Jovens aprendem que é melhor jardinar que roubar

Outubro 15, 2014 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Artigo do Diário de Notícias de 11 de outubro de 2014.

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Dinamiza-te na Estação das Mercês – Arte Urbana

Outubro 15, 2014 às 4:01 pm | Publicado em Divulgação, Vídeos | Deixe um comentário
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Inscrições até quinta – feira dia 16 de Outubro às 23h59.

 

mais informações:

http://dinamo.pt/index.php/56-noticias/495-dinamiza-te-na-estacao-das-merces-18-10-2014

Encontro “Erradicar a pobreza e afirmar os Direitos Humanos”

Outubro 15, 2014 às 3:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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No dia 17 de Outubro de 2014, pelas 15h00, terá lugar no Auditório da Igreja Divina Misericórdia, em Alfragide (junto ao Estado Maior da Força Aérea) o encontro “Erradicar a pobreza e afirmar os Direitos Humanos”.

A entrada é gratuita e livre (não necessita de inscrição), mas limitada à capacidade do auditório.

Contamos consigo.

http://www.cesis.org/pt

Sou filho único, e depois?

Outubro 15, 2014 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do Notícias Magazine de 8 de outubro de 2014.

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Pedro Granadeiro Global Imagens

Por: João Ferreira de Oliveira

Já estão em maioria nas famílias portuguesas. Fomos ouvi-los.

Nos últimos tempos muito se tem falado e escrito sobre a baixa taxa de natalidade em Portugal – fazem-se estudos, procuram-se especialistas, ouvem-se as justificações dos pais – mas raramente escutamos aquelas sobre quem as atuais famílias parecem girar. As crianças. O que têm os filhos únicos a dizer sobre o assunto?

A maior vantagem é não ter de partilhar os meus brinquedos e jogos com ninguém. As minhas amigas contam-me que os irmãos lhes estra­gam e mexem em tudo. O mais chato é quan­do quero brincar com alguém e estou sozinha.» Palavras de Alexandra Dias, 8 anos, residen­te em Vila Nova de Gaia, quando confronta­da com as vantagens e as desvantagens de não ter irmãos. Ainda assim, não hesita quanto à sua condição de filha única. «Adoro, adoro, adoro.» Já Gonçalo Alves, natural de Vilari­nho, Santo Tirso, não tem dúvidas de que a sua vida dará uma gran­de volta caso deixe de ser o único filho. «Os meus pais iam mudar de atitude comigo, porque quando quisessem adormecer o meu ir­mãozinho e eu quisesse fazer alguma coisa, eles não iam ajudar. Teria de substituir o meu quarto de brinquedos pelo quarto do meu irmão. Também à mesa iria ter menos espaço porque ia ter mais um lugar.» Carolina Baptista, 13 anos, residente nos Olivais, em Lis­boa, é ainda mais pragmática. «A maior vantagem é ter o meu espa­ço, ter os mimos só para mim e haver sossego em casa sem irmãos mais novos. Frisei sempre aos meus pais que não queria irmãos e como sabia que a minha mãe também não queria ter mais filhos fi­quei mais descansada.»

Três depoimentos é manifestamente pouco para concluir que os filhos únicos são (ou estão) felizes e recomendam-se, mas talvez ajudem a combater a eterna ideia de que, além de mimadas, são potencialmente crianças mais tristes, introspetivas e solitá­rias. Que é como quem diz, mais infelizes. «Você me respeita, não grita comigo, mesmo que eu tente tudo para te irritar. Você tem que entender que eu sou filho único, que os filhos únicos são seres infelizes», cantava Cazuza em 1989. Foi uma das últimas músicas do artista brasileiro, ele que morreria no ano seguinte, com ape­nas 32 anos.

