Seminário Educação Sem Fronteiras – Estratégias e Ferramentas para a Educação Intercultural

Maio 26, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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http://raizes.pt/

Universidade do Porto acolhe oficinas destinadas a bebés e crianças

Maio 26, 2015 às 6:29 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Cartaz-WS-Natureza

texto do site http://noticias.up.pt/  de 15 de maio de 2015.

Antecipando um dia as comemorações do Dia Mundial da Criança (celebrado no dia 1 de junho), a Reitoria da Universidade do Porto promove no dia 31 de maio, entre as 9h00 e as 12h45, o Workshop de Música para bebés e crianças “O Som da Natureza”, destinado a bebés e crianças, entre os 9 meses e os 5 anos.

Em cada uma das quatro sessões que vão ter lugar ao longo da manhã, as crianças – divididas em quatro grupos (2 grupos com idades compreendidas entre os 9 meses e os 2 anos e 2 grupos entre os 3 e os 5 anos) – poderão usufruir de 45 minutos de aprendizagem e diversão, recheados de sons, luzes, cores e texturas.

Cada sessão – orientada por Alexandra Simões – terá o número máximo de 15 participantes. O acesso às oficinas está sujeito a inscrição e tem o custo de 7 euros (com 10% de desconto para membros da U.Porto). O preço incluiu a participação da criança e de um ou dois adultos (é obrigatório o acompanhamento de pelo menos um adulto).

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No mesmo fim-de-semana, nos dias 30 e 31 de maio, entre as 15h00 e as 18h00, terá ainda lugar a oficina de serviços educativos para crianças intitulado “A Luz da Natureza”, que ocorrerá no âmbito da XXV Feira dos Minerais, Pedras Preciosas e Fósseis. A entrada é livre mas sujeita a inscrição, a realizar na entrada da feira.

Mais informações através do e-mail cultura@reit.up.pt.

 

Manuel Coutinho. “A palmada pedagógica é uma ideia que deve ser banida”

Maio 26, 2015 às 2:35 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do i ao Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança) no dia 26 de maio de 2015.

José Fernandes A linha só funciona porque existe um trabalho de equipa com vários parceiros, diz Manuel Coutinho

Os maltratados são os que menos recorrem à linha SOS-Criança, conta-nos o secretário-geral do Instituto de Apoio à Criança.

Esta linha surgiu nos anos 80, associada ao IAC. Como é que foi recebida?

Logo nos primeiros anos percebeu-se que as crianças eram maltratadas normalmente dentro da família. O modelo cultural permitia isso. Em Novembro de 1988 surgiu o SOS-Criança, precisamente para dar voz à criança. Psicólogas, assistentes sociais e educadoras ouviam–nas e tentavam dar uma resposta. Mas o serviço que ia trazer alegria e esperança não foi logo muito bem aceite por todos. Foi considerado um serviço que dava muito trabalho aos outros, como se fôssemos inventar situações de risco e de perigo. Era-nos frequentemente dito que os casos não constavam dos seus registos. Depois as coisas foram-se alterando e a criança começou a ser considerada um sujeito de direitos.

Era um serviço pioneiro, mesmo para o resto do mundo.

Em termos internacionais, foi uma das primeiras linhas a existir. Levou a que os países da Europa criassem linhas europeias, anónimas e confidenciais. Criaram-se os números 116 111, iguais em todos os países europeus, para serem usado nas situações de risco das crianças. Para Portugal foi muito fácil fazer a permuta. Para além desta linha, no início dos anos 90 percebemos a necessidade de criar uma linha 24 horas por dia para as crianças desaparecidas e abusadas sexualmente. Foi feito um trabalho nacional, fez-se um estudo para perceber quem eram as organizações que trabalhavam com esses casos e lançámos o número 1410. A Europa, mais tarde, cria o número europeu: 116 000.

O que fazem no caso do desaparecimento de uma criança?

