Teresa Sarmento: “Importa pôr os meninos a pensar”

Junho 26, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Entrevista do site Educare a Teresa Sarmento do dia 22 de junho de 2015.

educare

Mais do que preparar para o futuro, no pré-escolar é preciso dar valor à criança em si mesma.

Andreia Lobo

Mostrou um vídeo onde um grupo de crianças do pré-escolar fazia uma simulação da sua ida à Lua. Um passo gigante para as educadoras e os pais envolvidos na tarefa. Fatos de astronautas, cenários lunares. Até um foguetão a descolar em contagem regressiva. Bem visível no ecrã de um computador. Orientadora de estágios em educação de infância e docente na Universidade do Minho, Teresa Sarmento surpreendeu a audiência de um congresso onde se falava da escola do futuro ao dar visibilidade ao trabalho que se faz – e que entende deve ser feito – no pré-escolar.

Começou a carreira como educadora de infância na década de 80 e, desde então, testemunhou muitas mudanças na forma como se olha para as idades dos zero aos seis. “Quando fiz o meu curso, entre 1975 e 1978, só havia um livro de Francesco de Bartolomeis, traduzido em português, sobre a educação de infância enquanto processo.” Defende que o poder para a inovação, neste nível de ensino, não é apanágio exclusivo dos recém-chegados à profissão. Às estagiárias recorda algo que já vem escrito em muitos livros. Mas que a sociedade parece não estar ainda plenamente apta a fazer: “Faz com que cada criança tenha uma vida de grandes experiências significativas.” Em entrevista ao EDUCARE.PT, Teresa Sarmento recorda aos adultos a importância de ser criança.

EDUCARE.PT (E): Cresce a ideia de que é no pré-escolar que se incutem as competências necessárias para o futuro…

Teresa Sarmento (TS):

Desde que estejamos de acordo sobre quais são essas competências… No jardim de infância importa pôr os meninos a pensar.

E: E ensinar a ler e a escrever? TS:

O 1.º ciclo define-se, em termos gerais, pela aquisição da leitura e da escrita. Porque haveríamos de fazer isso antes? As crianças gostam, e não lhes faz mal, aos 4 ou 5 anos de saber escrever o nome. Mas não há interesse no ensino explícito da escrita e da leitura. Até porque não vai avançar em nada. Quando esses conhecimentos já vêm do jardim de infância, se não há uma continuidade de trabalho, os primeiros tempos na escola são de absoluta desilusão.

E: Como vê a falta de creches dos 0 aos 3 anos?

TS:

Há alguma demissão do Estado face a estas idades. As creches são muito caras. O ratio adulto criança é, necessariamente, baixo e o número de horas que as crianças passam nas instituições é mais elevado nessas idades. O Estado escuda-se na defesa de que cabe às famílias educar os seus filhos, mas não dá resposta sobre como isso é possível nas condições atuais. Com o número elevado de horas de trabalho que em Portugal se fazem, sobretudo entre as mulheres, quando em comparação com outros países. E, portanto, tem de haver aqui compatibilidades. Ou seja, o Estado devia apoiar a criação de creches porque há uma falha muito grande e, ao mesmo tempo, investir em políticas de família permitindo um tempo mais prolongado de acompanhamento das crianças.

E: O que é preciso mudar?

TS:

O Ministério da Educação e Ciência não tem responsabilidade com as crianças dos 0 aos 3 anos, por isso, há uma falta de política educativa, bem como de apoio às famílias. É preciso uma conjugação entre educação, família e trabalho que permita que as crianças tenham o acompanhamento adequado. Também não acho que a melhor solução seja sempre estar na creche das 8h às 20h. Tem de haver uma política articulada que garanta às crianças as oportunidades de crescerem em parte do seu tempo em família. Isto implica uma política que garanta a oportunidade de as famílias se organizarem de forma a terem parte do seu tempo para se dedicarem às crianças.

E: O que lhe ocorre quando ouve governantes dizer que é preciso aumentar a natalidade… TS:

Vindos da governação, esses apelos são um contrassenso. Dizem isso mas depois não arranjam formas de garantir que os jovens possam ter filhos. Ainda antes de haver equipamentos de apoio às crianças, faltam às famílias condições de estabilidade laboral.

E: A infância já não é vista como uma passagem para a idade adulta.

