O que devem os pais contar na Net quando um filho tem cancro?

Abril 9, 2015 às 9:57 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem do Público de 7 de abril de 2015.

Miguel Manso

Andreia Sanches

Pedidos de ajuda. Ou apenas diários a contar a luta dos filhos com cancro. Fotografias. Vídeos. Pormenores clínicos. A associação Acreditar está a promover uma reflexão sobre o papel da Internet. Será que quando crescerem as crianças vão gostar de ver o que sobre elas foi revelado?

Primeiro foram as dores, depois um diagnóstico de cancro na cabeça, ainda ele não tinha quatro anos. Seguiu-se um período de tratamentos. As fotografias dele dessa altura mostram um menino pálido, magro, com olheiras, sem cabelo. Algumas mostram também as feridas provocadas pela radioterapia. Estão todas guardadas, essas fotografias, numa caixa. Outras, em formato digital, estão numa pastinha no computador da mãe. Ele é hoje um rapaz de 11 anos, que há muito superou a doença, que tem boas notas, muitos amigos. É um “rapaz giro” e tem, desde logo, uma imagem a preservar. Aquele menino das fotos, com cancro, já não é ele. Aquelas fotos não são para estar nos álbuns. Não gosta de vê-las.

Quando o filho adoeceu, Cláudia Marcos, professora no ensino superior, tirava fotografias dele, como todas as mães tiram fotografias aos filhos. Não o via assim, como o vê agora quando olha para aquelas imagens da caixa. “Agora olho e fico aterrorizada, mas na altura acho que não tinha noção.” Era o filho dela, não lhe parecia tão amarelo, nem tão olheirento.

Não se falava a toda a hora de redes sociais na Internet, como hoje. E Cláudia não tinha uma página de Facebook, como tem actualmente — é aliás bastante activa no Facebook. Assim, a questão de partilhar fotografias do filho, quando tudo o que estava a acontecer estava a acontecer, nunca se colocou. Seja como for, acha que não teria posto online aquelas fotos dele doente. Pelo menos é a convicção que tem hoje. Uma coisa é certa para ela: o seu “rapaz giro” detestaria que elas tivessem sido partilhadas.

Mas será que os pais pensam sempre no que os filhos acharão um dia, quando crescerem, sobre a história que sobre eles foi contada? Esta é uma das questões centrais no debate que a Acreditar — Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro está a promover sobre “as crianças com cancro e a Internet”.

“Teremos de viver para sempre com aquilo que colocamos na Internet. Apesar de existirem definições de privacidade, o controlo sobre a informação é impossível: assim que publicamos, perdemos irremediavelmente mão sobre esse conteúdo. Esta constatação incontornável obriga-nos a pensar se, como pais/educadores, teremos o direito de escrever publicamente a tinta inapagável a história dos nossos filhos, a sua vida e as suas circunstâncias, os seus momentos de maior vulnerabilidade”, lê-se nas conclusões do primeiro encontro sobre o tema, que reuniu no mês passado pais, profissionais de saúde e educação e investigadores, no Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa. O debate foi organizado pela Acreditar.

A certa altura, uma participante pediu a palavra: “Eu sou a Madalena, tive um cancro quando tinha 10 anos. Há 30 que estou bem. Odiaria que alguma imagem minha, dessa altura, estivesse disponível na Internet.”

Um médico do IPO questionou: “Vivemos numa sociedade super-competitiva. Daqui a 20 anos que utilidade haverá, em termos de acesso ao trabalho, por exemplo, em saber-se que esta ou aquela criança teve cancro?”

