Laço Humano Azul 2015 Cidades juntam-se contra a violência infantil – Vídeo

Abril 18, 2015 às 4:44 pm | Publicado em Campanhas em Defesa dos Direitos da Criança, Vídeos | Deixe um comentário
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Marca de um beliscão e olhar atento de médico salvam bebé vítima de maus-tratos

Abril 18, 2015 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.jornalmedico.pt  de 21 de março de 2014.

por Catarina Gomes

Uma especialista em medicina legal revelou ontem que o olhar mais atento de um médico salvou a vida a um bebé quando desconfiou da marca de um beliscão que, afinal, era um dos vários sinais dos maus-tratos que a criança sofria.

O exemplo apresentado por Teresa Magalhães, do Instituto Nacional de Medicina Legal (INML), durante o II Congresso Nacional de Ortopedia Infantil, que decorre até hoje, em Lisboa, visou reforçar a importância dos profissionais de saúde na detecção de maus-tratos infantis.

“Esse médico, porque suspeitou das equimoses provocadas por um beliscão – que o pai atribuiu a uma queda –, foi investigar e descobriu que o bebé tinha ainda várias fracturas nas costelas e marcas oftalmológicas, salvando-lhe a vida”, afirmou a professora na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Durante a sua intervenção, Teresa Magalhães apresentou várias imagens de maus-tratos “fáceis de detectar”, como os provocados por banhos em água a ferver, violações, queimaduras de cigarro, com secadores de cabelo, cortes, entre outros, mas alertou também para os “mais difíceis de detectar”.

Sobre esses, Teresa Magalhães defendeu que o profissional de saúde, “na dúvida, deve sinalizar” aos organismos respectivos, como as comissões de protecção de menores.

O objectivo, disse, é salvar a vida destas crianças, que podem não ter uma outra oportunidade.

“Já fiz autópsias a crianças com sinais mais ou menos óbvios de violência e nós não queremos de todo fazer autópsias às crianças”, afirmou.

Teresa Magalhães sublinhou que o empenho dos profissionais de saúde – tal como os educadores na idade escolar – é determinante para a resolução destes casos e considerou que o envolvimento destes é hoje muito mais concreto e com resultados visíveis.

A especialista minimizou o papel dos números, pois acredita que “ainda não estão criados os instrumentos para conhecer uma realidade que, pela sua natureza, é encoberta”. “Os números são importantes, mas não chegam. Bastava haver um caso”, disse.

A propósito da crise económica e dos seus efeitos nas famílias, com repercussões no bem-estar das crianças, Teresa Magalhães disse não sentir ainda um aumento significativo de casos de maus-tratos, embora assuma que esta situação é “um dos muitos factores de risco”.

Os vários profissionais de saúde que estão em Lisboa a participar neste congresso nacional têm debatido a forma como os maus-tratos chegam aos serviços de saúde, com destaque para a área ortopédica, defendendo todos eles a importância de uma resposta multidisciplinar para o problema.

Cassiano Neves, presidente da Federação Europeia das Sociedades de Ortopedia e Traumatologia disse que os profissionais de saúde, perante uma suspeita de maus-tratos, devem actuar. “Ter medo deste confronto [com os progenitores ou quem traz a criança ao serviço de saúde] não é razão para metermos o saco na cabeça”, disse.

O especialista em ortopedia infantil deixou, contudo, um aviso: “Não há nada pior do que acusar uma família sem ter um estudo completo da criança. Na dúvida, é melhor internar a criança até ter um diagnóstico”.

A este propósito, lembrou que existem doenças – como a osteogenesis imperfecta, que consiste numa muito acentuada fragilidade dos ossos – que podem assemelhar-se a marcas de maus-tratos.

Em Portugal existem 70 casos notificados desta doença e, segundo Cassiano Neves, já existiram situações que aparentavam maus-tratos físicos, mas que os profissionais concluíram tratar-se da patologia.

Por isso, sintetizou, é necessário que as dúvidas sobre maus-tratos sejam suportadas por “uma boa história clínica”, a qual também tem de passar por uma análise à relação dos pais com a criança.

 

 


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