Antes de ser mãe, leia a bula informativa

Junho 19, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site  http://lifestyle.publico.pt  de 11 de junho de 2015.

Público Arquivo

Por Sofia Anjos

Leia atentamente este texto antes de se tornar mãe. Caso tenha dúvidas, consulte o seu médico. A maternidade deve ser um acto de auto-prescrição. Não a prescreva a outras mulheres pois a maternidade pode ser-lhes prejudicial mesmo que apresentem as mesmas predisposições.

O que contém este texto:

O que é a maternidade e para que é utilizada

O que precisa de saber antes de se tornar mãe

Gravidez e aleitamento

Condução de veículos

Como tomar

Efeitos Secundários

Como conservar

Advertência final

O que é a maternidade e para que é utilizada

A maternidade é o estado de mãe. A mãe é um ser do sexo feminino que gera uma vida no seu útero ou adopta uma criança gerada por outra. Numa acepção mais emotiva, a maternidade é o laço que liga a mãe aos filhos. A sua utilização mais frequente é por instinto, realização pessoal e para garantir que se ama e se é amado incondicionalmente por alguém. No entanto, há relatos de casos em que a maternidade é utilizada para satisfazer desejos de terceiros – pai ou avós – ou para prevenir solidão e cuidados na velhice. São desconhecidos casos de utilização da maternidade com fins de procriação para continuidade da espécie, uma vez que, nos tempos que correm, já ninguém se rala com o amanhã.

O que precisa de saber antes de se tornar mãe

Evite a maternidade no caso de não gostar de crianças. Se o seu relógio biológico ainda não tocou, deixe-se estar quieta. A maternidade é irreversível: uma vez mãe, nunca deixará de o ser. Ao contrário dos maridos e dos iPhones, a maternidade não é possível de trocar, devolver ou anular.

Gravidez e aleitamento

A maternidade, quando biológica, só é possível pela condição de gravidez. 5% das mulheres recupera o corpo que tinha antes de engravidar. 95% regista para sempre um simbólico aumento de peso. Já o aleitamento é opcional, sendo recomendável amamentar o bebé com leite materno pelo período de tempo que a mãe, repare-se – a mãe – assim entender. Inevitavelmente, esta decisão estará sempre sob o escrutínio do olhar do pai (escolha-o bem), dos familiares (já deve estar habituada aos palpites destes), de outras mães (vai passar a conhecer imensas) e de todo o povinho que habita o seu mundo (evite dar-lhes confiança). Com leite materno ou leite de substituição, o bebé tem fome. Despache-se.

Condução de veículos

A maternidade não interfere com a capacidade de condução desde que a mãe, ao conduzir sob o efeito de berros insistentes no banco traseiro do automóvel, consiga manter as duas mãos no volante e ignorar o ambiente; caso contrário, poderá reagir com uma condução agressiva. É ainda de evitar o recurso ao calão sempre que a criança se encontre no interior do veículo. Aprenda a praguejar mentalmente pois terá necessidade de o fazer, pelo resto da vida, dentro e fora do carro.

Como tomar

Para se tornar mãe, faça sexo com um homem. Preferencialmente, um homem que deseje ter filhos, goste de si, seja descomprometido e heterossexual (não é favor algum apesar de difícil de encontrar). Depois, siga as instruções do seu médico. A maternidade destina-se a mulheres adultas e a dose habitual é de um filho de cada vez. Pode ou não repetir a dose. Não necessariamente com o mesmo homem/pai. Com pouca frequência há uma dobragem na dose e nascem gémeos. Mais raramente surgem casos de sobredosagem, podendo nascer 3 ou mais bebés; nesta situação, aceite o diagnóstico e conforte-se em saber que os bebés sairão da barriga, um de cada vez.

Efeitos Secundários

Como as demais relações, a maternidade pode ter efeitos secundários. No entanto, normalmente, a maternidade é bem tolerada nas doses recomendadas.

Os efeitos secundários frequentemente descritos são:

– Sonolência. Sonolência forte (nos primeiros 2 anos) e sonolência ligeira (o resto da vida). No primeiro caso, há relatos de mães que perderam centenas de horas de sono para atender aos seus bebés, acalmar choros e cólicas, apanhar chuchas, dar água, mudar fraldas. Nos casos mais severos, pesadelos e terrores nocturnos dos filhos podem despoletar insónias. Há registo de mães a estenderem roupa e passarem a ferro a meio da noite.

– Náuseas. Náuseas, por vezes acompanhadas de vómitos, que podem ter origem nas mais diversas situações: pisar bolçado de bebé com os pés descalços, trocar fraldas sujas, encontrar pedaços de queijo com bolor debaixo da cama, enfrentar os ténis fedorentos do filho adolescente ou abrir a janela do carro pois até um bebé de 6 meses consegue dar pums silenciosos e malcheirosos. Está ainda provado que 1 em cada 2 mães garante ficar mal disposta se os filhos mencionarem a palavra “cocó” durante a refeição.

– Nervosismo. Efeito secundário pouco relatado mas que se crê muito frequente (mais do que o socialmente aceite) e com forte probabilidade de se tornar crónico. Não está testado mas pensa-se que a maioria das mães sofre dos nervos, pelo menos uma vez por dia. O período matinal e o período de final do dia são os mais propícios a crises nervosas. Tal como sucede com as crianças, um bom banho quente e uma rotina previsível ajudam a acalmar a mãe.

Menos frequentes mas igualmente descritos:

– Dores musculares, com especial incidência nas costas, que sustentam o peso da parafernália maternal (ovos, cadeirinhas, carrinhos, mochilas, brinquedos) e carregam os filhos ao colo, mesmo se já tiverem 20 quilos, coitadinhos, porque estão cansados.

– Cefaleias, geralmente após término de uma birra da criança, com duração superior a 20 minutos. Igualmente recorrentes como argumento de defesa da mãe que está exausta e tenta empurrar uma tarefa doméstica pendente para o pai ou algum dos filhos. Só para variar.

Em casos raros:

– Reações alérgicas, reações de hipersensibilidade exacerbada à maternidade (espasmos musculares no tracto respiratório, que provocam dificuldades na respiração, inchaço da face, transpiração, náuseas e descida da tensão arterial, incluindo choque). Como no caso de mães que descobrem na sala de partos que o seu bebé tem evidências genéticas difíceis de justificar ao suposto pai. Ao aparecimento dos primeiros sinais de reações alérgicas interrompa a maternidade e procure imediatamente o conselho do seu médico e do seu psicanalista.

Como conservar

A maternidade é para toda a sua vida, conserve-a em ambiente ameno. Evite tabaco, drogas e álcool em excesso. Restringa estes e outros vícios, compensando-se apenas quando se deparar com situações limite, tais como, atirar a criança pela janela, ponderar abandonar o lar, estar prestes a bater com a cabeça na parede. Faça exercício físico e coma tantos brócolos quanto os que obriga o seu filho a comer. Faça sexo, vá lá, pelo menos uma vez por semana.

Advertência final

A administração da maternidade, mesmo que a curto prazo, pode causar dependência.

 

 

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