Quando as crianças são vítimas

Maio 13, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista da Visão  a Cristina Soeiro no dia 2 de maio de 2015.

Alberto Frias

A investigadora da Escola de Polícia Judiciária analisa as causas que levam os pais a agredir mortalmente os filhos e defende uma intervenção mais eficaz, com os meios disponíveis

Por Clara Soares

Henrique, de seis meses, foi assassinado pelo pai; Maria Isabel, com dois anos, foi espancada até à morte pelo padrasto. Estão a aumentar os casos de violência extrema contra crianças?

A trabalhar no sistema de justiça há 25 anos, Cristina Soeiro tem, pelo menos, uma certeza: hoje há uma maior consciência social dos maus-tratos no seio da família.

Na última década, evoluiu-se muito na avaliação de riscos e nos meios de intervenção no terreno, mas falta conjugar métodos e procedimentos entre instituições. O desafio passa por mudar de atitude e trabalhar em rede, com uma linguagem comum, que implica uma responsabilização dos decisores e da sociedade em geral, sobretudo em períodos de escassez de recursos.

Os maus-tratos infligidos aos filhos aumentaram ou há menos meios para os conter?

Eles sempre existiram. Há um grande impacto das notícias e parece um fenómeno novo, mas não é. Hoje sabemos que, em 51% dos casos, ocorrem no interior da família: nas relações amorosas, sobre os filhos e os idosos. Antes do século XX, este fenómeno era tabu. A chegada dos primeiros casos aos serviços de urgência trouxe uma atitude diferente, uma maior consciência social sobre o que é ser vítima.

Mas essa consciência parece não ter eco na eficácia dos recursos para intervir.

Dispomos de mais meios e de profissionais preparados para dar resposta e apoio à vítima. Estamos é num momento social em que as pessoas com menos capacidade de adaptação podem chegar a situações extremas. Há falta de meios? Há. Mas falta articulação. Quem lida com as famílias precisa de orientações para decidir. Sem elas, é difícil gerir a rede.

As situações de precariedade económica potenciam a violência?

A crise financeira não tem o mesmo impacto em todas as famílias. Quando há um equilíbrio interno e apoio familiar, as coisas resolvem-se, mas nem sempre é assim nas desfavorecidas. Se ficam sem meios de subsistência, dificilmente encontram soluções, e as coisas pioram.

Fala-se de um Plano Nacional de Proteção à Criança que ainda não existe. Porquê?

Essa parte ainda não está sistematizada. Avançamos a passos lentos. Há muitas entidades a funcionar isoladas, cada uma com a sua linguagem, a olhómetro.

Valeu a pena o debate de urgência, há dias, na Assembleia da República?

Sim. As instituições falaram das suas dificuldades. A crise não explica tudo. Estamos muito melhor do que há dez anos, mas falta afinar a estrutura de rede. Uma coisa é ter técnicos de vários organismos a tomar decisões de forma não estruturada; outra é usarem ferramentas para avaliar se uma família tem risco baixo, moderado ou elevado de situações de violência grave.

Os homicídios aumentaram de facto, como sugere o aumento do número de perícias?

São situações pouco usuais que não explicam o comportamento geral das famílias portuguesas. Estamos a falar de um grupo restrito de pessoas de famílias disfuncionais, com menos recursos e determinadas características internas e, até, quadros clínicos. Os seus comportamentos violentos podem ser letais, mas nem sempre envolvem patologia.

As pessoas aprendem a ser violentas porque a própria sociedade premeia a violência?

O perfil de homicídio na família tem a ver com discussões e perda de controlo. Quem agride é reativo e tem baixo controlo dos impulsos. Em casa, aprendeu a gerir assim a relação com outros. Depois, certos meios socioculturais validam essas características. Os homens são mais extremados e têm mais problemas com a lei, as mulheres exercem mais violência  psicológica. Alguém com uma depressão crónica, dificuldades financeiras e um problema de saúde associado pode cometer um homicídio. Tem a ver com a conjugação de fatores internos que podem ser extremados pelo meio ambiente. Não conseguem resolver problemas sociais, que implicam colocar-se no lugar do outro e avaliar consequências dos seus atos, no plano moral.

Como explica que se feche os olhos ou se fique do lado do agressor, em situações de abuso?