Mas o tema é delicado. Em todo o mundo há cada vez mais blogues e páginas no Facebook onde os pais relatam, por vezes quase diariamente, o percurso dos filhos — estejam eles saudáveis ou doentes (por vezes muito doentes). Colocam fotos — nuns dias, os meninos chorosos, sem cabelo, a fazer tratamentos, deitados em camas de hospital; noutros dias sorridentes, no campo, a colher flores; ou na cozinha, de pijama, ao pequeno-almoço…

Apelos e esperança

Nuns casos, as famílias alimentam essas páginas e blogues porque precisam de donativos para custear um tratamento alternativo, caro, por vezes longe de casa, no qual depositam esperança — e é sabido como as redes sociais são uma boa forma de apelar à generosidade das pessoas. E como estas reagem a imagens comoventes. São as “páginas-apelo”.

Noutros casos, há tão só um desejo de partilhar com o mundo a luta da família. “Quando estão a partilhar o dia-a-dia dos seus filhos em processo de doença, recebem centenas, milhares de gostos, de comentários, de partilhas. As pessoas sentem-se apoiadas, acarinhadas, acompanhadas. Pode ser um colo falso, mas é um colo”, diz Cláudia Marcos, que também trabalha como voluntária na Acreditar.

Por vezes, partilhar a história na Internet é também uma forma de procurar outros pais que tendo passado pelo mesmo podem ter sugestões preciosas, uma cura, até — quem sabe? Às vezes, este desejo transforma-se num factor acrescido de stress. Uma das mães presentes no debate no IPO relatou como, a certa altura, era bombardeada com mensagens de pessoas a propor tratamentos alternativos para o seu filho doente, em diferentes pontos do planeta. “Sentia-me pressionada. Depois, expliquei que não tinha meios económicos para aquilo, para ir para o estrangeiro.” Esse stress de ser “bombardeado” com informação (e desinformação, como fez questão de notar a chefe do Serviço de Pediatria do IPO, Filomena Pereira) é o reverso da medalha de quem procura conforto nas redes sociais.

De resto, vários pais sublinharam a necessidade de instituições como o IPO ou a Direcção-Geral de Saúde criarem um espaço na Internet “onde se assinale quais os canais de informação que são seguros e quais os que não são comprovados”, porque é na Internet que a maioria das pessoas procura aceder a informações sobre a doença oncológica e os seus tratamentos. Mas essa é outra questão.

O debate que a Acreditar quer promover é, essencialmente, sobre a criança e os seus direitos. Os direitos de todas as crianças e, em especial, das que têm cancro, porque são essas o centro das atenções do trabalho da associação. Não há respostas fechadas. “As crianças com cancro estão a ser cada vez mais expostas na televisão, nas redes sociais. E o que por vezes nos chama a atenção não é tanto o que é exposto, não é o ‘Ó, foram longe demais nas fotografias que mostraram!’ Não é isso. É: ‘Será que tiveram noção de que expuseram? Que houve uma reflexão? Ou fizeram só porque outros fazem, porque é moderno? Será que isto foi conversado com os filhos, que os filhos aceitaram, que foi uma decisão conjunta?”, diz Patrícia Pinto, coordenadora do projecto Arco Iris (um programa de cuidados paliativos pediátricos em contexto domiciliário) na Acreditar. Encontramo-nos com ela numa manhã de sol na casa da associação, junto ao IPO de Lisboa, que tem capacidade para receber 12 famílias de fora de Lisboa, cujas crianças estejam em tratamentos na capital.

“O que se trata aqui é uma vontade de nós, associação, com os pais, pensarmos juntos” na relação que temos com a Internet, diz Patrícia Pinto. “Porque, por vezes, pode não ser tão inócuo assim. Não é dizer que tudo é mau, porque não é.”

A “princesa Nonô”

Vanessa Afonso, mãe de Leonor, uma criança que passou a ser uma das caras mais emblemáticas na luta contra o cancro, sabe bem a força das redes sociais — e, no seu caso, o balanço que faz é muito positivo. A página no Facebook chamada “Os aprendizes da Nonô” foi criada em Junho de 2013, depois de ser diagnosticado a Leonor, de 4 anos, um Tumor de Willms bi-lateral.

