Ciclo de Oficinas de Música Para Bebés na Ludobiblioteca do Alto da Peça – Alcabideche

Novembro 19, 2014 às 9:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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ciclo

No próximo sábado, 22 de novembro, entre 16h e as 17h, a Ludobiblioteca do Alto da Peça em parceria com a It`s Kids Time vão dinamizar uma oficina de música, a pensar em todos os bebés (3 meses aos 3 anos) e famílias que queiram estar connosco.

Venham daí!

 (Marcação prévia para os números: 21 460 32 12; TM: 932 55 90 85; oficina paga no local: 4€ por família)

 Praceta Dr. António Gonçalves Amaral – Alto da Peça, 2645-130 ALCABIDECHE

http://www.jf-alcabideche.pt/index.php/escolasji-jfa/ludobiblioteca-escolas-jfa/ludoteca-escolas-jfa

 

Seminário Especialização – Os direitos de defesa dos menores infractores

Novembro 19, 2014 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações aqui

Sessão Comemorativa do 25º Aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança

Novembro 19, 2014 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Solicita-se confirmação para forumdireitoscriancas@gmail.com

Entrega da III Edição do Prémio de Jornalismo “Os Direitos da Criança em Notícia e lançamento da IVª edição deste Prémio.

Programa (pdf)

 

Uma em 30 crianças nos EUA não tem abrigo

Novembro 19, 2014 às 1:30 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 18 de novembro de 2014.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

America’s Youngest Outcasts

mais informações no site http://www.homelesschildrenamerica.org/

Robyn Beck  AFP

Uma em cada 30 crianças nos EUA não tem casa, um máximo histórico que é atribuído às altas taxas de pobreza no país, aos elevados custos das habitações e ao impacto da violência doméstica.

O relatório “Os marginais mais jovens dos EUA”, publicado pelo Centro Nacional de Famílias Desamparadas, indica que cerca de 2,5 milhões de crianças norte-americanas estiveram sem casa em algum momento no ano de 2013.

“A falta de habitação entre as crianças alcançou proporções epidémicas. Há crianças sem casa esta noite em cada cidade, em cada condado, em cada Estado, em cada canto do país”, assegurou Carmela DeCandia, coautora do estudo e diretora do centro encarregado da sua redação.

Apesar de DeCandia reconhecer que o governo federal conseguiu avanços na redução da falta de abrigo para veteranos de guerra e adultos, insistiu em que o número de crianças sem-abrigo aumentou 8% entre 2012 e 2013.

“Não se dirigiu o mesmo nível de atenção e recursos para ajudar as famílias e as crianças. Como sociedade, vamos pagar um preço alto, em termos humanos e económicos”, acrescentou.

No documento explica-se que esta situação afeta a saúde dos menores de maneira drástica, uma vez que mais de 25% das crianças em idade pré-escolar sem-abrigo sofrem problemas mentais e requerem atenção médica, percentagem que aumenta para 40% no caso dos menores em idade escolar.

Muitos, adverte-se no relatório, lutam por ir à escola, perdem muitas aulas, repetem anos e acabam por abandonar a escola.

“Viver em refúgios, sótãos de vizinhos, carros, tendas de campismo e locais piores faz com que as crianças sem habitação sejam as pessoas mais invisíveis e esquecidas da nossa sociedade”, disse Decandia, para quem, “sem uma ação decisiva imediata, o objetivo de acabar com a falta de habitação na infância até 2020 ficará fora de alcance”.

 

Mariana conta o que é viver com o peso de ter perdido a mãe às mãos do seu próprio pai

Novembro 19, 2014 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem do i de 14 de novembro de 2014.

Getty Images

Por Rosa Ramos

Ricardo planeou o crime e foi condenado a 15 anos de cadeia. Cumpriu metade da pena e, 13 anos depois, ainda não pagou a indemnização

Mariana continua a ver o rosto do pai em cada esquina. Passaram 13 anos desde a manhã em que a mãe foi encontrada morta numa rua pouco movimentada, dentro de um carro com um dos vidros partido. Uma mulher, registou a PSP, “de raça caucasiana aparentando ter cerca de 40 anos”. Horas depois, os inspectores da PJ concluíam, na nota de serviço enviada ao coordenador dos homicídios, que dificilmente o crime teria ocorrido ali.