Temos ações de formação a decorrer sobre estes temas, e as respostas não são lineares. Em 40% dos casos, os maus-tratos traduzem-se em negligência e abuso físico, de forma persistente e intencional. Muitas vezes, fica-se do lado de quem agride por sobrevivência: há mulheres que acabam vítimas de violência letal, por protegerem os filhos.

É possível traçar um perfil dos agressores, consoante o tipo de crime?

Sim. O primeiro grupo, dos antissociais, inclui os agressores em todas as áreas do seu funcionamento, com registo criminal e história de consumos (drogas, álcool) e totaliza 48% dos casos. O segundo grupo, bem inserido socialmente, sem um quadro psicopatológico definido e que consegue estabelecer uma vinculação com os filhos, representa 30% dos casos: também tem consumos associados, mas só é violento no interior da família, por crenças de género ou baixa autoestima, e vê na violência uma forma de exercer o poder. Por fim, os amantes ciumentos obsessivos e os psicopatas (15%), que chegam facilmente a atos como o homicídio.

Como os identificam?

Usamos a escala da PCL-R (escala de diagnóstico da psicopatia) na polícia, há 18 anos. Neste último grupo, estão os indivíduos com psicoses, esquizofrenia paranoide, psicopatia e ciúme patológico. Matam ou usam os filhos como objetos para se vingarem das companheiras.

E são vulgarmente conhecidos por pessoas más, que exercem a maldade?

Cientificamente não há pessoas más, mas com limitações. Cerca de 30% dos agressores violentos tem psicopatia e usa outros para satisfazer as suas necessidades, sem empatia. Os homicidas situam-se no primeiro e no terceiro grupo. A representatividade dos crimes violentos não chega a 2% e manteve-se estável ao longo de uma década.

São recuperáveis?

O nível de reabilitação é mais baixo, pela sua estrutura de personalidade, o que os leva a ter uma integração social negativa. Estas pessoas não sabem explicar porque agem como agem, precisam de perceber que as ações têm consequências. A contenção pode não ser suficiente. Há que punir e depois acompanhar.

O que falta fazer mais para que o sistema funcione melhor na resposta a estes problemas?

As polícias evoluíram, há mais preparação para avaliar fatores de risco na violência em casa. Contudo, há questões complexas que requerem muita intervenção e gestão de recursos entre instituições, como aquelas em que o indivíduo não trabalha, não tem apoio social, é consumidor compulsivo e recusa tratamento. O grande desafio é gerir os recursos que temos.

 

Cristina Soeiro

Psicóloga forense

BI

Doutorada em Psicologia, área da Justiça, pela Universidade do Minho.

Responsável pelo Gabinete de Psicologia e Seleção da Escola de Polícia Judiciária.

Docente e investigadora, com estudos sobre a técnica dos perfis criminais e avaliação de risco de violência e violência sexual.

 

Artigo publicado na Revista VISÃO de 23 de Abril de 2015

 

 

 

 

VIII Conferência Crianças Desaparecidas e Exploradas: 25 de Maio no Auditório Novo da Assembleia da República

Maio 13, 2015 às 2:35 pm | Publicado em Campanhas em Defesa dos Direitos da Criança | Deixe um comentário
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No próximo dia 25 de Maio, Dia Internacional das Crianças Desaparecidas, mais uma vez, o Instituto de Apoio à Criança irá lembrar todas as crianças desaparecidas, através da realização de uma Conferência que terá lugar no Auditório Novo da Assembleia da República.
Em Portugal assinalou-se, pela primeira vez, em 25 de Maio de 2004, o Dia Internacional das Crianças Desaparecidas, por iniciativa do Instituto de Apoio à Criança.
A origem desta data funda-se no facto de no dia 25 de Maio de 1979 ter desaparecido uma criança de 6 anos, Ethan Patz, em Nova Iorque. Nos anos seguintes, pais, familiares e amigos reuniram-se para assinalar o dia do seu desaparecimento e, em 1986, o dia 25 de Maio ganha uma dimensão internacional quando o Presidente Reagan o dedicou a todas as crianças desaparecidas.
Esta data tem vindo a ser assinalada em diversos Países da Europa, à semelhança do que sucede na Bélgica, desde 2002, em que a Child Focus, associação belga criada pelo pai de uma das crianças assassinadas pelo pedófilo Dutroux, decidiu adotar este dia associando-se assim ao movimento iniciado nos Estados Unidos.
A Federação Europeia das Crianças Desaparecidas e Exploradas Sexualmente, a Missing Children Europe, criada em 2001, e que o IAC integra desde a sua fundação, também todos os anos assinala o 25 de Maio e recomenda iniciativas nesse dia às ONG nacionais.
As organizações que intervêm nesta área adotaram como símbolo a flor de miosótis, em inglês “forget me not”.
Veja AQUI o programa.

