Conheça o drama das crianças arrancadas das famílias em experimento social na Dinamarca

Junho 23, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://g1.globo.com/  de 14 de junho de 2015

arquivo pessoal

Meninos e meninas foram levados da Groelândia para virar cidadãos-modelo nos anos 50; muitos acabaram se tornando alcoólatras ou entraram em crise de identidade.

Ellen Otzen Da BBC News

Em 1950, um grupo de crianças da etnia inuit (anteriormente chamadas de esquimós) foi retirado de suas famílias na Groenlândia e levados à Dinamarca para serem educados como “cidadãos dinamarqueses”.

O programa “Witness”, da BBC, conversou com uma das vítimas deste polêmico experimento social.

“Era um dia lindo de verão quando dois distintos senhores dinamarqueses apareceram na nossa casa”, lembra Helene Thiesen. Era 1951, ela vivia com sua família em Nuuk, a capital da Groenlândia.

“Estavam com um intérprete e com a minha irmã mais velha. ‘O que eles estão fazendo aqui?’, pensei. Estávamos bastante curiosos. Pediram que a gente saísse de casa enquanto minha mãe conversava com eles”.

“Perguntaram à minha mãe se ela estava disposta a me mandar para a Dinamarca. Aprenderia a falar dinamarquês e teria uma boa educação. Disseram que seria uma grande oportunidade para mim”, prosseguiu.

Helene conta que a mãe negou o ‘convite’ duas vezes. Mas os dinamarqueses seguiram pressionando. “Diziam que era só por seis meses e que eu teria a oportunidade de um futuro promissor.”

BBC

‘Novo groenlandês’

A Dinamarca estava decidida a melhorar as condições de vida da sua colônia ártica. Muitos deles, porém, viviam da caça às focas, poucos falavam dinamarquês e a tuberculose estava disseminada pela região.

As autoridades dinamarquesas decidiram que a melhor maneira de modernizar a ilha era criar um novo tipo de groenlandês.

Elas enviaram telegramas a diretores de escolas e padres pedindo que identificassem as crianças mais inteligentes entre 6 e 10 anos. O plano, idealizado em conjunto com a fundação “Save the Children” da Dinamarca, era enviá-los a famílias dinamarquesas para que fossem reeducados como “crianças dinamarquesas”.

Muitos se mostravam receosos a mandar seus filhos, mas finalmente 21 famílias cederam. O pai de Helene Thiesen havia morrido de tuberculose três meses antes e sua mãe ficou sozinha com três filhos pequenos.

“Minha mãe me explicou: ‘Você vai para a Dinamarca’. ‘O que é a Dinamarca?’, perguntei a ela”.

“‘É um país muito longe, mas bonito, é como o paraíso. Você não tem que ficar triste’, disse a minha mãe.”

Em maio de 1951, o barco MS Disko saiu de Nuuk com 22 crianças a bordo.

“No barco, olhei para a minha mãe e não consegui nem dizer ‘tchau’ com a mão. Estava enjoada: ‘Por que você está me deixando ir?’, pensei. Não entendíamos por que estavam nos mandando para um lugar tão distante. O que encontraríamos lá? Era tudo muito incerto.”

Arquivo pessoal2

“Eu me lembro quando chegamos a Copenhagen. Estava anoitecendo e havia um porto muito grande”, contou Helene.

Após chegarem, as crianças foram enviadas às suas famílias adotivas. Mas, primeiro, passaram o verão em um “acampamento”, conhecido como Fedgaarden. “Depois, soubemos que, na realidade, eles estavam nos mantendo isolados, em quarentena”, disse.

“Nos colocaram em quarentena porque éramos o primeiro grupo de crianças que chegava da Groenlândia à Dinamarca. Eles temiam que tivéssemos algo contagioso.”

“Continuei me perguntando o que faria quando voltasse para casa. Tinha saudades de minha mãe e ainda sentia muito a morte de meu pai.”

