A psicose, os demónios e a minha linda filha

Maio 12, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do Público de 3 de maio de 2015.

Público

Doris Fuller

Uma mãe relata como a filha começou a manifestar a sua bipolaridade até ao dia em que tudo mudou de vez.

No mês passado, perdi a minha querida filha na luta contra a doença mental. Suicidou-se a poucas semanas de fazer 29 anos, atirando-se para a frente de um comboio em Baltimore.

A Natalie e eu escrevemos um livro juntas quando ela tinha 16 anos: Promise You Won’t Freak Out: A teenager tells her mother the truth about boys, booze, body piercing and other touchy topics (and Mom responds) — “Promete que não te passas: Uma adolescente conta à mãe a verdade sobre rapazes, álcool, piercings e outros temas sensíveis (e a mãe responde)”. A ideia de uma adolescente contar à mãe os seus segredos era tão atraente que aparecemos na capa do Baltimore Sun e mais duas dezenas de jornais, fomos a programas de televisão de um lado ao outro do país, incluindo aos programas da manhã, e pagaram-nos para dar conferências. A Oprah ligou-me.

No livro, usávamos um dispositivo para assinalar quando uma grande reviravolta estava prestes a acontecer: Até que… Na introdução, defini os momentos Até que… como “uma daquelas alturas críticas em que a minha alegre sensação de que tudo estava bem no mundo colidia com a prova irrefutável de que não, não estava”.

O livro foi publicado uma semana antes de a Natalie terminar o liceu e recebeu óptimas críticas. A Amazon considerou-o o melhor livro sobre parentalidade de 2004. Foi nomeado para um prémio nacional. Foi traduzido para lituano e chinês.

Até que…

Aos 22 anos, durante a segunda parte do seu último ano de faculdade, Natalie teve um surto psicótico. No prazo de poucas semanas, passou de uma jovem adulta brilhante com o mundo aos seus pés para uma paciente numa instituição psiquiátrica com cadastro criminal. Só muito mais tarde é que eu soube que esta dramática trajectória é avassaladoramente comum.

Os distúrbios psicóticos aparecem quase sempre no final da adolescência ou no início da idade adulta, com picos entre os 18 e os 25 anos, de acordo com Thomas Insel, director do Instituto Nacional de Saúde Mental. Os cientistas não sabem explicar porquê. Muitos investigadores têm-se concentrado nas anomalias na forma como se desenvolve, durante a adolescência, o cérebro das pessoas com surtos psicóticos. Outros investigam a genética, as circunstâncias pré-natais e o ambiente envolvente.

Surgiu um relativo consenso à volta do conceito de que os surtos psicóticos como os de Natalie não são, ao contrário do que possam parecer, abruptos, mas o culminar de um longo processo. De acordo com este modelo, têm origem em alterações moleculares que ocorrem no cérebro que começam uma década antes de os sintomas se manifestarem e que progridem para uma fase de psicose em último grau na qual a realidade é tomada pela ilusão, paranóia, alucinações ou outro tipo de distúrbios. Isto aponta para a possibilidade, tão tentadora quanto controversa, de as crianças poderem vir a ser analisadas segundo indicadores psicóticos, tal como acontece actualmente com outros problemas de saúde, na esperança de se conseguir reduzir o risco de psicose, tal como reduzimos o de ataques cardíacos.

Os problemas da Natalie devem ter começado no seu primeiro ano de faculdade, mas — tal como todas as famílias com quem falei sobre os seus próprios casos — eu não tinha um quadro de referências para reconhecer aquilo que na realidade eram.

Passou uma semana em que não dormia mais de quatro horas por noite e parecia ter uma energia interminável. Mas nessa altura estava a viajar no estrangeiro e mantinha-se acordada graças à cafeína. A nossa família viu isto como jet lag e não como um distúrbio psicológico. Alguns meses depois, disse que uma das suas amigas começava a sussurrar sempre que ela virava a cabeça, quando na verdade as raparigas seguiam juntas pela rua abaixo, a discutir um pouco entre si. Sem um historial de doenças mentais na família, nunca passou pela cabeça de ninguém que fossem alucinações auditivas.

