Esta é a escola portuguesa que os ingleses copiaram

Abril 23, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 21 de abril de 2015.

Fernando Pereira Global Imagem

por Ana Bela Ferreira

A Escola Básica da Ponte nasceu há 39 anos para promover uma aprendizagem mais autónoma e democrática. Não existem turmas, nem testes e os resultados são acima do esperado.

O grupo de visitantes entra na sala de aula. O olhar de curiosidade de quem chega contrasta com a indiferença de quem está sentado nas mesas de trabalho. Sentados em grupos, não há quadro na parede nem o professor está de pé a debitar a matéria. Há três professores na sala e cada um está sentado ao lado de um aluno que naquele momento precisa de ajuda e ninguém está distraído a conversar com o colega do lado.

Alunos e professores já estão habituados às excursões que se deslocam de vários países para ver in loco a Escola Básica da Ponte a funcionar. Finlandeses, brasileiros, italianos, holandeses ou ingleses, são muitos os grupos ligados à Educação que procuram alternativas aos modelos dos seus países e vêm à Vila das Aves, concelho de Santo Tirso, conhecer a escola pública fundada em 1976 com base no Movimento Escola Moderna e que é tida como um exemplo de sucesso.

A visita do DN às instalações é partilhada com a pedagoga brasileira Márcia Taborda, que estando de visita a Portugal, “não podia deixar de conhecer uma escola que é estudada no Brasil”. Vem acompanhada pelo marido que foi arrastado para o Portugal profundo atrás da escola modelo. Ao mesmo tempo, na sala de entrada da escola, onde os visitantes são convidados a ler os seus direitos e deveres, a coordenadora do projeto debate uma tese de doutoramento sobre a escola com um aluno conterrâneo de Márcia. Um trabalho que é discutido com a representante dos pais, outra particularidade desta escola.

Mas afinal o que é que esta escola pública tem de diferente para só no ano passado ter recebido quase 900 visitantes? Aqui não há turmas, os alunos decidem o que estudam no seu dia-a-dia, os professores não estão sozinhos numa sala e os únicos testes que se fazem são os exames nacionais. Uma forma de ensinar muito semelhante ao que a Finlândia (estudar por fenómenos e não disciplinas) ou a França (aprender por trabalhos de grupo e dar autonomia aos alunos) pretendem implementar. Júlio, que está no 7.º ano, acredita que tem mais responsabilidades que numa escola normal, mas também mais confiança nas suas capacidades e autonomia.

O aluno faz parte do grupo de estudantes encarregado das visitas guiadas à escola. É ele que, acompanhado pelo colega mais novo, Rúben, mostra aos visitantes os cantos da sua escola e como esta funciona. Júlio entrou para a Ponte, quando esta ainda estava na Vila das Aves. Agora partilha o recinto em São Tomé de Negrelos com a escola básica local, que pertence ao Agrupamento do Ave. A Ponte não está integrada em nenhum agrupamento e funciona com contrato de autonomia. Não existe outra escola pública igual.

As instalações são novas e preenchidas por cores vivas. Nas diferentes salas funcionam núcleos de estudo de acordo com o nível de cada um. E apenas o primeiro ano do ensino básico tem turmas mais tradicionais: aqui há um professor que coordena a aula, mas os alunos já estão reunidos em grupos de trabalho, explica Júlio à porta da sala de aula, onde os que frequentam “a primeira vez” (assim se chama a primeira classe) estão empenhados em acompanhar o professor.

Objetivos definidos à quinzena

O guia mais jovem, Rúben, mostra como funciona o núcleo de iniciação, onde estão 99 alunos normalmente do 2.º ao 4.º ano, mas essa divisão não é estanque, explica mais tarde a coordenadora do projeto Ana Moreira. Nesta sala, as paredes também estão repletas de cartolinas, mas em vez dos tradicionais desenhos, aqui estas têm tarefas. Afixados estão os planos da quinzena e do dia para cada um dos alunos. E à frente das tarefas existem bolinhas que só são pintadas quando esta é cumprida. Rúben dá um exemplo: “A primeira coisa que se faz de manhã é ver o plano do dia. Se quero começar por estudar o sistema solar vou buscar os livros dessa matéria e quando acabar de estudar pinto a bolinha dessa tarefa.” Depois de aprender tudo sobre o sistema solar, Rúben coloca essa indicação na tabela que diz “Já sei” e que indica ao professor que o aluno está pronto para ser avaliado.

