colocam em termos de ‘destino’ e de percurso de vida se concentre num só filho”, explica. Por outro lado, a vida nas cidades, aliada a preocupações de segurança exageradas, faz com que as crianças se sintam mais isoladas, não brinquem com outras. São “mais autónomas (ou mais sós) em alguns aspectos, mas muito dependentes afectivamente e na gestão do quotidiano.”

Com a família “em permanente transformação”, a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo introduziu uma nova variável e o pediatra já acompanhou vários casos de miúdos “com dois pais ou duas mães”. Apesar da lei da co-adopção não ter sido aprovada, na escola, nenhum dos casos que seguiu foi alvo de discriminação. “Os fantasmas estão na cabeça dos adultos, não na das crianças.”

Fast food e escola

Marta costumava enviar fotografias do almoço da cantina ao pai. Era uma forma de o pressionar: afinal, um prato de comida da escola não tinha o ar apetitoso de um hambúrguer, cuidadosamente produzido por uma cadeia de fast food. Mas a realidade é outra: em Portugal, uma em cada três crianças sofre de excesso de peso.

Mário Cordeiro, que costumava fazer visitas surpresa a refeitórios, diz que a generalidade das cantinas têm ementas equilibradas. Mas alerta para um outro problema: as guloseimas, em tempos símbolo de festas, hoje vendidas ao desbarato perto das escolas. “Não havia festa sem doces, e era isso que as tornava especiais, tinham um valor positivo em termos psicológicos e sociais. Hoje tudo se encontra em todo o lado.” Que o digam os miúdos, enquanto ainda têm dentes.

Números

65% das crianças portuguesas

tem um computador pessoal. A média europeia é de 25%. 

30 meses

foi o tempo médio que uma criança aguardou em 2013 pela regulação do poder paternal.

90% das crianças portuguesas

consome fast-food, doces e refrigerantes pelo menos quatro vezes por semana.

 

 

Já está disponível o InfoCEDI n.º 58 sobre Consumo de Álcool pelos Jovens em Portugal

Julho 8, 2015 às 2:05 pm | Publicado em Publicações IAC-CEDI | Deixe um comentário
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Já está disponível para consulta e download gratuíto o nosso InfoCEDI n.º 58. Esta é uma compilação abrangente e actualizada de dissertações, estudos, citações e endereços de sites sobre Consumo de Álcool pelos Jovens em Portugal.

Todos os documentos apresentados estão disponíveis on-line e pode aceder a eles directamente do InfoCEDI, AQUI.

9º Concurso de Vídeo Escolar 8 e Meio

Julho 8, 2015 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação, Vídeos | Deixe um comentário
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mais informações:

http://www.eseqmultimedia.net/8emeio/

X Curso de Verão, Círculo de Saberes 2015, EDUCAÇÃO DE INFÂNCIA: POLÍTICAS, CONTEXTOS E PRÁTICAS

Julho 8, 2015 às 11:06 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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20150605417096546786Durante os próximos dias 16 a 18 de Julho tem lugar o X Curso de Verão, Círculo de Saberes 2015, EDUCAÇÃO DE INFÂNCIA: POLÍTICAS, CONTEXTOS E PRÁTICAS, promovido pelo Departamento de Ciências Sociais da Educação, do Instituto de Educação da Universidade do Minho. A equipa docente é constituída por: Emília Vilarinho [coord.], Manuel Sarmento, Natália Fernandes e Teresa Sarmento.

O Curso de Verão pretende aprofundar o conhecimento acerca da atual condição social da infância e das políticas de educação de infância em Portugal, de modo a compreender os desafios, tensões e dilemas que se colocam aos profissionais no exercício da sua profissão. Visa problematizar o desenvolvimento das políticas de avaliação da qualidade e as formas e usos da avaliação em contextos de educação de infância. Procura ainda produzir um debate entre pares que permita encontrar caminhos que, de forma articulada, respeitem os direitos das crianças e dos profissionais, no sentido de assegurar práticas pedagógicas promotoras de uma cidadania ativa das crianças.

Esta iniciativa é particularmente dirigida a educadoras de infância, educadores sociais e técnicos de associações e instituições particulares de solidariedade social, pais e encarregados de educação, responsáveis e técnicos autárquicos, animadores educativos e culturais, membros e dirigentes associativos e sindicais envolvidos na educação e outras organizações sociais que intervêm numa perspetiva de promoção da cidadania ativa das crianças.

Programa
16 de julho
9:30 – 12:30
1ª – Mesa – Políticas para a educação de infância em Portugal: desafios e dilemas
14:30-18:00
1ª – oficina – As tensões entre o Cuidar/Educar/Pré-escolarizar

17 de julho
9:30 – 12:30
2ª – oficina – Políticas de Avaliação da Qualidade em Educação de Infância
14:30-18:00
3ª – oficina – Organização do trabalho pedagógico e participação infantil

18 de julho
9:30-12:30 – Mesa final – Saberes e práticas em educação de infância
Participação de convidados oriundos de instituições que intervêm em contextos de educação de infância.
(O curso aguarda acreditação pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua).
*******************
Organização do curso: segundo uma tipologia que compreenderá sessões teóricas e sessões teórico-práticas.

