A minha Rua é uma Paisagem – Oficina de férias na Fábrica das Artes do CCB

Junho 13, 2015 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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oficina

CCB/ Fábrica das Artes | 6 > 10 julho | 13 > 17 julho | 10h às 17h
Dos 5 aos 10 anos

Artes nas Ferias do verão

A partir de um dos Objetivos do Desenvolvimento do Milénio (7. Qualidade de vida e Respeito ao Meio Ambiente), propomos pensar o mundo em que queremos viver, mais especificamente, a rua de cada um de nós. Como se fossemos Arquitetos da Paisagem, vamos projetar / sonhar o nosso bairro dedicando um espaço a natureza. Reutilizando objetos do nosso lixo ou do quotidiano vamos criar esculturas-vaso onde plantaremos as flores ou as sementes que gostaríamos de ver na nossa rua.

E porque não, na nossa vida?

Uma criação apresentada originalmente na Fábrica das Artes em junho e julho de 2013

Com Patrícia Pais, Nádia Nogueira, Marta Celorico, Diogo Martins, Diogo Andrade

CONTACTOS FÁBRICA DAS ARTESMaria José Solla | Manuel Moreira | Tânia Guerreiro Todos os dias úteis das 11:00 às 13:00 e das 15:00 às 18:00 Telefones (+351) 213 612 899 e (+351) 213 612 898 ou do fax (+351) 213 612 859.

fabricadasartes@ccb.PT

 

mais informações:

https://www.ccb.pt/Default/pt/FabricaDasArtes/Programacao/Oficinas?A=54

Metas curriculares do 1º ciclo são “atrocidade cometida contra as crianças”

Junho 13, 2015 às 10:13 am | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Reportagem da RTP Notícias  de 11 de junho de 2015.

Reuters

 

Sandra Salvado – RTP

11 Jun, 2015, 11:50 / atualizado em 12 Jun, 2015, 10:00

 

As metas curriculares do primeiro ciclo do ensino básico estão a deixar pais, professores e alunos à beira do abismo. Há crianças a ser medicadas para défice de atenção, “quando na maior parte dos casos, a medicação é desadequada”. Uma mãe resolveu fazer uma petição pública e enviá-la para Assembleia da República. Entretanto, são cada vez mais as famílias que procuram médicos especialistas, mas nem aqui há receitas para resolver o problema. E a solução até parece simples: ter tempo para brincar com as crianças, que se sentem “esmagadas pela obrigatoriedade de atingir metas”. Do Ministério da Educação, as respostas são praticamente nenhumas.

Crianças desmotivadas, relações afetivas escassas, frustração constante, professores e pais que se viram do avesso para encontrar uma solução, por causa dos novos programas e metas curriculares do 1º ciclo do ensino básico.

“Está-se a hipotecar o futuro do país, estamos a criar crianças que não têm tempo para brincar ou para atividades lúdicas, que estão a ser pressionadas para aprender depressa e bem, crianças que se vão tornar frustradas, crianças que ainda agora começaram e já se sentem desmotivadas, sem gosto por ir à escola, e cada vez mais cedo apresentando sintomas de ansiedade, depressão e distúrbios de comportamento”, disse Vânia Azinheira, mãe de uma aluna do 2º ano de escolaridade, e autora da petição.

Crianças tratadas com drogas por alegado “défice de atenção”

Vânia Azinheira diz que, ao longo do presente ano letivo, se viu confrontada com o que considera ser “uma atrocidade cometida contra as crianças”. Por isso decidiu lançar uma petição pública online, que já seguiu para a Assembleia da República. “Eu oiço muitos pais, professores e crianças e vejo como está a ser difícil mobilizar o interesse das crianças para aderir a um programa que me parece muito complicado. A situação na escola das crianças pequenas está muito complicada”, disse ao site da RTP o psicanalista João Seabra Diniz.

O médico especialista alerta ainda para o facto das crianças não estarem motivadas na escola. “Não estão atentas, são classificadas como crianças instáveis, com défice de atenção e então passam-nas para um médico que lhes dá drogas para estarem mais concentradas, o que me parece desadequado, na maior parte dos casos”.

Metas desadequadas e com erros científicos

“Ler um texto com articulação e entoação razoavelmente corretas e uma velocidade de leitura de, no mínimo, 55 palavras por minuto”, é a exigência de uma das metas para um aluno de português do 1º ano.

“As metas têm erros científicos, são desadequadas às competências a desenvolver no 1º ciclo de escolaridade (…) Existe uma carga emocional, social, cultural, política sobre os professores. Se os meninos tiverem bons resultados, os professores têm boas avaliações e as escolas até têm crédito para terem mais horas de apoio aos meninos, isto é um jogo que se faz”, disse ao site da RTP Filomena Viegas, da Associação dos Professores de Português.

