Quase 10% dos adolescentes do 8.º e 9.º anos têm sintomas de depressão

Abril 13, 2015 às 9:17 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 10 de abril de 2015.

Nelson Garrido

Graça Barbosa Ribeiro

Uma situação reversível com um programa de prevenção que está a ser testado nas escolas desde 2011.

Oito por cento dos adolescentes portugueses que frequentam o 8.º e o 9.º anos apresentam sintomatologia depressiva e 19% estão em risco de desenvolver a doença. Uma situação reversível com um programa de prevenção que está a ser testado nas escolas desde 2011 e que se revela mais eficaz quando envolve, também, os pais ou encarregados de educação dos jovens em risco, segundo indicam os resultados provisórios de uma investigação internacional ainda em curso.

“A investigação ainda não está concluída, mas já podemos afirmar, sem qualquer dúvida, que seria muito importante incluir nos currículos dos alunos este programa de prevenção, pelo menos através de projectos-piloto”, defendeu nesta sexta-feira Ana Paula Matos, investigadora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e orientadora do projecto lançado em 2008, em que participam especialistas de instituições como a University of Emory (EUA), o Max Planck Institute (Alemanha) e a University of Iceland (Islândia).

Para o desenvolvimento da investigação, os técnicos acompanham desde 2011 cerca 3300 adolescentes com uma idade média de 14 anos de idade e a frequentarem os 8.º e 9.º anos de escolaridade. Um dos objectivos foi precisamente testar a eficácia do Programa de Prevenção da Depressão para Adolescentes (PPDA), já aplicado na Islândia. E, apesar de ainda não terem sido tratadas as entrevistas clínicas essenciais à consolidação de resultados, os primeiros dados apontam, já, para um aumento significativo do nível de resiliência dos jovens integraram a experiência.

No âmbito do projecto foram seleccionados 290 adolescentes considerados em risco de depressão, de acordo com os resultados de um questionário validado internacionalmente, o Children´s Depression Inventory, que avalia a sintomatologia depressiva. Aquele grupo foi dividido noutros dois: um de controlo, com 163 jovens, e outro sujeito à intervenção, formado por 137.

Durante 11 semanas, estes adolescentes, em pequenos grupos (de dez ou menos elementos), participaram em 14 sessões de 60 a 90 minutos, cada uma com objectivos definidos e orientada por psicólogos. “O objectivo, de uma forma geral, é dar aos jovens recursos para que possam lidar com os problemas e emoções próprios da idade antes de os episódios depressivos ocorrerem”, explicou Ana Paula Matos em declarações ao PÚBLICO.

Nas sessões, os próprios jovens são convidados a indicar problemas com os quais se tenham confrontado. As actividades podem passar por exercícios simples de análise do problema, colocação de hipóteses de solução, avaliação das vantagens e desvantagens de cada uma e opção pela melhor. O facto de isto ser feito em conjunto é considerado decisivo – “Os adolescentes aprendem imenso uns com os outros”, comenta Ana Paula Matos.

A inovação, em relação ao projecto da Islândia, constou da criação de um terceiro grupo de 36 adolescentes (que faziam parte dos 137 sujeitos à intervenção). Neste caso, também os pais e encarregados de educação foram chamados a participar na experiência. Para estes, a equipa da UC concebeu um programa específico, uma espécie de “curso de formação parental”, com vista ao treino de competências consideradas importantes na protecção do adolescente.

O programa destinado aos adultos integra conteúdos semelhantes ao dos jovens (como a compreensão da relação entre pensamentos, emoções e comportamentos; o treino de aptidões de comunicação ou a prática de resolução de problemas e de conflitos). Mas também conteúdos inovadores, no que respeita à investigação, sublinha Ana Paula Matos. De entre estes, destaca o treino de competências de validação emocional e da compaixão na relação consigo próprios e com os filhos.

“São muito valorizadas as competências dos pais para reconhecer, compreender e aceitar as emoções, próprias e dos outros, e também para serem compassivos, abertos ao sofrimento dos filhos, capazes de os escutar e de serem pacientes e cooperantes na procura de soluções”, indica a investigadora.