Vídeo com jovem a ser agredido na Figueira da Foz torna-se viral

Maio 13, 2015 às 12:11 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Um vídeo que mostra duas adolescentes a agredir um rapaz, na Figueira da Foz, ao longo de 13 minutos e perante a passividade de outros jovens, está a levar dezenas de pessoas a exigirem a intervenção das autoridades.

O vídeo , divulgado ao final da tarde de terça-feira no Facebook, tornou-se viral na internet, com mais de meio milhão de visualizações e cerca de 20 mil partilhas em poucas horas, suscitando centenas de insultos e comentários de repúdio. Muitas outras pessoas reclamam a intervenção das autoridades judiciais, PSP e Comissão de Proteção de Crianças e Jovens.

Apesar de ter sido agora divulgado com a informação de que as agressões aconteceram num estabelecimento de ensino da Figueira da Foz, o vídeo terá sido filmado há cerca de um ano, não numa escola mas na via pública, junto a um complexo residencial do chamado Bairro Novo, zona turística da cidade. Envolve pelo menos cinco raparigas e um rapaz, para além da vítima, outro rapaz, hoje com 17 anos.

No filme, o agredido começa por levar dois estalos dados por uma rapariga, hoje com 15 anos e a principal agressora. Outra rapariga aproxima-se e, incentivada pelas amigas, dá três estalos ao jovem, mas depois recusa continuar e afasta-se, a rir.

O jovem, que ao longo do vídeo quase nunca esboça reacção, aparece junto a uma parede, com os braços caídos, mãos atrás das costas. É depois novamente agredido pela primeira rapariga com mais um estalo. A agressora diz: “Isto é força, isto é força? Queres ver com mais força?” e dá um murro e mais seis estalos ao rapaz enquanto as amigas riem.

Ouve-se a voz de outro rapaz que ordena: “Dá-lhe mais”. A agressora responde: “Já dei”. Mas o rapaz insiste: “Mas dá-lhe mais”. A segunda rapariga regressa e aplica uma sucessão de sete estaladas à vítima, com a mão esquerda.

Em alguns momentos, as agressões cessam, quando passa alguém na rua. A principal agressora reaparece e dá 10 estaladas seguidas à vítima enquanto as amigas continuam a rir.

“A mim não me apetece estar à chapada, apetece-me estar à porrada, sabes porquê? Porque tu meteste-me nojo”, afirma. O rapaz questiona o porquê das agressões, alega que não fez nada e quem responde é o rapaz que se mantém quase sempre fora do plano da imagem: “Metes-te com ela, metes-te comigo”, diz.

Até aos oito minutos do filme, a vítima – que tem desde a noite de terça-feira uma comunidade de suporte no Facebook, com mais de 1.300 apoiantes – volta a ser alvo da principal agressora, com oito murros, antes de se agarrar à cara e queixar-se de um dente.

Depois, leva dois murros no peito e esboça, pela primeira vez, uma reacção de defesa. A rapariga ordena: “Tira a mão daí”, dá-lhe uma joelhada nos genitais e pede ao rapaz que até então se tinha mantido fora da imagem para lhe agarrar as mãos. Manietado pelo outro jovem, a vítima é novamente agredida pela rapariga com um murro e um estalo e responde “Estejam quietos”.

Já no final do vídeo, o jovem recebe um copo de água da agressora, que, a certa altura, parece preocupar-se com o rapaz: fala com ele, numa conversa inaudível mas, chamada pelas amigas, despede-se com um forte murro.