É sabido que nem tudo o que vem nos livros e nas músicas de­ve ser levado à letra e a verdade é que foi através da obra de Stan­ley Hall (1844-1924) que esta ideia terá entrado no nosso imagi­nário. Um especialista, é certo – professor universitário, primei­ro doutorado em Psicologia nos Estados Unidos e um dos pioneiros da psicologia infantil em todo o mundo, tendo-se debruçado so­bre os conflitos com os pais, perturbações de humores e compor­tamentos de risco nas crianças e adolescentes –, mas também o au­tor desta frase «fatal»: «Ser filho único é, em si mesmo, uma doen­ça.» Acreditava que a superproteção tornava estas crianças pouco sociáveis e problemáticas.

Será que ainda é verdade? Será que alguma vez foi verdade? A resposta está longe de ser definitiva. E consensual. Mário Cor­deiro, pediatra, considera mesmo que os filhos únicos são como as tradições: «Já não são o que eram.» Adianta, inclusive, que muitas crianças «foram injustamente rotuladas de filhos únicos no senti­do de mimado, estragado, exigente, narcísico e malcriado, quando eram simpáticas, gentis, altruístas e bem educadas. Hoje, a maioria das crianças que nascem no nosso país são primeiros filhos. Contu­do, a socialização, a menor hiperproteção dos avós e da restante fa­mília e tudo aquilo que aprendemos sobre educação dá-nos saberes e armas para evitar que o único filho se torne filho único». Ainda segundo o pediatra, a escolarização precoce veio também ajudar a desenvolver uma «empatia, solidariedade, respeito, partilha e in­teração» que antes parecia ser bem mais difícil adquirir.

Otília Fer­nandes, professora universitária, investigadora e autora do livro Ser Único ou Ser Irmão, sabe que os tempos mudaram, avança que os filhos únicos poderão mesmo apresentar uma autoestima e um desenvolvimento cognitivo superiores aos das crianças que têm ir­mãos – em grande parte devido à aposta na educação –, mas defen­de que, de uma forma geral, a sua lacuna continua a situar-se na área das competências sociais. «Os primeiros estudos sistemáticos sobre a fratria [conjunto de irmãos] foram feitos pelo alemão Walter Toman, nos anos 50 do século passado. Desde então, inúmeros estudos, entre os quais o meu, demonstraram cientificamente o menor número de amigos, o menor altruísmo, a maior dificuldade relacional/social. Não tendo de partilhar o bem maior que são os pais, pelo menos durante a infância, terão menos condições de aprendizagem direta da compreensão do ponto de vista do outro, do ciúme e do ódio, da negociação e do saber perder.»

Um dos maiores estudos alguma vez realizados na Grã-Breta­nha (Understanding SocietyEntendendo a Sociedade), em 2011, veio deitar ainda mais achas para a discussão. Num universo de cem mil pessoas analisadas conclui-se que o nível de felicidade desce à medida que aumenta o número de irmãos em casa. Os filhos únicos são, afinal, mais felizes, titularam os jornais e revistas. Não se pense, contudo, que a questão ficou resolvida. Bem pelo contrário. «Uma criança pode dizer-se feliz porque tem tudo, eventualmen­te não sabendo que o não ter tudo é um motor do desejo. E a bus­ca do desejo é um fator para a felicidade. A frustração, que enraive­ce num primeiro momento, desencadeia pensamento, estratégia e ação», explica Mário Cordeiro.

Mas há outros números que este estudo deixou a nu: cerca de 31 por cento dos entrevistados afirmam ter sido vítimas de violência por par­te dos irmãos. «É uma realidade para a qual ainda não despertámos», afirma Otília Fernandes. Outro estudo, este de 2014, do qual é coau­tora e que teve como alvo 588 estudantes universitários, mostra que a violência entre irmãos é uma das formas mais comuns de violência familiar. Não só física e verbal, mas também sexual. «Os maridos não podem bater nas esposas, os pais nos filhos, os colegas uns aos outros, mas aceita-se que os irmãos se batam e agridam», conclui Otília Fer­nandes. Quem não conhece a história de Caim e Abel?