Os resultados mais promissores verificaram-se precisamente neste grupo. Os especialistas concluíram que, imediatamente após a intervenção, tanto os pais como os jovens apresentam valores médios mais baixos de sintomatologia depressiva, em relação ao ponto inicial – um ganho que se mantinha após seis meses de seguimento. E foi também naquele grupo que a percentagem de adolescentes resilientes (e que deixaram de fazer parte do grupo de risco) aumentou de forma mais significativa, atingindo os 83%. No caso dos alunos cujos pais não participam no projecto a percentagem de jovens resilientes era, após a intervenção, de 69%; e no grupo de controlo de 61%.

Estes e outros resultados da investigação serão analisados no congresso internacional que na próxima semana decorre em Coimbra. Apesar de este ser dirigido a especialistas, Ana Paula Matos diz esperar que as conclusões tenham impacto na comunidade e, em concreto, ao nível do Ministério da Educação e das autarquias locais para as quais foram recentemente transferidas competências neste domínio.

A investigadora faz notar  que a depressão “não só é uma das doenças mais prevalentes nas crianças e adolescentes” como tem “efeitos devastadores, comprometendo o funcionamento emocional, académico e relacional” dos jovens. “Estudos internacionais indicam que cerca de metade dos primeiros episódios de depressão acontecem entre os 15 e os 21 anos e que esta precocidade está associada à sua evolução crónica – seria muito importante que as escolas fossem dotadas de recursos humanos para desenvolver projectos de prevenção e que estes fossem incluídos nos currículos”, defende a investigadora.

Os jovens com sintomatologia depressiva detectada durante a investigação (8% dos 3300) foram encaminhados para os serviços de saúde.

 

 

Faltar às aulas – Estatística da OCDE

Abril 13, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Skipping school? Who does it, why, & what is the impact? Compare your country http://bit.ly/1GcmgMz

 

 

Participação de Dulce Rocha no programa “A Tarde é Sua” TVI hoje a partir das 15.30

Abril 13, 2015 às 12:10 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Participação da Drª Dulce Rocha, Vice-Presidente do Instituto de Apoio à Criança, no programa “A Tarde é Sua” TVI hoje a partir das 15.30.

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“Já não chega o estalo ou o pontapé”

Abril 13, 2015 às 11:45 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem do Público de 13 de abril de 2015.

Rui Gaudêncio

Ana Dias Cordeiro

“Este ano tem sido especialmente dramático” nos bairros onde vivem as crianças e jovens do Agrupamento de Escolas de Carnaxide-Portela. Os confrontos da rua são transportados para dentro da escola. Agora, além das navalhas, com que alguns ameaçam os colegas, muitos passaram a atirar pedras. Em Março, um aluno golpeou um colega mais novo com uma navalha.

No recreio do almoço, um grupo de rapazes, ao fundo do pátio, atira pedras da calçada. Três meninas de 11 e 12 anos relatam o que acabam de ver. Não é uma queixa. É um pedido de ajuda. A situação inquieta-as. E preferem não ser elas a falar com os rapazes: seriam agredidas, dizem. Convencem a mediadora de conflitos da escola a acompanhá-las. Caminham junto a ela, de mão dada, até ao destino.

Nesta escola da freguesia de Carnaxide, concelho de Oeiras – a Escola Sophia de Mello Breyner (2.º e 3.º ciclos) que, com a Escola Amélia Vieira Luís (1.º ciclo) tem 500 alunos do 1.º ano ao 9.º ano – a “agressividade à flor da pele” com que muitos alunos chegam às aulas tem-se reflectido em actos mais violentos.

Agora, além das navalhas, com que alguns ameaçam os colegas, muitos passaram a atirar pedras e tem havido crianças feridas. “Já não chega o estalo ou o pontapé”, diz a psicopedagoga Fernanda Pinto Correia. “O conflito já é mais físico e mais grave.” E isso acontece com alunos cada vez mais novos, completa a directora Teresa Silva. “Esta escola tem uma situação complicada porque mais de 90% dos alunos são residentes nos bairros à volta – Outurela, Portela, São Marçal. São alunos com vivências muito pouco adequadas para a sua idade, e muitas vezes trazem as brigas da rua, das famílias para a escola.”