“É impossível cumprir estas metas, é uma coisa intratável”

Já na matemática, por exemplo, um aluno do 2º ano deve saber “utilizar corretamente os termos segmento de reta, extremos do segmento de reta e pontos do segmento de reta”. “É impossível cumprir estas metas. Os professores estão a ignorá-las porque é uma coisa intratável”, disse ao site da RTP Lurdes Figueiral, da Associação de Professores de Matemática (APM), sobre os programas e metas curriculares do 1º ciclo do ensino básico.

“Só espero que seja rapidamente invertido porque isto vai ser o desastre no ensino da Matemática. Dou-lhe um exemplo, no caso do 2º ano, das operações com frações e da introdução da noção de fração através de uma medida de um segmento de reta, que é uma coisa completamente absurda, em vez de ser dada como parte de um todo”, disse Lurdes Figueiral. As metas curriculares de Português e Matemática entraram em vigor em 2012/2013 e são uma das principais alterações introduzidas pelo atual ministro da Educação, Nuno Crato.

Professores já tinham dado parecer negativo

O problema destas metas curriculares já foi motivo de alerta pelas associações de professores de matemática e português. A Associação de Professores de Matemática, em 2013, chegou a fazer também uma petição, “embora sem nenhum resultado para reverter esta implementação”.

“Quando há quatro anos puseram o tema à discussão pública, os professores já estavam de férias, mas mesmo assim os professores deste agrupamento voltaram e aprovaram um documento que contrariava tudo isto. Foi feito imenso trabalho e não foi tido rigorosamente nada em conta.”, disse ao site da RTP José Gomes, do Agrupamento de Escolas Baixa/Chiado.

Professor há 35 anos, José Gomes disse que há um ambiente de medo por causa dos exames e das inspeções, mas adianta que na sua escola não seguem à risca o que está escrito nas metas.

“Há um desânimo generalizado. Nunca vi nada assim. Nós continuamos a manter alguma autonomia e alguma liberdade, não temos propriamente a polícia em cima de nós, a passar-nos coimas, se não pusermos os miúdos a ler X palavras por minuto”, concluiu.

[Estes são] “receios que agora, em 2015, se tornam claramente realidade, mas acredito que ainda se pode fazer algo para mudar, para que as crianças de hoje não se tornem adultos frustrados, por tão precocemente terem sido sujeitos a uma Educação desadequada”, refere ainda Vânia Azinheira.

A mesma mãe conclui a petição, solicitando que as metas curriculares para o 1º ciclo sejam reavaliadas em conjunto com os programas curriculares; e sejam devidamente alteradas em concordância com o desenvolvimento mental e cognitivo com a faixa etária em causa.

A resposta do gabinete de Nuno Crato

O gabinete de imprensa do ministro Nuno Crato disse apenas ao site da RTP que “a integração das metas curriculares no currículo escolar constitui uma preocupação de diversos países que procuram melhorar a aprendizagem dos seus alunos”.

E acrescenta que “em Portugal, as metas curriculares do 1º ciclo foram construídas por especialistas com base em conhecimento consagrado, que a investigação sobre a aprendizagem em geral e a aprendizagem em domínios particulares – por exemplo, leitura e escrita, e matemática – tem apurado. Trata-se de conhecimento reconhecido pela comunidade científica internacional”, posições contrariadas pelas associações de professores de matemática e português e pelos professores ouvidos pelo site da RTP.

Teorias contraditórias

Em resposta escrita, enviada via e-mail, o gabinete de imprensa refere ainda que “as referidas metas foram, naturalmente, estabelecidas em função do que se sabe sobre o desenvolvimento cognitivo das crianças em idade escolar. Por exemplo, as metas curriculares de Português foram redigidas em função de conhecimentos apurados no campo da psicologia cognitiva da leitura”, uma resposta também contrariada pelo psicanalista João Seabra Diniz.

O mesmo gabinete conclui, referindo que “as referidas metas estiveram em consulta pública durante um período de tempo razoável, de modo que todas as entidades e pessoas individuais que entendessem pronunciar-se sobre elas tiveram oportunidade de o fazer. Os contributos recolhidos pelo MEC nessa consulta foram devidamente trabalhados pelas equipas encarregadas das metas e integradas na versão final do documento, que foi homologado”.

O site da RTP solicitou ao Ministério da Educação e Ciência uma entrevista, mas esta não foi concedida e a maioria das perguntas ficaram sem resposta.

Ver os vídeos das entrevistas incluídas na reportagem no link:

http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=835820&tm=8&layout=121&visual=49

 


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