O desaparecimento não é só o rapto efectuado por terceiros. São também as fugas da família ou da instituição, os raptos parentais (subtracção de menores), imigrantes não acompanhados. Quando desaparece uma criança, os pais e os familiares devem imediatamente contactar a linha, a PSP ou a PJ. Não recomendo que divulguem a imagem da criança. Os raptores estão atentos a todos os sinais e quando vêm a imagem em todo o lado tendem a desfazer-se da criança. A imagem de uma criança na internet fica para sempre na internet, tal como os emails que todos recebemos sobre crianças que desapareceram – e que muitas vezes já apareceram. O que não é bom para as crianças, nem para as famílias, nem para as pessoas que trabalham nestas situações. No âmbito das crianças desaparecidas existe um serviço designado “alerta rapto de menores” que é accionado em caso de rapto por terceiros. Só quando os meios acham que se deve lançar este alerta – durante três horas e depois pára – é que a linha de apoio é chamada para que todas as pessoas que possam ter informações rapidamente actuem. Há muitos pais que têm a ideia errada de que os de-saparecimentos só podem ser denunciados passado 24 horas. Isso é falso. Até um minuto pode fazer a diferença.

O que acontece depois de o SOS-Criança receber uma chamada?

Orientamos as situações para outros serviços. Só existimos porque fazemos um trabalho de equipa com outros parceiros. Mas o SOS é mais do que a linha telefónica. Tem um serviço psicológico, social e jurídico gratuito e uma equipa de mediação escolar que parte do princípio de que é na escola que os problemas familiares muitas vezes se manifestam. Vamos às escolas tentar sensibilizar as crianças e os adultos para a existência destes apoios. Quando percebem que uma criança está a passar por uma situação de vulnerabilidade, que está a conviver com alcoólicos, toxicodependentes, que apresentem a situação porque o objectivo é evitar que o perigo aconteça. Muitas vezes vêm depois das fatalidades dizer que sabiam e não denunciaram. De forma indirecta, foram cúmplices.

Quem é que liga?

Crianças, jovens e adultos. Quem liga mais são os adultos. E, dentro dos adultos, as mulheres. O maltratado nem sempre liga. Normalmente quem liga são pessoas próximas dele. Na família, quem mais maltrata as crianças são as mães. Uma vez dizia-me uma menina: “A minha mãe diz que o meu pai é um cobarde porque lhe bate. Então porque é que também me bate a mim?” A palmada pedagógica é uma ideia que deve ser banida. Nenhuma mulher gostava que o seu homem ou o seu chefe lhe desse uma palmada pedagógica.

Há quem ligue por estar só?

Sim, chega-nos muito. Crianças que estão tristes, que não têm quem brinque com elas. Os pais têm hoje muito pouco tempo para estar com os filhos. As crianças não são adultos em miniatura. E como não o são, não devem, depois de cargas horárias brutais, vir para casa com trabalhos de casa. As crianças estão sobrecarregadas e esses trabalhos potenciam os conflitos intrafamiliares. Os professores avaliam os trabalhos de casa feitos pelos pais que os sabem fazer. As crianças não se sentem bem-amadas ou sentem-se desprotegidas. Muitas telefonam durante anos, regularmente. Tenho lá dentro o quadro de uma criança que aos 16 anos tinha tendências suicidas porque passava os Natais e os fins-de-ano sozinha. Recebeu apoio de um serviço de especialidade. Uns anos mais tarde mandou-nos um desenho a agradecer.

 

 

 

Linha SOS-Criança. Uma chamada a cada hora, a cada hora uma criança

Maio 26, 2015 às 2:20 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem do i de 26 de maio de 2015.

A notícia contém declarações do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

José Fernandes

Sílvia Caneco

O i conversou com os técnicos, ouviu os telefonemas e conta-lhe as histórias de quem liga para o 116 111.

– Por favor… Alguém me ajude. Há dois dias que não dou comida à minha filha.

