Percorrer as Artes – Oficinas Artísticas

Abril 8, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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oficinas

mais informações:

http://www.educarte.pt/

Sábados em Cheio em Abril na Biblioteca Municipal José Saramago – Loures

Abril 8, 2015 às 3:30 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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loures

A partir das 15 horas, a equipa residente da BMJS prepara pequenos espetáculos para os mais pequenos.

Já é um clássico em Loures e na Biblioteca Municipal José Saramago. Para Abril, os Sábados em Cheio já estão preparados para oferecer animações para toda a família.

Através de uma linguagem acessível e cenários a condizer, as ‘estórias’ transportam-nos para o mundo da fantasia, dos sonhos e da amizade, ao mesmo tempo que ajudam a partilhar experiências e a criar hábitos de leitura.

A entrada é livre, limitada aos lugares da sala, e, no caso das animações para bebés, sujeitas a marcação prévia.

Programa

http://www.cm-loures.pt/media/pdf/PDF20150406100113550.pdf

mais informações no link:

http://app.cm-loures.pt/winlib/

 

 

Inauguração da Exposição Itinerante “Crianças no Mundo com Direitos” na Biblioteca Municipal de Condeixa 8 de abril

Abril 8, 2015 às 1:00 pm | Publicado em CEDI, O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site da http://www.cm-condeixa.pt

No próximo dia 8 de abril, pelas 18 horas, irá realizar-se na Biblioteca Municipal de Condeixa a inauguração da Exposição “Crianças no Mundo com Direitos”, promovida pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco de Condeixa-a-Nova em colaboração com o Instituto de Apoio à Criança. A exposição está inserida no mês de prevenção dos maus tratos na infância e estará patente na Biblioteca Municipal de 2 a 17 de Abril. Contamos com a sua visita! Mais informações através do telefone 239 940 140 ou do email biblioteca@cm-condeixa.pt

Exposição itinerante CRIANÇAS NO MUNDO – COM DIREITOS

exposiçãodi

 

4ª Edição do Prémio de Jornalismo: Os Direitos da Criança em Notícia

Abril 8, 2015 às 12:48 pm | Publicado em Divulgação, O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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premio

 

 Convite Prémio

Direitos da Criança em Notícia

O Fórum sobre os Direitos das Crianças e dos Jovens em parceria com o Montepio convocam os/as profissionais da Comunicação Social portuguesa para a 4ª Edição do Prémio Os Direitos da Criança em Notícia.

Nas últimas décadas, assistiu-se em Portugal a um avanço significativo no que diz respeito à protecção e promoção dos direitos da criança. Existem inúmeros casos de boas práticas e exemplos a seguir, mas também permanecem grandes desafios e preocupações:

 

(i) direitos de provisão: as desigualdades sociais e o crescente nível de pobreza infantil;

(ii) direitos de protecção: a dificuldade em serem protegidas na sua identidade e integridade;

(iii) direitos de participação: o reconhecimento pleno da criança como sujeito de direitos, a garantia de que a sua opinião seja considerada e a sua participação promovida e respeitada.

O trabalho jornalístico assume nesta matéria um papel crucial no sentido de informar e estimular o debate, dando a conhecer a situação dos direitos da criança em Portugal e contribuindo para a sua valorização junto dos/as profissionais da Comunicação Social bem como da sociedade em geral.

 

O Prémio Os Direitos da Criança em Notícia destina-se a reconhecer as abordagens jornalísticas que, em crónicas, reportagens ou entrevistas nas áreas da Imprensa, Rádio e Televisão (inclusive os divulgados em plataformas virtuais), tenham em conta a promoção e divulgação dos direitos da criança, numa perspectiva crítica, pluralista e inclusiva, sem comportar riscos para as crianças nem no presente, nem no futuro.

Será ainda atribuída uma Menção Honrosa, designada “Futuro/a Jornalista”, que se destina a premiar uma crónica, reportagem ou entrevista inéditas e elaborada por um/a aluno/a finalista do curso de Comunicação Social em Universidades ou Institutos Politécnicos de Portugal.

Assim, vimos por este meio convidar os/as profissionais da Comunicação Social Portuguesa a candidatarem-se a este Prémio, cujo regulamento e formulário de inscrição se encontram disponíveis on-line nas páginas das seguintes instituições que integram o Fórum, a saber:

Capturar

AEJD – Associação de Escolas João de Deus

AMI – Assistência Médica Internacional

Amnistia Internacional Portugal

APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima

APEI – Associação de Profissionais de Educação de Infância

APSI – Associação para a Promoção da Segurança Infantil

Associação Margens

Casa da Praia – Centro Doutor João dos Santos

Câmara Municipal de Lisboa – Espaço a Brincar

CML – Câmara Municipal de Loures

CNE – Corpo Nacional de Escutas

CNIS – Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade

CNPCJR – Comissão nacional de Protecção das Crianças e Jovens em Risco

Conversas de Rua – Associação

CVP – Cruz Vermelha Portuguesa

ESEL, IP – Escola Superior de Educação de Lisboa

ESES, IP – Escola Superior de Educação de Santarém

ESEIMU – Escola Superior de Educadores de Infância Maria Ulrich

Fernanda Freitas – Pessoa Singular

FMU – Fundação Maria Ulrich

Fundação Aragão Pinto

Fundação do Gil

Fundação Pro Dignitate

IAC – Instituto de Apoio à Criança

IPDJ – Instituto Português do Desporto e da Juventude

ISCSP – Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas

Oikos – cooperação e desenvolvimento

OMEP – Organização Mundial de educação Pré-Escolar

rede ex aequo – associação de jovens lésbicas, gays, bissexuais, transgéneros e simpatizantes em Portugal.