TS:

Houve um reconhecimento que as crianças são seres humanos com capacidade de aprendizagem e de intervenção. Descobriu-se a importância dos 0 aos 6 anos em muitos âmbitos. Pensava-se que havia uma idade a partir da qual cada pessoa era aprendente. A evolução das ciências provou que não. Na pedagogia, a Escola Nova veio realçar a pertinência de se atender e entender a criança como um ser em desenvolvimento e em interação. Mas a própria designação de pré-escolar continua ligada à ideia de passagem. E, em muitos setores, a infância ainda é vista como uma fase necessária para se chegar a outra que ‘supostamente’ é mais importante.

E:“Viver com as crianças na idade em que elas estão.” É algo que defende. Quer precisar o que significa?

TS:

Com as pressões sobre os jardins de infância e as educadoras, e analisando as políticas gerais e o pensamento dos nossos governantes, há muito essa ideia de que é necessário preparar as crianças para serem adultas. Ignora-se o valor da criança em si mesma. Permanece a visão da criança como capital humano para produzir, ligada às teorias e às práticas neoliberais. Por isso, é urgente olhar para a criança como um ser humano numa fase específica da vida. E até mudar conceitos, falar em educação de infância em vez de educação pré-escolar.

E: É muito crítica do modo como o tempo das crianças está organizado e diz que elas estão demasiado ocupadas…

TS:

Há todo um domínio muito grande sobre a criança. Que desde logo começa com a pressão de se tirar um bebé da cama para ir para a creche. O tempo é demasiado regulado pela vida do adulto. E mesmo nos espaços que, em princípio, são da criança, como o jardim de infância, há uma regulação muito estrita. Aceito que tenha de haver uma certa rotina pedagógica para o funcionamento das instituições. Mas uma parte do tempo tem de ser usado livremente pelas crianças. Para que elas possam brincar como queiram. Não pode haver uma organização rígida, nem sempre tutelada, que impeça as crianças de terem os seus momentos de liberdade.

E: Os adultos esquecem-se que as crianças têm o direito às suas escolhas?

TS:

Esquecem-se muito, até pelas complicações que têm nas suas vidas. E que geram uma colisão de direitos e, sobretudo, de condições de vida entre os adultos e as crianças.

E: Recentemente, esteve em São Tomé e no Brasil. O que importava desses países para Portugal?

TS:

De São Tomé traria a elevada taxa de natalidade. Há tantas crianças que a média por sala em jardim de infância é na ordem das 60. Em Portugal o máximo são 25, mas atualmente já há muitas salas sem crianças. Não têm as condições que as nossas crianças têm. Mas, por exemplo, são muito mais autónomas, porque a adversidade assim as obriga. No Brasil, os profissionais que trabalham com a infância conseguem ligar muito as questões pedagógicas às políticas e sociais. Os educadores em Portugal fazem uma análise das condições pedagógicas mais fechada na escola. Temos de aprender alguma coisa com os brasileiros e criar um sentido de educação que seja mais aberto.

E: Vale a pena investir na carreira de educador de infância?

TS:

Em termos económicos não. Há imensas educadoras formadas sem emprego. Prolongou-se muito a idade da reforma. Antes destas mudanças uma educadora com 55 anos estava reformada, o que permitia a entrada de gente nova. Atualmente, a permanência na profissão prolongou-se por mais 11 anos. Uma diferença muito grande. Por outro lado, em termos de satisfação pessoal, a profissão de educadora é muito enriquecedora. Quem trabalha com crianças tem outra forma de estar, outro bem-estar psicológico, ainda que seja uma profissão muito cansativa.

E: A educadora deve ser uma quase mãe?

TS:

Acho que sim. A questão dos afetos é fundamental. A criança deve sentir na educadora uma proximidade afetiva grande, uma segurança, uma estabilidade, um carinho, um mimo. Tudo isso, sem esquecer o carácter profissional, faz parte da educação de infância. Até porque gostar de crianças não é suficiente. A educadora tem de saber como potenciar oportunidades para o seu desenvolvimento.

E: Que conselho dá às suas alunas quando vão estagiar…

TS:

Entende o estágio como um compromisso forte e uma responsabilidade muito grande. E, no que depender de ti, faz com que cada criança tenha uma vida de grandes experiências significativas.