Os objetivos de aprendizagem são definidos à quinzena pelo aluno e o seu respetivo professor-tutor (uma espécie de diretor de turma individual). O aluno deve ser avaliado a todos os itens nesse período, “se deixar alguma coisa para trás já é preocupante”, aponta Júlio. Os pais são informados e convidados a responder às avaliações dos professores, assim como os alunos.

Na Escola da Ponte, que tem atualmente 230 alunos do pré-escolar ao 9.º ano, não há testes como nas outras escolas, e um dos entraves à implementação total deste modelo “são os exames nacionais”, aponta Ana Moreira. A escola “não tem estado mal. No ano passado baixámos a Português, mas há dois anos estivemos bem”. O número de exames realizados não é muito expressivo, mas a posição da escola nos rankings oscila entre o lugar 214 no 4.º ano e o 1147 no 9.º ano. Os alunos são preparados tendo aulas mais tradicionais onde se explica a estrutura do exame.

Na última avaliação externa, levada a cabo pela Inspeção-Geral da Educação (IGEC), a escola foi avaliada com Muito Bom em todos os parâmetros. Os técnicos do Ministério da Educação e Ciência (MEC) sublinham que a escola comparada com outras do mesmo contexto tem valores acima dos esperados e elogiam a ausência de problemas disciplinares e de abandono.

Alunos combatem indisciplina

“Os alunos desta escola gostam de cá andar”, sintetizam pais e funcionários. Mais cautelosa, Ana Moreira recorda: “Somos uma escola pública temos casos de sucesso e de insucesso, como em todo o lado.” O que “não obsta a que tentemos fazer melhor”. Os problemas são essencialmente a falta de estabilidade dos professores: dos 29 docentes, aqui orientadores educativos, apenas sete são do quadro; e de pessoal auxiliar, onde três são do quadro e dez têm contrato temporário através do centro de emprego.

Estas dificuldades técnicas não impedem os pais de elogiar o projeto. Isabel Moreira procurava um projeto educativo diferente no sistema público para os três filhos. Cruzou-se com uma “mãe da Escola da Ponte” e apaixonou-se pelo projeto. Mudou-se da Maia para Vila das Aves e não se arrepende. A mãe de três alunos (do 9.º, 8.º e 6.º anos) considera que esta escola lhes deu “sobretudo capacidade de usar a criatividade e capacidade pensante nas suas ações. Muitas vezes eles são críticos e apontam pontos de vista válidos com os quais podemos não concordar mas temos de dar o braço a torcer”.

Estes alunos são também um desafio para quem trabalha na escola. Helena Alves é natural da Vila das Aves, trabalha na escola há 10 anos, e apesar de morar quase ao lado das instalações originais, quando os filhos chegaram à idade escolar não foi aí que os inscreveu: “Era vista como uma escola onde os miúdos faziam o que queriam e não estudavam”, recorda. Hoje defende o projeto com unhas e dentes. “Foi na catequese que percebi que havia meninos diferentes e que eram os meninos da Ponte.”

Os meninos da Ponte são responsáveis por organizarem a escola no início de cada ano. Candidatam-se e votam numa assembleia de escola que é chamada a decidir sobre o dia-a-dia. “É mais fácil ter sucesso num projeto que eles se comprometeram a fazer”, justifica Ana Moreira. Constituem também uma comissão de ajuda que é a primeira linha no combate à indisciplina. “São os primeiros a intervir e os outros respeitam”, aponta Helena Alves.

 

 

 

 

Manuel Mendonça. “O Rui Pedro já não está vivo”

Abril 23, 2015 às 3:46 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem do i de 20 de abril de 2015.

Manuel Mendonça O Rui Pedro já não está vivo

Ricardo Castelo

 

 

 

ASAE queria multar pais de jovens apanhados a beber

Abril 23, 2015 às 3:08 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 23 de abril de 2015.