Só seis meses depois — quando o sussurro da sua amiga se transformou num coro de estranhos que lhe davam ordens que levaram a detenções por crimes como invasão de propriedade privada — é que a relação se tornou aparente. Isto, mais uma vez, também é comum: a duração média de falta de tratamento da psicose nos EUA é de 70 semanas, diz Insel.

Como a maior parte das pessoas que estão no meio de uma crise psiquiátrica, Natalie argumentava que estava óptima e que “todos os outros estão loucos”. O seu estado continuou a deteriorar-se até que um agente da polícia, em reposta a mais uma chamada, a levou para as urgências de um hospital em vez de uma prisão. Depois de uma série de exames psiquiátricos e de uma audiência de tribunal, deu entrada num hospital público psiquiátrico. Recebeu tratamento intensivo por grave transtorno bipolar e psicose, até ficar estável e sem sintomas, dois meses mais tarde.

Natalie chegou bem, animada e parecida com a pessoa que era. Veio passar o Verão a minha casa e ensinou-me a gostar de tofu grelhado e a fazer ovos mexidos. Preparou as melhores saladas que comi na vida. Encheu a casa com a sua arte original, os seus amigos e o seu espírito irresistível. A doença mental não era tema. Voltou à faculdade para recomeçar o último ano. Quando partiu fiquei de estômago vazio, mas cheia de optimismo.

Até que…

Três meses depois, deixou abruptamente de tomar os medicamentos que mantinham à distância os seus surtos maníacos e as alucinações auditivas. Um dia, quando veio passar o fim-de-semana, minutos depois de ter entrado em casa o seu pensamento e comportamento fantasioso tornou evidente que os “demónios”, como eu viria a chamá-los mais tarde, tinham voltado.

A recaída da Natalie foi pior do que o seu primeiro surto: a psicose e o internamento mais prolongados, a recuperação mais difícil, a medicação mais complicada, as perspectivas de futuro menos auspiciosas. Esta segunda estadia no hospital durou dez meses, uma eternidade numa altura em que a média de internamento psiquiátrico é de cinco dias e a maioria das pessoas com psicoses nem sequer é internada. Graças a um cuidado intensivo, ela voltou a recuperar, ainda que mais lentamente, e terminou o seu bacharelato em artes plásticas.

O seu assistente psiquiátrico do hospital e vários outros funcionários percorreram 120 quilómetros para assistir à sua exposição de final de curso. Foi um triunfo para todos nós.

Mas, tal como acontece com muitas pessoas e muitas famílias e profissionais que vivem com, ou perto, de doentes psiquiátricos, o Até que… continuou. Apesar de Natalie parecer mais feliz e mais produtiva quando tomava a medicação, sentia falta da pica das paranóias ocasionais e odiava o aumento de peso que é um efeito secundário frequente dos remédios que tomava. Quando estava estável, às vezes declarava que afinal não estava doente e por isso não precisava da medicação — outra razão muito comum que as pessoas dão para deixar os medicamentos.

Mas se ela, ainda que inadvertidamente, deixasse de os tomar durante alguns dias, mesmo que estivesse em terapia ou outras formas de tratamento, os demónios regressavam e uma das primeiras coisas que lhe diziam era para deixar de tomar a medicação. A segunda era para não falar com a mãe, a outra influência mais poderosa na sua vida. De todas as vezes ela obedecia e piorava, tinha uma recaída ainda mais duradoura, a queda era mais acentuada e a recuperação mais lenta, regressando a um nível de estabilização mais baixo.

A última vez que entrou neste ciclo foi no Outono passado, quando se convenceu de que era aquela pessoa em cada quatro com distúrbios psíquicos cujos sintomas só melhoram muito tenuemente, ou não melhoram de todo, com os medicamentos. Não havia sinais aparentes de psicose, e para todos à sua volta ela parecia feliz e saudável, mas dizia que não conseguíamos ver o que estava dentro da sua cabeça.

Em Novembro, seis anos depois do primeiro surto, anunciou que, uma vez que teria alucinações de qualquer forma, iria deixar de tomar a medicação de vez. Tinha 28 anos quando deixou de tomar os antipsicóticos injectáveis e os comprimidos que ajudam a estabilizar o humor que a tinham ajudado a reconstruir a vida. E a sua mente entrou numa última, e fatal, espiral.