“Este ano tem sido especialmente dramático” nestes dois estabelecimentos do Agrupamento de Escolas de Carnaxide-Portela, diz a responsável. Um miúdo de oito anos foi apanhado com uma navalha que dizia ter trazido de casa. Um rapaz de 15 anos foi julgado por furto e violência. Muitos pais ou irmãos de alunos foram presos (seguindo a tendência dos últimos três anos). E há miúdos envolvidos, por familiares, no crime organizado, diz uma professora. Mas não só.

Um dia uma menina de 14 anos fugiu de casa, porque a mãe perdeu a cabeça, e refugiou-se na escola a pedir apoio. O caso resolveu-se, mas este ano, seis crianças (entre os sete e os 12 anos) foram retiradas das suas famílias, por negligência grave ou maus-tratos. Nunca acontecera nos últimos 11 anos desde que Teresa Silva integrou a direcção deste agrupamento. E, embora as ameaças com armas brancas sejam frequentes, muitos anos se passaram sem uma agressão de facto – até ao início de Março.

Nesse dia, no recreio, um grupo de rapazes brinca. Pregam-se rasteiras. Aquele que cai tenta agredir o colega. Há uma troca de pontapés e empurrões, e um deles puxa de uma navalha. O mais novo, de 13 anos, é golpeado, fica ferido e a necessitar de assistência no hospital. O agressor fica suspenso preventivamente. Em menos de um mês é transferido, por decisão da Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares.

Mesmo assim, explica a directora Teresa Silva, “foi preciso um trabalho muito grande de acompanhamento do jovem agredido, para que que continuasse a ir à escola”. Não porque sentisse medo. “Aqui vive-se muito a influência do bairro. Se mostra que tem medo, é inferiorizado”. Mas porque a mãe estava “em pânico”: aquele episódio tinha surgido “sem que houvesse uma razão para aquela agressão tão grave”, diz a directora da escola.

Teresa Silva descreve um cenário de “grande carência” das famílias dos alunos – muitas delas monoparentais – agravado pelos cortes no Rendimento Social de Inserção (RSI) e outros apoios de que depende a maioria dos residentes nos bairros Portela, Outurela ou São Marçal; e muitas situações de desamparo ou violência. Crianças de seis anos, desprotegidas, a caminharem para a escola sozinhas; miúdos de oito, nove e dez anos, na rua à meia-noite; crianças e jovens sobressaltados por rusgas policiais nas suas casas ou na dos vizinhos, e surpreendidos por tiros em ajustes de contas de negócios mal resolvidos. Quando algum episódio desse tipo sucede na véspera, “vê-se logo”. Os alunos chegam agitados. E isso sente-se no recreio ou dentro da sala de aula.

Pedidos de ajuda de alunos inquietos com a violência latente na própria escola surgem quase todos os dias, afirma Fernanda Pinto Correia. A sua função é mediar os conflitos, quase sempre no recreio. É assim nalgumas das mais de 130 escolas do Programa Territórios Educativos de Intervenção Prioritária (TEIP) – como esta – a quem é dada especial atenção mas que também têm sido abrangidas pela redução da presença de assistentes operacionais.

Na Escola Sophia de Mello Breyner, havia 26 assistentes operacionais (contínuos ou vigilantes) em 2004; são hoje 13 funcionários fixos que conhecem a escola e os alunos. Os que se aposentaram não foram substituídos (a não ser de forma pontual) por pessoas com contratos temporários ou de inserção. A presença dos elementos do Gabinete de Segurança Escolar que antes davam apoio nestas questões também passou a ser quase inexistente, diz Teresa Silva. A tendência é a mesma na generalidade das escolas.

Prioridades desviadas com a crise

“Os problemas da indisciplina e da violência têm vindo a aumentar porque as escolas têm cada vez menos recursos e estão sem meios para dar respostas imediatas”, diz Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares e director do agrupamento de escolas de Cinfães, que aponta este como um dos principais problemas. O outro: “A situação económica e social das famílias leva a que as prioridades sejam desviadas da educação dos filhos.”