O estudo do SICAD mencionado na notícia é o seguinte:

Os Jovens, o Álcool e a Lei. Consumos, atitudes e legislação

Nuno Botelho

Polémica. Inspetor-geral diz que responsabilização dos pais é essencial para que seja eficaz a lei que proíbe consumo de álcool antes do 18 anos , mas a proposta da ASAE não avançou.

Joana Pereira Bastos [com Filipe Santos Costa] (texto) Nuno Botelho (fotos)

O Ministério da Saúde acabou com o consumo de bebidas alcoólicas por menores de 18 anos e os pais dos jovens apanhados a beber deveriam mesmo ser multados. É o que defendia a ASAE, a quem compete a fiscalização da lei do álcool. “É preciso arranjar mecanismos mais eficazes para notificar os pais e prever a aplicação de coimas no caso de os filhos serem apanhados a consumir”, diz ao Expresso o inspetor-geral da Autoridade da Segurança Alimentar e Económica, Pedro Portugal Gaspar.

O decreto-lei até aqui em vigor proibia o consumo de bebidas brancas, como o vodka e o whisky, até aos 18 anos, mas permitia que os adolescentes bebesse cerveja e vinho a partir dos 16. A distinção entre os dois tipos de álcool vai acabar com a lei que o Governo aprovou esta quinta-feira . O Ministério da Saúde elaborou um novo diploma, no sentido de impor uma lei seca até à maioridade, tal como recomenda a Organização Mundial da Saúde.

Para o inspetor-geral da ASAE, era preciso reforçar as punições para garantir que a proibição vá mesmo ser cumprida.

Quinta à noite, já depois de a lei ser conhecida,
 um grupo de jovens encontra-se na zona de Santos, em Lisboa. Optam por beber cerveja e vinho,
 trazido de casa numa garrafa de água

Quinta à noite, já depois de a lei ser conhecida,
 um grupo de jovens encontra-se na zona de Santos, em Lisboa. Optam por beber cerveja e vinho,
 trazido de casa numa garrafa de água

 

A legislação em vigor proíbe a venda de bebidas espirituosas a menores de 18 anos, mas bastava o jovem dizer que foi um amigo maior de idade quem a comprou para não ser possível aplicar qualquer sanção ao bar ou à discoteca que a vendeu.

“Tem sido de difícil fiscalização, daí que o número de processos abertos seja muito reduzido”, admite Pedro Portugal Gaspar. No ano passado, a ASAE instaurou apenas seis processos a estabelecimentos comerciais por venda de álcool a menores e ainda não foi executada nenhuma coima, que pode chegar aos 30 mil euros.

Pais não querem saber

A ASAE, que coordena a subcomissão criada pelo Governo para regular e fiscalizar a aplicação da lei do álcool, defende que os estabelecimentos comerciais sejam punidos automaticamente no caso de serem detetados menores a consumir dentro do seu recinto, independentemente de terem ou não sido eles a comprar a bebida. E a recomendação vai mais longe: “Faz sentido punir não apenas o agente económico que vendeu a bebida, mas também os representantes legais do menor que a está a consumir”, frisa o inspetor-geral. Atualmente, a lei só prevê que os pais sejam notificados – ou as comissões de proteção de menores, em caso de reincidência.

Pedro Portugal Gaspar diz-se impressionado pelo desinteresse de muitos pais quando os agentes lhes telefonam de madrugada a comunicar que os filhos estão embriagados. Numa ação de fiscalização realizada em fevereiro em Santos, uma das zonas de Lisboa onde os adolescentes mais saem à noite, foram contactados os pais de 23 miúdos detetados a consumir e só quatro compareceram para os ir buscar. “Uns não atenderam o telefone, outros simplesmente não quiseram saber. Por isso, entendemos que é importante prever na lei a aplicação de coimas aos pais, como mecanismo dissuasor e de maior responsabilização.”

Jorge Ascensão, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), rejeita a proposta. “Vamos proibir os nossos filhos de saírem à noite e de se divertirem? Ou temos de passar a ir atrelados a eles? Não faz sentido. Quem tem de assumir a responsabilidade são os estabelecimentos que vendem álcool aos menores”, defende.

