5 competências que deve desenvolver com o seu filhos de 4 anos

Março 28, 2015 às 9:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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texto do site http://uptolisbonkids.com  de 2 de março de 2015.

Não é segredo nenhum que todos os pais querem que os filhos tenham um futuro promissor e que acreditam que isso passa por um bom desempenho escolar. Como reflexo da competitividade existente, hoje em dia, no mundo laboral, os pais projetam os seus receios e frustrações na criança e, na expectativa de aumentar as probabilidades de criar adultos bem sucedidos, muitos caiem na rasteira de ensinar os seus filhos a ler ou a realizar estratégias de cálculo aos 4 anos, acabando por ficar esquecido o que realmente é importante que uma criança dessa idade aprenda. A pensar nesta questão, deixo aqui 5 competências que pode e deve trabalhar com o seu filho no pré-escolar, para que tenha uma entrada na escola tão confortável, tranquila e produtiva quanto possível.

MOTRICIDADE FINA

A Motricidade fina é a capacidade de executar movimentos precisos das mãos e dedos com controlo e destreza. É uma das competências chave a ser desenvolvida desde tenra idade pois o seu desenvolvimento possibilita, à posteriori, bons resultados no desenvolvimento da aquisição da escrita. Normalmente, aprender a escrever é associado a uma atividade mental, quando na realidade é uma atividade bastante física. O cérebro da criança pode perceber o conceito de escrita, mas se a motricidade fina não estiver suficientemente desenvolvida  terá muita dificuldade em desenhar as letras. Ensinar o seu filho a pegar corretamente numa caneta e fazer uso dela, pode dar uma vantagem significativa no inicio da escola.

Como trabalhar a motricidade fina?

Rasgar, recortar por uma linha, pintar sem sair dos riscos e fazer plasticina, são algumas das atividades que ajudam a desenvolver a motricidade fina. Quanto mais pequenos/curtos forem os movimentos, mais difícil será. Por isso, pode, por exemplo, pedir ao seu filho que faça um animal em plasticina. A seguir, a cama do animal, e depois a comida. O seu filho acabará por enrolar entre os dedos pequenas quantidades de plasticina aumentando com este exercício a destreza e os movimentos finos.

ESCUTA ATIVA

Uma das coisas mais difíceis que as crianças precisam de aprender é como escutar ativamente, ou seja, saber estar a ouvir. Devido ao avanço da tecnologia, hoje em dia as crianças são muito impacientes, pois estão habituadas a ter respostas de acesso fácil e rápido às questões que lhes aparecem. Por isso, quando estão sentadas numa sala a “ter que” ouvir um professor a falar, não é fácil para elas. Há uma grande probabilidade que se desconcentrem ates de ouvir o fim à primeira frase e entrem no mundo da lua.  Os conceitos básicos para saber ouvir são fazer contato com os olhos, não interromper e usar perguntas para esclarecer informações.

Como trabalhar a escuta ativa?

O primeiro e mais importante passo é saber ouvi-los também. As crianças, especialmente em idade de crescimento imitam tudo o que os pais fazem. Por isso, se for dada à criança a devida atenção enquanto fala, também ela responderá da mesma maneira. Conversar com eles e habituá-los a trocar impressões sobre os vossos dias. Contar histórias, com o livro virado para a criança, e dar espaço a que façam perguntas para garantir que perceberam e ouviram todo o conto.

Ler também Saber ouvir

CRIATIVIDADE

Ser criativo não é só ser artista e fazer obras de arte. A criatividade tem a ver com a capacidade de conseguir interligar, saber relacionar conceitos. e gerar ideias novas e exprimir-se de uma fora original. É essencialmente, dar asas à imaginação e conseguir pensar fora da caixa. Estimular a criatividade nas crianças, é dar-lhes uma ferramenta valiosa para a vida.

Como estimular a criatividade?