Paula, a técnica responsável pelo atendimento da chamada feita para o 116 111, começava a sufocar. Como consegue alguém ouvir que uma criança corre perigo e continuar ali, agarrada a uma secretária e a um telefone, sem poder ir a correr salvá-la? À medida que a mãe se ia desembrulhando de um discurso de coisa sem coisa, Paula tomava conta da gravidade do que estava a acontecer, algures numa casa do país: aquela mãe não tinha caído na pobreza; não estava inválida, nem paralisada, nem tinha qualquer problema de mobilidade. Quem ligava era uma mulher barricada entre o que sabia estar certo e o que um transtorno de personalidade lhe pedia para fazer.

– Ela tentou ir buscar umas bolachas. Mas ela não pode. Ela não pode chegar à comida.

Paula teve a certeza, naquele momento, de que se tratava de uma emergência: se a mãe desligasse, ou se a chamada simplesmente caísse, não teria forma de detectar o rasto da chamada telefónica. Era preciso manter a mãe em linha, acalmá-la e conseguir identificar uma morada entre tanto discurso sem nexo para que as autoridades fossem enviadas ao local. Nesse dia, sem se levantar da cadeira, Paula salvou uma criança de morrer à fome.

Naquele dia, quem ligou foi a mãe. Noutra hora é um pai, ou uma avó, ou uma vizinha, ou uma professora, ou uma amiga. Ou simplesmente um homem ou uma mulher. Alguém só com um timbre, não precisa de rosto, nem nome, nem tão-pouco grau de parentesco. Desde que a linha foi criada há 25 anos, pelo Instituto de Apoio à Criança (IAC), já foram feitas por esta via mais de 132 mil denúncias.

Em média, a cada hora que passa há uma chamada que chega à linha e mais um registo, na folha de Excel, de uma criança em risco. Vítima de maus-tratos físicos e psicológicos. Vítima de abandono ou negligência. Vítima de bullying, violência no namoro ou abusos sexuais. Há ainda histórias de pais que não sabem dos filhos. Pais sem condições económicas ou mentais para cuidar das crianças. Pais que ameaçam pôr os filhos fora de casa. Pais que sofrem agressões e querem ver os filhos longe delas.

As seis técnicas responsáveis pelo atendimento não esquecem o que ouvem quando, ao fim de um dia de trabalho e dezenas de chamadas, entram em casa. Mónica – assim mesmo, sem apelido, por razões de segurança as técnicas não os têm – tinha acabado de sair de licença de maternidade quando, do outro lado da linha, começou a ouvir um relato pormenorizado de maus-tratos a um bebé.

– Tive de fazer um esforço sobre-humano para a minha voz não se separar de mim. Ali, sei que tenho de manter uma voz calma, que não me posso descontrolar, mas aquilo tudo, talvez por ter sido mãe há pouco tempo, mexia muito comigo –, recorda.

Quando chegou à sala ao lado, onde estavam as colegas, já as lágrimas escorregavam pelo queixo. Só conseguia repetir: “Como é que é possível? Como é que é possível? É um bebé!”

O vermelho do S.O.S chega de todos os lugares. Nos últimos seis anos, pelo menos 36 mil menores foram sinalizados como estando em risco ou tendo sido vítimas de qualquer tipo de maus-tratos: num extremo está a negligência, falhas nos cuidados alimentares, no acompanhamento escolar ou na saúde; no outro, os abusos sexuais e emocionais e as agressões psicológicas e físicas. Os números são perturbadores: entre 2011 e 2013, o Instituto de Medicina Legal detectou, em média, dois casos semanais de suspeitas de agressões a crianças. Seis acabaram por morrer vítimas de asfixia, intoxicação e lesões traumáticas. De acordo com o estudo “Maus-tratos infantis e morte em Portugal: estudo retrospectivo de três anos”, divulgado em Outubro, em Coimbra, em quase metade dos casos (45,5%), os agressores são os próprios pais. A maioria das crianças sinalizadas como vítimas tinham entre um ano e meio e dois anos e meio de idade. Há registo de traumatismos de natureza contundente, de natureza cortante, de intoxicação com gases e fármacos e até de queimaduras com cigarros.