O responsável da CONFAP concorda, no entanto, que a lei seja alterada no sentido de elevar para os 18 anos a idade mínima legal para o consumo de qualquer tipo de bebida alcoólica, pondo fim à exceção atualmente prevista para a cerveja e o vinho.

A maioria dos especialistas também. “O álcool é uma substância tóxica muito perigosa para as células em crescimento. A maturação do cérebro só acontece por volta dos 20 anos, daí que seja recomendado que não haja qualquer consumo até uma idade muito próxima dessa. A evidência científica não deixa margem para dúvidas”, frisa Manuel Cardoso, vice-presidente do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD).

A maioria dos 28 países da União Europeia estabelece os 18 anos como a idade mínima legal para o consumo de álcool. As exceções são Espanha e Luxemburgo, que o permitem a partir dos 16, e Malta e Chipre a partir dos 17. Alemanha, Holanda, Bélgica e Áustria fazem a distinção entre bebidas espirituosas e não espirituosas, tal como a lei portuguesa ainda em vigor.

Beber até apagar

“O consumo precoce de álcool tem efeitos muito gravosos a nível do cérebro e do fígado. Faz todo o sentido proibir a venda a menores de 18 anos, mas isso só será eficaz se houver um reforço sério da fiscalização e uma aposta em ações de sensibilização, não apenas nas escolas mas também junto dos pais, que não estão esclarecidos. Como quase todos começaram a beber antes da maioridade, é possível que vejam esta alteração como um exagero. Mas não percebem que o padrão de consumo mudou. Hoje, os miúdos bebem com o propósito único de ficarem embriagados”, explica o psiquiatra Daniel Sampaio.

Patrícia António, psicóloga da Unidade de Alcoologia de Lisboa, concorda: “A relação que os pais tiveram com o álcool é muito diferente da que os miúdos têm agora. O consumo tornou-se mais descontrolado e aproximou-se do dos países nórdicos. É o chamado binge drinking, que passa por beber grandes quantidades num curto período de tempo e bebidas com maior teor alcoólico. Em vez do beber social, que era típico dos países mediterrânicos, basicamente a ideia passou a ser beber até apagar.”

Todas as semanas, em média, três adolescentes vão para o hospital em coma alcoólico. No ano passado, 166 deram entrada nas urgências pediátricas por intoxicação alcoólica aguda só nos hospitais de Dona Estefânia (Lisboa), São João (Porto) e Universitário de Coimbra.

com Filipe Santos Costa

NÚMEROS

44% dos jovens portugueses entre os 10 e os 15 anos já consumiram bebidas alcoólicas, segundo um estudo do SICAD, realizado no ano passado

14% dos jovens entre os 10 e os 24 anos já entraram em coma alcoólico e 26% já viram amigos ficar inanimados pelo consumo de álcool

6 processos de contraordenação foram instaurados no ano passado pela ASAE a estabelecimentos comerciais por venda de bebidas alcoólicas a menores

24 casos de menores embriagados foram detetados no ano passado pela PSP e GNR e notificados aos respetivos pais e às comissões de proteção de crianças e jovens em risco

versão atualizada do texto publicado originalmente na edição de 18 de abril do Expresso

 

 

 

 

Um Ciclo Vicioso (curta-metragem sobre Bullying)

Abril 23, 2015 às 2:06 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Dia Mundial do Livro | “O meu livro preferido” II – Vídeo

Abril 23, 2015 às 2:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Cáritas Europa diz que cortes em Portugal afectam “futuro das crianças”

Abril 23, 2015 às 1:37 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 22 de abril de 2015.

O relatório mencionado na notícia pode ser descarregado no site da Cáritas:

http://www.caritas.pt/site/nacional/index.php?option=com_content&view=article&id=3939:impactos-da-crise-na-pobreza&catid=177:noticias

Andreia Sanches

Pelo terceiro ano consecutivo, a Cáritas Europa tentou avaliar o impacto da austeridade em sete países mais atingidos pela crise. Relatório de 2015 diz que foi em Portugal que a pobreza e a exclusão social mais aumentaram.