“Começou por ser uma forma de partilhar com as pessoas amigas o que se estava a passar”, conta Vanessa Afonso, a mãe da menina que ficou conhecida como “a princesa cor-de-rosa” e que morreu em Setembro de 2014. “Eu era bombardeada com chamadas e mensagens, das pessoas mais próximas, que amavam a Leonor e queriam saber como estavam a correr as coisas com ela… para não ter de responder de volta a todas, criei uma página onde punha a família e os amigos a par do que ia acontecendo. Eram umas 50 pessoas, não tinha de repetir 50 vezes.”

Quando percebeu que para avançar com o tratamento que desejava para a filha, na Alemanha, precisaria de, pelo menos, 50 mil euros, a página foi partilhada por mais pessoas, continua. Os familiares partilharam com amigos. Os amigos, com outros amigos. Para quem quisesse ajudar, estava lá um NIB. Esses, e quem estivesse apenas interessado em seguir a luta da “princesa Leonor” contra o cancro, tinham à sua disposição inúmeros posts.

Vanessa Afonso ia mostrando e contando, em fotos e vídeos, a história da doença da filha — os tratamentos no IPO, a perda de cabelo, Leonor a cantar na sala lá de casa, Leonor a dançar, Leonor a agradecer “aos amiguinhos do Facebook”, Leonor a correr e a brincar na praia, feliz.

A página passou de 50 para quase 190 mil seguidores, diz Vanessa Afonso, que acabou por criar uma associação de apoio a famílias de outras crianças com cancro.

“Não apelava às pessoas que tivessem pena da minha filha, mas precisava de ajuda, por isso criei uma espécie de história de encantar: Leonor, a princesa, a magia cor-de-rosa… e isso contagiou as pessoas. A moral da história era esta: é possível ser feliz na tormenta, era o que queríamos dizer”, conta Vanessa Afonso. “E a Leonor adorava, era muito comunicativa, falava com os amiguinhos do Facebook.”

Nesse espírito, diz que não partilhava fotografias ou vídeos em que a filha parecesse mais vulnerável. Só uma vez publicou uma imagem que o resto da família criticou: Leonor depois de uma cirurgia, no hospital, ligada a vários fios. “Mas estava com um sorriso e o objectivo era mostrar a outros pais que estivessem a passar pelo mesmo: ‘Já passou, correu bem e ela está com um sorriso…’ De resto, para mim, expor a debilidade das crianças é errado.”

Mas o que é expor demasiado? E no caso das páginas-apelo, se o que está em causa é pedir ajuda para um tratamento, por exemplo, quais são os limites?

Patrícia Pinto diz que não é capaz de dar respostas definitivas. “O que é que nós não faríamos para salvar as vidas dos nossos filhos? Às vezes atravessamos fronteiras que, de fora, acharíamos que não iríamos nunca atravessar”, admite. “Mas mesmo tornando, por necessidade, pública — e vastamente pública — a situação de doença das crianças, também há maneiras de o fazer e é esse equilíbrio que nós, como associação, gostaríamos de, em conjunto com as famílias, encontrar, sensibilizando para isto.”

Gosto, não gosto

Lídia Marôpo é professora do Instituto Politécnico de Setúbal e investigadora do Cesnova — Universidade Nova de Lisboa. Foi uma das convidadas da Acreditar para o debate no IPO. Explicou que hoje as crianças e os adolescentes estão nas redes sociais, têm as suas páginas no Facebook, a Internet faz parte natural e incontornável do seu mundo e da construção da sua identidade. A grande preocupação delas e deles é, mais do que as questões segurança, esta questão: “Como é que eu sou visto pelos meus amigos e pelos meus colegas?”

As crianças com cancro não são diferentes. “Dizem que não querem representações de crianças como vítimas, que não querem exibição de detalhes dolorosos sobre o seu tratamento. Querem oportunidades para serem um bom exemplo de coragem, não se importam de aparecer depois de ultrapassado o pior. Valorizam o outro lado da vida dos jovens com cancro — os sonhos, actividades e planos para o futuro. Querem ser representados na sua espontaneidade e alegria, realçando sobretudo a força que têm dentro. Querem que seja imprescindível o seu consentimento”, contou a professora com base nas conclusões de uma investigação que co-orientou na Universidade Federal do Ceará (A percepção de adolescentes com câncer sobre suas representações na cobertura jornalística, trabalho de conclusão da graduação em Comunicação Social de Raiana Soraia de Carvalho).