Natalie acreditava que o tratamento resultava e que o sistema de saúde mental tinha de ser reformado para que outras pessoas recebessem o tipo de cuidados que ela recebia quando tinha uma crise. Contou a sua história no ano passado para um documentário sobre a criminalização de pessoas com doenças mentais. Sonhava ser conselheira de quem tinha os mesmos problemas que ela. Dizia que queria ajudar os outros da mesma forma que a tinham ajudado a ela — até se convencer de que no seu caso qualquer ajuda era inútil.

Nas semanas depois da sua morte, as manifestações de simpatia e pesar de legiões de pessoas que combatem os demónios deixaram-me ciente de que a dor que sinto pela sua perda é apenas uma gota no oceano de dor criada pelas doenças psíquicas que estão por tratar. Uma mulher escreveu: “Tenho bipolaridade e nem sou capaz de contar quantas pessoas me disseram ao longo dos anos: ‘Devias ficar contente por só teres isso’, ‘podia ser pior, podias ter cancro ou outra doença terminal…’ Entristece-me que tantas pessoas não percebam que as doenças mentais, apesar de serem tratáveis, não são curáveis e podem matar.”

A minha filha viveu mais de seis anos com uma doença incurável e encheu a cabeça com demónios que literalmente a levaram à morte, e fê-lo enquanto ria, pintava, escrevia poesia, ajudava e trazia alegria a outras pessoas à sua volta. Foi a pessoa mais corajosa que eu conheci e o seu suicídio não muda isso.

“A Natalie ajudará a nossa sociedade a avançar”, escreveu-me um investigador do Johns Hopkins Hospital quando soube da sua morte. “Ela ajudou-nos a olhar para as doenças mentais com o respeito, a compaixão e a dignidade que merecem.”

Espero que sim. A Natalie teria adorado esse legado.

Exclusivo PÚBLICO/The Washington Post Doris Fuller é directora executiva do Treatment Advocacy Center, em Arlington (Virginia), que se dedica a ajudar pessoas com doenças psiquiátricas a receber tratamento     

 

 

10 coisas que uma criança deve saber

Maio 12, 2015 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://pequenada.com

 

Existem muitas pequenas lições para a vida que os adultos devem fazer questão de ensinar às crianças, mesmo às mais novas. Quanto mais cedo aprenderem o que podem ou devem fazer em determinada situação, melhor. Afinal de contas, a prevenção é o melhor remédio.