Os números não incluem o caso do pai que saiu de casa com as mãos ensanguentadas depois de matar o filho de três meses, em desatinados golpes de faca, em Linda-a-Velha. Nem o de Maria Isabel, de dois anos, que morreu dias depois, em Loures, após ser espancada pelo padrasto.

Não há limites para a realidade.

“Nunca ninguém pensa que um homem pode ligar à mulher para lhe dizer: vou espetar uma faca no coração de uma criança. Quem trabalha nestas equipas tem de ter muita resistência à frustração. Muitas vezes, a realidade que chega ao telefone ultrapassa a ficção. Se cada um varrer a frente da sua porta, a rua fica limpa. É melhor apresentarem uma situação e ela não ser verídica do que não a apresentarem e ser. A criança não é o futuro, é o presente. E é no presente e com os meios que temos ao nosso dispor que a devemos ajudar”, defende Manuel Coutinho, secretário-geral do IAC, o instituto que foi pioneiro na criação de uma linha de atendimento telefónica gratuita e confidencial para denunciar os riscos e perigos a que estão sujeitas crianças e adolescentes.

Paula sabe que estatísticas são apenas estatísticas e não se guia por elas. Mas de há um ano para cá começou a ter outra percepção dos telefonemas que atende: “Temos percebido que temos tido apelos mais complicados. Muitas vezes, situações que ficam ali na fronteira. Que não sabemos muito bem se são maus-tratos psicológicos, se são outra coisa.” À conversa com Mónica, partilha um caso que chegara na semana anterior: o de uma criança de 12 ou 13 anos a quem o companheiro da mãe terá rapado o cabelo, depois de lhe ter retirado os pêlos púbicos.

Noutro dia foi uma vizinha quem ligou. Não suportava mais guardar para si que, na casa ao lado, duas crianças, de três e seis anos, passavam o dia sozinhas. E que durante esse período até já tinham sido vistas a passear pelo telhado. O que era feito do pai e da mãe? O pai estaria detido. A mãe contava às crianças, depois de lhes dar o almoço, que ia trabalhar para o Pingo Doce. Quando os técnicos da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco chegaram ao hipermercado, perceberam que não havia qualquer funcionária com o nome daquela mãe. Estavam perante um caso de abandono ou, no mínimo, de negligência. João e Joana acabaram numa instituição.

Noutra hora é uma professora quem liga em desespero. O que fazer quando uma criança conta na escola que o companheiro da avó vê filmes pornográficos ao seu lado? Ainda para mais, Sara descrevia cenas explícitas dos filmes e tinha sido apanhada na piscina a simular sexo com os rapazes. Como se não bastasse, contava que o pai estava fora e que a mãe era agredida pelo tal companheiro da avó. Já noutra hora, é uma mãe com receio de maus-tratos por parte de uma educadora porque a filha se recusa a ir à escola. Ou um pai que se barricou com os filhos. Ou uma mãe que saiu de casa porque o filho roubava e a agredia. Ou uma mãe que ameaça pôr a filha fora de casa porque já não sabe como lidar com os seus comportamentos agressivos. Um adolescente que fez uma tentativa de suicídio. Ou alguém para quem bastou olhar para os pulsos da neta para sentir que havia perigo.

– A minha neta tem 12 anos e automutilou-se.

Do outro lado do 116 111, numa sala de um prédio lisboeta, durante 17 minutos, Paula tenta acalmar a avó nervosa.

– Não sei o que fazer. Disse-me que não era a primeira vez, que não era de agora. Nunca notei que tivesse problemas. É muito estudiosa, mas talvez a minha filha a pressione muito com as notas. Ela faz isso no corpo. O meu filho, quando estava mais nervoso ou irritado, dava murros na parede. Agora ela faz isto. Serão problemas da cabeça? Isto não é autismo, pois não?

Paula sossega a avó, sugere que vá às consultas do Instituto de Apoio à Criança ou contacte um psicólogo mais próximo da área de residência. Repete que o número 116 111 está disponível 24 horas por dia: que pode voltar a ligar, e que a neta, ou o filho ou a nora, também o poderão fazer. O mais importante é fazê-la interiorizar esta mensagem: aquela criança é uma criança em risco. Se cortou os pulsos é porque está em sofrimento.