Patrícia Pinto vê estas ideias verbalizadas por muitas das crianças com as quais lida. De resto, a associação nunca usou imagens de crianças para se promover. “Foi uma visão da fundadora [Ana Corrêa Nunes] que desde o início lhe pareceu claríssimo que não era para expor.”

Era uma vez um rapaz

Recentemente, numa das consultas de controlo no IPO, o filho de Cláudia Matos foi abordado pela médica dele. Gostaria de dar uma entrevista? “Ele ficou muito contente”, conta. “Porque tem um bocadinho de vaidade, é um rapaz giro. Mas também por poder falar do que se tinha passado com ele. Aliás, acho que mais do que falar do que tinha passado, por poder dizer como é que está agora. Acho que isso foi a parte de que ele mais gostou. De dizer que está bem, que tem muitos amigos, que tem uma vida normal.”

O filho deu então a entrevista, com um discurso “crescido”, que não o confrangerá daqui a uns anos, sublinha Cláudia. Foi para se certificar de que assim era que quis acompanhar a conversa dele com a jornalista. “Se ele ainda estivesse doente, eu não teria concordado.”

Concorda com aquela parte do debate a que assistiu no IPO, em que Lídia Marôpo falava da importância de explicar desde cedo às crianças (que por vezes se sentem pressionadas a partilhar detalhes privados nas suas páginas porque é isso que mantém o interesse que os amigos têm nelas) que um dia terão de lidar com o que tornaram público.

Mas há outras histórias de exposição pública com um desfecho diferente. Patrícia Pinto conta uma: um adolescente chegou ao fim dos tratamentos no IPO; iria regressar à sua terra finalmente, uma terra pequena onde todos se conhecem; na véspera de regressar, um jornal local publicou a história da doença dele. Alguém passara a informação sobre aquele caso de luta contra o cancro, seguramente com boas intenções. Mas o rapaz ficou devastado. Durante algum tempo recusou voltar para casa.

O seu “direito de querer esquecer” e “de ser esquecido”, de que tanto se falou no encontro no IPO (“de não ficarem para sempre publicamente registados aspectos do seu passado”) não foi respeitado. Não prevaleceu “a ideia do superior interesse da criança” nem o direito que a criança tem de “dar consentimento informado” da divulgação da sua história. Não houve “bom senso”. Tudo o que, afinal, segundo os vários intervenientes no debate do IPO, deve existir quando se fala de crianças e Internet. “Os filhos dizem-nos que a sua história é deles, não dos pais.”

 

 

4º Curso Crianças e jovens em risco

Abril 9, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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ispa

Objectivos 

Adquirir conhecimentos e desenvolver competências para intervir em situações de risco e perigo, no âmbito do Sistema de Promoção e Protecção de Crianças e Jovens

 Competências 

Conhecer o Sistema de Promoção e Protecção de Crianças e Jovens

Intervir em situações de risco e perigo

Programa 

ABORDAGEM CENTRADA NA FAMÍLIA (6h) – Princípios centrados na família. Avaliação e intervenção centrados na família. Plano individual de intervenção.

MAUS TRATOS, RISCO E PERIGO (6h) – Maus tratos e negligência: diagnóstico e intervenção. Factores de risco e protecção. Consequências do abuso para a criança.

MEDIDAS DE PROMOÇÃO E PROTEÇÃO (6h) – Sistema de Promoção e Proteção de crianças e jovens em vigor.

INTERVENÇÃO DA COMUNIDADE (6h) – A intervenção das entidades com competência em matéria de infância e juventude.