Na noite anterior o pai foi buscá-la mais tarde a casa dos avós. Avisou que tinha trabalho para fazer na empresa e pediu se lhe podiam dar o jantar. Ao fim da tarde a filha quis telefonar à mãe. “Estou a ir para casa”, disse-lhe Helena. Nem meia hora depois, quando Mariana – mais ansiosa que o normal – voltou a pedir aos avós para fazer outra chamada, o telemóvel já não dava sinal.

Ricardo apareceu em casa dos pais pouco antes da meia-noite. Jantou normalmente e Mariana recorda-se de se sentir agitada: a mãe nunca desligava o telemóvel e costumavam telefonar-se pelo menos quatro vezes por dia. Entrou no carro do pai e a caminho de casa só pensava em vê-la. Mas quando abriu a porta do apartamento, num dos bairros mais caros de Lisboa, as luzes estavam apagadas e não havia ninguém em casa. O pai disse-lhe que não sabia dela, que se fosse deitar porque no dia seguinte tinha escola e a mãe haveria de chegar entretanto. A caminho da cama, de pijama, Mariana ainda tentou abrir a porta do quarto dos pais, mas estava trancada à chave. Ricardo, irritado, insistiu que fosse dormir.

Mariana passou boa parte da noite em claro: em 10 anos a mãe nunca lhe tinha falhado e só podia ter acontecido alguma coisa séria. “Dei voltas na cama e, ainda hoje não sei porquê, pensei que a minha mãe nunca mais ia voltar e no que iam dizer os meus colegas da escola quando soubessem que eu já não tinha mãe.” Antes de adormecer deixou de remoer naquilo: a mãe ia voltar com certeza e aqueles pensamentos eram “estúpidos”.

Na manhã seguinte o pai levou-a à escola – um dos melhores colégios de Lisboa. Tudo parecia normal, à excepção de a mãe ainda não ter aparecido. Nas aulas confidenciou à melhor amiga que pressentia algo de grave. E quando, à hora de almoço, viu a avó paterna à porta da escola desatou aos soluços. “A minha mãe não vai voltar, pois não?” A avó abraçou-a, chorou e levou-a para casa.

O limbo A família inteira estava reunida no apartamento. Avós, primos, tios. Alguns vieram de longe até Lisboa. A mãe tinha sido assaltada durante a noite e não ia voltar. Mariana ficou sozinha no quarto. Da sala chegavam palavras soltas e o choro do avô materno. Pouco tempo depois, Ricardo era preso preventivamente, ficando ainda assim com a guarda da filha. O tribunal considerou que retirar Mariana do colégio e de Lisboa iria agravar ainda mais o sofrimento da perda da mãe. Além disso, os avós maternos, já na casa dos 70 anos, viviam no Porto e estavam, também eles, a tentar digerir a morte de Helena.

A vida de Mariana levou uma volta gigante. Todos os fins-de-semana visitava o pai. Na cadeia, Ricardo perguntava-lhe como ia a escola e queria saber o que tinha feito durante a semana. Repetia que estava inocente e que era normal estar preso por ser a pessoa mais próxima da mãe. Prometia que o assunto seria esclarecido em breve. Mariana acreditava e sofria não só pela mãe, mas também pelo pai, trancado na prisão.

Em casa dos avós o tema era tabu. O avô dizia-lhe só que nunca se esquecesse que o pai gostava muito dela. Mesmo assim, e com 11 anos, percebia que havia peças soltas. A família materna cortara relações com a paterna, havia discussões constantes e, nas férias de Verão, no Porto, encontrou dezenas de fotografias rasgadas ao meio. A avó tinha-se desfeito de todas as imagens de Ricardo. Nas conversas que ia apanhando aqui e ali só se falava do grande dia. O dia em que o juiz ia dizer se o pai era ou não culpado.

