Uma em cada três crianças tem excesso de peso

Novembro 22, 2014 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 19 de novembro de 2014.

Dados estatísticos citados na notícia no link:

http://www.euro.who.int/en/health-topics/disease-prevention/nutrition/activities/monitoring-and-surveillance/who-european-childhood-obesity-surveillance-initiative-cosi

Reuters

Lusa

A obesidade afecta 14,6% das crianças portuguesas com idades entre os 6 e os 9 anos e 21% apresentam sinais de pré-obesidade.

Um estudo sobre obesidade em crianças do primeiro ciclo concluiu que Portugal é um dos países com maior prevalência do problema, entre 17 países europeus, disse Ana Rito, investigadora do sistema de vigilância europeu da Organização Mundial de Saúde.

A obesidade afecta 14,6% das crianças portuguesas com idades entre os 6 e os 9 anos e 21% apresentam sinais de pré-obesidade, indica o último estudo conhecido do Sistema de Vigilância Nutricional Infantil (COSI Portugal) realizado em 2010.

O COSI (Childhood Obesity Surveillance Initiative) é um sistema promovido pela Organização Mundial de Saúde e estuda, de forma padronizada, as crianças de 17 países europeus (Bélgica, Bulgária, Chipre, República Checa, Irlanda, Itália, Letónia, Lituânia, Malta, Noruega, Portugal, Eslovénia, Suécia, Grécia, Hungria, Macedónia e Espanha).

Em termos gerais, e apesar de terem passado mais de três anos sobre o último estudo, a responsável disse acreditar que os níveis de obesidade infantil no país se manterão estabilizados, afirmando que “uma em cada três crianças tem excesso de peso”.

Os dados são referentes a uma amostra de cerca de cinco mil crianças de todo o país que frequentam o ensino primário.

“A obesidade infantil é das doenças mais prevalentes na criança e é um problema geral”, tudo aquilo que “integre o ambiente que envolve a criança é importante para corrigir estas questões”, alertou a nutricionista.

Quanto aos factores que influenciam esta situação, Ana Rito disse que “a família está no topo da lista, porque os pais são os educadores” – porém, não é possível identificar um agente único.

Para dar resposta à doença que a Organização Mundial de Saúde considera como “a epidemia global do século XXI”, o programa MUN-SI para a promoção da saúde infantil em municípios vai lançar, na sexta-feira, dia 28 de Novembro, a campanha “Alimente esta família”.

Segundo adiantou Ana Rito, que também é a directora do programa MUN-SI, esta campanha tem o objectivo de angariar fundos através de chamadas telefónicas para depois levar a cabo acções de acompanhamento nutricional de famílias.

O número da campanha é o 760 10 25 50. Está disponível a partir de sexta-feira, dia 21, sendo que a iniciativa se estende até Abril.

“A cada 200 euros angariados ajuda-se uma família durante seis meses”, explicou.

“As famílias serão identificadas pelos municípios que queiram participar nesta campanha, eles têm um papel extraordinariamente importante porque conhecem as suas realidades e a sua comunidade”, acrescenta.

O programa MUN-SI é coordenado pelo Centro de Estudos e Investigação em Dinâmicas Sociais e Saúde, em parceria com as autarquias e com o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, e conta com o apoio dos Ministérios da Educação e Ciência e também da Saúde.

A apresentação desta campanha vai decorrer no Altis Grand Hotel, pelas 09h30, e insere-se no “European Obesity Forum 2014”, que decorre entre os dias 26 e 28 de Novembro.

 

 

 

Fotógrafa registra o que crianças comem de café da manhã pelo mundo

Novembro 22, 2014 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site http://www.hypeness.com.br 

Há quem diga que é a refeição mais importante do dia, que deve ser forte e te deixar pronto para o que der e vier, mas isso não significa seguir um plano certo. A prova disso é que os típicos cafés da manhã variam muito de país para país. Hannah Whitaker encontrou uma forma de o comprovar.

Nascida nos Estados Unidos da América, a fotógrafa quis perceber as diferenças clicando crianças sonolentas em sete países diferentes e descobriu, por exemplo, que a ideia de que os mais novos devem comer coisas leves e doces é uma tendência criada pela industrialização. Em vários países, como a Índia, é comum o café da manhã das crianças incluir alimentos azedos, fermentados e salgados.