Estes foram dois dos aspectos salientados por Adelino Calado, presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas e director do agrupamento de escolas de Carcavelos, na apresentação que fez ao grupo de trabalho sobre Indisciplina em Meio Escolar da Comissão de Educação, Ciência e Cultura da Assembleia da República, criado para identificar causas e traçar estratégias numa perspectiva de prevenção, segundo o gabinete desta comissão parlamentar. As audições prosseguem até Maio, e nestas segunda e terça-feira, deputados desta comissão visitam escolas do distrito do Porto e de Lisboa.

Na audição de Fevereiro, Adelino Calado começou por afirmar que “o que se passa na escola corresponde ao que se vive na sociedade” e apresentou situações concretas: “alunos deixados na escola às 7h, onde permanecem até às 20h; alunos que chegam sem pequeno-almoço; pedidos regulares dos pais no sentido de a escola resolver os problemas dos respectivos educandos, por se sentirem impotentes; necessidade de a escola assegurar acompanhamento médico e psicológico aos alunos, face à indisponibilidade dos pais”, lê-se no relatório da audição disponível no site da comissão parlamentar.

“Na generalidade das escolas”, a proporção de assistentes operacionais por aluno “não está a ser cumprida”, disse, apresentando o caso do seu agrupamento, onde “existem nove assistentes operacionais quando deveriam existir 34”.

Com menos funcionários, mas objectivos claros, as escolas do Agrupamento de Carnaxide-Portela tentam chegar aos alunos, talvez mesmo conquistá-los. “Quando nos conhecem, eles procuram-nos e deixam de ter vergonha de contar o que se passa”, conta Fernanda Pinto Correia que só este ano, o terceiro como mediadora nesta escola, sentiu que o seu trabalho começa a dar frutos.

Entre outras iniciativas, está a formar alunos para serem eles próprios mediadores de conflitos e promove uma assembleia todos os meses em que os alunos dão voz aos que os preocupa. Também marcou no calendário um “dia da paz” na escola em que, através da elaboração de um cartaz e outras iniciativas, todos são convidados a participar. “O início de alguma coisa” pode estar a acontecer, diz. Um sinal disso é ver alunos que antes atiravam cadeiras e mesas nas salas de aula, agora levantarem-se e, em silêncio, saírem da sala. Um dia, um miúdo disse-lhe. “Saí para não bater no colega.”

Quando são suspensos, num processo disciplinar, ficam aflitos. Não pelo castigo, mas porque é na escola que comem o pequeno-almoço, o almoço e o lanche. Cerca de 130 alunos estão nessa situação. “A maioria passa fome”, diz Teresa Silva. “Mas quando alguém lhes dá uma maçã ou um pão, partilham entre eles”, acrescenta Fernanda Correia. “Apesar da falta de estrutura familiar, eles são bons miúdos. Conseguem perceber que não têm muito, mas que há quem tenha ainda menos. Têm sensibilidade e ao mesmo tempo uma imensa falta de perspectiva de vida. A escola diz-lhes muito pouco como garantia de futuro.”

 

 

 

 

Queixas por violência no namoro em meio escolar aumentam em 50% num só ano

Abril 13, 2015 às 11:30 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 13 de abril de 2015.

Paulo Pimenta

 

Ana Dias Cordeiro

PSP recebeu mais de quatro participações por dia no ano passado. Eram menos de três em 2013. A subida superou o crescimento do total de ocorrências por violência junto da escola e no seu interior.

Calúnia, difamação através das redes sociais. Injúrias, agressões. Humilhações, em privado ou frente a amigos. Perseguição, controlo de telefonemas e mensagens. Situações deste tipo passaram a ser frequentes nas participações em meio escolar feitas à PSP – ou seja, no interior da escola ou no espaço em redor. Isso não significa porém que esta seja uma realidade nova, mais grave ou mais frequente, diz o subintendente Hugo Guinote, chefe da Divisão de Prevenção Pública e Proximidade da Polícia de Segurança Pública (PSP).

O que está a acontecer é um reconhecimento e uma maior consciência de que certos comportamentos que antes ocultados ou aceites socialmente são censuráveis.

Até 2012, não existia monitorização da violência no namoro. Em 2013, quando passou a haver, a PSP tratou 1050 ocorrências. No ano seguinte, nos estabelecimentos de ensino, públicos e privados, abrangidos pela PSP, houve 1549 queixas por violência no namoro. O aumento foi de 50%.