– Há qualquer coisa com a qual ela não está a conseguir lidar, percebe? Ela está a pedir ajuda.

“Esta nem é a situação típica. Mas o SOS tem essa especificidade. São situações atrás de situações, o que é muito exigente. Estamos a ouvir coisas difíceis e, por mais preparação que tenhamos, isto marca-nos sempre. E depois é preciso lidar com o sofrimento da outra pessoa. Neste caso era a avó, que estava claramente nervosa e ansiosa. Aqui, o nosso papel não é o chapa 5, registar situações e já está, mas lidar com isso ao telefone.

Perceber que aquela situação é muito delicada, que aquela criança está a precisar de ajuda e fazer ver isso ao apelante. É daquelas chamadas em que temos de mostrar que é preciso actuar já”, desabafa Paula depois de pousar o telefone.

Maria José não precisava de se identificar, nem tão-pouco de dizer que era avó daquela criança. A linha garante o anonimato. O único dado necessário é a localização. As técnicas (psicólogas ou assistentes sociais) que atendem das 9 às 19h (nas horas seguintes, as chamadas são reencaminhadas para a Polícia Judiciária) registam a duração da chamada, o género do apelante (nome dado a quem faz a denúncia), o distrito de onde liga e se a chamada tem ou não relação com uma criança. Se o tiver, passa-se à segunda fase: consoante as denúncias, são contactadas as autoridades, as comissões de protecção de crianças e jovens em risco, a Segurança Social ou as escolas. Denúncias que envolvem bebés são tratadas como urgentes. No fim, quem atende e reencaminha os casos faz sempre questão de saber se a denúncia era verdadeira e se a história teve um final mais feliz. Para que conste dos registos e também porque, por mais que histórias que ouçam, nunca as tiram da cabeça.

Quem mais liga são os adultos, sobretudo as mulheres. Mas também há casos de crianças e adolescentes, muitas vezes motivados pelas campanhas de sensibilização que o IAC faz regularmente nas escolas. O apelo, desenvolvido em panfletos, é simples: se tens um problema, liga-nos. A partir daí chegam à linha histórias de crianças e jovens com ideação suicida, falta de auto-estima, problemas na escola ou dificuldade em lidar com pais divorciados e desavindos. “Às vezes o problema é relativo, mas não nos cabe a nós desvalorizar o problema de uma criança”, contam Paula e Mónica, habituadas a partilhar as histórias, e a rir de algumas delas como forma de catarse.

Há quem ligue porque se sente sozinho ou até, cada vez mais, porque os pais não estão e precisa de ajuda para fazer os trabalhos de casa.

“É outra coisa que aqui nos chega muito: o tempo que as crianças não têm para brincar. É frequente não terem sequer quem brinque com elas. O alargamento dos horários de trabalho lesou, e muito, a interacção parental. E se as crianças já estavam demasiadas horas na escola, com recreios desumanizados, ainda passaram a estar mais”, diz Manuel Coutinho, que logo a seguir salta para o orgulho que tem nos percursos de quem ligou durante anos e anos para aquela linha SOS, ultrapassou as crises e se transformou num adulto feliz. Aqueles que depois enviam cartas e desenhos, hoje pendurados na parede do apartamento onde todos os dias se arranjam soluções na hora pelo telefone.

Os mais sós transformam facilmente aqueles telefonemas numa rotina. Como o Rui, que começou a ligar com oito ou nove anos e hoje já está quase a entrar na idade adulta: uma criança solitária, ora eufórica ora deprimida, com um historial de ataques de pânico, conflitos com o padrasto e tentativas de suicídio. Chegou até o dia em que as técnicas tiveram de reencaminhar uma ambulância porque se atirou de um segundo andar. Rui sobreviveu e de vez em quando ainda liga, nem que seja para desabafar dores de crescimento ou simplesmente falar sobre o sol. António também já o faz há anos. Hiberna no Inverno e reaparece nas férias de Verão, quase sempre para repetir histórias em torno de um menino que “não consegue arregaçar as mangas”.

