O que não dizer às crianças em frente a um prato de comida

Setembro 16, 2014 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto da Activa de 7 de setembro de 2014.

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Lembra-se do clássico ‘se não comes o bife, não há sobremesa’? Parece boa ideia, mas não funciona assim tão bem. Falámos com uma nutricionista para perceber afinal o que não deve sair da nossa boca (e o que deve entrar, claro).

Por Catarina Fonseca

“Se não comes o bife, não há sobremesa”

“A comida não deve ser um castigo nem uma recompensa”, nota Paula Veloso, nutricionista e autora de vários livros de cozinha para crianças e para toda a família. “A sobremesa devia ser fruta, mas nem sempre é. Geralmente é doce, e é mesmo vista como uma recompensa… A refeição deve ter 3 componentes: sopa, que é essencial, prato com um bocadinho de proteína, hidratos de carbono e legumes (se as crianças comerem a sopa não é assim tão importante que comam muitos legumes no prato), e fruta.”

“Não sais da mesa antes de comer tudo o que tens no prato”

Ninguém deve ser obrigado a comer nada. “Se não come a sopa, come o prato, e se não come o prato come a fruta, mas se não comer fruta não come mais nada, e terá fome na próxima refeição, que é o que se pretende”, defende Paula Veloso. “As mães têm muito medo que as crianças morram de fome de uma refeição para a outra e portanto dão-lhes tudo o que elas querem, o que é um erro.”

“Se eu não te obrigasse, não comias nada”

“Isto é um disparate: nenhuma criança saudável e com comida à frente alguma vez morreu de fome”, afirma a nutricionista. “Claro que as crianças percebem perfeitamente que a comida é uma arma, e usam-na para manipular a família e para ter atenção.” Como prevenir: “Pôr pouca comida no prato, porque as crianças quando veem muita comida tendem a rejeitá–la. Nem sabem por onde é que hão de começar e aquilo aflige-as. O facto de as obrigarem a comer também faz com que o estômago dilate. E eles vão exigindo doses cada vez maiores, de que não precisam para nada.”

“O teu irmão já acabou e tu ainda aí vais”

“As crianças são todas diferentes, há quem tenha mais apetite do que outros, tal como também há alturas em que têm mais fome do que noutras, que também acontece connosco. Mas nós temos controlo sobre o que comemos e eles não. A porção que está no prato da criança foi a mãe que a pôs lá. Portanto, logo aí ele está a ser controlado por uma vontade que não a dele. Claro que uma mãe gorda terá tendência a encher o prato de comida, quando uma criança precisa de muito menos comida do que pensamos. Até nós precisamos de muito menos comida do que pensamos. Se uma criança tem falta de apetite, deve comer mais vezes em menos quantidade.”

“Toma lá o Ipad, para ver se comes melhor”

A refeição ideal seria sem distrações, um momento de partilha com a família. Mas a falta de apetite das crianças acaba por transformar um momento que devia ser agradável numa batalha campal já antecipada: “A criança já sabe que aquilo vai ser um stresse e vai para a mesa enervada”, diz Paula Veloso. Portanto, os pais fazem tudo para a ter distraída. E como todas as mulheres sabem, comemos muito mais… em frente de qualquer ecrã. “Chegamos a casa e pomo-nos a tratar da roupa e do jantar, e a certa altura estamos a comer bolachas e nem damos por isso… e com as crianças e a televisão (ou o Ipad) acontece a mesma coisa.” Por isso, desligue a televisão. E coma longe do Ipad.

“Não te dou legumes porque tu nunca comes”

“Não gostar de uma coisa ou outra é aceitável. Toda a gente tem uns ‘desgostos’. Mas se eles não comerem legumes, comam sopa, pelo menos”, aconselha a nutricionista. “Eu já sou avó, e uma coisa que disse sempre aos meus filhos foi ‘Prova ao menos uma vez’. E isso sempre funcionou. Claro que das primeiras vezes há aquele orgulho infantil em que não gostar é uma questão de honra (risos). Mas se a pessoa for dando aquele alimento, eles na maioria das vezes acabam por comer.”

“Despacha-te!”

“É preciso tempo e sossego para comer. Se repararmos, nos restaurantes gourmet come-se pouco. Porque a visão importa: põe-se poucas doses para a pessoa reparar nas cores e nas texturas. E no entanto no fim da refeição sentimo-nos satisfeitas. Porque estamos a prestar atenção, aquilo é caro, e desfrutamos da refeição. Ou seja, com grandes ou pequenos, a aparência da comida é importante. E o que põe os pratos mais bonitos e coloridos é o que engorda menos, como os legumes e a fruta. Por exemplo, uma caldeirada é um prato bonito e que qualquer pessoa de qualquer idade pode comer.”

