Superavós. Criaram os filhos e agora educam os netos

Março 11, 2015 às 2:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Notícia do i de 4 de março de 2015.

António Pedro Santos

Por Bárbara Marinho

Os avós já não substituem as creches no entanto continuam a ter um papel fundamental na vida dos netos e no apoio que prestam aos filhos

Os avós portugueses são entre os europeus os que mais tempo passam com os netos. Seja porque a crise se intrometeu na vida familiar ou porque os pais estão ocupados com o trabalho, o certo é que esta nova geração de avós tem um papel muito mais activo no crescimento dos netos, avisa o pediatra José Guimarães. É o caso de Leonor, agora com cinco anos. Passava os dias “e até as noites” com a avó Ilda desde os três meses, mas ao completar três anos foi para a pré-escola. “Deixou-me muita pena”, lamenta a avó Ilda, de 79 anos, recordando como passavam os dias a contar histórias e cantar-lhe muitas canções porque não queria que a neta fosse uma criança infeliz por conviver com uma velhota.

“A minha neta é como uma filha para mim, usufruo mais dela e acompanho todos os seus passos”, conta Ilda. O tempo que lhe sobra é o tempo que falta à mãe de Leonor por estar a trabalhar. É a avó portanto que ainda hoje vai todos os dias buscar a neta ao colégio, que está próximo da sua casa.

O recurso aos avós para cuidar das crianças a tempo inteiro tem muitas vezes razões económicas, mas não só. O estudo do “Fórum da Criança”, recentemente  divulgado, revela que dois em cada três avós dizem estar com os netos em casa durante o dia ou depois das aulas, assumindo um “papel primordial” na gestão do dia-a-dia das famílias, estando presentes nas rotinas diárias dos netos.

A importância dos avós é cada vez mais perceptível, conta o pediatra José Guimarães. E essa presença até se nota quando vê que são os avós que agora acompanham as crianças nas consultas. A crise tem tido um “impacto terrível “ no apoio financeiro: “Com as elevadas taxas de desemprego e com o aumento de emigração, os pais têm menos possibilidades de ajudar.” Apesar do convívio intergeracional ser fundamental, o especialista avisa que os avós devem ter apenas um papel “interventivo” sendo que os pais é que devem educar.

Será quase impossível pedir aos avós para não assumirem também o papel de educadores. Ilda Colaço é uma das principais figuras na vida da neta, mas ressalva que não se limita a fazer-lhe só as vontades: “É “é preciso educar sendo que quando digo não, explico-lhe sempre o porquê”.

E não é só um dos lados deste elo que sai a ganhar, admite a avó: “A Leonor é muito mais útil a mim do que eu a ela pois ajuda imenso, faz-me sentir feliz preenchendo-me, de outra forma, a minha vida seria muito mais parada e não teria muito para fazer”. Se há diferenças entra ela e a avó dela, Ilda não sabe explicar porque nem os chegou a conhecer, mas não duvida que esta nova geração de avós é muito diferente da anterior.

Se Ilda tem neste momento uma única neta para cuidar, a avó Antonieta TEVE sete e sabe que a proximidade que há hoje com os netos não é a mesma de antigamente: “Não existia essa intimidade nem passávamos tanto tempo com eles.”

Antonieta educou quase todos os seus sete netos pois o trabalho dos seus filhos não permitia que passassem mais tempo com as crianças. A maioria dos netos esteve com a avó até aos três anos e depois entraram para o infantário, por conselho do pediatra. Os netos foram crescendo, mas mesmo os mais velhos continuam a visitar a avó e a passar tempo com ela.

“Temos o mesmo amor de filho igual ao amor de netos mas com ainda mais responsabilidade por não serem nossos”, explica Antonieta, concluindo que “não se pode fazer todas as vontades às crianças: “Dou muitos mimos mas não ao ponto de estragá-los”.

E avós há muitos e para todos os gostos, dependendo de vários factores – idade, situação profissional, distância geográfica, entre muitos outros. A socióloga Maria Filomena Mónica diz até que “a ideia de estão a educar mais os netos hoje do que antigamente, é uma visão anacrónica pois as avós sempre educaram, uma vez que ficavam em casa”, explica.

E que peso têm os avós na personalidade dos mais novos? Depende sempre do tipo de avós, responde a socióloga.  “Se a avó é desleixada e passa a vida no cabeleireiro, não dará um bom exemplo para a neta mas, se por outro lado, for um bom modelo vai influenciar positivamente a neta”, refere. Maria Filomena Mónica explica ainda que “a educação dos filhos continua a estar muito mais associada à mãe do que ao pai sendo que as mães abdicam muito mais da carreira do que os pais.

 

 

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