Mariana acreditava que não. Era verdade que os pais tinham uma relação estranha, se a comparasse com a dos pais das amigas. Ricardo sempre dormira no sofá. Nunca saíam os três juntos, nem aos fins-de-semana. Mariana passeava ou com o pai ou com a mãe. Em casa ou havia muitos silêncios ou discussões. “Sempre por minha causa. Discutiam quem passava mais tempo comigo e quem me ia levar aqui ou ali.” O pai desdobrava-se em cuidados com ela. Quando a levava à casa de banho, desinfectava as sanitas com álcool antes de a sentar.

Não lhe faltavam presentes e uma boa educação. Às vezes faltava era afecto. A família do lado paterno, riquíssima, era muito fria. Ninguém se abraçava ou beijava. E o pai – que as amigas da mãe descreveram à PJ como sendo “doente” por Mariana – também não era expansivo nos afectos: “A única pessoa que eu abraçava e deixava abraçar-me e beijar-me era minha mãe.”

No dia “D”, a avó materna telefonou- -lhe à hora de almoço. Tinha chegado o dia de que todos falavam e o pai foi condenado a 15 anos de prisão e ao pagamento de 100 mil euros de indemnização. “Quando um juiz diz que uma pessoa é culpada é porque a pessoa é mesmo culpada, não é, avó?” A avó respondeu que sim. “E os juízes nunca se enganam, pois não?”

O jogo Mariana passou a ser uma peça de um tabuleiro de xadrez em que o jogo se tornou demasiado complicado. Uma parte da família puxava para um lado, a outra parte para outro. O assunto da morte da mãe tornou-se, em absoluto, um tabu. A família em peso fingia que nada tinha acontecido e os avós paternos repetiam todos os dias: “Não te esqueças que o teu pai te adora.” Aos fins-de-semana, na cadeia, Ricardo continuava a jurar-lhe que era tudo um equívoco. “Não te preocupes, eu vou sair daqui. Há outras soluções, outras maneiras.”

As “soluções” eram os recursos – que subiram até ao Tribunal dos Direitos Humanos – e a mudança constante de estabelecimento prisional. “Quanto pior fosse a prisão onde ele estava, mais hipóteses tinha de se destacar pelo bom comportamento. Ganhava prémios, e assim poderia sair mais cedo.” Havia dias em que Mariana pensava que o pai podia estar realmente inocente. Noutros duvidava. Noutros ainda tinha a certeza de que era um monstro. Às vezes gostava dele. Uma das melhores amigas, uma miúda com 13 anos, disse-lhe um dia: “Vais ter de te começar a preparar para perceber como são realmente as coisas.” Aquilo caiu-lhe mal. Deixou de falar à amiga e chorou sozinha. Onde estava a verdade e qual era a mentira? Pelo meio, esforçava-se para, no meio da batalha, não magoar ninguém. Nem o pai, nem os avós maternos, nem os paternos: “Com 13 anos, queria cuidar de toda a gente.”

A certeza chegou pouco tempo depois nos corredores de um centro comercial. Numa tarde em que foi ao cinema com os amigos da escola, deu de caras com quatro páginas numa revista cor-de-rosa com a descrição pormenorizada de como o pai tinha matado a mãe. O artigo era ilustrado com fotografias do pai no elevador de casa, antes e depois do crime. Sempre com a mesma expressão. Mariana jurou odiá-lo para sempre.

A guerra Os avós paternos continuavam a obrigá-la a ir vê-lo à cadeia. Mariana inventava tudo para escapar. Punha o termómetro no candeeiro da mesa-de–cabeceira do quarto para fingir febre, chorava, suplicava, mas o avô arrancava-a sempre da cama. Com o tempo, deixou de se arranjar. Vestia o que estivesse à mão. Era indiferente. A vida era um inferno.

Aos 13 anos fartou-se e decidiu fugir para casa dos avós maternos, no Porto, onde passava as férias. Planeou tudo, com o pragmatismo de um adulto. Avisou a directora de turma que não contasse com a inscrição dela no ano lectivo seguinte e despediu-se das melhores amigas. Quando os avós a foram buscar à porta do colégio, já com as malas feitas e o cão, Mariana desprendeu as mãos das mãos da melhor amiga, chorou e tirou uma “fotografia mental” da fachada do colégio. “Adeus, nunca me vou esquecer de ti.”

