A Agenda de Desenvolvimento Pós-2015 não pode deixar para trás milhões de crianças

Junho 30, 2015 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site https://www.unric.org/pt/  de 23 de junho de 2015.

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A comunidade global irá falhar a milhões de crianças se, no seu novo roteiro de desenvolvimento para os próximos 15 anos, não se concentrar nas mais desfavorecidas, alertou hoje a UNICEF.

Progress for Children: Beyond Averages (Progressos para as Crianças, Para Além das Médias), o relatório final da UNICEF sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio relacionados com as crianças, afirma que, apesar de conquistas significativas, a desigualdade de oportunidades deixou milhões de crianças a viver na pobreza, a morrer antes de completar os cinco anos de vida, a sofrer de malnutrição crónica e sem ir à escola.

“Os ODM ajudaram o mundo a realizar enormes progressos para as crianças – mas também nos mostraram quantas crianças estamos a deixar para trás,” afirmou o Director Executivo da UNICEF, Anthony Lake. “A vida e o futuro das crianças mais desfavorecidas importa – não só em nome delas, como em nome das suas famílias, comunidades e sociedades.”

As disparidades no interior dos países deixaram as crianças das famílias mais pobres com o dobro de probabilidades de morrer antes de completarem os cinco anos de vida e com muito menos probabilidades de alcançar padrões mínimos de leitura que as crianças das famílias mais ricas.

Continuarmos a não chegar a estas crianças pode ter consequências dramáticas. A manterem-se as actuais taxas de progresso, tendo em conta a projecção do crescimento demográfico, estima-se que:

Mais 68 milhões de crianças menores de cinco anos vão morrer de causas evitáveis em 2030;

119 milhões de crianças sofrerão de malnutrição crónica em 2030;

Serão precisos perto de 100 anos para que todas as raparigas das famílias mais pobres da África Subsariana possam completar o primeiro ciclo do ensino secundário;

500.00 pessoas  ainda terão de defecar ao ar livre, uma prática que comporta riscos sérios para a saúde das crianças em 2030

 

Relatório da UNICEF: Progressos para as Crianças 2015

Nutrição

–  Perto de metade de todas as mortes de crianças menores de cinco anos podem ser atribuídas à subnutrição.

–  Entre 1990 e 2015, estima-se que a taxa global de prevalência da insuficiência ponderal terá sido reduzida em 42%, e no mesmo período a taxa global de atraso de crescimento em crianças menores de cinco anos terá sido reduzida em 41%.

–  Apesar das melhorias, 119 milhões de crianças menores de cinco anos terão um atraso de crescimento em 2030 se as actuais taxas de declínio se mantiverem, negando-lhes uma justa oportunidade de sobrevivência, crescimento e desenvolvimento.

–   As crianças menores de cinco anos que vivem em zonas rurais têm o dobro de probabilidades de vir a ter atraso de crescimento que as crianças que vivem em zonas urbanas.

–   No mundo, três em cada cinco (61%) bebés até aos cinco meses não são exclusivamente alimentados por aleitamento materno.

Pobreza

–  Mais de mil milhões de pessoas ainda vivem na pobreza extrema.

–  A maior parte das pessoas extremamente pobres vivem no Sul da Ásia e na África Subsariana.

– Apesar de as crianças constituírem perto de um terço da população global, quase metade (47%) das pessoas que vivem em pobreza extrema é composta por crianças – um total de 569 milhões.

–  Mais de metade das crianças menores de 12 anos dos países de baixo-rendimento vivem em pobreza extrema.

Educação

–  Entre 1999 e 2012, o número de crianças fora da escola baixou de 106 milhões para 58 milhões.

–  Na África Ocidental e Central, as crianças em idade escolar primária do quinto (20%) mais pobre têm seis vezes mais probabilidades de estar fora da escola que as do quinto (20%) mais rico.

–  Em 2015, 69% dos países com dados disponíveis terá alcançado a paridade de género ao nível do ensino básico.

–   As jovens raparigas têm 1.7 vezes mais probabilidades de serem analfabetas que os jovens rapazes.

–  Se as actuais tendências se mantiverem, as raparigas das famílias mais pobres na África Subsariana só completarão o primeiro ciclo do ensino secundário universal em 2111, daqui a perto de cem anos.

–   As crianças em idade escolar primária das famílias mais pobres têm cinco vezes mais probabilidades de estar for a da escola.

Mortalidade Infantil

–   A taxa global de mortalidade de menores de cinco anos desceu mais de metade desde 1990.

–   Apesar dos progressos, até ao fim de 2015, perto de seis milhões de crianças terão morrido antes de completarem o quinto ano de vida – a maior parte por causas evitáveis.

–  Com as actuais taxas de redução, a meta ODM para a redução da taxa de mortalidade de menores de cinco anos em dois terços até 2015 demorará mais uns dez anos a alcançar.

–  Com impacte no crescimento demográfico, mais 68 milhões de crianças menores de cinco anos irão morrer, a maior das quais por causas evitáveis, entre 2016 e 2030 se se mantiverem as actuais tendências da mortalidade infantil.

–  As mortes neonatais representam actualmente uma fatia maior do total de mortes de menores de cinco anos do que acontecia em 1990. Até ao final de 2015, cerca de um milhão de crianças terão respirado pela primeira e última vez no dia em que nasceram.

–  Na África subsariana, o risco de uma criança morrer antes de completar o quinto ano de vida é quase 15 vezes maior que o mesmo risco para uma criança nascida num país de alto rendimento.

–  As crianças das famílias mais pobres têm em média o dobro de probabilidades de morrer antes de completarem o quinto ano de vida que as crianças das famílias mais ricas.

Saúde Materna

–  Desde 1990 o rácio de mortalidade maternal (MMR) baixou 45%.]

–  Globalmente, 800 mulheres por dia morrem de complicações associadas à gravidez ou ao parto.

–  Hoje – tal como acontecia em 2000 – as mulheres mais ricas têm perto de três vezes mais de probabilidades que as mulheres mais pobres de dar à luz na presença de um técnico qualificado.

–  Na África Ocidental e Central, o risco de morte materna para uma rapariga de 15 anos é de uma em 30.

VIH

–  As novas infecções por VIH em crianças menores de 15 anos desceu 58% desde 2001.

–  Perto de 17.7 milhões de crianças ficaram órfãs por causas associadas à SIDA.

–  Dos 1.9 milhões de adultos com 18 anos ou mais com novas infecções por VIH em 2013, cerca de 35% (670.000) eram jovens com idades entre os 15 e os 24 anos, e 13% (250.000) eram adolescentes com idades entre os 15 e os 19 anos.

–  Em 2013, em países de baixo e médio rendimento, apenas 23% das crianças até aos 14 anos que vivem com o VIH recebem terapia anti-retroviral.

Água e Saneamento

–  2.6 mil milhões de pessoas passaram a ter acesso a fontes melhoradas de água para beber desde 1990.

–  Uma em cada sete pessoas no mundo continua a praticar a defecação ao ar livre (946 milhões), 9 em cada dez vivem em zonas rurais.

–  Se continuarmos no caminho actual, 500.000 pessoas continuarão a praticar a defecação ao ar livre daqui a 15 anos, um número superior ao da população dos EUA.

–   9% das pessoas continuam a não ter acesso a uma fonte melhorada de água para beber.

 

23 de junho de 2015, Centro de Notícias da ONU/Traduzido & Editado por UNRIC

 

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