Os envolvidos nas agressões, alunos de vários estabelecimentos de ensino da Figueira da Foz, distrito de Coimbra, foram, na sequência da divulgação do vídeo, quase de imediato identificados no Facebook e alvo de insultos. Parte deles apagou as suas páginas nesta rede social.

 

Lusa, publicado na revista Visão em 13 de Maio de 2015

Ensino da leitura no 1º ciclo do Ensino Básico

Maio 13, 2015 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Recursos educativos | Deixe um comentário
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ensino

descarregar o estudo no link:

https://www.ffms.pt/estudo/938/ensino-da-leitura-no-1o-ciclo-do-ensino-básico

Este estudo tem como objectivo fundamental contribuir para um melhor conhecimento do ensino da leitura em Portugal. A partir de uma amostra representativa nacional de professores do 1.º Ciclo do Ensino Básico, estudou-se a sua formação, a percepção que têm dos seus conhecimentos para o ensino da leitura, os conhecimentos que efectivamente possuem na área do ensino da leitura e a forma como organizam tipicamente um bloco de duas horas de ensino da Língua Materna. O estudo dos programas de formação inicial de professores, bem como dos conteúdos disciplinares específicos, permitiu uma panorâmica relativamente precisa do que está neste momento a ser ensinado nas universidades e institutos politécnicos aos futuros professores do 1.º Ciclo do Ensino Básico na área da leitura e da escrita.

IX Conferência Internacional de TIC na Educação – Challenges 2015

Maio 13, 2015 às 11:17 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A nona edição das conferências “Challenges”, a ter lugar em 14 e 15 de maio de 2015, no Instituto de Educação da Universidade do Minho, visa partilhar, discutir e refletir sobre os resultados da investigação em TIC na educação, na procura de novas agendas de investigação, de intervenção e de consolidação do conhecimento.

Numa organização do Centro de Competência em TIC na Educação do Instituto de Educação da Universidade do Minho, a conferência desenvolver-se-á abarcando uma pluralidade de temáticas, organizadas em torno de três eixos principais:

Ambientes emergentes
O digital e o currículo
Avaliação digital

No eixo “Ambientes emergentes” incluem-se os contributos que visam discutir as mais recentes inovações tecnológicas procurando linhas de desenvolvimento futuro nas suas dimensões relacionadas com a educação e a formação.

Com o eixo “O digital e o currículo” pretende-se articular os contributos em torno da problemática da inovação curricular e pedagógica com as TIC, considerando não apenas os contextos curriculares formais, escolares e académicos, mas também os contextos não formais e informais de aprendizagem.

O eixo “Avaliação digital” reporta-se a diferentes dimensões de avaliação no âmbito das TIC na educação sendo aqui consideradas as problemáticas, práticas e modelos de avaliação de software, serviços, interfaces, dispositivos, cursos e aprendizagens em ambientes digitais e online.

Saiba mais AQUI.

Comemore o Dia Internacional da Família na Biblioteca de Oeiras

Maio 13, 2015 às 10:55 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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No dia 15 de Maio as Bibliotecas Municipais de Oeiras comemoraram o Dia Internacional da Família.
A pensar nas famílias a biblioteca organizou uma noite de jogos com ténis de mesa, academia de robótica, matemática com arte e jogos de tabuleiro didácticos.
Para famílias com crianças dos 5 anos 12 anos.

A Ciência na Educação Pré-escolar

Maio 13, 2015 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança, Livros, Recursos educativos | Deixe um comentário
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ciencia

descarregar o estudo no link:

https://www.ffms.pt/estudo/937/a-ciencia-na-educacao-preescolar

A Ciência existe na educação pré-escolar em Portugal? Quais são os conhecimentos, atitudes e competências valorizados na promoção da desejável literacia científica de crianças antes da idade escolar? Serão as nossas salas dos jardins de infância “amigas das ciências”?

Reflecte-se sobre a promoção da literacia científica em contexto pré-escolar e apresentam-se os resultados de um estudo nacional. Neste estudo identificam-se as características de uma “sala amiga das ciências”, caracterizam-se as práticas no âmbito das ciências nos Jardins de Infância, apresentam-se necessidades de formação dos educadores no domínio das ciências e, por fim, mostram-se boas práticas de promoção da literacia científica, apresentadas na forma de relatos de práticas.

 

 

 


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