No fim das férias, os avós paternos começaram a telefonar e a perguntar quando regressava. Enquanto isso, os pais de Helena visitavam em segredo escolas e psicólogos. Com o ano lectivo prestes a arrancar, Mariana ganhou coragem e anunciou ao avô de Lisboa: “Não vou voltar nunca.” O avô perguntou se tinha a certeza, ofereceu-se para ir ao Porto falar com ela, mas ela recusava. “Não queria vê-los nunca mais.” Pelo meio andava de psicólogo em psicólogo. Diziam, todos, não conseguir ajudar: Mariana sentava-se nos consultórios mas ninguém lhe arrancava uma palavra.

Os avós maternos deram entrada com os papéis no tribunal para conseguir a guarda da neta. O juiz concordou, mas o pai, da cadeia e representado pelos avós paternos, recorreu. Os avós do Porto voltaram a recorrer. O pai recorreu novamente. “Foi assim durante quatro anos.” Uma guerra fria, mediada por advogados e juízes de batinas pretas. Sempre que havia um novo pedido, Mariana era chamada à barra do tribunal, bombardeada dezenas de vezes com as mesmas perguntas: gostas mais de que avós, não tens saudades do colégio e dos amigos de Lisboa, como é a tua casa no Porto? Os dois lados da família cruzavam-se nos corredores, mudos, antes das audiências.

Mariana deixara de ir ver o pai à cadeia, mas ainda lhe atendia o telefone. “Um dia supliquei-lhe que parasse com aquilo porque não me estava a fazer bem. Por favor, pára de meter recursos, deixa-me viver, deixa-me ter paz.” Do outro lado da linha ouvia: “Um pai nunca desiste de uma filha.” Pelo meio, uma das advogadas da família paterna decidiu abandonar o caso. Não aguentava fazer parte daquilo. “Fui muito exposta nos tribunais, demasiado exposta. A regulação não podia ter demorado tanto tempo e os recursos do meu pai nunca deveriam ter sido sequer considerados.” Afinal o homem que exigia a guarda da filha tinha sido mesmo o homem que lhe tinha roubado a mãe. E a infância.

Morrer por dentro Mariana tornou – se uma adolescente complicada. Discutia com os avós maternos, que a proibiam de estar com o primeiro namorado. “Foi tão doloroso… Ele era a única coisa que eu tinha de bom na minha vida.” A avó morria de medo que a neta cometesse algum erro, engravidasse, se metesse em sarilhos. “Talvez por saber que qualquer deslize seria suficiente para o tribunal decidir que eu teria de ir para casa dos meus avós paternos.” Os anos foram passando e os contactos com a família de Lisboa começaram a ser cada vez menos frequentes. Do pai ou da família dele nunca chegou ajuda para os estudos. No Natal, os avós mandavam-lhe um presente pelo correio. Ricardo continuava a ligar da cadeia. Queria saber dela, como corria a vida. Sobre a morte da mãe, nem uma palavra. Apesar de o ver como um monstro, demorou desligar-se. “Ainda hoje não compreendo porquê. Simplesmente não conseguia cortar de vez.”

Num desses telefonemas ganhou coragem e disse-lhe: “Já chega de fingir que não se passou nada. Ambos sabemos o que se passou e tu também sabes que eu sei. Se quiseres voltar a ver-me, diz- -me agora o que se passou na tua cabeça naquela noite porque eu preciso de saber. Tens de falar.” Respondeu-lhe que não queria falar disso ao telefone. Foi a última vez que Mariana ouviu a voz do pai.

A saída da cadeia A história de Mariana é feita de coincidências, acontecimentos inexplicáveis e demasiadas montanhas-russas. Num Verão, de férias no estrangeiro com um casal amigo dos pais, chegou, por SMS, a notícia que durante anos temera. Ricardo tinha acabado de enviar uma mensagem ao amigo anunciando que saíra da prisão. Tinham passado sete anos e meio desde o homicídio.

