Jovens de zonas problemáticas de Lisboa “satisfeitos com a sua forma de ser”

Fevereiro 8, 2015 às 7:13 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 29 de janeiro de 2015.

Público

ROMANA BORJA-SANTOS

Resultados do estudo sobre participantes no programa de intervenção Young Health Programme (YHP) – Like ME surpreende investigadores. Jovens mostram bons comportamentos em matéria de saúde e uma percepção positiva da sua auto-estima, assim como poucos episódios de violência.

Numa sala de actividades todos são convidados a escrever o seu maior medo num balão. Depois, ao acaso, trocam-se os balões entre os jovens presentes e cada um tem de falar sobre a palavra que lhe calhou e propor formas de ultrapassar o problema. De aranhas, ao receio de perder a mãe, ou até pedofilia – são vários os medos no grupo. O exercício faz parte do Young Health Programme (YHP) – Like ME, um programa de intervenção junto de mais de 100 jovens de bairros problemáticos de Lisboa, com idades entre os nove e os 13 anos, e que se foca na saúde mental. Um estudo, conhecido nesta quarta-feira, procurou perceber os comportamentos e atitudes destes participantes e os resultados surpreenderam os investigadores: os casos de violência, agressão e problemas de auto-estima contrariam os “pré-conceitos” existentes.

“À partida havia um pré-conceito de que iriamos encontrar dados problemáticos do ponto de vista de comportamentos de saúde, de aspectos comportamentais e de atitudes que estes jovens poderiam ter e que de certa forma estão estereotipados. Este estudo veio rebater isso completamente e mostrar que há aqui um manancial de terreno que se pode aproveitar visto que eles dão importância a muitos aspectos”, sintetizou ao PÚBLICO o investigador Manuel Luís Capelas, um dos coordenadores do estudo do Centro de Investigação Interdisciplinar em Saúde do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa, feito em articulação com a organização não-governamental Médicos do Mundo. O trabalho envolveu 113 jovens.

Like ME, como lhe chamam, integrado no programa de responsabilidade social da farmacêutica AstraZeneca, foi lançado em Fevereiro de 2013, com o objectivo de trabalhar com os jovens problemas relacionados com a saúde mental. Todos eles eram já acompanhados, visto que estão também integrados no programa Escolhas – que está há mais de dez anos no terreno com o objectivo de promover a inclusão social de crianças e jovens provenientes de contextos socioeconómicos mais vulneráveis. As crianças vivem em bairros de Lisboa sinalizados.

Para Manuel Luís Capelas este acompanhamento prévio é fundamental para os resultados do estudo agora conhecido e cujos dados foram recolhidos antes de os jovens beneficiarem das actividades do Like ME. No final do programa, no segundo semestre deste ano, haverá uma continuação da investigação para analisar a evolução. “Estes jovens, que têm algumas dificuldades porque vêm de meios que não os ajudam a desenvolver as suas características e competências, com este tipo de apoios estão exactamente nas mesmas circunstâncias que os outros. De base atribuem a importância necessária aos diversos aspectos que merecem ser realçados”, acrescentou o investigador. Os dados apurados apontam para que “estes jovens estão satisfeitos com a sua forma de ser”, com mais de 45% dos jovens com um score máximo em termos de pontuação.

Esta é também a percepção de Rita Mendes, técnica da Médicos do Mundo a desenvolver o programa no terreno. “Os casos de conflito, de violência e de bullying entre estes jovens não têm a dimensão que se pensava. O conflito está ainda muito presente mas não se concretiza em actos mais graves, sendo o mais comum a observação de agressões do que a participação”, resume, reforçando que os actos são quase sempre entre colegas e não com professores.

A técnica acredita que os programas de que são alvo têm ajudado a mudar a realidade e dá exemplos de formas como ajudam os participantes a “colocarem-se na pele do outro”. Uma das actividades passa por estarem todos vendados e de mãos atadas, ao mesmo tempo que têm de tentar escrever um pedido de ajuda ou de fazer um laço. “A ideia é que percebam como é difícil pedir ajuda quando se é vítima ou como se sente uma vítima de bullying”, justificou.

As conclusões mostram que os jovens têm bons comportamentos em matéria de saúde, uma percepção positiva da sua auto-estima, imagem física, rendimento escolar ou actividade física, assim como dizem estar bem integrados na escola – uma perspectiva que foi corroborada pelos dinamizadores que também participaram no estudo. Aliás, uma das figuras que apontam em 20% como alguém a quem pedem ajuda é precisamente o professor. O primeiro lugar, com 54%, é ocupado pela mãe.