 

Gravidade dos abusos sexuais de crianças nas famílias exige intervenção rápida

Maio 26, 2015 às 1:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Sol de 25 de maio de 2015.

O ministro Mota Soares explicou hoje que a gravidade dos abusos sexuais de crianças dentro da família exige que sejam os tribunais a intervir em vez das comissões de menores que têm dificuldade de “agir em tempo útil”.

 “Nós percebemos que muitas vezes nos abusos sexuais que acontecem dentro das próprias famílias, a capacidade das CPCJ [Comissões de Protecção de Crianças e Jovens] é diminuta” porque para poderem avançar com uma medida de protecção necessitam de consentimento dos detentores do poder paternal, explicou Mota Soares, à margem da conferência “Crianças Desaparecidas e Exploradas Sexualmente”, promovida pelo Instituto de Apoio à Criança (IAC), em Lisboa.

Com esta medida, que faz parte da proposta de lei do Governo de alteração à lei de Protecção das Crianças e Jovens em Perigo, a intervenção passará a ser feita automaticamente pelos juízes de família e menores.

“Face à gravidade deste crime, face à gravidade desta ofensa, faz sentido que sejam os tribunais a poderem fazer essa penalização”, porque têm “uma capacidade de intervenção muito maior que as CPCJ”, adiantou o ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social.

Segundo Pedro Mota Soares, esta medida é uma forma de conseguir “ultrapassar as barreiras com que as CPCJ sem consentimento dos pais ou quem tem a guarda das crianças encontravam à sua acção”, mas também de conseguir “garantir a segurança da criança atempadamente” e “agilizar a tramitação do processo”.

Na conferência, que está a decorrer no auditório da Assembleia da República para assinalar o Dia Internacional da Criança Desaparecida, o ministro afirmou que a articulação entre as diferentes entidades que atuam no “primeiro patamar de intervenção na prevenção de situações de perigo era insuficiente”.

De acordo com o ministro, “existe uma fragmentação excessiva nas áreas geográficas de intervenção das CPCJ, o que muitas vezes dificulta uma boa organização dos processos”.

“Mas sobretudo sinalizámos que, no actual regime, a lei não fixando um limite temporal para a execução das medidas de protecção adiava a concretização de um projecto de vida viável, oportuno e adequado para a criança”, frisou.

Para Mota Soares, o tempo de intervenção tem de respeitar, acima de tudo, o tempo da própria criança: “Por isso mesmo estabelecemos que para cada criança um único processo, e para cada processo, um único gestor, evitando desencontros, contradições e divergências de opiniões”.

Para que seja possível simplificar procedimentos, o novo regime estabelece a possibilidade da regulação das responsabilidade parentais ser acordada no mesmo processo de promoção e de protecção de crianças, dispensando-se a instauração de um novo processo a decorrer em paralelo.

“Estabeleceu-se que até aos seis anos deve ser dada preferência ao acolhimento familiar em detrimento do acolhimento institucional”, frisou o ministro.

Dados da Polícia Judiciária indicam que o número de crimes de abuso sexual de crianças atingiu a “cifra mais elevada dos últimos 10 anos” em 2014, ano em que a Polícia Judiciária investigou 1.335 casos.

A PJ iniciou 1.335 inquéritos em 2014 contra 1.227 em 2013, 1.074 em 2012 e apenas 909 em 2005. Também o número de violações de menores persiste em manter-se acima da centena por ano, tendo sido registados pela PJ 119 casos em 2014, contra 114 em 2013 e 134 em 2012.

Lusa/SOL

 

 

 

Espetáculo “Projeto Secreto” Espetáculo para todos, dos 5 aos 105 – Entrada livre 30 Maio a 1 Junho no CCB

Maio 26, 2015 às 12:41 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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© CCB Manuel Ruas Moreira

Radar 360º

Entrada livre

Imaginamos um espaço.

