Quando a adoção se torna num desencontro entre a oferta e a procura

Novembro 5, 2014 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem da Euronews de 26 de setembro de 2014.

ver o vídeo da reportagem aqui

euro

Um processo de adoção é sempre um longo caminho. As incertezas dominam o percurso, sobretudo se estiver outro país envolvido. A Convenção de Haia sobre a proteção de crianças levou quase 20 anos a chegar ao Vietname – entrou em vigor em 2012. Os dossiês de adoção internacional que foram abertos desde então encontram-se bloqueados.

É impossível apurar o número de órfãos que existe no país. Há estimativas que apontam para mais de um milhão e meio. A questão é que só os orfanatos estatais são reconhecidos. Mas há dezenas doutros, que funcionam na fronteira da legalidade, e que acolhem centenas de crianças que dificilmente vão encontrar uma família.

Outras tiveram mais sorte. A partir de uma pequena localidade francesa junto à Suíça, o casal Sylvie e Cédric abriu um processo em 2008 e conseguiu adotar duas crianças vietnamitas. Chamam-se Paul e Charline. O processo deles durou 5 anos, o que é a média. Até obter a autorização pode passar quase um ano. Depois é que começa a espera, que pode mesmo continuar após conseguirem uma criança. “Eles dão-nos o acordo, aguardámos alguns meses, o que é a parte mais difícil deste percurso. Depois atribuem-nos uma criança, revelam-nos a identidade, a idade. Mas depois é preciso esperar ainda mais. Aguentamos, esperamos – é duro, porque estamos a sofrer. Perguntamo-nos: ‘mas, se ele está à nossa espera, porque é que não o podemos ir buscar? Como está ele de saúde? Estaria melhor connosco.’ Mas não há qualquer contacto com o orfanato”, explica Sylvie.

O casal foi duas vezes ao Vietname. Regressou com as crianças nos braços. Depois de obterem a luz verde, têm três semanas para ir buscá-las. Cédric afirma que “estas crianças são sobreviventes. Conseguem continuar, mesmo após terem sido abandonadas. Daí a força que têm quando se encontram com os pais adotivos.”

Fomos ao Vietname conhecer alguns desses sobreviventes. É muito pouco provável que estas crianças venham a conhecer o mesmo destino de Paul e Charline. Em vez disso, vivem numa casa degradada, numa rua exígua de Ho Chi Minh, sem perder a curiosidade, nem o sorriso. Este é um orfanato privado, que depende das ajudas da população local. Phạm Thiên Đơn é a diretora: “Pouco orfanatos têm autorização para acolher as crianças como este tem. A maior parte deles não tem licença de funcionamento. Pegam nos miúdos e pronto. São as instituições que pertencem ao Estado que têm a licença para dar as crianças para adoção.”

É difícil saber quantos sítios destes existem no Vietname. As crianças nos orfanatos privados, como este, não podem ser adotadas. E, mesmo que pudessem, a lei de 2012 impõe muitos condicionamentos aos processos internacionais. Um dos efeitos perversos tem sido o aumento de visitas de casais estrangeiros dispostos a dar diretamente dinheiro para levar as crianças. Segundo Phạm Thiên Đơn, “os casais estrangeiros vêm ter connosco. Eles sabem que, para conseguir adotar, têm de ir a outros sítios. Mesmo assim, vêm até aqui tentar comprar as crianças. Eu não permito, mas há sitios que sim.”

Em teoria, a adoção é possível nas instituições estatais. Na prática, são muito poucos os casos nos últimos anos. Em 2010, houve 469 crianças vietnamitas adotadas por franceses, por exemplo; em 2013, foram apenas 89. No orfanato que visitámos, há 70 crianças, algumas com escassas semanas. Mas há também jovens de 18 anos. Cinco voluntários, entre os quais Dominique Broncard, tentam dar o apoio possível perante a falta de condições. “São as mães que não querem. Se fores mãe solteira, corres o risco de não arranjar um marido. Outra das situações que temos aqui no Vietname é o que acontece quando morre um dos progenitores. Se o outro se voltar a casar, os filhos do primeiro casamento vêm parar a sítios como este, ao orfanato”, garante Dominique.

É ele quem paga a escola das crianças, até porque sabe que não há grandes soluções. “Quem é que os vai adotar? Os vietnamitas? Será que há muitos vietnamitas com condições para adotar crianças? Ou vão ser adotados por estrangeiros? Aquilo que sei é que os vietnamitas são muito agarrados à terra, às raízes. Não sei se aguentam estar longe”, declara.

O objetivo da Convenção de Haia é manter a criança, tanto quanto possível, no seu país de origem. Os mais pequenos, até aos 3 anos de idade, deixam de ser propostos para adoção internacional. O resultado é que, entre 2005 e 2010, os processos diminuíram em mais de um terço nos principais países de acolhimento.

Grâce Dersy, vice-presidente da associação de apoio a famílias na região do Rhône – EFA -, salienta que “hoje em dia, aquilo que acontece é que, antes de haver um processo no estrangeiro, o país de origem tem de dar prioridade à adoção no seu próprio território. Isso provocou uma redução dos processos nos últimos anos. Os países passaram a apresentar perfis de crianças mais velhas, ou de irmãos, ou de portadores de deficiências. E aí constatamos que a maioria das famílias francesas, por exemplo, quer bebés, em bom estado de saúde, o que não corresponde às propostas apresentadas.”

Os orfanatos têm cada vez menos espaço devido a uma questão que parece colocar-se friamente num desencontro entre a oferta e a procura.

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Proteger filhos dos riscos da internet dificulta literacia digital

Novembro 5, 2014 às 2:32 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 4 de novembro de 2014.