Pedro e Beatriz Martins, residentes em Massamá, estão a anos-luz deste universo. Brincam, provocam-se, mas não passam um sem o outro. Beatriz, mais velha, mais madura, explica: «A maior parte das vezes estamos a rir ao mesmo tempo que anda­mos à bulha. Chateamo-nos por coisas parvas. Mas não somos aque­les irmãos que têm ódio um ao outro, nada disso. Ele mesmo que não tenha nada para me chatear arranja. Temos de estar sempre a picar–nos um ao outro, senão não somos nós. Não seria a Beatriz e o Pedro.

Seria a Beatriz e outro rapaz qualquer.» E sobre que é conversam um rapaz de 8 anos e uma rapariga de 11? «Conversar?! Nós não conversamos muito. Rapazes e raparigas é um bocado difícil conversarem. Ele diz que as conversas que eu tenho são parvas, mas eu também acho isso das dos rapazes. Ele é fanático por futebol e por isso nunca vejo televisão, nunca mesmo. Depois o meu pai vê o ciclismo. O ciclismo ocupa quatro horas, depois começa o futebol. As raparigas da casa, eu e minha mãe, quase nunca veem televisão, é mais isso. Agora ele tem u ma paixão pelo hóquei, ainda é pior.»

Pedro não concorda, naturalmente. «Estou sempre a fazer o que ela quer.» Por mais que se chateiem garantem que nunca lhes passou pela cabeça que seria melhor não ter irmãos. «Já reparei numa coisa: eu com uma amiga fico zangada e no outro dia lembro-me que ainda estou zangada. Com o meu irmão zango-me e no outro dia já não me lembro. Apenas gostava de ter o meu espaço. É mais difícil ser a irmã mais velha.» O espaço, essa eterna questão. Pedro faz tábua rasa so­bre o assunto. «Consigo ter um espaço só para mim, mas não preciso. Estou sempre brincar. Pelo menos tento. Às vezes ela é que não quer.» Mas nem tudo são discordâncias. Ambos admitem que gostariam de voltar a estudar na mesma escola. «Estudámos juntos durante al­guns anos, agora não. Sentia-me mais segura. Além disso podia vê-lo e depois contar tudo à mãe. Ele diz que eu sou muito queixinhas.» Pedro desta vez não reage: «Uma vez houve um pequeno incêndio na escola dela e eu passei o dia todo preocupado, queria saber se lhe ti­nha acontecido alguma coisa.»

E como veem eles os colegas e amigos filhos únicos? Pedro garante não notar diferença, já Beatriz não hesita em traçar um diagnóstico. «A maior parte dos meus amigos da escola não têm irmãos. Acho que os pais sentem um bocado de culpa e por isso recebem mais pren­das. Ou então têm mais dinheiro para eles, não sei. Não digo que se­jam mais mimados, porque alguns até são menos, mas geralmente é assim. Toda a gente que conheço quer ter um animal de estimação, mas os que têm são na maioria filhos únicos.»

Alexandra, Gonçalo e Carolina assumem sem qualquer complexo que gostam de ser filhos únicos, e não renegam a sua dose de mimo – «a minha mãe diz que eu devia de ter muitos irmãos para deixar de ser mimalho», afirma Gonçalo –, mas também não escondem aqui e ali alguns momentos solitários. Fazem–no, contudo, sem drama aparente. A julgar pelas suas palavras e pela forma como ocupam o tempo, longe parecem ir os tempos em que um filho único não sabia o que fazer. «Quando estou em casa jogo, brinco, vejo televisão ou cozinho com a minha mãe. Também brinco com o meu pai. Muitas vezes as minhas amigas vêm para minha casa. O mais chato é quando quero brincar com alguém e estou sozinha», diz Alexandra.

A idade aumenta, mas as repostas são em tudo semelhantes. Para Carolina, adolescente, o mais «difícil de não ter irmãos é que às vezes os meus pais estão a trabalhar e não tenho ninguém para jogar videojogos ou passar tempo». Já Gonçalo, quando não está na escola, passa os dias «na piscina, a ver televisão, a jogar bilhar, PlayStation e futebol. De vez em quando também brinco com amigos e o meu primo de 8 meses». A parte menos boa é precisamente não ter ninguém «para jogar futebol, PlayStation, bilhar ou ir para a piscina».

