Casamento de Crianças – Infografia

Outubro 27, 2014 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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ver o resto da infografia nos links:

http://png.euractiv.com/files/child-23072014-en.png

http://www.euractiv.com/sections/development-policy/infographic-700-million-underage-girls-married-2013-303729

“O banco até já esteve a ameaçar os meus pais que ia tirar a casa”

Outubro 27, 2014 às 4:30 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 27 de outubro de 2014.

Natália Faria

Unicef aconselha Governo a criar uma estratégia nacional de combate à pobreza infantil e recomenda acesso gratuito às creches dos 0 aos três anos de idade para as famílias mais pobres.

Há medo de perder a casa, preocupação face à tensão em que sentem os pais, receio de que a comida desapareça da mesa. Além de mostrar que os casais desempregados aumentaram 688%, só entre Outubro de 2010 e Julho de 2013, o relatório da UNICEF intitulado As Crianças e a Crise em Portugal é o primeiro a debruçar-se sobre o real impacto da crise entre as crianças e os adolescentes portugueses.

Ao dar-lhes a voz, o documento divulgado esta segunda-feira levanta o véu sobre uma realidade demasiadas vezes escondida entre quatro paredes. “Quando a senhora dizia o preço dos remédios, o meu pai ficava assustado, porque eram muito caros e eram imensas coisas”, conta uma adolescente de 12 anos, uma entre as 77 crianças, com idades entre os 8 e os 17 anos, que foram ouvidas no âmbito neste relatório e de onde emanam recomendações como a criação de uma estratégia nacional para a erradicação da pobreza infantil. “Quando não há comida, os meus pais fazem isto: deixam de comer para nos dar à gente”, conta, por seu turno, um miúdo de 14 anos, pai desempregado. “A minha avó foi com a gente às compras e ela pagou as compras duma semana e coisas assim”, outro adolescente, 16 anos.

No relatório lêem-se ainda frases assim: “Alguns [colegas da escola] não devem comer muito, ou mesmo, não devem ter refeições (…). Eles não contam, mas dá para reparar.” E ainda: “A minha mãe ficou sem trabalho (…). Ela tirou-me da natação, da ginástica, da música (…) do inglês.” E há o caso do miúdo de 9 anos, mãe desempregada, que relata: “O banco até já esteve a ameaçar os meus pais que ia tirar a casa.”

Estes relatos remetem-nos para as consequências práticas e quotidianas de vários anos de desinvestimento nas políticas públicas de apoio à família, como constata o estudo encomendado a uma equipa de investigadoras do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, coordenado pelas investigadoras Karin Wall e Ana Nunes de Almeida e que mostra como a crise está a repercutir-se na vida das crianças, “com consequências a médio e longo prazo”.

“A partir de 2010, a situação económica e financeira de Portugal agravou-se com a adopção de um conjunto de medidas de austeridade que tiveram e continuam a ter repercussões directas no bem-estar das crianças a nível da saúde, da educação e dos apoios sociais do Estado às famílias, especialmente às mais carenciadas”, escrevem as autoras do relatório, sublinhando que “a elevada taxa de desemprego” gera “não só situações de carência económica grave, mas também de elevada instabilidade emocional e psicológica que afectam as vivências das crianças”.

O diagnóstico relativo a 2012 mostra-nos que nesse ano havia 678 mil pessoas em situação de incumprimento face a dívidas contraídas. E, desde então, continua a aumentar “a taxa de privação das famílias com crianças em situação de pobreza relativamente à capacidade para pagar dívidas, empréstimos, rendas, contas e despesas imprevistas, assim como a possibilidade de ter um carro”.

Casais desempregados aumentam 688% O retrato em números mostra-nos que, em 2011, havia 560 mil crianças em risco de pobreza e exclusão social. “Cerca de uma em cada três crianças (28,6%) encontrava-se em risco de pobreza ou exclusão social”, precisa o relatório, para sublinhar ainda que 21,8% das crianças viviam “em agregados com rendimentos per capita inferiores a 416 euros por mês”.

Se considerássemos o risco de pobreza antes das transferências sociais (subsídios, pensões, abonos de família…), teríamos 33% das crianças em situação de vulnerabilidade económica. Nas famílias numerosas (três ou mais crianças) e monoparentais, o risco de pobreza cresce para 31% e 41%, respectivamente. E nas famílias monoparentais – os Censos 2011 mostravam que estas perfaziam 14,9% do total de famílias –, em que a figura parental fica desempregada, o risco de pobreza sobe para os 90%.