 

 

InFérias – Campos de Férias Inclusivos – Inclusão para a Deficiência – crianças e jovens entre os 6 e os 18 anos de idade

Junho 26, 2015 às 3:12 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

inferias

Os campos decorrem de 6 de Julho a 14 de Agosto, das 8.30H ás 17.00H em São Domingos de Rana – Na Escola Secundária de Carcavelos. Em anexo envio ficha de inscrição e regulamento interno, o valor de inscrição varia de acordo com rendimento familiar/ ou tutela instituição.
FICHA DE INSCRIÇÃO 2015

REGULAMENTO INTERNO 2015

mais informações:

http://www.bipp.pt/inferias/

 

 

Um em cada seis jovens automutilaram-se mais do que uma vez em 2014

Junho 26, 2015 às 1:30 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia da SIC Notícias   de 24 de junho de 2015.

© Rafael Marchante  Reuters

Um em cada seis adolescentes portugueses entre os 13 e os 15 anos magoaram-se a eles próprios de propósito mais do que uma vez durante o ano passado, a maioria nos braços, revela um estudo apresentado esta quarta-feira.

Trata-se de um estudo – “Health Behaviour in School-aged Children (HBSC) – realizado em Portugal para a Organização Mundial de Saúde, que avalia os comportamentos relacionados com a saúde dos jovens em idade escolar desde 1998.

Para o estudo de 2014, foram inquiridos 6026 alunos dos 6.º, 8.º e 10.º anos de escolas de todo o país.

Os dados mais recentes, relativos ao ano passado, revelam que as auto-mutilações estão a aumentar, com 15,6% dos adolescentes (510) do 8º e do 10º ano a referirem ter-se magoado de propósito mais do que uma vez nos últimos 12 meses, sendo que foram 20% os que afirmaram tê-lo feito pelo menos uma vez.

Quando questionados sobre a parte do corpo em que se auto-mutilaram, 52,9% (270) afirmaram tê-lo feito nos braços, 24,7% (126) nas pernas, 16,7% (85) na barriga e 22,5% (115) noutras partes do corpo.

O estudo indica igualmente estar a aumentar o número de jovens que afirmam sentir-se “extremamente tristes”.

Relativamente a comportamentos agressivos, e voltando à amostra total (6.º, 8.º e 10.º anos), o estudo indica que 56% das situações de provocação na escola ocorreram no recreio e que cerca de dois terços dos jovens que assistiram não fizeram nada e afastaram-se.

Entre as zonas onde mais ocorrem as provocações, seguem-se “à volta da escola”, os “corredores” e a “sala de aula”.

Quanto aos jovens inquiridos que assistiram a situações de provocações na sua escola, quase 11% afirmaram ter encorajado o provocador.

O cyberbullying também está a aumentar, embora apenas 15,4% dos adolescentes tenha estado envolvido de alguma forma: 7,6% como vítimas, 5,4% como vítimas e provocadores e 2,9% como provocadores.

O estudo conclui também que os jovens com “mais comportamentos saudáveis” são aqueles que “consideram que a família os ajuda a tomar decisões e os que têm amigos com quem partilhar alegrias e tristezas”.

No que respeita à escola, os alunos que revelam mais comportamentos saudáveis são os que gostam da escola e os que consideram que os professores se interessam por eles enquanto pessoas.

Os resultados deste estudo, coordenado em Portugal pela investigadora Margarida Gaspar de Matos, foram apresentados hoje no âmbito do 19.º Encontro Europeu da Associação Internacional de Saúde do Adolescente (IAAH).

Lusa

http://aventurasocial.com/publicacoes.php

 

Aumenta número de jovens que sentem fome por falta de comida em casa

Junho 26, 2015 às 1:15 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

Notícia da SIC Notícias de 24 de junho de 2015.

O número de jovens que afirma sentir fome por não ter comida em casa aumentou em 2014, segundo um estudo que revela ainda que quase todos apresentam algum tipo de problema nutricional.

O estudo “Health Behaviour in School-aged Children” (HBSC)  realizado em Portugal para a Organização Mundial de Saúde, inquiriu 6.026 alunos dos 6.º, 8.º e 10.º anos de escolas de todo o país.

Entre os comportamentos que apresentam alterações ao longo dos últimos anos, destaca-se o “sentir fome por falta de comida em casa”, um fenómeno que aumentou em 2014, depois de se ter mantido estável desde 2006.