Através da  brincadeira. Brincar ao faz de conta, em que a criança finge ser outra personagem qualquer, de preferência criada por ela, de forma a trabalhar melhor os detalhes da mesma e obrigando a um maior estímulo do imaginário. Imaginar cenários nas brincadeiras: “Agora aqui era a cozinha e esta era a mesa de refeições”. Utilizar acessórios e roupas para brincar, mascarar-se. Jogar à mímica. Através do desenho. Brincar ao jogo “Acaba o desenho que comecei”, fazendo um rabisco aleatório que a criança tem de transformar num desenho; Fazer desenho livre, pinturas. Fazendo modelagem com plasticina ou barro. Criando os materiais que precisam em casa nomeadamente as plasticinas e tintas caseiras. Contar histórias e pedir-lhes que inventem um fim diferente. No fundo tudo o que se traduza em criação, originalidade, fantasia e imaginação será um bom mote para estimular esta competência.

CONCENTRAÇÂO

O excesso de estímulos a que as crianças estão sujeitas diariamente resultam numa fraca concentração para tudo o que requeira mais de 5 minutos parados a realizar uma tarefa. No entanto, desenvolver esta competência com peso e medida é não só uma mais valia a nível escolar, como a nível pessoal. Uma criança concentrada é mais calma, mais bem estruturada e capaz de aprender de forma fluída e sem grande esforço.

Como estimular a concentração?

Através de Jogos. Jogos com outras crianças, nomeadamente jogos de tabuleiro, que envolvam estratégias de raciocínio dão à criança a oportunidade de explorar o problema proposto de forma planeada, sistemática e ordenada. Puzzels, dominós e jogos de memória. Legos e jogos de construção. Jogos ao livre, nomeadamente o jogo da macaca, que não requer recursos quase nenhuns e exige coordenação motora, socialização, e ajuda no desenvolvimento de tolerância à frustração bem como, contato com limites e regras. Estes jogos ajudam a criança a agir de forma pensada e não impulsiva. Ouvir histórias ou um desporto de equipa são outras actividades que estimulam a concentração.

ORGANIZAÇÃO

Habituar uma criança a ser organizada desde muito cedo, trará não só benefícios a nível escolar como dará estabilidade emocional à criança. Porquê? Porque os nossos filhos sentem-se seguros na organização. As crianças gostam de saber o que vai acontecer a seguir. Quando uma criança sabe que  vai dormir a determinada hora,  já entra no “modo desligar” à medida que o horário se aproxima. A organização e as rotinas são um elemento fulcral para o bem estar de uma criança.A organização do seu espaço, ajuda-a a criar hábitos para que não se sinta destabilizada e assoberbada quando entrar para a escola. Ter uma secretária arrumada e com espaço para o material, nomeadamente as folhas, canetas, lápis, etc, é meio caminho andado para que a criança se habitua a trabalhar e a arrumar esse espaço, facilitando mais tarde a aquisição de hábitos de estudo.

Como trabalhar a organização?

Em primeiro lugar, através das rotinas de família. Ter a rotina de refeições e sonos bem definida é essencial para que a criança sinta necessidade de também ser organizada. Criar sistemas de caixas, por exemplo, para organizar os brinquedos, e insistir para que os arrume sempre após a brincadeira. Pode colar etiquetas com desenhos, ou nomes escritos: embora não saiba ler, a capacidade de uma criança decorar um nome é como decorar um símbolo. O mesmo em relação ao material escolar, quando acaba de pintar, arrumar os lápis para saber onde estão quando precisar deles.

 

 

Viagens pelo mundo através dos livros – no Museu do Oriente

Março 28, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Museu do Oriente | 3, 17, 31 MAI

5€
6 – 12 anos
15h00 – 17h00

O Museu do Oriente convida os mais pequenos, até 31 de maio, a conhecer alguns dos maiores tesouros da literatura de viagens e a sonhar com as grandes aventuras dos seus escritores: Júlio Verne, Fernão Mendes Pinto e Marco Polo.

No dia 3 de maio, a oficina Um giro pelo mundo leva os participantes até 1872, data em que Júlio Verne leva a personagem Phileas Fogg, um aristocrata inglês, a dar A Volta ao Mundo em 80 dias. Necessária marcação até 28 de abril.

A 17 de maio a oficina Apanha-me se puderes conta a história de Fernão Mendes Pinto, escritor do best-seller do século XVI Peregrinação, traduzido em mais de cinco línguas, que deixa um vivo testemunho das aventuras vividas a Oriente. Necessária marcação até 12 de maio.