Arquivo JN

As medidas restritivas impostas pelos pais para proteger os filhos dos perigos da Internet acabam por “dificultar a literacia digital” e a capacidade das crianças e jovens lidarem com os riscos, revela o projeto EU Kids Online.

Em Portugal, como noutros países do sul da Europa, predomina por parte dos pais “a proteção pela restrição”, conclui o relatório final do projeto EU Kids Online que, desde 2006, tem pesquisado os riscos e oportunidades na internet para crianças e jovens, a partir do trabalho desenvolvido por mais de 150 investigadores de 33 países.

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Jovens mais expostos à anorexia, automutilação e ódio

Para contrariar o “excesso de preocupação parental”, os investigadores deixam alguns conselhos, como os pais apoiarem a exploração que os filhos fazem na internet desde cedo e informarem-se sobre os benefícios e riscos que a internet oferece.

Devem também procurar “aumentar as oportunidades dos mais novos, reforçar as suas competências para lidar com os riscos e a sua resiliência face a potenciais danos” e “serem claros sobre as expetativas e as regras relacionadas com comportamento online”.

“Pensar não só nos riscos mas também em atividades enriquecedoras, divertidas e em conteúdos positivos” e conversarem regularmente com os filhos sobre o que pensam que pode ser problemático na internet, são outros conselhos referidos no relatório, divulgado pela Universidade Nova de Lisboa (UNL), participante no projeto.

O relatório conclui que “mais uso” da internet está “ligado a mais competências, a mais oportunidades para tirar partido dos benefícios da rede, e também a mais riscos”.

“Quanto mais as crianças usam a internet, mais ganham competências digitais, e mais alto sobem na ‘escada de oportunidades’ para recolherem benefícios da internet”, acrescenta.

“Contraste” entre pais e filhos

Durante a terceira fase do projeto, de 2011 a 2014, os padrões de uso da internet pelos mais novos mudaram substancialmente: usam agora a internet em mais lugares e em mais momentos no seu dia-a-dia, e os dispositivos que permitem o acesso móvel estão a tornar esse uso mais privado.

Para a coordenadora nacional do projeto, Cristina Ponte, da UNL, um dos “resultados mais interessantes” em Portugal foi “o contraste” entre o número elevado de crianças de todos os meios sociais que acediam à internet através dos seus portáteis e o baixo número de pais que eram utilizadores frequentes da internet.

“Há um contraste muito grande entre as condições que as crianças tinham em 2010, resultado da política educativa da altura, e a situação dos pais”, afirma Cristina Ponte num vídeo divulgado pela UNL sobre a situação em Portugal. Atualmente “a situação está diferente”, mas há quatro anos “fazia-se sentir este grande contraste”, sublinha.

Destaca ainda como principais resultados do acesso à internet, através dos portáteis, o elevado número de crianças que acedia à rede no seu quarto, muito acima da média europeia, em bibliotecas e em espaços públicos de acesso sem custos.

Outro dado realçado pela investigadora foi o facto de, muitas vezes, as crianças serem vistas como os elementos que introduziam a internet na família. “Muitas delas, sobretudo dos meios mais desfavorecidos, consideravam que sabiam muito mais da internet do que os pais”.

“Tudo isto coloca um conjunto de desafios às famílias portuguesas para procurarem acompanhar mais de perto a experiências das crianças na internet”, defende a investigadora.

 

 

Children in danger : act to end violence against children – novo relatório da Unicef UK

Novembro 5, 2014 às 1:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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danger

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Every five minutes a child dies as the result of violence, according to a ground-breaking report from Unicef UK.

Get the report

The report reveals that the vast majority of children are killed outside warzones and that physical, sexual and emotional abuse is widespread with millions of children unsafe in their homes, schools and communities. Some 345 children could die from violence each day in the next year, unless governments act.

The report also finds that:

  • Children who are victims of violence have brain activity similar to soldiers exposed to combat.
  • A third of children who are victims of violence are likely to develop long-lasting symptoms of post-traumatic stress disorder.
  • Those living in poverty are more likely to be victims of violence, wherever they live in the world.
  • Over 7% of child deaths due to violence each day are the result of interpersonal violence, rather than conflict.

In the foreword to the report, Baroness Doreen Lawrence, a long term campaigner for justice in the UK, writes:

“This epidemic of violence against children feeds off silence. It grows when we soundlessly accept that this is just the way things are. Every five minutes, somewhere across the globe, a family loses a son or daughter to violence. This is intolerable – it must stop.”

Governments are currently negotiating a new set of global development targets, as the current Millennium Development Goals will expire in 2015. Unicef UK is calling for these new goals to include a target to end violence against children everywhere.

 

A vaccine for violence – Vídeo da Unicef Uk

Novembro 5, 2014 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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The world is a dangerous place for children. Act now: http://www.unicef.org.uk/violence Across the world, children are facing an epidemic of violence. In war zones, on the streets of violent cities, but also, shockingly, in their own homes and schools. From babies to teenagers, they’re beaten, raped, even murdered. UNICEF vaccinates over a third of the world’s children. But there is no vaccine for violence. And there never will be. Add your name to our Children in Danger campaign and help end violence against children for good. Act now: http://www.unicef.org.uk/violence

Workshop SOS Bullying em Viseu

Novembro 5, 2014 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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bully

“Chamada de atenção aos viseenses ou quem anda por Viseu A Ilimiten e o Viseu Social têm a honra de estar a organizar o Workshop SOS BULLYING, dinamizado pela Educadora Social e autora do jogo pedagógico de prevenção do bullying escolar Cátia Vaz 21 de Novembro| 14h30 às 16h30| Vagas limitadas – Viseu Inscrições e Informações: viseusocial@gmail.com Vai perder esta oportunidade?” Inscrevam-se Viseu Social Instituto Politécnico de Viseu


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