Horário de funcionamento: Quinta-feira, 16 de Julho (9h-12h30m; 14h30m-18h)
Sexta-feira, 17 de Julho (9h-12h30m; 14h30m-18h)
Sábado, 18 de Julho (9h-13h)

Local de funcionamento: Instituto de Educação
Universidade do Minho
Campus de Gualtar
Braga

Inscrições: até 9 de Julho de 2015
Secretaria do Departamento de
Ciências Sociais da Educação
Instituto de Educação
Universidade do Minho
Campus de Gualtar
4710-057 Braga

endereço eletrónico: calexandra@ie.uminho.pt

Valor da inscrição:
45 € – Público em geral
20 € – Estudantes da Universidade do Minho

Pagamento através de TRANSFERÊNCIA BANCÁRIA para o NIB: 0035.0171.00167322630.15 (Caixa Geral de Depósitos).
Inscrições por endereço eletrónico, enviando comprovativo de pagamento:
calexandra@ie.uminho.pt

Número limite de inscrições: 25 (segundo a ordem de receção)

 

 

Os mitos associados à PHDA

Julho 8, 2015 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do http://lifestyle.publico.pt/  de 26 de junho de 2015.

Daniel Rocha

Por Carolina Viana,

Muito se fala sobre Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA). Embora seja tão comentada, ainda existem muitos mitos associados.

Os indivíduos com PHDA enfrentam desafios diariamente e com frequência sofrem o estigma do aluno “mal-educado”, desobediente, obstinado, etc. Quando, na verdade, tudo é feito com esforço acrescido. Por outro lado, também há crianças a ser apelidadas de hiperactivas quando não deverá ser essa a denominação.

E aquelas que por serem apenas desatentas mas não agitadas passam despercebidas e só se detectam as dificuldades mais à frente no percurso académico? E os pais, serão todos eles maus disciplinadores? Procuro, neste breve texto, desmistificar algumas destas questões.

“Ele não tem PHDA, é preguiçoso e mal-educado!”

Não! A PHDA é uma perturbação real que afecta cerca de 4% da população e que traz consequências ao nível do desempenho escolar, familiar e social. Ao contrário do que se pensa, as crianças com PHDA não conseguem controlar o seu comportamento. Não fazem as coisas porque não saibam mas sim porque não conseguem!

São crianças que têm muita dificuldade em envolver-se em tarefas que exijam esforço mental prolongado e por isso são muitas vezes apelidadas de preguiçosas. A verdade é que muitas vezes se esforçam mais do que os outros.

“Todos os hiperactivos têm PHDA!”

Não! Todas as crianças precisam de se mexer para conhecer e explorar o mundo. A agitação motora faz parte do desenvolvimento. Existem crianças que são mais mexidas do que outras mas isso não implica a presença duma perturbação. Para que tenham uma PHDA as dificuldades devem afectar o seu desenvolvimento pessoal, escolar e social e deve ter impacto significativo nos diferentes contextos de vida.

“Tem PHDA porque os pais não sabem educar!”

Não! Quando uma criança com PHDA não cumpre o que lhe é pedido ou faz birras, não é porque os pais não imponham regras e limites. Isto acontece porque uma criança com PHDA não consegue antecipar as consequências do seu comportamento. O problema advém de dificuldades na autorregulação do comportamento e não da falta de disciplina em casa.

“Só aparece em rapazes”

Não! As raparigas têm tanta probabilidade de ter uma PHDA quanto os rapazes. A diferença está na manifestação dos sintomas. Normalmente os rapazes são mais agitados que as raparigas e como tal, os sintomas de agitação motora, aquando duma PHDA, são mais marcados e evidentes. Por seu turno, as raparigas apresentam mais sintomas de desatenção, sintomas que passam mais facilmente despercebidos porque “não perturbam a aula”.

“Isto passa com a idade!”

Não! A PHDA é uma perturbação crónica que evolui ao longo da vida. Cerca de 30% a 50% dos casos permanece até à idade adulta e quando não dignosticado atempadamente pode evoluir para outro tipo de dificuldades. Há uma tendência para os sintomas de agitação motora diminuirem mas as dificuldades de autorregulação, controlo da atenção e impulsividade persistirem ou intensificarem-se.

“Fica horas a jogar playstation, não tem PHDA?”

Não! Muitas crianças e jovens com PHDA ficam muito tempo a jogar consola ou computador porque é mais fácil estar atento a actividades em que o estímulo está em constante mudança e em que há constante reforço das nossas acções (vidas, pontos…). Crianças com PHDA têm mais dificuldade, como qualquer outro inidvíduo, em manter a atenção em tarefas monótonas e menos motivantes.

“Consegue ouvir, perceber tudo o que se passa à sua volta, não tem PHDA”

Não! Crianças com PHDA estão atentos a tudo mas não se concentram em nada! “Até a mosca vêem passar”, mas não conseguem seleccionar o estímulo mais importante (focar a atenção) para conseguir realizar a tarefa que têm em mãos.

“Ao darmos apoio na escola a crianças com PHDA ou estamos a ser injustos com os restantes alunos”

Não! Quem tem uma PHDA tem um défice ao nível das competências para estar atento, ou seja, não tem a estrutura necessária para conseguir estar concentrado nas tarefas. Ao fazermos adaptações em sala de aula estamos a dar ferramentas para ultrapassar estas dificuldades. Não estamos a retirar os obstáculos do percurso mas sim a dar estratégias para os ultrapassar. Mais ainda, estas estratégias podem facilmente ser implementadas com todos os alunos e assim estimular a aprendizagem de todos.

Psicóloga Clínica, CADIn (phda@cadin.net)

 

 


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