UNICEF – Comité Português para a UNICEF

Com os melhores cumprimentos,

O Fórum sobre os Direitos das Crianças e dos Jovens

Convite (261 Kb)

Critérios de avaliação (221 Kb)

Formulário de candidatura (151 Kb)

Hora do Conto “Lengalengas” de Márcia Marques na Biblioteca Municipal José Saramago – Feijó

Abril 8, 2015 às 11:45 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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lenga

Dia: 11 de abril

Horário: 16h00

Local: Biblioteca Municipal José Saramago –  Setor Infantil

 

Hora do Conto “Lengalengas” de Márcia Marques

Era uma vez um gato maltês…

Que brincava com as palavras, fazia jogos com elas, conjugava os seus sons e criava ritmos surpreendentes…

Era uma vez um gato maltês, tocava piano e falava francês.

Queres que te conte outra vez?

 

Duração: 50m

Público-alvo: crianças dos 3 aos 6 anos

Lotação máxima: 12 famílias (máximo 24 participantes)

Marcação prévia: Carla Silva

biblactividades@cma.m-almada.pt

212 508 210

Biblioteca Municipal José Saramago

Centro Cívico do Feijó – Rua da Alembrança

2810-005 Feijó

 

VII Exposição CONVID`ART + Atelier Marionetas, Expressão Plástica, Tecelagem

Abril 8, 2015 às 10:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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art

https://www.facebook.com/pages/CERCIOEIRAS/115373211819030?sk=timeline

 

Encontro Barrigas de Amor | A Família

Abril 8, 2015 às 9:06 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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11096496_848594631882287_2495854121196764625_nmais informações:

http://barrigasdeamor.pt/inscricao-vamos-ser-pais-familia/

http://barrigasdeamor.pt/evento/encontro-barrigas-de-amor-a-familia/

A geração da net está sem rede

Abril 8, 2015 às 8:21 am | Publicado em A criança na comunicação social, Campanhas em Defesa dos Direitos da Criabnça | Deixe um comentário
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Reportagem do Público de 5 de abril de 2015.

Nuno Ferreira Santos

Paulo Moura (texto), Nuno Ferreira Santos (fotografia) e Vera Moutinho (video)

Num mundo onde tudo o que fazemos online é registado e vigiado, uma geração totalmente digital será particularmente vulnerável. Em Portugal, onde o hiato entre a literacia informática entre pais e filhos é dos maiores da Europa, a “geração Magalhães” está entregue a si própria.

Marta Gonzaga, 14 anos, 9.º ano, Funchal. Nem precisa de sair da cama. Basta estender um braço para enviar à melhor amiga, por Snapchat, uma imagem sua a acordar, mas só por um segundo, talvez dois, para que a amiga não se fixe nos pormenores. Pode ver um vídeo de cinco segundos de alguém conhecido a lavar os dentes, actualizar fotos de alguns desconhecidos que adicionou no Instagram, congelar num screenshot um momento banal registado do outro lado do mundo. Selfies no Instagram, acha feio. E chat no Facebook é pouco autêntico. “Já ninguém usa o Facebook. Há um ano, sim, mas agora…” A competição pelo número de “likes” é uma infantilidade do passado. Uma obsessão inútil por “ser ou não ser muito popular”. Que importância tem isso? “Tudo é falso no Facebook. Os verdadeiros amigos estão no Twitter. É um ambiente diferente.”

Tudo o que escreve no Twitter tem destinatário: os elementos da banda One Direction. Nunca responderam, mas “só de escrever as frases uma pessoa já se sente melhor”. Tal como formular desejos na Fandom da banda ou despejar milhares de caracteres de histórias inventadas com o One Direction Harry contracenando com outras celebridades, no site para jovens escritores Wattpad. As fics (fanfiction) de Marta são de leitura proibida a amigos e família, fintados com nicknames e passwords, embora já tenham ultrapassado as 27.840 visualizações, todas de leitores desconhecidos. Cada um dos 1700 seguidores recebe uma notificação sempre que Marta “lança ao mundo” um novo capítulo, tal como ela (e outros mil milhões de seguidores) foi notificada de cada um dos 300 capítulos da série After, que a americana Anna Todd foi publicando na Biblioteca Virtual, antes de os ler na íntegra no ecrã do telemóvel. E de ter respondido com comentários, sugestões e desabafos, no Wattpad, Fandom, WhatsApp, Instagram, Snapchat ou Twitter, em forma de emojis, abreviaturas ou onomatopaicos, sobre a vida social ou íntima dos One Direction, das amigas ou de si própria.