A visita da rainha

A chegada das crianças inuítes era um projeto de tanto prestígio que até a rainha quis visitar o acampamento.

Mas, na foto que tiraram das crianças com a rainha, nenhuma delas sorri.

“Claro que houve momentos mais alegres, como quando íamos à praia. Mas quando nos mandavam dormir, chorávamos em silêncio. Eu me sentia muito triste e insegura”.

Em dezembro de 1951, uma revista dinamarquesa publicou uma reportagem descrevendo a experiência como um “sucesso”.

“O modo de vida aqui na Dinamarca é muito diferente do que esses meninos estavam acostumados, mas a habilidade que eles tiveram para se adaptar é impressiomante. Não é comum ver nenhum problema provocado por sua reação à civilização”, dizia a publicação.

“As crianças da Groenlândia já falam dinamarquês muito bem, mas quando a alegria ou a raiva os agitam, uma chuva de palavras groenlandesas aparece de repente, e sons sem sentido podem ser ouvidos.”

“Helene nunca disse uma palavra a seus pais adotivos, mas conversa com sua irmã adotiva, Marianne, que está lhe ensinando a costurar.”

Helene Thiesen desenvolveu um eczema em Fedgaarden e decidiram que ela deveria morar com um médico. Para tratar sua inflamação, cobriram seus cotovelos e calcanhares com uma pomada preta e proibiram-na de entrar na sala de estar para não danificar os móveis.

“Nunca me senti bem-vinda nessa família. Era uma estranha. A mãe tinha problemas mentais e ficava deitada o tempo todo.”

Helene conta que não confiava nos adultos na Dinamarca e, quando alguém lhe dirigia a palavra, apenas “assentia ou negava com a cabeça” porque não queria responder. Alguns meses depois, quando seu problema de pele melhorou, a garota foi transferida para uma família diferente.

“A segunda família me acolheu de maneira totalmente diferente. Era como um conto de fadas em comparação com a primeira. Eram pessoas muito calorosas”, disse.

BBC2

 

De volta à Groenlândia

No ano seguinte, 16 dos 22 inuítes, incluindo Thiesen, foram enviados de volta à Groenlândia. A organização “Save the Children” deixou os seis restantes na Dinamarca – eles foram adotados por suas famílias de origem dinamarquesa.

“Quando o barco atracou em Nuuk, segurei minha mala e corri pela ponte para os braços da minha mãe”, disse Helene.

“E contei tudo o que havia visto. Mas ela não respondeu. Eu olhei para ela confusa. Depois de um tempo, ela me disse algo, mas não entendi. Nem uma palavra. Aí pensei: ‘Que coisa horrível! Não consiguirei falar com a minha mãe nunca mais!’. Falávamos idiomas diferentes.”

Teve, então, outra surpresa. Enquanto Thiesen estava ausente, outra fundação, a Cruz Vermelha Dinamarquesa, havia construído um lar para crianças em Nuuk.

Segundo a instituição, as crianças que haviam se hospedado em casas dinamarquesas não deveriam viver com suas próprias famílias “em condições piores”.

“Nossa nova ‘mãe’ – a diretora do lar – me tocou o ombro e disse: ‘Vamos, suba no ônibus, você vai para o orfanato’. Por que eu estava sendo enviada a um lar para crianças? Ninguém me respondeu. Observei a cidade por entre minhas lágrimas.”

No lar de crianças, os garotos e garotas queriam reaprender o groenlandês para se comunicar com seus pais de novo. Muitos dos empregados, que falavam o idioma local, começaram a ajudá-los.

“Mas então o diretor dinamarquês apareceu. ‘O que estão fazendo? Não podem ensinar groenlandês. Essas crianças precisam ser educadas para chegarem ao topo da sociedade. Portanto elas só falarão dinamarquês’.”