“Foi uma sorte ter sabido. Nunca ninguém, até hoje, do tribunal ou dos advogados, me informou da saída do meu pai”, diz Mariana. O que se seguiu foi um inferno psicológico. Até porque, meses antes, tinha ido ao tribunal consultar o processo do homicídio da mãe. Leu tudo. Como o pai premeditou e preparou o crime durante muito tempo. Como embrulhou o cadáver na roupa da cama do quarto de casal. Como tentara comprar uma arma duas semanas antes. E a confissão de como matou a mulher, que falava sistematicamente em divórcio, para não perder a filha.

Ricardo não suportava a ideia de passar a ver filha de 15 em 15 dias. “No fundo a razão do homicídio fui eu. Eu fui a causa daquilo.” Depois de folhear as centenas de páginas do processo, dividido por seis volumes, Mariana teve só uma certeza: “Percebi que nunca seria capaz de ser uma pessoa normal e passei a olhar para a vida de maneira diferente, com frieza.” Só não encontrou a resposta à pergunta que ainda hoje a persegue: “Porque é que o meu pai fez aquilo? Nunca vou ter uma explicação e nunca vou ser capaz de entrar na cabeça dele.”

Depois de sair da cadeia, Ricardo nunca abordou a filha, mas Mariana tinha medo. Medo de que a procurasse ou fizesse mal ao tio ou aos avós. Medo de que desse cabo dos namorados dela, com ciúmes. Medo de que estivesse à porta sempre que saía de casa. Medo de ser raptada. Medo de o confrontar. Todos os dias via a cara do pai nas pessoas que passavam na rua. “E o silêncio dele assustava-me ainda mais, como se estivesse iminente um qualquer plano para qualquer coisa.”

A perseguição Pouco depois da libertação de Ricardo, Mariana regressou a Lisboa para fazer a faculdade. Arrendou uma casa com duas amigas e, dias depois de ter feito anos, encontrou uma caixa enorme à porta do apartamento. Lá dentro havia um colar, cartas e fotografias de pai e filha. Felizes na neve, na praia, em viagens que fizeram. Entrou em pânico. Como sabia ele a rua, o prédio e o andar onde ela vivia?

Não muito tempo depois, uma das colegas de casa – que sabia da história – ligou–lhe aflita. “Está um homem a bater compulsivamente à porta e não quer dizer quem é.” Pela descrição, só podia ser o pai. Ao fim de alguns minutos, o homem foi-se embora. A primeira coisa em que pensou foi mudar de casa: “Mas caí rapidamente em mim e percebi que ele descobriria sempre onde encontrar-me.” O episódio repetiu-se, meses depois. Tocaram à porta do prédio e, minutos mais tarde, as duas colegas viram, pelo óculo da porta, um homem no vão das escadas com uma caixa. Tocou à campainha e depois desapareceu. Mariana ligou à polícia. “Se alguma coisa me acontecesse, ficava pelo menos o registo da ocorrência.” O pai nunca mais voltou a aparecer.

O fim que nunca chega Mariana lembra-se todos os dias da noite em que tinha 10 anos. Várias vezes ao dia, pequenas coisas lembram-lhe Helena ou o pai. Olha com estranheza para as notícias recorrentes de homens que matam as mulheres. A vida que já viveu é tão comprida e tão maior que as estatísticas que não consegue rever-se nelas.

Apega-se demasiado aos namorados, as amigas dizem que tem fases de grande melancolia. A indemnização, 13 anos depois, ainda não chegou e a casa do crime continua por vender. O pai arrendou-a e está a receber as rendas. Mariana passou mais de metade da vida em tribunais e ainda não conseguiu ver-se livre das salas de julgamento. Há processos a correr relacionados com a herança da mãe e a divisão de bens com o pai. Há dias que correm bem e Mariana é feliz. Noutros, e sempre que chega mais uma carta dos advogados, vai-se abaixo. “Desabo completamente outra vez.” A vida vai acontecendo. Terminou a licenciatura, arranjou emprego e quer sair do país, talvez criar um projecto de voluntariado.