ACOLHIMENTO FAMILIAR (6h) – Princípios, orientações actuais e boas práticas no acolhimento familiar.

ACOLHIMENTO RESIDENCIAL (6h) – Princípios, orientações actuais e boas práticas no acolhimento residencial.

Metodologias 

Exposições teórico-práticas. Exercícios práticos. Discussão de casos

Calendarização

Sábado, Abril 18, 2015 a Sábado, Junho 6, 2015

mais informações no link:

http://fa.ispa.pt/formacao/criancas-e-jovens-em-risco

ISQ – Curso FINANCIADO para Jovens a INICIAR no mês de ABRIL – Aprendizagem: Técnico de Instalações Eléctricas

Abril 9, 2015 às 5:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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curso

INFORMAÇÕES GERAIS

 É um curso de nível IV e equivalência ao 12º ano de escolaridade para jovens entre os 16 e os 24 anos.

Destinatários: jovens com o 9º ano e sem o ensino secundário completo e que tenham até 24 anos.

 Duração: cerca de 2 anos e meio

 Horário: das 9.00 às 15.30 2ª a 6ª feira

 Apoios Sociais:

* Bolsa de profissionalização (41.92€/mês)

* Subsídio de refeição e transporte (4.27/dia – equivalente ao valor do transporte público)

 

mais informações:

http://www.isq.pt/formacao/catalogo/pre_inscricao.asp?id_curso=5311

 

Participação de Dulce Rocha no programa da RTP Informação “Sexta às 11” 10 de abril

Abril 9, 2015 às 12:33 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Participação da Drª Dulce Rocha, Vice-Presidente do Instituto de Apoio à Criança, no programaSexta às 11” da RTP Informação no dia 10 de abril a partir das 22.30 h.

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Seminário “Sobredotação: abrindo caminhos”

Abril 9, 2015 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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seminario

mais informações:

http://institutododesenvolvimento.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=274

Conta-me Estórias pela bYfurcação Teatro no Museu Nacional da História Natural e da Ciência

Abril 9, 2015 às 10:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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conta

CONTA-ME ESTÓRIAS | A bYfurcação tem o prazer de apresentar mais uma fantástica produção: Conta-me Estórias, no MUHNAC.

“Qual é a tua estória preferida? A Cinderela? O Capuchinho Vermelho? A Bela Adormecida?
Agora imagina estas ou outras estórias interligadas. O Capuchinho encontra-se com a Cinderela para falar do quão mau foi o lobo para os três porquinhos.
Um espectáculo com três actores onde
é o público, miúdos e graúdos, quem escolhe o que irá ver. Através de sugestões e propostas, os actores representarão e improvisarão o que lhes é pedido.
Para quê ir a um espectáculo ver uma peça se podemos ir a um espectáculo e ver 3 ou 4? Matam-se 3 porquinhos de uma sopradela só.”

MUHNAC | Museu Nacional da História Natural e da Ciência, no Príncipe Real
12 ABR a 28 JUN | Dom 11h30 e 16h
Reservas: reservas@byfurcacao.pt | 934565753

 

GPS e alertas de mensagens já controlam telefones de criança

Abril 9, 2015 às 10:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 4 de abril de 2015.

GPS e alertas de mensagens já controlam telefones de criança

 

 

 

 

 

O que a Finlândia vai mudar no ensino é em tudo contrário ao que Portugal fez

Abril 9, 2015 às 8:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 6 de abril de 2015.

ENRIC VIVES-RUBIO

Clara Viana

Estudantes vão participar na elaboração dos currículos e na escolha dos temas a abordar nos novos módulos multidisciplinares.

O país que é habitualmente apontado como exemplo no campo da educação, a Finlândia, prepara-se para mudar, a partir de 2016, o seu sistema de ensino de modo a adaptar a escola a um “mundo que está a mudar a grande velocidade”, indicou ao PÚBLICO a directora do Conselho Nacional de Educação finlandês, o organismo que está a elaborar o novo currículo nacional para a escolaridade obrigatória.