Embora os cereais e o leite com chocolate sejam quase universais, existem lugares onde o arroz, o leite azedo ou bolos feitos de lentilhas e arroz fermentados são práticas comuns. Dá uma olhada no que Whitaker registrou e se surpreenda:

Doga Gunce Gursoy, 8 anos, Istambul, Turquia

O café da manhã desta menina inclui mel e creme de leite, a que os turcos dão o nome de kaymak, no pão torrado. Tem também azeitonas, verdes e pretas, ovos fritos com chouriço, a que chamam de sucuk, manteiga, ovos cozidos, queijos feitos de leite de cabra e de vaca, outras geleias, tortas, tomates, pepinos, rabanetes e outros legumes frescos. O prato fica completo com uma pasta feita de pimentas vermelhas grelhadas, leite e suco de laranja.

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Nathanaël Witschi Picard, 6 anos, Paris, França

Um simples kiwi, uma baguete aberta com geleia de amora e manteiga, cereais com leite frio e um suco de laranja é quanto baste para o café da manhã comum de uma criança na França.

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Saki Suzuki, 2 anos, Tóquio, Japão

O café da manhã desta menina consiste em um prato de soja fermentada, chamado natto, arroz branco, sopa de miso, pepino em conserva, omelete de ovo e salmão grelhado.

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mais fotos aqui

 

 

Pedófilo caça vítimas através do Facebook

Novembro 22, 2014 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Correio da Manhã de 21 de novembro de 2014.

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Uma criança maltratada só fala com um adulto capaz de ouvir a sua terrível história

Novembro 22, 2014 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do Público a Richard Rose no dia 18 de novembro de 2014.

Enric Vives Rubio

Ana Dias Cordeiro

“História de vida” é um método criado para tratar quem sofreu abusos e maus tratos. Está em expansão no Reino Unido, diz Richard Rose. E começou a ser utilizado em Portugal, com dez crianças retiradas às suas famílias no Alentejo.

O britânico Richard Rose é o principal promotor de uma terapia para ajudar crianças traumatizadas a desenvolverem relações afectivas – e a cura – fora do meio natural de vida, ou seja, da família onde nasceram. A metodologia, que criou no Reino Unido em 1997 e a que deu o nome Life Story (história de vida), envolve os cuidadores (nas instituições ou famílias de acolhimento) e transporta a criança no tempo, levando-a a entender o quadro familiar em que os seus avós e os seus pais cresceram antes de se tornarem abusadores ou negligentes.

A técnica “em expansão” no Reino Unido, diz, está a ser desenvolvida na Austrália e experimentada em Portugal onde o especialista supervisiona uma equipa que acompanha, há dois meses, dez crianças a viver em instituições ou acolhidas na família alargada, no Alentejo.

O especialista e autor de dois livros – entre os quais Life Story Therapy with Traumatized Children (2012) – é também professor associado na área de Serviço Social e Política Social na La Trobe University em Melbourne, na Austrália, onde está igualmente ligado ao Berry Street Childhood Institute e trabalha nos Serviços de Famílias de Adopção em Belfast, na Irlanda do Norte. E dirige os Serviços de Intervenção junto de Crianças Traumatizadas em Inglaterra e País de Gales, onde aplica, juntamente com outros profissionais, esse método junto de cerca de 200 crianças retiradas à família – uma pequena minoria do total de 66.600 crianças retiradas aos pais e a viver em instituições ou (a grande parte) famílias de acolhimento, só na Inglaterra e País de Gales.

Richard Rose falou ao PÚBLICO em Lisboa onde esteve nesta segunda-feira a apresentar uma conferência no encontro Os Direitos da Criança no Acolhimento Institucional, organizado pelo programa Crianças e Jovens em Risco da Fundação Calouste Gulbenkian.

Em que consiste o método “história de vida”?  O objectivo é construir uma boa compreensão da experiência de vida da criança, antes e no momento do seu nascimento e desde o nascimento até ao momento actual. O que as crianças e os jovens vão querer saber é se eu, no meu contacto com eles, sou autêntico ou se estou a usar as mesmas palavras que ouviram durante anos de outros profissionais, como “eu percebo, tudo vai correr bem, tens que ultrapassar [os teus traumas]”. O que faço é falar com eles, sobre a sua vida e a sua família, com conhecimento real e não apenas a partir do que li num relatório. Isso faz muita diferença. As crianças percebem que estive na casa dos pais, dos avós ou de outros familiares. Isso permite desenvolver um verdadeiro diálogo com elas e dá-lhes um sentimento de autenticidade e de pertença.