O estudo, coordenado pela investigadora Margarida Gaspar de Matos, revela que 99% dos inquiridos relatam ter uma boa nutrição, no entanto 80% ingerem comida não saudável, 75% afirmam comer por vezes demasiado, 66% reconhecem ser esquisitos em relação à comida e 63% reportam comer “o que calha”.

O mesmo estudo conclui que 51% só comem “quando calha”, 35% comem “como um passarinho” e outros 35% afirmam ter dificuldade em parar de comer.

Quanto aos géneros, são os rapazes quem mais frequentemente tomam o pequeno-almoço e as raparigas quem mais frequentemente faz dieta.

Em termos de idades, os mais novos tomam mais frequentemente o pequeno-almoço do que os mais velhos, e estes fazem menos dieta.

O estudo revela ainda que são os rapazes e os mais jovens do grupo de inquiridos os que estão mais frequentemente acima do peso, mas são também quem mais frequentemente afirma ter um “corpo perfeito”.

Um outro estudo incluído num projeto europeu, intitulado “Tempest” e também coordenado em Portugal por Margarida Gaspar de matos, inquiriu 1.200 jovens de todo o país entre os 9 e os 17 anos de idade.

Ainda sobre a alimentação, os dados deste estudo relativos a 2014 indicam que as raparigas têm mais auto-regulação, mais preocupação com a nutrição e mais influenciadas pela cultura familiar no que respeita à nutrição.

Os jovens mais velhos do grupo de inquiridos são mais influenciados pelo ambiente, no que à alimentação diz respeito, são menos monitorizados pela família, revelam menos auto-regulação e menos preocupação com a nutrição.

 

As famílias constituem um importante fator de regulação externa da alimentação dos adolescentes, mas mais no grupo dos mais jovens do que no dos mais velhos, que, no entanto, ainda não têm suficiente auto-regulação.

 

Os inquiridos consideram como principais suportes sociais a uma boa alimentação “jantar com a família”, “não petiscar entre as refeições” e “aprender a cozinhar e cozinhar refeições”.

 

O estudo Tempest avaliou também quais as preocupações dos adolescentes e como é que eles as enfrentam, tendo concluído que as preocupações são, desde 2012, os assuntos escolares (classificações, fracassos, professores e escolhas futuras), amigos/namorados (afetos, dúvidas e perdas) e assuntos familiares (conflitos e saúde).

 

No entanto, o estudo destaca que em 2014 surgiu uma nova inquietação entre os jovens, que não era apresentada nos anos anteriores: “preocupações económicas”.

 

Para fazer face a estes problemas, os jovens dizem que se livram deles evitando-os (dormindo ou não pensando), distraindo-se (com atividades alternativas como divertimentos, comida, musica, internet, televisão, livros ou desporto) ou através de apoio dos amigos (conversarem ou estarem juntos).

 

Os jovens mais velhos do grupo (inquiridos também nos anos anteriores do estudo) apresentaram em 2014 pela primeira vez uma nova forma de enfrentar as preocupações, acrescentando a hipótese “resolver o problema” às três anteriores.

Lusa

 

 

http://aventurasocial.com/publicacoes.php

Saúde mental das crianças é mal tratada em Portugal

Junho 26, 2015 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia do http://economico.sapo.pt  de 19 de junho de 2015.

economico

Irina Marcelino

O acesso a ansiolíticos e antidepressivos por crianças e adolescentes é preocupante, considera Maria do Céu Machado.

As crianças portuguesas têm mais alergias, mais asma e doenças como a de Chron, infecção crónica dos intestinos que se pensava que apenas atingiam os adultos.

A asma está à cabeça das doenças crónicas nas crianças. A doença terá aumentado na ordem dos 20% nos últimos dez anos, segundo Maria do Céu Machado, pediatra, professora da Faculdade de Medicina na Universidade de Lisboa e responsável pelo serviço de Pediatria do Hospital de Santa Maria.

O aumento deste tipo de doenças crónicas é, afirma, “o preço a pagar por termos um país desenvolvido”. Nos restantes lugares da “tabela” elaborada por Maria do Céu Machado, que foi Alta Comissária para a Saúde, surgem ainda doenças como a obesidade, que dá origem a problemas como a diabetes, a doença inflamatória intestinal, a doença pulmonar crónica, a epilepsia e, ainda, as doenças mentais. “Em Portugal dá-se muito pouca importância a esta área. Uma criança ou um adolescente com uma doença mental vai dar um adulto com problemas de saúde mental”, considerando que esta é uma área relativamente à qual tem uma grande preocupação.