Ou seja: a PSP passou a receber mais de quatro queixas por dia no ano lectivo que terminou em 2014, quando no ano anterior recebia menos de três por dia. Esta tendência, diz o subintendente Hugo Guinote, é “claramente” fruto da exposição do fenómeno, e da sua maior censura entre pares, também graças a campanhas sobre a violência doméstica feitas junto da sociedade e da escola, orientadas para um público juvenil.

Ao passarem de 1050 para 1549 (mais 499) num só ano, os casos participados à PSP de violência no namoro aumentaram mais do que aumentou o total de participações por violência em ambiente escolar que subiram de 4932 para 5361 (mais 429) – e que foram recebidas no âmbito do programa Escola Segura. Criado em 1992, este programa conjunto da PSP e Guarda Nacional Republicana (GNR) resulta de uma iniciativa dos ministérios da Administração Interna (MAI) e da Educação (MEC).

Assim, e com base nestes dados relativos à acção da PSP nas escolas da sua competência (3286), se se excluir os casos de violência psicológica, física ou social no namoro, as participações por violência escolar reduziram-se em número entre 2013 e 2014, aponta o subintendente Hugo Guinote.

Nas escolas, porém, o sentimento é de que a indisciplina ou violência “é neste momento um dos problemas mais graves aos quais a escola tem de dar resposta”, descreve Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares e director do agrupamento de escolas de Cinfães.

Raparigas e rapazes

Tanto raparigas como rapazes são vítimas da violência no namoro, diz o subintendente Hugo Guinote. Mas em cerca de 80% dos casos são as raparigas que apresentam queixa. Começam por contar o que se passa aos professores ou pedem para falar aos agentes da Escola Segura da PSP.

Depois da participação, a vítima é ouvida, e no caso de se tratar de violência física, um exame pericial é realizado. O processo segue para o Ministério Público, mas raramente o jovem é preso (se tiver mais de 16 anos) ou alvo de uma medida educativa (se tiver menos de 16 anos). Violência no namoro não é crime. “O que existe é o crime de violência doméstica praticado por jovens”, explica. Pode haver condenações nestes casos, diz Hugo Guinote, mas a maioria dos jovens fica com pena suspensa ou cumpre pena de serviço comunitário.

Quando confrontados, os jovens, sobretudo rapazes, “relativizam os actos”. “Em geral, admitem o que fazem mas não percebem a especial sensibilidade do acto”, diz Hugo Guinote. “Não atribuem àqueles actos a gravidade que a sociedade atribui.”

O importante, sustenta o subintendente, é que com este maior número das participações por comportamentos violentos na intimidade, podem estar reunidas as condições para que os jovens comecem a mudar a atitude. “Hoje em dia há uma consciencialização diferente. Não podemos dizer que há mais violência no namoro. Mas há mais participações que pensamos serem fruto dessa maior consciencialização do fenómeno. O nosso objectivo é que não se verifique mais tarde e se reflicta em violência conjugal.”

As agressões, as injúrias e calúnias entre namorados ou ex-namorados eram, até há pouco tempo, vistas com banalidade, nas escolas. Hoje são cada vez mais alvo de reprovação. PSP e GNR têm promovido sessões de esclarecimento e sensibilização sobre o tema.

Alguns alunos passam a ver de outro modo certos gestos, ou mesmo comportamentos a que assistem em casa, diz a directora do Agrupamento de Escolas de Carnaxide-Portela. Teresa Silva recorda o caso de um rapaz que, numa dessas sessões, ficou estupefacto perante a descoberta de que um estalo entre marido e mulher é um acto de violência doméstica.

 

5ª Noite de Encantar na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro – para crianças dos 6 e os 10 anos, acompanhadas de um adulto

Abril 13, 2015 às 10:59 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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noite

Entrada gratuita, mediante inscrição prévia. Tel: 21 754 90 36 | bib.oribeiro@cm-lisboa.pt

http://leremtodolado.pt/

Cuidado com o que postas na internet – Vídeo

Abril 13, 2015 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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