Em termos de armas de fogo ou armas brancas, a esmagadora maioria nunca teve nenhuma, nem nunca faltou à escola por motivos de insegurança. Da amostra de 113 jovens, 97 responderam a perguntas sobre actos de violência em que participaram no último ano. Um terço confirmou a existência destes momentos, quase sempre na escola, mas em nenhum caso resultaram lesões físicas a destacar.

Do lado negativo, mas tendo em atenção a idade, o trabalho salienta que mais de um terço dos jovens nunca tinha ouvido falar do VIH/sida. Porém, também só cinco já tinham começado a sua vida sexual e quatro não utilizaram preservativo da última vez que tiveram relações. Houve 5,4% de jovens que se magoaram propositadamente para lidar com alguma situação. O acesso da cuidados de saúde dentária é outro dos problemas identificados. Ainda no campo dos comportamentos, quase nenhum disse ter consumido alguma vez produtos como tabaco, álcool ou outras drogas. Em termos de segurança, mais de 73% nunca usaram capacete ao andar de bicicleta nos últimos 12 meses, mas ao andar de carro mais de 61% utilizaram cinto de segurança.

“Sinalizámos alguns aspectos que precisam de intervenção mas, no geral, a semente está lá, o terreno está lá, é só criar condições para que floresçam. É esta a grande conclusão que também nos surpreendeu a nós, pelo que o mais essencial é ajudar estes jovens a viverem nos meios mas tendo uma postura crítica. É um trabalho geracional para que quando cheguem aos 17 ou 18 anos não tenham o comportamento que os outros têm ou tiveram e que estereotipam o que se espera destes jovens”, resumiu Manuel Luís Capelas.

Quanto ao futuro, na segunda parte do estudo os investigadores esperam observar dados ainda mais positivos, já que o Like ME quer aumentar em 30% a auto-estima dos participantes e em 10% as suas capacidades na área da saúde mental. Por realizar estão ainda actividades como um campo de férias que terá lugar no Versão e durante o qual vão fazer uma produção de sete pequenos episódios para uma mini-série sobre os temas trabalhados nas oficinas temáticas.

 

mais informações:

http://www.medicosdomundo.pt/pt/agenda/detail/id/114

http://www.younghealthprogrammeyhp.com/country-programmes/Portugal

 

 

Especialistas preocupados com reorganização da Proteção de Menores

Fevereiro 8, 2015 às 7:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da RTP de 29 de janeiro de 2015.

ver a reportagem aqui

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Ana Luísa Rodrigues/ Luís Côrte-Real/ Manuel dos Santos/ António Nunes

Pode estar em causa o normal funcionamento das Comissões de Protecção de crianças e jovens em risco. A redução de funcionários e a reorganização dos serviços estão a retirar profissionais, o que está a preocupar os especialistas. Mesmo as estruturas com maior volume de trabalho, como Sintra ou Amadora, não vão ser poupadas. Mas o Instituto da Segurança Social diz que está assegurado o seu normal funcionamento.

 

Projecto Pi-Pequena Infância – Oficinas de expressão dramática com crianças/jovens hospitalizados e institucionalizados

Fevereiro 8, 2015 às 3:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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pi

239859981

projectopinfancia@gmail.com

https://www.facebook.com/pages/Projecto-Pi-Pequena-Inf%C3%A2ncia/464939490243570?sk=timeline

UNESCO e UNICEF lançam relatório global sobre crianças privadas de escola

Fevereiro 8, 2015 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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global

 

Adolescents twice as likely to be out of school as primary school-age children say UIS and UNICEF

New report shows why ‘business as usual’ won’t lead to universal primary or secondary education

 

Around 63 million adolescents between the ages of 12 to 15 years are denied their right to an education according to a new joint report from the UNESCO Institute for Statistics and UNICEF, “Fixing the broken Promise of Education for All – Findings from the Global Initiative on Out-of-School Children“. The report and related data tool were sponsored by the Global Partnership for Education.

Globally, one in five adolescents is excluded from the classroom, compared to one in 11 primary school aged children. So, adolescents are twice as likely to be out of school as their younger counterparts. The report shows that, as children get older, the risk that they will never start school or will drop out increases.

In total, 121 million children and adolescents have never started school or dropped out despite the international community’s promise to achieve universal primary education by 2015. Data show that there has been almost no progress in reducing this number since 2007. Children living in conflict, child labourers and those facing discrimination based on ethnicity, gender and disability are the most marginalised. There is also a growing concern that previous gains in expanding access to education will erode without a major shift in policies and resources. If current trends continue, 25 million children – 15 million girls and 10 million boys — are likely to never set foot inside a classroom.

 

Saiba mais AQUI.

7ª edição do concurso Histórias da Ajudaris

Fevereiro 8, 2015 às 10:16 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Cartaz-inscrição1-723x1024

mais informações:

http://site.ajudaris.org/historias-da-ajudaris15-inscricoes-abertas/

 


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