“Vou de férias mpts (meus putos)” e “Naqueles momentos em que a mãe grita contigo e tu finges que não ouves” são exemplos das frases que Marta lança no Twitter, para depois contar os retweets que provoca, as reacções do género “ahahah”, ou 🙂 (smile), ou mesmo as reaction picture (selfies que as amigas fizeram com a cara com que reagiram ao tweet).

Tudo isto sem sair da cama, no seu quarto, onde é notório que a secretária nunca é usada, enquanto André Nunes, 12 anos, 7.º ano, Parede, Cascais, faz vigílias madrugada fora com dois monitores abertos ao mesmo tempo, um com o jogo multiplayer online League of Legends, ou Minecraft, ou Watchdog, outro com o Skype dividido em cinco chamadas simultâneas onde vai comentando o jogo com os amigos, e talvez ainda um vídeo no YouTube com explicações sobre o jogo, além do Facebook, as sms do telemóvel e provavelmente a PlayStation. Por vezes fica online seis ou sete horas seguidas, com a mãe no quarto ao lado a ameaçar desligar o router e a irmã a queixar-se da sobrecarga da rede que a torna lenta quando ela quer ver um filme no Wareztuga.pt, falar com as amigas no Facebook e constituir família no jogo Sims.

Mafalda Nunes, 13 anos, 8.º ano. Todas as suas conversas importantes decorrem online. Tem uma amiga com quem fala todos os dias no Facebook. Foi ela que colocou na rede social fotografias dos cadernos e dos apontamentos, quando Mafalda faltou às aulas por ter estado doente. Não há nada que não possa ser feito online, excepto ler livros, que Mafalda prefere em papel. Em tudo o resto, a Net é preferível à realidade. Nem a praia consegue competir. Não há tanta vontade de sair, ou de namorar, como, com a mesma idade, acontecia com a geração anterior. Comprar roupas de marca também já não é importante. Ter um iPhone, sim. Não é o mesmo que usar um qualquer smartphone de marca branca. Desculpa: a velocidade.

Mafalda vem à porta do quarto. “Quem está a usar a Net? Está tão lenta. O pior que há é a lentidão.” A mãe manda André para a cama.  Desculpa dele: “É frustrante sair a meio de um jogo. Porque tem de se recomeçar. Nos jogos online os jogadores têm penalizações se interromperem a partida a meio. Podem ficar impedidos de jogar por uma semana.”

Sofia prefere viajar. Sofia Lucas, 12 anos, 7.º ano, Braga. O Google Earth é o seu site favorito. Foi lá que conheceu Paris, Nova Iorque, Roma, Washington, Londres, lugares que quer visitar na realidade.

Também gosta de jogos, e conversa com as amigas no Facebook, onde também começou a namorar. Foi um caso que começou e acabou por via digital. O primeiro contacto aconteceu na realidade, mas aí o rapaz não se declarou. Admitiu mais tarde: “No primeiro dia em que te vi, achei que irias ser minha namorada.” Mas guardou a conjectura para si. Só no Facebook a inclinação ganhou realidade. Foi lá que se declarou, no Dia dos Namorados, e foi por sms que pôs termo a uma relação de 111 dias e mais de 5 mil mensagens (uma média de 50 por dia). Fê-lo movido pelo pragmatismo, quando Sofia mudou de escola: “Não te vou ligar mais, arranjei outra.”

A 400 quilómetros de distância, Duarte podia ter assistido a tudo isto, se usasse as suas técnicas hackerianas preferidas de Man in the Middle. Mas ele prefere usar as suas armas para o Bem. Duarte Marques, 14 anos, 9.º ano, Carnaxide, Oeiras. Aprendeu muito cedo a usar computadores, porque o pai tinha uma empresa de informática. Começou por um Magalhães, que lhe foi atribuído na escola. Um “Gamalhães”, diz ele, com que conseguia “gamar” música, software, ou tudo o que quisesse. Agora, sente que sabe mais do que a maioria, o que é uma forma de poder e uma responsabilidade. É contra a pirataria, mas a favor da total liberdade na Web.

É Anonymous. Tem a máscara de Guy Fawkes, que encomendou pela Net, em três versões — normal, dourada e prateada. Tenciona usar a Internet para mudar o mundo, que vê dominado pela corrupção, o crime e a injustiça. “O que pretendo é mudar o sistema político, do mundo em geral.” Através de sites de hactivismo, e da rede do Anonymous, imagina-se a praticar acções de rebeldia com consequências significativas, embora planeie vir a trabalhar numa grande empresa, como consultor de segurança informática. “Leio muitos artigos sobre Internet e informática. O conhecimento é gratuito e é poder. Quanto mais conhecimento reunirmos, mais poder temos.”