“Passei-te a sopa toda, como tu gostas”

“As crianças têm de se habituar a sentir a textura das coisas”, explica Paula Veloso. “Senão, a sopa fica incaracterística, parece sempre a mesma coisa, eles nem sabem o que estão a comer e passado algum tempo enjoam…” As sopas não têm de ter muita coisa nem têm de ser passadas. “As pessoas dizem, ‘Ai eu ponho tudo na sopa’, e depois deitam lá para dentro muitos ingredientes de uma só vez e aquilo fica tudo igual.” Uma sopa não dá trabalho nenhum: “Pode cozer uma base de batata, cebola e cenoura, por exemplo, e em cima pôr uma rede onde as verduras cozem ao mesmo tempo dentro da água. Depois passam-se os legumes pela varinha mágica, e depois viram-se os legumes lá para dentro. Em 15 minutos está uma sopa feita.” Também se deve evitar misturar a carne ou o peixe na sopa (porque, mais uma vez, eles devem habituar- -se à textura e ao sabor dos alimentos) e fazer uma panela para a semana toda, porque ao fim de dois dias a comer a mesma coisa já ninguém aguenta.

Keep Calm e dê-lhe a papa

Os bebés começam a comer papa entre os 5 e os 7 meses, e a partir daí é uma nova etapa na sua vida: não stresse se ao princípio estranharem – os bebés estão ‘programados’ para recusarem tudo que não seja o mamilo. Ponha a colher ao canto da boca e deixe que ele sinta o sabor da papa. Aos poucos vão-se habituando. Também não estranhe que comam melhor nuns dias que noutros (há dias que só falta comerem o prato e outros que não entra nada). Muitas vezes, a falta de fome deve-se às dores e ao stresse por causa dos primeiros dentes. Alguns bebés levam tempo a habituar-se às papas. Vá com calma, não queira que ele rape o prato nas primeiras vezes e experimente diferentes sabores gradualmente. Quando são mais crescidos, e como os olhos também comem, experimente inovar a meio da tarde, quando eles têm mais fome: junte rodelas de banana, pera aos bocadinhos ou iogurte natural à papa láctea.

 

 

 

II Reunião de Pediatria Social – Crise e Oportunidades da Saúde com a participação de Dulce Rocha e Ana Perdigão do IAC

Setembro 16, 2014 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Drª Dulce Rocha, Vice-Presidente do Instituto de Apoio à Criança, irá participar com a comunicação “Instituto de Apoio à Criança pelas 15.45 h e a Drª Ana Perdigão – Coordenadora do Serviço Jurídico do instituto de Apoio à Criança, irá participar com a comunicação “Violência Doméstica” pelas 15.00 h.

crise

mais informações sobre a reunião no link:

http://www.spp.pt/eventos/default.asp?ida=1103&ID=136

25 formas de perguntar “como correu a escola?”

Setembro 16, 2014 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do Observador de 28 de agosto de 2014.

AFP getty images

A pergunta pode afastar os filhos e os pais obtêm respostas como “bem” ou “normal”. Resultado: ficam sem saber nada. Eis um guia com 25 perguntas para ficar a saber tudo sobre como correu o dia.

Catarina Marques Rodrigues

Pais e mães. Todos diferentes, mas todos com problemas semelhantes. Se os seus filhos já estão na escola, é provável que já se tenha deparado com respostas vazias e pouco consistentes quando lhes pergunta como correu a escola. Um distraído “bem”, “fixe” ou “normal” são respostas que não contêm informação sobre o dia da criança. E é esta falta de conhecimento que alarma os progenitores.

A pensar nesta lacuna, uma mãe natural de Omaha, EUA, criou um manual com 25 perguntas que permitem arrancar mais facilmente pormenores e histórias que preencheram o dia dos filhos, mas não só. Há perguntas específicas sobre a relação com os colegas e com a professora, sobre os momentos mais divertidos e mais tristes e sobre as brincadeiras no intervalo. Tem um papel e uma caneta à mão?

1. Qual foi a melhor coisa que aconteceu hoje na escola? E a pior?

2. Conta-me algo que te tenha divertido hoje.

3. Se pudesses escolher, sentavas-te ao pé de quem na sala? E quem é que não queres que se sente ao pé de ti?

4. Qual é o sítio que mais gostas na escola?

5. Diz-me uma palavra esquisita que ouviste hoje.

6. Se eu telefonasse agora à tua professora, o que é que ela me ia dizer sobre ti?

7. Ajudaste alguém a fazer alguma coisa hoje?

8. Alguém te ajudou a fazer alguma coisa hoje?

9. Diz-me uma coisa que tenhas aprendido hoje.

10. Qual foi o momento mais giro de hoje?

11. O que é que te chateou hoje?

12. Se um extraterrestre entrasse na sala e pudesse levar alguém com ele para fora dali, quem é que querias que fosse?

13. Com quem é que gostavas de brincar no intervalo que ainda não brincaste?

14. Diz-me uma coisa boa que tenha acontecido hoje.

15. Que palavra é que a tua professora te ensinou hoje?

16. O que é que achas que devias fazer ou aprender mais na escola?

17. O que é que achas que devias fazer menos na escola?

18. Na tua sala, com quem é que achas que podias ser mais simpático/a?

19. Em que sítio é que costumas brincar quando estão no intervalo?

20. Quem é a pessoa mais engraçada na tua sala? Porquê?

21. O que é que gostaste mais no almoço de hoje?

22. Se amanhã fosses tu a professora, o que é que mudavas?

23. Há alguém na tua sala que está a precisar de descansar?

24. Se pudesses trocar de lugar com alguém, com quem é que trocavas?

25. Diz-me três vezes em que tenhas usado o lápis hoje.

 

 

Corto Pipas – Curta Metragem sobre a importância da escola /aprendizagem

Setembro 16, 2014 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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