Portugal foi, entre os sete países mais atingidos pela crise na União Europeia, aquele que registou o maior aumento da taxa de risco de pobreza e exclusão social em 2013 (um aumento de 2,1 pontos percentuais). A despesa com o serviço nacional de saúde desceu — e foi cerca de 15% inferior à de 2010. E “a despesa no apoio às famílias com filhos foi reduzida em 30% desde que surgiram os principais cortes”, sendo que “um terço dos beneficiários perdeu o acesso às prestações por filhos a cargo”, o que afecta “fortemente o potencial futuro das crianças”.

Estes são dados do Relatório da Crise da Cáritas Europa 2015 que tem como título O aumento da pobreza e das desigualdades. O documento é de Fevereiro, mas a apresentação nacional acontece nesta quarta-feira, em Lisboa, na presença do secretário-geral da Cáritas Europa, Jorge Nuño Mayer.

Pelo terceiro ano consecutivo, a organização analisou uma série de estatísticas oficiais, que cruzou com informação proveniente dos centros de apoio da Cáritas existentes nos países abrangidos, que trabalham no terreno. Com esta combinação, criou aquilo a que chama no relatório de “fórmula Cáritas” — que, diz, permite medir de forma “muito precisa a temperatura da situação socioeconómica da população desde a classe média até àqueles que estão situações de particular vulnerabilidade”.

Tal como nos últimos anos, a análise debruçou-se essencialmente sobre sete países: Chipre, Grécia, Irlanda, Itália, Portugal, Roménia e Espanha — os “sete países da União Europeia mais atingidos” pela crise.

O cenário descrito no documento é, numa frase, este: “Enormes níveis de desemprego e um claro aumento dos indicadores de pobreza e exclusão social.”

E continua: “A política de exigir aos países com sistemas de protecção social mais fracos que imponham consolidação orçamental e vagas sucessivas de medidas de austeridade com calendários muito curtos está a colocar o ónus dos ajustamentos nos ombros das pessoas que não criaram a crise na Europa e que têm menos capacidade para suportar esse fardo.”

Portugal é referenciado em vários momentos. Com uma taxa de pobreza infantil de 24,4%, em 2013, o país é dos sete estudados o que tem um menor peso de crianças nesta situação, mas foi aquele que registou o maior crescimento num só ano (mais 2,6 pontos percentuais), segundo o relatório. A maior taxa de pobreza infantil encontra-se na Roménia (32,1%).

No que diz respeito às pessoas que vivem em agregados familiares com uma intensidade de trabalho muito baixa (por vezes designados agregados familiares sem emprego), a Irlanda apresentou a pior taxa (23,4% em 2012, último ano para o qual há dados), seguida pela Grécia (18,2%, em 2013). A taxa de Portugal (12,2%, em 2013) piorou, o mesmo acontecendo em Itália (11%) e Chipre (7,9% ). Já o peso dos trabalhadores pobres subiu, mas pouco (0,3 pontos), para 10,7% do total.

No capítulo da saúde assinala-se que “os tempos de espera constituíram uma dificuldade para um grande número de pessoas, especialmente na Grécia, Itália, Chipre, Portugal e Roménia”. E a Cáritas Portuguesa, citada no documento, faz saber que está preocupada com as “reduções drásticas dos últimos anos nos orçamentos da saúde, educação e protecção social”.

Em termos de dívida pública nota-se ainda que o país “tem a segunda maior dívida pública em comparação com o PIB (128%) logo a seguir à Grécia (174,9%)”.

Já no que ao desemprego diz respeito, está melhor do que a Grécia (27,3% em 2013) e a Espanha (26,1%) mas pior do que o Chipre (15,9%) ou a Irlanda (13,1%).

A Cáritas Europa considera que o “paradigma das instituições europeias assenta no crescimento económico e na inovação mas que a realidade está a demonstrar que apenas estes dois vectores são insuficientes para combater as enormes desigualdades geradas e para criar empregos suficientes com rapidez, qualidade e segurança (emprego digno) que retire as crianças e as suas famílias das situações de pobreza para as quais foram empurradas”.

Em suma: “Os sistemas de protecção social, em particular dos países intervencionados, continuam sobre enorme pressão e verifica-se em todos os países que a malha da rede é cada vez mais larga e com uma cobertura cada vez menor colocando em causa a utilidade do seu papel.”