Casa com painel de controlo; cozinha com quarto e sala de jantar; porta de entrar com um telhado para imaginar, e uma cadeira para verificar as direções. Tempo de jogo… Tempo de viajar e aprofundar o Projeto Secreto… E tudo gira… Habitam duas personagens: ora homem, ora mulher, ora dum lado, ora do outro… as vezes pilotos, exploradores e sonhadores. Outras vezes… Irritados, tensos e cansados, tropeçam numa porta que se abre para outro lado. Explode um fusível no motor avariado. Faz um galo na cabeça que canta desafinado. Mas sempre apaixonado. Aqui não se dorme. E um ciclo sucessivo de explorações e de viagens. E tudo gira… Projetos Secreto contem 1 + 1 e muitos em 1. E este é apenas, o episódio 1!

Uma encomenda da Fabrica das Artes, apresentada originalmente na Sala de Ensaio do CCB em maio de 2013.

Desenho da Cenografia A2G Arquitetura – Ângela Frias e Gonçalo Dias

Adereços e plasticidade da cenografia Emanuel Santos

Construção Emanuel Santos, Nuno Guedes

Apoio A construção Luís Figueiredo, Miguel Santos e José Rodrigues

Figurinos Julieta Rodrigues

Sonoplastia Nuno Aroso

Desenho de luz Wilma Moutinho

Interpretação António Oliveira, Julieta Rodrigues

Dramaturgia e direção de atores John Mowat

Apoio ao movimento e a dramaturgia Inês Lua

Apoios a criação Fabrica da rua da Alegria, Circolando

Coprodução RADAR 360º e CCB |Fabrica das Artes

CONTACTOS FÁBRICA DAS ARTES

Maria José Solla | Manuel Moreira | Tânia Guerreiro

Todos os dias úteis das 11:00 às 13:00 e das 15:00 às 18:00

Telefones (+351) 213 612 899 e (+351) 213 612 898 ou do fax (+351) 213 612 859.

fabricadasartes@ccb.PT

mais informações:

https://www.ccb.pt/Default/pt/FabricaDasArtes/Programacao/Espetaculos?A=48

 

Conferência: Do Desenvolvimento ao Bem-estar – A Evolução dos Direitos da Criança com a participação de Ana Perdigão do IAC

Maio 26, 2015 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Drª Ana Perdigão – Coordenadora do Serviço Jurídico do instituto de Apoio à Criança irá participar na Conferência: Do Desenvolvimento ao Bem-estar – A Evolução dos Direitos da Criança no Auditório do Centro de Saúde de Sete Rios – Lisboa no dia 1 de Junho, segunda-feira, com a comunicação “Sistema de Proteção de Crianças e Jovens em Risco e a Saúde”, pelas 15.00 horas.

A conferência é promovida pela Direção de Serviços de Prevenção da Doença e Promoção da Saúde/Divisão de Saúde Sexual, Reprodutiva, Infantil e Juvenil da Direção-Geral da Saúde no âmbito da comemoração do Dia Mundial da Criança.

Programa 1 de junho

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Meninas grávidas: Infelizmente, não é brincadeira

Maio 26, 2015 às 11:30 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Este artigo conta com o parecer da Dra. Dulce Rocha, Vice-Presidente do Instituto de Apoio à Criança.

O drama de uma menina de 12 anos que engravidou depois de repetidamente violada está a gerar debate. A questão é saber qual das soluções representa o mal menor e se ela deverá ter uma palavra a dizer sobre o seu destino.

Um caso limite. Mais um daqueles que ninguém, ou quase ninguém, parece ter dado conta. Deram, é certo, na escola frequentada pela menina, quando ela já estava grávida de cinco meses. Órfã de pai, com uma mãe que se prostituía e cujo companheiro terá abusado sexualmente da menor ao longo dos últimos anos, segundo informações da Polícia Judiciária, ficou internada no serviço de pediatria do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde aguarda uma solução para o seu caso.