A relação de Helene com sua mãe nunca voltou a ser a mesma. “Me sentia muito triste pela decisão de me mandar para longe. Eu ficava realmente irritada porque ela não só me deixou ir, como também permitiu que eu voltasse a viver em um orfanato, apesar de morarmos na mesma cidade”.

“Eram tempos em que os dinamarqueses eram os senhores coloniais da Groenlândia. Eram ‘mestres’ no pior sentido da palavra. Eles controlavam tudo e ninguém poderia contradizer um dinamarquês.”

Somente em 1996, quando tinha 52 anos, Helene descobriu por que havia sido afastada de sua mãe.

E a notícia não veio do governo dinamarquês e sim de uma escritora que encontrou uma coleção de documentos no Arquivo Nacional da Dinamarca.

“Ela me ligou e disse: ‘Você está sentada? Você foi parte de um experimento.’ Me sentei no chão e a única coisa que fiz foi chorar.”

Experimento falido

Longe de servir como modelo para o intercâmbio cultural na Groenlândia, as crianças terminaram como um pequeno grupo sem raízes e marginalizados na periferia de sua própria sociedade. Vários deles se tornaram alcoólatras e morreram jovens.

“Alguns deles se tornaram mendigos, outros simplesmente ficaram marcados para sempre. Perderam sua identidade e a capacidade de falar sua língua materna e, com isso, perderam seu propósito de vida”, disse Helene.

BBC3

Ela recebeu uma carta da Cruz Vermelha Dinamarquesa em 1998 “lamentando” o episódio. Finalmente, em 2009, a Save the Children da Dinamarca também se desculpou. Mas uma investigação interna descobriu que alguns dos documentos que detalham a participação da Save the Children podem ter sido destruídos propositalmente.

“O que aconteceu foi uma clara violação dos direitos fundamentais das crianças”, disse Mimi Jacobsen, secretária geral da Save the Children Dinamarca.

“Tinham boas intenções, mas tudo foi feito de uma forma terrível supondo que o pensamento nesse momento era que queriam educar e melhorar os groenlandeses para dar a eles um futuro melhor.” Em 2010, as autoridades da Groenlândia reivindicaram uma desculpa ao governo dinamarquês.

O Partido Democrata Social dinamarquês, então oposição, pediu uma investigação independente. Mas logo que eles assumiram o governo em 2011, reinou o silêncio sobre o tema. Helene disse que a experiência teve alguns resultados positivos.

“Apesar de ter jurado que nunca me casaria com um dinamarquês, porque estava revoltada com o poder colonial, acabei com um marido de lá. Junto com ele e meus filhos, temos uma vida feliz na Dinamarca.”

Helene Thiesen dedicou sua vida a cuidar dos filhos. Hoje tem 71 anos e está aposentada. Vive no sul da Dinamarca. “Em relação às autoridades dinamarquesas, minha mágoa é grande. É simplesmente incompreensível. O que vivi me magoará para sempre até o dia da minha morte.”

 

 

Pobreza mata seis milhões de crianças todos os anos

Junho 23, 2015 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Rádio Renascença de 23 de junho de 2015.

A notícia contém declarações da Drª Dulce Rocha, Vice-Presidente do Instituto de Apoio à Criança.

Logan Abassi UN Photo

O número consta do relatório da UNICEF sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. Em 2030, podem ser mais de 70 milhões as crianças menores de cinco anos a morrer de causas evitáveis.

por André Rodrigues

 Seis milhões de crianças com menos de cinco anos morrem anualmente por causa da pobreza extrema. O alerta vem no relatório da UNICEF sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, divulgado esta terça-feira.

O documento indica que, apesar dos progressos feitos nos últimos anos, a desigualdade de oportunidades continua a deixar milhões de crianças na pobreza. Todos os anos morrem 289 mil mulheres durante o parto; 58 milhões de crianças nem sequer chegam a ir à escola.