Dos avós paternos nunca mais soube nada. Os maternos têm mais de 80 anos e é por eles que não se vai embora. “Não quero que morram sem receberem aquilo a que têm direito, porque por mim mandava o dinheiro à fava.” Diz que não quer casar, não acredita no casamento. “É uma coisa que não tem a ver comigo.” Mariana tem 23 anos é uma mulher bonita. Herdou os olhos verdes da mãe e quer, acima de tudo, deixar de sentir ódio e rancor. E conseguir parar de pensar, por um dia que seja, em como teria sido a vida se o pai não tivesse assassinado a mãe naquela noite de quarta-feira. No Natal e nos anos, o pai continua a mandar- -lhe emails. O último dizia: “Feliz Natal. Felicidades, pai.”

Todos os nomes usados nesta reportagem são fictícios

 

Recomendações FABE quanto à utilização da rede social virtual Facebook nas bibliotecas escolares

Novembro 19, 2014 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto publicado no Linkedin de Filipa Marinho a 29 de outubro de 2014.

FABE – Facebook Aplicado às Bibliotecas Escolares https://www.facebook.com/pages/FABE/366878830063452?fref=ts

Recomendação #1:

A identificação das bibliotecas escolares no FB não é, muitas das vezes, clara; os nomes dos perfis/páginas não esclarecem devidamente quanto à sua tipologia, localização geográfica e, em alguns casos, são encontrados perfis/páginas de BE com o mesmo nome (por exemplo, “Biblioteca Escolar”), facto que dificulta a sua identificação inequívoca. A sugestão que aqui apresentamos resolveria todas estas situações:

Be de tipologia EB1: BE-1 NOME DA ESCOLA (CONCELHO – DISTRITO)

BE de tipologia EB2/3: BE-2/3 NOME DA ESCOLA (CONCELHO – DISTRITO)

BE Secundárias: BE-S NOME DA ESCOLA (CONCELHO – DISTRITO)

BE de Agrupamentos: BE-A NOME DO AGRUPAMENTO (CONCELHO – DISTRITO)

BE de tipologia EBI: BE-I NOME DA ESCOLA (CONCELHO – DISTRITO)

Recomendação #2: Os elementos de identificação e contacto são o bilhete de identidade de qualquer instituição. Por esse motivo, é recomendável que elementos como a morada, telefone e e-mail sejam contemplados na secção “sobre” do FB, assim como indicação do sítio web e blog, quando aplicável. Nesta secção, recomendamos também que se inclua o nome do(a) responsável pela BE e dos elementos da sua equipa.

Recomendação #3: Como em qualquer outra situação de “exposição pública”, a imagem é um elemento relevante, pelo que recomendamos a criação de um logótipo personalizado. Na impossibilidade de recorrer aos serviços de um designer, poder-se-á optar, por exemplo, por implicar alunos e professores na criação do logótipo, como atividade e desafio proposto pela BE.

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Recomendação #4: Criação de Página: o FB não permite a criação de perfis institucionais, embora existam muitas bibliotecas que optaram por criar um perfil pessoal para representar a biblioteca. O ideal é criar uma conta com um Perfil de Administrador e, a partir dessa conta, criar e administrar uma Página, cujas principais vantagens se enumeram de seguida:

a) As Páginas têm praticamente as mesmas características que os Perfis, no que toca à difusão de informação;

b) Não é necessário solicitar ou aceitar “pedidos de amizade”, uma vez que os utilizadores do FB podem, livremente, “gostar” de uma determinada Página, não havendo limite de fãs;

c) As Páginas providenciam estatísticas para ajudar os administradores a compreender como as pessoas estão a interagir com a mesma, pois a melhor forma de fazer com que o público interaja com o conteúdo partilhado numa Página, é conhecer os seus interesses e agir em conformidade;

d) As informações e publicações de uma Página são públicas por defeito tendo, por esse motivo, maior alcance;

e) Os administradores da Página podem também publicar no Perfil de Administrador;

f) As Páginas podem ter mais do que um administrador e de vários tipos.