Ainda não lançou nenhum grande ataque, e nunca o fará de forma gratuita. Apenas umas habilidades, para treinar. “Com o Skype, consigo desligar o router de outra pessoa”, diz Duarte. “E posso interceptar comunicações no Skype, que não são encriptadas.” E inserir intempestivos scripts ou pop-ups quando as pessoas estão a navegar por um site qualquer. E aquelas imagens esquisitas, por exemplo um cavalo a galopar só com duas pernas, que apareceram no meio da projecção powerpoint da professora? Foi ele, confessa. “Tive pena. Por vezes as professoras querem o nosso bem, não são demoníacas.” É alterar as notas ou as faltas, que a professora introduz no portal da escola? “Esses sistemas são muito vulneráveis. Era muito mais difícil dantes ver o caderno onde os professores registavam as notas. Os professores ainda guardam algumas notas num caderno. Essas são as mais difíceis de ver.” Entrar no site para mudar uma nota ou uma falta é portanto fácil. Se Duarte o fez ou não, é informação secreta. Que o pode fazer, isso sim, gosta que se saiba.

Um dos objectivos de todas as acções dos Anonymous “é serem levados a sério”. Não cometem “actos ilegais que não façam sentido”, mas acham importante fazer sentir o seu poder. “Anonymous é uma comunidade. Não é um grupo para onde se entre ou a que se pertença. Quem quiser ser Anonymous é. Basta ter esta atitude, de resistir contra o sistema. Estamos atentos ao que acontece. Vemos tudo. Estamos em todo o lado. Somos o teu vizinho, o teu amigo, o teu professor.”

Atirar sites abaixo pode ser um aviso, uma demonstração de poder e revolta. Quanto mais importantes e mais supostamente invulneráveis forem os sites, melhor. O do PÚBLICO, por exemplo. Duarte pode fazê-lo colapsar, se quiser. “Fácil. Basta um telemóvel e a ajuda de uns tantos amigos. Posso experimentar? Só como teste, para ver até que ponto o site é vulnerável ou não? Mas depois pode levar semanas até que se consiga trazê-lo de novo à vida.” No dia da publicação da reportagem, hoje, domingo, 5 de Abril, o PÚBLICO sofreria um eclipse. Ficou no ar a possibilidade. Não serias capaz de o fazer, Duarte!

A Internet tem mais de 20 anos, mas nos últimos cinco transformou-se qualitativamente. Não só multiplicou as possibilidades, com aplicações que permitem fazer quase tudo de forma virtual, mas também se tornou ubíqua. Até há pouco tempo, ia-se à, ou usava-se a Internet. Agora estamos na Net em permanência, através dos portáteis ou dos smartphones, por redes wifi ou 4G.

Já se tinha identificado uma geração de “nativos digitais”, ou de “millennials”, mas só muito recentemente surgiram entre nós os primeiros seres totalmente conectados de nascença. Há quem lhes chame “hyperconnected” ou “cyberkids”, mas a verdade é que ainda não há nome para a nova espécie, e pouco se sabe sobre o que são ou virão a ser.

Para eles, escrever à mão num papel é uma actividade arcaica apenas obrigatória pela teimosia jarreta de alguns professores ou pais. Comunicar é algo natural, que não implica deslocações nem gastos, o conhecimento está disponível em quantidades ilimitadas, a informação brota de todo o lado, sem filtros nem critérios de validação, não há distâncias nem obstáculos, o consumo de arte e cultura é fácil e gratuito para todos, e a sua produção também, o que é real e virtual confundem-se, a liberdade é uma evidência e uma vertigem, a privacidade uma noção cada vez mais longínqua.

Que oportunidades e que perigos esperam os jovens que têm agora 12, 13 ou 14 anos? Serão donos de poderes nunca vistos ou estarão a posicionar-se para serem escravos? Servirá a sua fabulosa vida online apenas para os colocar à mercê de eventuais ditaduras do futuro?

Muitos dos perigos da vida online têm sido estudados e objecto de campanhas de informação dirigidas aos adolescentes e aos pais, hoje conscientes dos riscos relacionados com a pedofilia e vários tipos de crimes. Cuidados como o de não colocar fotografias de menores nas redes sociais, não divulgar moradas ou números de telefone, não aceitar desconhecidos como “amigos” são já mais ou menos habituais, segundo os conselhos divulgados pela polícia nas escolas.

As práticas de cyberbullying, ostracismo ou violência também têm sido alvo de alguma atenção. O mesmo com o vício e uso excessivo da Internet, e com os problemas da imagem e da reputação, sob o ponto de vista da aceitação social e da obtenção e manutenção de emprego. Mas ninguém está a informar os jovens sobre a vulnerabilidade global e irreversível que vem com a imersão no mundo digital.

Todos os nossos gestos digitais deixam uma pegada e podem ser gravados, descodificados, processados. Sabe-se que empresas usam dados fornecidos por redes sociais para conhecer os padrões de consumo dos utilizadores e orientarem as suas campanhas de vendas. Sabe-se também que agências de informação de governos acedem aos nossos telefonemas, mensagens, emails, conversas no Facebook, Twitter ou Skype, além de registos de despesas com cartões de crédito, levantamentos multibanco, sinais de localização de redes móveis e de GPS, imagens de câmaras de vigilância, etc.