Quanto aos avanços, o relatório refere o que se conseguiu na protecção à infância desde 1990: a mortalidade nas crianças abaixo de cinco anos caiu mais de metade e a mortalidade materna caiu 45%.

Nos últimos 25 anos, mais de dois milhões e meio de pessoas passaram a ter acesso a água potável e a subnutrição crónica entre as crianças diminuiu mais de 40%.

Sudeste asiático, América Latina e Caraíbas são as três regiões desfavorecidas com melhor desempenho naqueles parâmetros de avaliação da UNICEF. Já a África subsaariana continua a ser a região do mundo onde as desigualdades são mais evidentes.

Um fenómeno que para a vice-presidente do Instituto de Apoio à Criança tem sido potenciado pelo surgimento de vários conflitos. “É uma situação que nós não estamos a ver um fim à vista. Estamos confrontados com situações gravíssimas em países como a Síria, Iémen e Iraque. Vemos situações em que as pessoas fogem em barcaças, que muitas vezes não chegam ao destino. Correm riscos porque nos seus países há perigo de vida, fome e miséria”, explicou à Renascença Dulce Rocha.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância lembra, contudo, que os próximos 15 anos são cruciais. A manterem-se as actuais taxas de progresso, e tendo em conta a projecção do crescimento demográfico, estima-se que em 2030 mais 68 milhões de crianças menores de cinco anos morram de causas evitáveis. A má nutrição crónica deverá afectar 119 milhões.

 

 

 

 

 

A sardinha é boa – Oficina para famílias no Museu da Marioneta

Junho 23, 2015 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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sardinha

A sardinha é boa Oficina para famílias

dia 28 Junho, 10h30  inscrição:  museudamarioneta@egeac.pt

Festas de Lisboa

Em Junho, a sardinha é Rainha! Uma oficina para criar uma sardinha e transformá-la numa marioneta de vara. Ganha a sardinha mais criativa!

Museu da Marioneta ·  28 Junho, 10h30  ·  1 adulto  + 1 criança > 6 anos  ·  € 6,00 ·  6 > 24 participantes 2h

http://museudamarioneta.pt/

 

ASAE apanhou 33 menores a beber álcool desde o início do ano

Junho 23, 2015 às 10:18 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site http://lifestyle.sapo.pt/ de 22 de junho de 2015.

AFP PHOTO  JEFF PACHOUD

Nuno Noronha  Lusa

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) identificou na última semana quatro menores por consumo de bebidas alcoólicas, elevando para 33 o número de menores detetados a beber álcool desde o início deste ano.

Em comunicado, a ASAE refere que a identificação destes quatro menores ocorreu durante a última semana em estabelecimentos de restauração e bares em Faro e no Barreiro, tendo-se depois estabelecido contacto com os pais ou seus representantes legais para que acompanhassem a situação.

Na sequência destas ações foram instaurados três processos de contraordenação por disponibilização de bebidas alcoólicas a menores e decretada a suspensão de atividade de um estabelecimento por falta de condições de higiene.

Em comunicado hoje divulgado, a ASAE indica que, desde o início do ano, já identificou 33 menores que se encontravam a consumir bebidas alcoólicas (com idades compreendidas entre os 14 e os 17 anos).

Dois destes processos já foram concluídos, tendo sido decidido aplicar coima a estabelecimentos onde foram detetados menores a consumir álcool.

A ASAE promete continuar a realizar ações de fiscalização que contribuam para a redução do consumo nocivo de álcool entre os adolescentes, preparando-se já para as alterações da nova lei.

A partir do dia 1 de julho, com a entrada em vigor da nova legislação sobre o álcool, é proibida a disponibilização, venda e consumo de qualquer tipo de bebida alcoólica a todos os menores de 18 anos.