Não é a “revolução” anunciada, em Março, pelo jornal inglês The Independent, numa notícia que, apesar de prontamente desmentida pelo Governo finlandês, acabou por ser replicada por vários outros jornais e blogues. Ao contrário do que aí se escreveu, as disciplinas tradicionais não vão ser abolidas e substituídas por um ensino baseado em tópicos transversais, embora este também vá por diante. O que se propõe é, assim, um modelo de coabitação e não de exclusão numa reforma que vai também pôr os estudantes a participar na definição dos currículos e meios de avaliação.

Na prática, tudo que o “país maravilha” da educação se propõe fazer para mudar a escola é radicalmente diferente e de sinal contrário à reforma empreendida recentemente em Portugal pelo ministro Nuno Crato, comenta José Morgado, professor do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA).

Na Finlândia aponta-se para “uma ‘modernização’ do pensamento educativo” que, destaca Morgado, se traduz na intenção de desenvolver “formas de trabalho em sala de aula que transcendam a lógica do trabalho interior a cada disciplina, definindo um conjunto de tópicos que exigem saberes oriundos de diferentes disciplinas e que serão trabalhados de forma transversal”.

Já Portugal, pelo contrário, apostou numa maior compartimentação, com uma nova estrutura curricular assente “em programas demasiados extensos e excessivamente prescritivos e na definição de metas curriculares, que fazem correr o sério risco de que o ensino se transforme na gestão de uma espécie de check list”, resume este docente do Departamento de Psicologia da Educação do ISPA, que tem larga experiência na formação de professores.

José Morgado lembra, a propósito, que as metas aprovadas para Português e Matemática do 1.º ciclo “definem um total de 177 objectivos e 703 descritores de aprendizagem, sendo exigido aos professores que promovam o ensino formal de cada um deles e aos alunos que atinjam, por exemplo, uma velocidade de leitura de, no mínimo, 90 palavras por minuto”.

Também Assunção Flores, presidente da Associação Internacional de Estudo dos Professores e do Ensino, fala de dois modelos distintos. A visão “mais integrada e flexível de currículo” assumida pela Finlândia “afasta-se de uma perspectiva mais redutora que se centra nos conteúdos a aprender e nos objectivos a atingir no âmbito das disciplinas, prevalecendo, muitas vezes, uma lógica caracterizada pela rigidez e obesidade curriculares, associadas, entre outros aspectos, à extensão e cumprimento escrupuloso dos programas”, aponta a também investigadora da Universidade do Minho.

Alunos no centro das escolhas

Em respostas por escrito ao PÚBLICO, a directora do Centro Nacional de Educação finlandês, Irmeli Halinen, refere que o novo currículo nacional, com base num diploma de 2012 onde se estabeleceram as metas globais e os tempos lectivos para a escolaridade obrigatória, entre os sete e os 16 anos, “clarifica os objectivos de todas as disciplinas escolares, dá ênfase a práticas de cooperação em sala de aula e implementa conhecimentos e competências multidisciplinares, através do estudo de fenómenos e tópicos que será feito com a colaboração entre vários professores em sala de aula”.

Esta aprendizagem vai permitir, por exemplo, que a propósito do aquecimento global sejam mobilizados em simultâneo vários conhecimentos (matemática, física, história, etc.), mas com aplicações práticas. Com esse fim, prossegue Halinen, “todas as escolas terão de criar pelo menos um módulo por ano lectivo, com uma duração de uma a quatro semanas, centrado no estudo de tópicos que sejam de especial interesse para os estudantes”.

Competirá às “escolas definir quais os assuntos a abordar nestes módulos, a sua duração e como serão implementados”, mas com um pressuposto de base: “Os estudantes devem participar no planeamento destes módulos. Antes do início das aulas, em conjunto com os professores, estudarão quais as melhores formas de atingir as metas estabelecidas no currículo, quais os objectivos e tópicos dos módulos e como serão estes organizados”.