Quanto maior for a porção da nossa vida que decorre nos dispositivos digitais, maior é a nossa exposição. Em breve não será possível dar um passo sem ser controlado por alguém. Há inegáveis vantagens nesta realidade e podemos optar por aceitá-la. Mas será possível a opção contrária? Ou estabelecer limites?

Para Teresa Paula Marques, psicóloga e directora clínica da Academia de Psicologia da Criança e da Família, a concluir uma tese de doutoramento sobre Facebook, Riscos e Oportunidades, uma das noções a ter em conta é que já não há distinção entre mundo real e mundo virtual. Para os jovens, é o mesmo ter falado com um amigo pessoalmente ou através do Facebook. “São duas faces da mesma realidade.” Por isso, é de esperar comportamentos idênticos. “Os adolescentes gostam de ser vistos por todos, admirados pelos seus pares. As meninas pela beleza, os rapazes pelas façanhas. São muito populares o desafio da canela (em que se ingere canela até ao vómito), o desafio do desmaio, as fotografias em locais arriscados. No Facebook, o efeito que temos nos outros é mensurável imediatamente pela quantidade de ‘likes’. Estes têm um grande impacto na auto-estima. Se forem poucos, a tendência será para acentuar as acções. No caso das meninas, para usar biquínis mais ousados, no dos rapazes para fazerem coisas mais perigosas. É por isso que o comportamento no Facebook tende a ser excessivo.”

Pelo mesmo motivo, são geralmente mais intensas, nas redes sociais, as manifestações tanto de afecto como de agressividade. “Há páginas de ódio e perseguição, e é difícil descobrir quem está por trás. Há casos de assédio online, são enormes os riscos de cyberbullying e de sexting, em que os namorados divulgam na Net, após terminada a relação, as fotografias íntimas que a rapariga lhe enviou. Mas por outro lado é muito fácil ‘desamigar’ alguém. Mais do que na vida real. E os estudos mostram que ser ‘desamigado’ tem um impacto negativo fortíssimo nos jovens.”

Uma das consequências inevitáveis da vida na Net é a confusão entre os níveis de privacidade e de intimidade. Entre estes e o nível do que é público, os jovens são capazes de distinguir. Mas o que é íntimo passa facilmente para a esfera do que é meramente privado, explica Teresa Marques. “As pessoas expõem facilmente a sua orientação sexual, ou outras informações íntimas, o que as torna particularmente vulneráveis.” Fazem-no porque não têm a consciência da verdadeira dimensão das audiências que podem atingir, nem do carácter indelével das informações disponibilizadas nas redes sociais. “Tudo o que está no Facebook é eterno e pode vir a ser perigoso mais tarde.” Quanto à noção da existência de poderes superiores, de alguma entidade que venha a pretender ter poder sobre nós e de quem nos deveríamos proteger, os jovens não a conhecem. Não identificam ninguém que devessem temer ou de quem fosse prudente esconder alguma informação íntima ou confidencial. Apenas um ser representa para eles uma autoridade simbólica, uma entidade com quem há que ter mil cuidados, a quem não se pode mostrar tudo. Não, não é a NSA, nem a Administração americana, o Estado Islâmico, as grandes empresas multinacionais ou o Clube de Bilderberg. É a avó. Por ela se pratica a autocensura e se faz uma criteriosa regulação dos botões de privacidade do Facebook. “O que não gostarias que a tua avó visse” — este parece ser o único limite à liberdade dos jovens na Internet. A avó é a última fronteira.

Ana Jorge, investigadora da Universidade Nova de Lisboa, a realizar um pós-doutoramento sobre Culturas dos Media e Consumos Infanto-Juvenis, cita a investigadora americana de redes sociais Danah Boyd para explicar o conceito de “colapso dos contextos”. Os jovens “perderam a capacidade de seleccionar discursos diferentes para audiências diferentes. Não têm consciência de que o que dizem estará disponível para vários tipos de públicos”. E, se as campanhas educativas têm sido bem sucedidas no que respeita às práticas de prevenção da criminalidade através da Internet, falta toda uma educação para a cidadania no que respeita ao uso consciente da Rede. Por exemplo no que respeita à partilha de informação e ao uso de dados. “As redes sociais não são de graça. No Facebook estão a gerar valor para os anunciantes. Nós somos audiência.” Para Ana Jorge, é arriscado falar de características próprias de gerações, porque não se pode generalizar excessivamente. Os estudos mostram que há muitas diferenças e muitos ritmos no seio de uma mesma geração, clivada por grupos sociais, culturais ou regionais.

As camadas mais pobres, por exemplo, são mais vulneráveis aos riscos da Internet. Numa família onde os pais não dominam as tecnologias, é menos provável que os filhos lhes contem os problemas que encontram ou aceitem os seus conselhos. Não reconhecem autoridade a quem não domina os gadgets ou a terminologia que lhes está associada. Também as raparigas são mais vulneráveis do que os rapazes, e os jovens de alguns países mais do que os de outros.