Este diploma vem acabar com a diferenciação entre as bebidas espirituosas, permitidas a partir dos 18 anos, e as restantes (vinho e cerveja), que podem ser consumidas a partir dos 16 anos.

artigo do parceiro: Nuno Noronha

 

 

 

Assassinato brutal inspirou redução polêmica de maioridade penal para 10 anos na Grã-Bretanha

Junho 23, 2015 às 9:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.bbc.com/portuguese de 18 de junho de 2015.

BBC

Fernando Duarte Da BBC Brasil em Londres

Mais de 20 anos depois, o assassinato de um menino de dois anos por dois garotos de 10 anos permanece sendo uma das principais referências em discussões sobre maioridade penal na Grã-Bretanha.

O caso oferece interessantes pontos de comparação no debate sobre o tema no Brasil, especialmente depois da redução da idade de 18 para 16 anos ter sido aprovada por uma comissão especial do Congresso, em sessão realizada na noite de quarta-feira.

James Bulger foi raptado em um shopping center de Liverpool e morto, com requintes de crueldade, pelos garotos Robert Thompson e Jon Venables. O caso teve repercussão internacional e causou surpresa em vários países pela decisão das autoridades britânicas de julgar Thompson e Venables em um tribunal comum, em 1993.

Estrutura

Na época, a maioridade penal era de 14 anos. Mas a promotoria conseguiu levar Thompson e Venables a julgamento por tribunal comum porque conseguira provar que a dupla tinha plena consciência de que tinha cometido uma ação extremamente errada.

Cinco anos depois, durante o governo trabalhista de Tony Blair, político que era da oposição durante o caso Bulger e criticara abertamente a estrutura legal vigente, a maioridade penal britânica foi reduzida de 14 para 10 anos de idade.

No entanto, diferentemente do que aconteceu com os assassinos de Bulger, a lei estabelece que crianças e adolescentes de 10 a 17 anos presos e levados ao tribunal por crimes têm direito a tribunais especiais, sentenças mais brandas que as equivalentes para adultos. E, assim como Venables e Thompson, são mandadas para reformatórios especiais. Mesmo jovens de 18 anos são enviados para prisões adultas com limite de idade de 25 anos.

No mundo ocidental, apenas Escócia (oito anos), Nigéria e Suíça (sete) têm idade criminal mais baixa.

A ONU critica periodicamente o governo britânico pelo que considera uma faixa etária inadequada, e organizações de defesa dos direitos da criança regularmente tentam forçar uma discussão mais formal no Legislativo.

E mesmo vozes favoráveis ao status quo mostram preocupação. E elas, a de Laurence Lee, advogado de defesa de Venables no julgamento de 1993.

Em entrevista à BBC Brasil, Lee descreveu o julgamento dos meninos como “um circo alimentado pela mídia e por uma sociedade sedenta de vingança”.

Mesmo assim, ele defende o patamar de 10 anos para crimes violentos, “porque no mundo de hoje, em que há tanta disponibilidade de informações, crianças dessa idade sabem muito bem a gravidade de um ato como o homicídio, por exemplo”.

Mas Lee faz a ressalva de que a maioridade penal “é apenas um número se não for acompanhada de uma estrutura que simplesmente não criminalize crianças ou adolescentes”.

“Eles foram tratados como adultos, não tiveram o acompanhamento psicológico necessário e isso os marcou para sempre. Isso, na minha opinião, é o principal ponto na discussão sobre criminalidade juvenil. Se queremos reabilitação ou retribuição. Caso contrário, discutir a maioridade penal é apenas uma questão de números”, completa Lee.

Tal argumento é endossado por um dos mais vocais defensores de uma elevação da idade mínima no país. Richard Garside, diretor do Centro para Estudos Criminais e Jurídicos, acredita que “o primeiro passo é acabar com a ideia de que é preciso viver em extremos”.