Atingidos “de forma desproporcionada” são os grupos de rendimentos mais baixos “e as oportunidades de vida de muitas crianças [que] são afectadas negativamente pelos efeitos combinados de situações de trabalho mais precárias (dos seus pais), cortes nos benefícios e reduções em serviços essenciais”.

Face a isto, a Cáritas Europa deixa um conjunto de recomendações. Desde logo, às instituições europeias. Diz que é preciso garantir que a meta de retirar, pelo menos, 20 milhões de pessoas da situação de pobreza, prevista na Estratégia 2020, é cumprida e que há que fixar “submetas para a redução da pobreza nos grupos de maior risco” como as crianças, os idosos e os trabalhadores pobres.

Diz ainda que a União Europeia deve “melhorar e desenvolver medidas de activação do mercado de trabalho que possam conduzir a empregos dignos, em vez de empregos mal remunerados ou inseguros”.

Aos governos nacionais e autoridade locais diz-se que é preciso dar prioridade ao investimento, avaliar o impacto do agravamento das situações de pobreza ou exclusão social em todas as novas medidas que vierem a ser adoptadas, fortalecer os sistemas de protecção social, criar um quadro máximo de impostos para aqueles que não têm possibilidades de pagar mais e combater a evasão fiscal.

Cáritas Portuguesa em números

Entre 2013 e 2014 o número de famílias atendidas pela Cáritas Portuguesa passou de 52.967 para 63.059. Em termos de número de pessoas abrangidas por estes atendimentos, estamos a falar de mais de 160 mil indivíduos, nas contas da instituição.

O número de famílias que pediram ajuda aumentou mas as problemáticas não sofreram alteração de um ano para o outro. Questões relacionadas com os rendimentos (“rendimento nulo ou insuficiente, dívidas com água, gás, alimentação, etc”) são as mais comuns — estão presentes em 35% dos atendimentos. Seguem-se os problemas relacionados com o trabalho (“desemprego, emprego clandestino, trabalho precário, salários baixos ou em atraso, trabalho infantil, discriminação, ausência de formação profissional”) — presentes em 23% dos casos.

A Cáritas Portuguesa é uma instituição oficial da Conferência Episcopal Portuguesa. É composta por 20 Cáritas Diocesanas e por grupos locais, que cobrem todo o país. Um dos seus projectos é o Fundo Social Solidário, que tem como objectivo “contribuir para a resolução de graves problemas sociais provocados pela crise”. No ano passado apoiou 3957 pessoas confrontadas com dificuldades, como os custos da habitação, saúde e educação ou o emprego.

 

 

 

VIII Encontro Nacional de Educadores Sociais

Abril 23, 2015 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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viii

mais informações:

https://www.facebook.com/ApesAssociacaoPromotoraDaEducacaoSocial/timeline

Dia Mundial do Livro | “O meu livro preferido” I – Vídeo

Abril 23, 2015 às 9:13 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor na Biblioteca Municipal de Beja

Abril 23, 2015 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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beja

mais informações:

http://bibliotecaandarilha.blogspot.pt/2015/04/23-de-abril-dia-mundial-do-livro.HTML

https://www.facebook.com/bibliotecamunicipaldebeja/timeline

 

Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor

Abril 23, 2015 às 8:03 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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dia

No dia 23 de abril celebra-se o Dia Mundial do Livro, por decisão da UNESCO. Pretende-se chamar a atenção para uma data considerada simbólica por nela terem nascido importantes escritores internacionais. Em todo o mundo, organismos e entidades da sociedade civil destacam o prazer de ler, e a importância que os livros, nos seus vários suportes, têm na sociedade contemporânea.
Este ano o cartaz do Dia Mundial do Livro é da autoria do atelier Silvadesigners, e mostra-nos, num jogo de luzes e efeitos, que os livros podem ter leituras variadas e múltiplos ecos, consoante os leitores a que chegam.

https://www.facebook.com/pages/LivroDGLAB/1470095553263742?sk=timeline

http://livro.dglab.gov.pt/sites/DGLB/Portugues/Paginas/Home.aspx

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