Palavras simples, ingénuas, sorridentes, que remetem, ainda assim, para outra questão, também ela poucas vezes abordada. Como será quando forem mais velhos? Falar em filhos únicos é, por defeito, falar em crianças, mas se a infância e a adolescência são transitórias, ser filho único é um estado para a vida. Se é ver­dade que terão de travar menos batalhas pela conquista do seu espaço e atenção dos pais, poder-lhes-á faltar algum apoio e com­panhia, sobretudo nos maus momentos.

António Torrado, 74 anos, sabe do que fala. «Quando os pais caem na doença, quando os perdemos, ficamos órfãos, sentimo-nos sós.» Escritor, argumentista, dramaturgo e uma das maiores referências na literatura infanto-juvenil – em 1988 foi distinguido com o Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças –, ainda é do tempo em que ser filho único era a exceção. «Criei uma associação de filhos únicos, juntamente com outros amigos. Éramos adolescentes e que­ríamos acabar com o anátema do filho único. Do menino mimado. Naqueles tempos era ainda mais forte e éramos algo discriminados.» António Torrado pode ter feito tudo para ajudar a mudar esta rea­lidade, mas sabe que foi essa mesma realidade que fez dele escritor. «Sempre quis ter uma irmã mais velha e um irmão mais novo. Gos­tava de ter sido um pouco protetor, já que fui sempre muito protegi­do. Acabei por inventá-los e escrevia para eles. A figura fantasmáti­ca, o irmão fictício, é muito comum nos filhos únicos. Se tivesse tido um irmão talvez tivesse exteriorizado tudo de outra forma. Talvez me tivesse dedicado mais à rua, ao desporto. Brincava sozinho. Sem­pre soube brincar sozinho. Acabei por transferir isso para a litera­tura.» Um universo que à partida não lhe estaria reservado, até por­que os «pais inventam um destino para os filhos» e nem sempre é fá­cil fugir ao guião traçado. «O meu pai era empresário, queria que eu trabalhasse com ele, daí ter sido mais prudente, mais recatado. Me­nos aventureiro. Para não os desiludir. Ainda andei titubeante, mas acabei por seguir o meu caminho. Quando recebi o Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura o meu pai já estava muito doente, mas es­teve presente. Disse-me que ficava feliz por ter seguido o meu cami­nho. Foi o maior prémio que poderia ter tido.»

Os tempos mudaram e as estatísticas estão aí para compro­vá-lo. Ser filho único já não é a exceção, algo que possa causar ver­gonha ou ser motivo de gozo por parte dos colegas e amigos. Até porque é mais difícil gozar com o outro quando este é igual a nós. Se em 1991 apenas 43,8 por cento dos casais tinham um filho, em 2011 esse número aumentou para 54,7 por cento. Os números tornam-se mais claros à medida que se recua no tempo: em 1960 um agregado familiar português era em média constituído por 3,8 pessoas. Em 2011 diminuiu para 2,6. Já as famílias com mais de cinco elementos representavam 17,1 por cento do total, ficando-se agora pelos 2,0 por cento. Dados e conclusões do Instituto Nacional de Estatística juntamente com o Observatório das Famílias e das Políticas de Fa­mília referentes aos Censos de 2011. Relatório onde se conclui tam­bém que o número de filhos por mulher atingiu os mínimos: 1,35.

Os alarmes soaram, repetem-se os apelos e a necessidade de in­centivo à natalidade, de forma a contrariar o saldo natural nega­tivo – mais óbitos do que nascimentos. Mas a verdade é que os úl­timos números acentuam a tendência: se Portugal já tinha batido em 2013 um novo recorde negativo de natalidade (nasceram 82 538 crianças, menos 7303 do que no ano anterior), tudo indica que nes­te ano os números venham a ser ainda mais preocupantes: segun­do dados avançados pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, nos primeiros oito meses de 2014 houve apenas 53 641 re­cém-nascidos a efetuar o chamado «teste do pezinho». Menos 957 do que no ano passado.