Entre os países da União Europeia, Portugal é um dos que apresentam um hiato maior entre a literacia digital de pais e filhos. Há toda uma geração iniciada nos computadores com a campanha dos Magalhães nas escolas. Foi um factor de unificação dos jovens, mas não dos pais. “Devido ao Magalhães em 2008 e ao projecto E-Escola, Portugal é um dos países europeus onde é maior o número de famílias onde são os filhos que sabem mexer nos computadores”, diz Ana Jorge.

Em parte por este motivo, Portugal é também um dos países onde os jovens acedem mais à Internet sozinhos a partir do seu quarto. Os pais associam o uso dos computadores à realização dos trabalhos escolares, pelo que abdicam de vigiar as actividades dos filhos na Internet. Neste sentido, os adolescentes portugueses, em particular os provenientes de famílias com níveis educacionais mais baixos, são particularmente vulneráveis aos perigos do mundo digital.

Os pais de Sofia exercem um controlo disfarçado, mas firme sobre tudo o que ela faz na Net. A mãe, Vânia Mesquita Machado, que é médica pediatra, explica todas as regras que  Sofia deve respeitar, diferentes das dos irmãos mais novos. Só teve acesso ao Facebook aos dez anos e na condição de os pais conhecerem a password. Apenas pode colocar fotografias suas com óculos de sol e só aceitar amigos que conhece. Se surgem problemas, a mãe sabe que ajudar a filha passa por dominar os mesmos meios. Uma vez, uma amiga de Sofia começou a ter um comportamento reprovável. Enviou mensagens e fez comentários sobre ela com outras amigas, mexeu nas suas coisas no cacifo da escola. Vânia pediu-lhe amizade no Facebook. Quando ela aceitou, fê-la explicar o que se passava, a responsabilizar-se e a corrigir o comportamento. “Se eu tivesse ido falar com a mãe dela, não teria resultado. O Facebook foi a solução.”

Os pais de Mafalda e André sabem da sua vida escolar através da plataforma Inovar, onde os professores registam as notas, faltas, sumários e outras observações, além das despesas do cartão de refeições. Sofia Martins, a mãe, dá grande liberdade aos filhos nos contactos com amigos nas redes sociais, porque viveram oito anos em Oleiros, uma aldeia da região de Castelo Branco, e perderam o contacto com os colegas. Agora vivem na Parede mas falam com eles todos os dias. A mudança não foi tão traumática graças à Internet. “Falo sempre com a minha melhor amiga, que será sempre a minha melhor amiga”, diz Mafalda. Sem a Net, a vida seria muito diferente. Uma vez, lembram-se de que a electricidade falhou. “Estivemos assim cinco horas, não sabíamos o que fazer”, diz André. “Foi dramático.” Mafalda acrescenta: “Foi o fim do mundo.”

Marta sonha com o dia em que um dos elementos dos One Direction lhe responda. Nunca chegou nenhum tweet deles, mas sim de um primo. Pelo menos de alguém que afirma ser seu primo. “Nesse dia foi uma emoção cá em casa”, diz Susana Gonzaga, mãe da Marta. Um primo respondeu. Mas como pode saber se é realmente primo? “Eu confirmei, fui ver os amigos e mensagens dele.” Marta mostra mensagens que trocou com o suposto primo. “Diz qualquer coisa sobre ti”, perguntou ela. A resposta: “I like feet” (gosto de pés).

O star system na Net é muito próximo da loucura. Há ídolos que nasceram no YouTube e nunca fizeram nada na vida real, os fandoms de bandas como os One Direction reúnem milhões de fãs que escrevem e lêem histórias inventadas, virtuais, sobre os rapazes da banda e se automutilam realmente quando um deles, Zayn Malik, abandona o grupo. “Eu sei que a música deles não é muito boa”, diz Marta. “Eu dantes gostava de Grunge, dos Red Hot Chilli Peppers, e não é a mesma coisa. Mas os One Direction são o meu guilty pleasure.” Apesar de toda a sua vida online, Marta gosta de ler livros em papel. E de capa dura. Anda a ler vários clássicos. Anna Karenina, Jane Eyre, todo sublinhado. Orgulho e Preconceito em inglês. Sabe passagens de cor. Diz sem hesitar: “If your feelings are still what they were last April, please tell me so at once…”

A mãe de Duarte, Ana Bastos, não lhe paga a Internet no telefone, mas ele “rouba” o sinal das redes que apanha por todo o lado. Conhecimento é poder. E a única saída para quem vai viver num mundo dominado pelo digital. “Hoje, os mais jovens são mais responsáveis”, diz ele. Porque já sentem na pele o que lhes vai acontecer.