O desemprego é assim meio caminho andado para a pobreza. Nas famílias de casais com filhos em que um dos adultos está desempregado, o risco de pobreza atingia uns expressivos 34,3%. E se os dois adultos ficarem desempregados, o risco de pobreza sobe para 53,2% – mais de metade, portanto. Lembremo-nos agora que, em 2011, eram cerca de 723 mil os adultos desempregados com crianças a seu cargo. Não surpreende assim a conclusão de que, naquele mesmo ano, mais de um quarto das crianças portuguesas (25,2%) estivesse em privação material.

E a situação piorou, entretanto. Entre Outubro de 2010 e Junho de 2013, o número de casais desempregados inscritos nos centros de emprego aumentou mais de 688%: de 1530 para 12.065. Em Fevereiro de 2013, havia 26.374 indivíduos a viver em casal em que ambos os cônjuges estavam desempregados. Daqueles, apenas 5602, ou seja, cerca de um quinto, tinham direito à majoração de 10% no subsídio de desemprego. “O stress causado pela falta de dinheiro e a incerteza em relação ao futuro afecta não só o relacionamento entre o casal, mas também o relacionamento entre pais e filhos, que, em casos extremos, poderá levar a situações de negligência ou mesmo de violência”, alerta o relatório.

Abono de família com menos 546 mil crianças No capítulo dedicado às políticas públicas nestes anos de crise, o relatório constata que houve uma redução significativa do apoio económico do Estado às famílias. Ao mesmo tempo que aumentaram os impostos, o acesso a prestações como o Rendimento Social de Inserção, abono de família, acção social escolar e subsídio social de desemprego ficou muito mais restrito. E o montante dos apoios financeiros também diminuiu. No caso do abono de família, por exemplo, 546.354 crianças perderam o direito àquela prestação, em 2010. Corresponde isto a 30% dos beneficiários. Por outro lado, a despesa do Estado com esta prestação caiu 33% em 2011. Em 2012, com uma nova quebra de cerca de 4%, o valor da despesa com esta prestação “a preços constantes” aproximou-se do valor de 2002.

No cômputo geral, “apesar das medidas tomadas perlo actual Governo no âmbito do Programa de Emergência Social – e.g. recuperação do Fundo de Socorro Social, criação das tarifas sociais de gás natural e de electricidade, majoração do subsídio de desemprego para casais com filhos em que ambos estão desempregados – a vulnerabilidade económica dos agregados familiares, designadamente daqueles com crianças a cargo, acentuou-se entre 2010 e 2013”.

Na comparação internacional, e no que toca ao apoio às famílias, Portugal não se sai muito bem na fotografia: em 2009, o Estado português investiu 1,7% do PIB em despesas com prestações familiares, contra os 2,6% da média dos países da OCDE. Na Suécia é de 3.75% e em França de 3.98%.

No capítulo das recomendações – e entre reparos ao aumento do número legal de crianças por sala no pré-escolar, o que “põe em causa a qualidade dos serviços prestados, a segurança e o bem-estar das crianças” –, a Unicef começa por lembrar que “a recuperação da crise deve começar com os mais vulneráveis e desprotegidos”. No seguimento dessa lógica, propõe a criação de uma estratégia nacional para a erradicação da pobreza infantil centrada nos direitos da criança que “promova uma intervenção integrada e coordenada das várias áreas sectoriais (saúde, educação, serviços de segurança social, emprego, finanças), definindo metas de objectivos concretos”.

Para que seja possível um retrato realístico da situação das crianças portuguesas, a Unicef propõe ainda o desenvolvimento de um sistema “global e integrado” de recolha de dados que abranja todos os aspectos da vida das crianças até aos 18 anos, “especialmente em tempos de crise”. Ao mesmo tempo, o Governo é aconselhado a avaliar o potencial impacto das políticas de resposta à crise na vida das crianças, “nomeadamente no direito à sobrevivência e desenvolvimento, no direito de beneficiar de segurança social, saúde e educação”. “Esta avaliação deve centrar-se não só sobre medidas passadas, mas também sobre as actuais e futuras”, precisam os autores do relatório.