Como vamos alterar esta tendência? Como será assegurada a substituição de gerações? Estará esta nova geração de filhos úni­cos bem preparada para enfrentar o mercado de trabalho? Ques­tões, inúmeras questões, que, pelo menos para já, não cabe a estas crianças responder. Se bem que não fujam a nenhuma pergunta. «Se tivesse filhos gostava de ter um, porque não sei tratar lá mui­to bem de bebés», conclui Gonçalo, resposta e sorriso pronto, como qualquer filho (único).

CONVERSAR É PRECISO É sabido que as crianças pensam, falam e per­guntam sobre (quase) tudo, mas será que falam entre si sobre assuntos como este? Carolina, 13 anos, assume que às vezes fala com os colegas «sobre isso», já Gonçalo, 8 anos, diz que nunca falou com os amigos sobre ser filho único. Algo normal, garante Otília Fernandes. Sensivel­mente «até aos 6 anos, já dizia Piaget, a criança é um ser muito egoísta, pensa só no que seria bom para ela, e lá no fundo todas as crianças querem ser úni­cas, mesmo que digam que querem um irmão». Já a conversa entre filhos e pais é outro assunto. Promover o diálogo é fundamental, adianta Mário Cordeiro. «Os pais devem ouvir e sobretudo escutar as crianças, e não apenas o contrário. Defendo muito os “almoços de negócios” entre pais e filhos. As famílias são “empresas” em que tem de haver reuniões periódicas e avaliações do que corre bem ou mal.» Ainda assim, e por mais diálogo que exista, na hora de um casal avançar (ou não) para outro filho, a decisão não deve ser in­fluenciada ou inflacionada pela vontade da criança. Ouvir é uma coisa, decidir é outra. «Só cabe aos pais decidir os número de filhos que querem», conclui a investigadora.

NA PRIMEIRA PESSOA Vê-se mesmo que és filho único.» Já perdi a conta ao número de vezes em que ouvi esta expres­são. O mesmo, ou mais, em que ouvi a frase: «Nem pa­reces filho único.» Se os ró­tulos que nos colocam são o reflexo das nossas atitu­des, a minha personalidade parece ainda longe de estar definida. Não me preocupo, contudo. Ser filho único é também aprender a viver com estas contradições. As nossas e as dos outros. A forma como nos vemos e a maneira como o mundo nos olha(va). Há pouco mais de três décadas ser fi­lho único já não era um dra­ma – é possível que nunca tenha sido um drama, apenas uma caraterística – continuo, ainda assim, a carregar comigo este «te­ma». Talvez por isso tenha escrito este artigo. Talvez por isso tenha escrito um livro para crianças sobre o assunto, Diário das Coisas Impossíveis. «O que será melhor? Crescer, sozinho, rodeado de brinquedos ou, com menos brinquedos, mas rodeado de irmãos?» É esta a questão que atra­vessa toda a obra. Uma pergunta ingénua, porven­tura simplista, para a qual não tenho resposta e que pretende, acima de tudo, estimular a discussão. Costumo dizer, meio a brin­car meio a sério, que ainda hoje tenho uma secreta esperança de que a minha mãe engravide, mesmo já tendo passado dos ses­senta. Nem que fosse para mais tarde perceber que, afinal, não há nada como ser filho único. João Ferreira Oliveira, autor do livro Diário das Coisas Impossíveis

 

 

Telemóvel ou filhos? O que é prioritário pode não ser tão óbvio para alguns pais

Outubro 15, 2014 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do Público de 13 de outubro de 2014.

Daniel Rocha

A tecnologia torna mais próximos os que estão longe mas também afasta quem mais precisa de nós.