Duarte vê o futuro com preocupação. “A tecnologia muda a personalidade das pessoas. A maioria vai ser como robôs. Mas alguns vão ser mais livres. Your ignorance is their power. Wake up!” Duarte imagina no futuro uma espécie de regresso da Idade Média. “Na época feudal, o povo era escravo, mas isso soava-lhes normal. A mente deles estava fechada. Não tinham capacidade para se revoltarem. Agora parece-me que essa realidade está a voltar. Na sua maioria, as pessoas são simples. Não vão reparar que estão a ser usadas.” Quem quiser resistir tem de fazê-lo dentro da Internet. De certa maneira, “a terceira guerra mundial já começou, é a guerra digital”. No futuro, Duarte imagina-se, se necessário, a ter duas vidas, uma normal, no emprego, seguindo as regras, outra como Anonymous. “A Internet não pode ser controlada. A Internet não é um país.”

mais fotografias e vídeo no link:

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/a-geracao-da-net-esta-sem-rede-1691262

 

A infância está privada do estatuto de cidadania

Abril 8, 2015 às 7:11 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista a Gabriela Trevisan pelo Público no dia 6 de abril de 2015.

Público

Ana Cristina Pereira

Não há maior obstáculo à ideia de criança-cidadã do que o estatuto que remete a infância para a fragilidade, diz Gabriela Trevisan, professora adjunta na Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti, no Porto.

Tem estudado sociologia da infância na Universidade do Minho. No final do ano passado, concluiu o doutoramento com a tese “Infância e cenários de participação pública: uma análise sociológica dos modos de co-decisão das crianças na escola e na cidade”. Mergulhou no quotidiano de uma escola básica e de um município (em Aveiro) e percebeu que crianças e de jovens querem muito participar, mas não em tudo.

A infância está privada do estatuto de cidadania?

Está, se tivermos em conta o estatuto pleno de cidadania, o acesso a um conjunto de direitos como o de participação.

Pela forma como encaramos a infância?

Sim. Há vários factores, mas o maior obstáculo é o estatuto de infância. A infância tem um estatuto ambíguo. Por um lado, há a valorização das crianças, a necessidade de as proteger, de construir mundos seguros para elas viverem. Por outro, há um recuo quando se quer envolvê-las num conjunto de processos que apelam à ideia de que são competentes e têm voz própria. Temos mais tendência para a ideia de vulnerabilidade, de fragilidade, do que de competência. As crianças têm muito mais a dizer e pensam muito mais sobre as coisas do que nós, adultos, achamos.

Procurou o contrário.

Procurei perceber a partir das próprias crianças o que elas entendem. E elas sabem falar sobre a escola, sobre o mundo que as rodeia, sobre a cidade, sobre a pobreza. A sua visão não é necessariamente igual à do adulto. É uma visão própria, distintiva. Precisamos de estar preparados para a receber.

Como?

Temos de trabalhar mais esta ideia de como é que nós chegamos à voz delas. Na Universidade do Minho tentamos encontrar formas de conseguir recuperar a voz das crianças nas suas múltiplas expressões. Não olhamos só para o que falam ou escrevem. Olhamos também para as brincadeiras, para os desenhos. Muitas vezes, o problema não é exprimirem-se, é interpretarmos o que dizem. Quanto mais vamos estando com as crianças, mais vamos percebendo o que querem dizer.

Debruça-se sobre a escola e a cidade, não a família. Porquê?

Queria estudar a participação das crianças numa perspectiva mais política. Interessava-me ver, em contextos públicos, a infância enquanto colectivo competente em matéria de tomada de decisão.

Mas as crianças acabam por falar na família.

Sim, referem um conjunto de decisões que tomam no ambiente familiar. São decisões micro, que têm a ver com os pais, os avós, os tios. Referem grande disponibilidade dos adultos em consultá-las em assuntos muito simples como o que fazer para o jantar. Noutros maiores, como o destino de férias, as decisões cabem aos adultos. Mas o espaço familiar parece ser o mais participativo.

A escola é, por excelência, o espaço de construção da criança-política?

Frequentei uma escola e centrei-me numa turma com um professor que cria mecanismos de participação na vida escolar, mas não se pode generalizar. Cada escola tem uma dinâmica. Agora, a escola é um espaço de desenvolvimento de capacidade de liderança, de construção de alianças, de negociação, de diálogo. E tudo isso são competências de nível político que as crianças adquirem. Não estou a falar de educação para a cidadania. Estou a falar de vivência dentro e fora da sala de aula. Na relação com o grupo de pares, as crianças vão construindo forma de ver o mundo e de se situarem nele.

E na cidade?

Em Portugal há várias cidades amigas das crianças [programa da UNICEF, que desafia as cidades a tornarem-se mais respeitadoras dos direitos das crianças, incluindo do direito de participação na definição das políticas de cidade], mas nem todos os municípios desenvolveram acções específicas. Aveiro assinou o protocolo. Tive oportunidade de observar como essa experiência foi construída. Começaram a trabalhar com crianças das diferentes escolas para perceber que perspectivas têm da cidade e o que alterariam. É um processo muito interessante: reunir visões de adultos e de crianças para perceber que cidade seria desejável para todos.

E que cidade é desejável?

Há adultos que têm medo que as crianças definam uma cidade só para as crianças, mas não. Participaram numa assembleia municipal de Aveiro em que a questão era mesmo essa e mostraram ter uma consciência muito clara do que é a cidade. Colocaram questões ao nível do ambiente, da economia, da situação social. Têm uma preocupação forte com a geração mais velha.