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Recomendação #5 Não permitir publicações dos fãs no mural da Página; não obstante o FB ser uma rede social virtual e, por isso mesmo, ter a interação como característica principal, permitir que os fãs publiquem no mural da Página cria algum “ruído informacional” que pode ser evitado. Assim, a nossa recomendação é no sentido de não permitir publicações de terceiros no mural da Página, mas permitir todas as outras formas de interação disponibilizadas pelo FB (chat, mensagens e comentários).

Recomendação #6 Utilizar aplicações na Página: é possível incorporar, na Página do FB, o sítio web da biblioteca ou da escola correspondente, o blog, o catálogo em linha ou outras ligações da Internet. Existem várias aplicações para o efeito, de entre as quais destacamos o IFrame Apps, por ser de fácil utilização.

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Recomendação #7 Privacidade: cada vez mais as redes sociais virtuais estão atentas a esta questão. Não esquecer que muitas das publicações das BE referem-se às suas atividades, nas quais estão envolvidos terceiros (alunos, professores, pais…), pelo que atender e respeitar a política de privacidade é um dever ético. Para configurar as opções de privacidade nas Páginas, no menu do painel de administração, clicar em “editar página” e depois em “editar definições”. Aparecerá a página onde podemos configurar vários elementos, dos quais salientamos os seguintes:

1) No caso das fotografias, não permitir que outros utilizadores possam identificar as pessoas envolvidas. Assim, na opção “capacidade de identificação”, NÃO marcar a caixa de verificação;

2) Nas Páginas, as publicações são “públicas” por defeito, pelo que sugerimos que marquem a opção “limites de privacidade da publicação”; desta forma, podemos escolher quem irá ver as nossas publicações;

3) A fim de termos o controlo dos comentários ou publicações de terceiros na nossa Página, no que diz respeito ao conteúdo, utilizar a opção “moderação da página” para impedirmos, por exemplo, assuntos mesnos próprios;

4) No seguimento do ponto anterior podemos, ainda, aplicar um filtro para palavras impróprias. Para isso, na opção “filtro de palavras de baixo calão”, escolher “forte”;

5) No perfil de administrador, ter atenção aos amigos que se adicionam ou aceitam.

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Recomendação #8 Manter a Página ativa: ter uma Página estática e sem “entusiasmo” não atrai utilizadores. Partilhar ligações de outras Páginas, comentar, atualizar o estado, fazer “perguntas”, criar eventos…enriquecerá a Página. Deixamos algumas ideias: 1) Publicar fotografias (capas de livros e DVD’s, fotografias dos diferentes espaços da BE ou de atividades realizadas);

2) Novidades bibliográficas (fazer acompanhar a referência bibliográfica da imagem da capa do documento, torna a publicação mais apelativa);

3) Criar eventos (não esquecer convidar os fãs);

4) Partilhar lembretes e alertas (sobre os serviços, atividades, horário…);

5) Partilhar situações engraçadas ou publicar estatísticas interessantes (por exemplo, o livros mais requisitado da semana ou o aluno que mais livros requisitou no último mês – neste caso, com autorização deste).

Recomendação #9 Fazer perguntas! Nas Páginas, em Eventos e em Grupos do FB é possível fazer-se perguntas para realizar sondagens e receber recomendações (opção indisponível nos Perfis). Esta funcionalidade, além de ser simples e fácil na sua utilização, permite que a BE conheça a opinião dos seus fãs, de modo a otimizar os seus serviços: pedir sugestões sobre que livros comprar, eventos que gostariam que a BE realizasse, o que estão a ler ou a estudar, são alguns exemplos.

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Recomendação #10 O Fcebook permite que se importe a atividade de outras redes sociais virtuais e marcadores sociais, pelo que se tivermos conta no Delicious, Flickr, Youtube, Twitter, entre outras, podemos faciulmente partilhar essa atividade na nossa Página.