“Não fazer coisa alguma ou simplesmente prender crianças e adolescentes são medidas que não levam em como baixos níveis de bem-estar social e educação, por exemplo. Isso antes mesmo de discutirmos o absurdo da legislação na Grã-Bretanha, que simplesmente dá poderes para que crianças de 10 anos sejam presas.”, diz Garside.

Para o especialista, a maioridade de 10 anos é um disparate diante de outros limites etários impostos para crianças de adolescentes britânicos.

“Na Grã-Bretanha, jovens só podem fazer tatuagens e votar aos 18 anos, e a idade legal de consentimento sexual é 16. São todas decisões baseadas em julgamentos sobre a maturidade intelectual, moral e mental de crianças, então fico sem entender como a mesma lógica não é aplicada ao sistema penal”.

Bem estar a criança x demanda do público por retribuição

Chloe Darlington, porta-voz da Children England, rede britânica de ONGs ligadas aos direitos da criança, vê na baixa idade de responsabilidade criminal um fator que deixa ainda mais vulneráveis crianças em dificuldades socioeconômicas.

“Criminalizar crianças que já vivem em circunstâncias difíceis não é benéfico nem para essas crianças nem para a sociedade. O bem-estar das crianças precisa estar à frente de qualquer demanda do público por retribuição (para algum delito cometido)”, diz Darlington.

Como no Brasil, o assunto da maioridade penal é polêmico na Grã-Bretanha e tentativas de mudanças na legislação de 1998 foram travadas no Parlamento Britânico.

O impacto da redução da maioridade penal de 14 para 10 anos é incerto. As estatísticas oficiais mostram delitos cometidos por menores de 18 anos – e não revelam dados de idades específicas.

O mais recente relatório do Ministério da Justiça britânico, diz que cerca de 90.800 delitos foram cometidos por menores de 18 anos no biênio 2013/14. Diz também que menos de 3 mil receberam sentença de prisão.

Entre os casos de crimes cometidos por menores de 14 anos e que viraram notícia, o que mais chamou a atenção, desde o caso Bulger, foi o de dois meninos de 10 e 11 anos de idade condenados a cinco anos de prisão em 2010 depois de um violento ataque contra duas crianças em Doncaster, no norte da Inglaterra.

Os assassinos de Bulger, Thompson e Venables, foram colocados em um programa especial de detenção e enviados para duas unidades especializadas na reabilitação de menores, onde ficaram detidos por oito anos, com acompanhamento psicológico e educacional e o direito de receber visita de parentes.

Ao saírem da prisão, eles e os pais receberam novas identidades e as famílias foram transferidas para diferentes áreas da Grã-Bretanha, depois de receberem ameaças de morte.

Venables, porém, voltou a ser preso em 2010, por distribuir e baixar vídeos de pornografia infantil na internet. Foi solto novamente em 2013, sob nova identidade e com nova relocação.

 

 

Não sabes o que queres ser quando fores grande? Este site ajuda

Junho 23, 2015 às 6:00 am | Publicado em Site ou blogue recomendado | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 16 de junho de 2015.

Fernando veludo infactos

Cláudia Bancaleiro

Plataforma online e móvel mostra em vídeo o que se faz em 100 profissões de várias áreas. Objectivo é ajudar jovens a escolher uma profissão.

O que queres ser quando fores grande? Mesmo no final do ensino secundário esta continua a ser a pergunta base dos que se preparam para tomar aquela que será a primeira grande decisão de vida. Muitos dos jovens que se encontram nesta fase não sabem que caminho seguir, desconhecem as competências necessárias para uma profissão e as saídas que existem depois no mercado de trabalho. Para tentar ajudar os que se preparam para escolher uma profissão foi lançado esta terça-feira o projecto Design The Future (Desenhar o Futuro), uma plataforma móvel e online que mostra o percurso e o dia-a-dia de 100 profissionais em várias áreas, em vídeos de cinco minutos.