Entretanto, a mãe e o padrasto da criança, com 44 e 58 anos, foram detidos pela Judiciária e estão em prisão preventiva. Ambos parecem não ter competências para assegurar o destino da jovem ou tutelá-la, tendo contribuído, ao invés, para uma penosa infância, com contornos traumáticos. O que fazer entretanto, com um feto na barriga, sem maturidade física nem psicológica para ser mãe, quando se teve por lar uma instituição nos primeiros anos de vida (quando foi retirada à família)? Ou, pior, quando se regressa a casa (aos seis anos) e, em vez de colo, só se encontra abuso, ameaça e humilhação? A lei é clara: em casos como este, a interrupção da gravidez é possível se estiver em jogo “um risco grave e irreversível para a saúde física e psíquica”, mesmo se ultrapassado, como é o caso, o limite das 16 semanas de gestação. Mas terá de existir um parecer psiquiátrico, que será depois levado a uma comissão de ética e, por ser menor, terá de juntar-se ainda a autorização da mãe ou de outro adulto com a sua tutela.

O processo ameaça prolongar-se no tempo, tamanhas são as interrogações -tempo que, neste caso, poderá agravar ainda mais o sentimento de abandono e de impotência de uma criança que, em toda a sua (curta) vida, nunca foi dona do seu destino. Deveria agora ser ouvida? Dulce Rocha, vice presidente do Instituto de Apoio à Criança, magistrada com grande experiência em Tribunais de Menores, defende que o risco psíquico é uma realidade em contextos de abuso continuado, pois pressupõe traumas psicológicos profundos. “Acompanhei uma situação em que a criança tinha 11 anos e fora violada por um tio e ficou grávida”, conta. A menina queria dar o bebé para adoção, mas a mãe dela discordava e defendia o aborto, acabando por reconsiderar, aceitando a decisão da filha. “Caso a jovem se oponha à IVG, é isso que deve prevalecer”, reforça Dulce Rocha, embora a lei não o preveja claramente. “Compete ao núcleo de apoio a crianças em risco do hospital analisar a questão e o Tribunal de Família e Menores deverá decidir.” O drama desta menina não é um caso isolado.

Em 2014 registaram-se 1 011 abusos sexuais de crianças, sendo que 45,2% aconteceram no meio familiar. As gravidezes indesejadas em menores levaram à realização de 1 909 interrupções nos hospitais, em 2013. A pedopsiquiatra Ana Vasconcelos sugere que se olhe para estes casos com compaixão: “É comum, em adolescentes que vivem num contexto de disfuncionalidade familiar, a gravidez ser encarada como compensação face ao sentimento de desolação e desamparo ao longo de uma vida.” No final, defende, “importa que os profissionais que acompanham esta menina se adaptem às circunstâncias dela” e, seja qual for o desfecho, “permitam que seja a protagonista da sua história”.

MONSTROS DEBAIXO DA CAMA

Todos os anos são julgados pais que engravidam as filhas menores
Um bombeiro de Odemira, com 40 anos, violou a filha desde os 8 aos 14 anos e forçou-a a abortar em casa, em 2011. Pouco antes de ser preso, em 2012, voltou a engravidar a menina. Foi condenado a 14 anos de prisão e a menor teve o filho, que foi dado para adopção. Hoje vive num lar, depois de abandonada pela sua mãe.
Em Penafiel, em 2013, uma rapariga de 14 anos recusou abortar, depois de violada pelo pai. A sua vontade foi respeitada, embora o bebé tenha sido entregue a uma instituição, até que ela complete 16 anos quando poderá ficar, em teoria, com a tutela do filho. A menor foi também institucionalizada.

Clara Soares com Bárbara Vaz Martins, publicado na revista Visão em 7 de Maio de 2015

Diz Não à Violência!! – Sessões sobre Bullying

Maio 26, 2015 às 9:07 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Vídeo do Dia Mundial do Brincar 2015 – Instituto de Apoio à Criança

Maio 26, 2015 às 8:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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