Pano para tapar o sol no carrinho? O erro que quase todos os pais cometem

Julho 5, 2015 às 3:08 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Sol de 1 de julho de 2015.

sol

O sol atinge o rosto do bebé ou a luz não o deixa dormir tão descansado. Todos os pais, instintivamente, desde o primeiro dia de vida dos bebés, apressam-se a pendurar na capota do carrinho fraldas de pano, os seus próprios casacos e outros panos que são já vendidos para esse efeito. Mas um estudo vem agora alertar para os perigos de tapar os carrinhos, especialmente em dias de calor.

Svante Norgren, pediatra do hospital pediátrico Astrid Lindgren, na Suécia, conduziu um estudo que conclui que quando se pendura um pano sobre a capota, “dentro do carrinho fica uma temperatura extremamente elevada, com um efeito semelhante ao de um termo”. Além disso, a circulação de ar é insuficiente e é mais difícil para os pais vigiarem os bebés pequenos se estes vão tapados, podendo não se aperceber de eventuais indisposições.

O estudo realizou várias experiências para perceber o quão quente fica o habitáculo onde está o bebé. E as conclusões não deixam dúvidas. Um carrinho exposto ao sol sem pano que estava a 22 graus atingiu os 34 após meia hora de se colocar uma fralda sobre a capota. Ao fim de uma hora o termómetro marcava 37 graus.

Isto significa que quando os pais colocam o pano, em vez de estar a proteger os filhos do calor, na verdade estão a deixá-los desconfortáveis e a colocá-los em perigo devido ao aumento da temperatura.

A pediatra avisa que não se deve adoptar esta prática e é preferível tentar circular pela sombra, colocar um chapéu e protector solar na criança e usar apenas a capota que já vem instalada no carrinho. É sabido que o risco de morte súbita nos bebés aumenta exponencialmente quando expostos ao calor, por isso esta prática é ainda mais arriscada se se trata de recém-nascidos.

 mais informações na notícia:

Why covering your baby’s pram with a blanket could put their life at risk

 

 

 

Hiperactividade… Ciência versus Facebook…

Julho 5, 2015 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Mário Cordeiro publicado no i de 30 de junho de 2015.

Nem tudo o que mexe é hiperactivo, nem todos os que sonham têm défice de atenção. Mas destruir um fármaco com “cultura de Facebook” é demasiado leviano…

De acordo com os dados do Infarmed, houve um aumento na prescrição de metilfenidato (Concerta®, Ritalina®) para o dobro, entre 2010 e 2014. Podem existir várias explicações para isto, desde um exagero de prescrições até um melhor diagnóstico e medicação de crianças e jovens que necessitavam do medicamento e não o estavam a tomar. Por outro lado, os problemas de dispersão, falta de concentração e atenção e hiperactividade são mais bem conhecidos e isso pode justificar o aumento.

Todavia, os números não falam; as pessoas é que os interpretam, e tudo o que seja tirar ilações do facto de a prescrição ter aumentado é especulativo. O que se sabe, sim, é que embora haja crianças medicadas que não precisavam de o ser, é maior o número das que precisam e não estão medicadas e, das que estão, a esmagadora maioria colhe benefícios. A destruição da ideia de medicar, como vemos no que designo por “cultura de Facebook”, pode arruinar a vida de muitas crianças e isso é feito diariamente, de forma leviana.

Recomenda-se este tipo de fármacos nas situações em que há uma perturbação da concentração e atenção – o que ocorre sobretudo nos rapazes – que afecta a vida das crianças de forma significativa, para lá dos casos de cansaço, má gestão dos estímulos artificiais que desviam a atenção ou irrequietude natural das crianças e jovens, sobretudo do sexo masculino. Nem tudo o que mexe é hiperactivo, nem todos os que sonham têm défice de atenção!

As crianças, vivendo num mundo “entre quatro paredes”, precisam de se expandir, de se mexer. No entanto, a incapacidade de concentração num estímulo, sobretudo abstracto, desviando-se para “qualquer mosca que passe”, faz com que a criança retire muito pouco das aulas, se mexa constantemente, se sinta mais distante do “filme” que está a passar na sala de aula e invente outras coisas, mexendo-se, perturbe os outros e se comporte de modo hiperactivo, sendo disruptiva para a aula e prejudicando gravemente o seu próprio processo de aprendizagem.

Finalmente, estar constantemente a ser admoestado e posto de castigo e ver as notas aquém do que deseja (para dar um exemplo, a impulsividade faz ler apenas metade do cabeçalho e começar logo a responder, esquecendo o resto e tendo a pergunta incompleta apesar de saber a matéria) diminuem a auto-estima, causam tristeza e geram problemas acrescidos, sociais e psicológicos.

Só pode ser arrogante relativamente a esta forma terapêutica quem nunca foi o “patinho feio” ou o “palhaço” da turma, sentindo que pode ser mais e que fica aquém, como no poema de Mário de Sá-Carneiro.

Os benefícios da terapêutica, que pode ser instituída por um pediatra ou neuropediatra, mas que não necessita obrigatoriamente de ser baseada em doses e doses de testes e exames, são tal e qual umas muletas para quem tem uma perna engessada: ajudar o processo de aprendizagem e permitir à criança o desenvolvimento das suas capacidades.

O argumento dos detractores de que “é um químico” é anedótico porque o cérebro funciona, exactamente, com mediadores químicos, e nos casos de hiperactividade e défice de atenção, dispersão e impulsividade, esse mediador está em falta. Com o crescimento, o cérebro arranjará outras formas de funcionamento e não é precisa medicação para a vida toda, como alguns dizem. Além disso, é boa prática as crianças interromperem a medicação nas férias lectivas; a ideia de que se fica “preso a uma droga” é mais um dos mitos urbanos veiculados na internet.

Quanto a contra-indicações, nas redes sociais há pessoas que gostam muito de dizer que “é veneno”, “um perigo” e “não serve para nada”… dá vontade de rir. Leiam a bula do ibuprofeno ou do paracetamol, que dão aos vossos filhos, ou a de qualquer medicamento, e verão a “galeria de horrores” – os efeitos colaterais são raros e, salvo excepções, resumem-se a duas semanas de perda de apetite ou de acordar durante a noite, mas são situações transitórias. Aliás, como qualquer medicamento, se o utente apresentar sintomas, o médico suspenderá a terapêutica… isso acontece com antibióticos ou com anti-histamínicos… ou com tudo!

O metilfenidato não dá “superpoderes” à criança… apenas faz render melhor as suas capacidades naturais. Ninguém fica engenheiro, pianista ou escritor com o medicamento se não tiver esses talentos, mas pode nunca vir a ser engenheiro, escritor ou pianista, tendo esses talentos, por não conseguir estudar e concentrar-se, e andar toda a escolaridade a saltitar de “mosca para mosca”, irritando os professores, enervando os pais e diminuindo a sua auto-estima. E se pensássemos numa coisa chamada ciência? Talvez valha mais do que o diz-que-diz das redes sociais…

Pediatra

Escreve à terça-feira 

 


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