“Mãe tenho uma coisa para te contar?” “Pai olha o desenho que fiz!”. Apesar da insistência da criança, mãe ou pai estão demasiado ocupados a trocar SMS, a falar com um amigo ou a experimentar a aplicação acabadinha de sair e que lhes vai facilitar tanto a vida. Está a tornar-se um hábito em muitas famílias: olhos nos ecrãs dos telemóveis e tablets e pouca conversa. As interacções entre pais e filhos podem estar a sofrer com o mundo digital ou é ainda possível jantar em família?

Esta e outras questões foram colocadas pela psicóloga clínica Catherine Steiner-Adair no seu livro The Big Disconnect e sublinhadas num artigo que a norte-americana publicou esta semana no site de notícias Quartz, onde fala num “paradoxo parental do momento”.

“Não só as distracções crónicas de tecnologia têm efeitos profundos e duradouros, como as crianças precisam desesperadamente de pais que lhes deêm o que tecnologia não pode: proximidade, interacções significativas com os adultos nas suas vidas”, defendia a autora na apresentação do seu livro lançado em 2013 e para o qual entrevistou mais de mil crianças em fase de creche e outras no ensino básico, preparatório e secundário.

Steiner-Adair admite que a tecnologia veio aproximar familiares que estão a grande distância, através de serviços como o Skype ou as redes sociais, mas a interacção pessoal perdeu terreno, nomeadamente entre pais e filhos. A psicóloga nota no artigo que escreveu no Quartz que “as escolhas que fazemos diariamente sobre o uso de telemóveis e ecrãs quando os nossos filhos estão presentes podem afectar significativamente em todos os aspectos a sua saúde e desenvolvimento”.

Nas entrevistas que fez a crianças e adolescentes, Steiner-Adair ouviu a maioria dos inquiridos afirmarem que os seus pais estavam fisicamente presentes mas emocionalmente distantes, devido à constante ligação aos aparelhos móveis. O resultado, segundo a autora, é claro e tem consequências graves. “Quando largamos tudo para nos virarmos para os nossos telefones estamos a enviar a seguinte mensagem: ‘Por mim está bem ver apenas que estás aqui – não és assim tão importante. A nossa conversa, a nossa proximidade, o nosso relacionamento, nada disso é uma prioridade’. Estamos também a ensinar aos nossos filhos a fazer a mesma coisa”.

A psicóloga alerta que há momentos chave onde o telemóvel ou o tablet devem ser postos de lado. Seguindo estes passos, a autora acredita que pais e filhos podem “fazer a diferença” e mudar para melhor a forma como se relacionam.

As manhãs são essenciais para transmitir aos filhos que os seus pais estão calmos e presentes e que o dia vai começar bem. Conselho aos pais: por que não acordar um pouco mais cedo e ver emails ou realizar tarefas online antes de ajudar os filhos a saírem da cama? O mesmo se deve fazer à hora de deitar. “Nada de ecrãs no quarto para ninguém!”, defende a psicóloga.

Ao volante, as mãos devem estar livres para a condução. A regra é universal mas alguns adultos continuam a alternar os olhos na estrada com os olhos nos ecrãs. Steiner-Adair sublinha não só o perigo do acto, mas alerta ainda que os momentos passados no carro devem ser “criativos, calmos e dedicados a conversas com as crianças”. Este conselho serve para quando se vai levar ou buscar os mais novos à escola, por exemplo. Depois de um dia ocupado com aulas e de várias experiências, a maioria das crianças está ansiosa por partilhar tudo com os pais. “É importante ouvir sobre como correu o seu dia e eles ficam melhores quando o podem compartilhar connosco”.