Finalmente, a 31 de maio, as crianças são desafiadas a partir No encalço de Marco Polo, mercador, viajante, aventureiro e explorador, que se diz ter sido um dos primeiros ocidentais a percorrer a Rota da Seda. Necessária marcação até 26 de maio.

Museu do Oriente

Avenida Brasília, Doca de Alcântara (Norte), 1350-362 Lisboa

213585200

info@foriente.pt

http://www.museudooriente.pt

Madrastas que são como mães, padrastos que são como pais

Março 28, 2015 às 5:58 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do Público de 22 de março de 2015.

Paulo Pimenta

Ana Cristina Pereira

Num país com cada vez mais famílias recompostas, um número indeterminado de madrastas ou padrastos assume quotidiano de enteados ou enteadas sem que lhes seja reconhecido esse direito.

Multiplicam-se as famílias recompostas. Entre os censos de 2001 e 2011 passaram de 2,7% para 6,6%. Nessa altura, já havia mais de 105 mil casais com filhos de relações anteriores – cerca de 59% a viver em união de facto. Um número indeterminado de madrastas ou padrastos fazia as vezes de mães ou pais ausentes sem que lhes fosse reconhecido qualquer direito legal.

Vanessa reconhece-se na enteada

A enteada só tem dois anos e meio. Vanessa tanto lhe limpa o nariz como o rabo. Dá-lhe banho e veste-a, leva-a ao infantário e trá-la, alimenta-a e deita-a. Se for preciso, dá-lhe um xarope ou põe-lhe um supositório. “É como se fosse minha filha. Ela não tem idade para perceber que não sou mãe dela.”

Quando o companheiro se mudou para casa de Vanessa, a menina ia nos seis meses. Trouxe-a. Era o cuidador. Não havia discussão sobre a guarda. No ano passado, a menina ainda ia dormir a casa da mãe. Agora, a mãe só a pode ver à porta do pai e da madrasta, se pedir 48 horas antes. Há um processo na Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Sintra. Acontecia a menina ser entregue suja ou com fome. “Chegava a casa às dez da noite e abria os armários da cozinha à procura de comida”, diz Vanessa. “Há um mês que não vem vê-la, há uma semana que não telefona. ”

Alegra-se com os projectos de lei que estão no Parlamento – um do PS e outro da coligação PSD CDS – sobre alargar responsabilidades parentais a madrastas ou padrastos em caso de ausência, incapacidade ou impedimento de um progenitor ou ambos. “Se tenho os deveres, também devia ter os direitos.”

Vanessa já andou à pancada com a mãe da enteada. “A polícia disse-me: ‘A filha não é sua, não tem de se meter’.” Tem pena de ter perdido a cabeça, “descido o nível”, mas não consegue aceitar “o desinteresse dela pela filha”. “Pediram uma avaliação psicológica dela, espero que encontrem alguma coisa!”

Reconhece-se na menina. “Estou a ver a minha história”, diz ela. Não sabe quem é o pai e não tem qualquer relação com a mãe biológica. Foi criada por uma amiga dela. E agora está em casa, grávida, a criar a enteada de dois anos e meio e o filho de um ano. “Não me vou descuidar dela só porque não saiu do meu ventre. Se aceitei esta situação, tenho de a tratar como se fosse minha.”

Viriato é pai suplente

A filha está lá. Viriato está aqui. Lá é Portishead, England. Aqui é Porto, Portugal. A criança tinha quatro meses quando os pais se separaram. Quem faz as vezes de pai é o novo companheiro da mãe. “Ele é o pai activo, o pai do dia-a-dia. Eu sou o pai suplente. Fico no banco. Só jogo quando ela quer”, diz ele.

Quando ela ficou grávida, tudo parecia possível. Estudavam Interpretação. Terminariam o curso, ele cá, ela lá, porque ela só viera cá fazer um trimestre, no âmbito do programa Erasmus. Formados, comprariam uma autocaravana e iriam por aí, fazendo teatro, criando a filha, mostrando-lhe o mundo.