Quando se entra no site Design The Future deparamo-nos com os mediáticos Marcelo Rebelo de Sousa, professor universitário, Zé Pedro, guitarrista dos Xutos e Pontapés, José Avillez, chef, ou ainda Joana Vasconcelos, artista plástica. Mas há ainda o agente do Centro de Inactivação de Explosivos e Segurança em Subsolo da PSP, Samuel Farinha, a cientista especialista em malária, Maria Manuel Mota, a assistente social Maria João Pena, ou Miguel Pinheiro, piloto de helicópteros. Estes profissionais estão entre os 100 entrevistados ao longo de um ano para o projecto que resulta de uma parceria entre a Associação Better Future e a Fundação Vodafone, apresentado no Museu do Oriente, em Lisboa.

“Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida”, a frase de Confúcio serve a Inês Teixeira-Botelho, da Associação Better Future, para explicar de que forma a plataforma disponível para PC, smartphone e tablet pode ajudar a que uma citação possa tornar-se realidade. No site, podem visualizar-se os vídeos mais recentes e os mais visualizados. Há ainda quatro campos de pesquisa para chegar a uma determinada profissão. Pode pesquisar-se por profissão, ou então escolher uma área (Direito, Educação, Marketing, Saúde), profissão num segundo campo, e por fim especialidade. Por exemplo, se escolhermos a área saúde a plataforma devolve oito resultados. Cada profissional tem uma ficha associada com dois vídeos, um que mostra o dia-a-dia do profissional e outro com uma entrevista, onde este fala do seu trabalho, das competências necessárias para exercer a profissão ou as dificuldades.

Na página do profissional existe ainda uma biografia, uma descrição da profissão, incluindo o perfil necessário para a desempenhar ou as principais actividades que se cumprem, e ainda as opções formativas. É nesta zona que o utilizador pode ter acesso às instituições do país onde é leccionado o curso que dá acesso à profissão que quer. Em alguns casos, são ainda indicadas profissões relacionadas com a que se está a pesquisar.

Para além de conhecer várias profissões, os jovens poderão ainda ter acesso a informação sobre os mais de 3300 cursos profissionais, superiores e livres que existem nas cerca de 1200 instituições de todo o país disponíveis na plataforma. A partir de um registo na página, pode receber-se novas actualizações sobre profissões previamente escolhidas.

Num futuro próximo, o site irá permitir buscas a partir das competências que o utilizador tem para chegar à profissão onde estas se encaixam melhor e ainda mostrar as profissões que têm um maior índice de empregabilidade.

“A plataforma quer ajudar os jovens numa fase essencial das suas vidas”, resume, por sua vez, Inês Menezes, também da Better Future. A responsável sublinha que com base nas entrevistas e inquéritos realizados em escolas e universidades do país para criar a plataforma concluiu-se que os jovens “desconhecem as saídas profissionais dos cursos que escolheram”. “Não sabem quem são, nem aquilo que querem ser”. É aqui que o projecto entra. “Em vésperas de arranque dos exames nacionais que permitirão o acesso de mais 157.000 alunos portugueses ao ensino superior, e numa altura em que mais de 1 em cada 10 estudantes desiste da licenciatura ao fim de um ano, o projecto Design the Future pretende transformar a forma como os jovens procuram informação sobre o seu futuro profissional”, resume a parceria Fundação Vodafone e a Better Future.

O secretário de Estado do Ensino Superior, José Ferreira Gomes, esteve presente na apresentação do projecto. O membro do Governo saudou o lançamento da iniciativa, que considerou de “grande importância”, e que vem responder a questões dos jovens de forma “mais eficaz” ao escolher o formato vídeo para informar. Ter certeza sobre o futuro profissional e acesso ao ensino para atingir a realização profissional é importante, mas Ferreira Gomes fez uma pausa para a “realidade”. “Mais de 50% dos licenciados na Europa estão a fazer coisas para quais não se formaram. Isto vai ser assim, não é a crise é o futuro”.

 

 

 

 


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