A especialista lembrou a propósito o caso da Islândia, que em plena crise lançou um programa de acompanhamento da saúde mental das suas crianças e adolescentes. “Na altura achei um exagero, mas agora compreendo. Essas crianças e adolescentes eram os filhos da maioria dos casais que caíram no desemprego”. Um estudo recente concluiu que a aposta islandesa resultou. E que o país conseguiu evitar os efeitos negativos que a crise podia ter tido nos seus jovens.

Em Portugal, a forma como se trata a saúde mental das crianças e adolescentes não tem comparação. “Não temos uma organização de psiquiatria na infância e na adolescência, como devíamos ter em Portugal”, considera. Além da falta de profissionais especializados, há, também, falta de camas nos hospitais. “Para toda a zona Sul, de Lisboa e Vale do Tejo, ao Alentejo e ao Algarve temos dez camas no Hospital de D. Estefânia para crianças e adolescentes com problemas de saúde mental”. E apenas os casos mais graves acabam por ser atendidos. “Ou seja, os casos ligeiros são recusados. Mas os ligeiros eram os que a longo prazo podiam ser tratados de forma a não terem problemas. Se investíssemos neles teríamos adultos saudáveis”.

Um dos problemas que destaca diz respeito ao acesso a ansiolíticos e antidepressivos.

“Não há nenhum dia na urgência que não apareça um adolescente que tenha tomado 10 ou 15 comprimidos, não para se suicidar mas porque está medicado e não aguenta quando lhe passa o efeito dos medicamentos. O acesso aos medicamentos é mais grave do que a doença mental em si”.

Sobre a saúde infantil, Maria do Céu Machado defendeu que também a área de cuidados continuados devia ser acautelada nesta fase da vida. “Com o aumento das doenças crónicas nas crianças, as camas dos hospitais são ocupadas por estes doentes, quando deviam ser tratados em cuidados continuados”, refere, lembrando tam ém a possibilidade de haver cuidados continuados de curta duração “para dar aos pais destas crianças a oportunidade de descansar”.

Os cuidados de saúde para crianças deviam também ser melhorados. “Devia haver um gestor do doente. Há um problema com a multiplicação de consultas e de exames em dias diferentes, que resultam em faltas na escola e no trabalho que podiam ser evitadas”.

Maria do Céu Machado defendeu ainda a necessidade de construção de Centros de Referência. “Espero que em breve saiam as regras e que possamos construir Centros de Referência. Mas é preciso que estes centros tenham uma política de RH diferente da actual”.

 

 

Inauguração da Exposição Coletiva de Ilustração – dia 27 de junho, às 17 horas, na Galeria Municipal do Castelo de Pirescouxe

Junho 26, 2015 às 10:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

ilustra

Vai inaugurar, dia 27 de junho, às 17 horas, na Galeria Municipal do Castelo de Pirescouxe, em Santa Iria de Azóia, uma exposição de pintura coletiva de ilustração.

De Eunice Rosado, Inês Carmo, Marta Ribeiro e Yara Kono, esta exposição ficará patente naquele espaço municipal até ao próximo dia 22 de agosto.

Contactos no link:

http://www.cm-loures.pt/Media/Microsite/Cultura/galeria-municipal-do-castelo-de-pirescouxe.html

Conheça os amigos do seu filho

Junho 26, 2015 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Texto do site  http://www.portoeditora.pt

snews

Como podem os pais ajudar os filhos na gestão da necessidade de pertença a um grupo de amigos e de serem aceites, sem que tal se revele um processo problemático? Há comportamentos parentais que podem ajudar os adolescentes a lidarem melhor com os desafios do relacionamento com os pares.

Paula Marques

Na adolescência caminha-se da família para os amigos, num processo de alargamento de crenças e valores, de identificação ou diferenciação, de um questionamento contínuo revestido de sentimentos ambivalentes como a angústia e a euforia.

A forma como o adolescente vai gerir “psicoemocionalmente” a instabilidade, típica desta fase, será importante para a estruturação da sua personalidade e para a formação do seu autoconceito e autoestima.