Qual?

Acham que há muito idosos sozinhos. Sugerem que se crie um grupo de voluntariado jovem que os possa apoiar. Preocupam-se também com a degradação urbana, com a conservação do ambiente e com questões mais suas. Disseram, por exemplo, que na cidade devia haver bicicletas para os mais pequenos. As BUGA [Bicicleta de Utilização Gratuita de Aveiro] são só para adultos. Isto não é substituir os adultos, é ter uma visão igualmente válida sobre a cidade.

Estamos a falar de crianças dos oito aos 18?

Sim. Elas partilham umas preocupações semelhantes e outras distintas. Propõem soluções e têm consciência de que há limites. Destacam o voluntariado, as parcerias com as empresas e os patrocínios na recuperação urbana, por exemplo. Disseram que estavam disponíveis para pintar espaços se isso fosse uma prioridade. O que propõem no fundo são soluções concretas. Possíveis.

E quando têm de escolher?

Elas têm consciência de que é preciso priorizar. E nessa priorização usam critérios que são óbvios, como a urgência, o alvo, o custo. Têm consciência de que não é possível fazer tudo. No início, falavam muito num skate park, por exemplo. Deixaram cair isso durante a discussão. Perceberam que há grupos que precisam de outras coisas e que são mais importantes.

Ganharam uma nova consciência?

Depois da participação na assembleia municipal, referiram muito o facto de terem estado com crianças de outras escolas, mas o que mais valorizaram foi o terem tido oportunidade de ter acesso a outras formas de ver a cidade e de discutir. Também valorizaram muito terem tido acesso a um espaço onde a voz delas teve protagonismo. A presença delas foi principal e não acessória.

O que falta para haver mais cidades a ouvir a crianças?

É talvez necessário que haja um compromisso político por parte do poder local em mobilizar-se nos processos de escuta e envolvimento das crianças nas suas cidades e comunidades, e adultos disponíveis a concretizarem essas iniciativas, juntamente com elas. Esse processo implica que as estruturas de poder local criem diferentes estruturas e mecanismos de audição das crianças e jovens que não são sempre fáceis de implementar.

Uma pessoa faz 18 anos e, de repente, há um monte de coisas que pode fazer, como votar, conduzir.

É uma espécie de cidadania instantânea. Mas ninguém começa a participar de repente só porque pode. Os espaços de participação fazem sentido até numa lógica de aprendizagem, de se começar a perceber desde cedo como fazer.

Teríamos menos abstenção entre os jovens de houvesse mais espaços de participação nas escolas e nos municípios?

A abstenção [entre eleitores mais jovens] pode ter a ver com sentimento de desfiliação que as gerações mais novas têm com métodos formalizados. O voto é híper formal. Experiencias mais directas são mais apelativas. Às vezes, questiono também até que ponto esta geração mais jovem sentirá que há um reconhecimento dos seus problemas. Há autores que dizem que se houver culturas de participação na infância e juventude eles estarão mais envolvidos com processos de decisão ou mesmo o voto. Talvez sim. Mas é necessário que essas experiências sejam construídas de formo significativa. Às vezes, corremos o risco de estar a construir experiências que são significativas para os adultos mas não para as crianças.

Como evitar cair nessa armadilha?

O melhor é ouvir as crianças sobre assuntos em que elas têm uma palavra a dizer. Às vezes, ouço discursos entusiastas de que as crianças querem ser envolvidas em tudo a todo o tempo, mas não. Nalgumas situações não querem nem devem ser ouvidas – envolvê-las pode nem sequer as beneficiar. Mas é frequente pensarmos que as ouvimos e não termos em conta as suas opiniões. Penso que não será apenas importante ouvi-las, mas tornar significativo aquilo que dizem.

Viu isso em Aveiro?

Sim. Há assuntos que as crianças e jovens sentem que o poder local é que tem de decidir. Noutras é ao contrário. Não faz sentido para eles que adultos programem visitas para crianças sem as consultar, por exemplo. No limite, há sempre possibilidade de crianças e adultos negociarem agendas.

Para isso é preciso o quê?

É preciso haver adultos dispostos a abdicar um pouco do poder que têm. Este poder em algumas dimensões é inconsciente. Temos ideia que o adulto sabe o que é melhor para a criança. Na maioria das vezes, sabe. Não é isso que se contesta quando se fala na participação, mas em dialogar com as crianças sobre aquilo em que elas gostariam e ter um papel mais preponderante.

Também há o oposto dito tudo, crianças que falam por cima dos adultos, que decidem as suas agendas.

A infância não é uma realidade homogénea. Discutir o direito de participação as crianças não é dizer que a partir de agora se atende apenas ao que a criança diz, não é virar o mundo ao contrário, é construir um mundo mais equilibrado entre o que são as visões dos adultos e as visões das crianças.

 

 

 

Workshop: “Avaliar e Intervir nas perturbações da Comunicação e Linguagem”

Abril 8, 2015 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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