Outro dos momentos importantes para reforçar as ligações familiares são as horas de refeição. Falar sobre como correu o dia, o que se apreendeu, os momentos mais emocionantes, devem fazer parte de uma normal conversa à mesa, sem que haja interrupções com toques de telemóvel ou alertas para novas entradas no Facebook.

texto de Catherine Steiner-Adair no site Quartz

http://qz.com/277464/the-times-of-day-when-your-kids-need-you-to-disconnect/

 

Caminhada Solidária em Torres Novas – 18 de Outubro

Outubro 15, 2014 às 10:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Torres Novas convidam todos a participar na Caminhada Solidária! Os serviços administrativos da Santa Casa da Misericórdia de Torres Novas pretendem garantir que ninguém ficará indiferente às iniciativas da Semana pelo Combate à Pobreza e Exclusão Social. De tal forma que convidam todos os interessados a fazer parte da Caminhada Solidária no próximo dia 18 de Outubro, pelas 15h30m. O ponto de encontro será na Praça 5 de Outubro, e as inscrições podem ser feitas no local. Além disso, solicitam aos participantes que contribuam com um género alimentar para futura doação. Este contributo remete a favor da Ação Social das Paróquias de Torres Novas.

Contatos

Telefone: 249 822 541

Email: geral@scmtorresnovas.pt

Serviços Administrativos

Praça 5 de Outubro

2350-418 Torres Novas

 

 

II Seminário Educação Parental: Boas Práticas

Outubro 15, 2014 às 10:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A participação é gratuita e sujeita a inscrição até ao dia 20 de outubro

 

mais informações:

http://cm-viladobispo.pt/pt/noticias/1287/educacao-parental-boas-praticas%E2%80%9D-em-debate-no-centro-cultural-de-vila-do-bispo.aspx

La Cour de Babel – Documentário sobre juventude e integração na Festa do Cinema Françês

Outubro 15, 2014 às 6:00 am | Publicado em Divulgação, Vídeos | Deixe um comentário
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mais informações aqui

Sinopse

São irlandeses, sérvios, brasileiros, tunisinos, chineses ou senegaleses e acabam de chegar a França….Durante um ano, Julie Bertucelli filmou os intercâmbios, os conflitos e as alegrias deste grupo de alunos com idades entre os 11 e 15 anos, todos reunidos numa mesma sala de aula para aprender francês. Neste pequeno teatro do mundo exprime-se a inocência, a energia e as contradições destes adolescentes que, animados pela mesma vontade de mudar de vida, põem em causa muitas das ideias “feitas” sobre a juventude e a integração fazendo-nos acreditar no futuro….

LISBOA › QUINTA 02 OUTUBRO › 21h00 CINEMA SÃO JORGE – Sala 1
LISBOA › SEGUNDA 06 OUTUBRO › 10h30 CINEMA SÃO JORGE – Sala 3 (sessão escolar)
LISBOA › QUARTA 08 OUTUBRO › 21h30 INSTITUT FRANÇAIS DU PORTUGAL
LISBOA › SEXTA 10 OUTUBRO › 10h30 CINEMA SÃO JORGE – Sala 3 (sessão escolar)
LISBOA › DOMINGO 12 OUTUBRO › 17h00 CINEMA SÃO JORGE – Sala 1
LISBOA › QUARTA 15 OUTUBRO › 21h30 INSTITUT FRANÇAIS DU PORTUGAL
COIMBRA › TERÇA 07 OUTUBRO › 23H00 TEATRO ACADÉMICO DE GIL VICENTE
COIMBRA › QUARTA 08 OUTUBRO › 10h30 TEATRO ACADÉMICO DE GIL VICENTE (sessão escolar)
Porto › QUINTA 16 OUTUBRO › 18h30 CASA DAS ARTES
Portimão › SEXTA 10 OUTUBRO › 10h00 Teatro Municipal de Portimão (sessão escolar)
Faro › QUARTA 22 OUTUBRO › 22h00 Teatro Municipal de Faro
GUIMARÃES › SEGUNDA 03 NOVEMBRO › 21h45 Centro Cultural Vila Flor
ALMADA › QUARTA 12 NOVEMBRO › 21h30 Auditório Fernando Lopes Graça
ALMADA › DOMINGO 16 NOVEMBRO › 16h00 Auditório Fernando Lopes Graça
setúbal › SEXTA 14 NOVEMBRO › 21h30 Cinema Charlot – Auditório Municipal
BRAGA › QUINTA 30 OUTUBRO › 21h30 Theatro Circo, Sala Principal

 


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