Filipa Marinho

 

 

Sessão “Prevenção do fenómeno da discriminação de raparigas e mulheres com deficiência”

Novembro 19, 2014 às 10:47 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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No próximo dia 20 de novembro, das 15:00 às 17:00 horas, terá lugar, no Auditório do INR, I.P., uma Sessão alusiva ao tema “Prevenção do fenómeno da discriminação de raparigas e mulheres com deficiência”.

A sessão contará com a participação das Professoras Doutoras Paula Campos Pinto (Instituto Superior de Ciências Sociais e Politicas), Isabel Cottinelli Telmo (Federação Portuguesa de Autismo), Lutegarda Justo (Fundação AFID), e, na qualidade de moderadora da sessão, a Dra. Sónia Esperto (Conselheira para a Igualdade do MSESS).

Esta ação decorre do Plano Setorial para a Igualdade do MSESS, no âmbito do V Plano Nacional para a Igualdade de Género, Cidadania e não Discriminação 2014-2017 (V PNI).

INR

Sede

Av. Conde de Valbom, 63 – 1069-178 Lisboa Tel.: (+351) 21 792 95 00 – Fax: (+351) 21 792 95 96 Serviço de Atendimento: (+351) 21 792 95 00 e-mail: inr@inr.msess.pt

 

Among Rich Countries, America’s Youth Took the Recession Especially Hard

Novembro 19, 2014 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://blogs.wsj.com de 4 de novembro de 2014.

Getty Images

By Neil Shah

Roughly 15% of U.S. youth aged 15 to 24 were not in school, a job or training in 2013, up from 12% in 2008—a bigger jump than in many other wealthy countries, according to a recent UNICEF report.

The figures underscore how much the recession, which lasted from December 2007 through June 2009, interrupted the lives of America’s children and young adults.

Table2

Economists have long worried the recession would result in a “lost” generation of U.S. youth, one scarred by everything from parental neglect to downsized professional aspirations.

While hard economic times hurt everyone, having school and early professional years interrupted is especially destructive: When kids are detached from both school and work for long stretches, they risk harming their future prospects, and society’s. Even young people who aren’t interrupted suffer long-term effects. Research by Lisa Kahn of Yale University shows young people who graduate and enter the workforce during recessions earn less over their lifetimes.

UNICEF’s report shows American children were hit relatively hard. The U.S. saw the biggest jump in the so-called “NEET” rate (“not in education, employment or training”) among non-European Union nations in the Organization for Economic Cooperation and Development, a club of mostly wealthy nations. Germany, Japan and Mexico saw their NEET rates fall, while Korea and the U.K. saw relatively mild increases. Even France and Ireland’s NEET-rate rises were modest compared to the U.S.’s.

High unemployment during and after the recession has been a big factor driving up America’s NEET rate—but probably not the only one.

A separate study in July by the Federal Interagency Forum on Child and Family Statistics, which compiles numbers from 22 U.S. federal-government agencies, found that young American adults aged 20 to 24 were more likely to be neither working nor enrolled in school than their counterparts two decades ago—suggesting the trend predates the recession.

Some 19% of 20-to-24-year-olds were neither in school nor working in 2013, up from 18% in 2012, and 15% in 2000. The numbers are especially bad for young black adults, who were twice as likely as non-Hispanic whites to be detached from work and school.

Young Americans may be more vulnerable to begin with. Globally, extreme poverty has been more than cut in half since 1990, yet child-poverty rates in the U.S. remain relatively high. Almost a third of U.S. children live in households with incomes below 60% of the national median income in 2008—roughly $31,000, according to UNICEF. (The U.S. government measures poverty differently; in 2013, the official poverty level was $23,624 for a family of four.)

Table1

Europe obviously isn’t doing so hot, either. Roughly 7.5 million young people in the European Union were classified as “NEET” in 2013—about the size of the entire population of Switzerland.

Still, UNICEF’s numbers put in relief how violently the Great Recession interrupted the lives of American youth who were probably transitioning from school to work, or from school to higher education.

While surveys suggest young Americans are fairly optimistic about their futures, the recession, along with five years of weak expansion and a growing detachment from work and school have undermined their sense of stability—a stability earlier generations of Americans took for granted.

 

 

 

 


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