A garantia de acesso gratuito das crianças entre os zero e os três anos de idade e provenientes de famílias carenciadas à educação pré-escolar é outra das recomendações do Comité Português para a Unicef. Que, por último, sugere ainda a criação de uma entidade para os Assuntos das Crianças e da Juventude como resposta à falta de uma estrutura nacional de coordenação e monitorização da aplicação da Convenção Sobre os Direitos da Criança em Portugal.

 

 

Estudo. Pais manipuladores criam filhos inaptos para relações futuras

Outubro 27, 2014 às 2:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do i de 25 de outubro de 2014.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

The Cascading Development of Autonomy and Relatedness From Adolescence to Adulthood

Carlos Ciudad- Getty Images

Por Marta F. Reis

Estudo da Universidade de Virgínia, nos Estados Unidos, avisa os pais que a forma como interagem com as crianças pode hipotecar as suas relações futuras com amigos e namorados

Os pais que estão sempre a tentar mudar o que os filhos sentem, tentam educá-los fazendo-os sentir-se culpados ou ameaçando-os de que se não fizerem as coisas à sua maneira vão gostar menos deles não arriscam apenas contribuir para um ambiente de cortar à faca em casa enquanto os miúdos são adolescentes. Um estudo da Universidade da Virgínia conclui que este tipo de tácticas psicológicas afecta as relações que mais tarde os jovens têm com amigos e namorados. As crianças que crescem sujeitas a este tipo de manipulação psicológica tendem a ser menos autónomas e abertas nas suas relações, concluem os investigadores num artigo publicado esta semana na revista científica “Child Development”.

Barbara Oudekerk, co-autora do estudo, explicou ao i que não se trata de os pais não poderem orientar os filhos para o que entendem ser as opções mais saudáveis. A forma como o fazem é que pode ser problemática. A equipa dedicou-se a investigar uma questão relativamente consensual da psicologia do desenvolvimento: os adolescentes menos autónomos tendem a ter mais dificuldades de relacionamento quando crescem. O objectivo era perceber o que estaria na origem dessa lacuna e testaram a hipótese de terem pais com tácticas psicológicas consideradas intrusivas.

O trabalho começou em 1998, com o recrutamento de jovens que na altura estavam no 8.o ano. Pediram-lhes que escolhessem amigos próximos, que também fariam parte da experiência. A partir daí a investigação durou quase nove anos, o que implicou recolher informação quando os miúdos tinham 13, 18 e 21 anos. Envolveu ao todo 184 jovens.

Por um lado, submeteram-nos a inquéritos sobre o tipo de atitudes que os pais tinham com eles, que procuram avaliar o grau de controlo psicológico. Por outro, filmaram-nos a discutir com os amigos que tinham seleccionado desafiando-os a chegar a consensos em jogos mentais adaptados às suas idades, para avaliarem a forma como expressavam as suas opiniões e interagiam com os amigos. Aos 13 anos, por exemplo, os jovens eram confrontados com a ideia de que tinham 12 pessoas conhecidas em Marte mas só sete poderiam voltar à Terra. Depois de a “cobaia” e o amigo escolherem separadamente os seus eleitos, tinham de chegar a acordo. Mais velhos, as questões eram mais abstractas, como o que preferiam manter quando chegassem aos 90 anos: o corpo ou a cabeça de uma pessoa de 35.

Os investigadores concluíram que os jovens cujos pais usavam mais vezes técnicas de chantagem psicológica e procuravam manipular os filhos acabavam por sair-se pior nestes confrontos com amigos, exteriorizando menos o que pensavam ou adoptando posturas mais hostis para defender as suas ideias. Os jovens que tinham acusado pais mais controladores aos 13 anos acabavam por continuar a ser menos funcionais nove anos mais tarde, quando tinham 21 anos. Além disso, os que tinham mais dificuldades nestes jogos com os amigos tinham vidas amorosas também menos estáveis nas idades mais adiantadas. “Já tínhamos verificado noutras investigações que quanto mais tempo se está numa relação mais se precisa de autonomia e intimidade”, diz Barbara Oudekerk.