Esse sentimento surge ao fim de quanto tempo? Depois da primeira fase de recolha de informação sobre a criança e a família, a intervenção directa dura nove meses. Durante esse tempo, depois de falarmos da história da criança até ao seu nascimento e depois dele, chegamos ao momento presente e falamos do que a criança gostaria que fosse o seu futuro. E vemos crianças, que estavam muitas vezes presas ao passado, a serem capazes, de um momento para o outro, de perceber que estão no presente e que podem pensar no seu futuro.

É uma viagem no tempo que oferece à criança uma percepção mais positiva de si mesma? Sim, e um método que permite o fortalecimento dos laços entre a criança e o cuidador na instituição ou na família de acolhimento, porque fizeram essa viagem juntos. A partilha de compreensão e de experiências, durante as 18 sessões ao longo dos nove meses da intervenção, cria essa oportunidade de vinculação entre os dois. Quem acolhe a criança pode ver para lá do seu mau comportamento, para lá dos seus problemas, pode ver uma pessoa que precisa de ser protegida. A ideia é que a família de acolhimento se transforme numa âncora e que as crianças em situação de acolhimento passem a ter uma pessoa que as conhece bem, que as compreende, que gosta delas. Antigamente, trabalhávamos com a criança. Mas se não trabalharmos com o acolhimento, como podemos esperar que haja avanços?

O objectivo é pois aproximar a criança da família de acolhimento e ao mesmo tempo levá-la a compreender a família de origem? Sim, a criança precisa de saber o que aconteceu com os pais, para perceber os maus tratos, os abusos sexuais, a negligência que sofreu. Muitas vezes os próprios pais foram maltratados ou abusados em criança. O seu entendimento do que é cuidar de uma criança está alterado em função da sua própria experiência. Nessa altura, junto da criança, a abordagem deve ser não a de diabolizar o comportamento que ela própria está susceptível de desenvolver, influenciada pelo comportamento que os pais tiveram com ela, mas perceber a origem desse comportamento. Falamos das suas experiências, das terríveis recordações do passado e da dor. Os adultos não gostam de ouvir falar desse tipo de dor, dos maus tratos, dos abusos sexuais. Mas é isso que está na cabeça das crianças. É disso que elas vão falar.

E conseguem falar disso facilmente? Não falam disso facilmente, dos maus tratos, dos abusos sexuais. É preciso desenvolver uma relação de confiança com elas e mostrar que se é capaz de ouvir o que elas têm para dizer e receber essa informação de forma segura. O que elas não querem é dizer uma coisa muito difícil a uma pessoa e sentir que essa pessoa fica abalada com essa informação. Se sentem que nos vão magoar ao dizer algo muito triste, não o vão dizer.

Protegem quem as está a ouvir? Protegem. As crianças questionam-se se a pessoa pode ouvir as coisas que tem para dizer ou se são demasiado horríveis. E retraem-se. Mesmo as muito pequeninas. Nas entrevistas em que acusam os pais de abusos sexuais, retraem-se se sentem que a pessoa não é capaz de ouvir esse tipo de relato.

E desresponsabilizam os pais ou acusam-nos?  Muitas crianças com quem trabalho desenvolvem uma história que as mantém seguras. Trabalho com uma menina de 13 anos, que me diz que quando tinha três anos o pai abusava dela. E que ele não é verdadeiramente responsável pelo que aconteceu, porque ela podia tê-lo impedido de o fazer, se quisesse. Num caso destes, não valeria de nada eu dizer-lhe que o pai é que é responsável e não ela, porque toda a gente já lho disse. Ela já ouviu isso e isso não lhe faz sentido.

Como se consegue então pô-la a pensar que não foi responsável? O meu trabalho foi pô-la a reflectir sobre o que é ser uma criança de três anos, como pensa uma criança de três anos, como fala, quais as suas faculdades. E depois ver como é um adulto, um pai, não o pai dela, mas como é um pai, que pode ser bom ou não. No fim, ela foi capaz de dizer que não podia tê-lo impedido de abusar dela mesmo se quisesse. E essa [convicção] era a chave. Porque naquele momento, ela não estava preparada para ouvir que o pai era responsável. O que ela tinha que compreender era que a sua culpa e a sua vergonha não estavam bem direccionadas. Ela tinha que chegar a essa conclusão. E chegou.

 

 

 

 

 

 


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