  1. Número de emergência. Todas as crianças devem saber e memorizar qual o número de emergência a ligar no caso de se perderem, de uma acidente ou incêndio em casa. No entanto, também lhes deve ser explicado que este número de telefone é para ser utilizado em casos de emergência apenas.
  2. Perdi-me! Ensine às crianças que no caso de se perderem dos pais, não devem abandonar o local onde se encontram, nem devem ir com pessoas estranhas. Se um estranho quiser ajudar, diga às crianças que peçam que a ajuda seja levada até elas, uma vez que foram ensinadas a não sair do lugar em que estão. Caso contrário, devem aguardar o aparecimento dos pais ou de uma autoridade, como a polícia ou um segurança. 
  3. Não falar com estranhos. Explique à pequenada que não têm de falar com estranhos e que isso não é ser mal criado. As crianças devem saber que um adulto não vai perguntar a um miúdo direcções ou as horas e que podem perfeitamente responder “não sei” ou “não lhe posso ajudar” em circunstâncias como estas. Para além disso, um estranho acompanhado de crianças não deixa de ser um estranho. Se a pessoa estranha insistir, a criança deve procurar um dos pais ou um adulto conhecido.
  4. No caso de fogo. No caso de se encontrarem numa situação de fogo, ensine à criança um procedimento básico: parar, deitar-se no chão e rebolar no sentido da saída mais próxima. Para casos como estes, também o conhecimento dos números de emergência é extremamente importante.
  5. Não fazer festas a animais desconhecidos. As crianças adoram animais e não têm problema nenhum em fazer festas em todos eles, no entanto, nunca sabemos como é que um animal pode reagir ao toque de um desconhecido, por isso, mais vale não tocar.
  6. Não é não. Quanto mais cedo ensinar às crianças que quando os pais ou outro adulto de confiança diz “não” isso significa mesmo que “não” e que, de facto, não adianta choros ou birras para alterar essa resposta. Dizer que “não” impõe limites e ensina valores valiosos como respeito e paciência.
  7. Objectos estranhos. As crianças são seres curiosos por natureza e tocam em tudo o que puderem para satisfazer essa curiosidade, no entanto, isso nem sempre é uma boa ideia, podendo mesmo ser prejudicial aos mais pequenos. Quando se depararem com objectos estranhos, ensine a pequenada a fazer 3 coisas: não mexer, abandonar o local, informar um adulto de confiança.
  8. Divórcio. Uma separação ou divórcio entre pais vai afectar profundamente qualquer criança e não deve ser um assunto “escondido” da mesma, com receio de a fazer sofrer ainda mais. Embora a criança não precise de saber todos os detalhes da separação, precisa de ser informada sobre o que vai acontecer e porquê. É igualmente importante que a criança saiba que ela não tem absolutamente nada a ver com a decisão dos pais. Saiba que mesmo tentando esconder a situação, a criança irá perceber o ambiente dentro de casa e irá preocupar-se com algo que não percebe, sendo que normalmente deita sempre as culpas para si. 
  9. As suas origens. Quer a criança seja adoptada ou não conheça o pai ou a mãe, ela precisa de saber quais são as suas origens e quem foram ou são esses pais que já não se encontram presentes. A mentira e a omissão não são os melhores caminhos nestes casos, mas sim a honestidade, sempre dentro dos limites de compreensão da criança e da sua respectiva idade. 
  10. Dramas familiares. Tal como um divórcio ou separação, também outros dramas familiares precisam de ser adequadamente explicados às crianças e não omitidos. No caso, por exemplo, do desemprego de um dos pais, da contracção de uma doença ou de uma morte na família, é necessário informar a criança de uma forma que ela perceba, que não causa pânico ou sentimentos de culpa. A criança irá descobrir mais tarde ou mais cedo, por isso, compensa informá-la desde o primeiro momento.

 

 

Bebé smartphones: que geração é esta?

Maio 12, 2015 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 28 de abril de 2015.

Chartwell Inc

Antes de celebrarem o primeiro ano, um terço dos bebés já utiliza telemóveis. Aos dois anos, a maioria das crianças já o faz. Para onde caminha a infância?

Usam telemóveis mesmo antes de aprender a andar ou a falar. Sim, é verdade. Um terço dos bebés com menos de um ano de idade já utiliza dispositivos eletrónicos. E por altura do primeiro aniversário, uma em cada sete crianças usa-os durante mais de uma hora por dia.

Estes são os resultados de estudo que foi apresentado no Encontro Anual das Sociedades Académicas Pediátricas em San Diego, Estados Unidos, e desenvolvido Centro Médico Einstein. O objetivo era determinar a idade em que as crianças começam a utilizar telemóveis e dispositivos eletrónicos. Para tal, observaram bebés entre os seis meses e os quatro anos e os respetivos pais. As famílias foram estudadas num hospital pediátrico central na Filadélfia que serve uma zona urbana onde vive uma comunidade com baixos rendimentos.

O questionário entregue a 370 pais era composto por vinte perguntas que pretendiam descobrir que dispositivos existiam em casa, com que idade as crianças começavam a manuseá-los, a frequência com que o faziam, a que tipo de outras atividades se dedicavam e se os pediatras conheciam essa forma de passatempo.

O cruzamento destes dados desvendou que 60% dos pais deixava as crianças a brincar com os telemóveis ou tablets enquanto trabalhavam e executam pequenas tarefas. Três em cada quatro pais permitiam que os filhos o fizessem enquanto se ocupavam das lides domésticas. E que 29% dos pais colocavam as crianças a brincar com esses dispositivos para que elas adormecessem. A maioria dos pediatras não conheciam estes hábitos da família, diz ainda o estudo.