DISCUTIR É EDUCAR 

“Só porque os pais têm atitudes deste género uma ou duas vezes não quer dizer que vão prejudicar as relações dos filhos”, sublinha a investigadora: “O que concluímos é que, quanto mais os pais são assim e tentam controlar o comportamento dos jovens usando técnicas intrusivas, menos eles são capazes de expressar a sua independência e desenvolver intimidade em futuras relações com amigos e namorados.”

Embora não tenham uma explicação clara do resultado, que no fundo mostra que os jovens não se tornam controladores como os pais mas pelo menos nestas idades acabam por ficar mais vulneráveis, Barbara Ouderkek arrisca que uma das hipóteses é que este tipo de abordagem dos pais ensina os jovens a priorizar os desejos e necessidades dos outros acima das suas. “Se os pais são excessivamente controladores em termos psicológicos, os jovens podem ter menos oportunidades para defender as suas opiniões sem temer chateá-los ou ficar menos próximos deles”, diz. “Podem também interiorizar que precisam de tomar decisões para agradar aos pais em vez de pensar no seu bem-estar, nos seus objectivos.” Por outro lado, podem não ter margem para aprender a defender as suas ideias sem atacar e diminuir as dos outros. “Se formos bons a defender as nossas opiniões mas de uma forma que magoe a outra pessoa, a amizade não dura.”

A investigadora defende que uma das lições a tirar deste estudo é que, quando os pais se queixam que não conseguem controlar as relações dos filhos, talvez não tenham a percepção de que a forma como lidam com eles é estruturante dessas relações fora de casa. Antes deste estudo, a equipa já tinha demonstrado que o mesmo tipo de controlo psicológico durante a adolescência levava os jovens a seguirem mais vezes os colegas e começar, por exemplo, a vida sexual mais cedo.

Tomar uma decisão e explicá-la é uma melhor opção que recorrer à culpa ou ao remorso, defende Ouderkek. “Quando têm uma discussão com os filhos, devem ter em conta que estão a ensinar aos filhos as formas adequadas de expressarem as suas opiniões em relações de intimidade.” O grupo de investigação tem verbas para continuar a seguir o grupo até terem 32 anos, o que acontecerá em 2017. Nessa altura já deverá ser possível avaliar se replicam a atitude dos seus pais com os próprios filhos.

 

As Crianças e a Crise em Portugal – Vozes de Crianças, Políticas Públicas e Indicadores Sociais, 2013 – Novo relatório da Unicef Portugal

Outubro 27, 2014 às 12:29 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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crianças

descarregar o relatório no link:

http://www.unicef.pt/as-criancas-e-a-crise-em-portugal/

Alguns dos dados mais relevantes:

• O risco de pobreza é mais elevado em famílias com filhos, nomeadamente, em famílias numerosas (31%) e em famílias monoparentais (41,2%).

• Entre Outubro de 2010 e Junho de 2013, o número de casais desempregados inscritos no Centro de Emprego aumentou de 1.530 para 12.065 (cerca de 688%).

• Em 2012, cerca de uma em cada quarto crianças em Portugal (24%) vivia em agregados com privação material (i.e. famílias com dificuldade ou incapacidade de pagar um empréstimo, renda de casa, contas no prazo previsto; ter uma refeição de carne ou peixe a cada dois dias; fazer face a despesas imprevistas).

• 546.354 crianças perderam o direito ao Abono de Família entre 2009 e 2012. O acesso a esta prestação tornou-se mais restrito e os montantes atribuídos por criança diminuíram.

• Entre 2010 e 2013, registou-se uma redução no apoio económico do Estado às famílias, que em 2009 era já inferior à média dos países da OCDE (1.71% e 2.61% do PIB respectivamente), e um aumento dos impostos.

• O estudo mostra também que as crianças têm consciência de que a crise está a comprometer o seu futuro enquanto geração, antevendo as consequências negativas que esta poderá ter nos seus projectos de vida nos domínios da formação, do emprego e da vida familiar. Os desafios que a recuperação económica colocam ao Estado Português dão-lhe uma oportunidade única de mudar e adoptar uma visão transformadora para o futuro, uma visão que ponha os direitos das crianças no centro das políticas de resposta à crise.

Só agora estamos a estudar uso abusivo que os jovens fazem das tecnologias para espalhar a violência

Outubro 27, 2014 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do Diário de Notícias do dia 24 de outubro de 2014 a Carlo Chiaramonte.

clicar na imagem

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