“Temos mesmo como objectivo que os estudantes tenham um papel mais activo nas escolas”, frisa. Por isso, já no início das aulas, professores e alunos “devem estabelecer em conjunto que caminhos seguir para o sucesso e como garantir que os estudantes saibam se fizeram ou não um bom trabalho”. Deste modo, comenta, “os alunos também aprenderão a avaliar o seu próprio trabalho”.

Os estudantes também “participam na elaboração dos currículos locais” ou seja, na oferta específica proposta pelas diferentes escolas, em conjunto com os municípios, de modo a dar respostas às diferentes características e necessidades locais.

“Alegria de aprender”

Para além desta oferta local, o novo currículo “mantém um conjunto de disciplinas que é igual para todos os estudantes da escolaridade obrigatória”. Entre as disciplinas obrigatórias contam-se as de língua materna, literatura, matemática, estudos ambientais, biologia, geografia, física e química, educação para a saúde, religião e ética, história, estudos sociais, música, artes visuais e economia doméstica.

José Morgado chama a atenção para alguns dos “objectivos chave identificados na reforma finlandesa”. Coisas como estas:  o “entendimento das escolas como comunidades de aprendizagem”, a importância da “alegria de aprender” ou a “promoção da autonomia do aluno na avaliação do seu próprio trajecto de aprendizagem, retomando a ideia conhecida de aprender a aprender”. “É minha convicção de que o ministro Nuno Crato considerará tais objectivos como um típico discurso ‘eduquês’ (seja lá isso o que for) e, como tal, identificados como uma fonte do mal”, contrapõe.

Defendendo que  “o currículo é muito mais do que o programa das disciplinas”, Assunção Flores sublinha que na reforma proposta na Finlândia assume-se  “a importância da avaliação formativa” e que “as competências para aprender devem ser desenvolvidas, de modo sistemático, uma vez que são consideradas fundamentais na vida escolar e profissional”.

Apesar de continuar a figurar entre os países com melhores resultados nos testes internacionais de avaliação dos alunos de 15 anos (PISA na sigla em inglês), promovidos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, a Finlândia teve o seu pior desempenho de sempre na última edição deste programa, em 2012.

Este facto não figura, contudo, entre as razões apontadas por Imre Halinen quando questionada sobre as razões que levam um país, que continua a ser apontado internacionalmente como modelo educativo, a optar por uma reforma tão substancial do seu sistema de ensino. “O mundo à volta da escola está a mudar a grande velocidade e isso cria novos desafios para a educação”, responde. Na prática, isto significa, acrescenta, que “temos que saber o que vale mais a pena aprender hoje na escola de modo a fomentar um modo de vida sustentável, como reagir ao modo como este mundo em mudança está a influenciar a vida das crianças e o trabalho das escolas, como melhorar a cultura escolar para aumentar a motivação e alegria de aprender dos nossos alunos e de que modo seremos capazes de manter o elevado nível de desempenho dos nossos alunos”.

 

 

 

 

6ª edição AniComics Lisboa na Bibilioteca Municipal Orlando Ribeiro 11 e 12 de abril

Abril 9, 2015 às 6:30 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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animeco

mais informações:

http://kingpinbooks.net/AniComics2015/index.HTML

 

Parque da Mónica é o primeiro parque português a ter dois equipamentos infantis para crianças com mobilidade reduzida

Abril 9, 2015 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Reportagem da TVAmadora de 24 de março de 2015.

amadora

Ver a reportagem no link:

http://www.tvamadora.com/Video.aspx?videoid=2996

Amadora: Uma Cidade Pioneira na Inclusão – terça-feira, 24 Março 2015

O Parque da Mónica é o primeiro parque português a ter dois equipamentos infantis para crianças com mobilidade reduzida. No passado domingo, a autarquia inaugurou estas instalações fruto de uma proposta do Orçamento Participativo. Além disso, nesse dia, foi também inaugurada a casa com vários livros das diversas aventuras da Mónica.


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