Ela voltou a Portishead. Quando ele foi visitá-la, era como se ela tivesse um longo enjoo. “Passei de príncipe encantado a monstro.” Não dormiam juntos, não davam beijos, nem abraços. Eram dois adultos unidos pelo peso da responsabilidade. A criança nasceu e nada mudou. “Um dia, arranjou-me emprego. Eu ia arrumar carros e ela ia trabalhar numa caixa de supermercado.”

Veio embora, achando que ela colocara em causa a profissão, a vida que ele escolhera. Não era uma situação inédita. Muito por força dos fluxos migratórios e das novas formas de mobilidade, as famílias tornam-se mais diversas e um número indeterminado de crianças tem um progenitor num país e outro noutro.

Prescindiu de qualquer direito legal, para que ela pudesse usufruir de todos os apoios previstos para famílias monoparentais. No princípio, via a filha duas ou três vezes por ano, mandava algum dinheiro, tentava cobrir algumas despesas extras. “Nunca era suficiente”, diz. Um aniversário, foi visitá-la e a mãe disse-lhe que passasse o dia fora, porque haveria uma festa e ele, que ali não estava nos outros dias, não fora convidado. Tinha a menina uns seis anos, Viriato fartou-se, desapareceu. Esteve um ano sem dar notícias. E, a partir daí, tudo melhorou.

A filha conta quase 16 anos. A ex-companheira refez há muito a vida amorosa. Casou-se. Teve outra menina. E a filha de Viriato, que lhe chama daddy, também passou a chamar daddy ao padrasto. Um está com ela, o outro está acessível pela Internet. “Cada um sabe o seu lugar e age de acordo com isso.”

Susana quer salvaguardar o futuro

Percebeu que o irmão tem o nome do pai dele. Perguntou se também podia ter o nome do padrasto. E a mãe, Susana, começou a pensar no que aconteceria se um dia algo terrível lhe acontecesse. “Gostava que ele ficasse responsável por ela.”

Haverá quem estranhe pensamentos obscuros. Susana não. “A vida tem sido tão injusta…” O ex-companheiro batia-lhe. Bateu-lhe durante a gravidez. Bateu-lhe depois da gravidez. “Eu tinha 21 anos. Tinha medo que me tirassem o bebé, se fosse fazer queixa.” Foi aguentando. Um dia, ele pôs-lhe as malas à porta.

A menina tinha dois anos quando os pais se separaram. Presume Susana que, para a irritar, o pai pediu a guarda. O tribunal de Almada tomou decisão contrária e ele desinteressou-se. “Nunca deu pensão de alimentos, nunca fez uma visita, nunca faz um telefonema, nunca mais quis saber da filha.”

Só aos nove anos a menina conheceu alguém que vê como um pai. “Foi um anjo que me apareceu na vida quando eu já não acreditava em nada”, diz a mãe. Uma doença crónica foi-lhe diagnosticada. Tinha de fazer um tratamento diário. Um amigo começou a acompanhá-la. “O amor aconteceu.”

Padrasto e enteada ligaram-se de imediato. “São muito cúmplices, com todo o respeito, claro.” Não é sempre maravilhoso. É a vida a acontecer. “Ela está com 13 anos. É adolescente. Está com manias. Quando é preciso chamar a atenção, ele chama. Ser pai é educar, dar amor. Educar não é dar tudo, é dizer não na hora certa.” A família cresceu, entretanto. Tiveram um bebé há 15 meses. “Ele é filho biológico e ela não, mas não há distinções. Se dá uma coisa a um, dá a outro.”

Se acontecesse algo a Susana, o companheiro teria de bater-se em tribunal pela guarda da menina. Poderia vir a ser-lhe confiada, mas a prioridade seria dada a familiares do lado da mãe e do pai. E é por isso que lhe agrada tanto a possibilidade de alargar as responsabilidades parentais da filha ao companheiro. Olhando para a família que está a construir em Lisboa, parece-lhe que já é tempo de “mudar a imagem das madrastas e dos padrastos das histórias infantis”. “Há padrastos que são muito melhores do que os pais e madrastas que são muito melhores do que mães”, remata.

 

 

 


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