A atração pelas apps para bebés

Ao Washington Post, Hilda Kabalí – uma das autoras do estudo – disse ter ficado surpreendida com os dados. “Alguns dos bebés com menos de seis meses usam estes objetos por mais de trinta minutos”. A mesma cientista explicou que este hábito pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças.

E a responsabilidade não está apenas nos “pais preguiçosos” que preferem distrair desta forma os filhos, mas também nas promessas das aplicações para bebés que já existem para os smartphones, alerta Susan Linn, diretora da Campanha para uma Infância Livre de Anúncios Comerciais. “Além de persuadir os pais a gastar dinheiro em produtos inúteis, os produtos de marketing para bebés que servem para aprender números e letras” nos smartphones e tablets “sugerem uma mensagem preocupante e potencialmente prejudicial aos pais sobre a aprendizagem”, afirma.

A Academia Americana de Pediatria já tinha desaconselhado a utilização da televisão, computador, telemóveis e tablets por crianças com menos de dois anos, recorda o Daily Mail. Até porque um estudo anterior havia provado que uma hora de televisão por dia pode também desenvolver problemas de obesidade quando as crianças chegam aos cinco anos.

Crianças obesas e alheadas

O problema que não é exclusivo dos americanos. Das 11 mil crianças que estavam nos jardins de infância britânicos entre 2011 e 2012, mais de metade tinha excesso de peso e 73% estava em risco de sofrer de obesidade infantil. O The Guardian noticiou que as autoridades de saúde pública inglesas alertaram para os problemas de depressão e ansiedade que podem vir do tempo que as crianças passam em frente aos dispositivos eletrónicos.

As preocupações vão mais longe: um estudo publicado em outubro do ano passado pela Elsevier acompanhou um grupo de crianças que passaram cinco dias numa colónia de férias sem acesso a televisão, telemóveis ou qualquer outro dispositivo eletrónico e descobriu que as capacidades de compreender a informação não verbal – pela análise da expressão alheia – aumentou. “Tornaram-se mais humanos”, chegou a escrever Yalda Uhls, uma das autoras do estudo.

Estes dados indicam que a inteligência emocional – capacidade de reconhecer emoções em nós próprios e nos outros – pode ficar em perigo com a utilização abusiva de produtos tecnológicos. De acordo com as declarações do especialista Daniel Goleman ao Huffington Post, quanto mais tempo uma criança passa com gadgets, menos conectado está com a realidade e menor se torna a inteligência emocional dela. Tudo porque se perde a capacidade de introspeção, de autoconhecimento.

Substituir o contacto humano

Em crianças mais velhas, na fase de pré-adolescência, esses conceitos ganham expressão nas redes sociais, em vez de acontecer no contacto direto com os outros. E os outros, no caso das crianças, são essencialmente os pais. Rahul Briggs, diretora dos Serviços de Saúde do Comportamento Pediátrico no Grupo Médico de Montefiore, concluiu ao Yahoo Pareting que “a interação, mesmo que seja apenas através de sorrisos, encoraja o cérebro a desenvolver a ajuda um laço seguro com os pais”.

Ao mesmo jornal, a fundadora da Criança Proativa, Sharon Silver, disse que “se os pais utilizam a tecnologia para acalmar os filhos enquanto são novos, eles estão a substituir o contacto humano com os pais, necessário para criar empatia, compaixão, relação e a sensação de pertencer ao mundo real”.

O melhor era mesmo que os pais deixassem de expor aos filhos aos monitores que existem por casa. Mas isso não parece ser tarefa fácil: o estudo apresentado no encontro anual de pediatras americanos afirma que 97% das famílias tem televisão em casa, 83% dos pais tem tablet e mais de três quartos têm smartphones. Uma combinação bombástica que, segundo o The New York Times, põe bebés de dois anos a utilizar estes dispositivos.

Mas há outro fator que tem posto as crianças a utilizar estes dispositivos: é cada vez mais fácil e intuitivo operar num telemóvel ou computador. E prova disso são as estatísticas apresentadas no encontro anual: mais de metade das crianças estudadas segue programas de televisão, 36% mexe nos monitores com naturalidade e 24% consegue telefonar a alguém sozinho.

 

 

 

 


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