Os adolescentes preocupam-se com a inclusão num grupo, valorizam a opinião dos amigos, refugiam-se nas conversas com estes e o número de amigos está habitualmente conotado com a satisfação consigo próprio. Mas a verdade é que a influência dos pares tanto se pode revelar positiva, com comportamentos de amizade, proximidade e suporte que favorecem o seu bem-estar, como se pode revelar de negativa, com comportamentos de crítica, rejeição e estigmatização que afetam seriamente o equilíbrio, já de si frágil, do adolescente.

Como posso, então, ajudar o meu filho adolescente?

Promova a capacidade de afirmação do seu filho

Ajude o seu filho a ser ele próprio, a expressar os seus interesses permitindo-lhe isso mesmo no ambiente familiar. As práticas educativas parentais são um modelo para o relacionamento dos jovens com os seus pares, para além de representarem um pilar importante no seu equilíbrio emocional.

Se à exigência for associado pouco afeto, o adolescente vai sentir-se em défice emocional, desenvolvendo uma postura frágil e de necessidade de aceitação nos grupos de amigos, com prejuízo da sua capacidade de afirmação pessoal.

Promova o contacto com diferentes grupos

Sempre que possível, permita ao seu filho contactar com realidades diversas em que possa constituir grupos de amigos diferentes, através, por exemplo, da frequência de atividades extracurriculares em grupo ou da realização de atividades de férias com colegas diferentes dos habituais.

Desta forma, estará a treinar competências de interação social, enriquecendo a sua exploração do mundo, o que ajudará o seu filho no processo de socialização. Ao mesmo tempo, está a aumentar a probabilidade de alargamento do seu grupo de amigos.

Conheça os amigos do seu filho

Conhecer globalmente os amigos do seu filho enquadra-se numa perspetiva de estar próximo das pessoas que lhe são importantes e de compreender a importância que o grupo tem para si e qual o seu papel no grupo.

Poderá fazê-lo providenciando um espaço para a realização de trabalhos de grupo, ou de estudo em casa, ou para a organização de sessões de cinema em casa, ou qualquer outra atividade que se enquadre num ambiente de disponibilidade para a presença dos amigos.

Mas estas atividades devem ser realizadas sempre num enquadramento de proposta ao seu filho, para que este se sinta envolvido nelas, façam sentido, valorizando e aceitando a sua iniciativa. Não se esqueça que são os amigos dele e não necessariamente os amigos que gostaria que ele tivesse!

Há adolescentes que evitam a presença dos pais nas suas atividades com os amigos. Neste caso é naturalmente importante respeitar as suas decisões procurando, contudo, perceber o porquê de tal.

Proibir pode não ser solução

Está preocupado com a influência negativa que os amigos do seu filho podem ter nele? Os pais procuram proteger os filhos de determinadas realidades, como seja o insucesso escolar ou o consumo de drogas. Contudo, é importante que o adolescente desenvolva ferramentas psicoemocionais que lhes permitam a adoção de comportamentos de responsabilidade.

Em vez de proibir que contactem com determinados amigos, promova a reflexão acerca do que são, para si próprio, comportamentos adequados para que, em qualquer situação da vida, seja capaz de fazer as suas próprias opções. A adolescência é uma fase revestida de muitas alterações. Contudo: (i) se se tornou particularmente difícil falar com o seu filho; (ii) se identifica comportamentos regulares de mentira; (iii) se os resultados escolares desceram sem causa aparente; (iv) se há faltas às atividades escolares ou extra-escolares sem justificação para tal; (v) se mostra sentimentos continuados de ansiedade, tristeza ou isolamento, procure ajuda de um médico ou psicólogo de forma a que seja possível concluir acerca da estabilidade emocional do seu filho e/ou ajudá-lo enquanto pai/mãe.

Paula Marques

Licenciada em Psicologia pela Universidade do Porto e pós-graduada pela mesma instituição, conta com especializações em consulta psicológica e intervenção psicológica com crianças, jovens e adultos. Do seu currículo fazem parte várias formações nos domínios da avaliação cognitiva e da personalidade, orientação vocacional, educação sexual e especialização em igualdade de género. Exerce funções de psicóloga clínica e atualmente colabora com o centro CRIAR, atendendo sobretudo casos relacionados com situações de adaptação/mudança de escola, escolhas vocacionais e profissionais, avaliação cognitiva e situações relacionadas com aspetos de personalidade (dificuldades de autoestima, ansiedade, problemas de relacionamento interpessoal, gestão comportamental).

 

 


Entries e comentários feeds.